Arquivo da categoria: esoterismo

Pimpinella em Arcádia

[ATENÇÃO, NSFW!]

[Nota editorial: estava prevista mais partes dessa série de contos, mas para poupar os leitores de mais perturbações, passamos para o capítulo final]

[Final, mesmo. Eu não irei mais escrever]

Os primeiros raios do sol da primavera brilham e esquentam o terreno no qual eu estou estendido, respirando com dificuldade, semiconsciente. Meu estômago protesta tão alto que eu sou obrigado a acordar. Eu olho para meu lado e Judy [Hopps] não está mais ali, eu não vejo [Nick] Wilde ou a viatura que nos serviu de condução e fuga. O estômago ronca, furioso, eu então, com dificuldade, ergo parcialmente meu tronco, permanecendo sentado no chão arenoso, procurando por comida e por Pimpe.

– Ah, você acordou! Até que enfim. Vamos, venha comer. Nós temos apenas mais uma missão.

Pimpe estava admirando sua coleção de placas, cinco no total. Diferentes no conteúdo e no material utilizado, eu presumo que sejam cruciais para a conclusão da nossa missão.

– Para onde nós vamos?

– Nós vamos para Arcádia. Mas antes, nós vamos esperar a chegada de nossos amigos.

Eu sou o que menos sabe o que acontece. Eu estava ocupado engolindo a comida quando chegaram três presenças. Uma criatura de outra dimensão e dois seres das sombras.

– Eu suponho que você seja Pimpe.

– Oi Staubmann, oi Enzo, oi Abigail.

– Nós temos que esperar. Tem mais um casal que quer ir conosco.

– Devem chegar em breve. Eu os sinto por perto.

Eu não reconheço mais Pimpe. Quando e como ela mudou, eu não sei dizer. Mas isso é normal acontecer com todos que perambulam pelo Vale das Sombras e entra em contato com o Mundo dos Mortos.

– Oi pessoal. Desculpe a demora.

– Oi, meu sobrinho. Quando vai nascer o pequeno Landlord?

– Pela forma como ele me chuta, em breve.

– Ah, sim, apresentações. Pimpe, Sapo, este é Alphonse e Catarina Landlord. Alphonse é meu sobrinho pelo lado materno.

Eu tento entender e aceitar que um ser de outra dimensão não apenas tenha se apaixonado por uma humana [agora uma criatura das sombras], mas também tenha conseguido engravidá-la. Estranhos rituais ou fórmulas profanas devem ter tornado possível tal obra. Eu fico torcendo que isso possa ser possível entre Pimpe e eu, eventualmente.

– Estão todos presentes e prontos? Que bom. Eu faço ou você faz a gentileza de abrir o portal, Staubmann?

– Faça você. Eu nunca vi um portal sendo aberto por sua gente.

Por meus votos de segredo e sigilo, eu não vou descrever os sinais e palavras que foram executadas. Apesar de eu ter visto e testemunhado tantas vezes o que nós chamamos de “levantar o véu”, a experiência é sempre marcante.

– Satisfeito?

– Impressionado. Eu faço isso com facilidade, mas considerando que a transição é individual e eu seja uma criatura extradimensional, o ritual feito por sua gente é bem eficiente.

Nós estamos em um ambiente completamente diferente do anterior. Quente, mas úmido e repleto de plantas. Lembra bastante das minhas viagens pelo nordeste e norte do meu país. Nós fomos recebidos por criaturas antropomórficas.

– Saudações, embaixadores de Nous, familiares e associados. Sigam-nos, nós os levaremos até o doutor.

Nós seguimos nossos anfitriões e passamos pela área urbana, cujos habitantes eram todos seres antropomórficos. Eu não estranharia se vieram daqui muitos dos atores e coadjuvantes dos filmes de animação que fazem tanto sucesso no mundo humano.

– Podem entrar. O doutor os aguarda.

Eu achei que fosse o domicílio residencial do enigmático doutor, mas ao entrar eu vi espaço suficiente para um laboratório, uma faculdade, um restaurante e um hotel. Eu li na entrada: Instituto Moureau. Um senhor envelhecido e arqueado nos cumprimentou.

– Boa tarde, meninos e meninas. Eu deixei tudo preparado. Nós podemos começar quando quiserem.

O doutor parecia bastante intrigado e interessado em minha pessoa. Como se fosse a coisa mais normal do mundo, ele perguntou algo que me deixou constrangido.

– Desculpe a curiosidade desse velho cientista, mas você é uma criatura antropomórfica natural ou artificial?

Eu devo ter travado, pois não tinha a menor ideia do que ele falava ou de como responder. Alphonse veio me ajudar.

– Doutor, essa é uma pergunta capciosa. Afinal, não há nada de humano na humanidade.

– Isso é verdade, Alphonse. Eu comecei a perceber os indícios de que isso que se chama “ser humano” era um resultado genético ou casual ou deliberado. As fases de desenvolvimento e crescimento do feto humano demonstram similaridades demais com outras espécies.

– Eu não creio estar revelando uma novidade, mas sua gente é resultado de manipulação genética, minha gente chama sua gente de “Annunaki”, ou os “Filhos de Anu”. As estranhas configurações da aparência que povos mais antigos davam aos seus seres superiores, chamados de Deuses, foram retratos esquecidos das outras espécies antropoides e humanoides que surgiram [foram geradas] a partir da engenharia genética com os “Filhos das Estrelas”.

– Exato, exato! Eu fiquei bastante chocado quando eu vi que meus muitos filhos e filhas não constituíam algo novo ou revolucionário. Felizmente meu pequeno paraíso tornou-se santuário para todos os seres antropomórficos. Então eu fico curioso da origem de nosso amigo batráquio.

Essa é uma questão que eu não quero descobrir. Desde que eu me conheço por girino que eu habito Elphane e ali mesmo eu fui treinado na Arte, recebendo da Rainha Titânia minhas roupas e o alaúde. Quase como Taliesin, eu conheço as estrofes, os tons e as rimas secretas do Ofício. Por isso que meu canto ofende e ameaça estes que se intitulam bruxos e sacerdotes da Religião Antiga: por que eu ouso dizer sobre a Verdade, a Luz e o Amor.

– Apressem-se! Estão todos nos lugares e impacientes para começarmos o Rito.

Abigail dá meia volta e caminha saltitando, fazendo seus longos cachos dourados balançarem. Difícil dizer que ela é muito mais velha do que aparenta. Nós três entramos na sala de decoração simples e minimalista, com as placas fixadas em determinada posição e ordem, enquanto nossos amigos ficam na borda do círculo desenhado no chão.

– Isso é incrível. Eu achei que seria impossível reunir novamente as doze placas.

– Mas elas estão reunidas. O que achou da minha organização?

– Perfeita, Pimpe, perfeita. Gostaria de fazer a gentileza de entoar as palavras, Abigail?

– Será um prazer, Staubmann.

Quando eles levam minha alma para aquele lugar

Isso lhes dará o mistério do seu medo

Que é XAPIHP, AXPW, PPAWP, AWHPNEUPSAZPA.

E tu és de outra raça, e seu lugar é sobre outra raça. E agora você é de outra raça, e seu lugar é sobre outra raça. Tu és de outra raça, porque não és semelhante. E és misericordioso, porque és eterno. E o teu lugar é sobre uma raça, porque tu fizeste todos estes crescerem; e por causa da minha semente. Pois é você quem sabe, que o seu lugar é gerar. Mas eles são de outras raças, pois eles não são semelhantes. Mas o lugar deles é sobre outras raças, pois seu lugar é na vida. Tu és Mirotheos.

E ele trouxe o pensamento de sua grandeza à medida da insubstancialidade, até que ele os tornou insubstanciais. Pois ele é incompreensível. Através de seus membros ele, por si mesmo, fez um lugar para seus membros, que eles deveriam habitar nele e saber que ele é seu Pai, e que é ele quem os emanou em seu primeiro conceito: isto que se tornou um lugar. para eles, e os fez insubstanciais para que eles pudessem conhecê-lo. Pois ele era desconhecido por todos.

Diante de meus olhos, o ar no ponto central do círculo alterou sua natureza, começando a se comportar como a água de um lago, febrilmente ondulando. Mais afastados os espaços adjacentes atrás de meus amigos dobravam-se e desdobravam-se, como se fossem parte de um intrincado fractal, se formatando, se reconfigurando.

O ambiente foi tomado pelo agradável perfume semelhante a rosas enquanto era inteiramente preenchido por aquela luminosidade rosácea e púrpura, até não ter mais sombra alguma. Então apareceu Kate Hoshimiya, aliás, Venera Sama, mas na sua forma original.

– Meus parabéns, queridos. Vocês conseguiram quebrar as cadeias e derrubar as barreiras que separavam esse mundo da Realidade Divina. Com isso o Conhecimento voltará a ser único, não haverá mais distinção entre Ciência, Religião e Magia. A humanidade irá despertar e retomar sua essência divina. O Espírito do Tempo, o Demiurgo, perderá seu poder e dominação. A Grande Alquimia a tudo irá transformar.

– Com licença, Vossa Majestade Divina?

– O que foi, Pimpe querida?

– Eu acho que esse é o momento mais adequado e propício. Para celebrar a libertação e emancipação humana dos Ciclos dos Aeons [a armadilha de Chronos, o tempo, a maior ilusão de Maya], que tal um Hiero Gamos como sacrifício?

[risos]- Sim, isto é necessário. Eu sei que você se voluntaria, repleta de contentação. E você, Sapo? Gostaria de se oferecer como sacrifício?

[Intervalo para uma mensagem de nossos patrocinadores. Gentil audiência, tranquilizem-se, pois o Caos não é isso que dizem ser. Epicrato Magno Caos é a Consciência Coletiva Divina, indistinta, homogênea, em conflagração, energias que volteiam
em um furacão. De estruturas simples e básicas surgem estruturas derivantes e complexas. Somente pode surgir a Ordem onde há Caos, quando o Caso anula-se a si mesmo, fazendo de si mesmo Entropia. Desses oásis de aparente tranquilidade surgiram as Formas, primeira
consequência da Entropia e da Ordem. Luz é Forma, Escuridão é Forma, Tempo é Forma, Vida é Forma, Espaço é Forma, Mente é Forma. A construção da Eternidade depende da existência da Forma. Bendito sejam os Primeiros, o Antigo, quem não ousamos nomear e a Serpente,
quem não ousamos nomear. Do Casal Primordial são gerados os Deuses Antigos e as gerações seguintes. Os Deuses Antigos fizeram suas cidades, reinos, impérios. As doze dimensões e cada um dos cosmos contidos nessas esferas são projetos feitos em Nous. Atritos
entre reinos e impérios geram facções e eis que acontece a Guerra dos Deuses. Os vencedores são coroados, os vencidos são vilipendiados. Aqueles que foram degradados e diminuídos são lançados para encarnar como meros mortais no corpo de Gaia e desde então
esse pequeno torrão de terra ficou isolado, pois de colônia dos Deuses tornou-se presídio. Foi apenas pela enorme potência chamada Amor que estes, agora chamados humanos, tem sido sujeitos à atenção do Reino Divino e apenas por intercessão desta que não ousamos
nomear a humanidade é colocada de volta à ascensão.]

Eu hesito, dividido entre desejo e medo. Então eu recebo a ultima revelação daquela que eu mais amo, por toda a Eternidade.

– O que teme e hesita, meu querido, meu muito amado? Qual poder vence o Caos? Amor. Qual poder vence a Ordem? Amor. Você, mais do que todos, sabe disso. Amor é a Potência Divina que não é nem Caos, nem Ordem. Você pode dizer que é o Terceiro Partido [risos]. Deixe que seu Eu seja envolvido no arrebatamento do infinito. Deixe que o Amor consuma toda dúvida, dor, sofrimento, incerteza.

Nisto consiste o todo do Quinto Círculo do Caminho no Bosque Sagrado. Ser devorado, consumido, desintegrado. O mundo não é real. O tempo não é real. Esta consciência não é real. Este corpo não é real. Pimpe recebe-me, jubilosamente, através e por dentro de seu mistério e portal carnal. Não que eu tenha algo a reclamar, afinal, eu e Pimpe seremos um só. Todo meu ser, essência e existência são avidamente sorvidos. Eu não desejaria fim melhor do que esse para meu miserável ser.

Anúncios

A civilização é superestimada

[Unicode Transcript]

Diante do complexo [que eu destruí por inteiro] eu notei, pela primeira vez, o amplo cenário desse pedaço de terra.

Os equipamentos de processamento de dados, apesar da limitação e lentidão, forneceram informações satisfatórias sobre a região e sobre o complexo. Eu fiquei intrigado e curioso com o espaço na planta onde tem anotado “estacionamento”. Efetivamente, este é uma instalação peculiar, começando pelo amplo espaço e marcas que delimitam fronteiras nas quais os veículos primitivos dessas criaturas rústicas restam silenciosas. As áreas possuem solo diferenciado daquele que eu encontrei dentro do complexo. Em volta notei diversas unidades de flora que eu suponho não serem naturais, mas cultivadas por algum senso de estética. O solo do “estacionamento” não é composto nem de gramínea nem de pedras, mas por um tipo de composto contendo derivado de fóssil orgânico [que as criaturas chamam de “petróleo”].

Eu dediquei alguns ciclos para analisar os veículos que essas criaturas utilizam para deslocarem-se por longas distâncias planas. Os veículos são movidos por unidades de tração [chamadas de “motor”] empoderadas por combustível [também derivado de “petróleo”] e deslocam-se sobre quatro dísticos [chamados de “rodas”] cobertos por algum tipo de emulsão [que também provem de algum derivado de “petróleo”]. Eu detectei sinais de sistemas elétricos e computadorizados, igualmente precários, mas nenhum dispositivo de ataque ou defesa, somente configurações internas que visam o conforto do usuário e diversas distinções de modelos, cores e tamanhos.

O “estacionamento” tinha conexão com o exterior do complexo, algum tipo de caminho linear [chamado de “rua” ou “estrada”] que se estende e provavelmente conecta-se com outros caminhos lineares e complexos. Para aperfeiçoar e maximizar meu deslocamento por esse tipo de solo [artificial] eu consegui adaptar ao meu tronco biológico seis organismos deslocadores que eu assimilei [emprestei] dos artrópodes locais. Pela localização geográfica que eu obtive dos “computadores”, eu segui a rota para o complexo urbano mais próximo, desfrutando da reação, espanto e medo que essas criaturas exprimiam dentro dos veículos delas.

Durante o percurso eu notei outro veículo, movendo-se no firmamento, com aparência semelhante às aves locais. Pela forma como se deslocava, eu suponho que também seja potencializado por algum tipo de “motor” alimentado por algum tipo de combustível derivado do “petróleo”. Uma forma bastante primitiva e limitada de atravessar o espaço aéreo, baseado unicamente na potência do “motor” e de rudimentos de aerodinâmica.

Subitamente, outro tipo de veículo aéreo passou pela área, sendo posteriormente acompanhado por outros tipos de veículos terrestres. Pela configuração [e informações coletadas], este deve ser algum destacamento militar que veio [enviado pelos governantes locais] para enfrentar-me [capturar ou destruir a minha existência]. O veículo aéreo retornou e fez os primeiros disparos de suas armas primitivas. Os projeteis fazem bastante barulho e fumaça, conforme explodem e emanam calor. Em seguida, os veículos terrestres fazem os disparos com os projéteis que carregam e, tal como na primeira experiência com esse tipo de armamento, apenas provocam cócegas.

O destacamento militar recuou [escolha sábia] e eu percebi que essas criaturas possuem projéteis de longo alcance. Eu cheguei a estimar que possuíssem algum poder de destruição considerável, mas o efeito desses projéteis de longo alcance somente causam impactos no cenário. Minhas habilidades não estão completamente restabelecidas, de forma que eu terei que apelar para força bruta. Unidades que não foram rápidas o suficiente [ou os condutores subestimaram
minha velocidade] foram facilmente trituradas [junto com seus ocupantes]. Essas criaturas ainda não desenvolveram o aparato militar o suficiente para elaborar uma blindagem mais eficiente.

Eu imaginei que aquilo era o máximo que tinham a oferecer. Eu tenho que admitir que essas criaturas são engenhosas, dentro da limitação que possuem. Após a debandada do destacamento militar, vieram outras criaturas, semelhantes a estas, mas de constituição e natureza diferentes, embora portassem algum tipo de uniforme. Eu estimei que fosse algum tipo de destacamento militar de elite, de certa forma eu [quase] admirei a disposição [e habilidades] destas criaturas, mas invariavelmente foram dizimadas pelos meus tentáculos.

Após esta heroica [patética?] tentativa, eu cheguei sem outros obstáculos até o centro urbano mais próximo onde, na entrada, eu notei com curiosidade a placa onde eu vi escrito “Aberdeen, Utah” escrito em Gorgoniano. Tirando a presença [incômoda] das criaturas inferiores, eu senti a presença de alguém [uma existência] cuja assinatura energética é bem próxima da minha gente. Isso fazia sentido e era intrigante. Aparentemente esse complexo urbano cresceu em torno de outra estrutura que me é bastante familiar. Seria possível que essas criaturas conseguiram capturar algum ser cósmico ou foram adotadas, colonizadas por um? Isso precisa ser investigado.

Eu cheguei na parte mais extrema e erma desse complexo urbano, onde extensa área está claramente separada do entorno por monólitos na arquitetura típica de Ryleh e com gravações características de Kadath. Dominando no centro dessa construção familiar eu vejo o pináculo ou colunata que eu conheci em Ogdoen, confirmando que esta propriedade pertence a uma existência cósmica.

– Noga nafle ililenah. Mogahe ahagil ymege iah. [original]

Eu mal pude acreditar em meus olhos [todos os oito]. Dois indivíduos estão diante de mim e um sabe [e consegue] falar a Língua. Evidente que somente a aparência é humana. Criaturas primitivas são facilmente enganadas [iludidas] pela aparência. O indivíduo que emite [telepaticamente] a comunicação através da Língua assume uma configuração feminina, que deve ser a líder, enquanto o outro [certamente o capanga, o guarda- costas] tem configuração masculina. Em ambos eu detecto com facilidade as assinaturas energéticas cósmicas.

– Perdoe meus maus modos. Eu não pretendia invadir sua propriedade.

– De onde vem? Para onde vai?

– Minha origem é de Nous. Para lá eu quero voltar.

– De… Nous? Nossa… a memória que eu compartilho com Angara trouxe-me memórias saudosas. Qual seu nome? Como e quando chegou aqui?

– Meu nome é Staubmann [alcunha]. Eu “cheguei” aqui depois que eu fui arremessado, por conta da Guerra dos Deuses. E o nome de vocês?

– Eu sou Abigail Redherring [reverência] e este é Enzo Vergessen.

Nós três tivemos agradável conversação. Eu envio esta mensagem para o caso de ainda ter algum sobrevivente em Nous. Este pedaço de terra é conhecido como Gaia e aqui Anu [dos Deuses Antigos] veio para fundar uma colônia, então certamente devem ter mais de nós perdidos entre essas criaturas inferiores. Eu e meus novos amigos tentaremos encontrar e reunir o máximo possível para, então, voltarmos para casa. Fim do relatório.

A liberdade é superestimada

Arquivo MIB.

Registro Classificado.

Instituto Prometeu.

Localização Ignorada. Dados censurados.

Trata-se do achado biorgânico desconhecido e indefinido, desvendado durante a necropsia de um espécime Orcinus Orca. Este indivíduo foi capturado pela Equipe Jaques Custeau após diversos alarmes vindo de oficiais, tanto de veículos náuticos comerciais quanto militares, sobre o comportamento incomum.

Registro comprometido. Testemunhos e gravações compilados como de alto segredo.

Fim do registro.

[Unicode Transcript]

Este é meu primeiro registro enviado, no caso de ainda ter alguém em Nous.

Eu não espero ter retorno, pois eu parto do pressuposto que o Caos deu lugar à Ordem. Mas eu tenho certeza de que restaram sobreviventes e deve existir alguma resistência organizada.

Eu estou escrevendo para vocês para saber que eu [indecifrável] despertei na terceira formação do nono sistema solar na região de Pégaso, quadrante Beta da galáxia de Aziluth. Digo despertar porque eu admito que adormeci após minha chegada nesse minúsculo pedaço de terra. A atmosfera tinha outros componentes [metano, amônia, nitrito, vapor de água e dióxido de carbono] que surtiram efeito narcoléptico em minha estrutura orgânica. A atmosfera atual é composta de nitrogênio, oxigênio, argônio e gás carbônico. Para meus componentes biológicos, a temperatura está mais agradável do que a que encontrei anteriormente, embora isso seja irrelevante.

Minhas memórias estão confusas e desorganizadas, a imagem mais recente que eu posso anotar é o de ver a princesa sendo gravemente atingida. Mesmo correndo o risco de ter que enfrentar corte marcial, eu estimo que Vossa Majestade esteja saudável e segura. Minha adaptação ao ambiente local está sendo bem sucedida. A assimilação de formas biológicas locais é imediata, visto que são formas de carbono primitivas. O que é interessante de notar é esta espécie que eu encontrei “ao acaso”, quando o corpo do meu hospedeiro foi capturado.

Seres realmente peculiares, eu devo dizer. A considerar a forma como lideram com o corpo do meu ultimo hospedeiro, eu não os considero predadores. O indivíduo mais próximo emitiu algum tipo de som, enquanto os demais da espécie focaram seus sensores visuais em mim. Eu não estava mais em um ambiente natural, mas em um artificial, provavelmente construído por estas criaturas, algo que eu irei investigar posteriormente. Eu suponho que estas criaturas sejam rusticamente inteligentes, a considerar a forma como se organizam, algo visível pela forma como se distinguem entre si pelos trajes que usam. Conforme o Protocolo Deluriano, eu tentei proceder com alguma comunicação básica com as criaturas que me cercavam, utilizando linguagem telepática, mas a experiência resultou em enorme fracasso e muita cefaleia.

Daquelas curiosas criaturas, teve aquela que apontou alguma coisa em minha direção, conforme segurava algum objeto no organismo preênsil. Eu tentei proceder com o Protocolo Deluriano, tentando estabelecer comunicação pelo padrão Kish-Voor-Koth e esta criatura acionou o objeto que tinha em mãos que projetou algo em minha direção, eu presumo, com intenção de me ferir, me deter, ou me matar. Estas criaturas não sabem, não conhecem ou não seguem a Diretriz Galáctica. O Protocolo Deluriano autoriza, em casos assim, a autodefesa, mas a composição dessas criaturas é surpreendentemente frágil, eu consegui esmagar aquela criatura, sem muito esforço, com um de meus tentáculos.

As criaturas entraram em pânico [mais um indicio de que são rusticamente inteligentes], abandonaram a formação de grupo, agiram de forma individual, por instinto, utilizaram os organismos de deslocação [apenas dois pares! Isso pede mais investigação!] e sumiram por detrás do objeto que encerra o local no qual eu me encontro encarcerado. Eu considerei isso vantajoso, pois as leituras mentais fragmentadas [ruído] estavam piorando minha dor de cabeça. Eu passei, então, para o capítulo do Protocolo Deluriano sobre aprisionamento.

Minhas capacidades não estão inteiramente funcionais, mas eu pude perceber que este cubículo é parte de um complexo maior. Por alguns instantes eu acreditei estar dentro de uma estrutura feita por Formorianos, famosos por seus labirintos e por seus intrigantes testes de inteligência, mas o material é bastante primitivo [mais indícios de que lido com criaturas rusticamente inteligentes] e cujas falhas são facilmente detectáveis. Intrigado e curioso sobre estas criaturas, a minha decisão foi a de sair do cubículo e explorar o complexo.

O objeto que encerra o cubículo é de tal simplicidade para destravar [ou arrombar] que causaria vergonha a um Formoriano. Passando este obstáculo, eu me deparo com este longo corredor e dois grupos idênticos destas criaturas, com trajes e objetos parecidos com aquela criatura que eu esmaguei. Eu sabia que nenhum tipo de comunicação seria viável, essas criaturas aparentemente só entendem violência. O grupo acionou os objetos, que projetaram inúmeras cargas [que eu detectei serem constituídas de chumbo], algo que deve ser efetivo mais pelo impulso do que pelo material, mas que nas minhas partes orgânicas [impacto sentido], somente causam cócegas. Não foi divertido esmagar mais alguns desses insetos.

As criaturas acionaram dispositivos contendo luzes e sons, as demais passagens foram fechadas. Eu quase tenho dó deles por tal esforço. Mesmo os objetos mais espessos possuíam travas mecânicas ou elétricas, elementos suscetíveis à minha influência, mas para dar mais sabor ao medo, pavor, desespero, eu gosto de usar a força bruta.

Livre da presença dos insetos, eu posso calmamente analisar os demais equipamentos do complexo. Surpreendentemente essas criaturas a despeito da inteligência rustica conseguiram produzir tecnologia, ainda que de forma precária, limitada e lenta. Eu devo ter gasto cem ciclos para completar a assimilação da parca informação contida na rede local e fiquei entusiasmado com as possibilidades remotas, considerando a rede mundial desses aparelhos conectados. Com alguma dose de otimismo isto [a rede mundial de “computadores”] deve chegar a dez RAM da Mente. Não é muito, mas é o que eu tenho.

Com as informações colhidas, eu espero conseguir encontrar os recursos para voltar para casa. Se ainda houver casa, se vocês ainda estiverem existentes. Eu prevejo que terei mais surpresas e obstáculos. Diante do complexo [que eu destruí por inteiro] eu notei, pela primeira vez, o amplo cenário desse pedaço de terra. Eu estou ansioso e animado com o que eu irei encontrar pela frente. Fim do registro.

Atlântida=Antártica

Ah… férias… descanso… cerveja… churrasco… mulher…

Infelizmente a folga acabou. Eu voltei inspirado e eu vou escrever duas estórias que, eventualmente, podem se mesclar.

Enfim, vamos comigo até a região da Micronésia, mais especificamente o Arquipélago das Ilhas Marshall. Os nativos [polinésios, malaios] estavam reunidos na praia discutindo animosamente sobre o que os “brancos” [colonizadores, ocidentais] falam sobre crer ou descrer em Deus.

– Senhores do Nitijela, nós recebemos os estrangeiros com a mesma hospitalidade que nossas tradições nos ensinaram. Os espanhóis nos ensinaram sobre Dios, os ingleses nos ensinaram sobre God, os japoneses nos ensinaram sobre Kami, os alemães nos ensinaram sobre Gott. Nós não podemos assimiliar e sintetizar tudo dentro da noção que nossos ancestrais tinham sobre Katalu?

– Não, senhor Iroji. Depois que vieram os americanos, nós estamos discutindo se realmente existe algum ser supremo espiritual.

– O quê? Marubijo, você não pode estar falando sério. Qualquer um pode ver os sinais deixados pelos Deuses em todas as ilhas que nos são vizinhas.

– Eu tenho que discordar respeitosamente, senhor Iroji. Eu tive o privilégio de estudar na Universidade do Havaí e lá não há “sinais dos Deuses”, mas formações geológicas.

– Você também, Ramone? Vocês, jovens, são muito influenciáveis, aceitam de bom grado tudo o que os “brancos” dizem e estão matando nossa cultura e tradições.

– Ora, senhor Iroji, como nosso presidente não deveria dar o exemplo e usar os sarongues típicos da região, ao invés dos ternos ocidentais?

– Ah, por favor! Foi isso que te ensinaram na faculdade? A roupa que eu visto não altera a minha origem. Mas adotar essa concepção estrangeira descrente da existência dos Deuses é negar nossas origens.

– Senhor Iroji, sejamos práticos. Olhar para pedras e dizer que são sinais dos Deuses não é lógico nem racional. Eu não vejo sinais dos Deuses, então não há evidência alguma, portanto, não há porque considerar que existem. Nós podemos muito bem seguir nossas vidas como sempre, sem necessidade de acreditar nos Deuses. O que pode acontecer? Por acaso os Deuses vão nos castigar? O sol vai cair no mar, como os anciãos dizem?

Cena congelada. Vamos voltar algumas semanas antes. Base naval dos EUA, no Havaí. A Terceira Frota aciona as bandeiras e buzinas, avisando de sua aproximação. No cais, oficiais e soldados estão visivelmente apreensivos.

– Major Nelson, é na USS Frontier que está o Big Fat?

– Sim, major Healey. O Alto Comando nos mandou esse “bebê” para testarmos.

– Mas onde nós vamos soltar essa bomba?

– No atol de Bikini.

Voltemos para a cena congelada. Enquanto os parlamentares das Ilhas Marshall argumentam e retrucam ao presidente, ele percebe algo brilhando no horizonte, provavelmente mais um avião americano, mas algo parece sair e cair em direção ao horizonte. Alguns segundos depois, ele vê o sol literalmente aparecer no meio do firmamento e “cair” no mar. O brilho repentino chamou a atenção dos parlamentares que, boquiabertos, abjuraram da “descrença estrangeira”, clamando pelo perdão de Katalu.

Voltemos para o Havaí e a Terceira Frota. O major Nelson tentam explicar ao Alto Comando a ocorrência extravagante. Um “pequeno detalhe”, alguns soldados diriam, mas Big Fat ainda estava no hangar da base dos EUA no Havaí.

– Mais uma vez, major Nelson. O Big Fat ainda está aí.

– Sim, senhores generais Peterson.

– Mas os sensores e radares confirmam que aconteceu a explosão no atol de Bikini.

– Perfeitamente, senhor.

– Então, pelos bigodes de Truman, o que nós explodimos ali?

– Isso que nós estamos averiguando, senhor. Trata-se de uma Bomba H, sem dúvida, mas os efeitos são completamente desconhecidos.

– Com licença, senhor, eu acho que nós temos o resultado da Inteligência.

– Prossiga, major Healey.

– Ao que tudo indica, a bomba que nós detonamos é um apetrecho colocado no lugar do Big Fat. Segundo os pilotos do B52, essa bomba tinha uma estranha pintura rosada, branca e dourada. A Inteligência descobriu e determinou que esse foi um ato de sabotagem dos Doze Macacos. Senhor… eu não sei como falar isso… a bomba que nós detonamos é uma Bomba H, mas esse não é de Bomba de Hidrogênio, mas Bomba Hentai.

Pano rápido. Eu vou deixar essa ideia aqui para aproveitar posteriormente.

O que nos serve, no presente momento, é que a Bomba H e seus “efeitos desconhecidos” chegaram até a Antártica. Não me perguntem como, eu apenas redijo o que eu vejo. No meio do gelo ártico, uma fissura se abre e racha um ovo, que está lá desde a Era do Imbrico. Novamente, não me perguntem, eu só redijo.

A frágil e pequena criatura chamou a atenção de um pinguim, sendo engolido em uma única bicada. Subitamente aquele pinguim passou a atacar desenfreadamente a colônia, matando vários de seus irmãos e irmãs, chegando a comer daquelas carnes. Todo aquele sangue atraiu a atenção de uma foca que atacou e comeu os pinguins sobreviventes, mais o “possuído”. Inexplicavelmente essa foca adquiriu o mesmo “comportamento psicopata”, seus irmãos e irmãs não entenderam quando este começou a atacar, matar e comer dos seus. Ato contínuo, [e isso está começando a ficar repetitivo], uma orca vem, ataca e come o restante das focas, incluindo o “possuído” e passou a apresentar o mesmo comportamento, etecetera e tal.

O leitor deve estar pensando: seja qual for a causa, chegou no ápice da cadeia alimentar. Ledo engano, leitor, ainda tem o pior e mais cruel animal: o ser humano. A orca foi capturada e levada para algum laboratório, para ser estudada, analisada. A equipe, consistindo de baleeiros [nota: orca é parente dos golfinhos], oceanógrafos e biógrafos, não hesitaram um segundo sequer para cortar e abrir a orca em busca de possíveis causas do comportamento.

– Ah! Um monstro!

A estagiária, que foi mais escolhida por seus dotes físicos do que por seus talentos acadêmicos, recuou e apontou, apavorada, para algo que parecia entranhado na carcaça da orca. Os doutores descartaram daquilo se tratar de um feto, pois o espécime era macho e, ainda que fosse fêmea, a posição da estranha forma de vida não estava onde normalmente ficam os fetos.

Nosso “pequeno” intruso precisa de um nome. Eu escolhi Staubmann. Agora que ele [eu suponho que seja macho] recebeu um nome, eu posso relatar sues pensamentos e sensações.

[Unicode transcript]

Saudações, humanos. Eu pertenço a uma espécie interdimensional. De eras que antecedem a formação do universo que vocês conhecem. Eu pertenço a uma das inúmeras famílias e tribos que juraram aliança e lealdade ao Caos. Quando a Batalha dos Deuses [esse termo está certo, escriba?] começou, eu estava do lado da facção do Caos, lutando contra os Deuses da Terceira Geração, que lutavam pela facção da Ordem.

Nosso conhecimento e tecnologia são avançados demais para suas limitadas compreensões, então para vocês, primatas pelados, eu devo aceitar a sugestão do escriba e definir que nossa arma era magia. Eu vi muitos de meus amigos, familiares e parentes serem atingidos pela magia dos Deuses, mas eu confesso que me refugiei em uma capsula de fuga [que vocês, erroneamente, chamam de “ovo”] quando eu experimentei a terrível dor de ver a minha mais amada [e desejada] princesa sendo gravemente atingida.

Esses relatos que vocês, em sua prepotência, arrogância e presunção, chamam de mitos e lendas dizem, mais ou menos, o que aconteceu. Os Deuses da Ordem venceram [temporariamente, eu lhes garanto] e eu acabei caindo nesse miserável pedaço de rocha que vocês chamam de Terra.

O ambiente que aqui eu encontrei, nada confortável, contribuiu para que eu entrasse em hibernação, então eu simplesmente dormi até esse momento. Eu achei bastante peculiar meu despertar, rapidamente a fauna local proveu-me dos nutrientes e informações básicas que eu iria precisar para interagir com esse mundo.

Eu entendo que minha aparência é incomum, para seus padrões e conhecimentos limitados quanto à formas de vida, então eu não ficarei ofendido quando me chamarem de “monstro”. Quando vocês abriram o meu hospedeiro, em segundos, a partir das informações básicas disponíveis, eu consegui determinar que aquele não era um ambiente natural [mas artificial] e, a considerar a forma como lidavam com a carcaça de meu hospedeiro, eu estimei que vocês não eram predadores. Suas maneiras primitivas de expressão são intrigantes, eu não entendo isso que vocês chamam de “medo” e minhas tentativas de comunicação por telepatia [forma comum de comunicação entre cetáceos] resultou em uma terrível dor de cabeça.

[fim da transcrição]

Eu vou deixar como está, porque não tenho a menor ideia de como continuar. O conceito é o de colocar esse semideus como uma entidade mais honesta, leal, sincera e confiável do que qualquer ser humano. Então eu vou “acidentalmente” tira-lo do laboratório e deixa-lo livre para ir onde quiser.

A Encenação da Tentação

[ATENÇÃO! NSFW!]

Personagens:

Escriba [este que vos fala]

Satan

Cristo

Lilith [Lilu, Lilitu]

Localidade:

Mar Morto

O espírito feminino estava reunido com seu povo, os inúmeros espíritos que habitam o vento e os locais ermos, desolados e em ruinas quando, cansada de esperar, expressou seu lamento para que fosse ouvido por um servo dos Deuses.

– Ah, mas que embaraço. Desde que eu parti de Edin, desde que eu decretei minha liberdade de minha senhora [Ereskigal], desde que eu, como bom espectro feminino, fui expulsa da árvore Huluppu pelo herói Gilgamesh [por conta e pedido de
Ishtar], eu tenho clamado e esperado pelo Emissário dos Deuses que nos ajudaria a receber corpo [nascendo/encarnando] humano.

Asas farfalharam, das nuvens desceu um anakim [tipo de anjo] que veio confrontar aquela que uma vez foi conhecida como a Primeira Mulher.

– Lilu, Lillitu, descendente de Layla e Nahema, seus dias de sedutora estão contados.

Lilu riu muito da pequena figura. Essas criaturas aladas, remanescentes de Egregoris, povos que serviam aos Deuses das Estrelas, tinham descido muito em sua antiga honra ao jurarem servir ao pequeno, inseguro e ciumento Jeová, o mais feio dos Elohim.

– Seu mestre te mandou aqui? Mesmo sabendo que eu me libertei dele há tempos? Melhor correr, mísero anakim, pois o dia está acabando, com a noite se inicia o sábado e você sabe como seu mestre é capcioso e rigoroso na guarda do sábado.

– Está avisada, demônio da luxúria, perdição dos homens! Breve virá aquele que irá salvar a humanidade do pecado e irá lançar seu mestre na prisão do Inferno!

O som de trombeta vindo da região de Ebrom faz o anakim mudar de expressão. O pequeno anjo, apreensivo, esquece a pose de indignação e parte, abrindo com vigor suas asas, para voltar ao templo construído pelo Rei Sábio, um lugar sagrado peculiarmente construído para servir de santuário para a Asherat, não para Jeová.

Quando o pequeno anjo está longe, Lilitu também muda sua expressão, de alegre e desafiante, para triste e receosa. Houve um tempo em que ela estava nessa mesma condição e não gosta de lembrar-se desse passado e do que teve que fazer para poder viver e ser o que decidisse ser.

Helios vai cedendo seu lugar no Jardim de Urano para Selene. Helios está no Portal do Oeste quando os espíritos começam a ficar agitados. Lilitu ouve o ronco de sua barriga, indicando que a hora está chegando. Lilitu veste sua forma de coruja [sua favorita] e abrindo suas belas asas, sobe como se fosse beijar e saudar Selene. Dali de cima, roçando as nuvens, Lilitu consegue observar toda a região, desde Samaria até Edom. Há algum tempo a frequência de caravanas e viajantes têm escasseado, mas sempre existem os inocentes, ingênuos e descrentes que ignoram os avisos e acabam passando pelas estradas assombradas. Lilitu consegue encontrar uma presa, mas é inevitável pensar, imaginar e até mesmo desejar que seja este o Messias prometido.

Lilu faz a entrada que está acostumada, triunfal, dramática, diante do homenzinho. Normalmente as reações são primeiro de medo, depois vem a reação, ora de fuga, ora de enfrentamento. Isso não importa muito no processo, como predador, Lilu gosta que suas presas entrem em desespero, o cheiro que aqueles pequenos corpos exalam, enquanto proferem encantos ou desembainham espadas só faz seu sangue acelerar, sua fome aumentar e, certamente, essas carnes ficam com gosto e tempero melhores.

– Saudações, Espectro Noturno, Flagelo da Noite, Rainha dos Súcubos.

– Você… me conhece… homenzinho?

– Evidente que sim, Primeira Mulher. Eu não seria quem eu sou se não te conhecesse. Impossível alguém entrar e perambular pelo Vale da Morte sem ouvir ou saber de tua saga.

Lilu observa, atônita, intrigada e desconfiada, o homenzinho. Com os dedos de sua mão segurando o queixo, Lilu avalia e pensa como lidar com essa situação inusitada quando seu estomago ruge feito leão.

– Dama da Noite, você está com fome. Permita-me sacia-la.

– Homenzinho… você está se oferecendo… voluntariamente… para ser devorado por mim?

– Sim, eu estou. Eu me sinto extremamente honrado e lisonjeado, seu você se servir de meu corpo para se alimentar.

Lilu pisca três vezes, pasma e surpresa com tal declaração, mas a fome aperta, então dá de ombros, pula em cima do homenzinho [como está acostumada] e, com o meneio de uma mão, faz as vestes do homenzinho em pedaços.

– Mas… pelo Dragão Primordial… o que é isso?

– Isso? Só a minha parte masculina tendo uma ereção.

Lilu franze a testa. Evidente que ela sabe o que é aquilo e porque está duro e rijo como rocha. Mas aquilo não pode ser normal, natural. Lilu observa com atenção e detalhe. Coisa assim tão grande, grossa e poderosa assim ela só tinha visto entre dragões e seres superiores.

– Homenzinho, por acaso isso é algum truque ou magia?

– Não, Donzela de Ereskigal. Esse é o meu membro em estado natural.

Isso é realmente incomum. O homenzinho sabe mesmo sobre ela. Mas quem é esse homenzinho? Lilu, distraída em pensamentos, instintivamente começa a manipular o obelisco. O homenzinho se debate, treme, geme. Esse jogo Lilu conhece e gosta mais.

– Impressionante, eu admito, mas parece que você está em seu limite, homenzinho.

– Isso [ah] não importa, [ah] é irrelevante, [ah] sirva-se do meu corpo [ah] como bem quiser ah].

Cruel e impiedosa, Lilu manuseia aquele poste vigorosamente até, enfim, aquilo se tornar um gêiser, expelindo e jorrando aquele líquido quente, esbranquiçado e gelatinoso, em volume considerável. O sêmen se espalha em volta, na forma de gotas de diversos tamanhos. Satisfeita, Lilu colhe com a língua essa chuva esbranquiçada, lambe de seu rosto ou lambe de seus dedos.

– Definitivamente impressionante, homenzinho. Eu chego a considerar a possibilidade de guarda-lo como meu animal de estimação.

[resfolegando]- Minha senhora… não há algo mais que eu possa te servir?

Lilu pisca três vezes. Esse homenzinho não é normal. Geralmente os “filhos de Anu” desfalecem ou morrem após o processo. Que este ainda esteja consciente é impossível e improvável. Então Lilu se dá conta de que aquele enorme pedaço de músculo ainda estava ereto, duro e rijo.

– Ma… mas… o que significa isso?

– Minha senhora, permita-me saciar sua fome.

Lilu tenta raciocinar, entender, mas seu estômago ronca, em protesto. Ela não é de desperdiçar um bom prato, então comer é apenas parte da diversão.

– Muito bem, homenzinho. Eu atenderei seu desejo. Vamos ver o que será de você, depois que eu cuidar de seu instrumento com meus seios e lábios.

O coitado faz o que está em seu alcance, resiste da forma que pode. Lilu começa a ficar realmente impressionada com o homenzinho. Notável, definitivamente, pois o objeto parece ter ficado ainda maior, mais duro, mais rijo. Isso até seria interessante, mas Lilu começa a ficar incomodada, pois seu corpo está começando a se comportar de forma estranha. Isso é algo inaceitável entre os predadores. Quem tem que “sentir” algo é a presa. O predador apenas tem que saborear a vitória e o sangue advindo do triunfo. Esse homenzinho deve ter algum segredo, alguma forma de magia. Intelectualizar a experiência fica complicado enquanto sua mente luta contra o corpo, cada vez mais quente, cada vez mais amolecido, cada vez mais excitado.

Lilu não quer admitir, mas ela está perigosamente próxima do limite. Seus seios estão felizes e contentes por sentir aquele volume enorme e quente entre eles. Seus lábios e sua língua indicam que sua boca está começando a ficar viciada em gostar de chupar este trabuco. Então vem a contração e o jorro enche com força e volume suas bochechas, por pouco ela não se engasga e se afoga com aquela enorme emissão de sêmen. Lilu foi pega de surpresa, ela tenta raciocinar, tenta rejeitar que uma criatura tão ínfima pode ter conseguido, pela segunda vez, ejacular tamanha quantidade de sua essência vital.

[engasga, cospe, respira]- Homenzinho… eu exijo saber como você consegue tal façanha. Isso não é normal nem natural de sua gente. Você tem que ter algum segredo, alguma magia escondida.

[arfando]- Minha senhora… eu só sei que eu sou assim desde que eu nasci. Não há algo mais que eu possa te servir?

Lilu custa a crer no que ouve. Mesmo usando as artes de sua gente, Lilu não detecta qualquer sinal ou marca de nascença que possa indicar que esse homenzinho possa carregar alguma benção ou sangue divino. Não existe nenhum tipo de arte mágica humana capaz de tal prodígio. Seria possível que aquele homenzinho tenha conseguido e chegado a tal ponto por amor? Quando se dá por si, Lilu percebe surpresa que o membro ainda estava lá, ereto, duro, rijo.

– Pelo Dragão Primordial, homenzinho… você é algum Deus?

– Não, minha senhora, eu sou a penas seu humilde servo.

Lilu mordisca os lábios. Ela não consegue mais raciocinar direito, sua mente e sua consciência estão se desmanchando. Faz muito tempo que ela não sentia isso. A primeira vez foi quando ela tinha sido separada do seu “outro eu”. A primeira coisa que sentiu foi essa enorme e terrível sensação de vazio, algo que ela tinha necessidade de preencher e foi seu irmão gêmeo a sua primeira presa. Essa fome que sempre a acompanhou desde então. Evidente que seu irmão gêmeo, o “filhinho do papai”, o “preferido e protegido” foi afastado dela e ela, depois de desenvolvida sua natureza própria, rebelou-se e foi procurar refúgio entre outros seres que não os que habitavam Edin. Livre e liberta das amarras, das correntes, do “pai” superprotetor, daquela gaiola dourada, Lilu encantou-se e deslumbrou-se com a imensidade do que existia além de Edin. Ela conheceu inúmeros outros seres, carnais, espirituais e divinos, até que ela teve a segunda vez, com Samael, chamado Sol Negro, que tinha largado sua posição como arcanjo apenas para ficar com ela. Ficaram unidos por muito tempo, debaixo da benção de Leviatã, por quem a fez conhecer o Dragão Primordial. Então ela teve sua terceira vez com o Antigo, o Consorte da Deusa Serpente e ela achou que fosse derreter, sumir, desaparecer.

– Muito bem, homenzinho. Eu te aceito como meu servo. Seja um bom servo e sirva sua senhora. Eu te ordeno que penetre minhas entranhas com esse seu monstro e não ouse parar enquanto não despejar toda sua essência dentro de meu ventre.

Esta não era uma situação normal, este não era um homenzinho normal. Meio sem graça e sem jeito, Lilu rolou para o lado e deitou-se de costa para o chão, puxando o homenzinho para cima dela e entre suas coxas. Por alguns segundos ela pensou, quase arrependida, por ter abandonado sua postura de predador e aceitando a posição de presa. Esse tipo de postura, submissa, foi o que mais a incomodou enquanto vivia no Edin. Mas tudo pensamento se dissipou assim que aquilo começou a forçar sua entrada entre suas entranhas. Dor… como isso é possível? Até parece sua primeira vez! Ah! A sensação de ser invadida! Essa sensação terrível de que aquilo não vai caber, que é impossível aquilo tudo entrar, o medo de ser rasgada em duas. E então… ah… e então… aquilo começa a se mover… as entranhas sendo reviradas… o corpo começa a agir por conta própria… a mente e a consciência se apagando… a incrível e inexplicável sensação de prazer e êxtase tornando tudo aquilo irrelevante. E então… ah… e então… o limite é ultrapassado, acontece o choque, o estertor, algo flui, tanto dela quanto do homenzinho e.. ah… a sensação agradável e confortável de sentir o ventre sendo inundado por enormes vagas de sêmen que vão esguichando, pulsando, vigorosamente, dentro dela.

Lilu está a beira de perder completamente a consciência. Ela mal consegue mexer seu corpo. O pouco de consciência que lhe resta se concentra em tentar respirar, mas tanto o fôlego quando o sangue estão acelerados. Parece que o corpo está sendo cozido ou fritado, de tão quente e mole que está. Lilu consegue enxergar [embora com a visão embaçada] que o homenzinho está nocauteado, vencido, derrotado, com aquele negócio murcho, embora ainda escorrendo o resto de sêmen pelo chão. Nocauteado? Vencido? Derrotado? Nesse tipo de “luta” não há vencidos ou vencedores. Lilu pode dormir tranquila e sossegada, completamente satisfeita e com seu ventre recheado.

Helios trafega pelos domínios de Urano em sua carruagem, avista o Portal do Leste e acena para Vênus, sua prima [irmã?] que acena de volta, saudando o início de mais um turno de Helios em torno de Gaia. Helios atravessa o portal, situado entre a Ásia e a Europa e avista Lilu, deitada completamente nua e coberta de sêmen, algo que perturba Helios a tal ponto que quase o fez perder as rédeas de seus cavalos. Ele se promete, quando tirar férias, de que vai visitar a Princesa dos Rebeldes.

Helios está na terceira hora quando Lilu acorda, incomodada por sentir que algo ou alguém esta fazendo sombra. Preguiçosa, abre os olhos lentamente e põe a mão na frente do rosto para encobrir os olhos do brilho do sol. A figura parece com um arcanjo, mas ela não reconhece a fisionomia.

– Espírito Noturno da Luxúria e da Lascívia, eu espero não estar te interrompendo nem te incomodando.

– Quem é você? Um dos cachorrinhos de Jeová?

– Bom… eh… sim e não. Eu sou Satan, de certa forma, eu sou… eu fui… a Sombra de Jeová, até que, por enigma além da compreensão, eu me vi sendo tutelado por Loki e empreendi uma aventura com essa criatura humana ao seu lado.

Lilu pisca três vezes para só então lembrar de que passou a noite acompanhada de um ínfimo ser humano. Estranhou por sentir preocupação e estranhou mais ainda por ter ficado aliviada ao vê-lo dormindo tranquilamente.

– Bem que eu desconfiei que esse homenzinho deveria ter algum segredo. Isso fica para depois. Eu sinto [instinto demoníaco] que isso será explicado fortuitamente. Eu imagino que sua visita não é cortesia.

– Eh… não dessa vez. Mas eu prometo que venho em circunstância mais agradável vir te visitar. Eu estou aqui com um problema que você pode me ajudar a resolver.

– Manda ver.

– Hã?

– Força de expressão. Diga seu problema.

– Eu não queria, mas uma certa pessoa… eh… muito importante para mim… me pediu para tentar o Emissário dos Deuses.

Lilu levantou-se com agilidade, ignorando [ou fingindo ignorar] que Satan tinha citado ter alguém importante para ele, provocando agitação em seus seios, cuja movimentação foi avidamente acompanhada por Satan. Uma visão difícil de avistar sem que se perca o foco ou o pensamento.

– Até que enfim! Ele virá! O Emissário dos Deuses!

– Eehh… [tentando conter a excitação] na verdade é ela. Poderia me fazer o favor de traze-la até a mim?

– Ela? Hum… [pensativa] eu não esperava por isso. Ah! Ideia! Eu posso levar meu servo comigo! Ele pode me ajudar nessa tarefa.

– Hã? Ah… sim… você pode levar o humano, o escriba.

Lilu estapeou o homenzinho, o escriba [ai!] até ele acordar. [ei, eu estou acrodado!] Fez um desjejum rápido [sangue e tripas… delícia] e começou a trotar, com alegria e felicidade, pelas estradas que seguem até Bethlehem, deixando todos as criaturas masculinas alucinadas com o balanço de seus seios e nádegas.

– Puxa! Como cresceu essa vilazinha! Vejamos… onde nós podemos encontrar a Emissária dos Deuses? Ah! Ideia! Escriba, vá perguntar ao legionário!

Obediente, eu fui, mas com os eventos que estavam ocorrendo, o legionário [como alguns oficiais da Polícia Militar, nos dias de hoje] não gostou da pergunta, não queria responder e achou suspeita a minha curiosidade, considerou-me um delinquente e eu comecei a apanhar [ai!].

– Legionário, porque age com ódio e violência contra o teu próximo?

O legionário parou de me bater, olhou na direção de onde vinha a voz [delicada, suave, perfumada] e eu pude ver a figura daquela jovem mulher. O legionário me largou na hora [ai!] e foi se ajoelhar e pedir perdão para aquela jovem mulher. Ver aquele homem musculoso de dois metros dobrado feito bambu aos pés daquela jovem mulher mostra que a força física é pequena diante da força espiritual. Lilu veio e se aproximou na ponta dos pés, toda esfuziante.

– Oizinho. Você que é a Emissária dos Deuses?

– Saudações, Primeira Mulher. Foste enviada para me seduzir?

– Ah, não, eu não poderia fazer isso… ou poderia? [insinuante] Ah, isso não tem graça. Eu vim para te conduzir até Satan para que você seja testada.

– Então conduza-me. Eu tenho que ser tentada e testada por Satan. Ele tem que fazer o papel que lhe foi confiado.

Lilu sorriu, estalou os dedos e nós fomos todos carregados por um forte vendaval até onde Satan nos aguardava.

– Tal como está escrito. O Espírito de Deus me levou até o lugar ermo onde eu encontro o Tentador.

– Isso não é algo que eu queira fazer. Mas uma… pessoa muito especial para mim… assim me pediu.

– Eu também não gosto desse enredo e eu fui enviada por uma pessoa muito especial para ensinar o Caminho.

– Mesmo sabendo que o ser humano não está preparado ou maduro o suficiente para te ouvir?

– Ela me disse que isso é inevitável e faz parte do processo de crescimento, maturidade e desenvolvimento do ser humano.

– Eu não tive a satisfação e privilégio de conhecê-la pessoalmente, mas eu fico incomodado por ter sido delegado a esse papel. Meu nome e minha figura [pessimamente identificada com o Antigo] serão utilizados por grupos, seculares e religiosos, para manter um sistema de opressão e repressão. O seu ensinamento será distorcido, deturpado, manipulado para manter o ser humano como rebanho.

– Eu estou ciente disso. Em todas as vezes que eu encarnei e estive entre os Homens, aquilo que eu ensinei, uma prática que deve ser feita de forma individual e consciente, apenas deu ensejo aos inúmeros textos sagrados. Aquilo que deveria servir de base tornou-se o objetivo, aquilo que deveria ser voluntário tornou-se compulsório.

– Mesmo assim, você está disposta a transmitir o Conhecimento e ensinar o Caminho, mesmo sabendo que será perseguida, presa, torturada e morta por estes mesmos que te seguem?

– Sim. Em todas as vezes que eu vim para este mundo, eu falei diretamente ao povo, para as “massas”, eu nunca apareci ou estive em templos. Esse é o motivo pelo qual eu sou perseguida, presa e morta. Os poderosos não querem que o povo receba instrução, ou que seja desperto, senão perderão todo o poder, a influência, o prestígio e a riqueza que amealharam às custas desse povo.

– Eu conheço bem o governo desse mundo. Assim como conheço esses que se intitulam “homens de Deus”. Aquilo que pronunciam é completamente diferente daquilo que pensam e fazem. Eu sou falsamente acusado de estar por detrás desses poderes mundanos, se isso fosse verdadeiro, eu entregaria a coroa desse mundo a você.

– Isso não alteraria a realidade do ser humano. O ser humano foi criado [gerado] para ser semelhante aos Deuses e assim será quando a Humanidade redescobrir seu verdadeiro Self, o Hermafrodita Divino, masculino e feminino. O Homem não foi feito para adorar, mas para ser livre. O Homem é Deus e quando redescobrir seu Self, ele perceberá que estava adorando ao seu Princípio Divino. Foi o que eu tentei ensina-los ao avisar que Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida, mas esse Eu Sou é o verdadeiro Self do ser humano. O verdadeiro Self do ser humano, o Eu Sou, é Deus e somente a Ele devemos prestar adoração.

– Isso é confuso. Não porque eu convivi muitos anos com Jeová, mas porque graças a Loki [com ajuda do escriba] eu conheci inúmeros outros Deuses. Porque o Homem organizou suas crenças, erigiu templos e formulou cerimônias, se Ele é Deus?

[risos]- Eu demorei a entender isso, também. Mas nós estamos falando de duas pessoas distintas, embora venham a tornar-se uma, eventualmente. A Igreja [de quem dizem que você é o melhor amigo] que está sendo formada por estes que se dizem meus seguidores [Cristo, daí, Cristãos] estão com essa mesma dúvida. Acreditam que eu sou Deus e isso até eu mesma tenho dúvida. Acreditam que, além de Deus e Cristo, tem o Espírito Santo. Eu particularmente gosto da ideia de Trindade: Pai, Mãe e Filh@. Três Pessoas que é a mesma Pessoa. Isso não é impossível, afinal, cada ser humano tem corpo, alma e espírito. Isso faz algum sentido para você?

[contrariado]- Menos a parte de eu ser amigo da Igreja. Eu vivi muito tempo acreditando que somente Jeová fosse Deus. Depois eu descobri que ele é um dos dez Elohim. Depois eu descobri que cada região de Gaia possui determinados Deuses, cada qual com seu povo. Depois eu descobri que Deuses geram Deuses, da mesma forma como seres humanos geram seres humanos. Os progenitores vivem em seus descendentes, são pessoas separadas, mas compartilham a mesma essência. Os descendentes quanto atingem consciência coletiva voltam a ser um único espírito com seus Ancestrais. Nisso consiste a Egrégora, a Forma de Pensamento, que é formada pela conjunção das almas que consistem aquele povo. A energia da Egrégora atrai energias semelhantes, espíritos superiores, os Deuses, entidades que são extremamente locais e regionais, porque estão intrinsecamente ligadas àquela terra, àquele solo, por ser este o elo, o vínculo que possuem com Gaia, que é a Deusa que incorpora este planeta.

[risos]- Você fica lindo quando fica filosofando com essa cara de sério, compenetrado e fazendo biquinho.

– He… hei… não fique me abraçando, me apertando desse jeito! Eu sinto seus seios pressionando meu braço!

[risos]- Mas essa é a minha intenção…

[constrangido]- E…enfim… isso não soluciona muito o problema da fome e da miséria. Sendo o Homem Deus, porque não transforma pedra em pão?

[risos]- Parece que voltamos ao mesmo assunto. Afinal, nós temos que separar a pessoa Homem da pessoa ser humano. E nós temos que separar o governo do povo. Comida existe, os Deuses e Gaia me garantem isso. Mas tem a pessoa [governo] que prefere manter outra pessoa com fome [povo] para ganhar lucro, manter o controle, manipular. Quando a pessoa [ser humano] despertar para sua verdadeira pessoa [Homem], não faltará pão, porque a materialização de coisas físicas [comida] acontece segundo o Verbo [emanação da Vontade].

– I… isso quer dizer que o Homem não vive do pão, mas do Verbo que sai da boca de Deus?

– Eu posso copiar essa frase? O ser humano vai ficar encucado com isso.

– E… eu acho que sim… desde que você desencoste e se afaste um pouco.

– Por que? Por acaso euzinha estou provocando o Tentador? Não era para você ser o Rei do Pecado?

– I… isso também é exagero e incorreto, em muitos aspectos. Afinal, eu sou… eu fui… um arcanjo de Deus. Não que isso signifique algo, considerando os anjos que desceram até Gaia e enamoraram-se com as fêmeas da sua gente. Meu único defeito [se é que podemos dizer assim] é que eu fui escolhido como Advogado diante de Deus, para apontar os pecados cometidos pelo ser humano enquanto vivo, para garantir que apenas os puros e justos entrem no Paraíso. Então, de certa forma, eu sou o Guardião da Honra e da Virtude.

[risos]- Está querendo insinuar que existe a possibilidade de você se apaixonar por uma humana? Diga que sim… eu não deixei de ouvir que você disse ter uma pessoa muito especial. Quem é? Aposto que é uma mulher ou uma Deusa.

– P… pare com isso. Você não deve me provocar. Você não pode tentar a Deus.

– Outra frase boa que eu quero copiar. Pois eu aposto que essa sua “pessoa especial” é a mesma “pessoa especial” que me enviou. Vamos apostar? Se você ganhar, eu desisto de ser Cristo. Mas se eu ganhar, você vai ter que ser meu namorado [risos] que tal?

– I… isso não faz o menor sentido… não é lógico, não é racional… [Cristo faz carinha de choro e olhos de filhotinho] Mas se isso poupar a humanidade de um Aeon repleto de ódio, guerras e massacres, eu aceito a aposta. Como nós vamos confirmar se falamos da mesma pessoa?

– Ah, para isso nós podemos contar com a ajuda de sua amiguinha coxuda e peituda aí.

[Lilu, confusa]- E… eu?

[risos]- Sim… você. Não foi você quem levou o escriba para conhecer a Fonte?

[voz estridente de colegial] – Hai! Fui eu mesma!

[risos]- Então! Pegue o escriba, faça o ritual e invoque Ela.

[olhar safado e lascivo]- Hum… excelente ideia. Venha cá, escriba… isso não vai doer… muito.

Eu, coitadinho, pobrezinho, não pude fazer coisa alguma senão ser dominado, despido, abusado e estuprado. Não que eu esteja reclamando. Só para registrar. Assim que eu jorrei para dentro do ventre de Lilu, Ela apareceu.

– Ora, ora, meus queridos filhos, vocês me chamaram?

– Sim, nossa Mãe, nossa Senhora, nossa Rainha, nossa Deusa. Estes dois [Lilu aponta, com desdém, a Satan e Cristo] querem confirmar se Vós sois a mesma “pessoa especial”.

– Isso não me parece muito justo. Myrian Magdalena, chamada e conhecida como Cristo, você me conhecia e, mesmo assim, fez uma aposta com satan que ainda não tinha me visto ou conhecido. Como castigo, eu vou pedir que o escriba anuncie minha identidade pelos meus inúmeros epítetos.

Eu, coitadinho, pobrezinho, fiquei cinco minutos inteiros só para fazer a introdução básica do Nome Sagrado. Lilu tampou os ouvidos, porque é nome de Poder. Cristo rejubilava. Satan tremia inteiro [eu acho que ele se cagou todo].

[risos]- Meu muito querido e amado escriba, Profeta do Profano, aquele que entrou no meu mais profundo mistério e que, por isso, é renegado, rejeitado, até por estes que se intitulam sacerdotes e bruxos. Isso é o suficiente. Então, meus queridos filhos? Essa “pessoa especial” que vocês tanto amam sou eu?

Nós três respondíamos alguma coisa, mas estava difícil de entender o que falávamos misturado com choro.

[risos]- Sim, meus lindos, meus muito amados. Eu sei o quanto vocês me amam. Mas isso significa que Cristo ganhou a aposta. Está pronto para pagar o preço, Satan?

Satan está paralisado, em choque, mas isso não impede Cristo de pular e enroscar os braços em volta do pescoço dele, beijando-o, alisando-o, provocando-o. Cinco minutos depois, Satan capitula e os dois, providencialmente despidos, contorcem-se no chão, fazendo aquela ginástica de Eros e Afrodite tão bem conhecida.

– Ai!

– Oh! Perdão! Eu não sabia que esta é sua primeira vez.

[risos]- Tecnicamente… não é… mas o seu “negócio” é grande demais. Por favor, seja gentil. Mas não ligue se eu sangrar ou demonstrar dor. Eu consigo aguentar. Eu vou passar por coisa muito pior pelo desenvolvimento do Homem.

Satan queria mesmo era comer a Deusa. Quem não quer? Mas aquelas coxas que estavam diante dele estavam convidativas e sequiosas por recebê-lo por inteiro e assim ele o fez, até se desmanchar por inteiro dentro daquele ventre.

[aplaudindo]- Muito bem, meus filhos! Vocês fizeram um belo ritual em minha homenagem. Agora vocês devem continuar a encenação até o derradeiro, trágico e dramático fim. Mas nada temam! Quando acabar esse teatro, todos nós estaremos juntos, rindo muito de tudo isso.

Assim É. Assim Seja. Assim Será.

I.E.A.O.U.

Leis Venéreas

Em Nome do Grande Senhor Anu.

Estes são os Mandamentos conforme foram ditados por Ela, a Filha Mais Resplandecente, Amada dos Deuses, Possessora das Tábuas com os Registros da Vida, a Guardiã da Lei e da Ordem, a Dama das Batalhas e da Vitória.

Cosmovisão

Eternidade é Existência

Existência é Consciência

Consciência é Energia

Energia é Vida

Decantada ao Décimo Grau, a Vida é Forma

Galáxias, estrelas e planetas são Formas [são Vida]

A Inteligência do Planeta forma o Ambiente

O Ambiente comporta e define as Espécies

As Espécies adaptam-se e evoluem para outras Formas

Formas supremas atingem a Senciência

O processo avança, até que estas Formas de Vida atinjam a Transcedência

Eis que esta Espécie perde a Forma, mas não perde a Vida

Eis que esta Espécie retoma sua original Natureza, que é Energia

Energia que é Consciência

Consciência que é Existência

Existência que é Eternidade

Cosmoconstrução

A Eternidade é habitada pela Existência

A Existência construirá o Cosmo a partir de sua Energia

Declara-se instituído a Engenharia de Planetas

Caberá ao Engenheiro de Planetas agir conforme a Consciência

Eis que o Engenheiro de Planetas auxilia na geração da Forma

Economia simples é doze planetas para um sol

Que ao menos quatro de doze tenham Espécies

A conjunção entre o Engenheiro e a Inteligência define a Natureza

Das “Leis da Natureza” acontece adaptação, evolução, senciência e transcendência.

Genovisão

A Inteligência Planetária [Deusa] e o Engenheiro de Planetas [Deus] devem dar o Ambiente e a Natureza adequados para que três espécies atinjam a Senciência

Não obstante, este Deus e esta Deusa não devem interferir no processo de ascensão destas Espécies [Livre Arbítrio]

Cabe aos indivíduos dessas Espécies escolherem, buscarem e conquistarem a supremacia

O resultado é harmonia [convivência simbiótica] ou caos [extinção massiva]

Espécies que demonstrem tendências para a destruição, a ruptura, à entropia, ao caos, deverão ser colocadas em quarentena e o planeta isolado dos demais sistemas

Genoconstrução

A diretriz para a Deusa e o Deus dar Forma para a Vida é desenvolver sistemas complexos a partir de elementos simples

A experiência no Cosmo mostra que estruturas simples são neutro sexuadas

Dessas estruturas simples surgem outras que são sexuadas

Aqui pode acontecer que o mesmo indivíduo possua ambos os sexos no corpo [autogamia]

Aqui pode acontecer a distinção sexual entre os indivíduos [alogamia]

Mesmo no caso de distinção sexual, o traço da simplicidade original permanece

Portanto reconhecem-se cinco gêneros sexuais

Portanto reconhecem-se sete identidades sexuais

Portanto reconhecem-se nove opções sexuais

Portanto reconhecem-se onze preferências sexuais

Portanto reconhecem-se treze regimes sexuais

Erovisão

Amor é o Todo da Lei

Sexo é o Caminho

Pecado é a Restrição

Quando se reunirem em assembleia em meu louvor

Como sinal de liberdade estejam nus debaixo da lua

Todos os Atos de Amor e Prazer são meus rituais

Eu Sou a Porta que conduz para a Terra da Juventude

Eu sou a Taça de Vinho da Vida

Eu sou aquela que é alcançada ao fim do desejo

Eroconstrução

Toda Vida nasce com Sexualidade

Toda Sexualidade expressa pela Forma

Toda Forma estrutura pela Espécie

Toda Espécie comporta pela Cultura

Toda Cultura define o Sistema

Todo Sistema define a Sociedade

Toda Sociedade define o Regime

Entretanto estruturas derivantes não podem sobrepor as estruturas matrizes

Isto posto, a Sociedade deve abranger nos Regimes todos os Sistemas e assim por diante

Isto posto, a Sociedade deve reconhecer e garantir os direitos de toda Sexualidade

Isto posto, é o mesmo dizer que todo indivíduo nasce com sexualidade

Todo indivíduo tem o direito de usufruir dos direitos sexuais definidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer tipo, seja espécie, natureza, etnia, linguagem, crença, opinião, origem, residência, características, nascimento, idade, nacionalidade, estado social, orientação, identidade, opção, preferência e expressão sexual, condição de saúde, situação econômica, social, politica ou outra qualquer

Todo indivíduo tem o direito de controlar e decidir livremente sobre questões relativas à sua sexualidade e seu corpo. Isto inclui a escolha de comportamentos sexuais, práticas, parceiros e relacionamentos, desde que respeitados os direitos do próximo. A tomada de decisões livre e informada, requer consentimento livre e informado por e através de quaisquer contratos, acordos, firmados com o próximo ou com a coletividade

Todo indivíduo tem o direito ao mais alto padrão de saúde e bem estar possíveis, relacionados à sexualidade, incluindo a possibilidade de experiências sexuais prazerosas, satisfatórias e seguras. Isto requer a disponibilidade e acessibilidade de serviços de saúde qualificados, bem como o acesso a condições que auxiliem, influenciem e determinem a saúde, incluindo a saúde e a educação sexual

Todo indivíduo tem o direito à Liberdade, de pensamento, de opinião e de expressão, relativos à sua sexualidade, bem como o direito à expressão plena de sua própria sexualidade, desde que devidamente respeitados os direitos dos outros.

Todo indivíduo tem o direito de organizar-se, associar-se, reunir-se, manifestar-se pacificamente e advogar, inclusive sobre sexualidade, saúde sexual, e direitos sexuais

Anexo

Estatuto da Relação Erótico-Afetiva

Considerando as Leis Cósmicas

Considerando que toda Vida nasce com Sexualidade e que todo indivíduo nasce com sexualidade

Considerando que todo indivíduo tem o direito de usufruir dos direitos sexuais definidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer tipo

Considerando que todo indivíduo tem o direito a ter acesso à educação, desenvolvimento e maturidade sexual

Considerando que a Espécie pode desenvolver dentro da Cultura da Sociedade, definições e limites, especialmente concernentes à preconceitos e discriminações etárias

Por ordem da Rainha Ishtar de Vênus, ficam instituídos:

[Senpai], pessoa de qualquer gênero, identidade, preferência ou opção sexual, que alcançou a devida maturidade e licença para fornecer a devida educação, desenvolvimento e maturidade sexual para qualquer outra pessoa [Kohai], de qualquer gênero, identidade, preferência ou opção sexual que tenha declarado ou expresso sua decisão de querer ingressar na Sociedade como pessoa Adulta

[Kohai], pessoa de qualquer gênero, identidade, preferência ou opção sexual que tenha declarado ou expresso sua decisão de querer ingressar na Sociedade como pessoa Adulta, que pode solicitar do [Senpai] a devida educação, desenvolvimento e maturidade sexual

[Wise Elders], pessoas de qualquer gênero, identidade, preferência ou opção sexual, que são reconhecidamente sábios, experientes, vividos, que terão a atribuição de avaliar o [Senpai] e o [Hokai]

Uma vez ao ano, [Wise Elders] abrem audiência para conceder licença a toda pessoa que quiser o cargo de [Senpai]

Uma vez ao mês, [Wise Elders] abrem audiência para examinar a toda pessoa [Hokai] que solicitar a devida educação, desenvolvimento e maturidade sexual de um [Senpai]

[Hokai] pode indicar ou evocar qualquer pessoa próxima [familiar, parente, amigo] para o cargo de [Senpai]

[Senpai] pode pedir precedência ou preferência para qualquer pessoa próxima [familiar, parente, amigo] que esteja sendo avaliada para o cargo de [Hokai]

[Wise Elders] podem nomear e intimar qualquer pessoa para o cargo de [Senpai]

[Senpai] pode aceitar ou recusar três vezes tanto a indicação quanto a nomeação

[Hokai] pode aceitar ou recusar três vezes tanto a nomeação quanto a avaliação

[Wise Elders] podem reavaliar e reexaminar três vezes, tanto ao [Senpai] quanto ao [Hokai]

Havendo concurso das vontades, [Wise Elders] formalizarão o contrato constando os nomes dos participantes, seus cargos, seus atributos, suas obrigações e seus deveres

O contrato será divulgado publicamente, não cabendo a pessoa alguma protestar, contestar, interromper ou atrapalhar

O contrato somente está sujeito a revisão, conserto, suspensão, interrupção e anulação pelos [Wise Elders] mediante ação devidamente solicitada pelo [Hokai] ou pelo [Senpai], até três vezes

Tendo sido o contrato concluído e concluso, o [Hokai] passa a ser considerado pessoa Adulta, extingue-se os direitos e obrigações contratuais, tanto deste quanto do [Senpai]

Aqueles que outrora foram [Hokai] e [Senpai] podem optar por manter a relação erótico-afetiva, sem qualquer prejuízo dos demais direitos

Aquele que outrora fora [Hokai] pode solicitar avaliação para o cargo de [Senpai]

Aquele que outrora fora [Senpai] pode solicitar avaliação para o cargo de [Wise Elder]

Caberá a esta Corte Real a Ultima Instância nas decisões de quaisquer casos e ocorrências, revogando-se qualquer outra decisão em contrário

Visto, Promulgado, Assinado

Casa dos Lordes, Parlamento de Vênus

Casa Real, Vossa Majestade Ishtar

Casa Divina, Grande Senhor Anu

Revelação

Love is precisely the Way and Mean.

[Unicode Transcript]

Amor é o Caminho e o Meio.

Por que vos é tão difícil?

Sirvam-se do Mago Britânico:

Amor é a lei, amor sob vontade.

Mas não esqueçam esta linha:

A palavra de Pecado é Restrição.

Love knows what’s good for it and what’s bad for it.

[Unicode Transcript]

O amor sabe o que é bom para ele e o que é ruim para ele.

Eu Sei. Disso nunca esqueçam.

Onde I AM, vós perguntais?

Aqui mesmo, queimando dentro do seu Self.

Love, undistorted and unclouded by the doubts that can be made to shadow it.

[Unicode Transcript]

Amor, sem distorções e desanuviado pelas dúvidas que podem ser feitas para ocultá-lo.

Ah, eis a Pedra de Tropeço.

Mas para os descrentes, a pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular.

Disto falam de Cristo, bendito seja Ela, a Arquiteta, a Engenheira, a Pedreira, não o Carpinteiro, o falso Messias construído pelo deus pequeno em conjunção com os homens poderosos.

Quantos ouviram e pereceram o sinal?

Qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, também, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente?

Isso é claramente Cristo admoestando o falso deus, o Usurpador, que dominou o Povo de Israel.

Vede o testemunho!

E o povo falou contra Deus e contra Moisés: Por que nos fizestes subir do Egito para que morrêssemos neste deserto? Pois aqui nem pão nem água há; e a nossa alma tem fastio deste pão tão vil.
Então o Senhor mandou entre o povo serpentes ardentes, que picaram o povo; e morreu muita gente em Israel.

Eis aquilo que estava obvio e ninguém viu?

O que mais é preciso dizer?

Amarás o Senhor.
Este é o primeiro e grande mandamento.
Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

Então que dificuldade existe senão em concluir:

Amor é o Todo da Lei.

Então não entendestes isso:

E levou-me em espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor de escarlata, que estava cheia de nomes de blasfêmia, e tinha sete cabeças e dez chifres.
E a mulher estava vestida de púrpura e de escarlata, e adornada com ouro, e pedras preciosas e pérolas; e tinha na sua mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua fornicação;
E na sua testa estava escrito o nome: Mistério, a grande babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra.

Por que persegue minha Filha?

Por que adotas essa cegueira contra vosso corpo, vossa natureza, vosso espírito, tal como foste gerados/criados, Perfeitos pelo Senhor?

Vós possuis as chaves mas, vós mesmos não entrastes e impedistes os que entravam. Vós que vos flagelas o vaso que Eu vos dei em busca de comunhão comigo e que, não satisfeito, atormentas o teu próximo, afasta-vos de mim, que Eu não vos conheço.

Vede como vós sois confusos:

E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça.

Esta não é outra, mas a mesma! Esta, que vós nomeais indevidamente de Maria, encarnada como Myriam, é, também conhecida como Magdalena, Cristo. Em vossa ingenuidade, vós deis a Ela o epíteto de Rainha dos Céus, tal como inúmeros outros povos também assim me reconheceram, juntamente com meus muitos nomes: Inanna, Ishtar, Vênus, Afrodite… Lucifer. Eu sou a Santa e a Puta. Eu sou a Mãe de Deus e a Grande Meretriz.

Mas não caia do lado oposto e inverso dessa perversidade, não me torne uma pálida inversão do falso deus, não creias que eu esteja sozinha. Meu Caminho é o da Serpente, não é o das Ovelhas nem o dos Rebanhos, mas o dos Indomados. Não irás achar a Chave do Mistério nesses modernismos, religiões inventadas, confeccionadas para atender os egos de seus fundadores e sacerdotes. Somente quem estiver revestido ou conduzido pelo meu muito Amado Consorte é que poderá atravessar meus véus. Não tomem o que falam de Diana por verdade. Meu povo descreveu bem ao colocar Lucifer ao lado de Diana. Quem nega isso, é apóstata e emissário do Usurpador.

Vejam bem como são as coisas. Outro britânico encontrou algumas das minhas escamas e sintetizou o sistema mágico-religioso que recebeu o nome de Wica. Ali mesmo, naquelas ilhas, onde pessoas foram perseguidas e mortas por supostamente praticarem heresia e bruxaria. Não apenas ali, mas em muitos locais onde se estabeleceu o Santo Ofício, pessoas voluntariamente [algumas estimuladas pelos inquisidores que, certamente, assim o faziam porque compartilhavam o mesmo Credo] descreviam a Assembléia das Bruxas sendo presididas por um enorme Bode Preto, às vezes chamado de Homem Preto e, com enorme frequência, de Diabo.

Juízes, testemunhas, denunciantes e réus falando [crendo] na mesmíssima coisa. De pessoas [mais mulheres] reunindo-se para celebrar algum tipo de culto antigo, proibido, mas nunca esquecido, onde os convivas recebiam a instrução, iniciação e votos diretamente do Mestre do Sabbath. Não há como conhecer o Mistério da Religião Antiga sem conhecer, reconhecer e celebrar o meu muito Amado Consorte, o Deus Bisão, o Deus Touro, o Deus Bode.

Minha é a Caverna, mas para chegar ao meu mais íntimo mistério [ainda que seja através do corpo da sacerdotisa], o celebrante deve estar revestido com o manto [pele] dado pelo Senhor, então é mais do que fundamental que haja a consumação do Hiero Gamos. Lamento se isso te ofende ou contraria suas preferências e opções sexuais mas, sem sexo, esses diletantes do “dianismo” e das “religiões da Deusa” estão se aproximando perigosamente do puritanismo asceta dos monges do medo. Não há arrebatamento, êxtase, transcendência, sem a conjunção carnal.

Quem quiser perambular pelo Caminho dos Bosques Sagrados, deve ter a coragem de andar entre os mundos, de trilhar pelo Vale das Sombras, saber lidar com almas, espíritos e entidades com a mesma facilidade que lida com ervas, raízes, flores e frutos. Os espíritos da natureza serão os únicos guias, eventualmente eles apresentarão aos entes superiores, quiçá Deuses e Deusas. Sua coragem será testada, porque você terá que usar tudo que está natureza, inclusive sangue, ossos, semen. Quanto a isso, não vos enganeis, conhecerás a morte, o morrer e o matar. Não é uma trilha “bonitinha”, “colorida” ou em linha reta, meu caminho é tortuoso, tal como a serpente que EU SOU.