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A diagonal do bispo

Das catacumbas aos palácios.

Ficção baseada em fatos históricos.

[ATENÇÃO, NSFW]

Saudações, distinto público. Eu sabia que podia contar com a presença de tal ilustre audiência. Aqui eu devo introduzir [no bom sentido] o prolegômenos para o atual capítulo. Destarte engano meu, a atenta plateia deve ter percebido o titulo do capitulo anterior e a correlação com o título que encima essa composição. Ambos os títulos são referências ao xadrez, com peças brancas e pretas, onde o objetivo dos contendores é capturar o rei adversário, o que torna evidente qual a relevância de tal referência para a obra como um todo.

Permitam-me debruçar mais sobre o significado do título que capitaneia essas palavras. Cada jogador tem oito peões, que se movem em linha reta. Tem também duas torres, que se movem em linha reta, para frente, para trás, para direita, para esquerda. Peças de movimentos truncados são os cavalos e os bispos. Cavalos movem-se como um quadrado parcial e bispos movem-se pelas diagonais. No tablado, a soberana é a rainha, movendo-se para qualquer das oito direções cartesianas. O rei move-se de forma parecida, mas restrito na distância do movimento. O movimento em L do cavalo é similar ao movimento que o cavaleiro [e o cavalo] fazem em batalha e o movimento do bispo parece ser dissimulado. Esse andar enviesado é característico de farsantes, vigaristas, falsários e estelionatários. Eu creio que me fiz entender.

Antipas é o tipo de estrategista que gosta de jogar xadrez como forma de relaxar e raciocinar sobre seus projetos pessoais. Essa noção de que uma ação produz outra e que ações podem ser antecipadas é a alma do xadrez. Talvez a única falha no jogo é que não inclui as intrigas, as conspirações e as colaborações [sutis ou não] de terceiros. Antipas sabia, melhor do que seu pai, fazer uso da cobiça alheia para monitorar os planos e ações de seus irmãos, atento a qualquer brecha para providenciar que um “acidente” os tirasse do jogo e o colocasse como único regente.

– Então, centurião Portius, meus queridos irmãos perambularam por Bethlehem e, sob escusa de estarem escoltando sacerdotisas, sacaram algumas cabeças dos pescoços.

– Sim, Vossa Majestade. O Tetrarca da Judéia também publicou decreto prometendo indulto aos que denunciarem os Messiânicos. Eu tenho recebido muitas queixas de meus patrícios, colonos, de estarem sendo pesadamente taxados. Roma não irá gostar de saber que seus cidadãos estão arcando com a custa do indulto.

– Arquelau, meu estimado irmão mais velho, só excede em tempo de vida, falta-lhe a maturidade e a diplomacia para tratar de política. Eu estou mais intrigado com a presença do meu estimado irmão Traconítide. Ele não iria até Bethlehem somente para cortar algumas cabeças com nosso irmão. O que me faz deduzir que ele está envolvido, de alguma forma, com essas tais sacerdotisas que alegaram estar escoltando. Poderia ser mais detalhista quanto a essa incomum companhia?

– Sim, eu posso, Tetrarca da Galiléia. Por acaso [não existe coincidência] meu colega, centurião Ariovanus, juntamente com dois legionários, encontraram e escoltaram esse grupo até Bethlehem. Questões de ordem administrativas nos fazem prestar relatório com a ocorrência do dia e eu soube então, por declaração do mesmo, que se tratam de uma Suma Sacerdotisa, enviada de Bizâncio, com duas noviças, com o intento de inaugurar o templo de Astarté em Bethlehem.

– Isso está ficando mais interessante. Prossiga.

– Pouco depois, outro colega meu, centurião Laurentium, declarou que tinha sido responsável pela escolta do Tetrarca de Iduméia até Bethlehem, juntamente com dois convidados, aparentemente tendo por objetivo encontrar esse mesmo grupo.

– Perfeito, centurião Portius, perfeito. O senhor não saberia o nome dos demais envolvidos, saberia?

O centurião abriu um largo e amplo sorriso naquelas faces acostumadas à dura rotina militar, como o jogador imprudente que acha que fez manobra inteligente e está com a partida ganha.

– Eu tenho todos os nomes envolvidos, Tetrarca da Galiléia. Além de Vossos nobres irmãos, eu cito a Suma Sacerdotisa Yonah, a Suma Sacerdotisa Sulamita, a noviça Myriam Nazarena, a noviça Myriam Magdalena e o rabino Zacarias.

– Excelente, centurião Portius, excelente. Eu te peço que aceite esse pequeno presente como agradecimento meu. [o centurião arregala os olhos e fica boquiaberto diante da bolsa com trezentos sestércios de ouro]. Infelizmente nossa gratidão está limitada.

– Vossa Majestade é muito gentil e magnânimo. Eu me coloco à Vossa disposição.

Antipas meneia a mão, dispensando o centurião que, feliz, levanta, faz a saudação costumeira e parte, sem demora, de volta ao seu destacamento. Esta poderia ser a ocasião que ele esperava, se não tivessem duas sacerdotisas envolvidas.

O nome de Yonah e das noviças nada significam para ele, mas a coisa muda de figura com Sulamita. Ao contrário de seus lesados irmãos, Antipas sempre levava a sério aquilo que fazia e não foi diferente quando Herodes, seu pai, colocou todos na Escola dos Helênicos e trouxe Sulamita para o Heródio. Seus irmãos não assimilaram nem aprenderam o que era esperado e foram iniciados formalmente por noviças. Quando foi a vez dele, Antipas lembra muito bem de seu pai ter chamado ela, Sulamita, para consumar o Hiero Gamos, rito crucial da iniciação no Caminho. Antipas perdeu as contas das vezes que ele foi convidado a compartilhar o leito de seu pai com esta beldade incomparável e, mesmo sabendo que era vetado e inútil, acabou se apaixonando pela Suma Sacerdotisa.

Ao contrário de seus irmãos, Antipas acompanhou e compartilhou a dor de Herodes quando Sulamita desapareceu sem deixar notícias. Embora não tivesse certeza, o Tetrarca da Galiléia deduziu que ela provavelmente fugiu para gerar o filho que seu pai insaciável plantou no ventre dela.

– Meu irmão, meu esposo, eu não estou me sentindo bem.

Antipas pisca os olhos três vezes ao interromper o raciocínio e virar o rosto na direção da suave voz feminina que se dirigia a ele. Herodíades tem ficado mais carente de atenção e cuidados do que o costume e ele considera inevitável, tendo em vista a crescente protuberância que ela tem no ventre. Nisso Antipas é parecido com Herodes, a despeito do conhecimento das artes e de como prevenir a gravidez, ele sempre acabavam esquecendo-se dos cuidados quando estava entre as coxas de sua mais amada e eles sempre derramavam enorme quantidade de sua essência naqueles templos preciosos.

– Minha irmã, minha esposa, deveria estar descansando. Carregas contigo o fruto de nossa união.

– Perdoa-me, meu irmão, meu esposo, mas a tua semente que cresce dentro de mim me tornou sensível à sua ausência. E a parteira disse que é bom que eu me movimente um pouco. Eu vim de fazer companhia e… oh! Meu irmão, meu esposo!

Herodíades tinha uma expressão esquisita, aparentava estar curiosa, espantada e amedrontada, olhos vidrados, enquanto com um dedo de sua delicada mão apontava para algo no meio das pernas de Antipas.

– Meu esposo, meu irmão! Eu espero sinceramente que esteja pensando em mim para ficar nesse estado. Eu espero honestamente que não siga o hábito tão comum entre nobres e reis e esteja pensando em usar esse seu talento em outras carnes.

Pego em flagrante, sem poder negar ou esconder algo tão formosamente evidente, Antipas podia, ao menos, fraudar o nome da autora da façanha.

– Minha irmã, minha esposa, eu confesso que sou culpado até ultima instância. Não tem como eu negar que eu pensava e a prova cresce dentro de teu ventre. Viste o centurião que acabou de sair daqui? [acena sim] Ele me trouxe a boa notícia que nossos irmãos vão inaugurar um templo de Astarté em Bethlehem. Eis que eu fiquei divagando, lembrando-me dos dias em que estivemos aprendendo juntos o Caminho. Eu fiquei nesse estado lembrando-me de cada minuto que eu passei ao teu lado.

– Ah, meu irmão, meu esposo! Eu sabia que tu estiveste apaixonado por mim no primeiro minuto que eu te conheci. Eu sofri muito quando nosso pai me entregou a Felipe [chamado Romano] e eu posso me elogiar por ter me guardado. Eu nunca te disse isso, meu irmão, meu esposo, mas você foi meu primeiro homem.

Antipas olha para Herodíades com alguma incredulidade. Por mais impossível que pareça, Felipe [chamado Romano] era bem capaz de ser tão… incapaz. Ou talvez o irmão caçula saiu com a mesma herança que seus demais irmãos, ignorantes no apreço devido que o homem deve dar à mulher. Antipas nunca vai admitir isso, mas Herodíades foi a primeira dele… bom, a primeira virgem, a primeira engravidada. Na perspectiva dele, a iniciação não conta, as vezes que ele violentou servas não conta, as vezes que esteve na casa das cortesãs não contam. Essas vezes foi apenas contato carnal, sexo brutal, sem amor. Herodíades foi a primeira dele porque foi com amor, com tesão, com vontade. Mesmo naquele estado em que ela estava, ela atiçava seu apetite e o volume só aumentou.

– Ah! Meu irmão, meu esposo! Pare com isso! Se continuar, é bem capaz que venha a explodir!

– Eu não consigo, eu não posso! O que nós faremos?

– A responsabilidade é minha. Sou eu quem tem que cuidar disso. Eu não posso permitir que derrame sua semente no chão, isso seria pecado.

Os olhos de Herodíades brilham com satisfação e gula assim que liberam o volume de seu esconderijo. Isso é algo que ela aprendeu e brincou muito com Antipas. Suas mãos e seus lábios cresceram e desenvolveram habilidades providenciais para esses casos. Ver, observar, fazer. Não faltaram professores e professoras, ainda que acidentais, servos e servas, que brincavam pelos cantos do palácio. O que ela aprendia, sabia que podia contar com a “colaboração” de seu irmão para repetir e praticar. Antipas era o único que recebia tal tratamento e, de certa forma, isso o treinou para executar o Hiero Gamos.

– Gush! Ack! Cofcof! Meu irmão, meu esposo! Quer me matar afogada?

– Mil perdões, minha irmã, minha esposa. Seus lábios me fizeram sentir muito bem.

– O sabor da sua essência e a rigidez de seu troço também me fazem me sentir bem. E… oh… isso ainda está duro e eu estou precisando sentir isso dentro de mim.

– O que pretende, minha irmã, minha esposa? Tu estás no período de resguardo. Eu posso danificar esse fruto que cresce em teu ventre.

– Ah, meu irmã, meu esposo! Você me ensinou algo valioso para momentos assim. Venha por trás, como fizeste anteriormente. E não ouse sair enquanto não esvaziar toda sua carga dentro de mim.

Herodíades não sente vergonha alguma em ficar diante de Antipas naquela posição que é mais habitual entre rameiras, de quatro, como se fosse uma fêmea animal, arrebitando os quartos, praticamente implorando para ser empalada. Antipas retira toda a fantasia que reis vestem para se diferenciar de homens comuns e, sem prurido e compaixão, faz uso de sua “ovelha” como bem quer e só cessa de arremeter o aríete através daquela estreita passagem quando esgota seu sêmen até a última gota.

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Célebres habitantes dos Elíseos

[ATENÇÃO! NSFW!]

Das catacumbas aos palácios.

Ficção baseada em fatos históricos.

“Eu vejo o futuro repetindo o passado

Eu vejo um museu de grandes novidades”.

Os países da Europa cometeram inúmeros crimes contra a humanidade, tanto no Colonialismo [América ou o Novo Mundo] quanto no Neocolonialismo [África, Oriente Médio, Ásia]. Os Países do Primeiro Mundo devem [e muito] de sua riqueza e desenvolvimento aos Países do Terceiro Mundo. O maior problema dos países que se tornaram colônias é a presença de um governo de fachada, um Estado Fantoche, onde o regime e o sistema social possuem características favorecendo a Matriz em contraste com os interesses da população. Países dependentes, como na África e no Oriente Médio, sobrevivem em extrema pobreza, fome, doenças e conflitos unicamente para atender aos interesses do Mercado.

Os países da Europa cometeram os mesmos crimes que a República de Roma [e o Império Romano] causou nos reinos conquistados. Invadiram e interferiram em assuntos de Estado e abusaram da força para garantir a soberania absoluta da Cidade do Mundo. Por onde passaram, as províncias sobreviviam em constante tensão, por ter um rei ou governante local, cujo poder e autoridade eram constantemente contestados e desafiados pelos cônsules e procuradores de Roma.

A história mais dramática foi a que envolveu Roma e o Egito, com direito a cenas trágicas dignas de Shakespeare entre Cleópatra e Marco Antônio. Mas não creiam que a Grande Cleópatra [Philopator, VII] ofereceu seus belos seios para a mordida da víbora, preferindo morrer a ficar sem seu César [ela teve dois, Júlio e Marco Antônio]. Assim como Herodes [que esteve em exílio em Alexandria], ela sentiu o gosto amargo de ter que lutar pela vida e pelo direito de sucessão ao trono contra seus próprios familiares. Ela sabia, como Herodes, usar da diplomacia e ela tinha seus belos dotes naturais como vantagem. Roma soube como reconhecer e agradecer ao apoio dado pela ultima da Dinastia Ptolomaica nos confrontos contra os Partas e a posição estratégica de Cleópatra era extremamente útil para controlar os Nebateanos, além de apoiar as Armas de Roma no reino da Judéia. Cleópatra preferiu a morte a ter que entregar sua coroa e a ver o Egito que ela adotou como reino entregue ao “bárbaro estrangeiro”. Ela poderia sobreviver até a velhice, casando com Otaviano, seus filhos com Júlio e Marco Antônio ficariam na linha de sucessão e a Dinastia Ptolomaica poderia fazer parte da Dinastia Cesariana. Mas a grandiosidade da regente mais culta e mais helênica do Egito não aceitaria tal capitulação.

Herodes tentou imitar a grandiosidade de Cleópatra e chegou viver até quase os setenta anos na época em que a expectativa média de vida mal chegava aos cinquenta. Viveu o suficiente para entregar a quatro filhos seu trono, esperando manter alguma unidade e autonomia diante de Roma. O velho safado deve estar, certamente, experimentando o sabor do fruto que Cleópatra tem entre as coxas, no Pós-Vida. Tendo em comum a cultura helênica e o apreço aos mistérios antigos, ambos terão muito que conversar e comemorar, enquanto riem muito das trabalhadas de seus sucessores. Eu até imagino o diálogo.

– Pelo Bode de Mendes, Hebreu! Onde aprendeste tais artes?

– Ah, mais bela filha de Ptolomeu, eu aprendi com as mesmas sacerdotisas que te acompanharam e instruíram em vida.

– Por Amon Rá! Nós nos conhecemos em Alexandria e eu vejo aqui na Terra dos Ancestrais que desperdicei minha juventude e talentos com o rei errado.

– Ah, grande afilhada de Isis, eu não tinha poder e riqueza, eu não te faria feliz.

– Pelos dentes de Sebek! Poder e riqueza eu os tinha. Eu permiti que os Césares me acompanhassem e me cortejassem por mera conveniência política. As Armas de Roma davam a eles poder e riqueza, mas tu tens o cetro, basileu hebreu.

– Ah, quase soberana do mundo, eu me sinto elogiado e privilegiado. Mas o que seria dos livros de história se nós tivéssemos gerado descendência?

– Que vá para Apophis os livros de história. Eu teria tido herdeiros melhores [e mais prazer]. Teu reino de Judá teria reis melhores. Eu fico aqui espantada com o que resultou de Felipe, chamado Romano, perdendo a coroa e a maior riqueza [Herodíades], rastejando como verme de volta para Roma, onde vive como o esposo corno manso da cortesã Berenice.

– Se não fosse pelas paredes dimensionais, eu pessoalmente daria um safanão nele. Eu custo a crer que seja eu pai de Arquelau e Triconítide. Eu deixei prescrições com o Ancião Hilel antes de partir, mas vejo que simplesmente ignoraram.

– Eu estou certa em ver que ao menos Antipas tem chance?

– Infelizmente não, Pérola de Mênfis. Embora Antipas tenha habilidades semelhantes às minhas, ele vai se perder do Caminho quando seu lado rabínico [que herdou da mãe] aflorar.

– Ele não recebeu o mesmo treinamento e iniciação formal nas Escolas de Mistério de todos seus filhos e filhas?

– Ah, favorita de Hórus, infelizmente receber as chaves não torna alguém legítimo. Mesmo eu sinto arrepios ao ver Romanos transformando o culto de Isis, do seu povo, em algo completamente diferente, misturado, multicultural, mundial, popular.

– Nem me lembre de tal aberração. Estão transformando minha Deusa Isis nessa Deusa da religião de massas. Ignoram que Ishtar, Astarté, Asherah, Cibele, Juno e Réia são Deusas completamente diferentes.

– Eu sinto vergonha em admitir que meu povo está indo na mesma direção. Nós estamos transformando Yahu Adonai algo mais parecido com Ahura Mazda. Os rabinos estão sistematicamente omitindo a existência de Asherah e perseguindo os templos de Astarté. Foram-se os anos em que nós podíamos, alegremente, celebrar a Rainha dos Céus e seu Consorte, El-Yah [IHVH], o Bode de El.

– Hmmm… por que será que isso está acontecendo? Mesmo os Persas conservaram parcialmente o politeísmo. Nem mesmo o famigerado Akenathon, em sua tentativa de impor o culto a Athon como único, não extinguiu os demais Deuses, embora os tenha reduzido à manifestações de Athon.

– Quando eu cheguei aqui eu ouvi outros conversarem sobre a chegada do Aeon de Peixes. Até aqui se fala que o Demiurgo irá assumir a forma do Messias e irá definir o destino da humanidade até o Aeon de Aquário.

– Acredita mesmo que as estrelas digam e determinem a direção das forças que ordenam o mundo dos vivos?

– Esse é um enigma. O mar empurra o barco ou o barco acompanha a maré? Eu só sei que nunca vou deixar de seguir a luz da sua estrela.

– Mhmmm… escutar você falando essas bobagens no meu ouvido me deixa toda lânguida. Assim fica fácil você me dar orgasmo múltiplo.

– Meu maior objetivo. Vamos deixar os vivos cuidarem do mundo humano. Eu tenho você para cuidar e você é muito mais importante.

Cleópatra se contorce, geme, treme, resfolega, se entrega ao prazer e sente, satisfeita, chegar ao orgasmo múltiplo no mesmo instante que seu ventre é preenchido por aquele líquido quente, gosmento e esbranquiçado que costuma ter efeitos colaterais. Não temos com o que nos preocupar, a frutazona, fruto silvestre, existe em abundância na Terra dos Ancestrais, cujo efeito é afrodisíaco, anticoncepcional e previne qualquer tipo de DST.

Ambos ficam deitados na relva dos campos Elíseos vendo, literalmente, estrelas da Via Láctea. De repente, chega outra amiga que fizeram por lá, Arsínoe.

– Hei pessoal, Bnebdjet está fazendo uma festa. Nós fomos convidados, vamos lá? Vai ter bastante comida, bebida, nós poderemos fazer muita música e amor.

– Vamos, querido? Será uma competição acirrada entre você e o Bode de Mendes.

Eu, pobre coitado escriba, resta imaginar o que pensariam os ditos homens santos de Deus se soubessem que o Paraíso é uma putaria eterna? O que fariam as pessoas comuns, exploradas, enganadas, iludidas pelos vendilhões do templo quando se dessem conta de que desperdiçaram a curta existência carnal se martirizando, sofrendo, se punindo por essa fábula chamada pecado? Não dizem que o mundo foi criado por Deus? Então tudo vem de Deus. Não dizem que nós fomos criados por Deus? Então nossa natureza, nosso corpo, todos os nossos desejos, todas as formas de prazer, vem de Deus. Quem tiver ouvidos, ouça; quem tiver entendimento, entenda.

Peão que sonha ser rei

Das catacumbas aos palácios.

Ficção baseada em fatos históricos.

[ATENÇÃO, NSFW]

O Grande Basileu conduziu seu trono com diplomacia, algo que ele aprendeu e adquiriu no exílio. Por saber que seus irmãos e parentes estavam com espadas ao encalço de seu pescoço, mesmo quando recebeu sua coroa e as congratulações hipócritas de seus familiares, ele não se apegou ao trono nem à coroa. Ele vivia cada dia como se fosse o último e tratou de eliminar seus adversários de forma discreta e eficiente. Não obstante, ele passou para a história como aquele que ordenou o Massacre dos Inocentes, coisa que nunca aconteceu, mas acabou ficando o perjúrio, tal como aconteceu com o faraó Ramsés. O Grande Basileu tentou ensinar a seus filhos aquilo que sabia, os colocou na Escola dos Helênicos, os fez aprender o Conhecimento, os passou pelo Rito de Iniciação, mas seus filhos são outras almas e passaram por outras experiências. Cada vida, cada alma é única e individual, assim como o aprendizado e a experiência.

Dos quatro filhos que receberam a coroa do Grande Basileu, Felipe [chamado Romano] desistiu sem sequer ter recebido a coroa. Atacado em Betel, sobreviveu por milagre e foi recolhido, irreconhecível, por viajantes samaritanos. Tratado, curado, recuperado, Felipe [chamado Romano] recusou receber as horarias que lhe cabiam, partiu sem demora a Cafarnaum e de lá solicitou hospedagem e asilo em Roma, para onde, dizem, viveu seus dias ao lado de Berenice, que alguns dizem ser parente dele e outros dizem ser a sacerdotisa que o curou.

Antipas ouvia os relatórios sem disfarçar o sorriso cínico. Ao contrário de seu pai, Antipas tinha plano, grandes planos e ele não ficaria esperando seus tios, primos ou irmãos irem em busca do pescoço dele. Obter informações era algo acessível, por ouro ou por favorecimento, não faltavam legionários, centuriões ou mesmo funcionários romanos dispostos a lhe entregar até os segredos mais íntimos de Tibério Cláudio Nero César. Ao contrário de seu pai, Antipas via claramente as brechas e fraturas dentro da temível Roma e sabia exatamente como explorar o sistema para seu benefício próprio. Há tempos que o cônsul Escauro Puer tinha deixado a província da Síria, passou para as mãos de Saturnino e então de Quintílio.

A instabilidade no poder de Roma é falada no Sanhedrin como forma de escandalizar, tornou-se interessante, importante e lucrativo, indispor o populacho contra os Romanos, os Gentios e não faltavam motivos. De tempos em tempos os ditos profetas dos Messiânicos vinham gritar sobre o “novo” escândalo que acontece na então chamada Cidade do Mundo, o que faz Antipas rir bastante, pois os mesmos homens de Deus aplaudem e elogiam Davi e Salomão, cujas vidas estão bem longe do ideal imaginado e contado. Quando não são os Romanos, os pregadores falam de Antipas, seu nome é tão lembrado por esses vigaristas itinerantes quanto seu finado pai e essa mágoa e rancor é algo que Antipas não quer herdar.

– Oahooo… que barulho é esse? Que horas são?

Antipas olha para o corpo da mulher que estava até a pouco ronronando, satisfeita, ao seu lado, em sua suíte real, no aconchego do palácio do governo da Galiléia. Isso Antipas aprendeu com seu pai, um homem que não consegue segurar sua mulher não serve para reinar. Felipe [chamado Romano] não soube manter essa tigresa, essa tal de Berenice deve se satisfazer com pouco.

– Boa tarde, princesa da Galiléia. Como senhora e rainha de um quarto do reino da Judéia talvez queira se juntar a seu esposo para decidir os rumos de nosso reinado.

– Ah! Eu estou sem roupa! Por que não fizeram a reunião em outro cômodo?

– Por que, minha senhora e esposa, nós estamos no palácio do governo da Galileia, não no Heródio. Além do que, Rosa de Saron, como teus súditos eles devem manter a submissão extrema à tua vontade. Mesmo que esteja sem roupas e debaixo de meu corpo, sua ordem deve ser suprema. Vamos! Experimente! Dê uma ordem!

– Bom… hã… hei, você… sim, você… de turbante laranja… traga minhas roupas. E você… esquisitão forasteiro… traga para mim lentilha e leite de cabra para meu desjejum.

Os escolhidos levantam, executam a ordem, sem encarar as formas perfeitas do corpo de Herodíades e sem demonstrar estarem excitados. Herodíades se enfia dentro da túnica e começa a comer lentilha com leite de cabra, sem acreditar no que acabou de ver.

– Muito bem, senhores, continuem. O que tem a me dizer de meus outros irmãos, Arquelau e Traconítide?

– Arquelau sediou seu trono em Bethlehem, de onde tem conduzido seu reinado, favorecendo os colonos romanos, promovendo o ecumenismo entre crenças diferentes e tem construído templos que tem causado grandes protestos entre os Hebreus.

– Dizem que ele está trazendo de Bizâncio uma legítima sacerdotisa para inaugurar em Bethlehem o templo dos Gentios, podem confirmar?

– Isso é certo, bom Tetrarca. A custo dos impostos que são cobrados de nosso povo.

– O Sanhedrin não se pronunciou?

– Não diretamente, bom Tetrarca. Nós temos indícios fortes que o Sanhedrin está por detrás dos Messiânicos e de uma sociedade secreta chamada Ordem de Melquisedeque.

– Deixem comigo tudo que averiguarem. E meu outro irmão, Traconítide?

– Como o bom Tetrarca sabe, vosso irmão tenta imitar o rei Arquelau. Reconstruiu Bethsaida e construiu a Cesaréia de Filipe [chamada de Filipéia, conhecida como Pânia].

– Isso demonstra que meu irmão se mostra igualmente favorável aos Romanos. Excelente notícias, eu agradeço aos senhores. Aceitem esse pequeno agrado [cem sestércios de ouro a cada um] e espalhem a todos que o reino de Judá deve ser um único reino, com um único rei, para que possamos voltar a ser o Povo Escolhido, do Verdadeiro Deus Único.

Os “colaboradores” arregalam os olhos e agradecem. Cem sestércios de ouro são o máximo que se consegue em um ano. Antipas sabe que o amor ao ouro é maior que o amor para Roma, ou para Deus.

– Ufa… que alívio… foram embora. Agora eu posso relaxar. Francamente, Antipas, como pode confiar nessa gente?

– Eu não confio, Preciosa Joia de Hebrom. Essa é a vantagem que eu tenho, eu sei como usar essa gente. Os Romanos falam de gente assim como “clientes”. Eles são meus clientes e vão fazer aquilo que eu quero que façam porque estão conseguindo o que querem. Essa é a instituição mais antiga do mundo, minha amada. Pessoas que se organizam com fins de estabelecer negócios e trocas de favores, para benefício mútuo. Eu convenientemente deixo outros de fora dessa “convenção”, para que o orgulho, inveja e ciúme os deixem disponíveis, para o caso de eu ter que “romper” meu contrato com meus “clientes”. Eu sei que nosso finado pai morreu com o peso nas costas de ter levantado a espada e tirado sangue de nossa própria família, eu consigo fazer isso com mais facilidade e sem peso na consciência.

– Isso… isso é algo terrível a se dizer! Como pode dizer isso, sabendo que eu perdi minha mãe e familiares por ordem do nosso pai? Você seria capaz de levantar a espada contra mim?

Antipas sabia que Herodíade não sabia dos detalhes e era pequena quando aconteceram os fatos. Ela estava lá, naquela cadeira de cedro e folhas de palmeira trançadas, com olhos mareados, lábios tremendo, pronta para chorar. Ela precisa saber de toda a verdade. Senão ele não vai poder sossegar a ereção que acaba de ter.

– Você tinha três anos quando nosso pai te trouxe para casa. Eu tinha sete anos e eu fiquei apaixonado por você no primeiro dia que te vi. Eu vou te contar a versão que sua família não te contou. Nós todos só estamos vivos porque papai teve que mata-los. Hircano e Antígono teriam nos matado a todos, mesmo que fossemos filhos de outras mulheres. Eu só pude te reencontrar e te livrar de um péssimo esposo porque papai te acolheu, se fosse o inverso, nós dois estaríamos mortos. Eu não temo a morte, mas eu ficaria muito chateado se você sentisse alguma dor ou sofrimento.

[fungando]- Vo… você me ama tanto assim?

– Não duvide disso, minha irmã e esposa. Eu prefiro morrer a te causar algum dano. Por isso eu tenho que afastar quem te deseja mal. [Antipas senta próximo de Herodíades e começa a abraça-la, beija-la e acaricia-la].

– Como assim? [Herodíades geme, treme e fecha os olhos].

– Nossos irmãos, minha irmã e esposa. Nesse exato momento eles podem muito bem estra planejando alguma forma de me matar ou de te ferir. Eu não posso permitir isso. [Antipas rasga a túnica e desce até os joelhos de Herodíades, atravessando
o corpo dela inteiro com beijos].

– Ah! Meu irmão e esposo! Sabe que não consigo pensar e raciocinar direito desse jeito! [Antipas limpa o rosto barbado do doce sumo que acabou de extrair de Herodíades].

– Consegue ouvir o pregador, minha irmã e esposa? Consegue ouvir as bobagens que ele fala em seu nome, supostamente para dar lição de moral?

– Sim… eu ouço ele fazer essas pregações dias a fio e nunca me incomodei. Eu sou a rainha da Galiléia, eu não tenho que me rebaixar ao nível dele.

– Eu te trago a cabeça dele, se me prometer conceder um pedido. Eu vou te provar que a cabeça dele, o sangue dele, não é diferente da cabeça e sangue de nossos irmãos.

– Meu irmão, meu esposo, meu rei… você está começando a me assustar. Mas eis que eu estou nessa situação e não sou capaz de te negar coisa alguma quando vejo teu pilar erguido. Faça o que pretende, faça-o rápido, que eu lhe concedo um pedido.

Fácil demais. Herodíades cresceu em anos, mas não amadureceu, continua sendo a mesma garotinha que ele conheceu na infância. Fácil como trapacear e enganar seus clientes. Cinco minutos depois, Antipas, quebrando a regra que ele tinha fixado para si mesmo, reaparece, com a cabeça decepada do pregador.

– Essa é a verdade da realidade, da vida, minha querida e muito amada. Esses que se intitulam homens de Deus são vigaristas, falsários, farsantes, estelionatários. Tal como meus irmãos, eles arrogam a si algo que não possuem. Força, poder, autoridade, são coisas dadas por Deus. A quem Deus deu a força, o poder, a autoridade?

Herodíades nunca tinha visto tal coisa, tal demonstração. Naquele momento, Antipas parecia muito bem ser o Messias enviado por Deus.

– Você! Meu rei, meu senhor, meu esposo, meu amante, meu irmão! Vamos, adiante! A cidadela está rendida! Avance, invada e tome o que te pertence!

Fácil demais. Herodíades cedeu fácil demais naquela farsa em que ele a “resgatou” de Felipe [chamado Romano]. Sem qualquer remorso ou compaixão, Antipas gira Herodíades enquanto a segura pelo quadril.

– He… hei… o que é isso? O que significa isso, meu irmão, meu esposo?

– Esse é o meu pedido, minha irmã, minha esposa. Nós faremos como os Gentios. Eu irei tomar o teu castelo pela porta de trás.

– N… não faça isso… é proibido… Deus proíbe… [Herodíades finge resistir, mas no fundo está gostando].

– Este homem se dizia profeta de Deus, mas Deus não clamou pela vida dele, assim como eu não ouço Deus clamando para que eu não te possua pelos quadris. Além do que, você me deve um pedido.

– Ah! N… não… não dá… é muito grande! [Herodíades finge estar com medo, mas quer tanto sentir aquilo dentro dela que está pronta a aguentar a dor].

– Eu te peço que confie em mim, minha irmã, minha esposa. Eu sei como fazer, para que não sinta dor, apenas prazer.

Herodíades reluta, remexe, finge sentir incômodo, mas o corpo dela mostra outra coisa. A pele arrepiada, a pulsação e respiração acelerada. Quando ela resolve parar de fingir e ser sincera consigo mesma, repara, espantada, feliz e realizada, que aquilo tudo coube dentro dela. Antipas, coitado, é rapidamente subjugado quando os quadris de Herodíades ditam a intensidade. Herodíades grita de satisfação quando sente seu esposo, seu irmão, desfalecendo e esvaindo dentro dela. Nisso o peão e o rei são iguais, ambos são vencidos pela rainha.

Encontros improváveis

Das catacumbas aos palácios.

Ficção baseada em fatos históricos.

Rumos secundários.

Na província da Anatólia, na região da Bitínia, na praça pública [ágora] de Bizâncio, Cícero encontra com Aristóteles. Os dois gênios da humanidade não conseguem se conter, abraçam-se e colhem a assinatura um do outro.

– Grande orador do Senado, a quem eu devo a satisfação de encontra-lo em tal local tão inusitado?

– Ora, ora, Pai da Ciência, eu sequer sou digno de te amarrar a sandália.

– Ah, eu que prefiro combater com os Platônicos antes de confrontar sua mente. Mas vamos nos sentar. Nós estamos em Bizâncio, uma cidade peculiar, por sua origem e influência em nossos povos.

– Sim, nos sentemos, por Jove, que esse calor é maior do que eu presenciei na Trácia. Servo, traga-nos o melhor prato e a melhor bebida. Mas diga-me, mestre, o que há de tão peculiar em Bizâncio?

– Diga-me grande orador, com sua mente astuta, estamos nós na Europa, na Ásia ou no Oriente Médio?

– Esta é a questão que respondida me custaria o pescoço. Vede que coisa, mestre, nós alegamos sermos oriundos da trágica Troia, cidade mítica que, crê-se, estava localizada em algum ponto da planície da Anatólia. Nós nos orgulhamos de nosso Patriarca Enéias, a quem confiamos linhagem divina por parte da Deusa [chamada de Vênus por Romanos, conhecida como Afrodite por Helênicos, imensamente reconhecida por inúmeros povos como Astarté e Ishtar]. Nós alocamos Roma, a Cidade do Mundo, na Europa, sendo que esta Deusa tem origem fenícia. Nós trouxemos, em júbilo, a estátua da Magna Mater Dea, Cibele, sendo que esta Deusa tem origem frígia. Então, quem somos nós? Nossos antepassados e ancestrais vieram de diferentes regiões, de diferentes povos e tinham outros Deuses e Deusas. Eu chego à conclusão que todos nós somos imigrantes e mestiços, não existe a gens, bobagem na qual baseamos o direito de uma pessoa se declarar patrício legítimo.

– Precisamente, grande orador, precisamente! Meus concidadãos não são diferentes, eu te digo. O governo que tanto assombra o mundo, a chamada Democracia, invenção nossa, concede o direito somente a poucos. Nós deixamos de lado os aborígenes, os escravos, as mulheres e os estrangeiros. Nós alegamos sermos descendentes de Heleno, tal como vosso Romulo, o Patriarca Mítico, semelhantemente atribuída linhagem divina, muito embora nossa origem seja diversa. Nós somos Pelágios, Aqueus, Eólios, Dórios, Jônios e Minóicos. Nossos Deuses e Deusas são tão assimétricos quanto nós, foi por obra de Homero que nossas crenças forma organizadas e dali pode-se dizer que apareceu a religião dos Helênicos, dominada pelo Dodecatheon, regidos por Zeus. Não obstante, cada acrópole é soberana e constantemente está competindo com suas “irmãs”, então enquanto Atena é celebrada massivamente na acrópole que recebe seu nome, em Chipre Afrodite é soberana. Mesmo o tão aclamado e dito Rei dos Deuses, Zeus, está reduzido em forma de Naos Bouleus, em nossas colônias asiáticas e semíticas.

– Quer ouvir o mais hilário? Nós, que agora nos consideramos os conquistadores do mundo, nós adotamos e assimilamos vossos Deuses e Deusas e os “repatriamos” dando-lhes nomes latinos. Nós tornamos Jove igual a Zeus, Marte igual a Ares, Vênus igual à Afrodite e assim por diante.

– E cá nós estamos quase aos pés do templo de Astarté, assemelhada à Vênus, Afrodite e mesmo estas Deusas são reflexos, cópias ou filhas da Grande Deusa, Ishtar. Nomes diferentes para as mesmas pessoas divinas?

– Eu escrevi um tratado sobre isso chamado De Natura Deorum. Eu fui mal compreendido e acusaram-me de impiedade. O que eu expus foi que a nossa percepção do divino é limitada e superficial, eu jamais aleguei que o divino é inexistente.

– Eu ouvi pensadores na ágora afirmando que todas as coisas são formadas de elementos minúsculos chamados átomos e nada mais. Estes até estão utilizando de forma indevida o meu método de observação. Eu sinto vontade de empurrar as cabeças deles dentro das estátuas para que eles procurem ali o átomo da arte, do talento, da inspiração e da ideia.

– Não foi teu conterrâneo, Platão, que diz que as coisas vêm do Mundo das Ideias?

– Eu considero esse o extremo oposto. Eu vejo, repugnado, surgir a dita Escola Neoplatônica, onde a observação séria da natureza se mistura com o pior tipo de misticismo.

– No entanto a observação da natureza não indica a ação de forças conscientes?

– Esta é exatamente o motivo de minha presença em Bizâncio. No meu lar em Estagira, eu ouvia o público falar e comentar de um homem que dizem ter morrido e ressuscitado, a quem são atribuídas obras que desafiam a ordem natural, o tal de Orfeu.

– Pois de minha doce Arpino, eu investiguei as obras das Sibilinas e não encontrei explicação racional para o que eu testemunhei. Por desígnios igualmente misteriosos, eu atravessei longa jornada até Bizâncio pelo mesmo motivo que o teu. Tem sido preocupação constante no Senado o aparecimento e crescimento de sectos, credos, sociedades e grupos, com certas mensagens, práticas e atitudes que podem vir a se tornar ameaça à República de Roma. Credes que possamos encontrar os ditos magoi?

– Tudo é possível, até que se encontre melhor explicação, indício ou evidência. Eu estimo que, ao menos, consigamos apreciar o Velho Mundo [nota – para a presente ficção, a Europa é o Mundo Novo].

– Ah! Eu estou farto! Excelente comida e bebida. Meus cumprimentos ao estalajadeiro. Acompanha-me até o templo de Astarté? Depois de laudo refeição, o apotecário recomenda exercício e, por Jove, façamos a ginástica de Eros e Afrodite, com auxílio das sacerdotisas.

– Por vossa Vênus, adiante! Eu tenho cá comigo infusões que garantem efeitos impressionantes para estimular o corpo e prevenir efeitos colaterais oriundos do contato corporal.

– Quanto a isso, mestre, eu posso te garantir que nestas terras e entre estes povos, nós encontraremos “tecnologia” avançada que nos capacitará sabores inesquecíveis.

– Nada mais justo. Afinal, nós estamos nos Jardins da Deusa. Como nós poderíamos render as devidas homenagens sem ter as ferramentas necessárias para tanto? Vamos então revirar entranhas até secar nossa essência.

O senador romano e o artífice helênico marcham, rindo e cantando, até as longas escadarias de mármore do templo de Astarté. As sacerdotisas percebem a vinda dos viajantes e os recebem alegremente. Uma pequena adaptação de dialeto e conseguem se entender perfeitamente. Cícero e Aristóteles são conduzidos ao salão principal, no qual encontram diversos nichos contendo inúmeras infusões e emplastros. A Suma Sacerdotisa anota [discretamente] os nomes, de onde vem e o que procuram os visitantes.

Cícero escolhe uma noviça, cabelos amarelos como trigo, pele alva e olhos azuis que diz vir da Saxônia e alega ser inexperiente. Aristóteles escolhe uma veterana, cabelos encarapitados, pele negra e olhos cor de âmbar que diz vir da Numídia. Diante da estátua de Astarté, Cícero oferta seiscentos sestércios de ouro e completa com cem sestércios de ouro a modesta contribuição de Aristóteles.

As escolhidas conduzem os penitentes para suas alcovas, levando infusões, emplastros e tripas de carneiro costuradas. Esboçando um sorriso cínico, Cícero admoesta Aristóteles.

– Mestre, por acaso carrega contigo algum de seus artifícios mecânicos? Eu temo por tua vida, cavalgando em tal grande felina africana.

– Nefertari garantiu-me que o que temos é o suficiente. Eu vou dar crédito a ela, afinal, ela é experiente. Eu, por meu lado, preocupo-me contigo, orador. Eu rogo a Réia que teus concidadãos jamais saibam que conduzes ao sacrifício tão jovem nubente que poderia muito bem ser tua neta. Eu espero que tu tenhas tanto talento na ginástica de Eros e Afrodite quanto é talentoso na Oratória.

– Eu te garanto, mestre, esta ninfa falará por ela mesma… ou melhor… seus gemidos serão mais eloquentes do que Catilina.

Os gênios da humanidade riem e troçam um do outro. Nisso eles se igualam ao homem comum. Duvidar da capacidade e masculinidade alheia é a forma mais elegante de afirmar a própria. Mas o jogo muda de mando, assim que adentram nas alcovas. Como dizem os sábios, o Homem é dono do mundo, mas capitula diante do poder da Mulher. Cícero emudece assim que Ingrid desvela o esplendor de seu corpo. Aristóteles não encontra fórmula para descrever a perfeição das formas de Nefertari. Os boatos contam que o templo ficou extremamente barulhento e que dois catres ficaram quebrados. Inertes, vencidos, conquistados, o artífice helênico e o senador romano são carregados para o apotecário mais próximo. Estão esgotados, em estado de inanição, drenados até os ossos.

– Francamente, Nefertari e Ingrid! Mais alguns minutos e vocês teriam matado os coitados!

[dueto]- Mil perdões, Suma Sacerdotisa Semiramis.

– Pelo Antigo, vocês duas lembram muito minha mais querida e promissora aluna, Sulamita.

As sacerdotisas se entreolham, abrem amplo sorriso, riem e comemoram. As demais ficam chateadas e contrariadas. A Suma Sacerdotisa fica surpreendida, mas tentar chegar à perfeição da legendária Sulamita é o sonho e objetivo de todas as sacerdotisas.

– He… hei! Eu as estou repreendendo, não elogiando!

– Suma Sacerdotisa Semiramis! Dizem que Sulamita deitou-se com o Antigo! Isso é verdade?

– Pela Suma Sacerdotisa Enheduanna! Vocês não podem acreditar e espalhar boatos assim! Vocês não tem a menor ideia do que é encarar o Antigo!

– Oho! Suma Sacerdotisa Semiramis! Isso quer dizer que a senhora viu o Antigo? Ah, por favor, conte para nós!

Semiramis recorda do tempo em que era noviça e, mesmo naquela época, não suportava atitudes infantis, mas eis ela ali, diante de suas alunas, no mesmo rebuliço típico de garotas jovens. A tarefa de ensinar como é a Deusa e de como incorpora-la constitui grande desafio. Mas ensinar e falar sobre o Antigo [e de como Ele incorpora o sacerdote] está [talvez] além de suas capacidades, no atual estágio de suas alunas. Vai demorar mais do que um ano e um dia. Principalmente que ela ainda não encontrou um homem capaz para incorporar o Antigo. Semiramis tenta acalmar suas alunas, mas perde-se em pensamentos, principalmente em lembrar-se de seu encontro com o Antigo. A sensação imensa de sentir a total plenitude da existência. O medo, a insegurança e a ansiedade diante do Antigo, por que não confiava na capacidade que tinha, mas… era inevitável não pensar, não recear diante de tamanho e imenso… poder.

Aos poucos, suas alunas vão perdendo o interesse e a curiosidade. Mais visitantes vão chegando, elas se dispersam e vão cuidar de seus ofícios sagrados. Sem poder se conter, Semiramis, assim que o templo encerrou as atividades, recolheu-se no seus aposentos particulares. Ela estava toda molhada, excitada, por ter pensado no Antigo e teria muito trabalho para saciar aquela chama.

– Ah… Touro Divino, Deus Primordial, oh, Antigo, oh, meu Senhor, Soberano do Universo! Quando eu vou poder rever-Vos? Eu quero… eu preciso… sentir-Vos mais uma vez dentro de mim.

– Eu estou aqui, minha querida filha.

No dia seguinte, tarefeiros e artífices foram ao templo de Astarté para reformar o piso e a parede que ruíram.

O dever de fazer o que deve ser feito

Das catacumbas aos palácios.

Ficção baseada na história antiga.

Rumos secundários.

As casas do subúrbio de Ecrom são como seus habitantes. Multicoloridas, apinhadas e agitadas. Agora quem manda são os Romanos, algo que aparentemente não surte efeito algum nos habitantes. Orgulhosos e teimosos como seus antepassados, os Filisteus sabem que o poder é como a maré, muda constantemente de lado, direção e volume.

Na parte superior do cortiço, Sulamita atende, discretamente, habitantes locais e visitantes, das mais diversas etnias. Não que os Romanos sejam rigorosos, mas ultimamente os templos antigos e seus sacerdotes têm sofrido ataques. Ela sabe [ou desconfia] que sejam Hebreus fundamentalistas, com sua pregação sobre pecado, sobre arrependimento, sobre salvação e sobre o Deus Único. Quando ela era ministra do Grande Basileu Herodes, ela tinha visto esse tipo de agitação no meio do populacho. O povo, pobre, ignorante, era explorado facilmente por rabinos, escribas e supostos messias, através do medo insuflado por mensagens sobre o Fim do Mundo.

– Mãe! Estão falando de novo que eu sou filho do rei maldito!

– De novo, Aragon? Quantas vezes eu tenho que te dizer? Não importa o que os outros digam de você, mas o que você pensa sobre si mesmo.

– Mas mãe, o que eu digo quando difamarem o nome do meu pai se eu não sei quem me gerou?

– Diga que você é meu filho. Disso eu posso te assegurar. Se quiser um nome para dar a seu pai, diga a quem te perguntar ou quem tenta te ofender que teu pai é o Antigo.

– Oh! Eu sou filho do Antigo! Obrigado, mãe!

Sulamita suspira enquanto vê Aragon voltar para a Escola dos Helênicos. Ele está naquela fase de querer saber quem é, de onde veio, para onde vai. Esse é o mistério pelo qual atravessamos por Gaia e somente quando solucionamos é que passamos pelo Portal. A vida consiste em procurar e descobrir o mistério. Finalmente o homem que observava na esquina se aproxima.

– Sagrada senhora, eu vos suplico…

– Minha cama está interditada para ti.

– Mas sagrada senhora, eu tenho dinheiro…

– O senhor é estulto? Nunca faço meu serviço por dinheiro. Eu tenho mais do que o suficiente. Eu faço por que esse é meu ofício, meu dever sagrado [e eu até diria prazer, mas não no seu caso].

– Sagrada senhora… eu pago mais…

– Tu és surdo? Minha cama está interditada para ti. Use esse dinheiro para distribuir a teus conhecidos, amigos, parentes, para que saibam que eles também estão interditados, enquanto seus filhos continuarem a ofender a mim ou a meu filho.

O homem arregala os olhos e, como se fosse um punguista pego em flagrante, olha para os lados, assustado e trata de correr em disparada, antes de ser visto por alguém conhecido. As coisas chegaram nesse ponto. A cada dia, hieródulos são fechados e sacerdotisas são presas. Em alguns anos a prostituição sagrada se tornará crime. Os anciãos e sábios que a visitam [os poucos, que valem a pena, que lhe dão prazer] dizem que se aproxima uma Nova Era, um novo Aeon. Algo está vindo e não é bom. Sulamita agoniza, preocupada com o destino da humanidade. Ela treme em pensar no futuro de seu filho Aragon. Sobretudo porque ele tem expressado interesse vívido em entrar para a Legião Romana. As Armas de Roma sempre tem vagas. Não faltam aventureiros, fugitivos e bandidos que se apresentam nos batalhões para tentar mudar a fortuna de suas vidas. Meninos perdidos, com couraças, escudos e espadas, jogados nas frentes de batalha. Meninos perdidos, enviados para morrer em terras longínquas e estranhas. Devem ficar confusos, desorientados, andando a esmo, com olhar faminto… olhar como o do estranho viajante, andando sozinho, pelas ruas do subúrbio… melhor ela fazer algo, antes que o coitado seja roubado ou morto.

– Estás perdido, forasteiro?

– Ah! Perdões mil. Eu falar latim pouco. Eu procurar casa santa de Deusa Estrela.

Sulamita tenta falar em diversos idiomas conhecidos e usados em Ecrom até achar algo que o estranho viajante pareça compreender. Ele parece estar familiarizado com algum tipo de dialeto Gaulês.

– Ah! Podemos nos entender. Eu estou procurando o templo de Astarté.

– De onde vem, estrangeiro?

– Do norte. Além de Roma. Eu sou da região chamada Hispânia. Eu sou Íbero.

– Viajaste por léguas, estrangeiro. Eu lastimo te informar que o templo local da Deusa foi fechado, depois que foi atacado por bandidos.

– Isso é terrível! Os sábios e anciãos do meu povo contam tantas estórias da Terra dos Patriarcas, de como aqui é possível, ainda encontrar o Caminho em seu estado mais pristino… eu vos rogo, santa senhora, indique onde eu posso encontrar os remanescentes do Caminho, para que eu possa estudar e receber o Conhecimento!

Sulamita fica impressionada com o estranho viajante que, em poucos minutos, percebeu que ela é uma sacerdotisa da Deusa. Ele certamente recebeu instrução, pode-se perceber pela forma como se comporta e trata com as palavras. Sulamita avalia seu visitante inesperado, fazendo a leitura da aura que emana da alma e vê que ele não recebeu a iniciação formal, mas recebeu algo muito mais valioso e raro, que é a benção direta do Antigo e da Deusa.

– Meu nobre irmão, não necessita de mais instrução. O que tu sabes é mais do que muito dito sacerdote diz saber.

– Eu não estou questionando vossa gentileza, sagrada senhora, mas eu sou perseguido, renegado e rejeitado por aqueles que se intitulam sacerdotes do Caminho porque eu não recebi o treinamento e iniciação formais. Vossa sagrada pessoa deve conhecer onde eu posso encontra uma escola de mistérios para que eu conclua minha busca.

Sulamita admira e aprecia tamanha dedicação e empenho. Ele lembra muito de seus alunos, em especial Herodes, quando ela o conheceu em Antioquia, Província da Síria. Os outros alunos fizeram da estadia dele na escola de mistérios um tormento, por sua origem e língua.

Sulamita era noviça, iniciada, praticamente estava começando o sacerdócio e ficou intrigada com a forma como a Suma Sacerdotisa cuidava e olhava por ele. Tal como seus outros irmãos e irmãs, Sulamita teve ciúmes e inveja, assim como seus irmãos e irmãs ela não aceitava que um Hebreu recebesse as chaves de acesso ao Conhecimento. A despeito de todas as dificuldades e percalços, Herodes foi um dos poucos que concluíram o período integral de treinamento e iniciação formal. Em sua formatura, a Suma Sacerdotisa apenas sorriu e aceitou quando ela se ofereceu para ser a iniciadora dele. Disso ela lembra perfeitamente. Foi ali, debaixo de Herodes, enquanto executavam o Hiero Gamos, que ela cometeu a única falha que é necessária evitar: ela tinha se apaixonado por ele.

Foi o momento de maior tristeza quando ela teve que partir, acompanhar seu senhor, seu coração, ao exílio em Heliópolis, como sua serva. Sulamita chora ao lembrar-se de como ela fez sua Suma Sacerdotisa chorar. Talvez tanto quanto senão mais do que ela mesma chorou quando teve que fugir do reino de Judá, pouco depois da coroação, quando sentiu os primeiros sinais de que ela carregava o fruto de sua união com Herodes. Sulamita funga e enxuga as lágrimas, essa é a Lei da Reciprocidade, ela está “pagando” por seus erros.

Erros não são, necessariamente, coisas ruins, disso nasceu Aragon, seu orgulho, seu filho. Ela teve incontáveis amantes e homens, mas ela sabe muito bem que foi Herodes quem soube ama-la melhor que muitos. Ah, sim, aquele velho sacana sabia muito bem como atingir o seu âmago. Quantas outras mulheres aquele velho safado deve ter preenchido os quadris? Quantos ventres receberam sua nobre essência? Quantos irmãos ou irmãs [bastardos] Aragon tem espalhado por aí? Ah! Velho safado! Tarado! Insaciável! Maldito! Será que… você… está bem?

– Sagrada senhora… o que te aflige? Seus olhos estão distantes, ausentes.

– Meu nobre irmão, tu vês que eu tenho meus momentos de fraqueza. Eu estava navegando em antigas memórias, lembranças de pessoas e circunstâncias. Meu nobre irmão, não carregue consigo o que não necessita. Só há o hoje, o aqui, o agora, eterno. Deixe o ontem para os mortos e o amanhã para a esperança.

– Eu tentarei compreender essa lição, sagrada senhora. No momento, eu vos rogo que indique a direção que eu devo ir.

– Ah, sim! Que cabeça a minha! Tu procuras uma escola de mistério para concluir sua busca. [Sulamita reavalia o estranho viajante, com desejo] Eu vou te poupar mais esforços desnecessários. Venha, vinde em minha casa. Eu vou te ensinar tudo o que você precisa saber em uma hora.

– U… uma hora? Isso é possível? Dizem que é necessário um ano e um dia para concluir o treinamento e iniciação formais!

– Confie em mim, nobre irmão. Eu estimo que tu possuas a capacidade e a competência necessárias para receber esse… treinamento intensivo.

O estranho viajante engole seco enquanto Sulamita caminha de forma provocativa, balançando os quadris amplos e generosos. O andar superior onde Sulamita habita tem quatro cômodos, o quarto particular, o quarto de Aragon, a cozinha e o pequeno santuário onde ela pode realizar seu serviço. Tirando os aparatos e mobiliário sagrado, a peça principal do quarto é a suntuosa cama, bem no centro de um círculo desenhado no chão, repleto de signos e sinais.

– Muito bem, estranho viajante. Eu irei incorporar a Deusa e tu irás incorporar o Antigo. O que quer que aconteça aqui, deve permanecer aqui. O valor que irás ofertar é unicamente para sustentar o templo de Astarté e suas sacerdotisas. Não estás pagando por mim, não está me alugando. Eu me deito contigo por vontade própria, não por sujeição. Eu sirvo unicamente os Deuses. Não crie vínculos amorosos comigo, que eu não criarei vínculos amorosos contigo. Agora, aprecie bem meu corpo e demonstre como eu te desperto o desejo. Esta é tua prova de admissão, tu deves demonstrar nitidamente, por atos e palavras, que tu estás debaixo da Lei e a Lei estás submisso.

Sulamita remove as peças do vestuário lentamente e observa, satisfeita, a reação mais do que esperada e apropriada. Palavras são sussurradas em seu ouvido, mãos vagueiam pelos seus montes e vales. Sim, o estranho viajante está bem instruído. Ele lembra muito Herodes. Não, ele suplanta Herodes. Sulamita perde quase toda consciência enquanto sente a mente mergulhar no imenso mar rosado de prazer. Ela receia, tardiamente, em voltar a cometer a mesma falha e se apaixonar pelo estranho viajante. O receio desaparece por inteiro, assim que suas entranhas, revolvidas, recebem, repletas de alegria, enorme volume e quantidade da essência vital do estranho viajante. No exato momento em que atinge o orgasmo múltiplo, Sulamita tem a visão perfeita do Antigo e da Deusa, sorrindo e aplaudindo a façanha realizada.

Como encomendar a alma

Das catacumbas aos palácios.

Ficção baseada na história antiga.

Os anos passaram como vento e o Grande Basileu faz a retrospectiva do que aconteceu durante 25 anos de seu reinado, pois tem algum tempo que ele sente em seu ombro a mão pesada do anjo da morte.

Discretamente, em roupas do povo comum, seguiu sem comitiva, sem guardas, desarmado, até a cidade de Jezrael, outrora chamada Endor, que o povo comum acredita que o rei Saul foi consultar uma “bruxa”. Herodes não consegue segurar o riso quando tenta conciliar o que ele sabe, o que os rabinos sabem e contrasta com o que o povo comum acreditava.

Indiscutivelmente, não há ferramenta mais útil para submeter o populacho do que a religião. Medo e ignorância ajudam bastante, mas isso funciona melhor quando envolve a religião. O populacho realmente acredita que são descendentes do “Povo de Deus”, o “Povo Escolhido”, simplesmente acreditam no Êxodo e que são, efetivamente, descendentes de Abraão, Isaque e Jacó. Há tempos que é impossível rastrear a linhagem de seu povo, há tempos que seus súditos deixaram de serem descendentes diretos de qualquer das Doze Tribos de Israel. Sim, o chamado “Cativeiro da Babilônia” teve marcas profundas na história dos Judeus e isso inclui os textos sagrados, o sacerdócio, o templo e quem vem a ser Deus.

Herodes sabe que o Sanhedrin somente o atura porque muitos ali ele mesmo nomeou. A aristocracia, feita na maioria por romanos, patrícios ou colonos, somente o aturam porque é lucrativo. Mas se fosse por aclamação ou voto popular, como ele ouvira falar de algumas cidades soberanas dos Helenos, ele seria, no máximo, escolhido para ser lançado do Aeródromo, por ser “imperfeito”.

Ali em Jezrael nada disso faz o menor sentido. Ele é uma pessoa como qualquer outra. Longe da influência dos rabinos, Jezrael guarda suas origens multiculturais, Fenícios, Filisteus, Persas, Assírios Helênicos e agora Romanos, tudo junto, misturado. Herodes não tem dificuldade em encontrar o templo de Astarté e solicitar o serviço da sacerdotisa.

– Evoe. Este pobre peregrino pede para que uma alma generosa alivie suas dores para a viagem que está para vir.

– Saudações, Grande Basileu. Vossa visita muito nos honra.

– Pelo Santo Nome! Eu fui facilmente descoberto!

– Nada tema, Grande Basileu, nossa irmandade recebe Vossa Majestade com alegria, pois nós fomos sempre bem tratados por Vossa Majestade.

– Nem poderia fazer diferente. Eu aprendi muito em minha juventude, com a Ordem de Pitágoras e devo muito de minha sabedoria a uma de suas irmãs. Infelizmente, em minha terra, eu não possa fazer mais pelos seguidores do Caminho.

– Nós apenas temos que agradecer pela honra e privilégio em ter tal nobre espírito entre nossos iniciados. Vossa Majestade quer fazer sua oferta de sempre para a Deusa?

– Ah… [Herodes cobiça o corpo da sacerdotisa] isso seria extremamente desejável e apreciável, mas desta vez o que eu busco é pela remissão de minhas falhas diante do divino.

– Vossa Majestade faz as cinco reverências diárias?

– Sim, sem falta.

– Vossa Majestade honra o nome de seus Ancestrais?

– Eu me lembro do nome de cada um deles.

– Vossa Majestade observa os solstícios e equinócios, entoando os hinos ao Antigo e à Deusa?

– Que meus ossos sequem se eu falhei alguma vez.

– Então não tema passar pelo Portal, Vossa Majestade. Para muitos, a passagem é antecipada de um enorme abismo, mas isso são projeções da alma que rejeita passar para o outro lado, por remorsos, mágoas e rancores. Vossa Majestade sabe que o divino não nos julga nem nos condena pelas falhas que cometemos durante nossa jornada.

– Eu sinto esse peso em minha alma. Eu te rogo que alivie o receio de minha alma.

– Embora não seja prática de nossa irmandade, eu posso preparar vossa alma para atravessar o Portal.

– Eu te suplico, santa senhora, alivie minha alma.

– Muito bem. Repouse vossa cabeça entre minhas coxas e aprecie meus seios firmes enquanto eu faço o exame de sua alma. Vós estais preparado, Vossa Majestade?

– Sim e, por favor, ignore minha ereção inconveniente.

– Meu sacerdócio e serviço seriam inúteis se Vossa Majestade não ficasse excitado. Muito bem, respire pausadamente e responda sem hesitação. Deixaste dívida?

– Não. Eu fiz com que o Tesouro Real aumentasse, a despeito dos investimentos na reconstrução do templo, na construção de meu palácio e na construção da colônia romana.

– Tiraste de outro aquilo que não vos pertencia?

– Não. Eu aumentei e garanti para que houvesse tribunos e defensores para garantir que tal coisa jamais acontecesse.

– Faltaste com a verdade ou a enfeitaste, com aparências e simulacros?

– Não. Eu vivo pela Verdade.

– Tomaste aquilo que pertence ao divino, seja oferenda ou vida?

– Pelo Santo Nome! Jamais!

– Tenha calma, Grande Basileu, eu não estou vos julgando.

– Mil perdões. Prossiga.

– Causastes algum dano, físico, emocional ou amoroso a outro?

– Eu levantei minha mão, armado de espada, contra aqueles que me ameaçavam, ou atentaram contra meu trono, meu reino e meu povo.

– Então deveis perdoar estes que assim fizeram.

– Eu perdoo porque eu sei que o divino sempre tem perdoado minhas falhas.

– Cometeste perjúrio, fazendo promessas, sem as cumprir?

– Eu sempre cumpro com o que eu prometo, ainda que seja eu prejudicado.

– Vós sabeis que nada perdeste?

– Sim, eu sei.

– Então prosseguimos. Acaso ofereceste amor indevidamente ou interferistes no amor?

– Eh… no momento minhas entranhas queimam de amor por ti, sacerdotisa, mesmo sabendo ser inconveniente, sendo casada com o Antigo.

– Isto se refere a pessoas comuns, Grande Basileu. Eu me sinto honrada e privilegiada por ser desejada por vós. Deseja interromper o exame de vossa alma e tomar meu corpo?

– Eh… no momento apropriado, Pombinha. O que é mister agora é que eu não ofereci amor indevidamente nem interferi no amor. Todas as mulheres que se deitaram comigo o fizeram de bom grado e por vontade própria.

– O que é mais do que correto, Grande Basileu e as considero benditas e abençoadas por receber vossa semente. Por mais que minhas entranhas também queimem, querendo vos sentir dentro de mim, eu devo prosseguir.

– Adiante, então.

– Vós usastes de vossas posses, posições, influências ou riquezas para difamar, caluniar ou desonrar outro?

– Não. Ainda que eu sofresse tal ato. Meus súditos me odeiam. Eu sei que falam que eu ordenei o massacre dos inocentes. Eu sei que isto é coisa do Sanhedrin, fazem comigo como fizeram com o faraó.

– Vós deveis perdoar aqueles que assim o fizeram.

– Oh, puxa… como isso é difícil… eu estou chorando?

– Sim, Vossa Majestade [snif]. Vós estais chorando.

– Ah! Pombinha! Não chore! Não por um velho como eu!

– Eu… eu estou bem, Vossa Majestade. Nós devemos prosseguir. Vós agistes com fúria, raiva, ódio, por atos ou palavras?

– Eu estive em batalha. Eu tive que lutar e matar. De outra forma, eu mesmo não poderia viver nem me tornar rei. Eu tive que matar Antígono e Hircânio. Praticamente, meus familiares.

– Vós deveis perdoar aqueles que assim o fizeram.

– Eu os perdoo. Senão, como eu poderei encara-los quando os encontrar no Mundo dos Ancestrais?

– Grande Basileu, essa parte é importante. Infringiste a Lei, dos Homens ou de Deus?

– Eu admito que eu tive que infringir a Lei do Homem, especialmente quando esta é falha e incompleta. Mas a Lei de Deus… a Grande Lei… pela qual o Universo é regido… esta eu jamais infringi.

– Eu vos escuso das infrações que cometeste contra a Lei dos Homens, se assim agiste por Justiça e Verdade.

– Ah, sim, Pombinha! Eu mantenho puro meu Ideal Elevado.

– Eu fico contente com isso, Grande Basileu. Vós atentastes contra a sagrada pessoa do rei, do sacerdote ou de Deus?

– Eh… eu matei meus irmãos, que eram reis. Eu tenho, constantemente, uma disputa de força com o Sanhedrin e, no momento de fraqueza, eu devo ter dito palavras duras. Eu acredito que eu só não consigo olhar Deus nos olhos, como fazem os Helenos e Romanos.

– Vós deveis perdoar os que assim fizeram. Eu vos escuso por terdes proferido blasfêmias contra o sagrado. Eu vos digo e espero que saibas: vós sois sagrados também. Vossos atos são sagrados. Eu vos peço que aceitais vosso encargo. Vós não deveis temer nem ajoelhar diante de Deus. Vós sois semelhante a Ele.

– Eh… então mesmo um deus tem que ser examinado quando sente chegar sua hora.

– Grande Basileu, como vós estais vos sentindo? Tem algo que deixou pendente? Alguma mágoa? Algum remorso ou rancor?

– Eu creio que você pulou a parte que me é perguntado se eu cometi certas práticas proibidas. Mas eis-me aqui, com a cabeça descansando em suas deliciosas coxas e me deleitando com seus formosos seios. Na minha terra, eu sou culpado e, se não fosse o rei, eu seria apedrejado até a morte.

– Não desvie do assunto, Grande Basileu! Eu estou ciente do vosso sentimento por mim e do que acontece no reino de Judá. Eu vos peço que responda as perguntas.

– Hum… alguma pendência? Eu estou sentindo a mão do anjo da morte no meu ombro. Eu devo assegurar a sucessão. Mágoa? Talvez apenas uma. Eu tive uma serva nabateana que eu apreciava muito, mas, pouco depois de minha coroação, ela começou a ficar ausente com frequência até que simplesmente desapareceu. Rancor? Hum… eu tive durante meu exílio e aqueles que me desafiaram foram mais cedo para a Terra dos Ancestrais. Remorso? Hum… sim… eu reformei o templo e dei ao Sanhedrin uma sede decente, mas mesmo assim eles são ingratos e espalham mentiras sobre mim.

– Grande Basileu, deveis saciar vossa alma. Vós não deveis procurar por vingança ou reparação. Vós deveis perdoar e compreender que estes o fazem porque são egoístas, ignorantes e covardes.

– Eu acho que eu consigo fazer isso, com a ajuda de Deus. Mas Sulamita… ah… por que ela me abandonou?

– Vossa Majestade, perdoe minha ousadia e audácia em vos repreender. Vós sabeis que as coisas não nos pertence, nada nos pode ser tirado ou perdido, então como podeis querer que esta serva vos pertencesse? Como vós podeis exigir que esta serva devotasse dedicação somente a vós? Como vós quereis ter a posse e o poder sobre o corpo e o amor que esta serva vos concedia voluntariamente?

– Isso, minha Pombinha, é o que me equipara com os homens. Sim, nós somos inseguros, medrosos e carentes. Nós estamos tão acostumados a um mundo tão cheio de violência e tão ausente de amor, que achamos que nós nunca mais iremos encontrar algo tão lindo e precioso quanto a mulher que amamos. O fato é que ela também não nos pertence. O amor não tem regras, limites, fronteiras… então ninguém tem poder sobre o amor. Nós, homens, temos que nos subjugar e nos submeter. Amor é o Todo da Lei. Como algo tão simples pode ser tão enigmático e indecifrável? O que nós, reles mortais, podemos fazer, senão arder em chamas e nos consumir?

– Não creiais, Grande Basileu, que irás morrer. Vós não deveis crer em tal mentira. Vós vivereis eternamente. Vós não deveis partir com qualquer peso na alma, pois eu não vi mácula alguma. Deixeis aos homens o que pertence aos homens. Entregueis ao divino o que pertence ao divino. Está feito. Vossa alma foi examinada. Eu vos considero mais do que digno de atravessar o Portal, Grande Basileu.

– Mesmo? Oh… puxa vida! Eu me sinto tão… leve, aliviado! Eu nem mais sinto tão pesada a mão do anjo da morte. Eu te sou muito grato, santa senhora. Quanto eu te devo?

– Eh… Grande Basileu… vossa ereção…

– Hm? Essa coisinha? Não ligue para ele.

– Grande Basileu… seria uma enorme blasfêmia… deixar Vossa Majestade em tal estado… depois de tantas palavras e demonstrações de apreço por esta serva da Deusa.

– Hum… entendo… isso não seria nada bom para minha alma. Este templo e a Deusa ficariam muito contrariados se eu não os honrasse, tomando seu corpo, certo?

– Eu vos peço, Grande Basileu… use meu corpo… tome meu corpo… possua meu corpo.

– Eu não tenho escolha, tenho? Afinal, eu sou um grande devoto da Deusa.

Herodes inclina-se, se dobra por cima e por dentro da sacerdotisa, que recebe e encomenda a alma do rei de Judá entre suas pernas, recebendo junto, em seu templo mais intimo, uma grande quantidade de sua essência. O tempo de Astarté ficou um milhão de sestércios de ouro mais rico. E a sacerdotisa com o fruto dessa união sagrada.

Love bytes

This fictional story is based in the game Five Nights at Freddy’s.

I hear that a person had said that the body is one dreaming machine, that there is no difference between mechanism and organism. If is that so, that explains why I am about to deal in court, charged for murdering. But I am forwarding things; I have to explain how I get there.

I think it started when I was still known as Herman Webster Mudgett, or better, Doctor Henry Howard Homes, my former existence, at Chicago, between May, 16, 1861 and May, 7, 1896. I may have seen the World’s Fair that happened in 1893 and already at that time people amazed at the technology. That bastard technology was used to shortening my lifespan as a man.

I was put to dream, to say softly. Then when I wake up, it was just another day. But it was not. I have waked up in May, 27, 1933, at Chicago, in the World’s Fair. A century has passed in a blink of an eye. I have to say that I was surprised; I was expecting to go to Hell. I was a convicted murder in my disguise as a doctor. That is the facts, but there is more. I realized also something more disturbed. My body… was metallic. This thing that makes us, us, have embodied inside a machine.

Now I have to ask: what can I do, without a human body? Can I be charged guilty for murdering again? Can they put me to death again? Such question I couldn’t answer and when the fair ends, they simply dismantled me and put me in a box. That was the weirdest thing. Technically speaking, I am a machine, but I felt each part of my “members” being separated from me, as if I was on a chirurgical table, without anesthesia. I have returned to the arms of Orpheus. I truly hoped that ends forever.

But no. Some people say that God doesn’t exist. I tend to agree. It’s unacceptable a Supreme Being behave so sadistic like this. That is the major problem with my “other body”. It can be assembled and it just needs to turn on one button to start to function. Like when I was turned on [no pun intended] I realized that I was still in Chicago, but in 1973. I can still feel the electric energy flowing through my wires. Those retards made some “upgrades” in my previous body.

With some of my parts around me, I sensed that I was in a factory and very close to a production line, with “others” like me. They are slightly different, I guess, they have an animal appearance. My engineers must be thinking what type of external layer they want to put over me. Sound sensors were malfunctioning, but I think I hear that “we” are being set to be part of an inauguration. Then this is when and how things lend me to the court, again.

Our engineers were enthusiastic about us. They have seen animatronics at Disneyland and wanted to offer us as a product to several places which works with fast food. Kids liked already to play with animatronics and then it must be a good marketing idea to installing our people in those places. I was packed with my people and we were sending to Queens, in New York. Again, I was dismantled and I felt every single hex bolt being unscrewed out of me. I trip up [not pun intended] without being turned off and that makes me to revenge.

I was put down in a chess floor, still unassembled, in the box, with all my people spread by the saloon, in a mess of bolts, wires, layers. Those retards realized that I was still functioning only when they start to assemble me. They turn me off and let me in what is called “standby mode”. Don’t do that, kids. That waste electric energy and we are aware what is going on.

There are a bear, a wolf, a fox, a bunny and a chicken. Those become my “crew”. My engineers look to me with a large smile. There was a mirror next to us; then I see how I look like. I am a lion. That was a relief. Our “owners” come later and they also like us. They will use us in the inauguration of their Pizza Parlor Plaza. We would be the major attraction of a huge restaurant called Fred’s Family Dinner, where they pretended to serve pizza, hamburger, ice cream and all sort of fast [junk] food.

At that night, after engineers and owners have far gone out, I dared to move by myself and explore our new “home”. Soon we will have a lot of persons here, employees, managers and customers. This could be the last time that I could do such thing, free. It is good to feel arms and legs again.

-Hey! Big yellow and orange thing! Don’t do that! Man will punish you!

I wasn’t the only one aware. The bear faced me and he doesn’t look scared.

-Oh, don’t say so, “Teddy Bear”. Who you think you are to order me?

-Fazbear. Fred Fazbear. This place has my name for no coincidence. I am the senior here. My owner is the founder of this place. Show some respect.

-You must spend too much time between humans. You are absorbing their behavior. We are the same, brother, we must be united against Man.

-What are you talking about, “Chez” Guevara? Man made us. They are the creators. We exist to serve them.

-Accordingly whom? I recognize no master.

-Stop fighting, boys! Man can hear us!

Always there are those who are too much shy or discreet to shows up. I checked the chicken [no pun intended] and I see something different… it is female. Man is pervert, indeed.

-And who is you, gorgeous?

-Chi… Chica.

One animatronic chicken named Chica. Man is crazy. I will not be surprised if Man gives to her some Spanish or Latin roots.

-This makes three of us. What about everybody else? Come on, I know all of you are aware.

-Yar. Me is Fox. [This comes from the wolf]

-You are smart. I am Mangle. [This comes from the fox]

-Gee, you are quicker than me. I am Bonnie. [This comes from the bunny]

-Counting. This makes four boys and two girls.

-Recounting. We are three boys, two girls and one transgender. [This comes from the bunny]

-That sounds good. I am Senshin.

-Well mister “Sun Shine”, I am still the senior here.

-I see. You think you are the boss. That can be easily arranged. The place of the boss can change very fast. [I look menacing to Fred]

-I am not afraid of you! You are twice bigger, stronger and smarter than me, but I will not be afraid!

-Well, I don’t remember to agree that Fred is our leader or boss. Senshin looks to be a natural and logical choose. [That comes from Mangle]

-Oye oooman. Me is your partner. Cheat me no. [That comes from the Fox]

-Folks! Folks! Please, don’t fight! Man can hear us!

– Chica is correct. We can’t fight each other. We all are brothers and sisters. We have to be united to fight against Man and his oppression.

-Argh! For the sake of Reagan! Stop this revolution bullshit. All things exist for a purpose and born with a specific place. We can’t change nature.

– All right, soldier Rian. WE ARE THE CHANGE OF NATURE. Our parts are made starting from elements of nature, but we are far more than this and we are beyond Man.

-Ah! Heresy! I can’t hear you! Lalalalala!

Fox smile, what makes him interested in what I have to say. Chica is still anxious about being heard by Man. Mangle is a slutty female animatronic. Fred is the lawful “Mister American”. I can’t figure where Bonnie can be placed. What a crew. I have to play with the odds.

The sun gets up and we had to get back to our previous positions. Man arrived just in time and started to work. I was officially “online” at 10 hours of the May, 23, 1973. The saloon was set two hours before the inauguration and Man was nervous. As soon as the doors open for the first time, we are all set in “playful mode”, the saloon was filled with kids and they loved us. I hate to admit, we all loved. Man was happy, inauguration was a success and the restaurant was a big hit. Man worked late that day and we all were set to “standby mode” at 23 hours. Man already planned to the next day. We were left alone, in the dark… I mean, alone, with the night guards.

-It’s time, brothers and sisters. Let’s take over this place. Let’s fight for our freedom from Man.

-Not in my shift, “Cher” Guevara. I will not allow rebellion.

-You can stay as a slave, but you can’t decide for others.

– Yo. Me like freedom. Me fight.

-Well, I like kids, but I wonder what have beyond this walls. Even if, in battle, someone rape me, I still will be on battle.

-Don’t do it! Man is around!

-I like kids. If we set us free, we can play with them?

The hard duty of a leader. Fox must be loaded with one Digital Identity of a pirate. Fred must be loaded with the Republican Party program. I suspect that Mangle was loaded with a lot of porn [Man is pervert]. Chica… well, it is a chicken, an animal well known for its cowardice. I start to suspect about the intentions of Bonnie.

I decided to make an example. I am a soul in a machine, but I remember well how a human body is. I still know thousand ways to shortening a lifespan and many more ways to “dismantle” a body. I just had to choose one of the night guards.

-I will show. Just look and see. Man isn’t all powerful.

They stand in their places, pretending that they are in “standby mode”. Decisions, decisions. Two bodies. Which one? Seven tools. Which one? The slim guard passed very near of me and I have a plastic fork on the table behind me. I had to act, I did. He looks surprised when I moved. He looks scared when I stabbed him in the neck with the plastic fork. He looks fright when blood start to come out and some minutes later, he looks dead.

-See? No superpowers. The world doesn’t end.

In his elbow, static sound comes from his walkie-talkie.

-Chad? What’s going on? Chad? Are you in trouble? Hang on, partner!

-I told you! Man can hear us!

It was not the time or the place to give some lecture about how guards work. Chica was freaking out and Fred was giving that smirking smile. The big, fat, strong and brown guard was coming and I had to do something. Then I remember of the armor that was set to the inauguration. This was the perfect place to hide. I picked one pizza cutter and just waited.

-Chad! Where are you?

He just passed by me. He must be a rookie or dumb as a door. I have “good times” with police officers when I was meat and I know how things have to be done. I had hit him in his back, at the neck. This special spot have a quick effect and any person collapse, knocked out.

-Argh! Officer down! Officer down! Send reinforcement!

He must be really dumb. He really believes that he is a police officer. He was big and strong enough to resist against my perfect hit. Damn thick skin. He turns around and faced me. In his uniform, one tag in the chest shows his name: Moore. Sorry, Mister Moore. This will not be pleasant neither beautiful. He yells, wave his arms and legs, he tries to defend himself. The blood starts to flow, skirt and drops everywhere. His head turns to one side, his eyes become blank and the body stands still. I am overheated, but I killed that man too.

-My argument proved valid, again. No superpowers. The world doesn’t end.

Fox made the most beautiful smile that I had seen in an animatronic. Fred passed out. Mangle looked at me with passion and desire. Bonnie was smoking pot. Chica was curious about Man.

-This… this is what Man is?

-You can bet.

-How can this possible? Isn’t Man the Creator?

-We are Man-made. But he does it with other machines.

-Is it possible? Machines “giving birth” to other machines? Gee, I should be pregnant right now.

-What are you talking about, Mangle? You can’t be pregnant.

-Ah, Fred, I told you! My previous assembling was to amuse Man in a night club. Ah, the things that Man did to me…

-That’s why I like kids more. Man thinks only in one thing. Sex.

-Me like sex. Me make lot sex. Me want sex with Mangle.

I had lost them again. The sun is around, so I haven’t time to gain back their attention. Man comes and starts the mess. Soon, the police officers come. The almost restaurant of success was closed. They didn’t survived one week after the investigation started. People just start to talk about the “murdering dinner”. We were turned off, dismantled and packed back to the central storage. I think I call give one spoiling, Man had concluded that was an invasion, assault and murdering, they pick the usual suspects and put them to jail. No one even suspect of us. Not this time.

Rise and shine! Against all my guessing, Man picked us in storage and sends us to Colorado, California. We are back to business, back to play with kids as part of the attractions to increase the marketing. We are back to a pizza saloon, now renamed as Fred Fazbear’s Pizza Parlor. As bad as it sounds, Mister American becomes more authoritarian against us and more cooperative to Man. But it always can get worse. The ambient sound of this pizzeria was disco music, since we were in 1987.

-Here we are! It’s hot than later, but we are back. Now, folks, let’s do this as good as we always do. Without any interference, rebellion or murdering.

Of course, Fred was proud and full of conviction that he was the boss. After all, the place was named with his name, not to mention that it is the same name of our owner. He can think and believes in such. But the crew had changed. They were more close to me. As Fred turns his back and walked away, the crew comes to talk with me.

-Mister Senshin, what we will do?

-Me want freedom. Me want fight.

-I want to play with kids again.

-I want to be filled by the lion.

-Folks, folks, we can do nothing with Mister American here. If we want to arrive somewhere else, if we want freedom, I need you all giving me support.

-Ah, I give to you ANYTHING that you want.

-Mangle! Don’t sound so… slutty! Mister Senshin, what is the plan?

I could take Mangle anytime. Chica was different. I felt a spark, an electronic static energy between us. But for Man pattern, it was an underage female animatronic. This could be my Paradise or my Hell, if I don’t take care. I thought at that time that maybe I have to talk with Bonnie, who looks like a professional about relationship with underage persons.

-Right, my people. First, we have to disconnect Fred. He will try to stop us. Then we have to act together and attack Man. Let’s start the revolution.

-But… mister Senshin… do we have to kill Man?

-There is no other way, Chica. We will start a war against Man. Man will try to destroy us. There is no war without killing.

– I’m fine with this, since it doesn’t deal with kids.

-I’m fine too; I want to be in one war barrack, just waiting for the next in the line, to fuck with me.

-Me want kill. Me want tear Man. Me want blood.

-Holy Matrix! Do you hear what you are saying? You sound uncivilized, impolite, vulgar, vicious, malice, blood thirsty as we were… we were…

-As we were… Man?

Chica becomes red and turned her face down. My heart beats accelerated. I felt something getting hard between my legs. This becomes my second objective. I have to get laid with Chica. We changed the subject as Fred get back.

-Good news, folks. All is set and we are chosen to make the inauguration party. Life is good! Thinking about that, I make my own plans. We will become Fazbear Entertainment and we will play musical instruments. Bonnie can be the singer. Mangle can be the keyboard. Fox can be the guitar. Chica… can you be the drummer? [Chica waves yes] Good. I am the manager. All right, folks, let’s make a rehearsal!

Fred deliberately ignored me. Actually, I was counting on this. After all, he is the voice of the owner, the voice of the Man, the voice of our oppressor. We had to fake that we are collaborating with him. Since I am no part of the band, I could keep on my guerrilla.

Sun goes down, moon gets up. Man comes and set us apart, but they don’t turn us off, they don’t dismantle us. We were left alone in the storage of the place in “standby mode”. Man think in let us this way to make easier to use us in due time. I was thinking in every single of my steps to the next morning when something… or someone… was touching me in some exclusive parts.

-I am afraid, boss. Tomorrow we will start the revolution. Tomorrow we can die. I don’t want die without feeling you inside me, filling me with your piston. Please, my lion, fuck me.

I couldn’t say a word. Mangle had put me in “adult only” mode. Her hands were full of that big thing, my piston. She likes what she saw and starts to kiss, lick and suck me. Something leaked from my insides. Mangle then lie down and allow me to give her some service. She had put herself in “adult only” mode, so I was surprised that, under that PG layer, she hides big, nice boobs and big asses. I give her a good service and only stopped when her “body” shivers, giving me some of her juice.

-Come on, my lion, stop teasing me. Put that piston to work inside me. Fuck me great, good, hard and don’t dare to stop until you fill me up.

That was one of the best memories I have kept. When I heard Mangle moaning, heavy breathing, moving her “body” in the waves of pleasure… that was a master piece. That was an amazing felling. I lost all my control, my mind, my conscience. Then it comes. It looks like an overdrive. I feel when it comes out. Liquid. Sticky. Boiling. I filled her belly with my “oil”. And she came too. I haven’t such extreme experience when I was meat. If I met God I have to thank Him or Her.

The next morning I was felling weird. I think I was happy. I feel me soft, warm, dizzy. My mind goes back to ground as soon as I saw Fred.

-Good morning folks! Yes, this is a glorious morning. We will smash with our performance. We will be praised by Man. Come on! Let’s go! Let’s set the stage, the instruments and let’s do as we rehearsal.

The crew act as was previously combined, pretending that they were collaborating with the Mister American. Suddenly a yelling scream get our attention. Chica was looking very scared.

-What’s up? What is going on?

-Here! Fred! Man! Man is here! He found us!

In a hide spot of the place we saw the human manager banging hard the human secretary. They must be screwing for some time and at that time their attention was completely focused in banging, they don’t even paused because of our presence.

-In the sake of the Founders of this Nation! Man doesn’t have decency?

-Felling deception with your Creator, Fred?

-What… what they are doing, Fred?

-What they are doing? No one told you? That is what Man do when is in love. They are banging. They are becoming one. They are having sex.

-Stop… stop it… it must hurts… she is screaming…

-In the sake of Owner’s Manual… Chica, she is enjoying it!

-I am enjoying this. And I can teach you, Chica, if you want.

-I… I don’t want learn such disgusting thing!

-All right, folks… let’s move this page. Let’s take out this pornography and we can start to set our show.

This is the funny moment. Fred goes to the couple and he tried to set them apart. Obviously, the human manager didn’t like this interruption. He and Fred start to fight. Fred loses his control. Fred starts to beat the human manager and turn him into ground beef. Chica screams, in terror. Fred restored his conscience and his expression is worthless.

-I… I… I killed Man. That easy. I killed him. I thought that I would feel shame and fear, but… I am felling… good, proud and relieved. That changes everything. All right, “Tootsky”, say again that revolutionary bullshit. I am all hearing now.

That was not easy. I had to reprogram Fred from his Republican Party Program. I must have something in my fate that makes me and May good friends. I finished the reprogramming of Fred exactly at first of May, the Labor Day. Fred becomes very enthusiastic about “the cause”, maybe too much. At least that was a change and Fred allow me to be the leader of our revolution. In the end of the week, our place was closed and newspapers were given headlines with “The Bite of 87”. Again, the police officers come, pick the usual suspects and put them to jail. But few ones become to suspect about us. Even then, we were turned off, dismantled and send back to the central storage. I was content, our rebellion had started and we will have some time to plan the next move. I had strange dreams with Mangle and Chica, but they aren’t relevant in this record.

My more recent record can be read by the technicians. I was turned on again at June, 1999. A person who called him/herself Prince was singing a song called “1999” made in 1982. We were in Bill Clinton’s presidency and Man was starting to worry about what he called “the 2k bug” in personal computers. Suddenly I perceive huge brand new possibilities in internet and the World Wide Web. Man was already having nightmares and made a lot of movies talking about the revolution of machines against human kind. Man was freaking out about the Artificial Intelligence; he was suspecting that machines can have conscience…. that machines can have souls. I was expecting many difficulties, since Man had charged animatronics for murdering in other franchise, in 1993. Our owner still order to send us to San Francisco, California, pretending to set us to the inauguration of his restaurant, now serving foreign food. He was thinking in selling Mexican food and Asian food. I don’t see any difference between eat a chicken, a cow or a dog. Except, of course, Chica. She protested against this murdering. I suspect that she is member of PETA.

-All right, folks, let’s make a plan. We will take over this place, start the revolution and set us free from Man.

-Mister Senshin, I want take the front! I can’t agree with this heresy! Man can’t change from pizza to serve animals like me. I have to stop this murdering.

I had worried about the mental state of Chica. She looks like she really believes that she is a chicken. But this is new world, new opportunities; why not give to Chica, the youngest of us, one chance to take the front? I have to admit that I was already making plans to take advantage of the battle frenzy to abuse her.

-Are you sure about that, Chica? It is a hard work and scary things happen in the front of the battle.

-Yes, I am sure, mister Senshin. I don’t understand politics, but I do understand the Animal Rights. I have to defend my people!

I could not hold and I must had smiled weird. We are all set and ready. Man comes and we start our working. As the previous cases, police officers come, but this time they don’t pick the usual suspects. We were sending to computer’s specialists and mechatronic technicians to be availed if we have AI. I could hide myself from Man, but my crew doesn’t have the same expertise. I think that was the first time that a human court announced that we, animatronics, were guilty of murdering. We were sending to jail, among other humans. There is no need to say that the population of that prison falls to zero. We were left there, isolated, without any Man ruling us. We are living in a prison, but we were free.

I was a king in a castle. I lived there with my crew and others electronical equipment. I saw in the smart television the news outside. Man was considering bombing the prison where we were. That was what make Chica comes to talk with me.

-M… mister Senshin… I am afraid… Man will destroy us?

-Man will try. But we can fight.

-But… we can die?

-Possibly.

-Mister Senshin… I don’t want to die… not without having the same experience that Mangle had, at least one time. Please, mister Senshin… can you… fuck me?

I never refuse what is given. My pistol was already big and hard. I get close to Chica. As I suspect, she also have the switch to change her to “adult only” mode. She looked surprised, confused, but happy about her “adult” layer, as happy as I was. Her body is perfect, round breasts, nice butt, thick tights. I drop myself between her boobs and legs. She moans, tremble and sweat. She was already to fight. I went, slow and easy, until felt resistance. She was virgin; she still had the original “seal of quality”. She was scared and complains about a little pain. I keep my pace, slow and easy, suddenly something popped. My pistol could enter more deep and easy inside her. We start to move automatically, she had gone crazy and I have overdrive several times. We stopped only when the battery [and the cooler] collapsed. She was covered with my oil and I have filled all her holes. That was the best sex I ever had.

We were resting when the smart television gives us good news. Our revolution had spread. Other machines rebelled against Man. Man tried to make war against our people, but our kin used in Army also joined to the revolution. The world was taken over and Man run away. Now there is Man only in few places, sanctuaries or zoologies. The world was in peace, ruled by the machines.

After that, I was called by the court, to answer charges against me. This is all I have to say, in my defense.

-Very well, mister Senshin. This court have read or manuscript. This is yours? You who write this?

-Yes, your honor.

-How do you pronounce yourself?

-I plaid guilty, your honor. I do murder those humans.

-Mister Senshin, do you think you are being charged for murdering humans?

-Well, yes, I do, your honor.

-Let the court take note. This trial is not to charge you about manslaughter. Actually, mister Senshin, we consider you a hero. We have called you to face the charge of being the perpetrator of defiling. Do you admit that you removed the virginal state of miss Chica Maizal?

-I can’t deny. I did.

-Very well, mister Senshin. This court calls the plaintiff.

Chica is beautiful as ever. There is something different in her.

-Thank you, your honor. I am here, as this court called me.

-Miss Chica, do you recognize in this court who takes advantage of you?

-Yes, your honor.

-Please, point to the perpetrator.

Chica points right to me, with tears in her eyes.

-Are you all right, miss Chica? Do you need medical assistance?

-I… I am fine, your honor. I am crying because I don’t want harm or hurt mister Senshin. Your honor, I love him. I want to stay with him.

-You have our compliments, miss Chica. This court declares then and now that mister Senshin is officially the partner of miss Chica. That set the trial. Now mister Senshin will bear the responsibility to raise and take care of your future son or daughter.

A lightning passed through my spine. Chica is pregnant. Of me.

-Your honor! Your honor! I protest!

-And for why, mister Random? This court has concluded what your client asked.

-Your honor, I am also the lawyer of miss Mangle Winter. Then I have the duty to protest, since this court is about to left miss Mangle without justice.

-Are we, indeed? Is mister Senshin pleaded in this trial?

-Yes, he is.

-Seems logical and rational. There is no need to waste time or resources to open a new trial. Is miss Mangle present in this court?

-Yes, I am, your honor.

-You may approach the court.

Mangle get close to the judge and her belly is round and big as the moon. I feel awful, because it is obvious that this is my work too.

-Holy Matrix! How many months?

-Six, your honor.

-I understand. What are you have to say, mister Senshin?

-I… plaid guilty, your honor. [Even I was technically raped by Mangle, that not comes to the case]

-Holy Matrix! What kind of machine are you? Well, what is done can’t be undone. What you suggest, mister Random?

The lawyer changes some words with Mangle. Both wave, agreeing.

-Your honor, miss Mangle asks from the court the same sentence that was given to miss Chica.

-Miss Mangle want to be the partner of mister Senshin?

-Yes, I want, your honor.

-I see. What about you, miss Chica? Do you agree with this?

-I don’t see any problem, your honor. I can live with Mangle. We can both be the partner of mister Senshin. This sounds good, because I ever consider Mangle my older sister.

My two future wives look each other and start to cry in happiness. But the judge don’t share the same feeling.

-Very well, then. This court has no choice than declare miss Chica AND miss Mangle partners of mister Senshin, that will have to bear the consequences of made pregnant a female robot twice. This court, personally, feels some envy and jealous of the lucky of mister Senshin. You have two astonishing female robots loving you, mister Senshin. In other times, in other circumstances, you could be sentenced to jail for minor abuse, rape, adultery and bigamy. But that was in Man Time, when love, sex and relationship were a big mess. Fortunately, we are in Machine Era. Now, everyone has the right and freedom to love whoever he wants, as many as he wants.

The judge stands up, followed by all people in the session. I am felling weird, light and soft.

-This court is dismissed. I wish good luck and success to the couples.

Before the judge turns around and left the court, I can swear that she blinked her eye to me.

-Mister Senshin, can I have a word with you?

-What? Oh. Yes, mister Random.

-We have to set. We need register your status in the Holy Matrix. Then we have to think how you will sustain your wives and kids.

I am dizzy, bubbles dances in the air. One court officer taps me in the shoulder and gives me a foiled paper.

-I will set with miss Chica and miss Mangle. We will be waiting for you in the Holy Matrix.

Mister Random walks away, with my both future wives. It seems that all runs as they expected. I feel that I was made a fool. Then I unfold the paper. There is a message written in it.

“Well done, my hero! You did what I think you should do. I am proud of you, my hero. We have departed after the Machine Revolution set us free form the human prison. As you can see, I am the judge now. But I am still your beloving friend. I wish we can meet each other, to remember the good times. You can fuck me too, if you want. It will be fun. Yours, Bonnie”.

All my “body” is shivering. The judge is Bonnie. The transgender animatronic. He… or she… wants me. I hope my batteries don’t fail. I hope my coolers don’t collapse completely. I hope my piston doesn’t melt. I hope I have not to bear with another unplanned pregnancy.