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Enquanto dona Guerra não vem

Eu fui tirar um cochilo depois de ler e escrever bastante. Eu estava na cama esboçando alguns roteiros quando eu sinto um peso em cima de mim. Sobressaltado, eu abri os olhos e lancei meu olhar na direção do ponto de pressão causado pela gravidade. Sentada em cima de mim, com um curioso uniforme de bandeirante, estava Gill, fingindo ficar brava. Do canto do olho, eu percebo que Riley a acompanha, com o mesmo uniforme.

– Ah… oi, Gill, oi, Riley.

– Não finja ser simpático, senhor escriba! Eu estou muito brava com o senhor!

Eu relevei a circunstância de que eu voltei ao meu escritório particular há pouco mais de um mês, depois de ter passado uma semana como cativo na extinta White Light. O mundo está quase evocando a Terceira Guerra Mundial, o Brasil está cada vez pior com um governo usurpador e o Fascismo está cada vez mais ativo, mais expressivo, mais presente. Eu deixo tudo isso de lado, por que… bom, são as minhas garotas e elas estão muito atraentes e sensuais nesses uniformes de bandeirantes.

– Eu te peço perdão, Gill, mesmo que eu não saiba seu motivo de estar brava comigo.

– Mais uma razão! O senhor devia saber muito bem! O senhor prometeu que faria a transcrição de meus diários!

– Ah… é isso. Que coincidência, eu estou exatamente fazendo alguns esboços mentais.

– E… está? O… o senhor não mentiria para mim, mentiria?

– Eu não seria capaz, Gill. Sabe, o problema não é seu texto, muito bem escrito, mas como eu posso transcrevê-lo ao público geral.

– Eu não entendo. Qual é a dificuldade?

Riley descruza os braços e coloca as mãos no quadril e, rolando os olhos, tenta explicar a minha dificuldade.

– Gill, nós não estamos em Nayloria. Aqui é o Mundo Humano. Aqui as criaturas supostamente conscientes e racionais têm diversos e enormes problemas em relação ao corpo, ao desejo, ao prazer, ao relacionamento, ao amor e ao sexo.

– Mas… O’Ley, ele conseguiu escrever de você, não foi?

– Gill, eu ainda passo por madura, adulta. A primeira coisa que essa gente vai reparar em você é sua pouca idade e estatura.

– Mas isso é… injusto! Nós temos praticamente a mesma idade, O’Ley! E eu sou tão madura e capaz quanto você!

Riley põe a mão no rosto e balança de um lado a outro, sem esperança. Eu vou aproveitar para dar uma pequena descrição física da Riley e da Gill. Bom, ambas são garotas, mas são animais antropomórficos. Riley é uma hiena, eu acho, considerando que sua condição de transgênero é natural. Ela nasceu com ambas as sexualidades, ela nasceu como uma perfeita hermafrodita, então ela confunde bastante, pois ela tanto se comporta tanto como “menino” quanto como “menina”. Embora Riley tenha, tecnicamente falando, 16 anos em termos humanos, sua compleição corpórea é atlética e sua estatura a faz parecer mais velha. Gill é uma panda vermelho, embora alguns digam que ela seja uma raposa do fogo. Gill é uma típica fêmea, pela identidade, personalidade, opção e sexualidade. O que a destaca, exceto sua rígida e tradicional criação asiática, é sua preferência por machos mais velhos. Um dos motivos pelo qual ela aceitou euforicamente a fazer parte de nossa trupe teatral é porque aqui ela poderia expressar sua sexualidade livremente.

– Não força, Gill. Durak está se arriscando muito só por ter escrito sobre mim. Apesar de ser considerada madura e adulta, essa gente não consegue entender que existem pessoas transgênero como eu.

– Mas… ele consegui, não conseguiu? Eu sei que o senhor consegue senhor escriba!

Gill apoia suas duas mãos em meu tórax a deixando bem perto de mim a tal ponto que é impossível não reparar no volume de seus seios. Isso, somado ao uniforme de bandeirante e a sensação de que sua calcinha estava pressionando meu quadril foi demais para mim. Gill fez uma expressão de surpresa, girou levemente e, olhando disfarçadamente através de sua saia, viu que eu tinha algo crescendo.

– Viu só, O’Ley? Se eu não fosse madura e adulta, eu não provocaria o senhor escriba dessa forma. Ele não devia ter tanta dificuldade em transcrever meu diário.

– Ah, qual é, Gill! Nós não podemos enganar o leitor. Durak é um homem saudável que é capaz de ver que nós somos plenamente capazes, conscientes e maduras o suficiente para termos relações sexuais e amorosas. Ele sabe e vê que nós somos mulheres a despeito de nossa idade cronológica. Evidente que o corpo dele irá reagir diante de nossa sensualidade normal, natural e saudável. Quer ver só?

Riley abre sua blusa mostrando seus belos e perfeitos seios e meu pacote aumenta consideravelmente de tamanho. Gill fica um pouco assustada, porque aquilo está roçando ameaçadoramente seu bumbum.

– O… oquei, entendi. O senhor escriba não é uma referência confiável porque nós somos suas garotas e ele nunca escondeu seus sentimentos por nós. Então vamos combinar.

Com agilidade e rapidez, Gill pula de cima de mim e pousa ao lado da cama, como se fosse uma ginasta olímpica. Colocando as mãos por cima da virilha, Gill faz sua proposta que soa como uma ameaça.

– Eu e você, O’Ley… vamos combinar assim. O senhor escriba não vai mais ver nem brincar conosco e nossas coisas enquanto ele não acabar de transcrever meu diário.

– Hei… eu não tenho coisa alguma com isso!

– Por favor, O’Ley… eu prometo que vou te compensar…

A cena e clima yuri deixam subentendido algo que somente eu e um cidadão de Nayloria entenderia. Sim, eu sei que Gill e Riley tem um relacionamento bem mais próximo e intimo do que “amigas de infância”. Eu tenho fantasias pensando nas duas e suas ginásticas de cama.

– Bo… bom… nesse caso… desculpe, Durak, por mais que eu goste de ser sua garota e de brincar contigo, eu também gosto de ser o menino da Gill e gosto de brincar com ela.

– Tudo bem, eu entendo. Eu aceito o “castigo”. O problema é que eu não vou conseguir trabalhar direito com isso armado.

– Ahem. Deixa que eu cuido disso.

Nós três voltamos nossa atenção para a porta do quarto e, boquiabertos, nos deparamos com a presença de Venera sama em pessoa. Sem demora e cerimônia, Venera sama sobe na cama e começa a me cavalgar vigorosamente. O rosto e o corpo de Venera sama expressam enorme satisfação, causando um pouco de ciúme e vontade na Gill e Riley. Mas a ideia de “castigo” foi delas, então elas só podem assistir. Eu, coitado de mim, pouco posso fazer e não consigo me segurar. Venera sama desenha um enorme sorriso enquanto minha energia vital esguicha em borbotões para dentro de seu ventre.

– Como sempre, generoso em sua oferenda, Durak. Eu aceito com satisfação. Nós precisamos repetir isso mais vezes.

Venera sama tal como subiu, desceu, assim como uma grande amostra da minha semente escorrendo de seu templo interno.

– Muito bem, Durak. Assim que recuperar o fôlego, inicie seu trabalho. Do contrário eu serei obrigada a ingressar ao lado de Gill e Riley.

Eu sou deixado para trás por minhas garotas. Que se dane se um leitor ficar ofendido. Não tem alguém do outro lado da tela. Eu tenho que trabalhar. Eu tenho que escrever essa transcrição antes que o mundo acabe quando dona Guerra chegar.

A batalha do século

Distinta plateia inexistente, descortinaremos nesse tablado nossa encenação sobre uma competição que foi realizada no Reino Faraway. Sim, esse mesmo, o reino do rei Shreck e da rainha Fionna.

– Que seja espalhado por todo reino esta Boa Nova. Nós, rei e rainha da dinastia do Pântano, conclamamos para que atenda a este concurso todo mago/a, feiticeiro/a e bruxo/a. Nós iremos dar um generoso prêmio ao vencedor ou vencedora, aquele ou aquela que for o mais poderoso ou a mais poderosa.

O convite chegou até nas Sábias do Caldeirão e nos Monges da Razão, cada qual com seu prodígio, separados e dedicados unicamente para aprender e treinar seus poderes mágicos. Na comunidade das Sábias do Caldeirão tinha a Feiticeira Faceira [eu escalei a Alexis para este papel] e no instituto dos Monges da Razão tinha o Tecnomago [eu escalei Zoltar, por motivos óbvios].

Houve uma bela cerimônia de abertura e muitos candidatos se perfilaram, prontos para defender suas bandeiras. A disputa foi árdua e cruel, druidas, xamãs e encantadores foram caindo, um a um, até restarem apenas a Feiticeira Faceira e o Tecnomago.

– Tecnomago! Desista agora ou sofra as consequências! Eu sou a mais poderosa!

O publico aplaudia efusivamente, pois as roupas da Feiticeira Faceira mal conseguiam esconder suas belas formas.

– Há! Só em seus sonhos! Está evidente que eu sou o mais poderoso. Desista agora, garotinha, para não magoar sua mãezinha!

O publico vaiava ensurdecedoramente embora a figura do Tecnomago pareça engraçada debaixo de tanta roupa e de algo parecido com uma máscara contra gases.

Dado o sinal, a Feiticeira Faceira utilizou todos os seus conhecimentos de poções, ervas, espíritos e entidades da natureza. Do seu lado, o Tecnomago utilizou todos os seus mecanismos, aparelhos e equipamentos da mais alta tecnologia. As pessoas presentes gritavam, cheias de medo, pavor e pânico, pois as explosões surgiam de forma violenta, causando alguns feridos. Havia muita fumaça e fogo, mas os truques acabaram.

– Eu devo te dar os parabéns, Tecnomago. Você é o primeiro que conseguiu resistir ao meu poder.

– Há! Seu poder natureba nunca foi um perigo. No entanto, eu custo acreditar que tenha resistido aos ataques da mais alta tecnologia!

– Hohohoho! Acha mesmo que bites podem me ferir? Eu vou ganhar de você, tenha certeza disso!

– Alguém ouviu algo? Eu posso jurar que eu ouvi uma mosca zumbir.

A fumaça abaixou e a equipe de bombeiros apagou os focos de incêndio. A massa soltou um som de surpresa. Ambos os candidatos finalistas estavam em pé, embora com contusões e com as roupas em frangalhos. Os espectadores não olharam muito para o Tecnomago, todos os olhares estavam fixados na Feiticeira Faceira.

– Se… seus tarados! Pervertidos! Parem de olhar para mim!

O manto que ajudava a cobrir o escasso volume de roupa que a Feiticeira Faceira vestia mais parecia uma peneira. O Tecnomago sentiu algo estranho, mas aguentou firme. Tirou um de seus muitos mantos e cobriu a pobre Feiticeira Faceira.

– O… obrigada… mas porque está me ajudando?

– Eu não estou te ajudando. Eu apenas percebi que, no estado em que se encontra, você não poderá lutar com seu máximo de potencial. Eu quero uma vitória limpa e absoluta.

– Hahahaha… eu devo ter batido muito forte em você… está delirando!

Então os candidatos finalistas se dão conta que estão bem perto um do outro. A Feiticeira Faceira fecha um pouco mais o manto cedido pelo Tecnomago para cobrir suas generosas formas enquanto o Tecnomago sente aquela sensação estranha aumentar.

– Que… que feitiçaria é esta? Eu sinto… um calor em meu corpo.

Os terminais que cobrem os ouvidos do Tecnomago apitam como chaleira com água quente, fazendo a Feiticeira Faceira rir.

– Hahahaha. Isso não é feitiçaria. Eu não tenho mais truques. Se tiver alguma dessas suas arminhas restando, esse é o momento de você aproveitar e tentar dar um tiro de sorte.

A Feiticeira Faceira até provocou o Tecnomago abrindo uma brecha e expondo o generoso decote que mal escondia seus dois belos seios. Então a Feiticeira Faceira notou algo estranho e diferente no Tecnomago.

– O… o que é isso? Uma de suas armas?

O Tecnomago segue a direção na qual a ponta dos dedos da feiticeira faceira aponta e só então se dá conta de que está com um estranho volume entre suas pernas.

– E… eu não sei! Eu usei todas as minhas bugigangas! Eu estou completamente desarmado!

Pausa para uma explicação, inexistente plateia. Tanto a Feiticeira Faceira quanto o Tecnomago dispenderam seus jovens anos unicamente para aprender, treinar e praticar suas Artes. A Feiticeira Faceira nunca viu um menino ou homem antes em sua vida e o Tecnomago praticamente comia, bebia, dormia e tomava banho com seu uniforme, sem jamais ter visto seu corpo ou sem ter conhecido uma menina ou uma mulher. Voltemos ao palco, senhoras e senhores.

– Bom, seja o que for, está apontando para mim. Tem certeza de que não é uma arma que colocaram em você como ultimo recurso?

– Claro que eu tenho! Isso nunca esteve aí!

– Hum… então eu sei o que eu vou fazer. Eu vou perguntar ao Grande Livro.

A Feiticeira Faceira tira de seu cinto algo que parece um caderninho, mas que automaticamente começa a se desdobrar até ficar do tamanho de um ser humano.

– Aha! Então você ainda tem um feitiço!

– Cala boca, moleque! O Grande Livro só sabe responder a perguntas.

– Exatamente, mestra e eu estou às suas ordens.

– Grande Livro, revele o segredo diante de mim. O que é esse volume que apareceu no Tecnomago?

O Grande Livro não possui rosto como nós, mas tem duas faces, que ficam ligeiramente rosadas ao se deparar com o objeto da questão.

– Ahem! Mestra, é de conhecimento público que o homem sente atração pela mulher. O Tecnomago está manifestando uma reação natural, normal e saudável diante da exposição da sensualidade do seu corpo.

– Entendi… reação… mas isso é perigoso? Isso atira?

– Eh… perigoso não é, mestra, mas atira.

– Está falando enigmas, Grande Livro? Como algo que atira não é perigoso?

– Por favor, mestra, não fique brava! O que este equipamento emite é parte da essência do Tecnomago!

– Parte da essência do Tecnomago… entendi! Esse é o ponto fraco dele! Ora, devia ter dito com clareza, Grande Livro! Excelente! Eu irei usar esse ponto fraco para vencê-lo, Tecnomago!

– Meu… meu ponto fraco? Vo…você não recorreria a um artifício tão baixo… certo?

– Errado! A vitória é tudo o que me interessa! Hahahaha![risada maligna]. Agora eu vou… hã… Grande Livro, como eu posso atingir meu adversário usando seu ponto fraco?

– Po… ponto fraco? Não, não, mestra, este não é o ponto fraco…

– Grande Livro! Eu ordeno! Diga-me como funciona esse artefato para que eu possa utiliza-lo contra meu oponente!

O coitado do Grande Livro coisa alguma pode fazer, senão obedecer sua mestra, o que faz a contragosto, como podemos perceber por suas faces mais rosadas.

– Ahem… mestra, você deve remover todo obstáculo e pôr para fora o conteúdo do volume.

O Tecnomago não sabia o que estava acontecendo, mas não protestou nem resistiu enquanto a Feiticeira Faceira removia suas vestes abaixo da cintura até que algo pulou para fora e para frente, grande, enorme e duro.

– Ah! Um animal! Pulou em mim! Então esse é o seu segredo? Você guardava um animal mágico entre as pernas!

– Na… não! Eu também estou surpreso! Eu não sabia que esse animal estava aí!

– Esse seu animal me assustou! Grande Livro, que animal mágico é esse?

– Mestra, não é um animal mágico, é parte do corpo do Tecnomago. Note como esta haste está firmemente presa pela base ao tórax do Tecnomago.

– Que… apêndice estranho. Parece uma serpente. O que eu faço agora, Grande Livro?

As faces do Grande Livro estavam ficando bem vermelhas, mas ele tinha que responder para sua mestra.

– M… mestra… você deve usar sua mão para mexer nesse troço. Envolva com seus dedos, segure com firmeza, mas não aperte e então comece um movimento no sentido base-ponta-ponta-base.

A Feiticeira Faceira piscou duas vezes, mas se isto a faria vencer, é isto que ela faria e assim começou a operação descrita pelo Grande Livro. O coitado do Tecnomago não reagiu, ele estava começando a gostar da estranha sensação que vinha de seu corpo, sua pulsação e respiração aos poucos aceleravam e ele ficou surpreso quando seus gemidos começaram a escapar de sua voz.

– Aha! Agora você está em minhas mãos! Renda-se agora, senão eu vou extrair toda a sua essência!

– N… não! Nunca!

– Então eu farei você perecer com essa tortura! Hahahahaha![risada maléfica]

Conforme realizava o ato, a Feiticeira faceira pegou o ritmo certo e, no fundo, estava até gostando, ela também estava tendo uma sensação estranha em seu corpo.

– E… então… garoto… por que não desiste? Seu troço dobrou de tamanho e volume. Você não deve ter muito tempo restando… se você se entregar agora, eu te dou uma morte rápida e indolor….

– N…não! Nunca!

– Então você não me deixa outra alternativa senão dar o golpe final…

A Feiticeira Faceira acelera exponencialmente a velocidade de suas mãos e o coitado do Tecnomago só consegue gemer, quase sem fôlego e então… acontece algo. O corpo do Tecnomago estremece e um líquido branco, quente e espesso projeta-se em um jato forte e linear. A Feiticeira Faceira fica assustada com a manifestação, mas observa maravilhada o líquido cair e se espatifar no chão.

– Vitória! Eu venci! Eu tirei toda sua essência e agora eu provei que eu sou a mais poderosa!

Um ou outro aplaude o esforço da Feiticeira Faceira que, irritada, percebe que o Tecnomago ainda está em pé e seu troço ainda está em riste.

– Mas… que truque tecnológico é esse? Você devia estar morto! Isso… ainda está duro como pedra! O que significa isso, Grande Livro?

O Grande Livro estava suas faces vermelhas como tomate, mas teve que responder sua mestra.

– M… mestra… você ainda não esgotou o vigor do Tecnomago…

– Então desembucha, senão eu te descosturo! O que eu devo fazer para extrair mais essência do Tecnomago até acabar com todo seu vigor?

– M… mestra… você pode usar seus seios… ou sua boca…

Imediatamente a Feiticeira Faceira colocou o troço entre seus seios e, tal como as mãos, usou-os até sair mais daquele estranho e místico líquido. Espirrou até em seu rosto e cabelos uma quantidade razoável, mas o troço continuava em sua posição.

– Seu ponto fraco é mais resistente do que eu esperava! Mas eu aposto que eu acabo com você usando minha boca!

Abocanhando o troço como se fosse um enorme pirulito de carne, a Feiticeira Faceira lambeu e sugou o troço, chegando até a engasgar algumas vezes, pois o troço era realmente grande, grosso e volumoso. Ela até pode sentir quando aquilo contraiu e preencheu sua garganta com uma generosa carga do líquido, cujo volume e pressão eram tantos que alguns filetes escapavam entre o apertado espaço entre o troço e sua boca, foi tão forte que ela espirrou filetes pelo nariz.

– Cof, cof! Isso é quente, espesso e salgado, mas até que é gostoso. Parece com mingau de ogro. Eu… estou começando a gostar dessa brincadeira… então Tecnomago, desiste?

O coitado do Tecnomago mal tem fôlego para balbuciar algo, mas seu troço continua reto e ereto como um poste.

– Mas… isso é impossível… será que esta coisa é imortal? Grande Livro, sem demora, não esconda coisa alguma, o que eu posso fazer para derrotar de vez o Tecnomago?

O coitado do Grande Livro estava como uma fornalha, mas teve que responder sua mestra.

– M… mestra… só tem uma coisa a fazer… sua flor… sua delicada, intocada e estimada flor…

– A… minha… flor?

– S… sim… mestra… você tem que colocar esse troço… dentro… de sua flor…

A Feiticeira Faceira hesita por alguns minutos.

– A… minha… florzinha… delicada… intocada… isso… dentro… não! Não dá! Impossível! Você viu o tamanho desse troço? Isso vai… estraçalhar tudo!

– Então desista, mestra e mantenha sua virtude intacta.

– Não! Eu prometi aos Grandes Espíritos que eu venceria! Eu não posso desistir! Eu tenho que vencer! A qualquer preço!

Retomando sua determinação e coragem, a Feiticeira Faceira derruba o Tecnomago e, colocando-se em cima dele, faz com que sua flor inicie a devorar o troço.

– A… ah! É muito grande! E… eu sinto uma coisa estranha e… parece que tem um obstáculo impedindo e causando desconforto…

– M… mestra… deve ser o seu… selo… uma membrana que atesta que você é uma donzela… forçar pode causar desconforto e dor… pare agora antes que perca sua virtude!

– Ao Diabo com minha virtude e minha condição de donzela! Eu quero vencer! Uff!

A Feiticeira Faceira dá um impulso, sente uma pequena dor, parecida com a da vacinação, mas a sensação estranha vem tão forte que a dor cessa imediatamente. Sim, ela está gostando muito de cavalgar em cima do troço. Sua consciência vai borrando aos poucos e seu corpo se move por conta própria. Sua mente se afoga em uma enorme onda cor de rosa enquanto ela sente seu ventre ser preenchido por inteiro por várias emissões do líquido misterioso que jorram abundantemente do troço.

Suas forças falham, assim como suas pernas e ela rola por sobre o corpo do Tecnomago. Juntando as poucas forças que lhe restam, a Feiticeira Faceira consegue ver que o Tecnomago está desacordado e o troço completamente murcho. Instantes antes de apagar completamente, a Feticeira Faceira consegue clamar por sua vitória.

– Aha! Venci! Eu sou a mais poderosa!

Os juízes do pleito discutem agressivamente. Alguns concordam em dar a vitória técnica para a Feiticeira Faceira e outros dizem que a vitória moral foi do Tecnomago. O Grande Deus e a Grande Deusa resolvem a discussão. Empate. Determinaram que tanto a Feiticeira Faceira quanto o Tecnomago devem voltar para seus lares, se recuperarem e treinarem para a próxima batalha. E assim foi feito.

Seis horas depois, o Tecnomago acorda em seu quarto cheirando a óleo e repleto de engrenagens, molas e circuitos elétricos. Os Monges da Razão o relembram do ocorrido e o instam a começar o treino para a revanche. E ele treina duro, constantemente, ao mesmo tempo em que desenvolve mais equipamentos e armas.

Nesse mesmo tempo, a Feiticeira Faceira acorda em seu quarto cheirando a rosas e repleto de poções, encantamentos e misturas. As Sábias do Caldeirão a relembraram do ocorrido e a instaram a começar o treino para a revanche. A Feiticeira Faceira deu risada, não fez coisa alguma, ela ficou na floresta, entre plantas, animais e espíritos da natureza, seus amigos. Discretamente ela apenas preparou uma beberagem para evitar qualquer feito colateral de sua batalha final.

Chegando o momento, Tecnomago apresenta-se com seu usual uniforme, mas desta vez com um tecido metálico e cheio de espinhos metalizados. A Feiticeira Faceira estava com sua roupa excessivamente sensual e provocante como sempre, para o desespero dos conservadores, moralistas hipócritas e feministas radicais, mas desta vez ela não tinha vergonha ou receio de sua sensualidade natural, normal e saudável.

– E aí, moleque? Pronto para desistir?

– Há! Você deve ter ficado muito tempo preparando suas infusões. Ficou intoxicada e agora não raciocina direito. Eu vou vencer!

– Você vai mesmo arriscar a matar seu filho, garoto?

– E… eeeh?

– Você sabe muito bem o que você fez comigo. Vai assumir a responsabilidade?

– Você… eu… nós…

– Isso mesmo, menino. Vai mesmo agredir a mulher que você ama?

O Tecnomago tremeu todo, mas a única coisa que fez foi bater com a mão no chão e declarar que desistia da luta, declarando a Feiticeira Faceira a vencedora. O coitado do Tecnomago até tentou falar com ela depois da cerimônia, mas em posse de seu cetro dourado, a Feiticeira Faceira não tinha mais tempo para ele.

– Ma… mas… e nós? E o bebê?

– Não tem nós, moleque. Considere-se com sorte por eu não te mandar prender. Você tirou a minha virtude! E eu era jovem demais! E não tem bebê. Nunca teve. Deixe de fazer ceninha.

– Isso… foi um truque?

– Sim, garoto. Você não aprendeu coisa alguma, mas eu aprendi. Eu apenas usei o truque mais velho do mundo. Vocês, homens, se acham os donos do mundo, mas somos nós que mandamos aqui.

O coitado do Tecnomago, frustrado, amargurado, ao invés de entender e assimilar algum conhecimento com esta experiência, ele largou tudo e se tornou mais um reacionário masculinista, que utilizava a rede para disseminar discursos de ódio, intolerância e discriminação, publicando todo tipo de crítica fascista, atacando o feminismo, o socialismo e a inclusão social. Vai viver e morrer como um eterno nerd.

Gentil plateia inexistente, agradecemos por sua audiência e paciência. Este palco sente-se honrado com tão ilustre presença. Nós fechamos as cortinas, desejando uma feliz partida, para um feliz reencontro.

Sem roteiro e sem emprego

Quando a rede mundial quase entrou em colapso total com o ataque do vírus Wannacry eu tive que usar de meus meios para escrever o texto “o que fazer sem computador”. Depois de outros textos, eu preciso saber: o que fazer sem escritor. O que eu vou escrever sem roteiro e para quem escrever sem plateia, sim, eu quero saber, pois raramente recebo retorno dos leitores, se é que há algum.

Eu poderia passear em Nayloria, certamente as meninas terão satisfação em encenar alguma coisa, mas eu ainda estou com o material da Gill esperando encarnar e eu não sei como deixar apresentável ao público, especialmente se considerarmos a conjuntura atual. Relendo os contos, eu tive a ideia de fazer alguma coisa contando o passeio de Leila com Ryuko e Satsuki. Seria uma excelente matéria, se eu conseguisse escapar ileso. Ou eu poderia visitar Zoltar e Alexis, curtindo uma vida “comum” em termos humanos. Mas eu tenho receio do que pode acontecer depois que eu tive aquela revelação no vídeo.

Pode ser que chegamos em uma era onde um escriba é totalmente desnecessário. A internet dispõe de diversas plataformas onde qualquer um pode expor seus textos e suas ideias. E o resultado tem sido assustador. E eu nem estou falando da parte normativa, técnica e redacional. Eu estou falando da parte do conteúdo. Quem tiver estômago, utilize o Oráculo Virtual e dê uma boa olhada no que existe na rede. E eu não estou falando de pornografia, o “bode expiatório” momentâneo, mas da enorme quantidade de discurso de ódio, intolerância e discriminação.

A pornografia não é prejudicial como dizem, a não ser para os hipócritas moralistas. Devidamente trabalhada e democratizada, a pornografia é Arte Erótica. Onde a nudez é reconsagrada, assim como o corpo, o desejo e o prazer. Nesse aspecto, o ato sexual torna-se um ato belo e idílico. Sim, seria necessário superarmos toda opressão e repressão sexual imposta pelo dogmatismo cristão. Somente quando reconciliarmos o espiritual com o carnal é que poderemos desconstruir e ressignificar as palavras “pornografia” e “prostituição” de seus sentidos pejorativos.

Quando eu afirmo que “todo ser vivo possui sexualidade” parece algo obvio e inócuo, mas então não devíamos ter tantos pruridos quando falamos em amor, sexo e relacionamento. Primeiro a sociedade rejeitava a relação entre pessoas de etnias diferentes. Depois a sociedade rejeitava a relação entre pessoas de gêneros semelhantes. A sociedade ainda fala de adultério como se só existisse a monogamia. A sociedade fica chocada em saber que existem mães solteiras que querem um namorado/a ou namoram. A sociedade ainda acha “normal” o homem ter várias parceiras sexuais, mas condena se uma mulher se dá essa liberdade. Eu recordo como a sociedade ficou em rebuliço quando um jovem ator namorou uma apresentadora com o dobro da idade dele. Hoje em dia eu até dou risada quando uma celebridade fala publicamente que “amor não tem idade”. Isso não pode ser sério. A sociedade ainda causa alvoroço quando um/a adolescente namora uma pessoa mais velha. Mas sabe falar em diminuir a idade de responsabilidade quando se é para responder criminalmente. Nossa sociedade é extremamente hipócrita.

Então eu vou deixar aberto aos leitores. Escolham o roteiro.

PS: Aparentemente Zoltar está certo, não há alguém do outro lado da tela. Isso é bom e ruim. Ruim porque escritor sem leitor é apenas um sonhador. Bom porque isso significa que eu posso escrever sem recear ofender a sensibilidade do público.

Antes de transcrever o capitulo final das memórias de Gill, eu vou escrever minicontos com uma mistura de erotismo e inocência. Tipo um Dr Seuss para adultos.

Projeto Despudorado

Oquei, eu até entendo a opinião das feministas radicais contra a prostituição e a pornografia. Mas ainda sinto o gosto ruim da carolice cristã, quando a proposta é simplesmente proibir ou censurar a prostituição e a pornografia. Eu ainda não elaborei, mas eu tenho uma tese bem simples: a pornografia foi fundamental para a mulher da Era Moderna redescobrir seu corpo, seu desejo e seu prazer.

Eu fiz uma imersão em diversos textos que falam da questão de gênero, do desconstrucionismo na filosofia [Derrida/Guattari] e de como é importante ressignificar as palavras, especialmente estas que servem para manter e reforçar o sistema social. Então que tal desconstruir/ressignificar a prostituição e a pornografia?

Eu estou ciente da condição de “trabalho” de uma “profissional do sexo” e embora eu não concorde com a postura da Human Stupidity [em um artigo que diz refutar as “mentiras do feminismo” sobre a prostituição] o conceito geral pode ser aproveitado. Por exemplo: a condição de trabalho na Indústria Têxtil é similar ou análogo ao escravo, mas ninguém é contra a produção de tecidos, roupas, moda, nem das profissões de costureira, etc.

Duas palavrinhas “mágicas”: regulamentação e fiscalização. Regulamentar e fiscalizar como e de que forma a prostituição e a pornografia é “produzida” para atender à uma necessidade social ainda é melhor do que proibir e censurar. Nós temos que nos libertar de toda forma de proibição e censura, nós vivemos por muito tempo debaixo de uma repressão e opressão sexual. Ainda temos muito que lutar para que a sociedade aceite que a população LGBT também deve ter seus direitos civis reconhecidos e respeitados. Proibir e censurar a pornografia e a prostituição é concordar com o discurso carola cristão, é reforçar o sistema social patriarcal machista, a cultura do homem branco cristão e heterossexual. Nós precisamos de novos discursos e projetos para devolver às massas o controle sobre seu corpo, seu desejo, seu prazer, seu sexo.

Eu encontrei o “Projeto Despudorado” por acaso [cofcof não existem coincidências] e, embora seja “velho” [2015], o conceito e proposta são interessantes. Faltam pessoas ou grupos interessados em apresentar mais projetos. Eu irei citar os trechos mais pertinentes:

Ainda que parecidos, não há neste mundo um ser que seja exatamente como outro. Cada indivíduo traz à Terra sua história, que é unica, suas particularidades físicas, psicológicas, emocionais, espirituais… Na idiossincrasia de cada ser, ou seja, nas características únicas de cada pessoa, reside sua beleza.

O problema é que em um mundo cada vez mais padronizado, onde até mesmo o dito ‘alternativo’ tem regras próprias e receitas a serem seguidas, tendemos a negar nossas particularidades, nossa essência, para nos encaixar de alguma forma nos moldes que nos foram apresentados. Na rígida disciplina social imposta sobre nossos corpos, instaura-se qual é o tipo de cabelo ideal, o formato da barriga e do peito aceitável, a quantidade de pêlos permitida, o tamanho do pinto, e assim por diante.

Racionalmente todo mundo sabe que a capa da revista recebeu quilos de Photoshop para ficar com aquela pele, aquela bunda, aquela cintura e aquela axila branca e lisinha… e que na verdade, até mesmo mulheres que dedicam sua vida em prol de esculpir o corpo também possuem celulite, estrias, um peito diferente do outro, marcas de expressão, pêlos encravados na virilha, etc.

Entretanto, mesmo que no plano consciente tudo isso seja relativamente claro e sejamos capazes de reconhecer a crueldade dos padrões irreais e inatingíveis que são impostos sobre nossos corpos, a desconstrução de nossas inseguranças não acontece da noite pro dia. Estamos falando de padrões profundos, que nos são ministrados desde a época em que, crianças pequenas, ouvíamos nossas mães e nossas tias falando do quanto estavam feias por estarem “acima do peso”, ou de como tinham pavor de ficarem “velhas e sozinhas”. (Isso sem nem entrar na moral cristã que fala que o corpo nu é errado, sujo e pecaminoso…)

A temática do corpo não se esgota. Eu poderia escrever horas aqui a respeito e mesmo assim ainda teríamos muito a que conversar. Se você lê agora esse texto é por quê de alguma forma demonstrou interesse em fazer parte do projeto “Despudorados”. Pra minha felicidade, muitas pessoas de dispuseram a participar, motivadas por intenções diversas.

[Original do Clitóris Livre]

Anote-se que ela teve seu perfil no Facebook apagado por “pornografia”. Outras redes sociais [Pinterest, Tumblr e outros] estão adotando a mesma histeria e paranoia. Nesse sentido, a Sociedade Zvezda apoia e endossa a opinião da escritora:

Na medida em que pelo menos metade da população mundial se encontra subjugada, a revolução de pensamento é inevitável. Os privilégios serão sim apontados, discutidos, rompidos. O futuro é feminino, já disse e repito. Se prepara por quê uma grande revolução de pensamento, muito além de ismos e movimentos institucionalizados, está aos poucos tomando forma.

Essa revolução passa pela retomada da soberania sobre o corpo e as escolhas (segurança e autonomia), e ao mesmo tempo por reassumir nosso poder de voz.

Ensinando o Diabo

Mas… você ainda está aqui? Você é bem persistente, escriba. Como? Você foi intimado? Eu nada tenho com isso. Hã? Não, não precisa mostrar o documento… não, não precisa confirmar com a remetente. Eu tive problemas o suficiente com Deusas em meu tempo em Asgard. Eu não estarei livre de você enquanto eu não contar como foi esse percurso no qual eu fui o tutor de Satan, certo? Foi o que pensei.

Um pequeno memorial: diga que foi… ou Destino, ou Fortuna… que eu voltei a ter uma existência e um corpo. Meu retorno ao mundo humano foi recebido por uma entidade menor que confiou a mim a preparação de seu… pupilo… para o papel que estava designado. Assim Jeová largou Satan em minhas mãos para torna-lo um personagem mais eficiente para seu Plano Divino. Sim, eu tinha meus próprios planos. Tinha algo nessa relação que me incomodava e eu quis descobrir.

– Ele foi embora?

– O Senhor dos Exércitos está sempre presente.

– [suspiro] Muito bem, Satan, essa será sua primeira lição comigo. Jeová não é o Deus Todo Poderoso. Nem é o único Deus.

– Eu posso aceitar isso. Afinal, o senhor é o Deus da Mentira.

– Touché… mas o mentiroso quando diz que mente, diz a verdade ou a mentira?

– O intento do meu Criador é o de tornar-me mais eficiente. Eu sou o promotor do tribunal que irá julgar vivos e mortos diante de Deus. Então, como advogado de Deus, eu quero ver as evidências.

– Muito apropriado. Seria até irônico se isto te tornasse ateu.

– Nós dois sabemos que isso é teimosia humana.

– Nós dois sabemos que isto não te isenta dos humanos que criaram uma religião supostamente baseada em você.

– E nós dois sabemos que satanistas são tão iludidos quanto os cristãos. Eu não sou nem represento as necessidades humanas carnais. Eu sou um anjo, não conheço as necessidades humanas nem tenho interesse por elas. Isto é apenas uma forma que o humano encontrou para divinizar a si mesmo.

– E cá estamos nós, em um projeto que envolve os humanos.

– O que é outro paradoxo. Cá entre nós, que o Criador não nos ouça, mas é no mínimo incoerente que Deus precise dos humanos para consolidar seu Plano Divino.

– Bravos! Eu acho que este é o começo de uma bela e longa amizade.

– Não fique animado, senhor Loki. Assim que minha… instrução for concluída, você voltará a ser um demônio.

– Você fala como se isso fosse ruim…

– Pare com isso! Ou eu vou acabar rindo!

– Essa será sua segunda lição, Satan. Emoções serão sua melhor arma. Saiba como controla-las. Você poderá usar esta arte para seu autoconhecimento e libertação.

– Bom, eu não pretendo entrar nesse tipo de entretenimento, mas eu acho que estou prestes a desenvolver a raiva. E a impaciência. Evidências de que Jeová não é Deus nem único, por favor?

– Ora, quanta gentileza! Eu terei que trabalhar com isso depois. No serviço que eu… que nós fazemos, gentileza é uma fraqueza inaceitável. Acompanhe-me.

– Nós vamos para Asgard?

– Oh, não, por Yggdrasil. A ultima coisa que eu preciso é um agradável reencontro com meus irmãos e irmãs. Eu vou te levar para os territórios de dois dignatários que teu Criador deve conhecer: Jove e Zeus.

– Ah! Os verdadeiros autores da civilização ocidental! Eu ansiava por um momento assim!

Satan parecia um colegial em excursão. Não que Roma seja completamente desconhecida por ele. Secreta e sigilosamente, em círculos bem restritos e catacumbas escondidas no subsolo do Vaticano, padres, bispos, cardeais e papas ainda celebram Missas Negras. Sim, o Satanismo e o culto satânico existiam antes mesmo destes serem recriados para o consumo comercial. Mas este não era o nosso objetivo. Nem tampouco falar com os inúmeros Deuses da Antiga Roma que sobreviviam em suas capas de santos cristãos. Nosso alvo era Jove. Evidentemente que eu não irei dar a localização de sua atual moradia.

– Pelas barbas de Saturno! Quem bate em minha porta?

– Jove! Sou eu, Loki!

– Loki? Ah! Por Rhea! Um minuto!

Jove abre a porta envolto em pouco mais do que um lençol. Por alguns segundos eu achei que ele estava curtindo algum tipo de saudosismo, mas uma mulher esgueirando por trás da porta que dava para a cozinha me dissimulou.

– Oh! Perdão, Jove. Eu interrompi sua intimidade.

– Bobagem, bobagem. Entre. Você é de casa. Creio que vocês se conhecem… Loki, Hestia, Hestia, Loki.

– Saudações… meu primo distante.

Satan está tão deslumbrado por conhecer Jove pessoalmente que escapa dele as sutis implicações desse affair divino. Hestia e eu temos algo em comum: o fogo. Mas ela deveria ser, supostamente, intocada, virgem. Oh, bem… virgens que não são tão virgens não é novidade alguma.

– Ah, a minha educação! Jove, Hestia, este garoto que eu trouxe comigo é Satan.

– Satan… o… Diabo?

Nós três começamos a rir descontroladamente. Eu espero que seus leitores entendam a ironia da cena. Três Deuses, renegados e esquecidos, se reencontrando em Roma, a poucos metros do Vaticano, sede da multinacional de Jeová, em um encontro clandestino com o Diabo. Para ensinar a ele seu ofício. Sim, é hilário.

– Ah, puxa vida… isso merece abrir um odre com vinho de palmeira. Mas sentem, sentem. Hestia, veja se Demeter e Ceres estão por perto. Eu vou ver se consigo falar com Zeus.

– Oh, eu não quero incomodar.

– Bobagem, bobagem. Hoje em dia existem carros, aviões e smartphones. Nós acompanhamos a tecnologia. A única diferença é que nos mantemos incógnitos. Nós vamos precisar de mais duas Deusas, pelo menos, para ensinar Satan seu oficio.

– Oh, bem… eu sempre tive um fraco por Juno. E eu acho que Proserpina seria ideal para Satan. Mas não ligue para Zeus. Ele será a nossa próxima visita.

As pizzas chegaram pouco depois das “meninas”. Jove relembrou cada um de suas sagas e de seus problemas com os Césares. Hestia só falava de como estava aliviada de ter sido aposentada. Ceres tentava falar, mas ficava difícil entender o que ela falava com a boca ocupada com meus… atributos. Satan não tirava os olhos do decote de Demeter, que deixava escapar seus seios voluptuosos e fartos como sempre. Eu perdi Satan de vista quando Juno chegou e eu… nós… fomos para a cama nos enredar em lençóis de algodão. Jove também sumiu… com Hestia… para o segundo tempo.

Eu voltei para a sala de estar depois que deixei Juno dormindo, com um enorme sorriso de satisfação nos lábios. Ali não estavam nem Demeter, nem Ceres, nem Satan. Foi simples encontrar os três no quarto dos fundos, completamente nus, bêbados e empapados em líquidos corporais. Bom garoto. Aprendeu com facilidade a primeira lição.

Satan se defende

Tom Hoopes, republicado por uma [de muitas] páginas católicas [ou cristãs]:

O maior fã de pornografia é Satanás.

Anton Lavey, em sua obra [cofcof plágio] Bíblia Satânica:

Satã tem sido o melhor amigo que a Igreja já teve, já que é ele que a tem mantido no mercado por todos esses anos.

Muitos de vós, que estão perambulando por caminhos alternativos [pagãos, bruxos, magos, etc] francamente devem estar cansados dessa pobreza espiritual. De onde estes olham, Luz e Sombra são lados da mesma Moeda [Tao]. Não há Bem absoluto sem que haja maldade presente, nem há Maldade absoluta sem que haja benefício presente. Vocês não devem esquecer a Inquisição nem das Cruzadas, entre tantos outros massacres cometidos em nome de Deus, da Igreja, do Estado, do Partido, da Ciência.

Que tal ouvir o que eu tenho a dizer?

Satanás adora pornografia porque ele odeia liberdade.

Hum, uma interessante provocação, considerando que por 19 séculos a Igreja foi [e ainda é] a maior inimiga da liberdade, tanto a religiosa, quanto a secular. Ainda nos dias de hoje a Igreja se coloca contra a homossexualidade e os direitos civis da população LGBT, sem nos esquecer de sua flagrante misoginia.

Vamos ser honestos aqui? A Igreja foi contra a pornografia por que esta desafiava seus dogmas e certamente minou seu controle político e eclesiástico sobre o corpo das pessoas. A pornografia, tal como vocês a conhecemos, seguiu a “lógica do mercado” que é tanto elogiada pelos neoliberais [alguns são inclusive católicos e conservadores]. A pornografia é uma indústria bem sucedida [e tolerada] porque é fonte de muito lucro e poder. Na verdade, a pornografia é a maior amiga da Igreja, pois ela endossa e reforça a ideia [dogmática] de que tudo que se refere ao corpo, ao desejo, ao prazer e ao sexo é algo sujo, vulgar e pecaminoso, que só pode ser acessado [consumido/gozado] dentro de uma lógica capitalista. Ou seja, é um produto e/ou um serviço, inclusive os corpos e pessoas ali dispostos. O gozo é a expropriação feita pelo sistema. Não há mais o prazer sexual legítimo, sagrado ou transcendental. Sua sexualidade somente pode existir e ser exercida como parte de um sistema de produção capitalista e socialmente aceitável. Como vossa pulsão e libido não possuem freio, regra ou limite, a cultura ocidental cristã entra com o processo de culpa e voilá, vosso pecado é fonte de lucro para a Igreja. Parece uma equação insana, mas quanto mais pornografia, maior é o público da Igreja. Assim como em relação a mim, a Igreja devia ser grata à pornografia.

Satanás adora pornografia: a estrutura cabal do pecado.

Oh, não, humano, eu nada tenho com o pecado. Quem gosta disso é Jeová e a Igreja. Sim, disso eu tenho certeza. O próprio Jeová ditou para seus escribas [e se gabava disso] que Ele criou tudo. Foi ideia dEle colocar a Árvore do Conhecimento [que aliás, roubou de Asherat, mas isso é outra lenda]. Foi ordem dEle colocar a Serpente no Éden. A Serpente [bendita seja!] sabia que Ele é um usurpador e tentou dar a vocês, humanos, o Conhecimento. Ah, sim, Jeová, um ator canastrão, fez toda aquela ceninha de “Pai” que foi desobedecido e… vocês acreditaram! Sim, não há obediência maior do que aquela adquirida pela culpa. O pecado é a prisão que os mantêm nessa gaiola chamada Cristianismo. Sem pecado e culpa, não haveria necessidade de redenção, de Cristo, de Igreja… entenderam o que eu disse? Ótimo. O que euzinho tem com isso? Nada, nadica de nada. A culpa, o conceito de pecado, está em vocês, chame isso de programação, instalada por Jeová e pela Igreja. Eu só… dou um empurrão, digamos assim. Oquei… sim, eu estou bem ao lado de Jeová, mas entenda… foi Ele quem me colocou aqui e eu sou o promotor nesse tribunal insano. Não culpe o advogado por você estar condenado por leis e por um tribunal que ele não é responsável.

Satanás adora desfigurar a imagem de Deus.

Opa, opa, um minuto, por favor. Vamos voltar um pouco a fita do Eden. Quem é o Criador? Nesse filme, foi Jeová. Ele criou a ambos, macho e fêmea. Salvo interpretação mais tendenciosa, o primeiro de vocês era hermafrodita… imagem de Deus, ou imagem de Elohim, nossa… companhia, se preferirem dizer. Sim, Elohim, coletivo, vários Deuses. Os povos de origem dos escribas que fizeram os textos sagrados que compõem a Bíblia foram politeístas, mas isto é uma outra história. Enfim, Jeová encontrou Abraão e quis ser o Deus Único do Povo de Israel, então, com a ajuda de Abraão, Isaac e Jacó, contaram a primeira piedosa fraude, que foi a segunda crônica do Genesis, onde o primeiro ser humano foi cortado em dois [a Eva sendo tirada da costela de Adão te lembra de algo?]. Então se teve alguém que desfigurou a “imagem de Deus” foi Jeová. Eu só estou seguindo o “Plano de Deus”, seja lá o que for isso.

O demônio adora fazer as pessoas se parecerem com animais.

Opa, opa, mais devagar com esse dedo acusador. Vamos por partes: Jeová e a Igreja inventaram o pecado. Então todos os doutores da Igreja compararam os pecadores com animais, não eu. Aliás, diga-se à parte, eu acho o ato do sexo um dos mais belos e idílicos. Por que eu compararia algo tão divino com algo tão bestial? Novamente, interessa apenas à Jeová e à Igreja transformarem vocês em animais, por simplesmente seguirem a natureza com a qual foram gerados. Enquanto vocês permanecerem frustrados, recalcados e insatisfeitos, mais culpados se sentirão por suas necessidades carnais e mais lucro a Igreja terá. Os únicos que não ganham coisa alguma [pois a salvação é mais uma piedosa fraude] são vocês.

O diabo adora destruir a inocência das crianças.

Ah, por favor! Nem parece que por muitos anos a Igreja acobertou, negou e omitiu inúmeros casos de abuso sexual de crianças e adolescentes! Até para mim, que sou acusado injustamente de ser o Mal Encarnado, o Adversário de Deus, me causa nojo o que seus padres e pastores fizeram [e ainda fazem]. Recapitulando: o Capitalismo [que, por sinal, foi elogiado por Max Weber como sendo um sistema econômico eticamente compatível com o Protestantismo] criou e fomentou a Pornografia. A Pornografia foi tolerada [fonte de lucro/poder] e ainda é usada [devidamente vilipendiada] para discursos moralistas recheados de hipocrisia visando unicamente o controle da sociedade [pela opressão/repressão sexual]. Teoricamente falando, a Igreja é a que menos tem moral para falar disso, pois seus funcionários deveriam, supostamente, estar acima desse tipo de influência, então como explicar tamanha sexualidade [proibida, interditada] dentro dos claustros? Oh sim, a Igreja tem enormes pecados muito antes da pornografia existir. Incesto, estupro, adultério, infanticídio… até aborto, dentro de suas casas de fazer loucos, chamadas igrejas. O ser humano pode esquecer… eu não esqueço.

Ah, sim, por favor, não me acusem sem provas. Eu nada tenho com os satanistas, jovens bem intencionados, mas que infelizmente acabam presos em mais uma piedosa fraude. Eu não sou vermelho, nem peludo, nem tenho cascos e chifres de bode. Eu sou um anjo criado por Jeová. O mais perto que tem dessa imagem que fizeram de mim é o Senhor das Florestas, o Mestre do Sabá. Ele sim, é um Deus. Como muitos outros que eu conheci nos inúmeros de seus povos. Se vocês ao menos lembrassem de suas verdadeiras origens, de seus ancestrais, de seus Deuses… ah… vocês seriam infinitamente mais felizes, mais satisfeitos e estariam muito mais avançados, evoluídos. Jeová estaria preso no Inverno que Ele criou e eu… bom… eu estaria no mínimo desempregado.

Ou não. Tem um Deus que me encanta muito. Loki. Um cara com estilo, bom humor, inteligência descomunal. Ele de vez em quando vem me tentar. Hilário! Justo eu, que sou considerado o Tentador! Ele vem me provocar, falando dos Deuses de Asgard e de como gente como eu e ele são bem vindos, de vez em quando… como os humanos falam? Ah, sim… Deus Trapaceiro. Não pense mal de um Deus Trapaceiro. Vocês ainda estariam primitivos se não fosse por Hermes e Prometeu. Isso me agrada. Muito. Chame de justiça divina. Jeová recebendo o que merece e eu sendo promovido a Deus. Mas quer saber o que me faz balançar? Quando Loki me leva para passear pelos domínios dos outros panteões, eu espicho mais longamente meu olhar quando eu passo por uma certa ilha repleta de maçãs douradas. Podem tirar sarro de mim, se quiser. Mas é impossível olhar para Lúcifer [como vocês humanos chamam, de forma pejorativa] sem sentir vontade de largar tudo e beijar aqueles lábios suculentos. Sim, eu largaria tudo por Ishtar, Afrodite, Vênus, ou qualquer outro nome que Ela tenha.

Romantismo de trincheira

Renge Komadori estava calada demais, Miki Shirasagi tinha notado essa mudança de comportamento em sua colega de escola e de trabalho depois de tantas missões. Foi ela, como White Egret, quem apresentou Renge para o senhor White. Sim, ela acabou ficando como a senpai dela e, no começo, a dedicação e senso de justiça de Renge a transformou na comandante White Robin e como uma dupla elas tentaram desbaratar a Sociedade Zvezda. Mas Miki sabia que seria uma questão de tempo até que sua ingenuidade e pureza causariam nela um dilema.

– Você está muito quieta hoje, Komadori. Aconteceu algo?

– Hã? Ah, nada Shirasagi. Estamos próximas das provas finais do semestre. Eu estou só preocupada com os estudos.

Miki sabe que não é verdade. Renge quando pensa nas provas fica em pânico, não com essa cara deprimida. Miki fica ressentida, porque esperava que Renge não caísse no pecado de gostar de meninos. Miki até traçou planos para se declarar para ela, mas então apareceu Asuta Jimon/Dva. Foi na escola ou foi nas missões? Não importa. Miki estava perdendo sua garota para um menino.

– Vai ficar com segredinho agora? Você sempre foi bem aberta e sincera comigo. Eu sempre fiquei ao seu lado para te ouvir. Você está assim por causa do Jimon, confesse!

– Eeeh? Mas… do que você está falando! Como se eu tivesse tempo livre para pensar em paquera! Eu… só estou preocupada.

– Aconteceu alguma coisa que você não quer falar… algo que você quer esconder… de mim?

– Hahaha… que bobagem! Eu? Não, eu não sou de mentir nem de esconder. Bem diferente desses “generais” que vieram de outra agência. Eu não confio neles.

– Komadori, eles foram introduzidos na White Light pelo próprio senhor White. O que você está dizendo pode ser interpretado como desobediência. O senhor White os trouxe e eles nos ajudaram muito em nossas missões. Foi com os equipamentos e efetivos deles que nós conseguimos tirar o “trunfo” da Sociedade Zvezda.

– Eu sei, eu sei… mas mesmo assim eu não confio.

– Por que não? Porque são de Tóquio? Ou porque constantemente ficam despejando aquele besteirol esotérico sobre anjos, cabala e Deus?

– Eu não gosto das nossas “generais”. Eu não posso acusar, não tenho provas, mas a White Vulture tem muita intimidade com o nosso prisioneiro.

– E eu não gosto do “Pai” e do “Filho”. Aquele velho fica olhando para mim de uma forma vulgar e o garoto é muito covarde. Nós temos que trabalhar com o que temos, Komadori.

– Isso não significa que nós temos que aceitar, nos acomodar ou concordar. Eu não gosto deles e ponto final.

– Hum… então nós podemos fazer uma reclamação formal com o senhor White. Nós podemos pedir para sermos transferidas para outro setor, outra região… ou nós podemos pedir demissão.

– Ah, não! Nós tivemos um trabalhão pela conquista em Udogawa, eu não vou pedir demissão. E pedir transferência pode nos mandar para lugares distantes. Nós somos uma dupla e vamos manter assim.

– Hum… isso significa que você gosta de mim?

– Shi… Shi… Shirasagi! Pare de ficar me abraçando e me alisando! O que as pessoas vão pensar?

– Komadori… eu gostaria de ter uma oportunidade melhor, mas eu não aguento mais. Você nunca perguntou por que, dentre tantas alunas e amigas que eu tenho no colégio e na cidade, eu fui escolher justo você…

– Shirasagi! Você está começando a me assustar!

– Eu não posso mais esconder, Komadori. A verdade é que eu te amo.

– Shi… Shi… Shirasagi! Isso… isso… é imoral! Proibido! Se o pessoal da White Light ouvir isso, nós vamos estar muito encrencadas!

– Komadori, eu sempre gostei de meninas e eu sempre estive em risco, mas eu não tenho medo. Não tenha medo! Eu notei que você sempre preferia a companhia de outras meninas e nunca te vi sequer olhando para meninos. Então seja sincera comigo e com você mesma.

– Shirasagi, pare de falar bobagens! Nós ainda estamos no colegial! Do jeito que você fala até parece com o pervertido que prendemos! A White Light tem a sagrada missão de reestabelecer a moral e bons costumes da sociedade cristã! Falar ou pensar nisso… é pornografia!

– Tsc… você realmente é ingênua e pura demais. Você realmente acredita nessas bobagens que nós dizemos para o público. Deixe disso, Komadori. Você acha que nossos superiores realmente seguem esses rígidos padrões de moral que eles impõem? Quantos escândalos são necessários para que você perceba que nem os padres da Igreja estão isentos? Quantas vezes a White Light tem que se reestruturar por causa de gerentes e diretores que são, literalmente, pegos com calças arriadas? Vai dizer que você nunca viu as festinhas que aconteciam dentro da White Light, regadas por drogas e sexo, inclusive com garotas como nós?

– Então… a White Falcon estava certa… tudo é uma questão de poder e manter esse poder… nunca foi uma questão de moral e princípios…

– Komadori… agora você é quem está assustando.

– Shirasagi! Isso que nós estamos fazendo é errado!

– De novo? Não há certo ou errado quando se fala em amor!

– Não é disso que eu estou falando, sua boba! Eu estou falando de nossa missão, de nosso trabalho na White Light, de nossa luta! Eu não posso, eu não consigo viver uma mentira! Nós não podemos mais continuar a seguir essas ordens! Nós estamos tornando miserável a vida das pessoas! Um poder mantido pelo medo e ignorância não merece existir! As pessoas devem ser livres, felizes e realizadas!

– Heh… agora você está falando igual à Sociedade Zvezda.

– Shirasagi! Duas garotas se gostarem, se amarem é loucura! Vamos fazer uma loucura! Venha comigo e vamos lutar! Pela Resistência! Pelo Povo!

– Isso é bonito de se dizer, Komadori, mas isso é romantismo de trincheira.

– Você quer ou não quer ficar comigo?

– Sim… mais do que tudo.

– Então vamos fazer como os casais românticos antiquados faziam, vamos fugir juntas e lutar juntas, ao lado da Sociedade Zvezda.

– Isso quer dizer que você… eu… nós… nós vamos ter um relacionamento?

– Eu não posso te prometer isso, Shirasagi. Eu ainda reluto em confessar meus sentimentos por Jimon, quanto mais assumir um relacionamento com você. Mas tudo é possível. Não existem mais certezas definitivas, gravadas em pedra.

– Oh, bem… considerando tudo… é algum avanço, levando em conta a forma como você pensava.

– Então me acompanhe. Eu vou fazer a maior loucura. Eu vou soltar o profeta do profano. E nós duas vamos escolta-lo de volta à Sociedade Zvezda.