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Liber de Occulta Confusionis

Oh, por quantos caminhos eu trilhei, por quantos sistemas religiosos e esotéricos eu perambulei, só minha sombra sabe.

Imitação, tudo é imitação, não há um único original.

Eu mesmo formei meu próprio grimório, meu próprio livro da lei e meu próprio texto sagrado.

Agora no alto de minha experiência e maturidade, o que eu vejo em volta são conflitos de egos, títulos vazios e cultos de personalidade, arrebanhando crianças em sua volta e fazendo do Conhecimento Antigo uma ridícula farsa comercial.

Em algo eu devo reconhecer no descrente: eles são criativos e fizeram várias sátiras religiosas, como o Pastafarianismo, a Igreja do Subgênio, a Igreja do Unicórnio Rosado Invisível. Pena que algumas sátiras de religião acabaram se tomaram a sério, como o Jediísmo e o Satanismo.

Mas eu estou adiantando a narrativa. Vamos começar do começo.

Eu comecei minha jornada no colegial, depois que o conhecimento secular finalmente atingiu uma espinha. Ao contrário de muitos cristãos [seja qual for sua vertente] eu li a bíblia para entender a diferença entre o conhecimento secular e o conhecimento bíblico. Ao contrario de muitos cristãos [seja qual for a vertente] os fatos estavam contra a bíblia e este livro sagrado foi descartado como fonte de conhecimento confiável e por um bom tempo eu fui ateu.

No entanto, ao contrário dos descrentes, eu não aceitava simplesmente as soluções ou explicações científicas. Quando eu era pequeno eu desenvolvi um interesse e curiosidade sobre o mundo espiritual, praticamente depois que meus primos e meu irmão tentaram me apavorar contando histórias de fantasmas ou me deixando de fora da “brincadeira do copo”. O que eu mais gostava eram histórias de terror e eu queria saber mais da história dos monstros, de preferência contada por eles.

Ainda que de forma velada, a bíblia conta de práticas e crenças que são definidas por bruxaria. Isso me levou a pesquisar sobre as crenças e religiões dos povos antigos. Ali começou minha jornada, em busca de minhas origens, de minhas raízes, de minha identidade.

Eu também estava em busca de aceitação, reconhecimento ou de pessoas que pensassem como eu, pois o que mais se tem nessa sociedade cristã é violência, segregação, preconceito, intolerância, ódio. Por um bom tempo eu estudei a história do Cristianismo para me livrar de vez dessa crença imposta.

Quando eu estive no fundo do poço, quem esteve do meu lado foram entidades que, para a concepção cristã, eram demônios e o Diabo. Então eu também fui satanista, por um bom tempo, até perceber que isto estava mais para uma paródia do que um sistema coerente ou original.

Sim, a internet. Eu comecei a “navegar” em 2001, nos quiosques do correio, no espaço que existia [gratuito] no Banco do Brasil [centro de SP] ou nos espaços cedidos pela Prefeitura. Ali eu consegui organizar e publicar meus escritos. Ali eu comecei a organizar e construir minhas páginas virtuais. Ali eu tive os primeiros contatos com grupos de todo o tipo: ateus, bruxos, satanistas. Tudo e qualquer coisa que desafiasse, que contestasse a Igreja, eu estava interessado.

Em 2002 e 2003 eu comecei a me interessar pelo Satanismo [La Vey] simplesmente porque muitas coisas que ele escreveu combinavam com o que eu havia escrito dos 18 aos meus 21 anos, uma obra que eu defino como minha catarse, o início de minha cura interior.

Esses trechos, tirados de outros textos meus, de meu outro blog, resumem a minha jornada, o meu caminho, até hoje. Os leitores que estiverem interessados na minha jornada espiritual dos 21 aos 51 anos, podem acessar o blog “Terra em Transe”, de minha autoria, o assunto aqui é outro.

Eu não devo estar dizendo coisa alguma de novidade quando eu digo que Satanismo é uma sátira religiosa que se levou a sério demais, o Satanismo é uma mera válvula de escape, uma armadilha pueril, que serve apenas para mentalidades imaturas. Assim como inúmeros outros fundadores de um sistema religioso, Anton Szandor Lavey foi um enorme charlatão que plagiou porcamente diversos sistemas mágicos, esotéricos e ocultistas. Em termos ritualísticos e filosóficos, o Satanismo não sustenta a si mesmo.

Eu vou me arriscar e dizer que a Wicca também tem mais furos e lapsos que, somente por um “salto de fé” [frase que o ateu usa muito] para levar a sério diversas de suas afirmações. Ainda causa muito incômodo entre os estudiosos e praticantes wiccanos a forte presença de Aleister Crowley, praticamente o “tio” da Wicca. Gerald Gardner, o fundador da Wicca, tinha mais vínculos com a franco-maçonaria do que com a Bruxaria Tradicional e a narrativa de sua “iniciação” tem tantas contradições que tornam os wiccanos tão crédulos quanto os cristãos são crédulos quanto ao “nascimento” de Cristo. Pouco se fala publicamente que o termo “gardneriano” foi cunhado por Robert Cochrane como um título pejorativo, em meio a uma disputa entre a Wicca e a Bruxaria Tradicional Moderna. Pouco se fala que Doreen Valiente, a “mãe” da Wicca, rompeu com Gardner por que ele não seguia as próprias “regras” que ele dizia pertencer ao Ofício. Pouco se fala que a “tradição alexandrina” começou quando uma pregressa de 1* de algum coven gardneriano “iniciou” Alex Sanders, quando apenas alguém de 3* pode fazê-lo. Pouco se fala das “iniciações” por telefone, por guardanapo de papel e os inomináveis “diplomas” que eram expedidos para “provar” a linhagem de pessoas sem bona fides a troco de dinheiro. Como se isso não bastasse, a Wicca “americanizou” e se tornou uma verdadeira “loja de conveniência”, de tal forma que é impossível sustentar mais a linhagem e a tradição, diante de tantas “tradições” de fundo de quintal e de tantos “sacerdotes” autoproclamados. Se a Wicca é a única religião legitimamente britânica, as “religiões da Deusa” e o Dianismo são religiões legitimamente americanas, no pior sentido possível.

Depois que o [autoproclamado] sacerdote diânico Claudiney Prieto, apesar de seus inúmeros textos atacando os princípios da Wicca Tradicional, foi aceito, treinado e iniciado em um coven com uma legitima linhagem Gardneriana, eu desisti de procurar e pleitear pelo meu treinamento e iniciação. Depois que eu fui feito de palhaço e fantoche por uma pessoa que se diz bruxa legítima, uma pessoa que traiu minha amizade, confiança e dedicação, eu parei de escrever minha jornada espiritual. Eu não estou afirmando que eu sou inocente, só minha sombra sabe o quanto eu contribui para minha péssima reputação e situação dentro do Ofício. Felizmente o Conhecimento Antigo está disponível na internet, o Caminho está diante de nossos olhos, os meus ancestrais continuam comigo e os Deuses Antigos estão ao alcance de todos.

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Orlando’s days – IV

Para este dia, as “diretoras de evento” resolveram ir ao outlet Florida Mall, com a intenção de ir ao Best Buy e ao Toy R Us. Objetivo: encontrar o Xbox e o kinect para o Luiz [sobrinho]. Mas antes, nós passamos no outlet Premium, onde as meninas adquiriram bonecos de pelúcia da Disney.

Eu tinha separado minha lista de lugares e de compras para este dia, mas antes de ser dispensado, eu dei uma volta nesse outlet e encontrei algo inusitado: um energético composto com… canabis. O Florida Mall tem o jeitão de shopping como estamos acostumados, mas com um piso apenas. Ali próximo encontramos uma Toy R Us, uma Best Buy, uma Macys e uma Burlington.

Na Best Buy nós conseguimos encontrar o Xbox para o Luiz e um laptop para eu e a Kátia. Eu fiquei com vontade de olhar um PS Vita, mas desisti. Eu até procurei um tablete da Dell, mas achei apenas da Samsung e da Apple. Kátia esticou o olhar para as câmeras fotográficas. Eu pressenti que ela iria querer comprar uma.

Quando as meninas me dispensaram, eu fui aos lugares que eu havia planejado, mas não encontrei. Eu fui ao Downtown novamente e achei um belo parque e um lago. Aqui em São Paulo tem o Parque do Ibirapuera, mas este parque estava em condições incomparavelmente melhores. Para não perder a viagem, eu acertei o GPS para a Barnes and Noble mais próxima, mas antes fazendo uma parada para almoçar em um restaurante vietnamita.

O restaurante era bem aconchegante e não tinha muita gente. Na entrada tinha uma placa pedindo para esperar para que um atendente viesse indicar uma mesa. Veio um senhor e perguntou quantos eram e eu respondi que era só eu. A mesa era coberta com um tampo de vidro e tinha uma chapa, provavelmente para manter os pratos quentes. O garçom trouxe o cardápio e também talheres, apesar de eu saber usar o hashi.

Eu dei uma boa olhada no cardápio e achei os preços bons e acessíveis. Eu escolhi dois pratos [desculpem, mas eu esqueci o nome do restaurante e dos pratos] e pedi um copo com água. Enquanto eu aguardava meu pedido, eu observei que a mesa tinha uma cestinha com três molhos. Mais ao fundo, uma família comia fartamente.

Os pratos não demoraram muito e tinham porções generosas. Eu acho que eu tinha pedido ou pato ou porco. O arroz veio com salada e rolinhos salgados. Junto com a carne eu vi que tinha camarão e outros acompanhamentos. Dois molhos eu coloquei nas carnes e o molho marrom eu coloquei no arroz. Os dois molhos que eu coloquei nas carnes, um era apimentado e o outro era bem parecido com vinagrete. O molho marrom era doce, mas eu comi o arroz assim mesmo.

Eu comi bastante e fiquei satisfeito. Dali eu segui para a Barnes and Nobles. Esta livraria era bastante espaçosa e com bastante variedade. A Livraria Cultura e a Livraria Saraiva [nos shoppings daqui] tentam ser igual. Só que não. Ali eu encontrei diversos livros encadernados chamados “journal book”, lindos, alguns com capa de couro, onde qualquer pessoa pode escrever seu próprio livro. Eu escolhi e adquiri um desses, que acabei dando de presente para a Kátia e mais dois livros.

Novamente calculando bem meu tempo livre, eu retornei às seis da tarde e encontrei com as meninas na Marshall que tinha ali e fui também na Burlington. Nestas lojas eu fui mais sortudo. Eu encontrei um par de tênis e um casaco. As meninas, animadas, ainda passaram em outro Walmart, onde pegamos mais comidinhas.

Do quinto ao oitavo dia nós repetimos alguns roteiros que fomos até o quarto dia. Repetimos três vezes nossa visita ao Premium, fomos mais duas vezes ao Millenia Mall e mais duas vezes ao Target. Fomos mais duas vezes ao Best Buy e ao menos mais uma visita ao Toy R US. Eu fui a duas lojas de bebidas onde eu achei um licor de rum e café e levei uma garrafa de tequila. A ultima aquisição foi a câmera fotográfica, com maletinha, bateria extra e cartão de memória.

Algumas aquisições que acabei levando foram calças jeans de marca, mais um tênis de marca e um relógio de marca. Deixamos as malas prontas para irmos embora no décimo dia, pois reservamos o nono dia para passear um pouco pela cidade de Orlando, tentar ir em algum parque próximo ao hotel.

Então nós tentamos ir na Orlando Eye, mas desistimos ao ver que o estacionamento era pago e não tinha estacionamento gratuito próximo. Nós paramos em um Walgreen que tinha no cruzamento da International Drive com a Sand Lake Road. Caminhamos pelo complexo de atrações que cercavam a Orlando Eye, comemos batatas e tiramos várias fotos. No Walgreen eu achei uma bela garrafa de cerveja feita com cerâmica, mas como iriamos embora no dia seguinte e eu ia dirigir, achei melhor deixar para a próxima vez.

Quando voltamos ao hotel de noite, estávamos bastante cansados, mas eu demorei a dormir. Eu acertei o despertador para às oito da manhã. As meninas dormiram um pouco mais enquanto eu fazia um rescaldo do que faltava arrumar e fazia café pela ultima vez.

Tudo arrumado, eu fiz o check-out às onze e quinze e as malas estavam todas devidamente acondicionadas no carro. Voltar para o aeroporto não foi difícil e nos precavemos deixando moedas para o pedágio. Difícil foi encontrar a entrada certa para retornar o carro para a Alamo Rent a Car.

Descemos todos, um funcionário veio com um carro grande para pegar nossas bagagens enquanto o pessoal da Alamo recebia as chaves e fazia a leitura do GPS. Chegamos ao salão do check-in da Latam com uma fila, felizmente tínhamos bastante tempo. Para não deixar as bagagens sem vigia, cada um fazia o despacho das bagagens maiores. Eu fiz de duas, a Kátia fez de duas e a Regina fez de duas. Ficamos dentro do peso permitido. Eu estava levando comigo uma mochila e a caixa da câmera fotográfica. Kátia e Regina levavam quatro sacolas com outros itens e bagagem de mão.

Ainda tinha uma hora antes do embarque, então, para não perder o costume, as meninas foram no Duty Free no aeroporto de Orlando. Depois fomos ao saguão de embarque, ali também estava com uma fila comprida, então esperamos esvaziar. Embarcamos no avião às sete e meia. O avião decolou no horário previsto. Novamente, utilizei as oito horas de voo para ler um livro e cochilei por uma hora e meia apenas.

Chegamos em São Paulo às cinco e meia da manhã. Até acharmos todas as bagagens, saímos do terminal de desembarque às sete da manhã. Na saída, foi a nossa vez de passar por um equipamento semelhante ao que vimos em Orlando. Andamos pelo ônibus que interligava os terminais até chegar onde ficam os ônibus da Latam que ligam Garulhos com Congonhas. A fila estava grande, de forma que pegamos o segundo ônibus e saímos de Guarulhos às nove da manhã, chegando em Congonhas às nove e quarenta da manhã.

Meu cunhado chegou para pegar a Regina e eu às dez da manhã. Enquanto eles separavam em minha casa as coisas que ficaram misturadas, eu voltei com meu carro para Congonhas para buscar a Kátia e as outras bagagens. Enfim, fatura encerrada às onze da manhã, com almoço providenciado por meu cunhado. Eu e Kátia tomamos banho e dormimos até às cinco da tarde. Ainda demorou mais três dias para voltarmos ao ritmo normal, mas guardaremos Orlando em nossos corações.

Orlando’s days – III

No terceiro dia ninguém ressuscitou… heresia à parte, nós acordamos no mesmo horário. Eu preparei o café com o café instantâneo que havíamos comprado. As meninas tinham comprado queijo e eu comprei mais burritos. Nós tínhamos também tortas e hambúrgueres. Nota pessoal: em Orlando a batata Pringles parece barata. Mas a batata aqui é cara porque nós “pagamos” pela viagem dela.

Enquanto eu arrumava a mesa, as “diretoras de evento” usavam o “telefone comunitário” e decidiam o trajeto do dia. Eu estava bastante ansioso, pois se na noite anterior não conseguimos encontrar o celular, elas podiam resolver neste dia. eu tinha minhas compras e visitas. Para minha felicidade, elas decidiram ir ao Millenia Mall para adquirir o celular. Todos prontos, GPS calibrado, fomos ao Millenia Mall.

Esse outlet tem uma cara mais parecida com a de shopping como nós estamos acostumados. Fachada de vidro, todo coberto, escada rolante, praça de alimentação, dois pisos. As lojas neste outlet tem uma feição melhor acabada, nós nos sentíamos como se estivéssemos em um Shopping Iguatemi. Chamou a nossa atenção que, a despeito da aparência mais opulenta desse outlet, os americanos iam vestidos bem descolados.

Enfim achamos a loja da Apple e Regina comprou seu Iphone. Entretanto o chip que ela tinha não serviu, o Iphone só funciona com nanochip. Bateu a fome e fomos na praça de alimentação e eu escolhi comer um hambúrguer enorme na Gourmet Grille. Então as meninas decidiram: elas iam carroçar as lojas por ali mesmo e me liberaram. Ficou combinado que eu deveria voltar às seis da tarde e eu iria espera-las na frente da loja do Victoria Secret.

Eu peguei então a minha lista de lugares e compras, peguei o carro e acertei o GPS para ir ao Avalon Store, uma loja de artigos esotéricos. Eu fui ao que aqui é chamado de Downtown, o que nós chamamos de centro ou subúrbio. No caminho eu vi diversos restaurantes com comida indiana, tailandesa e vietnamita. Eu acrescentei ir a um restaurante para comer comida vietnamita.

O Avalon Store é uma casa e tinha um estacionamento gratuito para os visitantes. Na entrada tem uma árvore decorada com fitas, algo muito comum na crença popular. As janelas estão decoradas com bandeirolas, algo mais comum no Nepal. O primeiro salão está recheado de diversas estátuas e demais itens úteis para um altar. Eu achei e adquiri uma estátua do Deus da Floresta e achei um incensário com vários encaixes para incenso, decorado com uma caveira gravada com xilogravura. Ali eu achei pedras e incensos. Não tinha muitos livros, mas eu amei o salão recheado de ervas e defumadores.

Feitas minhas compras, eu fui ao Walmart mais próximo, maior do que havíamos ido. Eu queria ter tempo e liberdade para visitar um Walmart sem ter a preocupação de tomar conta das meninas. Uma vantagem que dificilmente teria no Brasil: aqui se vendem armas, munição e facas nos mercados locais. Eu peguei um tênis, mais burritos e duas cervejas. Aqui é difícil de encontrar lata avulsa, encontram-se mais packs com seis cervejas.

Eu calculei bem meu tempo livre e eu cheguei de volta ao Millenia Mall e fiquei aguardando minhas meninas no lugar combinado. Regina chegou e avisou que Katia [esposa] estava na Marshall. Eu fui lá para ver se ali era melhor do que a Ross e me dei bem. Eu encontrei algumas camisas sociais e uma bermuda. Dali eu acho que nós fomos ao Target e compramos mais comidinhas. As meninas encheram o carrinho com maquiagem. Nós estávamos com mais sacolas cheias e cansados, voltamos ao hotel, nós comemos e dormimos.

Orlando’s days – II

Eu acordei por volta das dez horas e as meninas tinham acordado. Enquanto elas decidiam o trajeto do dia, eu fui fazer o café na cafeteira do hotel. A cafeteira é pequena, dá para encher um copo térmico por sachê. Eu enchi um dos copos térmicos com água, despejei no recipiente e coloquei o sachê no local apropriado. Nós estávamos em três, então eu fiz mais um copo e acabaram os sachês.

As “diretoras de evento” resolveram ir ao outlet mais próximo, onde encontraríamos o Dollar Tree, o Five Below e a Ross. Eu tive que ir e ficar junto, pois as meninas não tinham celular, o que tornou o meu celular um telefone comunitário. Este era o segundo dia de nossa estadia em Orlando e eu não poderia ir aos lugares que eu tinha planejado.

Depois de tomarmos o café, entramos no carro e com o GPS eu dirigi até o outlet, aproveitando a claridade do dia para ver melhor as ruas, o asfalto e os sinais de Orlando. As ruas são bem amplas e o asfalto está em condições impecáveis. Como bom paulistano, eu até senti inveja. Os sinais de trânsito são iguais aos daqui, a diferença é que aqui existem as faixas exclusivas para virar à esquerda ou direita, não é como em São Paulo, onde o condutor faz uma conversão na pista errada. Os cruzamentos tem quatro até cinco faróis, todos funcionando. O engraçado é que aqui não é preciso esperar o farol abrir para virar à direita, exceto se houver uma placa restritiva. Eu fico imaginando o caos que seria se isso fosse implantado em São Paulo.

Quando estávamos na fase de planejamento, eu tinha uma vaga noção, então aqui o outlet é como o nosso shopping. O que eu vi foi um complexo com diversas lojas, amplo estacionamento gratuito. Este que nós fomos parecia mais com as nossas galerias. Um piso térreo e as lojas distribuídas pelo complexo. Nota pessoal: a construção do outlet é padronizada.

O Dollar Tree e o Five Below eram muito parecidos com as nossas lojas de 1,99. Ali descobrimos a DDS Discounts, igual às suas concorrentes. A diferença é que encontramos itens de mercado: sanduíches, sucos, garrafas de água e comida enlatada. Nota pessoal: os americanos tem tudo enlatado ou embalado. Ali conseguimos encontrar café instantâneo e Jumex, um suco melhor que o que encontramos no Walmart. Eu encontrei uma bola de baseball e peguei a título de souvenir.

As meninas estavam bastante animadas ao visitarem a Ross, mas eu fiquei decepcionado. Parecia um mercado popular de roupas. Como o Brás, Escala e Torra-Torra. Enchemos algumas sacolas e as “diretoras de eventos” deram mais um destino: o Outlet Premium. Esperávamos encontrar lojas de marca. Eu era o taxista delas então lá fui eu. As meninas vibraram, aquele outlet era bem maior e com diversas lojas de marca. Mulheres em um templo do consumismo são como crianças em uma loja de brinquedos. Devemos ter ficado ali até às seis da tarde, perfazendo o total de oito horas.

Fizemos um breve intervalo para comer e encontramos na “Praça de Alimentação” [chamada ali de Food Court] boas opções de almoço. Nós escolhemos o Sbarro para nossa primeira refeição, ali servem pedaços enormes de pizza e outros salgados. Eu pedi três tipos diferentes de salgados [chamados stromboli] e uma cerveja. Elas pareciam incansáveis, minhas pernas não aguentam mais essa maratona. Eu não entendo como a mulher consegue ficar rodando vinte vezes a loja toda, olhar duzentas vezes cada produto. Considerando que nós fomos em cinco lojas, essas meninas devem ter excelente preparo físico. Enchemos mais sacolas antes de voltarmos ao hotel e jantamos os pratos prontos que pegamos no Walmart.

Comemos, tomamos banho [revezando], eu liguei a televisão enquanto Regina [cunhada] usava o “telefone comunitário” para falar com meu cunhado, olhar e enviar pelo Watsapp as fotos tiradas nas lojas. Quando eu retomei o telefone, eu carreguei as fotos em meu álbum na web [meu celular não tem muita memória e costuma apagar as fotos por causa do sistema de limpeza] e tomei a cerveja. Um prêmio merecido para compensar meu trabalho.

As meninas conversavam e decidiam o que fariam no dia seguinte e eu torcia para que ao menos a Regina tivesse um celular funcionando. Só assim eu poderia fazer as visitas e as compras que eu tinha planejado. Enfim dormimos por volta das onze horas.

Orlando’s days – I

Eis que novembro começa velho, dezembro está encolhido no canto e o ano de 2017 está chupando o dedo. Eu lembro quando a televisão a cabo começou a funcionar no Brasil. Eu estava morando com a minha avó [não tenho boas lembranças destes anos] e eu lembro claramente da primeira imagem que eu vi pela tevê a cabo: a libertação de Nelson Mandela. Meninos, eu vi! Eu vi o Muro de Berlim cair, eu vi um homem negro ser eleito presidente dos EUA e eu vi uma mulher ser eleita presidente no Brasil.

Novembro começa velho porque o Brasil está sendo governado por um presidente ilegítimo, nitidamente conservador e de direita. Eu não estou criando boas expectativas para São Paulo para 2017, com João Dória como prefeito e temo o que vai acontecer no Rio de Janeiro com Marcelo Crivella como prefeito.

Enquanto aguarda sua vez de entrar no calendário, dezembro está melancólico. Apesar de ser um mês onde as pessoas se preparam para o Natal [festa originalmente pagã] as perspectivas são as piores possíveis, a “recuperação econômica” prometida pelos conspiradores e traidores não aconteceu. Vai ser o Natal da mortadela. 2017 está cogitando suspender sua vinda ao Brasil. Mas a Idade Média está confirmando suas reservas nos melhores hotéis. 2016 conseguiu passaporte expresso para sair do Brasil, para evitar a vergonha.

O que vai me salvar são as lembranças de minhas férias em outubro, especialmente os dez dias que eu passei em Orlando, Flórida, com minha mulher e minha cunhada. Eu pretendia fazer um diário de viagem, anotando em tempo real, porém o plano falhou, então meus leitores terão que se contentar com um relato posterior.

Até o fim de agosto o planejado era passar férias em Fortaleza, mas minha cunhada deu o ânimo e o apoio que faltavam. Eu comecei setembro fazendo o plano de férias para Orlando. Oh sim, eu devo agradecer muito ao oráculo virtual [Google] e a diversos vlogguers do Youtube pelas dicas valiosas.

Ao longo de setembro eu fiz uma listinha dos lugares que eu queria visitar, as coisas que eu queria comprar e o que eu pretendia fazer. Obvio, eu tive que fazer o mesmo para minha esposa. Eu fiquei com um calhamaço de papel.

Essa foi a primeira preparação. Depois os passos mais necessários. Comprar passagens, reservar hotel e carro, comprar dólares. Aqui eu devo agradecer ao pessoal da Latam por terem sido sócios prestativos e colaboradores nesta empreitada. A parte dos dólares eu agradeço ao Disk Dólar pela boa corretagem de câmbio.

Todos os preparativos que necessitam de terceiros estavam prontos. Nós estávamos com as malas prontas três dias antes. Quem disse que eu consegui dormir? Nós acordamos às quatro e meia da manhã, tomamos café, nos arrumamos e estávamos acertando detalhes [sempre falta algo!] quando meu cunhado chegou para nos levar ao aeroporto de Congonhas, aonde nós pegaríamos o ônibus [da Latam] que nos levaria até o aeroporto de Guarulhos.

Chegamos sem dificuldades, rapidamente, as ruas estavam vazias. Não tinha muita gente na fila, então conseguimos pegar o primeiro ônibus que saiu. Depois de quarenta minutos, estávamos no destino. Andamos um bocado até achar o check-in da Latam, que fica no terminal novo. O check-in estava vazio e nós tínhamos apenas duas malas, então tudo foi despachado bem antes do horário da decolagem, então aproveitamos um pouco fazendo outras coisas.

Com o embarque liberado, entramos no avião e sentamos nas poltronas reservadas. A decolagem aconteceu exatamente dentro do horário previsto. A estimativa de voo era de oito horas, então eu me ocupei lendo um livro. Nota pessoal: eu não consigo dormir em voos, por mais cansado, por mais sono que eu possa estar. Eu parei de ler apenas quando o pessoal de bordo serviu o lanche. Duas vezes. Quando o comandante anunciou o início da aterrissagem, eu guardei o livro. Nós chegamos em Orlando no horário previsto.

Era fim de tarde em Orlando e a temperatura era agradável. Bastante sol. Existem duas horas de diferença de horário, entre São Paulo e Orlando. A fila de passageiros seguia seu ritmo e nós atrás.

Surpresa! Ao desembarcarmos do avião, seguimos para uma fila. Era a fila da Secretaria de Imigração. O Tio Sam coloca gente em seus aeroportos para saber quem está chegando em seu país. Parece uma alfandega de gente. Eu encafifei com uma fila em separado, com máquinas, eu pressupus que era exclusiva para residentes.

Minha cunhada seguiu em primeiro, mas pelo menos ela arranha no inglês. Eu tive o cuidado de ir com minha esposa e expliquei ao funcionário que estávamos juntos e que ela não falava inglês. O rapaz foi atencioso, rápido e eficiente. Não foi tão difícil nem o Bicho de Sete Cabeças que dizem ser. Fomos adiante e encontramos com a Regina [minha cunhada] no setor de bagagens. Só então passamos para a segunda surpresa: tinha um trem dentro do aeroporto de Orlando que nos levaria do terminal de vôos até o terminal de passageiros. Em São Paulo é na base das canelas ou do ônibus que liga os terminais.

O terminal de passageiros é bem amplo. Tem até uma praça interna. Nosso próximo passo foi encontrar o balcão da Alamo, onde pegaríamos o carro que estava reservado. Dentro do aeroporto existem diversos guichês de empresas de aluguel de carro. Não foi difícil nem demorado acertar os detalhes com a Alamo Rent a Car. Eu fiquei como o “driver”, nós pegamos as malas e andamos mais um pouco até a parte onde ficam os carros e o funcionário da Alamo mostrou uma fila de automóveis [tipo SUV] e disse que podíamos escolher qualquer um que quiséssemos.

Olhamos bem as opções e, pelo espaço no bagageiro, pegamos um Santa Fé da Hyundai. Eu tive algumas dificuldades para montar o GPS [Garmin] e para dar partida no carro. O carro tem transmissão automática e o freio de mão é em um pedal que fica bem à esquerda do lado do motorista. Eu empaquei um pouco no começo, o freio era bem mais sensível do que eu estava acostumado e para dirigir basta apertar o freio, colocar a marcha em “drive” [D] ou R [marcha à ré] e acelerar devagarzinho. O que ajuda muito na ré é a câmera de ré.

Passada a dificuldade, pegamos a estrada e seguimos as indicações do GPS. Ops! Pedágio! Outra surpresa! Dupla! Não tinha ninguém atendendo no pedágio! O condutor tem que jogar moedas em um cone metálico! Só o troco exato! E nós não tínhamos moeda alguma! E os americanos pagam! Aqui no Brasil o pessoal passaria direto! Pagamos mico. Eu escondi minha vergonha e toquei o barco, eh, o carro.

Eu consegui chegar ao hotel quarenta minutos depois, mas porque acabamos entrando no hotel errado. Nota pessoal: existem vários hotéis com nome parecido. Os atendentes eram bem jovens, alegres, prestativos e simpáticos. Eu agradeço aqui aos atendentes do Rosen Inn Universal. Nós fizemos o check-in e conseguimos encontrar o caminho para o quarto [nós tivemos que passar por um tipo de cantina, dentro do hotel] e bestamos ao subir as escadas [eu descobri onde ficava o elevador depois].

O quarto tinha duas camas, uma mesa, um criado mundo, dois abajures, um armário, uma televisão, um ar condicionado, um lavabo com pia, um banheiro com chuveiro e banheira. Na área da pia tinha um micro-ondas, um frigobar, uma cafeteira, uma bandeja, copos descartáveis para água, copos térmicos para o café, dois sachês com café, um kit para café e um secador de cabelos. Havia um ferro de passar roupa pendurado na lateral do armário. Toalhas, muitas toalhas, para as mãos, para o rosto e para o corpo. Dois sabonetinhos, iguaizinhos aqueles que vemos em motel. Um quarto simples, mas servia para os nossos propósitos.

Vocês devem achar que despencamos nas camas [deliciosamente macias]. Mas não. Estávamos com fome. Foi pouco o que comemos no voo. Mesmo cansados, pegamos o carro e nós fomos no Walmart mais perto. Nota pessoal: Walmart é o Hipermercado Extra da vida dos americanos. Mas com a variedade do Pão de Açúcar. Nota pessoal 2: o Target é melhor.

Ali eu encontrei e peguei duas embalagens com burritos extra grandes [sim, eu sou guloso] para fazer no micro-ondas. As meninas pegaram uma caixa com donuts [similar ao nosso sonho], um suco [horrível de aguado e doce], pão [fatiado], manteiga [deliciosa!]. Eu que não sou besta, peguei uma lata de cerveja.

Chegamos aos caixas e eu notei que tem uma parte de autoatendimento. O próprio cliente registra a compra e paga. Direto no equipamento. Sem assistência. E o americano paga. Aqui no Brasil o pessoal ia passar direto. Pagamos e zarpamos de volta ao hotel, comemos e só então dormimos.