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Sinfonia com motosserra

Foi no ano de 1986 que o Kid Vinil na então 89 FM tocou pela primeira vez “You Trip Me Up” da banda “Jesus and Mary Chain” dos irmãos Reid. Foi paixão à primeira ouvida. Eu ansiava por ouvir mais músicas da banda, então desconhecida e completamente diferente, ousada e oposta das musicas que dominavam as rádios brasileiras. Não demorou muito para que tocassem “Taste of Cindy”. Com apenas estas duas músicas sendo lançadas no Brasil, JAMC conquistou fãs no País Tropical.

Quando o álbum “Psycho Candy” foi lançado aqui no Brasil, eu rapidamente o adquiri e o toquei diversas vezes, sempre quando estava nervoso ou estressado. Todas as músicas dos irmãos Reid conseguem me acalmar. Quem ouviu sabe do que eu falo.

Cada faixa é uma indescritível poesia acompanhada por uma orquestra sinfônica e motosserra. “Never Understand” é praticamente um hino. “Cut Dead” é uma ode romântica. A banda cresceu com o mistério que permanecia escondido detrás da parede de microfonia, o chamado white noise, que saía de suas guitarras.

Foi um choque e uma surpresa quando os irmãos Reid lançaram “Darklands”, um álbum que colidia totalmente com seu debut. Mais denso, mais escuro, mais melodioso e misturando elementos de música eletrônica, os colocando como uma banda de pós-punk, depois sendo caracterizados como uma banda indie.

Por um tempo os irmãos Reid não lançaram mais álbuns, mas não faltavam fitas e gravações piratas nas lojas da Rua 24 de Maio.

O potencial de JAMC reapareceu com o lançamento do álbum “Barbed Wired Kisses”, a produtora Blanco y Negro literalmente lançavam um álbum com singles, lados B e gravações raras. O álbum parece um meio termo entre os álbuns anteriores, tem a faixa “Kill Surf City” que remete aos sucessos de “Psycho Candy” e tem a faixa “Don’t Ever Change” que lembra o álbum “Darklands”.

O álbum seguinte foi “Automatic”, onde os irmãos Reid emplacam com vários sucessos que agradaram ao gosto popular com o uso de mais melodias e elementos de música eletrônica. A faixa “Head On” chegou entre as mais tocadas na época.

Se “Automatic” foi um pico, o álbum seguinte “Honey’s Dead” foi mais depressivo. O titulo do álbum é uma referência para a faixa “Just Like Honey”, uma música do álbum “Psycho Candy” que alcançou as grandes paradas. Os irmãos Reid tinham uma relação de amor e ódio com a fama, o sucesso e seus inúmeros fãs. Neste álbum a faixa “Teenage Lust” provoca com suas insinuações eróticas e a faixa “Reverence” quase soa como uma blasfêmia.

Em seu álbum “Stoned and Dethroned” os irmãos Reid retomam a Estrada do experimentalismo, jogando faixas que soam como blues, country, música eletrônica e até gospel. Deste álbum o sucesso veio com a faixa “Sometimes Always”, com a participação de Hope Sandoval.

Novamente JAMC cai em um hiato sem lançamentos, mas a Warner lança o álbum “The Sound of Speed”, uma coletânea de diversos singles e gravações raras dos irmãos Reid. Deste álbum se destacaram a faixa “Snakedriver” e a faixa “Something I Can’t Have”.

Os irmãos Reid inovam e surpreendem mais uma vez com o álbum “I Hate Rock’N’Roll”, também lançado pela Warner. A faixa que alcançou a preferência do público é a faixa com o mesmo nome do título do álbum. Ouvir em som alto é fundamental. O álbum conta com vários relançamentos, singles, lados B e raridades.

O relacionamento dos irmãos Reid não era o melhor com os membros do JAMC, com os produtores, com técnicos de som, com seus fãs e era tenso entre ambos. O combustível, que incendiava suas guitarras, composições, espetáculos, álbuns e sucessos, acabou explodindo de vez e o álbum “Munki” foi o derradeiro dos irmãos Reid como JAMC. Neste álbum participaram Hope Sandoval e Sister Vanilla, literalmente, a irmã dos irmãos Reid. Provocante, Jim Reid encanta com sua faixa “I Love Rock’N’Roll”. A faixa “Black” nos convida ao desapego e a faixa “Cracking Up” é um resumo da mente dos irmãos Reid.

Para os fãs do JAMC restou o lançamento de outras coletâneas, com os álbuns “The Complete John Peel Session”, “21 Singles”, “The Power of Negative Thinking”, “Upsidedown The Best of JAMC” e a mais recente coletânea, “The Complete Vinyl Collection”.

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