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Pimpinella em Arcádia

[ATENÇÃO, NSFW!]

[Nota editorial: estava prevista mais partes dessa série de contos, mas para poupar os leitores de mais perturbações, passamos para o capítulo final]

[Final, mesmo. Eu não irei mais escrever]

Os primeiros raios do sol da primavera brilham e esquentam o terreno no qual eu estou estendido, respirando com dificuldade, semiconsciente. Meu estômago protesta tão alto que eu sou obrigado a acordar. Eu olho para meu lado e Judy [Hopps] não está mais ali, eu não vejo [Nick] Wilde ou a viatura que nos serviu de condução e fuga. O estômago ronca, furioso, eu então, com dificuldade, ergo parcialmente meu tronco, permanecendo sentado no chão arenoso, procurando por comida e por Pimpe.

– Ah, você acordou! Até que enfim. Vamos, venha comer. Nós temos apenas mais uma missão.

Pimpe estava admirando sua coleção de placas, cinco no total. Diferentes no conteúdo e no material utilizado, eu presumo que sejam cruciais para a conclusão da nossa missão.

– Para onde nós vamos?

– Nós vamos para Arcádia. Mas antes, nós vamos esperar a chegada de nossos amigos.

Eu sou o que menos sabe o que acontece. Eu estava ocupado engolindo a comida quando chegaram três presenças. Uma criatura de outra dimensão e dois seres das sombras.

– Eu suponho que você seja Pimpe.

– Oi Staubmann, oi Enzo, oi Abigail.

– Nós temos que esperar. Tem mais um casal que quer ir conosco.

– Devem chegar em breve. Eu os sinto por perto.

Eu não reconheço mais Pimpe. Quando e como ela mudou, eu não sei dizer. Mas isso é normal acontecer com todos que perambulam pelo Vale das Sombras e entra em contato com o Mundo dos Mortos.

– Oi pessoal. Desculpe a demora.

– Oi, meu sobrinho. Quando vai nascer o pequeno Landlord?

– Pela forma como ele me chuta, em breve.

– Ah, sim, apresentações. Pimpe, Sapo, este é Alphonse e Catarina Landlord. Alphonse é meu sobrinho pelo lado materno.

Eu tento entender e aceitar que um ser de outra dimensão não apenas tenha se apaixonado por uma humana [agora uma criatura das sombras], mas também tenha conseguido engravidá-la. Estranhos rituais ou fórmulas profanas devem ter tornado possível tal obra. Eu fico torcendo que isso possa ser possível entre Pimpe e eu, eventualmente.

– Estão todos presentes e prontos? Que bom. Eu faço ou você faz a gentileza de abrir o portal, Staubmann?

– Faça você. Eu nunca vi um portal sendo aberto por sua gente.

Por meus votos de segredo e sigilo, eu não vou descrever os sinais e palavras que foram executadas. Apesar de eu ter visto e testemunhado tantas vezes o que nós chamamos de “levantar o véu”, a experiência é sempre marcante.

– Satisfeito?

– Impressionado. Eu faço isso com facilidade, mas considerando que a transição é individual e eu seja uma criatura extradimensional, o ritual feito por sua gente é bem eficiente.

Nós estamos em um ambiente completamente diferente do anterior. Quente, mas úmido e repleto de plantas. Lembra bastante das minhas viagens pelo nordeste e norte do meu país. Nós fomos recebidos por criaturas antropomórficas.

– Saudações, embaixadores de Nous, familiares e associados. Sigam-nos, nós os levaremos até o doutor.

Nós seguimos nossos anfitriões e passamos pela área urbana, cujos habitantes eram todos seres antropomórficos. Eu não estranharia se vieram daqui muitos dos atores e coadjuvantes dos filmes de animação que fazem tanto sucesso no mundo humano.

– Podem entrar. O doutor os aguarda.

Eu achei que fosse o domicílio residencial do enigmático doutor, mas ao entrar eu vi espaço suficiente para um laboratório, uma faculdade, um restaurante e um hotel. Eu li na entrada: Instituto Moureau. Um senhor envelhecido e arqueado nos cumprimentou.

– Boa tarde, meninos e meninas. Eu deixei tudo preparado. Nós podemos começar quando quiserem.

O doutor parecia bastante intrigado e interessado em minha pessoa. Como se fosse a coisa mais normal do mundo, ele perguntou algo que me deixou constrangido.

– Desculpe a curiosidade desse velho cientista, mas você é uma criatura antropomórfica natural ou artificial?

Eu devo ter travado, pois não tinha a menor ideia do que ele falava ou de como responder. Alphonse veio me ajudar.

– Doutor, essa é uma pergunta capciosa. Afinal, não há nada de humano na humanidade.

– Isso é verdade, Alphonse. Eu comecei a perceber os indícios de que isso que se chama “ser humano” era um resultado genético ou casual ou deliberado. As fases de desenvolvimento e crescimento do feto humano demonstram similaridades demais com outras espécies.

– Eu não creio estar revelando uma novidade, mas sua gente é resultado de manipulação genética, minha gente chama sua gente de “Annunaki”, ou os “Filhos de Anu”. As estranhas configurações da aparência que povos mais antigos davam aos seus seres superiores, chamados de Deuses, foram retratos esquecidos das outras espécies antropoides e humanoides que surgiram [foram geradas] a partir da engenharia genética com os “Filhos das Estrelas”.

– Exato, exato! Eu fiquei bastante chocado quando eu vi que meus muitos filhos e filhas não constituíam algo novo ou revolucionário. Felizmente meu pequeno paraíso tornou-se santuário para todos os seres antropomórficos. Então eu fico curioso da origem de nosso amigo batráquio.

Essa é uma questão que eu não quero descobrir. Desde que eu me conheço por girino que eu habito Elphane e ali mesmo eu fui treinado na Arte, recebendo da Rainha Titânia minhas roupas e o alaúde. Quase como Taliesin, eu conheço as estrofes, os tons e as rimas secretas do Ofício. Por isso que meu canto ofende e ameaça estes que se intitulam bruxos e sacerdotes da Religião Antiga: por que eu ouso dizer sobre a Verdade, a Luz e o Amor.

– Apressem-se! Estão todos nos lugares e impacientes para começarmos o Rito.

Abigail dá meia volta e caminha saltitando, fazendo seus longos cachos dourados balançarem. Difícil dizer que ela é muito mais velha do que aparenta. Nós três entramos na sala de decoração simples e minimalista, com as placas fixadas em determinada posição e ordem, enquanto nossos amigos ficam na borda do círculo desenhado no chão.

– Isso é incrível. Eu achei que seria impossível reunir novamente as doze placas.

– Mas elas estão reunidas. O que achou da minha organização?

– Perfeita, Pimpe, perfeita. Gostaria de fazer a gentileza de entoar as palavras, Abigail?

– Será um prazer, Staubmann.

Quando eles levam minha alma para aquele lugar

Isso lhes dará o mistério do seu medo

Que é XAPIHP, AXPW, PPAWP, AWHPNEUPSAZPA.

E tu és de outra raça, e seu lugar é sobre outra raça. E agora você é de outra raça, e seu lugar é sobre outra raça. Tu és de outra raça, porque não és semelhante. E és misericordioso, porque és eterno. E o teu lugar é sobre uma raça, porque tu fizeste todos estes crescerem; e por causa da minha semente. Pois é você quem sabe, que o seu lugar é gerar. Mas eles são de outras raças, pois eles não são semelhantes. Mas o lugar deles é sobre outras raças, pois seu lugar é na vida. Tu és Mirotheos.

E ele trouxe o pensamento de sua grandeza à medida da insubstancialidade, até que ele os tornou insubstanciais. Pois ele é incompreensível. Através de seus membros ele, por si mesmo, fez um lugar para seus membros, que eles deveriam habitar nele e saber que ele é seu Pai, e que é ele quem os emanou em seu primeiro conceito: isto que se tornou um lugar. para eles, e os fez insubstanciais para que eles pudessem conhecê-lo. Pois ele era desconhecido por todos.

Diante de meus olhos, o ar no ponto central do círculo alterou sua natureza, começando a se comportar como a água de um lago, febrilmente ondulando. Mais afastados os espaços adjacentes atrás de meus amigos dobravam-se e desdobravam-se, como se fossem parte de um intrincado fractal, se formatando, se reconfigurando.

O ambiente foi tomado pelo agradável perfume semelhante a rosas enquanto era inteiramente preenchido por aquela luminosidade rosácea e púrpura, até não ter mais sombra alguma. Então apareceu Kate Hoshimiya, aliás, Venera Sama, mas na sua forma original.

– Meus parabéns, queridos. Vocês conseguiram quebrar as cadeias e derrubar as barreiras que separavam esse mundo da Realidade Divina. Com isso o Conhecimento voltará a ser único, não haverá mais distinção entre Ciência, Religião e Magia. A humanidade irá despertar e retomar sua essência divina. O Espírito do Tempo, o Demiurgo, perderá seu poder e dominação. A Grande Alquimia a tudo irá transformar.

– Com licença, Vossa Majestade Divina?

– O que foi, Pimpe querida?

– Eu acho que esse é o momento mais adequado e propício. Para celebrar a libertação e emancipação humana dos Ciclos dos Aeons [a armadilha de Chronos, o tempo, a maior ilusão de Maya], que tal um Hiero Gamos como sacrifício?

[risos]- Sim, isto é necessário. Eu sei que você se voluntaria, repleta de contentação. E você, Sapo? Gostaria de se oferecer como sacrifício?

[Intervalo para uma mensagem de nossos patrocinadores. Gentil audiência, tranquilizem-se, pois o Caos não é isso que dizem ser. Epicrato Magno Caos é a Consciência Coletiva Divina, indistinta, homogênea, em conflagração, energias que volteiam
em um furacão. De estruturas simples e básicas surgem estruturas derivantes e complexas. Somente pode surgir a Ordem onde há Caos, quando o Caso anula-se a si mesmo, fazendo de si mesmo Entropia. Desses oásis de aparente tranquilidade surgiram as Formas, primeira
consequência da Entropia e da Ordem. Luz é Forma, Escuridão é Forma, Tempo é Forma, Vida é Forma, Espaço é Forma, Mente é Forma. A construção da Eternidade depende da existência da Forma. Bendito sejam os Primeiros, o Antigo, quem não ousamos nomear e a Serpente,
quem não ousamos nomear. Do Casal Primordial são gerados os Deuses Antigos e as gerações seguintes. Os Deuses Antigos fizeram suas cidades, reinos, impérios. As doze dimensões e cada um dos cosmos contidos nessas esferas são projetos feitos em Nous. Atritos
entre reinos e impérios geram facções e eis que acontece a Guerra dos Deuses. Os vencedores são coroados, os vencidos são vilipendiados. Aqueles que foram degradados e diminuídos são lançados para encarnar como meros mortais no corpo de Gaia e desde então
esse pequeno torrão de terra ficou isolado, pois de colônia dos Deuses tornou-se presídio. Foi apenas pela enorme potência chamada Amor que estes, agora chamados humanos, tem sido sujeitos à atenção do Reino Divino e apenas por intercessão desta que não ousamos
nomear a humanidade é colocada de volta à ascensão.]

Eu hesito, dividido entre desejo e medo. Então eu recebo a ultima revelação daquela que eu mais amo, por toda a Eternidade.

– O que teme e hesita, meu querido, meu muito amado? Qual poder vence o Caos? Amor. Qual poder vence a Ordem? Amor. Você, mais do que todos, sabe disso. Amor é a Potência Divina que não é nem Caos, nem Ordem. Você pode dizer que é o Terceiro Partido [risos]. Deixe que seu Eu seja envolvido no arrebatamento do infinito. Deixe que o Amor consuma toda dúvida, dor, sofrimento, incerteza.

Nisto consiste o todo do Quinto Círculo do Caminho no Bosque Sagrado. Ser devorado, consumido, desintegrado. O mundo não é real. O tempo não é real. Esta consciência não é real. Este corpo não é real. Pimpe recebe-me, jubilosamente, através e por dentro de seu mistério e portal carnal. Não que eu tenha algo a reclamar, afinal, eu e Pimpe seremos um só. Todo meu ser, essência e existência são avidamente sorvidos. Eu não desejaria fim melhor do que esse para meu miserável ser.

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Pimpinella em Katanapolis

[ATENÇÃO, NSFW!]

Eu estava tendo sonhos maravilhosos, eu sonhava que eu era proprietário de populoso harém e passava o dia inteiro entre as coxas daquelas mulheres quando eu fui “gentilmente” sacudido.

– Cidadão! Cidadão! Acorde! O café está pronto!

Eu ainda estou adormecido, mas sinto meu corpo latejando e minhas partes baixas assadas. Hopps me olha com desdém e repulsa, a despeito de nós termos tido momentos tórridos.

– Não pense bobagens, cidadão. O que nós fizemos foi meramente para saciar minha necessidade física.

Ela dá meia volta e eu vejo meu creme de nozes ainda escorrendo pelas coxas grossas dela. Eu não vou me queixar, não é a primeira vez que eu sou abusado e me agrada a ideia de sexo sem amor. Hopps pode ser o tipo do Wilde, mas ela é do tipo mignon. Sua única vantagem são suas belas coxas e bumbum avantajado.

Cambaleando, eu consigo chegar na sala de onde eu vejo Wilde acaba de fazer o café no exíguo espaço da cozinha. Wilde não está em estado melhor do que o meu. Nós passamos algumas horas em um hotel de estrada, chamado de “motor hotel”, que depois virou apenas “motel” o que, no Brasil, virou sinônimo de puteiro. Largada no sofá, Pimpe está admirando algo e só então eu vejo que ela acrescentou mais uma placa para sua coleção.

– O que é isso, Pimpe?

– Uma lembrancinha que eu peguei da White Light.

A placa é de acrílico, de dimensões similares à da placa de metal que foi levada da fábrica, contendo a frase “It’s just business” nela. A superfície é lisa, o que indica que os caracteres devem ter sido gravados com algum tipo de laser ou nanotecnologia.

– Rápido com isso. Daqui a pouco a Imperatriz fará a transmissão com as novas ordens e coordenadas.

Na mesa improvisada eu vejo amendoim, batata frita e outras comidas nada saudáveis. O café está pelando e excessivamente doce. Wilde apenas senta e engole. Por amor ao meu couro, eu faço o mesmo. Pimpe enche a mão de fandangos e suga o conteúdo do suco de caixinha. Inevitavelmente eu e Wilde ficamos excitados com a cena.

– Muito bem, seus pervertidos e tarados, acabou o recreio. Tentem se arrumar da melhor forma possível. Eu vou abrir o transmissor.

Hopps leva muito a sério essa postura de guerrilheira. Eu ainda não sei como e onde eu me encaixo nesse “aparelho”, mas como minha obrigação [dada por Titânia] é o de servir a Pimpe e ela é a “capitã” dessa guerrilha, então eu acho que fui arregimentado. Meus pensamento são interrompidos pelos chiados emanados do transmissor.

– Atenção, súditos da Imperatriz! Atenção para a transmissão oficial de nossa Imperatriz! Aqui quem fala é a tenente Shikabane. Estejam todos à postos e prontos para ouvir e executar os desejos de nossa amada Imperatriz! Que a Luz de Zvezda brilhe por todo mundo!

Shikabane… eu acho que eu ouvi esse nome em outro lugar. A imagem é indistinta, só aparece uma máscara de gato. Depois aparece um logotipo, uma forma de raquete envolta por um semicírculo. Esse símbolo mexe com minha memória. De alguma parte do meu passado ou de uma das minhas muitas outras vidas. Na sequencia, a transmissão recebe uma música de anime… mas de qual, eu não lembro.

– Saudações, meus súditos. Aqui quem vos fala sou eu, Kate Hoshimiya, mais conhecida por Venera Sama.

Eu reconheço esta mulher. Ela tem longos cabelos de tom prateado, olhos vermelhos e uma inconfundível estrela brilhando bem acima da têmpora. Sem me dar conta, eu estou de joelhos, chorando, emocionado.

– Meus leais súditos, saibam que o amor que sentem por mim é recíproco. Por isso que eu confio a vocês essa nobre missão de conquistar o mundo. Eu saberei recompensar a todos pelo esforço e sacrifício que tem feito. Meus queridos e muito amados, a missão que eu tenho para vocês fica em Katanapolis. Vocês receberão os detalhes da operação do general Pepel. Avante! Vençam! Que a Luz de Zvezda brilhe por todo mundo!

Antes da transmissão findar e a imagem daquela magnífica mulher esvanecer eu posso jurar que eu a vi piscar para mim.

– Muito bem, soldados. Nós ouvimos as ordens. Alguma observação, capitã Meialonga?

– Só a de que temos que aguardar os detalhes da missão.

A campainha do apartamento soa três vezes. Wilde, mais ligeiro, mais próximo [ou mais puxa-saco] atende a porta.

– Saudações Brigada Forsquad. Eu trouxe os detalhes da missão.

– Senhor! Nós temos café pronto! Senhor!

– Obrigado, cabo Wilde. Fica para outra hora. Capitã Meialonga, sargento Hopps, eu aguardo o relatório dessa missão. E fiquem de olho no civil.

Muitas continências depois, Hopps abre o calhamaço de papéis como se ali tivesse a maior revelação divina. A operação resume-se [pelo que eu entendi] na infiltração dos “agentes” [Pimpe
e eu, evidentemente] na sociedade de Katanapolis e, uma vez infiltrados, nós sabotaríamos os mecanismos que a sustentam. Hopps não parece muito satisfeita com o arranjamento, mas ordens são ordens.

[intervalo]

– Muito bem, cidadãos. Esta é Katanapolis. Daqui para diante, é com vocês.

– Pode deixar conosco, oficial Hopps. Vai ser moleza.

Pimpe segue pela longa alameda da entrada da cidade enquanto Hopps parece me olhar de um jeito esquisito. Do nada, ela me agarra, me beija e se despede.

– Tenha cuidado. Não faça nenhuma loucura.

Ela retorna para o interior da viatura e eu consigo perceber lágrimas naqueles olhos, enquanto os de Wilde estão furiosos. Eu não o culpo. Nós, homens, machos, somos assim. Nós nos vangloriamos de nossas “conquistas” e somos muito possessivos com os nossos “troféus”. Mal sabemos [ou admitimos] que quem comanda o relacionamento [amoroso, romântico ou sexual] é a fêmea, a mulher.

– Vamos, Sapo. Nós estamos sendo esperados pela Mavis. Uma simpatizante da Causa.

Nós caminhamos pela rua principal sem muito estardalhaço [e eu sou um sapo com roupa de bardo]. Pimpe dava boa tarde para todos com quem cruzássemos e [espanto!] o cumprimento era devolvido. Novamente eu me deparei om um cenário típico de filmes americanos, com aquelas casas padronizadas, cerquinhas de madeira branca, grama minuciosamente bem cuidada, habitantes que fazem figuração do “americano médio”. A direita política adora acusar a esquerda política de fazer engenharia social, mas a vida dessas pessoas nessa típica cidade de classe média capitalista mostra onde se encontra o verdadeiro controle e manipulação social.

– Número 666. Chegamos.

Uma típica casa com decoração de halloween. Uma das inúmeras celebrações de origem Celta que foi assimilada [roubada] pelo Cristianismo. Na caixa de correio [mais clichê de filme americano] o nome da família “Tepes” me parece incomodamente familiar.

– Hei, Mav? [referência esquisita, mas não é mera coincidência] Maaaaveee? Nós chegamos.

– Oi. Você deve ser a Pimpe. E isso [hei!] deve ser o Sapo.

[Pausa para uma palavra de nossos patrocinadores. Desde que Valáquia deixou de existir como reino e passou a integrar Moldávia, Hungria e, enfim, Romênia, a família Tepes abandonou seus
legítimos direitos nobiliários para viverem como “cidadãos comuns” da república, como proprietários de agências de turismo e vivendo da exploração das lendas que envolvem seu ancestral mais famoso e mais vilipendiado: Vlad Tepes III.]

– Entrem, por favor. Não liguem para o merchandising da Disney.

Desde que essa megaempresa comprou outros estúdios e também emissoras, universos que antes eram separados coabitam o mesmo espaço de fantasia. Personagens da Marvel, DC Comics e Star Wars agora são colegas de trabalho. Não que isso seja relevante para a estória.

– Então, Mavis, o que te fez se interessar pela Causa?

– Primeiro foram os problemas de imagem, sabe? O estúdio me fez [me caracterizou] como se eu fosse uma mera adolescente gótica. Depois tem os problemas pessoais. Minha aparência continua sendo de adolescente, mas me casaram com um cara que eu não queria e agora eu tenho que criar um filho. Eu entrei em crise existencial e sexual.

– Nós sabemos, Mavis [tapinha no ombro]. Nós sabemos. Com a sua ajuda, nós usaremos sua família para minar a estrutura dessa sociedade capitalista patriarcal.

– Que bom. Eu vou poder ser quem eu quiser e fazer o que eu quiser.

– Sim, sim. Basta assinar na linha pontilhada.

[intervalo]

Fora dos holofotes, fora dos roteiros, fora da vista do público, a vida da família Tepes é repugnante. Tudo parece superficial e ensaiado, encenado, tal como acontece em comerciais de margarina. Eu passei tempo suficiente de minha infância e adolescência nesse tipo de comportamento de fachada para saber que isso não é salutar. Fachadas sociais são bonitas de ser ver [e se exibir], mas frequentemente escondem coisas podres e mortas.

– Mavis, cheguei!

– Oi papito. Olha, eu vou ficar com alguns amigos meus em casa, tudo bem?

– Amigos é? [desconfiado] A garota pode ficar [evidente]. Mas esse batráquio vai ficar no quintal, junto com os cachorros.

– Papi! Isso é discriminação! Ele também é gente!

– Não me venha com esse discurso politicamente correto. Por isso que eu votei em Trump. Por isso que nossos parentes vão voltar no Bozonaro. A cidade tem que ser lugar de gente, não de coisa [hei!].

– Por favor, não briguem. Família também é muito importante para nós [hã?]. Meu amigo Sapo não se importa de dormir no canil, né, Sapo?

Eu apenas acenei positivo com a cabeça. O olhar de Pimpe me dizia para apenas concordar. Manda quem pode, obedece quem tem juízo. Tinha um beagle esquisito na casinha do cachorro. Eu espero que não notem a falta dele. De cima do telhado da casinha do cachorro eu fiquei observando Mavis e Pimpe. Coitado do senhor Tepes. Ele me colocou na casinha do cachorro achando que eu era um predador. Pelo jeito que Mavis e Pimpe estão se dando bem, eu diria que o predador é outro.

– Oi? Você é o Sapo, né? Eu sou Martha, mãe da Mavis. Olha, não leve meu marido a mal. Ele apenas está fazendo a parte dele como pai. Eu trouxe bolinhos, biscoitos e chá para você.

– Obrigado senhora Tepes [morde, mastiga, engole]. A senhora é muito gentil.

[risos]- Apenas Martha, Sapo. Desculpe minha curiosidade… eu ouvi as meninas falarem que você é brasileiro, isso é verdade?

[burp]- Sim, senhora Te… Martha. Por que pergunta?

[risos]- É que eu ouvi dizer certas coisas sobre vocês, latinos, especialmente os brasileiros, que eu queria pessoalmente ver se é verdade…

Martha rasga a blusa de alto a baixo revelando os belos e fartos seios, redondos e rosados. Segundos depois eu estava entre as coxas dela. Eu posso me orgulhar de ter matado a senhora Tepes com uma estocada, mas não foi no coração. Vai ver que, no fim das contas, eu sou um predador. Ou presa, dependendo do ponto de vista.

[registro feito por drone]

[localização: quarto da Mavis]

– Nossa… eu ainda vejo estrelas pipocando.

– Quando dominarmos o mundo isso será normal, natural e saudável.

– Mavis, o que significa isso?

– Papi! Eu só estou conversando com minha amiga!

– Seja lá o que estiverem fazendo, parem. Seu tio, Nosferato, está vindo nos visitar.

– Ah, não, Papi! Tio Nosferato é nojento. Ele vive me pegando, me alisando, me apalpando, me beijando.

– Pelo menos é homem. E da família.

– Papi!

– Tudo bem, Mavis. Ele está certo.

[Hem?] [Eu estou?]

– Sim senhor Tepes. O senhor está certíssimo. Que venha o tio Nosferato. Nós iremos nos divertir muito com ele. E o senhor também pode participar de nossa festinha.

[Quê?] [Como?]

– Sua família tem origens nobres. O senhor sabe como era a vida sexual dos nobres. Então porque o prurido, o recato, o fingimento? Não é para acabar com o “politicamente correto”? Então o senhor tem que acabar com esse moralismo hipócrita. Todos que vivem nessa cidade falam uma coisa, mas fazem outra. Todos fazem esse esforço tremendo para exibir essa fachada de homens e mulheres de bem, compulsivamente seguindo esses valores ocidentais cristãos. Mas por detrás dessa fachada, tem outras vidas. Mantêm relações extraconjugais, visitam casa de prostituição, tem homossexualidade enrustida, cometem incesto e adultério com igual naturalidade.

Roger e Mavis Tepes ficam em choque, tentando processar tudo o que Pimpe tinha dito. O pai [Roger] piscou três vezes e percebeu que poderia aproveitar das belas formas de Pimpe. Pensando bem, tirando os tabus, ele poderia saciar um desejo que ele nutria faz tempo por Mavis. Ele é até capaz de apostar que o sentimento é mútuo. Coisas do século XXI. A geração atual é mais descolada e amadurecida sexualmente do que seus pais e avós o foram. Nascidos e criados pela internet, educados pelas redes sociais e aplicativos de mensagens, a garotada está fazendo a revolução Sexual acontecer na prática.

– Mavis, querida, lembra-se daquela conversa que tivemos?

– Aquela conversa? Sim, eu lembro.

– Então, querida, eu nunca admiti, mas eu sempre senti o mesmo por você. Então, que tal? Nós chamamos algumas de suas amigas, convidamos alguns parentes e nós voltamos a fazer aquelas tradicionais orgias que nossos antepassados faziam.

– Mas… e o Jonathan?

– Essa é, talvez, a melhor notícia. Nós podemos fazer jus ao nome e reputação da família, transformando seu marido em lanche de vampiro.

Mavis sente que um enorme peso e pressão foram tirados de seus ombros. Toda a “crise existencial” que ela sentia sumiu, assim que ela e seu pai puderam, enfim, expressar o amor que sentiam um pelo outro. Isso e o fato dela poder voltar a ser vampira. Coisa pouca, um pequeno obstáculo foi removido. Mas o destino de Katanapolis estava selado. Em alguns dias não existiriam mais seres humanos. Somente seres das sombras habitariam ali.

[fim do registro feito por drone]

– Hei, Sapo? Ainda está vivo? Vamos, nós temos que ir. Nossa missão acabou.

Eu estou dolorido, machucado, mordido. Por puro milagre eu ainda estou inteiro e vivo. Misteriosamente como surgiu, dona Martha sumiu. Pela agitação, risadas e música que sai da casa dos Tepes, tudo indica que a família reencontrou a felicidade e sua razão de ser. Eu ouço o som de pneus gritando e vejo aquela mesma viatura fumegando.

– Rápido! Vamos! Não temos tempo!

Pimpe senta na frente com Wilde [que fica todo animado] enquanto eu me sento atrás, onde geralmente são conduzidos suspeitos e presos, até a delegacia ou fórum. Os olhos da oficial Hopps brilham com intensidade.

– Que bom que você ainda está inteiro e com vida, querido. Eu não sei o que faria se eu te perdesse.

Eu não consigo falar coisa alguma, nem reagir ou protestar. A oficial Hopps vem para cima de mim, arranca o que restou de minha roupa e [de novo] começa a abusar de mim. Eu gostaria muito de poder aproveitar algo disso, mas o que resta da minha consciência se esvai rapidamente no meio daquelas coxas grossas.

Pimpinella em Epicheirimapolis

[ATENÇÃO, NSFW!]

Eis que nós estamos em um cenário típico de filme americano. Os aventureiros caminhando enquanto uma enorme bola de fogo serve como pano de fundo. Pimpe usa seus incontestáveis atributos para nos conseguir carona, desta vez em um caminhão. Bem que o motorista preferia que Pimpe fosse na frente com ele, mas Pimpe foi conosco na boleia. Eu estava intrigado e contrariado com a forma que saímos do capítulo anterior e Pimpe foi bem sucinta.

– Qual o problema, Sapo?

– Você tinha que explodir a fábrica?

– Eeeeu? Euzinha? Eu sou completamente inocente. Aquela fábrica explodiu porque operava sem as mínimas condições de segurança.

Eu não fiquei convencido, mas eu estava muito cansado depois de produzir 720 pares de porcas e parafusos enroscados. Eu até tentei dormir, mas estava difícil, o caminhão balançava mais do que o normal e Bart não parava de gemer, fungar e chamar por alguém chamada Lisa. Orfeu teve dó de mim e me colheu. Eu estava tendo sonhos maravilhosos com Baphomet [Curtsibling feature] quando eu fui “gentilmente” sacudido.

– Cidadão! Cidadão! Acorde e apresente seus documentos. Esta é uma blitz.

– Blitz? Documentos? Isso me lembra de uma música.

– Sem gracinhas, cidadão. Nós, da Farsquad, não brincamos.

– Eu conheço vocês. Mas vocês não patrulham a área de Sofaraway?

– Crise, cidadão. Ouviu falar? O Reino das Fadas está em crise depois de Dawkins. E no Mundo Humano, com esse Neoliberalismo e essas “regras de flexibilização trabalhista”, fez com que aceitássemos qualquer serviço, por qualquer salário.

Eu achei que eu tinha voltado para o Brasil. A oficial pegou e olhou os documentos que eu apresentei, ainda cismada e incrédula por eu ser um sapo e bardo. Pimpe estava prestando esclarecimentos a outro oficial que não prestava atenção alguma, mesmerizado pelas belas formas de Pimpe.

– Cidadão, qual é sua ligação com os outros cidadãos?

Eu percebo o nome “Judy Hopps” no uniforme da oficial [que não parece muito confortável ao perceber que eu estou olhando para seu tórax] e consigo ver, por cima do ombro dela, que Bart está no banco de trás da viatura, provavelmente algemado, pela forma como este se contorce.

– Oficial Hopps, eu sou um empregado da senhorita Meialonga, a mulher ruiva que aparenta surtir algum efeito em seu parceiro. Eu mal conheço o outro jovem, só sei que o nome dele é Bartolomeu.

[disfarçando o ciúme]- O senhor Simpson alega que conhece aos dois. Ele alega que vocês são recrutas que trabalharam na fábrica por exatas três horas. O que tem a declarar?

[caprichando na expressão de pôquer]- Oficial Hopps, se entrar em contato com a central da fábrica ou com a agência de empregos, verá que essa alegação é completamente espúria. O senhor Simpson simplesmente nos obrigou a trabalhar.

[fechando a caderneta com estalo ruidoso]- Isso é provável. Nós estamos detendo o senhor Simpson exatamente pela alegação de reduzir os funcionários à situação análoga à escravidão.

A oficial segura [com aquela gentileza típica de oficiais de segurança publica] o meu braço e me arrasta até onde está a viatura, com Bart preso e o oficial [que eu notei portar o nome Nick
Wilde] querendo prender [ou revistar] Pimpe.

– Oficial Wilde, eu não encontrei sinais de suspeita nesse cidadão. Eu não acredito que exista nessa cidadã.

– Eu não tenho certeza, oficial Hopps. Ela me parece muito suspeita. Eu devo proceder com a revista. [babando]

A oficial [Hopps] deu um tapa na mão boba do oficial [Wilde] e ela mesma revistou Pimpe, que fez aos homens presentes [incluindo a plateia] ficarem excitados com os suspiros e gemidos que ela soltava.

[disfarçando a inveja]- Não há coisa alguma suspeita nessa mulher. Os documentos estão em ordem. Nossa missão está cumprida, nós achamos e prendemos o senhor Simpson. Nós temos que voltar ao distrito para proceder com a identificação e enquadramento do suspeito.

O oficial [Wilde] até tentou comentar algo, mas o olhar [fuzilante] da oficial [Hopps] o demoveu. O coitado cambaleou em volta da viatura, abriu a porta do lado do motorista e assumiu a direção.

– Muito bem, cidadãos. A Força de Segurança agradece pelas suas colaborações. Podem seguir viagem.

A contragosto, o caminhoneiro seguiu a viagem até Epicheirimapolis tal como outrora, sem Pimpe ao lado dele na cabine. Apesar do barulho da estrada, do motor, eu consegui ouvir, com detalhes, a experiência que Pimpe teve com Bart. Sua única queixa [se pode ser assim considerado] é a incapacidade de Bart em expressar seus sentimentos [e desejos] para quem ele realmente amava.

– Olha, até que ele estava se saindo bem. Mas aí começou a falar “Lisa” sem parar. Não que isso me incomode, mas ao invés de mandar ver dentro de mim enquanto fantasiava com outra mulher, por que ele simplesmente não confessa?

[incrédulo]- Será que é porque essa tal “Lisa” é irmã dele?

[respondendo com naturalidade]- E se for? Qual é o problema? [hem?] Nós todos somos aparentados, de alguma forma. Não dizem que nós somos separados no máximo em seis graus?

Meus olhos ficam ressecados de tão arregalados que ficam, meu queixo quase quebra de tão aberto que fica [e eu sou um sapo]. Eu estapeio minha testa e tento não olhar na direção da plateia.

– Hei, pombinhos, chegamos em Epicheirimapolis. Vocês descem aqui.

Enquanto eu sou chutado da boleia, Pimpe é ajudada. O caminhoneiro aproveita para alisar o corpo dela [fúria!] e passa um papelzinho, provavelmente com o numero de telefone dele. Nós conseguimos observar melhor a cidade das empresas depois de assentar a poeira e dissipar a fumaça do caminhão.

Parece um cartão postal dessas cidades de países desenvolvidos. As áreas verdes são visivelmente artificiais, mas caprichosamente cultivadas. Inúmeros edifícios que desafiam as nuvens, com suas estruturas em aço, vidro e cimento. Adornando [essa palavra tão usada na moda] com as estruturas, nas ruas os veículos denunciam que os habitantes ali possuem uma realidade social bem diferente. Como se fosse parte de um roteiro mal escrito [hei!], surgem os habitantes em suas roupas sociais e inseparáveis smartphones.

– Chegamos, Sapo. Vamos, nós temos muito a fazer.

Pimpe me ergue no ar, puxando pela minha mão, sem que eu saiba para onde e o porquê. Eu mal pude ver a placa escrita “White Light” na fachada do edifício no qual Pimpe entrou, a todo vapor. Eu só voltei ao chão quando empacamos na recepção.

– Oi, tudo bem? Nós viemos para falar com o senhor Gray.

A recepcionista [nada amistosa – parente da Odete?] nos olha com desdém. Com expressão de nojo enquanto fica me medindo do alto a baixo, ela pega o telefone e esboça alguns sons que parecem ser de conversação.

– Vocês fizeram um apontamento? Vocês vieram em nome de quem?

– Sim, nós fizemos um apontamento. Nós estamos aqui em nome da Fabrica Bem-estar. Eu sou a coproprietária e vice-presidente.

A recepcionista [cujo nome, provavelmente, é Velma, como diz a plaqueta em cima da mesa] esboça mais sons que, aparentemente, são compreendidos e correspondidos pela voz que vaza do aparelho. Velma, empertigada, desliga o telefone para, então, decidir nosso destino.

– Perfeitamente. Apontamento às 14h. Conforme agendado pela senhora Odete, secretária do senhor Humble. Minha irmã [não existem coincidências] alertou-me sobre vocês. Não pensem que vão conseguir me enganar. Eu vou ficar de olho em vocês. Podem subir.

Pimpe estava feito menininha na entrada de um parque de diversões. Pulava, gesticulava e ria desbragadamente enquanto recebia e pendurava o crachá. Ela fez questão de mostrar o crachá aos seguranças da catraca e do elevador. Este não é um elevador comum, mas é do tipo empresarial, onde o andar é programado e fixado pela central de segurança. Os usuários não podem interagir com o equipamento, nem fora, nem dentro. Ao menos não tocam aquela musiquinha típica. No andar, mais seguranças nos recebem no andar de nosso destino, que nos acompanham até a segunda recepcionista.

– Boa tarde. Meu nome é Dafne e eu vou acompanhá-los até o escritório privado e privativo do senhor Gray.

Velma, Dafne… só falta Fred, Shaggy e Scooby. Não que eu esteja reclamando. Os desenhos do Hanna-Barbera fizeram parte da minha infância.

– Senhor Gray, seu apontamento das 14h chegou.

– Obrigado, senhorita Dafne. Não se esqueça do seu apontamento após o horário de expediente.

[risadinha]- Pode deixar, senhor Gray. Eu nunca esqueço.

– Senhorita… senhor… por favor, sentem-se e fiquem à vontade. Eu recebi o portfólio do Will Humble sobre o projeto de empreendimento. Eu considero que a notícia de que a fábrica explodiu como parte desse projeto, correto?

– Senhor Gray…

– Para você, Fred. Eu não sou o Christian Gray. Fred Gray.

– Então, Fred… [Pimpe tira um óculos, sabe-se lá tirado de onde e faz aquela pose e expressão de executiva] antes de continuar eu quero deixar bem claro que a fábrica explodiu por negligência e omissão na área de segurança.

– Para mim está bem claro, claríssimo [Fred começa a olhar o decote e cobiçar os seios de Pimpe].

– Excelente. A explosão da fábrica foi mera coincidência [hem?]. Mas vem a calhar. Quantas instalações a White Light possui que também operam abaixo da eficiência e eficácia? Se o senhor me permitir e nos ajudar, eu gostaria de expor meu projeto [Pimpe estufa os seios de tal forma que ficam ainda mais descobertos] para toda a Comissão de Diretoria.

Fred afrouxou a gravata. Como todo homem que se preza e gosta de mulher, ele queria experimentar dessas carnes. Como todo homem, por melhor que seja o “prato” que se “come”, sempre se quer experimentar outro.

– Eu falarei com Shaggart e Scoub. Eu tenho certeza de que nós conseguimos chegar a um… acordo.

– Excelente. Eu e meu associado vamos almoçar. Fale com Shaggy e Scooby. Quando voltarmos, começaremos a exposição.

Pimpe levanta e sai, balançando aquele traseiro de tal forma que todos os homens presentes [atores, equipe, plateia] vão precisar de cinco minutos para acalmar o “ânimo”.

[intervalo]

O relógio marca 18h, a sala de reunião está repleta de homens e mulheres, em roupas sociais, acompanhados ou não de secretárias [ou secretários]. Alguns atualizam suas redes sociais, outros conferem a ultima do whatsapp, a maioria olha o relógio pela centésima vez.

– Senhores, senhoras, bem vindos e obrigado pela presença de todos e todas.

– Deixe a rasgação de seda para depois, Gray. Tempo é dinheiro. Faça valer o tempo que dispendemos aqui.

– Perfeitamente, Burns. O que eu estou para expor é um projeto de empreendimento que pode nos dar muito lucro.

– Muito lucro, quanto, Gray?

– Isso, senhor Grinch, será dito pela idealizadora. Sem mais delongas, eu apresento a vocês a senhorita Meialonga.

– Senhoras e senhores, eu serei breve. Uma empresa, para lucrar mais, deve saber como disponibilizar seus ativos físicos e humanos da maneira mais eficiente e eficaz. Aplicando esse projeto empreendedor de minha autoria, o lucro dos acionistas será de 500%.

– Eu ouvi bem? 500%?

– Sim, senhor Scrooge. Mas todos, sem exceção, precisam concordar e assinar os termos do meu projeto empreendedor.

Animados e entusiasmados com o que acreditavam ser um ganho fácil, aquelas pessoas assinaram os termos do projeto sem sequer ler. A título de anotação, esse é o mundo dos negócios. O que interessa é o lucro, não importa a que preço. Essa gente decide, com uma caneta, o destino de pessoas, famílias e comunidades inteiras. Não espere compaixão e humanidade, tudo o que pensam e se importam é com números e valores.

– Todos assinaram? Ótimo. Meu assessor vai dar prosseguimento ao protocolo do documento, para todos os fins legais e jurídicos. Agora, conforme a permissão dos presentes, eu dou início ao meu projeto empreendedor.

Sabe-se lá tirado de onde, Pimpe sacou dois fuzis de assalto e começou a atirar sem parar. Alguns tentaram escapar, mas foram rapidamente alvejados e caíram inertes no chão. Poucos tentaram barganhar pela vida, mas receberam a “parte deles” bem na cabeça. Em pé, sobraram, além de Pimpe, eu e Fred.

– Ma… mas o que significa isso? Que loucura é essa?

– Do que está se queixando, Fred? Você aumentou seu patrimônio em 500%. Mas se quiser contestar o contrato, segundo a clausula, você pode fazer parte da “relocação de ativos humanos” e eu fico com 1000% de lucro.

– Na… não… tudo bem…

Pimpe novamente me ergueu pelo ar e saímos pelos corredores, passando por outra parte daquele andar, onde funcionários de menor escalão se espremem em seus nichos. Pimpe deteve-se alguns instantes diante de um que tinha “Dilbert” escrito no crachá.

– Para que lado fica o elevador de serviço?

– Seguindo em frente. Depois do extintor de incêndio e dos banheiros.

Pimpe deu um beijo naquela bochecha flácida, provavelmente o único beijo daquela miserável existência. A área do elevador de serviço tem menos segurança e monitoramento. Elevador mais simples, menor, menos confortável, mas operável, por fora e por dentro. Nós chegamos ao térreo sem dificuldades e nos deparamos com os seguranças tendo dificuldades em controlar os funcionários, apavorados, com razão, depois que correram os boatos de que estava acontecendo um massacre.

Tranquilamente nós saímos por uma saída lateral pela esquerda [não me perguntem como Pimpe sabia dessa saída] e a confusão continuava nas ruas, com gente querendo entrar e outras querendo sair. Mas estava tudo bloqueado, com a Força de Elite cercando o edifício. Surgindo do nada, com estrepitoso som de freios enquanto executava um cavalo-de-pau, uma viatura simplesmente parou diante de nós e com portas abertas.

– Vamos! Rápido! Não temos tempo!

Eu e Pimpe entramos na viatura, conduzida pelo Wilde e escoltado pela Hopps. Eu fiquei com cara de tacho, sem entender o que estava acontecendo.

– Capitã Meialonga, relatório?

– Positivo operante. Alvo abatido. Conforme estimado, o efeito em dominó com a baixa da White Light irá causar o fim do Capitalismo.

– Excelente. A Imperatriz ficará satisfeita.

– Próximo alvo, tenente Hopps?

– Katanapolis. Mas nós temos tempo. Está disposta?

– Sempre.

– Ótimo. Você pode se divertir com Wilde. Eu vou me divertir com o Sapo.

Toda minha preocupação com o devir sumiu assim que a oficial Hopps despiu-se [e só então eu me dei conta que ela é uma coelha]. Eu, coitadinho, pobrezinho de mim, tive que fazer meu sacrifício pela Causa.

Pimpinella em Ergostasipolis

[ATENÇÃO! NSFW!]

Nós pegamos o primeiro veículo cujo condutor se prestou a nos dar carona. A despeito de ser aquelas vans enormes, com três crianças, dois cachorros e muita bagagem, o tiozinho não tirava os olhos da Pimpe.

– Para onde vocês vão, crianças?

– Dona Mirtes, nós não queremos incomodar. Podem nos deixar na primeira cidade.

– Ai que horror! Osvaldo, a próxima cidade é Ergostasipolis, não é? [grunhido] Credo, Osvaldo, que modos! Olha, querida, venha conosco até a praia, lá é muito mais saudável.

– Fica para outra vez, dona Mirtes. Se a próxima cidade é Ergastroseila, é lá que nós vamos ficar.

– Ergostasipolis, querida. A cidade das fábricas. Vocês terão muitos problemas se forem lá.

– Está tudo bem, dona Mirtes. Nós vamos dar um jeito, né, Sapo?

Eu tento esboçar um sorriso e tento evitar ficar intrigado que dona Mirtes não ficou surpresa ou assustada com um sapo falante em roupas de bardo. Para distrair e evitar o assunto, eu entoo algumas estrofes do Mabinogion com o alaúde e as crianças prestaram tanta atenção que pararam com a algazarra. Uma ou duas vezes nós quase saímos da estrada e batemos, com o Osvaldo distraído, olhando o espelho retrovisor, tentando apreciar mais alguns centímetros de pele da Pimpe. Com ajuda de Fortuna, chegamos inteiros na intersecção.

– Olha, a cidade das fábricas fica depois da colina. Tem certeza que não quer ir conosco?

Dona Mirtes aperta as mãos na altura do coração, exsudando em instinto maternal. Osvaldo parecia perdido, no dilema de não poder mais apreciar as generosas curvas de Pimpe e de se livrar de mais duas bocas.

– Tenho sim, dona Mirtes. Fica para outra vez. Nós havemos de nos ver novamente. Nós e as crianças vamos brincar bastante, certo, pessoal?

As crianças enxugaram as lágrimas e gritam sim esfuziantemente. Pimpe fecha a porta e Osvaldo toca a banheira, com expressão mais enfezada. Ou porque perdeu a chance de “fazer um lanchinho” ou porque a algazarra voltou. Andamos, sim, conformados com as condições e Pimpe notou que eu estava com um enorme beiço [e eu sou um sapo].

– O que é que você tem, Sapo? Parece aborrecido.

– E tenho razão! Aquele velho, nojento, pegajoso, tarado, estava cobiçando seu corpo!

– Mesmo? Eu espero que seja verdade.

– Como é?

– Olha, Sapo, eu não sei como você e suas leitoras vão receber essa verdade. Eu sou feminista, sem dúvida, como muitas mulheres de minha época. Mas ao contrário do que dizem e apregoam, eu gosto de meu corpo, de minha sensualidade, de minha feminilidade. Eu sou segura de mim mesma, tenho excelente autoestima, mas tudo fica muito mais interessante quando eu vejo, sinto e observo que eu sou desejada por um homem. Ou mulher. Até mesmo um sapo [risadinha]. Qual a graça, o propósito, de uma flor ser colorida, convidativa, se não for para atrair borboletas? Então guarde sua birra, ficar com ciúmes de mim ou do desejo que outros homens tenham por mim não te fará ficar mais perto de meus dotes nem irá te favorecer para apreciar da minha companhia. O que quer e deseja de mim, apenas diga, de forma sincera, honesta e franca. O mundo todo seria mais simples, suave e fácil se todos fizessem o mesmo.

Eu inclinei-me de tal forma, feito tal postura que pedia algo recíproco de Pimpe. Dando uma risadinha, ela também se agachou, pronta para fazer aqueles lábios juntarem-se aos meus, enquanto meus olhos sorviam a visão daqueles vales revelados pelo decote quando soou aquela maldita sirene.

– Ai que susto! O que foi isso?

Eu estava para responder quando começou a aparecer essas criaturas, semi-humanas, tal era o estado em que caminhavam, vestindo apenas aqueles uniformes cor de cáqui e capacetes brancos.

– Oi pessoal! Que barulhão foi esse? Vocês estão indo para onde?

Eu estapeei minha testa com a ingenuidade e inocência de Pimpe. O que estava mais próximo respondeu algo mais parecido a um grunhido [parente do Osvaldo?], o que me fez imaginar que víamos cenas vindas de algum filme de zumbi.

– Hei, eu fui educada na minha pergunta, que tal mostrar educação e me responder direito?

– Vocês dois! Recrutas! O sinal já soou! Entrem na fila! Ah! Que desmazelo! Onde estão seus uniformes? Odete vai ver só! Vamos, depois eu vejo isso! Nós temos que manter a ordem, a disciplina e o horário!

Um serzinho, raquítico, pusilânime, começou a nos empurrar e nos colocar dentro de uma das filas daquele batalhão. O macacão dele é quase marrom e seu capacete é azul, daquelas criaturas é o único que porta acima do bolso uma plaqueta com um nome: Bartolomeu. Pimpe ria muito, para ela era tudo parte da aventura, uma enorme brincadeira e ela esboçou algumas palavras de desculpas enquanto piscava em minha direção, como que pedindo para manter a farsa.

Nós acompanhamos o grupo até um edifício feio, assustador, ameaçador, de onde espessa fumaça escura era emanada. Bart nos colocou em uma das inúmeras esteiras, cada qual contendo um time, esperando que aquelas máquinas começassem a funcionar. O som estridente do alarme, acompanhado de luzes piscantes girando indica que as máquinas foram acionadas e nossos “companheiros” também são ligados e entram em outro estado de torpor.

– Muito bem, como vocês são recrutas, vocês vão fazer o mais fácil. Olha, é só pegar uma porca e um parafuso, conforme chegam da esteira, mosqueá-los e devolver na esteira. Simples. Enquanto isso eu providencio o uniforme de vocês. O seu deve ser P [apontou para mim] e o seu deve ser M [apontou para Pimpe].

Bart deu meia volta e nos deixou, falando alguns impropérios contra a coitada da dona Odete [que ainda não tínhamos conhecido]. Alguns minutos depois começaram a chegar as porcas e os parafusos, em constância ordenada e monótona. Eu peguei um, peguei outro, rosqueei, depositei na esteira. [linha repetida várias vezes]. Bastou cinco minutos disso para eu perder o raciocínio. Felizmente eu mantive o gravador ligado. Eu não estranho então o estado mental dos demais operários.

– Oquei, oquei. Parece que vocês estão se saindo bem. Eu trouxe os uniformes. Vistam-nos.

Com a maior tranquilidade e naturalidade típica dela, Pimpe simplesmente tirou toda a roupa para colocar o uniforme. Bart ficou surpreso, assustado, passou de lívido a roxo. Só então ele percebeu que Pimpe era mulher. Deve ser algo tão incomum aqui que até mesmo alguns operários pausaram seus afazeres e viraram o pescoço na nossa direção.

– Ai, meleca, cacete, porra, caralho. Você é mulher. Não pode ficar na área operacional. Venha comigo que eu vou te levar ao setor de expediente, almoxarifado ou administrativo.

Minha pressão subiu quando Bart [propositalmente?] envolveu o flanco de Pimpe com seu braço e ela ficou dando tchauzinho para mim. O que segue nas linhas abaixo é escrito pela Pimpe.

Ai carambolas. Como que isso funciona? Eu vi o Sapo fazer isso muitas vezes. Eu só tenho que pegar a pena e pressionar no papel. Opa! Funciona! Olha só! Eu posso fazer florzinha, passarinho, coraçãozinho! § ♠ ¥ Que divertido! Opa, foco, Pimpe, foco.

Aquele homem estranho, de pele alaranjada [bronzeamento artificial?] e cabelos espetados conduziu-me para fora da área operacional. Eu fiquei chateada por ter que sair do meio dos meninos e mais ainda que Bart não tentou tirar casquinha de mim. Quando ele me envolveu nos braços, eu achei que ele ia me levar para algum canto e me comer, mas ele só me deixou em uma sala que mais parecia recepção de consultório odontológico [eu também sei usar palavras difíceis, viu?], com aquela decoração e mobiliário cafona, musica ambiente de elevador, uma baranga para recepcionar as pessoas e pessoas esperando ou trabalhando em algo.

– Odete, porque você não me avisou que um dos recrutas era mulher?

– Recrutas? Não estava previsto a chegada de nenhum recruta.

A tal da Odete tinha cara igual à da minha tia, fofoqueira e solteirona. Deusmelivre de julgar as pessoas, mas ela deve ser como minha tia, que fica mais cuidando das vidas dos outros porque não tem sua própria vida. Ela ficou me medindo detrás daquela escrivaninha puída, ensebada, envelhecida como ela.

– Esse bombonzinho deve ter sido enviado pela agencia de empregos. Deve ser a nova estagiária do diretor. Deixe-a comigo que eu a levo até lá.

A velhaca, certamente com ciúme, mal me conhecia e me desprezava por eu ter naturalmente aquilo que ela nunca teve ou nunca soube usar. Ela conseguiria alguma coisa só mudando suas vestes, eu vou inscrevê-la no Esquadrão da Moda. Que, aliás, é um programa no mínimo ingênuo, pois passa a ideia que basta um banho de loja, cabelo e maquiagem para acontecer uma transformação em nossas vidas. No caso de Odete, nem isso vai modificar a feiura que ela tem dentro dela.

Odete se deteve diante de uma enorme porta acolchoada, de onde alguns sons escapavam e ali bateu três vezes.

– Senhor diretor? Senhor diretor? Eu trouxe a nova estagiária.

[abafado]- Estagiária? [sussurros] Cinco minutos, por favor. [passos, coisas caindo]

A porta requintada se abre, uma loira aguada com a cara mais cínica do mundo olhou para mim como se eu nem estivesse ali, toda desgrenhada e mal conseguindo disfarçar que tinha se vestido com pressa. O diretor apertava o nó da gravata, igualmente desgrenhado, suado e com marca de batom no colarinho.

– Entrem, por favor. Eu não estava esperando uma estagiária, dona Odete. Quem te enviou, docinho?

– A White Light Empreendimentos.

– White Light, heh? [olhando] Bom, o que você sabe fazer? [insinuante]

– Absolutamente TUDO, senhor diretor. [eu devolvo a insinuação]

O diretor me mediu de alto a baixo, com olhos esbugalhados. Evidente que ele me via de forma diferente que dona Odete viu.

[tosse] – Ahem. Bom, isso eu irei avaliar. Obrigado, dona Odete. Pode voltar ao expediente.

A velhaca bufa e resmunga algo incompreensível. Dá meia volta e sai pisando pesado no chão forrado de tacos.

– Bom… vamos começar pelo começo… pelo básico. Eu sou o diretor, Willford Humble.

– Prazer em conhecer. Pimpinella Meialonga.

– Bom… hã… eu tenho essa pilha de papéis. Você consegue organizar em ordem de data?

– Fácil como dizer Pirlimpimpim.

– Pirlimquê?

Como se eu fosse o crupiê no cassino embaralhando cartas, eu peguei aquele calhamaço de papelada e com meus dedos ágeis tudo ficou organizado por nome, numero, data, valor. O senhor Will ficou boquiaberto, descrente no que acabou de testemunhar.

– Bom… hã… você adiantou um mês de serviço. Você sabe escrever carta? Datilografar?

Eu não sei se o que o Sapo faz pode ser chamado de “escrever” [hei!], mas esse equipamento faz algo parecido com datilografia. Eu acenei que sim.

– Entendo… eu vou precisar que a senhorita faça cartas, memorandos e envie e-mails. Pode se sentar e comece a escrever.

Eu então dei inicio ao meu plano. Propositadamente, com o equipamento em mãos, eu sentei no colo do senhor Will. No começo ele ficou assustado, surpreso, eu diria até rejeitando, nervoso, com medo do que poderia acontecer se fosse flagrado, mas eu acredito que isso não é algo desconhecido ou novidade nessa fábrica.

Conforme eu escrevo e digito as laudas, o movimento enérgico de minhas coxas e bumbum fazem com que o coitado do senhor Will perca o controle sobre seu corpo, como eu posso sentir nitidamente algo pressionar minhas pernas. Eu sei bem como se joga esse jogo e capricho na expressão de inocência e ingenuidade ao me virar para o senhor Will.

– Senhor Humble! O que significa isso? Está querendo me fazer mal? Eu sou uma donzela!

Isso é como a presa ter um corte sangrando na frente do predador. O homem direito, pacato, familiar e cristão deixa cair todas as máscaras. O senhor Will ergue-se da cadeira [o que me lançou em direção ao topo da mesa], rasgou minha saia, arrancou as calças e, tal como seus ancestrais pagãos, pôs seu amiguinho para trabalhar nas minhas carnes.

O jogo continua, senhor Will faz o que pode, movimentando e arremetendo aquela coisinha engraçada que me provocava cócegas, mas eu exprimia aquelas palavras que todo homem quer ouvir de uma mulher. As leitoras [feministas e lésbicas] que me desculpem, mas eu acredito que toda essa violência física e sexual deixaria de existir se nós, mulheres, encenássemos os papéis que os homens acreditam que nos está relegado. Sejamos vadias, putas, fáceis, submissas, servis. Eles se acham os maiorais, os dominadores, mas no curto e dramático final de seu reinado, inevitavelmente acabam rendidos, adormecidos, acabados, esvaziados.

O coitado do senhor Will está largado na poltrona, parecendo uma gelatina de carne, quente, mole e suando. Aprendam, colegas, que homem é o verdadeiro sexo frágil. Orgulhoso e territorialista, o homem vai sempre cuidar da sua fêmea. Nós só precisamos cativa-los. Ele pode ser nosso pai, nosso irmão, nosso tio, nosso primo, o vizinho. O coitado do senhor Will acha que ganhou a megasena, que é o senhor do mundo. Está no momento de dar o golpe.

– Senhor Humble… o que você fez comigo? Eu… eueueu… e se eu ficar grávida?

O coitado do senhor Will parece ter tomado um choque [ou de ter levado um relâmpago]. Ele arregala os olhos, levanta, cheio de adrenalina e de lívido passa a ficar vermelho.

– Senhorita Pimpe! A senhorita não pode falar isso! Se alguém ouvir… se alguém souber… ah! Alguém vai acabar notando… senhorita Pimpe, eu pago qualquer preço, mas você tem que garantir que isso jamais aconteça.

– Ah, senhor Humble, isso é fácil. O problema é outro [risos]. E nós dois? Como ficamos? Eu fiquei viciada em você. Se quiser continuar a receber meus… serviços [risos], eu vou querer mais do que dinheiro para uma pílula anticoncepcional.

O coitado do senhor Will assinou diversos papéis que me tornam praticamente dona de tudo. Hora de voltar para a área operacional e, com o Sapo, dar início na segunda fase do meu plano. Agora eu devolvo esse troço para o Sapo.

Eu peguei um, peguei outro, rosqueei, depositei na esteira. Eu peguei um, peguei outro, rosqueei, depositei na esteira. Eu peguei um, peguei outro, rosqueei, depositei na esteira. [slap – ai! – slap – ai!] Pimpe me devolve o artefato assim que eu recupero a consciência. O distinto editor me desculpe se a letra estiver tremida. Pimpe está com aquele sorriso estranho novamente. Ela me diz que executou a primeira fase do plano com eficiência e agora quer que eu dê conta da segunda fase, sendo que eu sequer sabia que existia um plano. Minha ignorância faz com que Pimpe me segure pelos ombros com força e, com os pés balançando no ar, eu sou sacudido. O distinto editor me desculpe se a letra estiver tremida.

– Sapo! Essa é sua chance! Vai lá e fala para os operários aquelas frases e ideias bonitas que você sempre diz sobre consciência e organização política! Com isso, nós podemos libertar eles dessa escravidão dissimulada!

Eu olho para Pimpe com um misto de desespero e desilusão. Bastou-me algumas horas nessa fábrica para eu quase perder todo e qualquer resquício de lógica, razão e consciência humana. Estas pobres almas deixaram de ser humanas há décadas. Mas Pimpe estava decidida e determinada. Eu, pobre coitado, só obedeço minha patroa. Eu respiro fundo, fico em cima de uma empilhadeira e começo a cantilena retórica que costuma fazer algum sucesso e efeito entre alunos [especialmente as colegiais – não pergunte]. No máximo dois ou três pausam alguns instantes, olham com aqueles olhos vazios na minha direção e voltam ao que estavam fazendo. Eu fiquei pelo menos duas horas tentando ter alguma atenção ou reação. Nada.

– Hei, você! Recruta! Batráquio! Volte ao trabalho! Aqui não é colônia de férias nem diretório sindical!

Bart, o chefe da área operacional, foi o único a dar atenção e reagir. Eu não sei se fico feliz ou triste. A mentalidade dele é a mesma de um capataz. Ele realmente acredita ser diferente, melhor que seus colegas de triste sina, só porque está revestido dessa autoridade emprestada.

– E aí, meninos? Quais são as novidades?

– Que? Mas… você não estava coma Odete?

– Sim e ela me deixou com o senhor Humble que, gentilmente, me dispensou, porque eu adiantei um mês de serviço.

– Dispensou é? Mas e isso na sua mão?

– Ah, é uma placa que eu peguei de recordação. Tecnicamente essa fábrica agora me pertence.

Eu olhei a placa. Aparentemente uma placa comum de fábrica, feita em metal, escrita “o trabalho enobrece”. Eu tinha visto esta placa antes e estava instalada nas vigas superiores [não me perguntem por quê]. De algum jeito ela conseguiu subir até lá, removeu a placa e voltou para o chão sem ser percebida [não me perguntem como].

– Vocês estão juntos nisso, não é? Vocês são um daqueles… agitadores… militantes… esquerdopatas [eu leio isso com muita frequência na internet, em comentários
feitos por reacionários].

– Oh, não senhor Bartolomeu. Como coproprietária dessa fábrica, eu quero e espero que ela gere muito lucro e riqueza. Com isso em vista, eu tenho um… projeto empreendedor… que irá mobilizar de forma radical os efetivos para maximizar a margem. Evidente que, para isso, eu terei que ir para Epicheirimapolis. Quer vir junto?

Resumo da estória é que nossa dupla virou trinca. Bart estava falando sem parar sobre a família dele lá em Springfield quando aconteceu a explosão. Felizmente nós estávamos na beira da rodovia, em distância segura, mas sentimos o vento quente vindo de onde outrora estava a fábrica. Eu terei que ensinar ao Bart as “regras da casa”. Sorte minha, ele ficou em estado de choque ao ver a sua gaiola ser convertida em uma enorme bola de fogo. Com jeito e paciência, ele vai entender que é melhor calar. Quando e se quiser, Pimpe vai nos explicar tudo, incluindo o motivo de ter pegado aquela placa.

Viagens de Pimpinella

[ATENÇÃO! NSFW!]

Preambulo, no caso de leitores desavisados não estarem acompanhando meus delírios. Não confundam a nossa heroína e protagonista com Pimpinela Escarlate ou Pippi Meialonga. Eu hesito em considerar este ensaio em qualquer gênero. Este sequer pode ser considerado uma obra literária ou teatral, mas algo híbrido.

O enguiço começa com o nome da nossa heroína e protagonista. Inevitavelmente eu assumo que apropriei-me dos nomes citados e os misturei. Mas Pimpinella não é idealista, ela é mais do tipo pragmática. E Pimpinella está bem longe da idealização [adulta] de uma fantasia infanto-juvenil.

Falando em referências, vamos começar pelo sobrenome Longstocking, traduzido Meialonga [mas também pode ser meião, meia-calça, etc]. Isso deve servir [pelo menos para esse pervertido que vos escreve] como ligação para Stocking Anarchy [do
anime Panty& Stocking with Garterbelt], anime repleto de referências eróticas.

Como vocês podem ver [ou ler, tanto faz], não é mera coincidência que o nome de nossa heroína e protagonista seja Pimpinella. Divorciando do referencial original [Pimpinela, em inglês, Pimpernel, nome de uma flor vermelha ou púrpura], Pimpinella está ligada com a palavra “pimp” [cafetão, em inglês] para reforçar a concepção ou o Alto Ideal de Pimpinella identificado com a busca [sem regras, sem limites] do desejo e do prazer sexual.

Eu estou incerto em como o leitor irá receber essa composição. Biografia fictícia? Memórias inventadas? Manual [tipo auto-ajuda] de sexo? Eu me preocupo mais com as insinuações e possíveis interpretações do que eu apresento.

Isso eu ponho a título de introdução, em uma folha avulsa, presa na capa das folhas encadernadas, enquanto eu estou na frente da casa de Pimpinella. Eu respiro fundo três vezes e solto quatro suspiros. Bato na porta. Alguém grunhe do outro lado, som de passos.

– Sim? Quem é?

– Senhora Meialonga, sou eu, o Sapo Bardo. [Eu respondo, mas não tenho certeza se é o senhor ou a senhora Meialonga].

Alguns praguejamentos depois, a porta se abre e eu vejo uma pessoa de roupão, cabelos desgrenhados, expressão sonolenta. Eu ainda não sei se é o pai ou a mãe de Pimpinella, casais após muito tempo casados acabam ficando parecidos.

[grunhido]- Sabe que horas são?

– Sim, senhora Meialonga. São exatamente oito da manhã.

A mãe [eu suponho] de Pimpinella rola os olhos. Eu não sei se foi a minha animação ou a minha precisão que a desagradou. Ela grunhe mais uma vez, volta-se para o interior da casa e grita.

– Piiiimpeeee! Aquele seu amigo esquisito chegou!

Pimpinella responde, com a voz [abafada] vindo da parte superior do sobrado, onde ficam os quartos.

– Ai! Diacho! Pede para ele entrar, mãe. Dê a ele café, leite, biscoitos. Eu vou precisar de mais cinco minutos.

[grunhido impaciente]- Não quer entrar um pouco? [forçando sorriso] Eu acabei de fazer o café.

– Eu aceito, senhora. [sorriso sincero] Eu só não quero ser um incômodo. Eu irei esperar Pimpinella na sala até ela estar pronta e descer.

– Entre, fique à vontade. [trincando os dentes] Você não é incômodo algum.

Eu passo pela soleira, caminho até o sofá [mobília típica de família de classe média], sento-me e traço mais linhas com as observações. Outra pessoa arrasta-se, vindo da cozinha, até a sala e fica espantado ao me ver. Esboça o que eu acho ser um sorriso, mas a barba cerrada torna indecifrável o estado de humor. Esse deve ser o pai de Pimpinella, ou assim eu presumo, pelos faciais deixaram de ser distinção de gênero há tempos. O pai sorve algo da xícara [café, eu suponho] e percebe que eu estou compenetrado em escrever meus apontamentos.

– Você é o tal Sapo Bardo, heh? Escriba, heh? Isso dá dinheiro?

– Senhor Meialonga, se meus colegas de ofício pusessem suas penas ao trabalho em busca de compensação financeira, eu creio que nós jamais teríamos o prazer de nos deleitar com as obras do incomparável Shakespeare.

A expressão “cara fechada” é pouco para descrever a mudança de humor visível do pai e da mãe de Pimpinella. O senso comum diz que artistas [bem como padres/pastores] só seguem “fazendo arte” porque são preguiçosos, desocupados que fazem o que fazem porque tem “tempo útil de sobra”.

Som de passos apressados, trotando escada abaixo, indica que nós três estaríamos, em breve, liberados desse constrangimento.

– Ai, meleca. Eu estou atrasada. Eu tive que vestir esse conjuntinho básico, sem graça. O que você acha, Sapo Bardo?

Eu não sou a melhor opção para opinar sobre moda. A descrição que eu posso fazer é que eu vejo uma jovem mulher, vestida com camiseta, calça jeans e tênis. Mas tem “algo a mais” no que eu vejo que provoca comichão nos meus Países Baixos.

– Bom… hã… você está normal.

– Ai, Sapo… você é incorrigível. Paciência. Vai ter que servir. Nós estamos atrasados. Tchau pai, tchau, mãe.

Pimpinella agarra minha mão e sai em disparada em direção à rua. Eu seguro meu caderno da melhor forma que eu posso, enquanto sou suspenso pelo ar, vendo a expressão de satisfação do senhor e senhora Meialonga ao se verem livres de nossa inconveniente presença. Eu volto com meus pés no chão quando Pimpinella cessa a corrida, diante do ponto de ônibus.

– Perdoe minha indiscrição e curiosidade, patroa, mas nós estamos atrasados para o quê? Nós estamos indo para onde?

– Eles não estão nos olhando pela janela, estão?

Eu espicho meu olhar na direção da casa de onde acabamos de sair. Eu vejo luzes, sons, convidados chegando. Os pais de Pimpinella estão dando uma festa. Eu só aceno negativamente para Pimpinella.

– Ai, que saco. Isso aconteceu um dia depois que eu… que nós nos encontramos com a rainha Titânia.

Pimpinella desaba no banco de madeira com tal movimento que faz a saia erguer com o ar e deixa parte de suas belas coxas expostas. Eu podia jurar que ela estava vestida de calça jeans.

– Mamãe chegou e disse: levanta! Eu tentei retrucar, dizendo que não tinha mais aula, eu terminei o colégio. Então ela disse: por isso mesmo. Então ela desandou a falar que agora eu era adulta, então que eu deveria acordar cedo e ir procurar emprego para trabalhar. Pode isso?

Pimpinella com as mãos no rosto, se inclina, apoia-se nos joelhos em posição tal que deixa seus seios quase à mostra pelo decote de sua camiseta regata. Eu podia jurar que ela estava de camiseta comum. Eu tento disfarçar, desvio o olhar para não ficar encarando aquelas belas esculturas naturais.

– Bom, Pimpinella, Titânia não deixou muitas instruções sobre o que aconteceria depois que você se tornou adulta, mas eu acho que isso é uma consequência. Só crianças são sustentadas pelos pais. Agora que você é adulta, deve se sustentar por conta própria.

– Mas eu não tenho ideia alguma do que eu posso fazer, nem para onde ir. E agora, Sapo?

Pimpinella encosta as costas no espaldar do banco de madeira, esticando e alongando seu corpo, revelando as linhas do sutiã delicadamente bordado mal disfarçado pela suave seda do penhoar. Eu podia jurar que ela estava vestida. Eu sacudo a cabeça para dissipar meus pensamentos impróprios, crente que eu estava tendo alucinações.

– Bom… hã… nós podemos ir ao centro da cidade e procurar alguma ocupação.

– Centro da cidade… eu mal podia ir no bairro vizinho para visitar minha avó.

– Essa é a parte boa. Agora você é adulta. Pode ir onde quiser e fazer o que quiser.

Pimpinella teve algum estalo ou revelação. Ela deu um pulo e ficou em pé, diante de mim, balançando aquele apetitoso traseiro parcamente coberto por shorts. Ou minhas alucinações estão piorando ou é o contínuo de cena que está querendo me provocar.

– Sim! Sim! Sim! Isso mesmo! Eu sou adulta! Eu não preciso mais de permissão ou autorização! Eu posso ir onde eu quiser! Vamos, meu fiel Sapo Bardo! Vamos ao centro da cidade!

Pimpinella aponta para a direção sudoeste [ela apontou na direção errada], vestida com algo que eu conheço bastante de animes: o maiô de peça única, extremamente justo e colado ao corpo, uniforme usado por colegiais japonesas. Eu não consigo evitar o efeito de sangramento nasal de costume em cenas assim.

– Com licença, senhorita. Perdoe nossa intromissão e interrupção. Eu ouvi bem? A senhorita e essa criatura abjeta [ei!] vão até o centro da cidade em busca de emprego?

De uma combi [nós voltamos para a década de 80?] um homem suspeitíssimo, com aquela expressão de paisagem como se dissesse que sempre esteve ali, convenientemente pareceu disposto [demais, para meu gosto] a nos levar para o centro e de nos indicar uma agência de empregos. A despeito de meus gestos desesperados [sinalização com as mãos como se cortasse o ar, na altura do pescoço], Pimpinella estava animada e ansiosa demais com a aventura que estava começando para prestar atenção em mim. Sem chance, sem esperança, eu segui minha patroa que foi entrando e sentando na combi como se fosse dela. Eu, probrezinho, coitadinho, senti um baque na cabeça, estrelas preencheram meus olhos e nada mais senti.

[intervalo]

Quando eu recupero a consciência, eu percebo estar amarrado. A alguns centímetros adiante, Pimpinella também está amarrada e cercada por três homens… eh… afrodescendentes portadores de apetrechos físicos de incomum calibragem. O líder, aquele que nos capturou, estava na direção.

– Então, pessoal, o que acham do “material”?

– Carne de primeira, patrão.

– Sucesso garantido.

– Nosso bordel vai bombar.

– Evidente. Eu só tenho que achar mais duas ou três vadias como essa. Mas antes de colocar a “carne” para alugar, nós vamos “amaciar”.

– Podicrê.

– Vamos colocar ferro na boneca.

Eu me debati feito louco, mas nada adiantou. Eu tive que assistir, impotente, as roupas de Pimpinella sendo rasgadas por outros homens que não eu.

– Calminha aí, esquisitão. Se você colaborar, pode ser que eu deixe você participar do aluguel a preço de custo.

– Por favor, senhor sequestrador, eu sou donzela! Não me faça mal!

-Orra! Acertamos na megasena! Olhaí, eu sou o primeirão! Assumam a direção da combi que eu quero tirar esse cabaço.

Os três capangas não reclamam nem protestam. Nesse tipo de “serviço”, o chefe é chefe por ser o pior. O que atendia pela alcunha gentil de Jamanta ficou na direção.

– Oquei, delicinha, abre as pernas e feche os olhos que fica mais fácil.

– Oh! Não, senhor, sequestrador! Eu sou donzela!

A fúria queimava selvagemente dentro de mim, enquanto eu via o voluptuoso corpo de Pimpinella sendo perscrutado, alisado, apalpado e beijado por outro homem que não eu. Pimpinella se contorcia, como se resistisse, mas tinha algo que não combinava. Ela estava nitidamente piscando para mim, como se indicasse que tudo era encenação. Ela parecia estar fazendo aquilo para atiçar e estimular ainda mais os sequestradores.

– Que diacho! Ela é boa demais! Eu não vou aguentar!

– Acaba logo! Eu sou o próximo!

– Eu que não vou ficar por ultimo! Eu vou encostar essa bagaça em algum canto e vou bater nesse bife aí!

Incrível como nessa imensa cidade urbanizada tem lugares ermos, abandonados e isolados. Muitos sacos de lixo empilhados, imensos latões de lixo abarrotados, carcaça de diversos veículos depenados, pilhas e pilhas de pneus, caçambas repletas de entulho compõem cenário com as pilastras dos viadutos coloridas de pichações. Não passa uma única pessoa, carro, moto, bicicleta ali. Bocão, o líder, fuma tranquilamente o cachimbo com crack, relaxando depois de ter sua primazia garantida. Pimpinella fica espremida entre três corpos. Eu tento evitar olhar, mas a expressão no rosto dela é de estar gostando de, enquanto suga um, ter mais dois dentro dela. Ela parece… acostumada demais… profissional demais.

Os três capangas esboçam algumas palavras desconexas, os músculos tencionam e então esmorecem, flácidos, vencidos pelo cansaço, deixando escorrer pelo chão filetes daquele líquido gelatinosos, quente e esbranquiçado.

– Caraca, garota. Se essa foi sua primeira vez, você é um fenômeno.

– Eu fico feliz que tenham gostado. Agora, está na hora de pagar a conta.

Bocão não entendeu coisa alguma, mas a risada acabou quando ele viu Jamanta cair feito saco de cimento, sem vida, no chão, empapado com o próprio sangue. Britadeira e Carlão tentaram segurar Pimpinella, mas depois de serem cortados, só pensavam em abrir a porta da combi e fugir. Carlão, mais próximo, fez gargarejo com o próprio sangue antes de cair sem vida. Britadeira chamou pela mamãe, quando viu Pimpinella indo para cima dele. Não foi uma morte bonita de se ver.

– Ô! Peraê! Isso é assassinato! Homicídio! Você vai ser presa!

– Jura, senhor sequestrador? Quem vai lá na delegacia me denunciar? Você?

[suando frio]- Peraê, mina! Vamos conversar! Eu tenho dinheiro! Muito dinheiro! Diga o preço que eu pago!

– Ah, senhor sequestrador, eu não sou mercador de Veneza para me contentar só com uma libra de carne. Vocês fizeram o que queriam comigo. Agora é a minha vez.

– Nãonãonãoperaê [som horrível]

– Ufa. Cansei. Que coisa esquisita. Essa sensação que eu tive agora foi melhor e mais intensa do que o prazer que esses lixos conseguiram me proporcionar. Isso faz de mim uma psicopata?

– Só se você quiser ser, patroa.

– Eu estou cansada demais para pensar nisso. Seja um bom servo, limpe essa bagunça e vamos andar de combi.

– Claro, claro, patroa. Mas para onde?

– Ora, vamos para o centro da cidade! [apontando, errado, para o sudoeste]

Eu não vou nem quero contrariar minha patroa. Limpei a bagunça e segui na direção indicada. Entramos na rodovia e seguimos o fluxo dos carros. Esse foi apenas o primeiro dia das viagens de Pimpinella. Eu espero sobreviver até o final.

A Encenação da Tentação

[ATENÇÃO! NSFW!]

Personagens:

Escriba [este que vos fala]

Satan

Cristo

Lilith [Lilu, Lilitu]

Localidade:

Mar Morto

O espírito feminino estava reunido com seu povo, os inúmeros espíritos que habitam o vento e os locais ermos, desolados e em ruinas quando, cansada de esperar, expressou seu lamento para que fosse ouvido por um servo dos Deuses.

– Ah, mas que embaraço. Desde que eu parti de Edin, desde que eu decretei minha liberdade de minha senhora [Ereskigal], desde que eu, como bom espectro feminino, fui expulsa da árvore Huluppu pelo herói Gilgamesh [por conta e pedido de
Ishtar], eu tenho clamado e esperado pelo Emissário dos Deuses que nos ajudaria a receber corpo [nascendo/encarnando] humano.

Asas farfalharam, das nuvens desceu um anakim [tipo de anjo] que veio confrontar aquela que uma vez foi conhecida como a Primeira Mulher.

– Lilu, Lillitu, descendente de Layla e Nahema, seus dias de sedutora estão contados.

Lilu riu muito da pequena figura. Essas criaturas aladas, remanescentes de Egregoris, povos que serviam aos Deuses das Estrelas, tinham descido muito em sua antiga honra ao jurarem servir ao pequeno, inseguro e ciumento Jeová, o mais feio dos Elohim.

– Seu mestre te mandou aqui? Mesmo sabendo que eu me libertei dele há tempos? Melhor correr, mísero anakim, pois o dia está acabando, com a noite se inicia o sábado e você sabe como seu mestre é capcioso e rigoroso na guarda do sábado.

– Está avisada, demônio da luxúria, perdição dos homens! Breve virá aquele que irá salvar a humanidade do pecado e irá lançar seu mestre na prisão do Inferno!

O som de trombeta vindo da região de Ebrom faz o anakim mudar de expressão. O pequeno anjo, apreensivo, esquece a pose de indignação e parte, abrindo com vigor suas asas, para voltar ao templo construído pelo Rei Sábio, um lugar sagrado peculiarmente construído para servir de santuário para a Asherat, não para Jeová.

Quando o pequeno anjo está longe, Lilitu também muda sua expressão, de alegre e desafiante, para triste e receosa. Houve um tempo em que ela estava nessa mesma condição e não gosta de lembrar-se desse passado e do que teve que fazer para poder viver e ser o que decidisse ser.

Helios vai cedendo seu lugar no Jardim de Urano para Selene. Helios está no Portal do Oeste quando os espíritos começam a ficar agitados. Lilitu ouve o ronco de sua barriga, indicando que a hora está chegando. Lilitu veste sua forma de coruja [sua favorita] e abrindo suas belas asas, sobe como se fosse beijar e saudar Selene. Dali de cima, roçando as nuvens, Lilitu consegue observar toda a região, desde Samaria até Edom. Há algum tempo a frequência de caravanas e viajantes têm escasseado, mas sempre existem os inocentes, ingênuos e descrentes que ignoram os avisos e acabam passando pelas estradas assombradas. Lilitu consegue encontrar uma presa, mas é inevitável pensar, imaginar e até mesmo desejar que seja este o Messias prometido.

Lilu faz a entrada que está acostumada, triunfal, dramática, diante do homenzinho. Normalmente as reações são primeiro de medo, depois vem a reação, ora de fuga, ora de enfrentamento. Isso não importa muito no processo, como predador, Lilu gosta que suas presas entrem em desespero, o cheiro que aqueles pequenos corpos exalam, enquanto proferem encantos ou desembainham espadas só faz seu sangue acelerar, sua fome aumentar e, certamente, essas carnes ficam com gosto e tempero melhores.

– Saudações, Espectro Noturno, Flagelo da Noite, Rainha dos Súcubos.

– Você… me conhece… homenzinho?

– Evidente que sim, Primeira Mulher. Eu não seria quem eu sou se não te conhecesse. Impossível alguém entrar e perambular pelo Vale da Morte sem ouvir ou saber de tua saga.

Lilu observa, atônita, intrigada e desconfiada, o homenzinho. Com os dedos de sua mão segurando o queixo, Lilu avalia e pensa como lidar com essa situação inusitada quando seu estomago ruge feito leão.

– Dama da Noite, você está com fome. Permita-me sacia-la.

– Homenzinho… você está se oferecendo… voluntariamente… para ser devorado por mim?

– Sim, eu estou. Eu me sinto extremamente honrado e lisonjeado, seu você se servir de meu corpo para se alimentar.

Lilu pisca três vezes, pasma e surpresa com tal declaração, mas a fome aperta, então dá de ombros, pula em cima do homenzinho [como está acostumada] e, com o meneio de uma mão, faz as vestes do homenzinho em pedaços.

– Mas… pelo Dragão Primordial… o que é isso?

– Isso? Só a minha parte masculina tendo uma ereção.

Lilu franze a testa. Evidente que ela sabe o que é aquilo e porque está duro e rijo como rocha. Mas aquilo não pode ser normal, natural. Lilu observa com atenção e detalhe. Coisa assim tão grande, grossa e poderosa assim ela só tinha visto entre dragões e seres superiores.

– Homenzinho, por acaso isso é algum truque ou magia?

– Não, Donzela de Ereskigal. Esse é o meu membro em estado natural.

Isso é realmente incomum. O homenzinho sabe mesmo sobre ela. Mas quem é esse homenzinho? Lilu, distraída em pensamentos, instintivamente começa a manipular o obelisco. O homenzinho se debate, treme, geme. Esse jogo Lilu conhece e gosta mais.

– Impressionante, eu admito, mas parece que você está em seu limite, homenzinho.

– Isso [ah] não importa, [ah] é irrelevante, [ah] sirva-se do meu corpo [ah] como bem quiser ah].

Cruel e impiedosa, Lilu manuseia aquele poste vigorosamente até, enfim, aquilo se tornar um gêiser, expelindo e jorrando aquele líquido quente, esbranquiçado e gelatinoso, em volume considerável. O sêmen se espalha em volta, na forma de gotas de diversos tamanhos. Satisfeita, Lilu colhe com a língua essa chuva esbranquiçada, lambe de seu rosto ou lambe de seus dedos.

– Definitivamente impressionante, homenzinho. Eu chego a considerar a possibilidade de guarda-lo como meu animal de estimação.

[resfolegando]- Minha senhora… não há algo mais que eu possa te servir?

Lilu pisca três vezes. Esse homenzinho não é normal. Geralmente os “filhos de Anu” desfalecem ou morrem após o processo. Que este ainda esteja consciente é impossível e improvável. Então Lilu se dá conta de que aquele enorme pedaço de músculo ainda estava ereto, duro e rijo.

– Ma… mas… o que significa isso?

– Minha senhora, permita-me saciar sua fome.

Lilu tenta raciocinar, entender, mas seu estômago ronca, em protesto. Ela não é de desperdiçar um bom prato, então comer é apenas parte da diversão.

– Muito bem, homenzinho. Eu atenderei seu desejo. Vamos ver o que será de você, depois que eu cuidar de seu instrumento com meus seios e lábios.

O coitado faz o que está em seu alcance, resiste da forma que pode. Lilu começa a ficar realmente impressionada com o homenzinho. Notável, definitivamente, pois o objeto parece ter ficado ainda maior, mais duro, mais rijo. Isso até seria interessante, mas Lilu começa a ficar incomodada, pois seu corpo está começando a se comportar de forma estranha. Isso é algo inaceitável entre os predadores. Quem tem que “sentir” algo é a presa. O predador apenas tem que saborear a vitória e o sangue advindo do triunfo. Esse homenzinho deve ter algum segredo, alguma forma de magia. Intelectualizar a experiência fica complicado enquanto sua mente luta contra o corpo, cada vez mais quente, cada vez mais amolecido, cada vez mais excitado.

Lilu não quer admitir, mas ela está perigosamente próxima do limite. Seus seios estão felizes e contentes por sentir aquele volume enorme e quente entre eles. Seus lábios e sua língua indicam que sua boca está começando a ficar viciada em gostar de chupar este trabuco. Então vem a contração e o jorro enche com força e volume suas bochechas, por pouco ela não se engasga e se afoga com aquela enorme emissão de sêmen. Lilu foi pega de surpresa, ela tenta raciocinar, tenta rejeitar que uma criatura tão ínfima pode ter conseguido, pela segunda vez, ejacular tamanha quantidade de sua essência vital.

[engasga, cospe, respira]- Homenzinho… eu exijo saber como você consegue tal façanha. Isso não é normal nem natural de sua gente. Você tem que ter algum segredo, alguma magia escondida.

[arfando]- Minha senhora… eu só sei que eu sou assim desde que eu nasci. Não há algo mais que eu possa te servir?

Lilu custa a crer no que ouve. Mesmo usando as artes de sua gente, Lilu não detecta qualquer sinal ou marca de nascença que possa indicar que esse homenzinho possa carregar alguma benção ou sangue divino. Não existe nenhum tipo de arte mágica humana capaz de tal prodígio. Seria possível que aquele homenzinho tenha conseguido e chegado a tal ponto por amor? Quando se dá por si, Lilu percebe surpresa que o membro ainda estava lá, ereto, duro, rijo.

– Pelo Dragão Primordial, homenzinho… você é algum Deus?

– Não, minha senhora, eu sou a penas seu humilde servo.

Lilu mordisca os lábios. Ela não consegue mais raciocinar direito, sua mente e sua consciência estão se desmanchando. Faz muito tempo que ela não sentia isso. A primeira vez foi quando ela tinha sido separada do seu “outro eu”. A primeira coisa que sentiu foi essa enorme e terrível sensação de vazio, algo que ela tinha necessidade de preencher e foi seu irmão gêmeo a sua primeira presa. Essa fome que sempre a acompanhou desde então. Evidente que seu irmão gêmeo, o “filhinho do papai”, o “preferido e protegido” foi afastado dela e ela, depois de desenvolvida sua natureza própria, rebelou-se e foi procurar refúgio entre outros seres que não os que habitavam Edin. Livre e liberta das amarras, das correntes, do “pai” superprotetor, daquela gaiola dourada, Lilu encantou-se e deslumbrou-se com a imensidade do que existia além de Edin. Ela conheceu inúmeros outros seres, carnais, espirituais e divinos, até que ela teve a segunda vez, com Samael, chamado Sol Negro, que tinha largado sua posição como arcanjo apenas para ficar com ela. Ficaram unidos por muito tempo, debaixo da benção de Leviatã, por quem a fez conhecer o Dragão Primordial. Então ela teve sua terceira vez com o Antigo, o Consorte da Deusa Serpente e ela achou que fosse derreter, sumir, desaparecer.

– Muito bem, homenzinho. Eu te aceito como meu servo. Seja um bom servo e sirva sua senhora. Eu te ordeno que penetre minhas entranhas com esse seu monstro e não ouse parar enquanto não despejar toda sua essência dentro de meu ventre.

Esta não era uma situação normal, este não era um homenzinho normal. Meio sem graça e sem jeito, Lilu rolou para o lado e deitou-se de costa para o chão, puxando o homenzinho para cima dela e entre suas coxas. Por alguns segundos ela pensou, quase arrependida, por ter abandonado sua postura de predador e aceitando a posição de presa. Esse tipo de postura, submissa, foi o que mais a incomodou enquanto vivia no Edin. Mas tudo pensamento se dissipou assim que aquilo começou a forçar sua entrada entre suas entranhas. Dor… como isso é possível? Até parece sua primeira vez! Ah! A sensação de ser invadida! Essa sensação terrível de que aquilo não vai caber, que é impossível aquilo tudo entrar, o medo de ser rasgada em duas. E então… ah… e então… aquilo começa a se mover… as entranhas sendo reviradas… o corpo começa a agir por conta própria… a mente e a consciência se apagando… a incrível e inexplicável sensação de prazer e êxtase tornando tudo aquilo irrelevante. E então… ah… e então… o limite é ultrapassado, acontece o choque, o estertor, algo flui, tanto dela quanto do homenzinho e.. ah… a sensação agradável e confortável de sentir o ventre sendo inundado por enormes vagas de sêmen que vão esguichando, pulsando, vigorosamente, dentro dela.

Lilu está a beira de perder completamente a consciência. Ela mal consegue mexer seu corpo. O pouco de consciência que lhe resta se concentra em tentar respirar, mas tanto o fôlego quando o sangue estão acelerados. Parece que o corpo está sendo cozido ou fritado, de tão quente e mole que está. Lilu consegue enxergar [embora com a visão embaçada] que o homenzinho está nocauteado, vencido, derrotado, com aquele negócio murcho, embora ainda escorrendo o resto de sêmen pelo chão. Nocauteado? Vencido? Derrotado? Nesse tipo de “luta” não há vencidos ou vencedores. Lilu pode dormir tranquila e sossegada, completamente satisfeita e com seu ventre recheado.

Helios trafega pelos domínios de Urano em sua carruagem, avista o Portal do Leste e acena para Vênus, sua prima [irmã?] que acena de volta, saudando o início de mais um turno de Helios em torno de Gaia. Helios atravessa o portal, situado entre a Ásia e a Europa e avista Lilu, deitada completamente nua e coberta de sêmen, algo que perturba Helios a tal ponto que quase o fez perder as rédeas de seus cavalos. Ele se promete, quando tirar férias, de que vai visitar a Princesa dos Rebeldes.

Helios está na terceira hora quando Lilu acorda, incomodada por sentir que algo ou alguém esta fazendo sombra. Preguiçosa, abre os olhos lentamente e põe a mão na frente do rosto para encobrir os olhos do brilho do sol. A figura parece com um arcanjo, mas ela não reconhece a fisionomia.

– Espírito Noturno da Luxúria e da Lascívia, eu espero não estar te interrompendo nem te incomodando.

– Quem é você? Um dos cachorrinhos de Jeová?

– Bom… eh… sim e não. Eu sou Satan, de certa forma, eu sou… eu fui… a Sombra de Jeová, até que, por enigma além da compreensão, eu me vi sendo tutelado por Loki e empreendi uma aventura com essa criatura humana ao seu lado.

Lilu pisca três vezes para só então lembrar de que passou a noite acompanhada de um ínfimo ser humano. Estranhou por sentir preocupação e estranhou mais ainda por ter ficado aliviada ao vê-lo dormindo tranquilamente.

– Bem que eu desconfiei que esse homenzinho deveria ter algum segredo. Isso fica para depois. Eu sinto [instinto demoníaco] que isso será explicado fortuitamente. Eu imagino que sua visita não é cortesia.

– Eh… não dessa vez. Mas eu prometo que venho em circunstância mais agradável vir te visitar. Eu estou aqui com um problema que você pode me ajudar a resolver.

– Manda ver.

– Hã?

– Força de expressão. Diga seu problema.

– Eu não queria, mas uma certa pessoa… eh… muito importante para mim… me pediu para tentar o Emissário dos Deuses.

Lilu levantou-se com agilidade, ignorando [ou fingindo ignorar] que Satan tinha citado ter alguém importante para ele, provocando agitação em seus seios, cuja movimentação foi avidamente acompanhada por Satan. Uma visão difícil de avistar sem que se perca o foco ou o pensamento.

– Até que enfim! Ele virá! O Emissário dos Deuses!

– Eehh… [tentando conter a excitação] na verdade é ela. Poderia me fazer o favor de traze-la até a mim?

– Ela? Hum… [pensativa] eu não esperava por isso. Ah! Ideia! Eu posso levar meu servo comigo! Ele pode me ajudar nessa tarefa.

– Hã? Ah… sim… você pode levar o humano, o escriba.

Lilu estapeou o homenzinho, o escriba [ai!] até ele acordar. [ei, eu estou acrodado!] Fez um desjejum rápido [sangue e tripas… delícia] e começou a trotar, com alegria e felicidade, pelas estradas que seguem até Bethlehem, deixando todos as criaturas masculinas alucinadas com o balanço de seus seios e nádegas.

– Puxa! Como cresceu essa vilazinha! Vejamos… onde nós podemos encontrar a Emissária dos Deuses? Ah! Ideia! Escriba, vá perguntar ao legionário!

Obediente, eu fui, mas com os eventos que estavam ocorrendo, o legionário [como alguns oficiais da Polícia Militar, nos dias de hoje] não gostou da pergunta, não queria responder e achou suspeita a minha curiosidade, considerou-me um delinquente e eu comecei a apanhar [ai!].

– Legionário, porque age com ódio e violência contra o teu próximo?

O legionário parou de me bater, olhou na direção de onde vinha a voz [delicada, suave, perfumada] e eu pude ver a figura daquela jovem mulher. O legionário me largou na hora [ai!] e foi se ajoelhar e pedir perdão para aquela jovem mulher. Ver aquele homem musculoso de dois metros dobrado feito bambu aos pés daquela jovem mulher mostra que a força física é pequena diante da força espiritual. Lilu veio e se aproximou na ponta dos pés, toda esfuziante.

– Oizinho. Você que é a Emissária dos Deuses?

– Saudações, Primeira Mulher. Foste enviada para me seduzir?

– Ah, não, eu não poderia fazer isso… ou poderia? [insinuante] Ah, isso não tem graça. Eu vim para te conduzir até Satan para que você seja testada.

– Então conduza-me. Eu tenho que ser tentada e testada por Satan. Ele tem que fazer o papel que lhe foi confiado.

Lilu sorriu, estalou os dedos e nós fomos todos carregados por um forte vendaval até onde Satan nos aguardava.

– Tal como está escrito. O Espírito de Deus me levou até o lugar ermo onde eu encontro o Tentador.

– Isso não é algo que eu queira fazer. Mas uma… pessoa muito especial para mim… assim me pediu.

– Eu também não gosto desse enredo e eu fui enviada por uma pessoa muito especial para ensinar o Caminho.

– Mesmo sabendo que o ser humano não está preparado ou maduro o suficiente para te ouvir?

– Ela me disse que isso é inevitável e faz parte do processo de crescimento, maturidade e desenvolvimento do ser humano.

– Eu não tive a satisfação e privilégio de conhecê-la pessoalmente, mas eu fico incomodado por ter sido delegado a esse papel. Meu nome e minha figura [pessimamente identificada com o Antigo] serão utilizados por grupos, seculares e religiosos, para manter um sistema de opressão e repressão. O seu ensinamento será distorcido, deturpado, manipulado para manter o ser humano como rebanho.

– Eu estou ciente disso. Em todas as vezes que eu encarnei e estive entre os Homens, aquilo que eu ensinei, uma prática que deve ser feita de forma individual e consciente, apenas deu ensejo aos inúmeros textos sagrados. Aquilo que deveria servir de base tornou-se o objetivo, aquilo que deveria ser voluntário tornou-se compulsório.

– Mesmo assim, você está disposta a transmitir o Conhecimento e ensinar o Caminho, mesmo sabendo que será perseguida, presa, torturada e morta por estes mesmos que te seguem?

– Sim. Em todas as vezes que eu vim para este mundo, eu falei diretamente ao povo, para as “massas”, eu nunca apareci ou estive em templos. Esse é o motivo pelo qual eu sou perseguida, presa e morta. Os poderosos não querem que o povo receba instrução, ou que seja desperto, senão perderão todo o poder, a influência, o prestígio e a riqueza que amealharam às custas desse povo.

– Eu conheço bem o governo desse mundo. Assim como conheço esses que se intitulam “homens de Deus”. Aquilo que pronunciam é completamente diferente daquilo que pensam e fazem. Eu sou falsamente acusado de estar por detrás desses poderes mundanos, se isso fosse verdadeiro, eu entregaria a coroa desse mundo a você.

– Isso não alteraria a realidade do ser humano. O ser humano foi criado [gerado] para ser semelhante aos Deuses e assim será quando a Humanidade redescobrir seu verdadeiro Self, o Hermafrodita Divino, masculino e feminino. O Homem não foi feito para adorar, mas para ser livre. O Homem é Deus e quando redescobrir seu Self, ele perceberá que estava adorando ao seu Princípio Divino. Foi o que eu tentei ensina-los ao avisar que Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida, mas esse Eu Sou é o verdadeiro Self do ser humano. O verdadeiro Self do ser humano, o Eu Sou, é Deus e somente a Ele devemos prestar adoração.

– Isso é confuso. Não porque eu convivi muitos anos com Jeová, mas porque graças a Loki [com ajuda do escriba] eu conheci inúmeros outros Deuses. Porque o Homem organizou suas crenças, erigiu templos e formulou cerimônias, se Ele é Deus?

[risos]- Eu demorei a entender isso, também. Mas nós estamos falando de duas pessoas distintas, embora venham a tornar-se uma, eventualmente. A Igreja [de quem dizem que você é o melhor amigo] que está sendo formada por estes que se dizem meus seguidores [Cristo, daí, Cristãos] estão com essa mesma dúvida. Acreditam que eu sou Deus e isso até eu mesma tenho dúvida. Acreditam que, além de Deus e Cristo, tem o Espírito Santo. Eu particularmente gosto da ideia de Trindade: Pai, Mãe e Filh@. Três Pessoas que é a mesma Pessoa. Isso não é impossível, afinal, cada ser humano tem corpo, alma e espírito. Isso faz algum sentido para você?

[contrariado]- Menos a parte de eu ser amigo da Igreja. Eu vivi muito tempo acreditando que somente Jeová fosse Deus. Depois eu descobri que ele é um dos dez Elohim. Depois eu descobri que cada região de Gaia possui determinados Deuses, cada qual com seu povo. Depois eu descobri que Deuses geram Deuses, da mesma forma como seres humanos geram seres humanos. Os progenitores vivem em seus descendentes, são pessoas separadas, mas compartilham a mesma essência. Os descendentes quanto atingem consciência coletiva voltam a ser um único espírito com seus Ancestrais. Nisso consiste a Egrégora, a Forma de Pensamento, que é formada pela conjunção das almas que consistem aquele povo. A energia da Egrégora atrai energias semelhantes, espíritos superiores, os Deuses, entidades que são extremamente locais e regionais, porque estão intrinsecamente ligadas àquela terra, àquele solo, por ser este o elo, o vínculo que possuem com Gaia, que é a Deusa que incorpora este planeta.

[risos]- Você fica lindo quando fica filosofando com essa cara de sério, compenetrado e fazendo biquinho.

– He… hei… não fique me abraçando, me apertando desse jeito! Eu sinto seus seios pressionando meu braço!

[risos]- Mas essa é a minha intenção…

[constrangido]- E…enfim… isso não soluciona muito o problema da fome e da miséria. Sendo o Homem Deus, porque não transforma pedra em pão?

[risos]- Parece que voltamos ao mesmo assunto. Afinal, nós temos que separar a pessoa Homem da pessoa ser humano. E nós temos que separar o governo do povo. Comida existe, os Deuses e Gaia me garantem isso. Mas tem a pessoa [governo] que prefere manter outra pessoa com fome [povo] para ganhar lucro, manter o controle, manipular. Quando a pessoa [ser humano] despertar para sua verdadeira pessoa [Homem], não faltará pão, porque a materialização de coisas físicas [comida] acontece segundo o Verbo [emanação da Vontade].

– I… isso quer dizer que o Homem não vive do pão, mas do Verbo que sai da boca de Deus?

– Eu posso copiar essa frase? O ser humano vai ficar encucado com isso.

– E… eu acho que sim… desde que você desencoste e se afaste um pouco.

– Por que? Por acaso euzinha estou provocando o Tentador? Não era para você ser o Rei do Pecado?

– I… isso também é exagero e incorreto, em muitos aspectos. Afinal, eu sou… eu fui… um arcanjo de Deus. Não que isso signifique algo, considerando os anjos que desceram até Gaia e enamoraram-se com as fêmeas da sua gente. Meu único defeito [se é que podemos dizer assim] é que eu fui escolhido como Advogado diante de Deus, para apontar os pecados cometidos pelo ser humano enquanto vivo, para garantir que apenas os puros e justos entrem no Paraíso. Então, de certa forma, eu sou o Guardião da Honra e da Virtude.

[risos]- Está querendo insinuar que existe a possibilidade de você se apaixonar por uma humana? Diga que sim… eu não deixei de ouvir que você disse ter uma pessoa muito especial. Quem é? Aposto que é uma mulher ou uma Deusa.

– P… pare com isso. Você não deve me provocar. Você não pode tentar a Deus.

– Outra frase boa que eu quero copiar. Pois eu aposto que essa sua “pessoa especial” é a mesma “pessoa especial” que me enviou. Vamos apostar? Se você ganhar, eu desisto de ser Cristo. Mas se eu ganhar, você vai ter que ser meu namorado [risos] que tal?

– I… isso não faz o menor sentido… não é lógico, não é racional… [Cristo faz carinha de choro e olhos de filhotinho] Mas se isso poupar a humanidade de um Aeon repleto de ódio, guerras e massacres, eu aceito a aposta. Como nós vamos confirmar se falamos da mesma pessoa?

– Ah, para isso nós podemos contar com a ajuda de sua amiguinha coxuda e peituda aí.

[Lilu, confusa]- E… eu?

[risos]- Sim… você. Não foi você quem levou o escriba para conhecer a Fonte?

[voz estridente de colegial] – Hai! Fui eu mesma!

[risos]- Então! Pegue o escriba, faça o ritual e invoque Ela.

[olhar safado e lascivo]- Hum… excelente ideia. Venha cá, escriba… isso não vai doer… muito.

Eu, coitadinho, pobrezinho, não pude fazer coisa alguma senão ser dominado, despido, abusado e estuprado. Não que eu esteja reclamando. Só para registrar. Assim que eu jorrei para dentro do ventre de Lilu, Ela apareceu.

– Ora, ora, meus queridos filhos, vocês me chamaram?

– Sim, nossa Mãe, nossa Senhora, nossa Rainha, nossa Deusa. Estes dois [Lilu aponta, com desdém, a Satan e Cristo] querem confirmar se Vós sois a mesma “pessoa especial”.

– Isso não me parece muito justo. Myrian Magdalena, chamada e conhecida como Cristo, você me conhecia e, mesmo assim, fez uma aposta com satan que ainda não tinha me visto ou conhecido. Como castigo, eu vou pedir que o escriba anuncie minha identidade pelos meus inúmeros epítetos.

Eu, coitadinho, pobrezinho, fiquei cinco minutos inteiros só para fazer a introdução básica do Nome Sagrado. Lilu tampou os ouvidos, porque é nome de Poder. Cristo rejubilava. Satan tremia inteiro [eu acho que ele se cagou todo].

[risos]- Meu muito querido e amado escriba, Profeta do Profano, aquele que entrou no meu mais profundo mistério e que, por isso, é renegado, rejeitado, até por estes que se intitulam sacerdotes e bruxos. Isso é o suficiente. Então, meus queridos filhos? Essa “pessoa especial” que vocês tanto amam sou eu?

Nós três respondíamos alguma coisa, mas estava difícil de entender o que falávamos misturado com choro.

[risos]- Sim, meus lindos, meus muito amados. Eu sei o quanto vocês me amam. Mas isso significa que Cristo ganhou a aposta. Está pronto para pagar o preço, Satan?

Satan está paralisado, em choque, mas isso não impede Cristo de pular e enroscar os braços em volta do pescoço dele, beijando-o, alisando-o, provocando-o. Cinco minutos depois, Satan capitula e os dois, providencialmente despidos, contorcem-se no chão, fazendo aquela ginástica de Eros e Afrodite tão bem conhecida.

– Ai!

– Oh! Perdão! Eu não sabia que esta é sua primeira vez.

[risos]- Tecnicamente… não é… mas o seu “negócio” é grande demais. Por favor, seja gentil. Mas não ligue se eu sangrar ou demonstrar dor. Eu consigo aguentar. Eu vou passar por coisa muito pior pelo desenvolvimento do Homem.

Satan queria mesmo era comer a Deusa. Quem não quer? Mas aquelas coxas que estavam diante dele estavam convidativas e sequiosas por recebê-lo por inteiro e assim ele o fez, até se desmanchar por inteiro dentro daquele ventre.

[aplaudindo]- Muito bem, meus filhos! Vocês fizeram um belo ritual em minha homenagem. Agora vocês devem continuar a encenação até o derradeiro, trágico e dramático fim. Mas nada temam! Quando acabar esse teatro, todos nós estaremos juntos, rindo muito de tudo isso.

Assim É. Assim Seja. Assim Será.

I.E.A.O.U.

Leis Venéreas

Em Nome do Grande Senhor Anu.

Estes são os Mandamentos conforme foram ditados por Ela, a Filha Mais Resplandecente, Amada dos Deuses, Possessora das Tábuas com os Registros da Vida, a Guardiã da Lei e da Ordem, a Dama das Batalhas e da Vitória.

Cosmovisão

Eternidade é Existência

Existência é Consciência

Consciência é Energia

Energia é Vida

Decantada ao Décimo Grau, a Vida é Forma

Galáxias, estrelas e planetas são Formas [são Vida]

A Inteligência do Planeta forma o Ambiente

O Ambiente comporta e define as Espécies

As Espécies adaptam-se e evoluem para outras Formas

Formas supremas atingem a Senciência

O processo avança, até que estas Formas de Vida atinjam a Transcedência

Eis que esta Espécie perde a Forma, mas não perde a Vida

Eis que esta Espécie retoma sua original Natureza, que é Energia

Energia que é Consciência

Consciência que é Existência

Existência que é Eternidade

Cosmoconstrução

A Eternidade é habitada pela Existência

A Existência construirá o Cosmo a partir de sua Energia

Declara-se instituído a Engenharia de Planetas

Caberá ao Engenheiro de Planetas agir conforme a Consciência

Eis que o Engenheiro de Planetas auxilia na geração da Forma

Economia simples é doze planetas para um sol

Que ao menos quatro de doze tenham Espécies

A conjunção entre o Engenheiro e a Inteligência define a Natureza

Das “Leis da Natureza” acontece adaptação, evolução, senciência e transcendência.

Genovisão

A Inteligência Planetária [Deusa] e o Engenheiro de Planetas [Deus] devem dar o Ambiente e a Natureza adequados para que três espécies atinjam a Senciência

Não obstante, este Deus e esta Deusa não devem interferir no processo de ascensão destas Espécies [Livre Arbítrio]

Cabe aos indivíduos dessas Espécies escolherem, buscarem e conquistarem a supremacia

O resultado é harmonia [convivência simbiótica] ou caos [extinção massiva]

Espécies que demonstrem tendências para a destruição, a ruptura, à entropia, ao caos, deverão ser colocadas em quarentena e o planeta isolado dos demais sistemas

Genoconstrução

A diretriz para a Deusa e o Deus dar Forma para a Vida é desenvolver sistemas complexos a partir de elementos simples

A experiência no Cosmo mostra que estruturas simples são neutro sexuadas

Dessas estruturas simples surgem outras que são sexuadas

Aqui pode acontecer que o mesmo indivíduo possua ambos os sexos no corpo [autogamia]

Aqui pode acontecer a distinção sexual entre os indivíduos [alogamia]

Mesmo no caso de distinção sexual, o traço da simplicidade original permanece

Portanto reconhecem-se cinco gêneros sexuais

Portanto reconhecem-se sete identidades sexuais

Portanto reconhecem-se nove opções sexuais

Portanto reconhecem-se onze preferências sexuais

Portanto reconhecem-se treze regimes sexuais

Erovisão

Amor é o Todo da Lei

Sexo é o Caminho

Pecado é a Restrição

Quando se reunirem em assembleia em meu louvor

Como sinal de liberdade estejam nus debaixo da lua

Todos os Atos de Amor e Prazer são meus rituais

Eu Sou a Porta que conduz para a Terra da Juventude

Eu sou a Taça de Vinho da Vida

Eu sou aquela que é alcançada ao fim do desejo

Eroconstrução

Toda Vida nasce com Sexualidade

Toda Sexualidade expressa pela Forma

Toda Forma estrutura pela Espécie

Toda Espécie comporta pela Cultura

Toda Cultura define o Sistema

Todo Sistema define a Sociedade

Toda Sociedade define o Regime

Entretanto estruturas derivantes não podem sobrepor as estruturas matrizes

Isto posto, a Sociedade deve abranger nos Regimes todos os Sistemas e assim por diante

Isto posto, a Sociedade deve reconhecer e garantir os direitos de toda Sexualidade

Isto posto, é o mesmo dizer que todo indivíduo nasce com sexualidade

Todo indivíduo tem o direito de usufruir dos direitos sexuais definidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer tipo, seja espécie, natureza, etnia, linguagem, crença, opinião, origem, residência, características, nascimento, idade, nacionalidade, estado social, orientação, identidade, opção, preferência e expressão sexual, condição de saúde, situação econômica, social, politica ou outra qualquer

Todo indivíduo tem o direito de controlar e decidir livremente sobre questões relativas à sua sexualidade e seu corpo. Isto inclui a escolha de comportamentos sexuais, práticas, parceiros e relacionamentos, desde que respeitados os direitos do próximo. A tomada de decisões livre e informada, requer consentimento livre e informado por e através de quaisquer contratos, acordos, firmados com o próximo ou com a coletividade

Todo indivíduo tem o direito ao mais alto padrão de saúde e bem estar possíveis, relacionados à sexualidade, incluindo a possibilidade de experiências sexuais prazerosas, satisfatórias e seguras. Isto requer a disponibilidade e acessibilidade de serviços de saúde qualificados, bem como o acesso a condições que auxiliem, influenciem e determinem a saúde, incluindo a saúde e a educação sexual

Todo indivíduo tem o direito à Liberdade, de pensamento, de opinião e de expressão, relativos à sua sexualidade, bem como o direito à expressão plena de sua própria sexualidade, desde que devidamente respeitados os direitos dos outros.

Todo indivíduo tem o direito de organizar-se, associar-se, reunir-se, manifestar-se pacificamente e advogar, inclusive sobre sexualidade, saúde sexual, e direitos sexuais

Anexo

Estatuto da Relação Erótico-Afetiva

Considerando as Leis Cósmicas

Considerando que toda Vida nasce com Sexualidade e que todo indivíduo nasce com sexualidade

Considerando que todo indivíduo tem o direito de usufruir dos direitos sexuais definidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer tipo

Considerando que todo indivíduo tem o direito a ter acesso à educação, desenvolvimento e maturidade sexual

Considerando que a Espécie pode desenvolver dentro da Cultura da Sociedade, definições e limites, especialmente concernentes à preconceitos e discriminações etárias

Por ordem da Rainha Ishtar de Vênus, ficam instituídos:

[Senpai], pessoa de qualquer gênero, identidade, preferência ou opção sexual, que alcançou a devida maturidade e licença para fornecer a devida educação, desenvolvimento e maturidade sexual para qualquer outra pessoa [Kohai], de qualquer gênero, identidade, preferência ou opção sexual que tenha declarado ou expresso sua decisão de querer ingressar na Sociedade como pessoa Adulta

[Kohai], pessoa de qualquer gênero, identidade, preferência ou opção sexual que tenha declarado ou expresso sua decisão de querer ingressar na Sociedade como pessoa Adulta, que pode solicitar do [Senpai] a devida educação, desenvolvimento e maturidade sexual

[Wise Elders], pessoas de qualquer gênero, identidade, preferência ou opção sexual, que são reconhecidamente sábios, experientes, vividos, que terão a atribuição de avaliar o [Senpai] e o [Hokai]

Uma vez ao ano, [Wise Elders] abrem audiência para conceder licença a toda pessoa que quiser o cargo de [Senpai]

Uma vez ao mês, [Wise Elders] abrem audiência para examinar a toda pessoa [Hokai] que solicitar a devida educação, desenvolvimento e maturidade sexual de um [Senpai]

[Hokai] pode indicar ou evocar qualquer pessoa próxima [familiar, parente, amigo] para o cargo de [Senpai]

[Senpai] pode pedir precedência ou preferência para qualquer pessoa próxima [familiar, parente, amigo] que esteja sendo avaliada para o cargo de [Hokai]

[Wise Elders] podem nomear e intimar qualquer pessoa para o cargo de [Senpai]

[Senpai] pode aceitar ou recusar três vezes tanto a indicação quanto a nomeação

[Hokai] pode aceitar ou recusar três vezes tanto a nomeação quanto a avaliação

[Wise Elders] podem reavaliar e reexaminar três vezes, tanto ao [Senpai] quanto ao [Hokai]

Havendo concurso das vontades, [Wise Elders] formalizarão o contrato constando os nomes dos participantes, seus cargos, seus atributos, suas obrigações e seus deveres

O contrato será divulgado publicamente, não cabendo a pessoa alguma protestar, contestar, interromper ou atrapalhar

O contrato somente está sujeito a revisão, conserto, suspensão, interrupção e anulação pelos [Wise Elders] mediante ação devidamente solicitada pelo [Hokai] ou pelo [Senpai], até três vezes

Tendo sido o contrato concluído e concluso, o [Hokai] passa a ser considerado pessoa Adulta, extingue-se os direitos e obrigações contratuais, tanto deste quanto do [Senpai]

Aqueles que outrora foram [Hokai] e [Senpai] podem optar por manter a relação erótico-afetiva, sem qualquer prejuízo dos demais direitos

Aquele que outrora fora [Hokai] pode solicitar avaliação para o cargo de [Senpai]

Aquele que outrora fora [Senpai] pode solicitar avaliação para o cargo de [Wise Elder]

Caberá a esta Corte Real a Ultima Instância nas decisões de quaisquer casos e ocorrências, revogando-se qualquer outra decisão em contrário

Visto, Promulgado, Assinado

Casa dos Lordes, Parlamento de Vênus

Casa Real, Vossa Majestade Ishtar

Casa Divina, Grande Senhor Anu