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Pimpinella em Katanapolis

[ATENÇÃO, NSFW!]

Eu estava tendo sonhos maravilhosos, eu sonhava que eu era proprietário de populoso harém e passava o dia inteiro entre as coxas daquelas mulheres quando eu fui “gentilmente” sacudido.

– Cidadão! Cidadão! Acorde! O café está pronto!

Eu ainda estou adormecido, mas sinto meu corpo latejando e minhas partes baixas assadas. Hopps me olha com desdém e repulsa, a despeito de nós termos tido momentos tórridos.

– Não pense bobagens, cidadão. O que nós fizemos foi meramente para saciar minha necessidade física.

Ela dá meia volta e eu vejo meu creme de nozes ainda escorrendo pelas coxas grossas dela. Eu não vou me queixar, não é a primeira vez que eu sou abusado e me agrada a ideia de sexo sem amor. Hopps pode ser o tipo do Wilde, mas ela é do tipo mignon. Sua única vantagem são suas belas coxas e bumbum avantajado.

Cambaleando, eu consigo chegar na sala de onde eu vejo Wilde acaba de fazer o café no exíguo espaço da cozinha. Wilde não está em estado melhor do que o meu. Nós passamos algumas horas em um hotel de estrada, chamado de “motor hotel”, que depois virou apenas “motel” o que, no Brasil, virou sinônimo de puteiro. Largada no sofá, Pimpe está admirando algo e só então eu vejo que ela acrescentou mais uma placa para sua coleção.

– O que é isso, Pimpe?

– Uma lembrancinha que eu peguei da White Light.

A placa é de acrílico, de dimensões similares à da placa de metal que foi levada da fábrica, contendo a frase “It’s just business” nela. A superfície é lisa, o que indica que os caracteres devem ter sido gravados com algum tipo de laser ou nanotecnologia.

– Rápido com isso. Daqui a pouco a Imperatriz fará a transmissão com as novas ordens e coordenadas.

Na mesa improvisada eu vejo amendoim, batata frita e outras comidas nada saudáveis. O café está pelando e excessivamente doce. Wilde apenas senta e engole. Por amor ao meu couro, eu faço o mesmo. Pimpe enche a mão de fandangos e suga o conteúdo do suco de caixinha. Inevitavelmente eu e Wilde ficamos excitados com a cena.

– Muito bem, seus pervertidos e tarados, acabou o recreio. Tentem se arrumar da melhor forma possível. Eu vou abrir o transmissor.

Hopps leva muito a sério essa postura de guerrilheira. Eu ainda não sei como e onde eu me encaixo nesse “aparelho”, mas como minha obrigação [dada por Titânia] é o de servir a Pimpe e ela é a “capitã” dessa guerrilha, então eu acho que fui arregimentado. Meus pensamento são interrompidos pelos chiados emanados do transmissor.

– Atenção, súditos da Imperatriz! Atenção para a transmissão oficial de nossa Imperatriz! Aqui quem fala é a tenente Shikabane. Estejam todos à postos e prontos para ouvir e executar os desejos de nossa amada Imperatriz! Que a Luz de Zvezda brilhe por todo mundo!

Shikabane… eu acho que eu ouvi esse nome em outro lugar. A imagem é indistinta, só aparece uma máscara de gato. Depois aparece um logotipo, uma forma de raquete envolta por um semicírculo. Esse símbolo mexe com minha memória. De alguma parte do meu passado ou de uma das minhas muitas outras vidas. Na sequencia, a transmissão recebe uma música de anime… mas de qual, eu não lembro.

– Saudações, meus súditos. Aqui quem vos fala sou eu, Kate Hoshimiya, mais conhecida por Venera Sama.

Eu reconheço esta mulher. Ela tem longos cabelos de tom prateado, olhos vermelhos e uma inconfundível estrela brilhando bem acima da têmpora. Sem me dar conta, eu estou de joelhos, chorando, emocionado.

– Meus leais súditos, saibam que o amor que sentem por mim é recíproco. Por isso que eu confio a vocês essa nobre missão de conquistar o mundo. Eu saberei recompensar a todos pelo esforço e sacrifício que tem feito. Meus queridos e muito amados, a missão que eu tenho para vocês fica em Katanapolis. Vocês receberão os detalhes da operação do general Pepel. Avante! Vençam! Que a Luz de Zvezda brilhe por todo mundo!

Antes da transmissão findar e a imagem daquela magnífica mulher esvanecer eu posso jurar que eu a vi piscar para mim.

– Muito bem, soldados. Nós ouvimos as ordens. Alguma observação, capitã Meialonga?

– Só a de que temos que aguardar os detalhes da missão.

A campainha do apartamento soa três vezes. Wilde, mais ligeiro, mais próximo [ou mais puxa-saco] atende a porta.

– Saudações Brigada Forsquad. Eu trouxe os detalhes da missão.

– Senhor! Nós temos café pronto! Senhor!

– Obrigado, cabo Wilde. Fica para outra hora. Capitã Meialonga, sargento Hopps, eu aguardo o relatório dessa missão. E fiquem de olho no civil.

Muitas continências depois, Hopps abre o calhamaço de papéis como se ali tivesse a maior revelação divina. A operação resume-se [pelo que eu entendi] na infiltração dos “agentes” [Pimpe
e eu, evidentemente] na sociedade de Katanapolis e, uma vez infiltrados, nós sabotaríamos os mecanismos que a sustentam. Hopps não parece muito satisfeita com o arranjamento, mas ordens são ordens.

[intervalo]

– Muito bem, cidadãos. Esta é Katanapolis. Daqui para diante, é com vocês.

– Pode deixar conosco, oficial Hopps. Vai ser moleza.

Pimpe segue pela longa alameda da entrada da cidade enquanto Hopps parece me olhar de um jeito esquisito. Do nada, ela me agarra, me beija e se despede.

– Tenha cuidado. Não faça nenhuma loucura.

Ela retorna para o interior da viatura e eu consigo perceber lágrimas naqueles olhos, enquanto os de Wilde estão furiosos. Eu não o culpo. Nós, homens, machos, somos assim. Nós nos vangloriamos de nossas “conquistas” e somos muito possessivos com os nossos “troféus”. Mal sabemos [ou admitimos] que quem comanda o relacionamento [amoroso, romântico ou sexual] é a fêmea, a mulher.

– Vamos, Sapo. Nós estamos sendo esperados pela Mavis. Uma simpatizante da Causa.

Nós caminhamos pela rua principal sem muito estardalhaço [e eu sou um sapo com roupa de bardo]. Pimpe dava boa tarde para todos com quem cruzássemos e [espanto!] o cumprimento era devolvido. Novamente eu me deparei om um cenário típico de filmes americanos, com aquelas casas padronizadas, cerquinhas de madeira branca, grama minuciosamente bem cuidada, habitantes que fazem figuração do “americano médio”. A direita política adora acusar a esquerda política de fazer engenharia social, mas a vida dessas pessoas nessa típica cidade de classe média capitalista mostra onde se encontra o verdadeiro controle e manipulação social.

– Número 666. Chegamos.

Uma típica casa com decoração de halloween. Uma das inúmeras celebrações de origem Celta que foi assimilada [roubada] pelo Cristianismo. Na caixa de correio [mais clichê de filme americano] o nome da família “Tepes” me parece incomodamente familiar.

– Hei, Mav? [referência esquisita, mas não é mera coincidência] Maaaaveee? Nós chegamos.

– Oi. Você deve ser a Pimpe. E isso [hei!] deve ser o Sapo.

[Pausa para uma palavra de nossos patrocinadores. Desde que Valáquia deixou de existir como reino e passou a integrar Moldávia, Hungria e, enfim, Romênia, a família Tepes abandonou seus
legítimos direitos nobiliários para viverem como “cidadãos comuns” da república, como proprietários de agências de turismo e vivendo da exploração das lendas que envolvem seu ancestral mais famoso e mais vilipendiado: Vlad Tepes III.]

– Entrem, por favor. Não liguem para o merchandising da Disney.

Desde que essa megaempresa comprou outros estúdios e também emissoras, universos que antes eram separados coabitam o mesmo espaço de fantasia. Personagens da Marvel, DC Comics e Star Wars agora são colegas de trabalho. Não que isso seja relevante para a estória.

– Então, Mavis, o que te fez se interessar pela Causa?

– Primeiro foram os problemas de imagem, sabe? O estúdio me fez [me caracterizou] como se eu fosse uma mera adolescente gótica. Depois tem os problemas pessoais. Minha aparência continua sendo de adolescente, mas me casaram com um cara que eu não queria e agora eu tenho que criar um filho. Eu entrei em crise existencial e sexual.

– Nós sabemos, Mavis [tapinha no ombro]. Nós sabemos. Com a sua ajuda, nós usaremos sua família para minar a estrutura dessa sociedade capitalista patriarcal.

– Que bom. Eu vou poder ser quem eu quiser e fazer o que eu quiser.

– Sim, sim. Basta assinar na linha pontilhada.

[intervalo]

Fora dos holofotes, fora dos roteiros, fora da vista do público, a vida da família Tepes é repugnante. Tudo parece superficial e ensaiado, encenado, tal como acontece em comerciais de margarina. Eu passei tempo suficiente de minha infância e adolescência nesse tipo de comportamento de fachada para saber que isso não é salutar. Fachadas sociais são bonitas de ser ver [e se exibir], mas frequentemente escondem coisas podres e mortas.

– Mavis, cheguei!

– Oi papito. Olha, eu vou ficar com alguns amigos meus em casa, tudo bem?

– Amigos é? [desconfiado] A garota pode ficar [evidente]. Mas esse batráquio vai ficar no quintal, junto com os cachorros.

– Papi! Isso é discriminação! Ele também é gente!

– Não me venha com esse discurso politicamente correto. Por isso que eu votei em Trump. Por isso que nossos parentes vão voltar no Bozonaro. A cidade tem que ser lugar de gente, não de coisa [hei!].

– Por favor, não briguem. Família também é muito importante para nós [hã?]. Meu amigo Sapo não se importa de dormir no canil, né, Sapo?

Eu apenas acenei positivo com a cabeça. O olhar de Pimpe me dizia para apenas concordar. Manda quem pode, obedece quem tem juízo. Tinha um beagle esquisito na casinha do cachorro. Eu espero que não notem a falta dele. De cima do telhado da casinha do cachorro eu fiquei observando Mavis e Pimpe. Coitado do senhor Tepes. Ele me colocou na casinha do cachorro achando que eu era um predador. Pelo jeito que Mavis e Pimpe estão se dando bem, eu diria que o predador é outro.

– Oi? Você é o Sapo, né? Eu sou Martha, mãe da Mavis. Olha, não leve meu marido a mal. Ele apenas está fazendo a parte dele como pai. Eu trouxe bolinhos, biscoitos e chá para você.

– Obrigado senhora Tepes [morde, mastiga, engole]. A senhora é muito gentil.

[risos]- Apenas Martha, Sapo. Desculpe minha curiosidade… eu ouvi as meninas falarem que você é brasileiro, isso é verdade?

[burp]- Sim, senhora Te… Martha. Por que pergunta?

[risos]- É que eu ouvi dizer certas coisas sobre vocês, latinos, especialmente os brasileiros, que eu queria pessoalmente ver se é verdade…

Martha rasga a blusa de alto a baixo revelando os belos e fartos seios, redondos e rosados. Segundos depois eu estava entre as coxas dela. Eu posso me orgulhar de ter matado a senhora Tepes com uma estocada, mas não foi no coração. Vai ver que, no fim das contas, eu sou um predador. Ou presa, dependendo do ponto de vista.

[registro feito por drone]

[localização: quarto da Mavis]

– Nossa… eu ainda vejo estrelas pipocando.

– Quando dominarmos o mundo isso será normal, natural e saudável.

– Mavis, o que significa isso?

– Papi! Eu só estou conversando com minha amiga!

– Seja lá o que estiverem fazendo, parem. Seu tio, Nosferato, está vindo nos visitar.

– Ah, não, Papi! Tio Nosferato é nojento. Ele vive me pegando, me alisando, me apalpando, me beijando.

– Pelo menos é homem. E da família.

– Papi!

– Tudo bem, Mavis. Ele está certo.

[Hem?] [Eu estou?]

– Sim senhor Tepes. O senhor está certíssimo. Que venha o tio Nosferato. Nós iremos nos divertir muito com ele. E o senhor também pode participar de nossa festinha.

[Quê?] [Como?]

– Sua família tem origens nobres. O senhor sabe como era a vida sexual dos nobres. Então porque o prurido, o recato, o fingimento? Não é para acabar com o “politicamente correto”? Então o senhor tem que acabar com esse moralismo hipócrita. Todos que vivem nessa cidade falam uma coisa, mas fazem outra. Todos fazem esse esforço tremendo para exibir essa fachada de homens e mulheres de bem, compulsivamente seguindo esses valores ocidentais cristãos. Mas por detrás dessa fachada, tem outras vidas. Mantêm relações extraconjugais, visitam casa de prostituição, tem homossexualidade enrustida, cometem incesto e adultério com igual naturalidade.

Roger e Mavis Tepes ficam em choque, tentando processar tudo o que Pimpe tinha dito. O pai [Roger] piscou três vezes e percebeu que poderia aproveitar das belas formas de Pimpe. Pensando bem, tirando os tabus, ele poderia saciar um desejo que ele nutria faz tempo por Mavis. Ele é até capaz de apostar que o sentimento é mútuo. Coisas do século XXI. A geração atual é mais descolada e amadurecida sexualmente do que seus pais e avós o foram. Nascidos e criados pela internet, educados pelas redes sociais e aplicativos de mensagens, a garotada está fazendo a revolução Sexual acontecer na prática.

– Mavis, querida, lembra-se daquela conversa que tivemos?

– Aquela conversa? Sim, eu lembro.

– Então, querida, eu nunca admiti, mas eu sempre senti o mesmo por você. Então, que tal? Nós chamamos algumas de suas amigas, convidamos alguns parentes e nós voltamos a fazer aquelas tradicionais orgias que nossos antepassados faziam.

– Mas… e o Jonathan?

– Essa é, talvez, a melhor notícia. Nós podemos fazer jus ao nome e reputação da família, transformando seu marido em lanche de vampiro.

Mavis sente que um enorme peso e pressão foram tirados de seus ombros. Toda a “crise existencial” que ela sentia sumiu, assim que ela e seu pai puderam, enfim, expressar o amor que sentiam um pelo outro. Isso e o fato dela poder voltar a ser vampira. Coisa pouca, um pequeno obstáculo foi removido. Mas o destino de Katanapolis estava selado. Em alguns dias não existiriam mais seres humanos. Somente seres das sombras habitariam ali.

[fim do registro feito por drone]

– Hei, Sapo? Ainda está vivo? Vamos, nós temos que ir. Nossa missão acabou.

Eu estou dolorido, machucado, mordido. Por puro milagre eu ainda estou inteiro e vivo. Misteriosamente como surgiu, dona Martha sumiu. Pela agitação, risadas e música que sai da casa dos Tepes, tudo indica que a família reencontrou a felicidade e sua razão de ser. Eu ouço o som de pneus gritando e vejo aquela mesma viatura fumegando.

– Rápido! Vamos! Não temos tempo!

Pimpe senta na frente com Wilde [que fica todo animado] enquanto eu me sento atrás, onde geralmente são conduzidos suspeitos e presos, até a delegacia ou fórum. Os olhos da oficial Hopps brilham com intensidade.

– Que bom que você ainda está inteiro e com vida, querido. Eu não sei o que faria se eu te perdesse.

Eu não consigo falar coisa alguma, nem reagir ou protestar. A oficial Hopps vem para cima de mim, arranca o que restou de minha roupa e [de novo] começa a abusar de mim. Eu gostaria muito de poder aproveitar algo disso, mas o que resta da minha consciência se esvai rapidamente no meio daquelas coxas grossas.

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Pimpinella em Ergostasipolis

[ATENÇÃO! NSFW!]

Nós pegamos o primeiro veículo cujo condutor se prestou a nos dar carona. A despeito de ser aquelas vans enormes, com três crianças, dois cachorros e muita bagagem, o tiozinho não tirava os olhos da Pimpe.

– Para onde vocês vão, crianças?

– Dona Mirtes, nós não queremos incomodar. Podem nos deixar na primeira cidade.

– Ai que horror! Osvaldo, a próxima cidade é Ergostasipolis, não é? [grunhido] Credo, Osvaldo, que modos! Olha, querida, venha conosco até a praia, lá é muito mais saudável.

– Fica para outra vez, dona Mirtes. Se a próxima cidade é Ergastroseila, é lá que nós vamos ficar.

– Ergostasipolis, querida. A cidade das fábricas. Vocês terão muitos problemas se forem lá.

– Está tudo bem, dona Mirtes. Nós vamos dar um jeito, né, Sapo?

Eu tento esboçar um sorriso e tento evitar ficar intrigado que dona Mirtes não ficou surpresa ou assustada com um sapo falante em roupas de bardo. Para distrair e evitar o assunto, eu entoo algumas estrofes do Mabinogion com o alaúde e as crianças prestaram tanta atenção que pararam com a algazarra. Uma ou duas vezes nós quase saímos da estrada e batemos, com o Osvaldo distraído, olhando o espelho retrovisor, tentando apreciar mais alguns centímetros de pele da Pimpe. Com ajuda de Fortuna, chegamos inteiros na intersecção.

– Olha, a cidade das fábricas fica depois da colina. Tem certeza que não quer ir conosco?

Dona Mirtes aperta as mãos na altura do coração, exsudando em instinto maternal. Osvaldo parecia perdido, no dilema de não poder mais apreciar as generosas curvas de Pimpe e de se livrar de mais duas bocas.

– Tenho sim, dona Mirtes. Fica para outra vez. Nós havemos de nos ver novamente. Nós e as crianças vamos brincar bastante, certo, pessoal?

As crianças enxugaram as lágrimas e gritam sim esfuziantemente. Pimpe fecha a porta e Osvaldo toca a banheira, com expressão mais enfezada. Ou porque perdeu a chance de “fazer um lanchinho” ou porque a algazarra voltou. Andamos, sim, conformados com as condições e Pimpe notou que eu estava com um enorme beiço [e eu sou um sapo].

– O que é que você tem, Sapo? Parece aborrecido.

– E tenho razão! Aquele velho, nojento, pegajoso, tarado, estava cobiçando seu corpo!

– Mesmo? Eu espero que seja verdade.

– Como é?

– Olha, Sapo, eu não sei como você e suas leitoras vão receber essa verdade. Eu sou feminista, sem dúvida, como muitas mulheres de minha época. Mas ao contrário do que dizem e apregoam, eu gosto de meu corpo, de minha sensualidade, de minha feminilidade. Eu sou segura de mim mesma, tenho excelente autoestima, mas tudo fica muito mais interessante quando eu vejo, sinto e observo que eu sou desejada por um homem. Ou mulher. Até mesmo um sapo [risadinha]. Qual a graça, o propósito, de uma flor ser colorida, convidativa, se não for para atrair borboletas? Então guarde sua birra, ficar com ciúmes de mim ou do desejo que outros homens tenham por mim não te fará ficar mais perto de meus dotes nem irá te favorecer para apreciar da minha companhia. O que quer e deseja de mim, apenas diga, de forma sincera, honesta e franca. O mundo todo seria mais simples, suave e fácil se todos fizessem o mesmo.

Eu inclinei-me de tal forma, feito tal postura que pedia algo recíproco de Pimpe. Dando uma risadinha, ela também se agachou, pronta para fazer aqueles lábios juntarem-se aos meus, enquanto meus olhos sorviam a visão daqueles vales revelados pelo decote quando soou aquela maldita sirene.

– Ai que susto! O que foi isso?

Eu estava para responder quando começou a aparecer essas criaturas, semi-humanas, tal era o estado em que caminhavam, vestindo apenas aqueles uniformes cor de cáqui e capacetes brancos.

– Oi pessoal! Que barulhão foi esse? Vocês estão indo para onde?

Eu estapeei minha testa com a ingenuidade e inocência de Pimpe. O que estava mais próximo respondeu algo mais parecido a um grunhido [parente do Osvaldo?], o que me fez imaginar que víamos cenas vindas de algum filme de zumbi.

– Hei, eu fui educada na minha pergunta, que tal mostrar educação e me responder direito?

– Vocês dois! Recrutas! O sinal já soou! Entrem na fila! Ah! Que desmazelo! Onde estão seus uniformes? Odete vai ver só! Vamos, depois eu vejo isso! Nós temos que manter a ordem, a disciplina e o horário!

Um serzinho, raquítico, pusilânime, começou a nos empurrar e nos colocar dentro de uma das filas daquele batalhão. O macacão dele é quase marrom e seu capacete é azul, daquelas criaturas é o único que porta acima do bolso uma plaqueta com um nome: Bartolomeu. Pimpe ria muito, para ela era tudo parte da aventura, uma enorme brincadeira e ela esboçou algumas palavras de desculpas enquanto piscava em minha direção, como que pedindo para manter a farsa.

Nós acompanhamos o grupo até um edifício feio, assustador, ameaçador, de onde espessa fumaça escura era emanada. Bart nos colocou em uma das inúmeras esteiras, cada qual contendo um time, esperando que aquelas máquinas começassem a funcionar. O som estridente do alarme, acompanhado de luzes piscantes girando indica que as máquinas foram acionadas e nossos “companheiros” também são ligados e entram em outro estado de torpor.

– Muito bem, como vocês são recrutas, vocês vão fazer o mais fácil. Olha, é só pegar uma porca e um parafuso, conforme chegam da esteira, mosqueá-los e devolver na esteira. Simples. Enquanto isso eu providencio o uniforme de vocês. O seu deve ser P [apontou para mim] e o seu deve ser M [apontou para Pimpe].

Bart deu meia volta e nos deixou, falando alguns impropérios contra a coitada da dona Odete [que ainda não tínhamos conhecido]. Alguns minutos depois começaram a chegar as porcas e os parafusos, em constância ordenada e monótona. Eu peguei um, peguei outro, rosqueei, depositei na esteira. [linha repetida várias vezes]. Bastou cinco minutos disso para eu perder o raciocínio. Felizmente eu mantive o gravador ligado. Eu não estranho então o estado mental dos demais operários.

– Oquei, oquei. Parece que vocês estão se saindo bem. Eu trouxe os uniformes. Vistam-nos.

Com a maior tranquilidade e naturalidade típica dela, Pimpe simplesmente tirou toda a roupa para colocar o uniforme. Bart ficou surpreso, assustado, passou de lívido a roxo. Só então ele percebeu que Pimpe era mulher. Deve ser algo tão incomum aqui que até mesmo alguns operários pausaram seus afazeres e viraram o pescoço na nossa direção.

– Ai, meleca, cacete, porra, caralho. Você é mulher. Não pode ficar na área operacional. Venha comigo que eu vou te levar ao setor de expediente, almoxarifado ou administrativo.

Minha pressão subiu quando Bart [propositalmente?] envolveu o flanco de Pimpe com seu braço e ela ficou dando tchauzinho para mim. O que segue nas linhas abaixo é escrito pela Pimpe.

Ai carambolas. Como que isso funciona? Eu vi o Sapo fazer isso muitas vezes. Eu só tenho que pegar a pena e pressionar no papel. Opa! Funciona! Olha só! Eu posso fazer florzinha, passarinho, coraçãozinho! § ♠ ¥ Que divertido! Opa, foco, Pimpe, foco.

Aquele homem estranho, de pele alaranjada [bronzeamento artificial?] e cabelos espetados conduziu-me para fora da área operacional. Eu fiquei chateada por ter que sair do meio dos meninos e mais ainda que Bart não tentou tirar casquinha de mim. Quando ele me envolveu nos braços, eu achei que ele ia me levar para algum canto e me comer, mas ele só me deixou em uma sala que mais parecia recepção de consultório odontológico [eu também sei usar palavras difíceis, viu?], com aquela decoração e mobiliário cafona, musica ambiente de elevador, uma baranga para recepcionar as pessoas e pessoas esperando ou trabalhando em algo.

– Odete, porque você não me avisou que um dos recrutas era mulher?

– Recrutas? Não estava previsto a chegada de nenhum recruta.

A tal da Odete tinha cara igual à da minha tia, fofoqueira e solteirona. Deusmelivre de julgar as pessoas, mas ela deve ser como minha tia, que fica mais cuidando das vidas dos outros porque não tem sua própria vida. Ela ficou me medindo detrás daquela escrivaninha puída, ensebada, envelhecida como ela.

– Esse bombonzinho deve ter sido enviado pela agencia de empregos. Deve ser a nova estagiária do diretor. Deixe-a comigo que eu a levo até lá.

A velhaca, certamente com ciúme, mal me conhecia e me desprezava por eu ter naturalmente aquilo que ela nunca teve ou nunca soube usar. Ela conseguiria alguma coisa só mudando suas vestes, eu vou inscrevê-la no Esquadrão da Moda. Que, aliás, é um programa no mínimo ingênuo, pois passa a ideia que basta um banho de loja, cabelo e maquiagem para acontecer uma transformação em nossas vidas. No caso de Odete, nem isso vai modificar a feiura que ela tem dentro dela.

Odete se deteve diante de uma enorme porta acolchoada, de onde alguns sons escapavam e ali bateu três vezes.

– Senhor diretor? Senhor diretor? Eu trouxe a nova estagiária.

[abafado]- Estagiária? [sussurros] Cinco minutos, por favor. [passos, coisas caindo]

A porta requintada se abre, uma loira aguada com a cara mais cínica do mundo olhou para mim como se eu nem estivesse ali, toda desgrenhada e mal conseguindo disfarçar que tinha se vestido com pressa. O diretor apertava o nó da gravata, igualmente desgrenhado, suado e com marca de batom no colarinho.

– Entrem, por favor. Eu não estava esperando uma estagiária, dona Odete. Quem te enviou, docinho?

– A White Light Empreendimentos.

– White Light, heh? [olhando] Bom, o que você sabe fazer? [insinuante]

– Absolutamente TUDO, senhor diretor. [eu devolvo a insinuação]

O diretor me mediu de alto a baixo, com olhos esbugalhados. Evidente que ele me via de forma diferente que dona Odete viu.

[tosse] – Ahem. Bom, isso eu irei avaliar. Obrigado, dona Odete. Pode voltar ao expediente.

A velhaca bufa e resmunga algo incompreensível. Dá meia volta e sai pisando pesado no chão forrado de tacos.

– Bom… vamos começar pelo começo… pelo básico. Eu sou o diretor, Willford Humble.

– Prazer em conhecer. Pimpinella Meialonga.

– Bom… hã… eu tenho essa pilha de papéis. Você consegue organizar em ordem de data?

– Fácil como dizer Pirlimpimpim.

– Pirlimquê?

Como se eu fosse o crupiê no cassino embaralhando cartas, eu peguei aquele calhamaço de papelada e com meus dedos ágeis tudo ficou organizado por nome, numero, data, valor. O senhor Will ficou boquiaberto, descrente no que acabou de testemunhar.

– Bom… hã… você adiantou um mês de serviço. Você sabe escrever carta? Datilografar?

Eu não sei se o que o Sapo faz pode ser chamado de “escrever” [hei!], mas esse equipamento faz algo parecido com datilografia. Eu acenei que sim.

– Entendo… eu vou precisar que a senhorita faça cartas, memorandos e envie e-mails. Pode se sentar e comece a escrever.

Eu então dei inicio ao meu plano. Propositadamente, com o equipamento em mãos, eu sentei no colo do senhor Will. No começo ele ficou assustado, surpreso, eu diria até rejeitando, nervoso, com medo do que poderia acontecer se fosse flagrado, mas eu acredito que isso não é algo desconhecido ou novidade nessa fábrica.

Conforme eu escrevo e digito as laudas, o movimento enérgico de minhas coxas e bumbum fazem com que o coitado do senhor Will perca o controle sobre seu corpo, como eu posso sentir nitidamente algo pressionar minhas pernas. Eu sei bem como se joga esse jogo e capricho na expressão de inocência e ingenuidade ao me virar para o senhor Will.

– Senhor Humble! O que significa isso? Está querendo me fazer mal? Eu sou uma donzela!

Isso é como a presa ter um corte sangrando na frente do predador. O homem direito, pacato, familiar e cristão deixa cair todas as máscaras. O senhor Will ergue-se da cadeira [o que me lançou em direção ao topo da mesa], rasgou minha saia, arrancou as calças e, tal como seus ancestrais pagãos, pôs seu amiguinho para trabalhar nas minhas carnes.

O jogo continua, senhor Will faz o que pode, movimentando e arremetendo aquela coisinha engraçada que me provocava cócegas, mas eu exprimia aquelas palavras que todo homem quer ouvir de uma mulher. As leitoras [feministas e lésbicas] que me desculpem, mas eu acredito que toda essa violência física e sexual deixaria de existir se nós, mulheres, encenássemos os papéis que os homens acreditam que nos está relegado. Sejamos vadias, putas, fáceis, submissas, servis. Eles se acham os maiorais, os dominadores, mas no curto e dramático final de seu reinado, inevitavelmente acabam rendidos, adormecidos, acabados, esvaziados.

O coitado do senhor Will está largado na poltrona, parecendo uma gelatina de carne, quente, mole e suando. Aprendam, colegas, que homem é o verdadeiro sexo frágil. Orgulhoso e territorialista, o homem vai sempre cuidar da sua fêmea. Nós só precisamos cativa-los. Ele pode ser nosso pai, nosso irmão, nosso tio, nosso primo, o vizinho. O coitado do senhor Will acha que ganhou a megasena, que é o senhor do mundo. Está no momento de dar o golpe.

– Senhor Humble… o que você fez comigo? Eu… eueueu… e se eu ficar grávida?

O coitado do senhor Will parece ter tomado um choque [ou de ter levado um relâmpago]. Ele arregala os olhos, levanta, cheio de adrenalina e de lívido passa a ficar vermelho.

– Senhorita Pimpe! A senhorita não pode falar isso! Se alguém ouvir… se alguém souber… ah! Alguém vai acabar notando… senhorita Pimpe, eu pago qualquer preço, mas você tem que garantir que isso jamais aconteça.

– Ah, senhor Humble, isso é fácil. O problema é outro [risos]. E nós dois? Como ficamos? Eu fiquei viciada em você. Se quiser continuar a receber meus… serviços [risos], eu vou querer mais do que dinheiro para uma pílula anticoncepcional.

O coitado do senhor Will assinou diversos papéis que me tornam praticamente dona de tudo. Hora de voltar para a área operacional e, com o Sapo, dar início na segunda fase do meu plano. Agora eu devolvo esse troço para o Sapo.

Eu peguei um, peguei outro, rosqueei, depositei na esteira. Eu peguei um, peguei outro, rosqueei, depositei na esteira. Eu peguei um, peguei outro, rosqueei, depositei na esteira. [slap – ai! – slap – ai!] Pimpe me devolve o artefato assim que eu recupero a consciência. O distinto editor me desculpe se a letra estiver tremida. Pimpe está com aquele sorriso estranho novamente. Ela me diz que executou a primeira fase do plano com eficiência e agora quer que eu dê conta da segunda fase, sendo que eu sequer sabia que existia um plano. Minha ignorância faz com que Pimpe me segure pelos ombros com força e, com os pés balançando no ar, eu sou sacudido. O distinto editor me desculpe se a letra estiver tremida.

– Sapo! Essa é sua chance! Vai lá e fala para os operários aquelas frases e ideias bonitas que você sempre diz sobre consciência e organização política! Com isso, nós podemos libertar eles dessa escravidão dissimulada!

Eu olho para Pimpe com um misto de desespero e desilusão. Bastou-me algumas horas nessa fábrica para eu quase perder todo e qualquer resquício de lógica, razão e consciência humana. Estas pobres almas deixaram de ser humanas há décadas. Mas Pimpe estava decidida e determinada. Eu, pobre coitado, só obedeço minha patroa. Eu respiro fundo, fico em cima de uma empilhadeira e começo a cantilena retórica que costuma fazer algum sucesso e efeito entre alunos [especialmente as colegiais – não pergunte]. No máximo dois ou três pausam alguns instantes, olham com aqueles olhos vazios na minha direção e voltam ao que estavam fazendo. Eu fiquei pelo menos duas horas tentando ter alguma atenção ou reação. Nada.

– Hei, você! Recruta! Batráquio! Volte ao trabalho! Aqui não é colônia de férias nem diretório sindical!

Bart, o chefe da área operacional, foi o único a dar atenção e reagir. Eu não sei se fico feliz ou triste. A mentalidade dele é a mesma de um capataz. Ele realmente acredita ser diferente, melhor que seus colegas de triste sina, só porque está revestido dessa autoridade emprestada.

– E aí, meninos? Quais são as novidades?

– Que? Mas… você não estava coma Odete?

– Sim e ela me deixou com o senhor Humble que, gentilmente, me dispensou, porque eu adiantei um mês de serviço.

– Dispensou é? Mas e isso na sua mão?

– Ah, é uma placa que eu peguei de recordação. Tecnicamente essa fábrica agora me pertence.

Eu olhei a placa. Aparentemente uma placa comum de fábrica, feita em metal, escrita “o trabalho enobrece”. Eu tinha visto esta placa antes e estava instalada nas vigas superiores [não me perguntem por quê]. De algum jeito ela conseguiu subir até lá, removeu a placa e voltou para o chão sem ser percebida [não me perguntem como].

– Vocês estão juntos nisso, não é? Vocês são um daqueles… agitadores… militantes… esquerdopatas [eu leio isso com muita frequência na internet, em comentários
feitos por reacionários].

– Oh, não senhor Bartolomeu. Como coproprietária dessa fábrica, eu quero e espero que ela gere muito lucro e riqueza. Com isso em vista, eu tenho um… projeto empreendedor… que irá mobilizar de forma radical os efetivos para maximizar a margem. Evidente que, para isso, eu terei que ir para Epicheirimapolis. Quer vir junto?

Resumo da estória é que nossa dupla virou trinca. Bart estava falando sem parar sobre a família dele lá em Springfield quando aconteceu a explosão. Felizmente nós estávamos na beira da rodovia, em distância segura, mas sentimos o vento quente vindo de onde outrora estava a fábrica. Eu terei que ensinar ao Bart as “regras da casa”. Sorte minha, ele ficou em estado de choque ao ver a sua gaiola ser convertida em uma enorme bola de fogo. Com jeito e paciência, ele vai entender que é melhor calar. Quando e se quiser, Pimpe vai nos explicar tudo, incluindo o motivo de ter pegado aquela placa.

Viagens de Pimpinella

[ATENÇÃO! NSFW!]

Preambulo, no caso de leitores desavisados não estarem acompanhando meus delírios. Não confundam a nossa heroína e protagonista com Pimpinela Escarlate ou Pippi Meialonga. Eu hesito em considerar este ensaio em qualquer gênero. Este sequer pode ser considerado uma obra literária ou teatral, mas algo híbrido.

O enguiço começa com o nome da nossa heroína e protagonista. Inevitavelmente eu assumo que apropriei-me dos nomes citados e os misturei. Mas Pimpinella não é idealista, ela é mais do tipo pragmática. E Pimpinella está bem longe da idealização [adulta] de uma fantasia infanto-juvenil.

Falando em referências, vamos começar pelo sobrenome Longstocking, traduzido Meialonga [mas também pode ser meião, meia-calça, etc]. Isso deve servir [pelo menos para esse pervertido que vos escreve] como ligação para Stocking Anarchy [do
anime Panty& Stocking with Garterbelt], anime repleto de referências eróticas.

Como vocês podem ver [ou ler, tanto faz], não é mera coincidência que o nome de nossa heroína e protagonista seja Pimpinella. Divorciando do referencial original [Pimpinela, em inglês, Pimpernel, nome de uma flor vermelha ou púrpura], Pimpinella está ligada com a palavra “pimp” [cafetão, em inglês] para reforçar a concepção ou o Alto Ideal de Pimpinella identificado com a busca [sem regras, sem limites] do desejo e do prazer sexual.

Eu estou incerto em como o leitor irá receber essa composição. Biografia fictícia? Memórias inventadas? Manual [tipo auto-ajuda] de sexo? Eu me preocupo mais com as insinuações e possíveis interpretações do que eu apresento.

Isso eu ponho a título de introdução, em uma folha avulsa, presa na capa das folhas encadernadas, enquanto eu estou na frente da casa de Pimpinella. Eu respiro fundo três vezes e solto quatro suspiros. Bato na porta. Alguém grunhe do outro lado, som de passos.

– Sim? Quem é?

– Senhora Meialonga, sou eu, o Sapo Bardo. [Eu respondo, mas não tenho certeza se é o senhor ou a senhora Meialonga].

Alguns praguejamentos depois, a porta se abre e eu vejo uma pessoa de roupão, cabelos desgrenhados, expressão sonolenta. Eu ainda não sei se é o pai ou a mãe de Pimpinella, casais após muito tempo casados acabam ficando parecidos.

[grunhido]- Sabe que horas são?

– Sim, senhora Meialonga. São exatamente oito da manhã.

A mãe [eu suponho] de Pimpinella rola os olhos. Eu não sei se foi a minha animação ou a minha precisão que a desagradou. Ela grunhe mais uma vez, volta-se para o interior da casa e grita.

– Piiiimpeeee! Aquele seu amigo esquisito chegou!

Pimpinella responde, com a voz [abafada] vindo da parte superior do sobrado, onde ficam os quartos.

– Ai! Diacho! Pede para ele entrar, mãe. Dê a ele café, leite, biscoitos. Eu vou precisar de mais cinco minutos.

[grunhido impaciente]- Não quer entrar um pouco? [forçando sorriso] Eu acabei de fazer o café.

– Eu aceito, senhora. [sorriso sincero] Eu só não quero ser um incômodo. Eu irei esperar Pimpinella na sala até ela estar pronta e descer.

– Entre, fique à vontade. [trincando os dentes] Você não é incômodo algum.

Eu passo pela soleira, caminho até o sofá [mobília típica de família de classe média], sento-me e traço mais linhas com as observações. Outra pessoa arrasta-se, vindo da cozinha, até a sala e fica espantado ao me ver. Esboça o que eu acho ser um sorriso, mas a barba cerrada torna indecifrável o estado de humor. Esse deve ser o pai de Pimpinella, ou assim eu presumo, pelos faciais deixaram de ser distinção de gênero há tempos. O pai sorve algo da xícara [café, eu suponho] e percebe que eu estou compenetrado em escrever meus apontamentos.

– Você é o tal Sapo Bardo, heh? Escriba, heh? Isso dá dinheiro?

– Senhor Meialonga, se meus colegas de ofício pusessem suas penas ao trabalho em busca de compensação financeira, eu creio que nós jamais teríamos o prazer de nos deleitar com as obras do incomparável Shakespeare.

A expressão “cara fechada” é pouco para descrever a mudança de humor visível do pai e da mãe de Pimpinella. O senso comum diz que artistas [bem como padres/pastores] só seguem “fazendo arte” porque são preguiçosos, desocupados que fazem o que fazem porque tem “tempo útil de sobra”.

Som de passos apressados, trotando escada abaixo, indica que nós três estaríamos, em breve, liberados desse constrangimento.

– Ai, meleca. Eu estou atrasada. Eu tive que vestir esse conjuntinho básico, sem graça. O que você acha, Sapo Bardo?

Eu não sou a melhor opção para opinar sobre moda. A descrição que eu posso fazer é que eu vejo uma jovem mulher, vestida com camiseta, calça jeans e tênis. Mas tem “algo a mais” no que eu vejo que provoca comichão nos meus Países Baixos.

– Bom… hã… você está normal.

– Ai, Sapo… você é incorrigível. Paciência. Vai ter que servir. Nós estamos atrasados. Tchau pai, tchau, mãe.

Pimpinella agarra minha mão e sai em disparada em direção à rua. Eu seguro meu caderno da melhor forma que eu posso, enquanto sou suspenso pelo ar, vendo a expressão de satisfação do senhor e senhora Meialonga ao se verem livres de nossa inconveniente presença. Eu volto com meus pés no chão quando Pimpinella cessa a corrida, diante do ponto de ônibus.

– Perdoe minha indiscrição e curiosidade, patroa, mas nós estamos atrasados para o quê? Nós estamos indo para onde?

– Eles não estão nos olhando pela janela, estão?

Eu espicho meu olhar na direção da casa de onde acabamos de sair. Eu vejo luzes, sons, convidados chegando. Os pais de Pimpinella estão dando uma festa. Eu só aceno negativamente para Pimpinella.

– Ai, que saco. Isso aconteceu um dia depois que eu… que nós nos encontramos com a rainha Titânia.

Pimpinella desaba no banco de madeira com tal movimento que faz a saia erguer com o ar e deixa parte de suas belas coxas expostas. Eu podia jurar que ela estava vestida de calça jeans.

– Mamãe chegou e disse: levanta! Eu tentei retrucar, dizendo que não tinha mais aula, eu terminei o colégio. Então ela disse: por isso mesmo. Então ela desandou a falar que agora eu era adulta, então que eu deveria acordar cedo e ir procurar emprego para trabalhar. Pode isso?

Pimpinella com as mãos no rosto, se inclina, apoia-se nos joelhos em posição tal que deixa seus seios quase à mostra pelo decote de sua camiseta regata. Eu podia jurar que ela estava de camiseta comum. Eu tento disfarçar, desvio o olhar para não ficar encarando aquelas belas esculturas naturais.

– Bom, Pimpinella, Titânia não deixou muitas instruções sobre o que aconteceria depois que você se tornou adulta, mas eu acho que isso é uma consequência. Só crianças são sustentadas pelos pais. Agora que você é adulta, deve se sustentar por conta própria.

– Mas eu não tenho ideia alguma do que eu posso fazer, nem para onde ir. E agora, Sapo?

Pimpinella encosta as costas no espaldar do banco de madeira, esticando e alongando seu corpo, revelando as linhas do sutiã delicadamente bordado mal disfarçado pela suave seda do penhoar. Eu podia jurar que ela estava vestida. Eu sacudo a cabeça para dissipar meus pensamentos impróprios, crente que eu estava tendo alucinações.

– Bom… hã… nós podemos ir ao centro da cidade e procurar alguma ocupação.

– Centro da cidade… eu mal podia ir no bairro vizinho para visitar minha avó.

– Essa é a parte boa. Agora você é adulta. Pode ir onde quiser e fazer o que quiser.

Pimpinella teve algum estalo ou revelação. Ela deu um pulo e ficou em pé, diante de mim, balançando aquele apetitoso traseiro parcamente coberto por shorts. Ou minhas alucinações estão piorando ou é o contínuo de cena que está querendo me provocar.

– Sim! Sim! Sim! Isso mesmo! Eu sou adulta! Eu não preciso mais de permissão ou autorização! Eu posso ir onde eu quiser! Vamos, meu fiel Sapo Bardo! Vamos ao centro da cidade!

Pimpinella aponta para a direção sudoeste [ela apontou na direção errada], vestida com algo que eu conheço bastante de animes: o maiô de peça única, extremamente justo e colado ao corpo, uniforme usado por colegiais japonesas. Eu não consigo evitar o efeito de sangramento nasal de costume em cenas assim.

– Com licença, senhorita. Perdoe nossa intromissão e interrupção. Eu ouvi bem? A senhorita e essa criatura abjeta [ei!] vão até o centro da cidade em busca de emprego?

De uma combi [nós voltamos para a década de 80?] um homem suspeitíssimo, com aquela expressão de paisagem como se dissesse que sempre esteve ali, convenientemente pareceu disposto [demais, para meu gosto] a nos levar para o centro e de nos indicar uma agência de empregos. A despeito de meus gestos desesperados [sinalização com as mãos como se cortasse o ar, na altura do pescoço], Pimpinella estava animada e ansiosa demais com a aventura que estava começando para prestar atenção em mim. Sem chance, sem esperança, eu segui minha patroa que foi entrando e sentando na combi como se fosse dela. Eu, probrezinho, coitadinho, senti um baque na cabeça, estrelas preencheram meus olhos e nada mais senti.

[intervalo]

Quando eu recupero a consciência, eu percebo estar amarrado. A alguns centímetros adiante, Pimpinella também está amarrada e cercada por três homens… eh… afrodescendentes portadores de apetrechos físicos de incomum calibragem. O líder, aquele que nos capturou, estava na direção.

– Então, pessoal, o que acham do “material”?

– Carne de primeira, patrão.

– Sucesso garantido.

– Nosso bordel vai bombar.

– Evidente. Eu só tenho que achar mais duas ou três vadias como essa. Mas antes de colocar a “carne” para alugar, nós vamos “amaciar”.

– Podicrê.

– Vamos colocar ferro na boneca.

Eu me debati feito louco, mas nada adiantou. Eu tive que assistir, impotente, as roupas de Pimpinella sendo rasgadas por outros homens que não eu.

– Calminha aí, esquisitão. Se você colaborar, pode ser que eu deixe você participar do aluguel a preço de custo.

– Por favor, senhor sequestrador, eu sou donzela! Não me faça mal!

-Orra! Acertamos na megasena! Olhaí, eu sou o primeirão! Assumam a direção da combi que eu quero tirar esse cabaço.

Os três capangas não reclamam nem protestam. Nesse tipo de “serviço”, o chefe é chefe por ser o pior. O que atendia pela alcunha gentil de Jamanta ficou na direção.

– Oquei, delicinha, abre as pernas e feche os olhos que fica mais fácil.

– Oh! Não, senhor, sequestrador! Eu sou donzela!

A fúria queimava selvagemente dentro de mim, enquanto eu via o voluptuoso corpo de Pimpinella sendo perscrutado, alisado, apalpado e beijado por outro homem que não eu. Pimpinella se contorcia, como se resistisse, mas tinha algo que não combinava. Ela estava nitidamente piscando para mim, como se indicasse que tudo era encenação. Ela parecia estar fazendo aquilo para atiçar e estimular ainda mais os sequestradores.

– Que diacho! Ela é boa demais! Eu não vou aguentar!

– Acaba logo! Eu sou o próximo!

– Eu que não vou ficar por ultimo! Eu vou encostar essa bagaça em algum canto e vou bater nesse bife aí!

Incrível como nessa imensa cidade urbanizada tem lugares ermos, abandonados e isolados. Muitos sacos de lixo empilhados, imensos latões de lixo abarrotados, carcaça de diversos veículos depenados, pilhas e pilhas de pneus, caçambas repletas de entulho compõem cenário com as pilastras dos viadutos coloridas de pichações. Não passa uma única pessoa, carro, moto, bicicleta ali. Bocão, o líder, fuma tranquilamente o cachimbo com crack, relaxando depois de ter sua primazia garantida. Pimpinella fica espremida entre três corpos. Eu tento evitar olhar, mas a expressão no rosto dela é de estar gostando de, enquanto suga um, ter mais dois dentro dela. Ela parece… acostumada demais… profissional demais.

Os três capangas esboçam algumas palavras desconexas, os músculos tencionam e então esmorecem, flácidos, vencidos pelo cansaço, deixando escorrer pelo chão filetes daquele líquido gelatinosos, quente e esbranquiçado.

– Caraca, garota. Se essa foi sua primeira vez, você é um fenômeno.

– Eu fico feliz que tenham gostado. Agora, está na hora de pagar a conta.

Bocão não entendeu coisa alguma, mas a risada acabou quando ele viu Jamanta cair feito saco de cimento, sem vida, no chão, empapado com o próprio sangue. Britadeira e Carlão tentaram segurar Pimpinella, mas depois de serem cortados, só pensavam em abrir a porta da combi e fugir. Carlão, mais próximo, fez gargarejo com o próprio sangue antes de cair sem vida. Britadeira chamou pela mamãe, quando viu Pimpinella indo para cima dele. Não foi uma morte bonita de se ver.

– Ô! Peraê! Isso é assassinato! Homicídio! Você vai ser presa!

– Jura, senhor sequestrador? Quem vai lá na delegacia me denunciar? Você?

[suando frio]- Peraê, mina! Vamos conversar! Eu tenho dinheiro! Muito dinheiro! Diga o preço que eu pago!

– Ah, senhor sequestrador, eu não sou mercador de Veneza para me contentar só com uma libra de carne. Vocês fizeram o que queriam comigo. Agora é a minha vez.

– Nãonãonãoperaê [som horrível]

– Ufa. Cansei. Que coisa esquisita. Essa sensação que eu tive agora foi melhor e mais intensa do que o prazer que esses lixos conseguiram me proporcionar. Isso faz de mim uma psicopata?

– Só se você quiser ser, patroa.

– Eu estou cansada demais para pensar nisso. Seja um bom servo, limpe essa bagunça e vamos andar de combi.

– Claro, claro, patroa. Mas para onde?

– Ora, vamos para o centro da cidade! [apontando, errado, para o sudoeste]

Eu não vou nem quero contrariar minha patroa. Limpei a bagunça e segui na direção indicada. Entramos na rodovia e seguimos o fluxo dos carros. Esse foi apenas o primeiro dia das viagens de Pimpinella. Eu espero sobreviver até o final.

A Encenação da Tentação

[ATENÇÃO! NSFW!]

Personagens:

Escriba [este que vos fala]

Satan

Cristo

Lilith [Lilu, Lilitu]

Localidade:

Mar Morto

O espírito feminino estava reunido com seu povo, os inúmeros espíritos que habitam o vento e os locais ermos, desolados e em ruinas quando, cansada de esperar, expressou seu lamento para que fosse ouvido por um servo dos Deuses.

– Ah, mas que embaraço. Desde que eu parti de Edin, desde que eu decretei minha liberdade de minha senhora [Ereskigal], desde que eu, como bom espectro feminino, fui expulsa da árvore Huluppu pelo herói Gilgamesh [por conta e pedido de
Ishtar], eu tenho clamado e esperado pelo Emissário dos Deuses que nos ajudaria a receber corpo [nascendo/encarnando] humano.

Asas farfalharam, das nuvens desceu um anakim [tipo de anjo] que veio confrontar aquela que uma vez foi conhecida como a Primeira Mulher.

– Lilu, Lillitu, descendente de Layla e Nahema, seus dias de sedutora estão contados.

Lilu riu muito da pequena figura. Essas criaturas aladas, remanescentes de Egregoris, povos que serviam aos Deuses das Estrelas, tinham descido muito em sua antiga honra ao jurarem servir ao pequeno, inseguro e ciumento Jeová, o mais feio dos Elohim.

– Seu mestre te mandou aqui? Mesmo sabendo que eu me libertei dele há tempos? Melhor correr, mísero anakim, pois o dia está acabando, com a noite se inicia o sábado e você sabe como seu mestre é capcioso e rigoroso na guarda do sábado.

– Está avisada, demônio da luxúria, perdição dos homens! Breve virá aquele que irá salvar a humanidade do pecado e irá lançar seu mestre na prisão do Inferno!

O som de trombeta vindo da região de Ebrom faz o anakim mudar de expressão. O pequeno anjo, apreensivo, esquece a pose de indignação e parte, abrindo com vigor suas asas, para voltar ao templo construído pelo Rei Sábio, um lugar sagrado peculiarmente construído para servir de santuário para a Asherat, não para Jeová.

Quando o pequeno anjo está longe, Lilitu também muda sua expressão, de alegre e desafiante, para triste e receosa. Houve um tempo em que ela estava nessa mesma condição e não gosta de lembrar-se desse passado e do que teve que fazer para poder viver e ser o que decidisse ser.

Helios vai cedendo seu lugar no Jardim de Urano para Selene. Helios está no Portal do Oeste quando os espíritos começam a ficar agitados. Lilitu ouve o ronco de sua barriga, indicando que a hora está chegando. Lilitu veste sua forma de coruja [sua favorita] e abrindo suas belas asas, sobe como se fosse beijar e saudar Selene. Dali de cima, roçando as nuvens, Lilitu consegue observar toda a região, desde Samaria até Edom. Há algum tempo a frequência de caravanas e viajantes têm escasseado, mas sempre existem os inocentes, ingênuos e descrentes que ignoram os avisos e acabam passando pelas estradas assombradas. Lilitu consegue encontrar uma presa, mas é inevitável pensar, imaginar e até mesmo desejar que seja este o Messias prometido.

Lilu faz a entrada que está acostumada, triunfal, dramática, diante do homenzinho. Normalmente as reações são primeiro de medo, depois vem a reação, ora de fuga, ora de enfrentamento. Isso não importa muito no processo, como predador, Lilu gosta que suas presas entrem em desespero, o cheiro que aqueles pequenos corpos exalam, enquanto proferem encantos ou desembainham espadas só faz seu sangue acelerar, sua fome aumentar e, certamente, essas carnes ficam com gosto e tempero melhores.

– Saudações, Espectro Noturno, Flagelo da Noite, Rainha dos Súcubos.

– Você… me conhece… homenzinho?

– Evidente que sim, Primeira Mulher. Eu não seria quem eu sou se não te conhecesse. Impossível alguém entrar e perambular pelo Vale da Morte sem ouvir ou saber de tua saga.

Lilu observa, atônita, intrigada e desconfiada, o homenzinho. Com os dedos de sua mão segurando o queixo, Lilu avalia e pensa como lidar com essa situação inusitada quando seu estomago ruge feito leão.

– Dama da Noite, você está com fome. Permita-me sacia-la.

– Homenzinho… você está se oferecendo… voluntariamente… para ser devorado por mim?

– Sim, eu estou. Eu me sinto extremamente honrado e lisonjeado, seu você se servir de meu corpo para se alimentar.

Lilu pisca três vezes, pasma e surpresa com tal declaração, mas a fome aperta, então dá de ombros, pula em cima do homenzinho [como está acostumada] e, com o meneio de uma mão, faz as vestes do homenzinho em pedaços.

– Mas… pelo Dragão Primordial… o que é isso?

– Isso? Só a minha parte masculina tendo uma ereção.

Lilu franze a testa. Evidente que ela sabe o que é aquilo e porque está duro e rijo como rocha. Mas aquilo não pode ser normal, natural. Lilu observa com atenção e detalhe. Coisa assim tão grande, grossa e poderosa assim ela só tinha visto entre dragões e seres superiores.

– Homenzinho, por acaso isso é algum truque ou magia?

– Não, Donzela de Ereskigal. Esse é o meu membro em estado natural.

Isso é realmente incomum. O homenzinho sabe mesmo sobre ela. Mas quem é esse homenzinho? Lilu, distraída em pensamentos, instintivamente começa a manipular o obelisco. O homenzinho se debate, treme, geme. Esse jogo Lilu conhece e gosta mais.

– Impressionante, eu admito, mas parece que você está em seu limite, homenzinho.

– Isso [ah] não importa, [ah] é irrelevante, [ah] sirva-se do meu corpo [ah] como bem quiser ah].

Cruel e impiedosa, Lilu manuseia aquele poste vigorosamente até, enfim, aquilo se tornar um gêiser, expelindo e jorrando aquele líquido quente, esbranquiçado e gelatinoso, em volume considerável. O sêmen se espalha em volta, na forma de gotas de diversos tamanhos. Satisfeita, Lilu colhe com a língua essa chuva esbranquiçada, lambe de seu rosto ou lambe de seus dedos.

– Definitivamente impressionante, homenzinho. Eu chego a considerar a possibilidade de guarda-lo como meu animal de estimação.

[resfolegando]- Minha senhora… não há algo mais que eu possa te servir?

Lilu pisca três vezes. Esse homenzinho não é normal. Geralmente os “filhos de Anu” desfalecem ou morrem após o processo. Que este ainda esteja consciente é impossível e improvável. Então Lilu se dá conta de que aquele enorme pedaço de músculo ainda estava ereto, duro e rijo.

– Ma… mas… o que significa isso?

– Minha senhora, permita-me saciar sua fome.

Lilu tenta raciocinar, entender, mas seu estômago ronca, em protesto. Ela não é de desperdiçar um bom prato, então comer é apenas parte da diversão.

– Muito bem, homenzinho. Eu atenderei seu desejo. Vamos ver o que será de você, depois que eu cuidar de seu instrumento com meus seios e lábios.

O coitado faz o que está em seu alcance, resiste da forma que pode. Lilu começa a ficar realmente impressionada com o homenzinho. Notável, definitivamente, pois o objeto parece ter ficado ainda maior, mais duro, mais rijo. Isso até seria interessante, mas Lilu começa a ficar incomodada, pois seu corpo está começando a se comportar de forma estranha. Isso é algo inaceitável entre os predadores. Quem tem que “sentir” algo é a presa. O predador apenas tem que saborear a vitória e o sangue advindo do triunfo. Esse homenzinho deve ter algum segredo, alguma forma de magia. Intelectualizar a experiência fica complicado enquanto sua mente luta contra o corpo, cada vez mais quente, cada vez mais amolecido, cada vez mais excitado.

Lilu não quer admitir, mas ela está perigosamente próxima do limite. Seus seios estão felizes e contentes por sentir aquele volume enorme e quente entre eles. Seus lábios e sua língua indicam que sua boca está começando a ficar viciada em gostar de chupar este trabuco. Então vem a contração e o jorro enche com força e volume suas bochechas, por pouco ela não se engasga e se afoga com aquela enorme emissão de sêmen. Lilu foi pega de surpresa, ela tenta raciocinar, tenta rejeitar que uma criatura tão ínfima pode ter conseguido, pela segunda vez, ejacular tamanha quantidade de sua essência vital.

[engasga, cospe, respira]- Homenzinho… eu exijo saber como você consegue tal façanha. Isso não é normal nem natural de sua gente. Você tem que ter algum segredo, alguma magia escondida.

[arfando]- Minha senhora… eu só sei que eu sou assim desde que eu nasci. Não há algo mais que eu possa te servir?

Lilu custa a crer no que ouve. Mesmo usando as artes de sua gente, Lilu não detecta qualquer sinal ou marca de nascença que possa indicar que esse homenzinho possa carregar alguma benção ou sangue divino. Não existe nenhum tipo de arte mágica humana capaz de tal prodígio. Seria possível que aquele homenzinho tenha conseguido e chegado a tal ponto por amor? Quando se dá por si, Lilu percebe surpresa que o membro ainda estava lá, ereto, duro, rijo.

– Pelo Dragão Primordial, homenzinho… você é algum Deus?

– Não, minha senhora, eu sou a penas seu humilde servo.

Lilu mordisca os lábios. Ela não consegue mais raciocinar direito, sua mente e sua consciência estão se desmanchando. Faz muito tempo que ela não sentia isso. A primeira vez foi quando ela tinha sido separada do seu “outro eu”. A primeira coisa que sentiu foi essa enorme e terrível sensação de vazio, algo que ela tinha necessidade de preencher e foi seu irmão gêmeo a sua primeira presa. Essa fome que sempre a acompanhou desde então. Evidente que seu irmão gêmeo, o “filhinho do papai”, o “preferido e protegido” foi afastado dela e ela, depois de desenvolvida sua natureza própria, rebelou-se e foi procurar refúgio entre outros seres que não os que habitavam Edin. Livre e liberta das amarras, das correntes, do “pai” superprotetor, daquela gaiola dourada, Lilu encantou-se e deslumbrou-se com a imensidade do que existia além de Edin. Ela conheceu inúmeros outros seres, carnais, espirituais e divinos, até que ela teve a segunda vez, com Samael, chamado Sol Negro, que tinha largado sua posição como arcanjo apenas para ficar com ela. Ficaram unidos por muito tempo, debaixo da benção de Leviatã, por quem a fez conhecer o Dragão Primordial. Então ela teve sua terceira vez com o Antigo, o Consorte da Deusa Serpente e ela achou que fosse derreter, sumir, desaparecer.

– Muito bem, homenzinho. Eu te aceito como meu servo. Seja um bom servo e sirva sua senhora. Eu te ordeno que penetre minhas entranhas com esse seu monstro e não ouse parar enquanto não despejar toda sua essência dentro de meu ventre.

Esta não era uma situação normal, este não era um homenzinho normal. Meio sem graça e sem jeito, Lilu rolou para o lado e deitou-se de costa para o chão, puxando o homenzinho para cima dela e entre suas coxas. Por alguns segundos ela pensou, quase arrependida, por ter abandonado sua postura de predador e aceitando a posição de presa. Esse tipo de postura, submissa, foi o que mais a incomodou enquanto vivia no Edin. Mas tudo pensamento se dissipou assim que aquilo começou a forçar sua entrada entre suas entranhas. Dor… como isso é possível? Até parece sua primeira vez! Ah! A sensação de ser invadida! Essa sensação terrível de que aquilo não vai caber, que é impossível aquilo tudo entrar, o medo de ser rasgada em duas. E então… ah… e então… aquilo começa a se mover… as entranhas sendo reviradas… o corpo começa a agir por conta própria… a mente e a consciência se apagando… a incrível e inexplicável sensação de prazer e êxtase tornando tudo aquilo irrelevante. E então… ah… e então… o limite é ultrapassado, acontece o choque, o estertor, algo flui, tanto dela quanto do homenzinho e.. ah… a sensação agradável e confortável de sentir o ventre sendo inundado por enormes vagas de sêmen que vão esguichando, pulsando, vigorosamente, dentro dela.

Lilu está a beira de perder completamente a consciência. Ela mal consegue mexer seu corpo. O pouco de consciência que lhe resta se concentra em tentar respirar, mas tanto o fôlego quando o sangue estão acelerados. Parece que o corpo está sendo cozido ou fritado, de tão quente e mole que está. Lilu consegue enxergar [embora com a visão embaçada] que o homenzinho está nocauteado, vencido, derrotado, com aquele negócio murcho, embora ainda escorrendo o resto de sêmen pelo chão. Nocauteado? Vencido? Derrotado? Nesse tipo de “luta” não há vencidos ou vencedores. Lilu pode dormir tranquila e sossegada, completamente satisfeita e com seu ventre recheado.

Helios trafega pelos domínios de Urano em sua carruagem, avista o Portal do Leste e acena para Vênus, sua prima [irmã?] que acena de volta, saudando o início de mais um turno de Helios em torno de Gaia. Helios atravessa o portal, situado entre a Ásia e a Europa e avista Lilu, deitada completamente nua e coberta de sêmen, algo que perturba Helios a tal ponto que quase o fez perder as rédeas de seus cavalos. Ele se promete, quando tirar férias, de que vai visitar a Princesa dos Rebeldes.

Helios está na terceira hora quando Lilu acorda, incomodada por sentir que algo ou alguém esta fazendo sombra. Preguiçosa, abre os olhos lentamente e põe a mão na frente do rosto para encobrir os olhos do brilho do sol. A figura parece com um arcanjo, mas ela não reconhece a fisionomia.

– Espírito Noturno da Luxúria e da Lascívia, eu espero não estar te interrompendo nem te incomodando.

– Quem é você? Um dos cachorrinhos de Jeová?

– Bom… eh… sim e não. Eu sou Satan, de certa forma, eu sou… eu fui… a Sombra de Jeová, até que, por enigma além da compreensão, eu me vi sendo tutelado por Loki e empreendi uma aventura com essa criatura humana ao seu lado.

Lilu pisca três vezes para só então lembrar de que passou a noite acompanhada de um ínfimo ser humano. Estranhou por sentir preocupação e estranhou mais ainda por ter ficado aliviada ao vê-lo dormindo tranquilamente.

– Bem que eu desconfiei que esse homenzinho deveria ter algum segredo. Isso fica para depois. Eu sinto [instinto demoníaco] que isso será explicado fortuitamente. Eu imagino que sua visita não é cortesia.

– Eh… não dessa vez. Mas eu prometo que venho em circunstância mais agradável vir te visitar. Eu estou aqui com um problema que você pode me ajudar a resolver.

– Manda ver.

– Hã?

– Força de expressão. Diga seu problema.

– Eu não queria, mas uma certa pessoa… eh… muito importante para mim… me pediu para tentar o Emissário dos Deuses.

Lilu levantou-se com agilidade, ignorando [ou fingindo ignorar] que Satan tinha citado ter alguém importante para ele, provocando agitação em seus seios, cuja movimentação foi avidamente acompanhada por Satan. Uma visão difícil de avistar sem que se perca o foco ou o pensamento.

– Até que enfim! Ele virá! O Emissário dos Deuses!

– Eehh… [tentando conter a excitação] na verdade é ela. Poderia me fazer o favor de traze-la até a mim?

– Ela? Hum… [pensativa] eu não esperava por isso. Ah! Ideia! Eu posso levar meu servo comigo! Ele pode me ajudar nessa tarefa.

– Hã? Ah… sim… você pode levar o humano, o escriba.

Lilu estapeou o homenzinho, o escriba [ai!] até ele acordar. [ei, eu estou acrodado!] Fez um desjejum rápido [sangue e tripas… delícia] e começou a trotar, com alegria e felicidade, pelas estradas que seguem até Bethlehem, deixando todos as criaturas masculinas alucinadas com o balanço de seus seios e nádegas.

– Puxa! Como cresceu essa vilazinha! Vejamos… onde nós podemos encontrar a Emissária dos Deuses? Ah! Ideia! Escriba, vá perguntar ao legionário!

Obediente, eu fui, mas com os eventos que estavam ocorrendo, o legionário [como alguns oficiais da Polícia Militar, nos dias de hoje] não gostou da pergunta, não queria responder e achou suspeita a minha curiosidade, considerou-me um delinquente e eu comecei a apanhar [ai!].

– Legionário, porque age com ódio e violência contra o teu próximo?

O legionário parou de me bater, olhou na direção de onde vinha a voz [delicada, suave, perfumada] e eu pude ver a figura daquela jovem mulher. O legionário me largou na hora [ai!] e foi se ajoelhar e pedir perdão para aquela jovem mulher. Ver aquele homem musculoso de dois metros dobrado feito bambu aos pés daquela jovem mulher mostra que a força física é pequena diante da força espiritual. Lilu veio e se aproximou na ponta dos pés, toda esfuziante.

– Oizinho. Você que é a Emissária dos Deuses?

– Saudações, Primeira Mulher. Foste enviada para me seduzir?

– Ah, não, eu não poderia fazer isso… ou poderia? [insinuante] Ah, isso não tem graça. Eu vim para te conduzir até Satan para que você seja testada.

– Então conduza-me. Eu tenho que ser tentada e testada por Satan. Ele tem que fazer o papel que lhe foi confiado.

Lilu sorriu, estalou os dedos e nós fomos todos carregados por um forte vendaval até onde Satan nos aguardava.

– Tal como está escrito. O Espírito de Deus me levou até o lugar ermo onde eu encontro o Tentador.

– Isso não é algo que eu queira fazer. Mas uma… pessoa muito especial para mim… assim me pediu.

– Eu também não gosto desse enredo e eu fui enviada por uma pessoa muito especial para ensinar o Caminho.

– Mesmo sabendo que o ser humano não está preparado ou maduro o suficiente para te ouvir?

– Ela me disse que isso é inevitável e faz parte do processo de crescimento, maturidade e desenvolvimento do ser humano.

– Eu não tive a satisfação e privilégio de conhecê-la pessoalmente, mas eu fico incomodado por ter sido delegado a esse papel. Meu nome e minha figura [pessimamente identificada com o Antigo] serão utilizados por grupos, seculares e religiosos, para manter um sistema de opressão e repressão. O seu ensinamento será distorcido, deturpado, manipulado para manter o ser humano como rebanho.

– Eu estou ciente disso. Em todas as vezes que eu encarnei e estive entre os Homens, aquilo que eu ensinei, uma prática que deve ser feita de forma individual e consciente, apenas deu ensejo aos inúmeros textos sagrados. Aquilo que deveria servir de base tornou-se o objetivo, aquilo que deveria ser voluntário tornou-se compulsório.

– Mesmo assim, você está disposta a transmitir o Conhecimento e ensinar o Caminho, mesmo sabendo que será perseguida, presa, torturada e morta por estes mesmos que te seguem?

– Sim. Em todas as vezes que eu vim para este mundo, eu falei diretamente ao povo, para as “massas”, eu nunca apareci ou estive em templos. Esse é o motivo pelo qual eu sou perseguida, presa e morta. Os poderosos não querem que o povo receba instrução, ou que seja desperto, senão perderão todo o poder, a influência, o prestígio e a riqueza que amealharam às custas desse povo.

– Eu conheço bem o governo desse mundo. Assim como conheço esses que se intitulam “homens de Deus”. Aquilo que pronunciam é completamente diferente daquilo que pensam e fazem. Eu sou falsamente acusado de estar por detrás desses poderes mundanos, se isso fosse verdadeiro, eu entregaria a coroa desse mundo a você.

– Isso não alteraria a realidade do ser humano. O ser humano foi criado [gerado] para ser semelhante aos Deuses e assim será quando a Humanidade redescobrir seu verdadeiro Self, o Hermafrodita Divino, masculino e feminino. O Homem não foi feito para adorar, mas para ser livre. O Homem é Deus e quando redescobrir seu Self, ele perceberá que estava adorando ao seu Princípio Divino. Foi o que eu tentei ensina-los ao avisar que Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida, mas esse Eu Sou é o verdadeiro Self do ser humano. O verdadeiro Self do ser humano, o Eu Sou, é Deus e somente a Ele devemos prestar adoração.

– Isso é confuso. Não porque eu convivi muitos anos com Jeová, mas porque graças a Loki [com ajuda do escriba] eu conheci inúmeros outros Deuses. Porque o Homem organizou suas crenças, erigiu templos e formulou cerimônias, se Ele é Deus?

[risos]- Eu demorei a entender isso, também. Mas nós estamos falando de duas pessoas distintas, embora venham a tornar-se uma, eventualmente. A Igreja [de quem dizem que você é o melhor amigo] que está sendo formada por estes que se dizem meus seguidores [Cristo, daí, Cristãos] estão com essa mesma dúvida. Acreditam que eu sou Deus e isso até eu mesma tenho dúvida. Acreditam que, além de Deus e Cristo, tem o Espírito Santo. Eu particularmente gosto da ideia de Trindade: Pai, Mãe e Filh@. Três Pessoas que é a mesma Pessoa. Isso não é impossível, afinal, cada ser humano tem corpo, alma e espírito. Isso faz algum sentido para você?

[contrariado]- Menos a parte de eu ser amigo da Igreja. Eu vivi muito tempo acreditando que somente Jeová fosse Deus. Depois eu descobri que ele é um dos dez Elohim. Depois eu descobri que cada região de Gaia possui determinados Deuses, cada qual com seu povo. Depois eu descobri que Deuses geram Deuses, da mesma forma como seres humanos geram seres humanos. Os progenitores vivem em seus descendentes, são pessoas separadas, mas compartilham a mesma essência. Os descendentes quanto atingem consciência coletiva voltam a ser um único espírito com seus Ancestrais. Nisso consiste a Egrégora, a Forma de Pensamento, que é formada pela conjunção das almas que consistem aquele povo. A energia da Egrégora atrai energias semelhantes, espíritos superiores, os Deuses, entidades que são extremamente locais e regionais, porque estão intrinsecamente ligadas àquela terra, àquele solo, por ser este o elo, o vínculo que possuem com Gaia, que é a Deusa que incorpora este planeta.

[risos]- Você fica lindo quando fica filosofando com essa cara de sério, compenetrado e fazendo biquinho.

– He… hei… não fique me abraçando, me apertando desse jeito! Eu sinto seus seios pressionando meu braço!

[risos]- Mas essa é a minha intenção…

[constrangido]- E…enfim… isso não soluciona muito o problema da fome e da miséria. Sendo o Homem Deus, porque não transforma pedra em pão?

[risos]- Parece que voltamos ao mesmo assunto. Afinal, nós temos que separar a pessoa Homem da pessoa ser humano. E nós temos que separar o governo do povo. Comida existe, os Deuses e Gaia me garantem isso. Mas tem a pessoa [governo] que prefere manter outra pessoa com fome [povo] para ganhar lucro, manter o controle, manipular. Quando a pessoa [ser humano] despertar para sua verdadeira pessoa [Homem], não faltará pão, porque a materialização de coisas físicas [comida] acontece segundo o Verbo [emanação da Vontade].

– I… isso quer dizer que o Homem não vive do pão, mas do Verbo que sai da boca de Deus?

– Eu posso copiar essa frase? O ser humano vai ficar encucado com isso.

– E… eu acho que sim… desde que você desencoste e se afaste um pouco.

– Por que? Por acaso euzinha estou provocando o Tentador? Não era para você ser o Rei do Pecado?

– I… isso também é exagero e incorreto, em muitos aspectos. Afinal, eu sou… eu fui… um arcanjo de Deus. Não que isso signifique algo, considerando os anjos que desceram até Gaia e enamoraram-se com as fêmeas da sua gente. Meu único defeito [se é que podemos dizer assim] é que eu fui escolhido como Advogado diante de Deus, para apontar os pecados cometidos pelo ser humano enquanto vivo, para garantir que apenas os puros e justos entrem no Paraíso. Então, de certa forma, eu sou o Guardião da Honra e da Virtude.

[risos]- Está querendo insinuar que existe a possibilidade de você se apaixonar por uma humana? Diga que sim… eu não deixei de ouvir que você disse ter uma pessoa muito especial. Quem é? Aposto que é uma mulher ou uma Deusa.

– P… pare com isso. Você não deve me provocar. Você não pode tentar a Deus.

– Outra frase boa que eu quero copiar. Pois eu aposto que essa sua “pessoa especial” é a mesma “pessoa especial” que me enviou. Vamos apostar? Se você ganhar, eu desisto de ser Cristo. Mas se eu ganhar, você vai ter que ser meu namorado [risos] que tal?

– I… isso não faz o menor sentido… não é lógico, não é racional… [Cristo faz carinha de choro e olhos de filhotinho] Mas se isso poupar a humanidade de um Aeon repleto de ódio, guerras e massacres, eu aceito a aposta. Como nós vamos confirmar se falamos da mesma pessoa?

– Ah, para isso nós podemos contar com a ajuda de sua amiguinha coxuda e peituda aí.

[Lilu, confusa]- E… eu?

[risos]- Sim… você. Não foi você quem levou o escriba para conhecer a Fonte?

[voz estridente de colegial] – Hai! Fui eu mesma!

[risos]- Então! Pegue o escriba, faça o ritual e invoque Ela.

[olhar safado e lascivo]- Hum… excelente ideia. Venha cá, escriba… isso não vai doer… muito.

Eu, coitadinho, pobrezinho, não pude fazer coisa alguma senão ser dominado, despido, abusado e estuprado. Não que eu esteja reclamando. Só para registrar. Assim que eu jorrei para dentro do ventre de Lilu, Ela apareceu.

– Ora, ora, meus queridos filhos, vocês me chamaram?

– Sim, nossa Mãe, nossa Senhora, nossa Rainha, nossa Deusa. Estes dois [Lilu aponta, com desdém, a Satan e Cristo] querem confirmar se Vós sois a mesma “pessoa especial”.

– Isso não me parece muito justo. Myrian Magdalena, chamada e conhecida como Cristo, você me conhecia e, mesmo assim, fez uma aposta com satan que ainda não tinha me visto ou conhecido. Como castigo, eu vou pedir que o escriba anuncie minha identidade pelos meus inúmeros epítetos.

Eu, coitadinho, pobrezinho, fiquei cinco minutos inteiros só para fazer a introdução básica do Nome Sagrado. Lilu tampou os ouvidos, porque é nome de Poder. Cristo rejubilava. Satan tremia inteiro [eu acho que ele se cagou todo].

[risos]- Meu muito querido e amado escriba, Profeta do Profano, aquele que entrou no meu mais profundo mistério e que, por isso, é renegado, rejeitado, até por estes que se intitulam sacerdotes e bruxos. Isso é o suficiente. Então, meus queridos filhos? Essa “pessoa especial” que vocês tanto amam sou eu?

Nós três respondíamos alguma coisa, mas estava difícil de entender o que falávamos misturado com choro.

[risos]- Sim, meus lindos, meus muito amados. Eu sei o quanto vocês me amam. Mas isso significa que Cristo ganhou a aposta. Está pronto para pagar o preço, Satan?

Satan está paralisado, em choque, mas isso não impede Cristo de pular e enroscar os braços em volta do pescoço dele, beijando-o, alisando-o, provocando-o. Cinco minutos depois, Satan capitula e os dois, providencialmente despidos, contorcem-se no chão, fazendo aquela ginástica de Eros e Afrodite tão bem conhecida.

– Ai!

– Oh! Perdão! Eu não sabia que esta é sua primeira vez.

[risos]- Tecnicamente… não é… mas o seu “negócio” é grande demais. Por favor, seja gentil. Mas não ligue se eu sangrar ou demonstrar dor. Eu consigo aguentar. Eu vou passar por coisa muito pior pelo desenvolvimento do Homem.

Satan queria mesmo era comer a Deusa. Quem não quer? Mas aquelas coxas que estavam diante dele estavam convidativas e sequiosas por recebê-lo por inteiro e assim ele o fez, até se desmanchar por inteiro dentro daquele ventre.

[aplaudindo]- Muito bem, meus filhos! Vocês fizeram um belo ritual em minha homenagem. Agora vocês devem continuar a encenação até o derradeiro, trágico e dramático fim. Mas nada temam! Quando acabar esse teatro, todos nós estaremos juntos, rindo muito de tudo isso.

Assim É. Assim Seja. Assim Será.

I.E.A.O.U.

Entrevista com o Espírito do Vento

Onde os demônios habitam? Isso os textos sagrados não explicam direito. Os Hebreus dizem que Babilônia [transliterando: Porta dos Deuses] tornou-se habitação de demônios após sua queda. O misticismo judaico diz que Lilith [a Primeira Humana,
transformada em espírito e em demônio noturno] fugiu para o Mar Vermelho [outras versões apontam o Mar Morto], local “selvagem” habitado por demônios. Também estas regiões são comparadas como lugares de desolação… ruínas? Ou melhor indicar a região do deserto, onde inúmeras lendas dão como domicílio do insano, do possuído, do demônio? Então porque é exatamente ali que os homens santos vão peregrinar? Nisso há um grande segredo que está codificado no Caminho do Bosque Sagrado. Quanto a isso, não há erro, a Natureza é a base da Iluminação e são os espíritos contidos na Natureza os nossos condutores.

Eh, felizmente eu conheço muito bem a natureza humana e não vou precisar ir muito longe. A maldade está dentro de nós mesmos, não nos demônios. Minha experiência de vida, minha experiência espiritual, tem sido muito mais agradável entre os demônios do que entre seres humanos. Aliás, erro comum entre meus colegas de Caminho [Paganismo Moderno] é achar que Natureza é somente a floresta. O Firmamento, que eu simploriamente chamo de Jardim de Urano, também é Natureza. A cidade, a urbe, a despeito de todo asfalto, vidro e aço, também faz parte da Natureza. Não faltam lugares desabitados, desolados, desérticos, possuídos aqui em Sampa City, uma imitação barata de Gotham City que acha que é igual à New York City.

Usar sexo e sangue como catalisador, evocar espíritos e demônios. Algo que, infelizmente, tornou-se ponto de polêmica e controvérsia entre estes, que se dizem bruxos e sacerdotes. Isso é algo bem simples e comum para mim. Chama-la é algo bom e agradável para mim. Eu acho que nunca vou entender por que ela me escolheu… afinal, por que eu a atraí, sempre será um mistério insolúvel.

– Ah, querido! Você me chamou. Aposto que você estava com saudades de mim. Eu também estava com saudades de você.

Ela me abraça, me aperta, me morde, como sempre. Eu tenho dificuldades de respirar, com os seios dela espremendo meu rosto.

– Lilith, assim eu morro sufocado!

[risos]- Você reclama demais. Pouquíssimos tiveram a sorte de ver meus seios, quanto mais de toca-los. Isso sem falar nas “outras partes” e das “outras coisas”.

– Nós temos a eternidade inteira para isso. Eu gostaria que você me ajudasse nesse projeto.

– Projeto? [ela começa a me alisar] Isso vai te custar caro.

– Sim, eu… [minhas calças são rasgadas] eu quero escrever como foi o encontro de Satan com Cristo [ela começa a manusear meu trabuco].

– Cristo? [eu começo a ficar excitado] O verdadeiro ou o falso?

– O… os dois… [minha consciência flutua].

– Hum… então vai custar em dobro [ela abocanha meu soldado que sofre torturado por sua língua e lábios].

– Lilith… [eu estou quase no limite] se isso continuar, eu vou perder minha essência! Não tem outra forma?

[slurp]- Ora, mas a minha espécie vive da essência masculina. Vocês só erram em achar que súcubos se alimentam de sangue. Minha gente se alimenta de sêmen. Agora seja um bom menino e me alimente… como fez inúmeras vezes.

Impiedosa, gulosa e insaciável, Lilith faz aquele truque [titjob e blowjob simultâneo]. Impossível resistir. A eletricidade atravessa minha espinha, meus músculos se contraem e minhas bolas murcham. Lilith arregala os olhos, surpresa e satisfeita, com a farta dose de sêmen que eu estou jorrando para dentro daquela boca e garganta.

[gasp]- Depois de tantos anos… você ainda me surpreende, querido. Então pare de pensar bobagem que você está com problemas com seu “amiguinho”.

[resfolegando]- N… nós podemos começar o projeto?

[ronronando]- Oquei, eu falo do Cristo… o verdadeiro… ou melhor dizer, da verdadeira. Depois nós vemos se você vai ter condição de pagar a segunda fatura.

Lilith se enrosca em mim, me abraça, me beija, me morde e me cutuca de tal forma que não demora para meu corpo começar a reagir. Animada com a expectativa do segundo round, ela começa a falar.

– Oh… bem… [cutuca] você também é parte do Espírito da Desolação, o Espírito do Vento, do meu povo, da minha gente. Você esteve lá. [cutuca] Você a viu. Nós nos apaixonamos por Ela, evidente. Nós dois sabíamos que era inconsequente, perigoso, arriscado, mas Ela tinha decidido acreditar no ser humano. Esse seu lado humano deve estar cheio de remorso, arrependimento e vergonha, mas você não deve carregar consigo essa culpa.

– Meu lado demoníaco nunca entendeu ou aceitou essa decisão. Afinal, Ela gerou muitos de nós. Ela gerou o ser humano. Inúmeras vezes Ela abriu mão de seu imenso e enorme poder, diminui-se e humilhou-se até a existência carnal e, tornada igual ao Homem, deu a nós o Conhecimento… só para depois ser perseguida, presa, torturada e morta de inúmeras maneiras [meus olhos começam a lacrimejar]. Mesmo assim… ela ainda acredita em nós.

– Sim… [ela começa a me lamber] eu achei bem engraçado quando Ela se apresentou como Cristo. Ela pediu para que eu a levasse para Satan. [ela começa a me chupar]

– Ng! [eu não controlo mais meu corpo] Eu me lembro de como eu fiquei contrariado. [Ah!] Mesmo depois dos eventos e aventuras pelos quais eu e Satan passamos, ele ainda quis continuar com a encenação, a farsa.

[risos]- Você estava é com ciúmes! [sem cerimônia, Lilith vai encaixando meu poste na porta de trás dela]

[trecho indescritível e indecifrável, rabiscado, rasgado]

[risos]- Você é mesmo incrível, querido. Não é para menos que Ela te escolheu.

[arfando]- Ela e Satan conversaram por sete dias. Eu gostaria de saber o que conversaram.

– Ora, mas você sabe! Falaram sobre a essência do Caminho. Falaram que a limitação do ser humano iria produzir divisões, separações, conflitos. Falaram das inúmeras mortes, guerras e sacrifícios que aconteceriam. Satan, como sempre, estava pessimista e desanimado. Então… ah, então… Ela… sorriu… eu fico excitada só de lembrar.

– E… ei! Devagar aí! Isso aí é sensível!

– Ah, qual é, querido? Qual é a primeira coisa que vem em sua cabeça, em seu corpo, quando você pensa nEla? No sorriso dEla?

Essa é uma excelente pergunta. Eu estava apenas começando a explorar o Vale das Sombras, eu estava apenas fazendo o rascunho dos Cinco Círculos do Caminho, tal como eu o experimentava e o sentia, quando Ela veio me visitar. Eu não vou fingir nem inventar. Eu me caguei todo quando eu a vi. Pura Luz. Pura Beleza. Puro Amor. A mais perfeita forma feminina. Ela estendeu as mãos para meu caderno e não parecia estar ofendida nem escandalizada com a minha ereção. Ela lia cada linha com atenção, sacudia sua cabeça, provocando ondulações em seus longos e belos cachos dourados. Então Ela me olhou com aqueles imensos e belos olhos cor de púrpura, devolveu meu caderno e… sorriu… PQP… Ela sorriu. Eu acho que Ela disse algo com “continue” ou algo assim, mas eu estava tendo o maior e mais prolongado êxtase que um ser vivo consegue suportar. Saindo do transe que eu estava, perdido em meus pensamento, quando eu me dou por mim, Lilith está toda animada, montada em cima de mim.

– Sim! Sim! Sim! Pelo Dragão das Águas Primordiais! Esse é o espírito! Eu até não me importo em sentir ciúmes! Você certamente a serve muito bem!

Lilith esbraveja várias palavras, todas na língua antiga, no entanto não é necessário tradutor para saber que ela deve estar falando diversas besteiras e palavras chulas. Eu não consigo pensar em coisa alguma. Eu não sinto coisa alguma. Meu pobre corpo parece um bife sendo batido até virar carne moída. Desculpe, mas eu vou morrer um pouquinho no meio dessas coxas. Mas eu volto. Eu acho que eu volto. Se eu sobreviver.

Runaway train

First of all, this is not a composition about this 1992 Soul Asylum’s song, we past the middle of the first decade of XXI century and USA is far from settle the bullying problems, especially after voting for Trump, a compulsory bully.

I rather use something that I like: anime. Then, second, I will take the anime “Youjo Senki” as a reference, please, serve yourself.

Quoting Wikipedia: “In Tokyo in 2013, a poor performing salaryman is fired, and later, pushes the heartless supervisor who fired him in front of a train. As the supervisor falls, time stands still and he hears the words of God coming from the people at the station”.

So here I am, at subway station, watching my watch [no pun intended], worrying about lack of time, worrying about my appointment when, suddenly, I feel my body floating after a hard push in my back. Fear and horror are stamped in many faces, only one is smiling, in victory and the voice of this man sounds like thin can, talking something about punishing the sinners and infidels.

Please, take note, reader, even you think is irrelevant: the man can be anyone who confesses a monotheistic religion, Abrahamic religions, with that sadistic, jealous and bloody bastard God. So, judge, here is my complain: I was pushed to face Death because some moron think I am a sinner [there is no such thing] and an infidel, even me being a good modern pagan and very devoted to my Lord and Lady. I haven’t chance to defend myself. I rest the case.

Fear not, reader, because I haven’t. In this seconds that last a day, I was wondering if this is just a way to meet Tanya again. Well, she was there, shouting to me something like: “don’t disappoint me, master Weinberg”. And then all gone, after some pain and the feeling of being dismembered.

Fade in, fade out, black in, black out. I can’t count how many times this skill is used in movies. This is something unbelievers don’t understand. As the music “Snakedriver” from JAMC says: “If I wake up dead I’ll wake up just like any other day”. I just wake up and open my eyes as if it was another day. I feel funny and I don’t recognize my surroundings.

Let me describe how I see my actual environment. Green lines everywhere, some making what seems a path, others making what seems a box. Very much like a computer default location. Then, from the very borders of this, crossing a white wall [light?] appears a lad, with hooded jacket, jeans trousers, t-shirt and snickers.

[Jake]- Folks? Reunion! We got new place to run!

Slowly, other persons starting to show up, crossing through the white wall, from the “floor” or just appearing in middle of the “air”. I think I recognize them and I hope the reader too, but I will decline: they are characters of well know game called “Subway Surfers”.

[Tricky]- What will be our place to run, Jake?

[Jake]- Since we are at the World Cup, we will run in Moscow, Russia.

[Tricky]- That’s great! Hey, Alex, we will run in Moscow!

[Alex]- Velikolepnyy!

[Tricky]- What did she said?

[Jake]- That will be awesome!

[Lucy]- Hello. You must be the new character unlocked.

[Me]- I think so. What this is all about?

[Lucy, laughing]- Come with me, rookie. Jake will explain it all.

[Jake]- Hello, newcomer! What is your name?

[Me]- Do I have to choose a name?

[Lucy]- Of course! Otherwise, how we can call you?

[Me]- Then I choose Ubiratan.

[Tricky]- How exquisite!

[Jake]- Very peculiar.

[Lucy]- Very sexy…

[Jake]- Well, Ubi, all you have to do is to run as soon as the race starts.

[Me]- Run? To where? For what?

[Tricky, laughing]- Just run forward. Run away from the subway inspector.

[Lucky]- Speaking about the Devil, here he comes!

[Inspector]- I will get you, brat!

[Jake]- Run, folks! Don’t forget to jump, roll and dodge from the obstacles!

A man, big, fat and dumb, get closer and closer. Jake, Tricky and Lucy were far ahead, running. I stand still, regardless, facing him with a blank expression. When he get really close and spread his arms, I just use one of the hapkido techniques that I know. He screams in pain, starts to cry like a baby, while I hold his wrist in one hand and his face in the ground.

[Jake]- What are you doing, newcomer?

[Me]- I am giving him something to think about before hunting us.

[Jake]- This is not what we do. We run. Let’s try again, ok?

Tricky helps the inspector to stand up and she looks worry about him.

[Tricky]- He is part of the crew. Don’t do that again.

[Lucy]- That was impressive, though. You must meet my brother, Spike.

[Tricky]- Don’t support him, Lucy. We are not a fighting game.

[Lucy, rolling eyes]- Ay, ay, captain!

[Jake]- Ok, let’s start!

They start to run ahead, jumping, rolling and dashing. I follow behind, being avoided by the inspector. Suddenly, I see a barrier in my way. It comes to my head the simplest way to get over it, getting through it. I just break the barrier in two.

[Jake]- What are you doing, newcomer? You have to jump, roll or dodge it!

[Me]- Well, I break it. It seems easier that way.

[Tricky]- Don’t do this. We will have to pay for it. Barriers are property of our company.

[Lucy]- I wonder want more the newcomer knows to do.

[Jake]- Focus, folks! We are about fulfilling a mission!

[Me]- What was that?

[Tricky, rolling eyes]- We have missions to fulfill. Each time we realize that, we get prizes, like coins, head starts, score points multipliers and so on.

[Me]- I guess this is the payment we get.

[Lucy]- Right! You can also unlock another suit or board.

[Me]- This running never ends?

[Jake]- You are out of run if the inspector gets you. Like Tricky right now.

[Me]- Even he gets all of us. The run will start again and again. Do we have a spare time? To rest, to eat, to do something else?

[Jake, thinking]- I never think about that. We are out of game when inspector gets us. Then I think we have a spare time.

[Lucy, rolling eyes]- Don’t mind of Jake. He is the veteran, but he is not the most brilliant of us. Out of game we have a place to stay. We even have a city where we live. We call it Kiloocity.

Eventually the inspector gets us all. The game closed and we went to other dimension. A big dimension, where you can see a lot of cities that the characters have already runned. In the center of it, lies the Kiloocity, where the characters can eat, rest and do something else.

[Lucy]- Here it is, Ubi. Come with me! Let’s meet the other crew. Come with me and I will introduce you to my brother.

There are something in her eyes that makes me suspect about her intentions. But I was tired, thirsty and hunger.

[Lucy]- Hey, Spike, come to see the newcomer!

[Spike]- Newcomer? I will punch his face.

[Lucy]- I dare you.

[Spike]- What was that? Are you daring me? What is he? Your boyfriend?

[Lucy, drooling]- Maybe…

[Spike]- Oh, fuck. Good. Now I have a very good reason to kick your ass.

Spike gets out of their home and went straight to me, with his punk attitude. He looks very menacing in game, but looking at him now, he looks shorter than me. He throw his best punch at me [not even he hit would hurt me], but he ends in the floor, unconsciousness.

[Lucy]- Wonderful. Spike needed that. Come on. Let’s have lunch time in my home.

I walked inside the house, with walls surrounded with punk bands posters everywhere.

[Lucy]- We have pasta and pizza. I think that we have beer, too.

In a matter of minutes, she get back to the main hall, with two dishes, covered with pasta and pizza, holding two beers in teeth.

[Lucy]- Here is for you. This one is for me. Cheers.

The pasta and the pizza have an amazing taste. I drink four bottles of beer, nothing that I couldn’t take, but Lucy was already drunk.

[Lucy]- Hey, Ubi… you are from Brazil, aren’t you?

[Me]- Yes, I am. Why?

[Lucy]- Well… everyone knows about the Latino reputation. I want to check this out. Before the others girls have it.

Lucy jumps from the couch, get down in her knees in the floor and before my very own eyes, she unzipped my pants and take out my Little Friend.

[Lucy]- Mother of Gods! Look at it! It is not possible!

[Me]- Lucy, you are sure about this?

[Lucy]- Yes, my dear. I want it. I need it.

Needless to say that she play a lot with it, with her hands, lips, tongue and mouth. When she takes out her dress and panties, she was already wet.

[Lucy]- Ohboyohboyohboy… I never feel something like this. This thing will tear me apart, but I don’t care.

She come over me and start to ride me, making that love noises we know very well. I think she come trice before I blow away, inside her, my creamy load. She collapsed, passed away and lied in the floor, with a large smile in her face, with some of that white hot goose sprouting from her insides.

I have to find a way out of here. I know where it lends. Soon or later, the other girls will want to have the same. I don’t need more bad reputation.

Ao pó voltarás

Das catacumbas aos palácios.

Ficção com base em fatos históricos.

Incluindo piedosas fraudes.

Milagres de Santo Irineu.

[ATENÇÃO! NSFW!]

A palavra hóspede, hotel e hospital tem a mesma origem e surgiram com essas ordens hospitalitárias aonde toda pessoa que chegasse conta com atendimento médico, refeição e quartos para estadia.

Por três dias a XII Legio Fulminata permaneceu na Ordem Maltesa dos Hospitalitários, onde as treze abadessas trataram de satisfazer seus visitantes para cumprir com a primeira diretiva da Ordem, uma regra de ouro, em diversos povos, que é receber e tratar bem os hóspedes.

Por milagre de Santo Irineu, os prisioneiros não fugiram nem pediram exílio. Sem precisar de ordem, todos eles, homens, mulheres e crianças, simplesmente voltaram e entraram na carroça de prisioneiros. O general e o centurião não deram conta nem falta de um prisioneiro que permaneceu na enfermaria. Pela Graça de Cristo este foi poupado, sendo o próprio Santo Irineu.

No dia seguinte da partida da legião romana, aliviadas e felizes, as abadessas voltaram à sua rotina diária, o que incluía cuidados ao Santo Irineu. Ele recebia em seu leito comida, bebida e banho. Algumas, mais animadas, excediam nos cuidados e, usando mãos e lábios, extraíam aquilo que chamaram de creme de nozes de Santo Irineu. Esse foi considerado o segundo milagre do Santo Irineu, pois estando em região tão árida, era pouco provável que crescesse qualquer vegetal, muito menos uma nogueira.

Santo Irineu recebeu a Graça de Cristo, foi curado das feridas, pode levantar e sair do leito. Contrariando a insistência da Madre Superiora, ele se pôs a trabalhar, tanto para retribuir a estadia quanto para se fazer de útil. Por ciúme e inveja, o Diabo colocou na abadia enorme quantidade de lenha, no que Santo Irineu empunhou o machado e de lá não sairia antes de livrar a abadia dessa manifestação maligna.

O Diabo, revoltado, ordenou ao espírito do vento que fosse tentar ao Santo Irineu. O espírito do vento entrou pelo ouvido da abadessa Eustáquia e a perturbou com perguntas. Por inocência, mas curiosa em saber mais dos mistérios de Cristo, Eustáquia visitou Santo Irineu.

– A paz de Cristo, irmão.

– A paz de Cristo, irmã.

– Perdoe-me por interromper seu lavor, mas nossa sororidade está distante de qualquer lugar e nós não tivemos contato com a totalidade do Evangelho. O senhor, Santo e Doutor nesse assunto, poderia esclarecer minhas dúvidas?

– Com a Graça de Cristo, pela Vontade de Deus, eu responderei o que te aflige.

– Nós somos todas mulheres, no total de treze e nós conhecemos nossa condição, tal como Deus nos criou. Cristo veio ao mundo nascendo de Santa Maria [Myrian], mesmo ser ter conhecido homem e ela se manteve virgo intacta? Como alguma mulher pode conceber sem contato carnal?

– Irmã Eustáquia, os pagãos infiéis helênicos clamam que Atena é parthenos, ou seja, nasceu não como fruto do contato carnal. Algumas plantas produzem frutos com flores que possuem tanto a parte masculina quanto a feminina. Em animais mais simples, tanto o feminino quanto o masculino estão na mesma criatura e, em certos animais complexos, o macho se torna fêmea e a fêmea se torna macho. A natureza é reflexo da Vontade de Deus, certamente não há empecilho para que a Providência fizesse com que Santa Maria [Myrian] concebesse Cristo, através da Manifestação do Espírito Santo naquele ventre sagrado.

– Então um espírito pode fazer com que a mulher conceba, da mesma forma como um espírito sopra nas narinas dos que nascem para que possam receber uma alma.

– Esta é uma interessante conclusão, irmã.

– O inverso pode ser verdadeiro, também? Pois viajantes que casualmente passam aqui relatam que são atormentados nos sonhos, de noite, por espíritos que os forçam a ceder de sua essência através do estímulo carnal.

– Este é um mistério, pois tal como o espírito procura a carne, a carne procura o espírito. Assim, deve ter razão os antigos ao dizerem ser pecado derramar a semente masculina no solo e é pecado beber o sangue dos animais. Nestes líquidos corporais se encontra a energia vital necessária para a criação da vida, que pertence somente a Deus.

– Nossa abadia segue os preceitos deixados por Santo Antão quanto à vida monástica. O senhor pode imaginar o tipo de perigo e tentação que treze mulheres sozinhas em tal amplidão árida podem passar diariamente. Tão importante quanto nossos votos de acolher e ajudar todos os peregrinos que por aqui passam, nós matemos vidas humildes, recolhidas em castidade. Nós podemos ser atacadas e abusadas por espíritos, tal como nós fomos atacadas e abusadas pelos legionários romanos. Como nós podemos ser como Santa Maria [Myrian] e recobrar nossa condição de virgo intacta?

– Quando eu estive em Éfeso, acalorada discussão discorreu sobre tal assunto. Eu, doutor e estudioso do Evangelho, levei até o fim a questão, chegando a analisar diversos pergaminhos acerca da condição e vida de Santa Maria [Myrian]. Eu devo ter causado mais comoção, ao exibir o equívoco dos tradutores e copiadores. Santa Maria [Myrian], bendita seja seu Nome, era uma jovem mulher [almah] e não virgem [betulah]. Foi por exagero, preferência ou simplesmente capricho que alguns Patriarcas apresentaram a doutrina de que santa Maria [Myrian] era virgo intacta, esquecendo que Cristo teve muitos irmãos e irmãs de carne.

– Então eu não estou maculada aos olhos de Deus por ter falhado em meu voto de castidade?

– Isto eu tenho observado enquanto eu perambulava na missão de espalhar a Palavra. Eu tendo a ver como outro exagero, preferência ou capricho, pois se o contato carnal fosse algo impróprio, então a Vontade de Deus não teria dito aos Primeiros: crescei e multiplicai-vos. Não, irmã, não é concebível dizer aos Cristãos que o sexo seja a causa de impureza e não é exato dizer que a castidade seja abster o corpo de saciar sua necessidade normal, natural e saudável de sexo. O sensato é reafirmar a sabedoria antiga: disciplina é liberdade. Em todas as coisas, devemos ter prudência e temperança, pois o excesso, o exagero, coloca o corpo como governador e isto [indulgência] não é liberdade, é escravidão. Então, nós, Peregrinos do Caminho, aceitamos e observamos certos princípios, por opção e vontade própria, por que nosso entendimento quer que nosso Eu governe.

– Então Deus não nos condena por termos pecado contra a castidade?

– Irmã, a Vontade de Deus está sempre constante ao nosso redor. Onde a Vontade de Deus exibe exasperação contra os atos que, por compaixão e misericórdia, cometeram em concílio com os legionários romanos? Os homens podem julgar e condenar, mas Deus vê a intenção no coração. Se não fosse pelo sacrifício que vocês aceitaram fazer, livre e voluntariamente, eu não estaria vivo e o destino daquelas outras almas seria muito mais severo.

– Meu bom Santo Irineu, homem de Deus, eu ouço e entendo suas palavras. Deus não pode condenar aquilo que criou e instituiu. Deus nos fez homem e mulher, Deus nos criou para amar a fim de sermos Um. Conforme é a Vontade de Deus, eu e tu devemos ser Um. Rápido, não temos muito tempo. Sirva-se da minha entrada entre minhas nádegas. Eu estou em minhas regras então, por agora, coloque sua parte dentro de mim e derrame seu bendito creme de nozes entre meus rins.

Assim o espírito do vento conduziu Eustáquia, para satisfação do Diabo, acreditando que o ato sagrado da união carnal entre homem e mulher os faria perde-los. O creme de nozes de Santo Irineu só aumentou e consagrou a santidade da Santa Eustáquia, expulsando violentamente o espírito do vento de seu corpo, tal foi a quantidade e força do volume que a preencheu.

Indefectivelmente, o milagre chegou ao conhecimento das demais mulheres que, através dos mais diversos artifícios e subterfúgios, garantiram sua dose de creme de nozes, que foi devidamente derramado entre os rins delas, imunizando as abadessas das artimanhas do espírito do vento, sendo este o terceiro milagre de Santo Irineu.

O Diabo, irritado, ordenou ao espírito da água que fosse tentar ao Santo Irineu. O espírito da água entrou pela boca da abadessa Sinclética e a perturbou com perguntas. Por inocência, mas curiosa em saber mais dos mistérios de Cristo, Sinclética visitou Santo Irineu.

– A paz de Cristo, irmão.

– A paz de Cristo, irmã.

– Perdoe-me por interromper seu lavor, mas nossa sororidade está distante de qualquer lugar e nós não tivemos contato com a totalidade do Evangelho. O senhor, Santo e Doutor nesse assunto, poderia esclarecer minhas dúvidas?

– Com a Graça de Cristo, pela Vontade de Deus, eu responderei o que te aflige.

– Cristo nasceu como nós, então carregava consigo a mesma mancha do Pecado Original com o qual viemos a este mundo?

– Esta questão suscitou discussões acaloradas e excomunhões entre bispos. Cristo era pessoa ou espírito? Pode uma mesma pessoa ter duas naturezas? Como Cristo pode nos resgatar do pecado, tendo vindo ao mundo em forma humana? A redenção vem de Deus ou de Cristo? Eu estive com Inácio e Clemente, em Alexandria, somente para tentar encontrar uma solução. Em verdade, nós também somos ambos, carnal e espiritual, então Cristo apenas estava mais consciente disso. Nós, os Peregrinos do Caminho, recusamos e refutamos a herança do pecado, porque vivemos debaixo da Graça, não da Lei. Não obstante, nós somos responsáveis por nossos atos e palavras, os Preceitos do Caminho deixado por Cristo é algo para ser conhecido, estudado e praticado de forma consciente e voluntária. Eu apresentei a elucubração de que não existe o pecado, visto que é inconcebível que Deus o tenha criado ou de que Ele tenha nos sujeitado a algo tão cruel por estarmos agindo conforme a natureza com que fomos criados. Isso nos trona a todos não seguidores, mas imitadores de Cristo, este sendo modelo, não procurava seguidores, mas quem estivesse disposto a despertar para aquele Eu Sou que existe dentro de cada um de nós.

– Meu entendimento é pequeno e curto, Santo Irineu, mas se é assim, por que Cristo morreu na cruz? Por que existem igrejas e padres, se tudo o que temos que fazer é conhecer, estudar e praticar o Evangelho?

– Isso foi necessário porque nossos irmãos hebreus assim precisavam, de outra forma, não receberiam nem entenderiam a Palavra. Verdade seja dita, o Enviado de Deus veio anteriormente entre nós e virá no futuro. Nossa existência nesse mundo tem um propósito e Cristo é aquele que vem nos auxiliar nessa ascensão. A forma, o lugar e o método são moldados conforme a época e a necessidade. Cristo escolheu e quis ser como um de nós, para nos entender melhor, para nos ajudar com mais eficiência.

– Meu entendimento é pequeno e curto, Santo Irineu, mas então nós não precisamos combater o pecado, o mal do mundo e o Diabo que quer nos perder?

– Isso, espírito que se oculta dentro de minha irmã, é algo que incomoda a teu mestre, mas saiba que a Palavra veio para libertar a todos, você e ele também.

O espírito da água, tendo sido descoberto, fugiu apressadamente de sua hospedeira, em fluxos líquidos que saíam dos orifícios corporais, para vergonha da abadessa Sinclética.

– Meu Santo Irineu, valei-me! Sai tanto líquido de dentro de mim que eu creio que eu vou desaparecer!

– Por onde o espírito está esvaindo mais? Ali nós podemos obstruir a saída.

– Ah, que vergonha! Meu Santo Irineu, brota-me líquido profusamente dessa parte minha que mais parece uma concha, que agora espirra feito chafariz!

– Nós não temos muito tempo! Rápido! Abra bem suas pernas que eu irei obstruir a passagem do espírito com minha trava!

Sinclética hesita alguns minutos, pois estava com medo e impressionada com o tamanho da trava que Santo Irineu estava pronto para inserir naquela sua parte mais íntima, sensível e carnosa entre suas pernas. Suspirou, voltou suas preces ao Firmamento, pedindo perdão a Deus pelo que estava pronta a fazer. Tal como no caso dos legionários romanos, era questão de sobrevivência, Deus compreenderia.

– Santo Irineu, seja gentil. Esta minha concha ainda não conheceu homem.

Santo Irineu acenou, confiando que a declaração é verdadeira, pondo-se a trabalhar, lenta, porém com firmeza e consistência, até não sentir mais resistência, até a trava sumir inteira dentro das entranhas de Sinclética. O espírito da água, sem ter opção, saiu por lágrimas e suor do corpo de Sinclética, exorcizado por Santo Irineu.

– Aguente firme, irmã! Nós vencemos! O espírito está abandonando seu corpo.

– Ah! Glória a Deus! Ah! Mas não mexa muito, Santo Irineu! Ah! Meu corpo é fraco e eu não sou forte para resistir ao efeito desse contato carnal.

Inflexíveis são as leis da física, da biologia e da astronomia. Corpos se movem, por conta própria. Sinclética fecha os olhos, geme, sussurra, estremece, vira os olhos. Seus braços, pernas e quadris tem vontade autônoma, enroscando-se, envolvendo, prendendo o corpo de Santo Irineu, somente cedendo as cadeias depois de receber um enorme volume do creme de nozes no ventre faminto, trazendo enorme sensação de bem-aventurança a Santa Sinclética.

Indefectivelmente, o milagre chegou ao conhecimento das demais mulheres que, através dos mais diversos artifícios e subterfúgios, garantiram sua dose de creme de nozes, que foi devidamente derramado entre as coxas delas, imunizando as abadessas das artimanhas do espírito da água, sendo este o quarto milagre de Santo Irineu.

[trechos perdidos]

Dias, semanas, meses passaram e inúmeros sinais e prodígios foram avistados na Abadia da Ordem Maltesa dos Hospitalitários. Santo Irineu, no entanto, ouviu o chamado de Deus e, com tristeza no coração, foi até a Madre Superiora para comunicar sua decisão irrevogável. Santo Irineu partiu em direção até Roma, para valer de sua posição como patrício romano e ir falar com César para abrandar as leis contra os Cristãos. Foi momento de muita tristeza entre as abadessas que guardaram os inúmeros feitos e milagres de santo Irineu, a contar, doze, incluindo as imaculadas concepções que ocorreram após sua partida.