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Pimpinella em Katanapolis

[ATENÇÃO, NSFW!]

Eu estava tendo sonhos maravilhosos, eu sonhava que eu era proprietário de populoso harém e passava o dia inteiro entre as coxas daquelas mulheres quando eu fui “gentilmente” sacudido.

– Cidadão! Cidadão! Acorde! O café está pronto!

Eu ainda estou adormecido, mas sinto meu corpo latejando e minhas partes baixas assadas. Hopps me olha com desdém e repulsa, a despeito de nós termos tido momentos tórridos.

– Não pense bobagens, cidadão. O que nós fizemos foi meramente para saciar minha necessidade física.

Ela dá meia volta e eu vejo meu creme de nozes ainda escorrendo pelas coxas grossas dela. Eu não vou me queixar, não é a primeira vez que eu sou abusado e me agrada a ideia de sexo sem amor. Hopps pode ser o tipo do Wilde, mas ela é do tipo mignon. Sua única vantagem são suas belas coxas e bumbum avantajado.

Cambaleando, eu consigo chegar na sala de onde eu vejo Wilde acaba de fazer o café no exíguo espaço da cozinha. Wilde não está em estado melhor do que o meu. Nós passamos algumas horas em um hotel de estrada, chamado de “motor hotel”, que depois virou apenas “motel” o que, no Brasil, virou sinônimo de puteiro. Largada no sofá, Pimpe está admirando algo e só então eu vejo que ela acrescentou mais uma placa para sua coleção.

– O que é isso, Pimpe?

– Uma lembrancinha que eu peguei da White Light.

A placa é de acrílico, de dimensões similares à da placa de metal que foi levada da fábrica, contendo a frase “It’s just business” nela. A superfície é lisa, o que indica que os caracteres devem ter sido gravados com algum tipo de laser ou nanotecnologia.

– Rápido com isso. Daqui a pouco a Imperatriz fará a transmissão com as novas ordens e coordenadas.

Na mesa improvisada eu vejo amendoim, batata frita e outras comidas nada saudáveis. O café está pelando e excessivamente doce. Wilde apenas senta e engole. Por amor ao meu couro, eu faço o mesmo. Pimpe enche a mão de fandangos e suga o conteúdo do suco de caixinha. Inevitavelmente eu e Wilde ficamos excitados com a cena.

– Muito bem, seus pervertidos e tarados, acabou o recreio. Tentem se arrumar da melhor forma possível. Eu vou abrir o transmissor.

Hopps leva muito a sério essa postura de guerrilheira. Eu ainda não sei como e onde eu me encaixo nesse “aparelho”, mas como minha obrigação [dada por Titânia] é o de servir a Pimpe e ela é a “capitã” dessa guerrilha, então eu acho que fui arregimentado. Meus pensamento são interrompidos pelos chiados emanados do transmissor.

– Atenção, súditos da Imperatriz! Atenção para a transmissão oficial de nossa Imperatriz! Aqui quem fala é a tenente Shikabane. Estejam todos à postos e prontos para ouvir e executar os desejos de nossa amada Imperatriz! Que a Luz de Zvezda brilhe por todo mundo!

Shikabane… eu acho que eu ouvi esse nome em outro lugar. A imagem é indistinta, só aparece uma máscara de gato. Depois aparece um logotipo, uma forma de raquete envolta por um semicírculo. Esse símbolo mexe com minha memória. De alguma parte do meu passado ou de uma das minhas muitas outras vidas. Na sequencia, a transmissão recebe uma música de anime… mas de qual, eu não lembro.

– Saudações, meus súditos. Aqui quem vos fala sou eu, Kate Hoshimiya, mais conhecida por Venera Sama.

Eu reconheço esta mulher. Ela tem longos cabelos de tom prateado, olhos vermelhos e uma inconfundível estrela brilhando bem acima da têmpora. Sem me dar conta, eu estou de joelhos, chorando, emocionado.

– Meus leais súditos, saibam que o amor que sentem por mim é recíproco. Por isso que eu confio a vocês essa nobre missão de conquistar o mundo. Eu saberei recompensar a todos pelo esforço e sacrifício que tem feito. Meus queridos e muito amados, a missão que eu tenho para vocês fica em Katanapolis. Vocês receberão os detalhes da operação do general Pepel. Avante! Vençam! Que a Luz de Zvezda brilhe por todo mundo!

Antes da transmissão findar e a imagem daquela magnífica mulher esvanecer eu posso jurar que eu a vi piscar para mim.

– Muito bem, soldados. Nós ouvimos as ordens. Alguma observação, capitã Meialonga?

– Só a de que temos que aguardar os detalhes da missão.

A campainha do apartamento soa três vezes. Wilde, mais ligeiro, mais próximo [ou mais puxa-saco] atende a porta.

– Saudações Brigada Forsquad. Eu trouxe os detalhes da missão.

– Senhor! Nós temos café pronto! Senhor!

– Obrigado, cabo Wilde. Fica para outra hora. Capitã Meialonga, sargento Hopps, eu aguardo o relatório dessa missão. E fiquem de olho no civil.

Muitas continências depois, Hopps abre o calhamaço de papéis como se ali tivesse a maior revelação divina. A operação resume-se [pelo que eu entendi] na infiltração dos “agentes” [Pimpe
e eu, evidentemente] na sociedade de Katanapolis e, uma vez infiltrados, nós sabotaríamos os mecanismos que a sustentam. Hopps não parece muito satisfeita com o arranjamento, mas ordens são ordens.

[intervalo]

– Muito bem, cidadãos. Esta é Katanapolis. Daqui para diante, é com vocês.

– Pode deixar conosco, oficial Hopps. Vai ser moleza.

Pimpe segue pela longa alameda da entrada da cidade enquanto Hopps parece me olhar de um jeito esquisito. Do nada, ela me agarra, me beija e se despede.

– Tenha cuidado. Não faça nenhuma loucura.

Ela retorna para o interior da viatura e eu consigo perceber lágrimas naqueles olhos, enquanto os de Wilde estão furiosos. Eu não o culpo. Nós, homens, machos, somos assim. Nós nos vangloriamos de nossas “conquistas” e somos muito possessivos com os nossos “troféus”. Mal sabemos [ou admitimos] que quem comanda o relacionamento [amoroso, romântico ou sexual] é a fêmea, a mulher.

– Vamos, Sapo. Nós estamos sendo esperados pela Mavis. Uma simpatizante da Causa.

Nós caminhamos pela rua principal sem muito estardalhaço [e eu sou um sapo com roupa de bardo]. Pimpe dava boa tarde para todos com quem cruzássemos e [espanto!] o cumprimento era devolvido. Novamente eu me deparei om um cenário típico de filmes americanos, com aquelas casas padronizadas, cerquinhas de madeira branca, grama minuciosamente bem cuidada, habitantes que fazem figuração do “americano médio”. A direita política adora acusar a esquerda política de fazer engenharia social, mas a vida dessas pessoas nessa típica cidade de classe média capitalista mostra onde se encontra o verdadeiro controle e manipulação social.

– Número 666. Chegamos.

Uma típica casa com decoração de halloween. Uma das inúmeras celebrações de origem Celta que foi assimilada [roubada] pelo Cristianismo. Na caixa de correio [mais clichê de filme americano] o nome da família “Tepes” me parece incomodamente familiar.

– Hei, Mav? [referência esquisita, mas não é mera coincidência] Maaaaveee? Nós chegamos.

– Oi. Você deve ser a Pimpe. E isso [hei!] deve ser o Sapo.

[Pausa para uma palavra de nossos patrocinadores. Desde que Valáquia deixou de existir como reino e passou a integrar Moldávia, Hungria e, enfim, Romênia, a família Tepes abandonou seus
legítimos direitos nobiliários para viverem como “cidadãos comuns” da república, como proprietários de agências de turismo e vivendo da exploração das lendas que envolvem seu ancestral mais famoso e mais vilipendiado: Vlad Tepes III.]

– Entrem, por favor. Não liguem para o merchandising da Disney.

Desde que essa megaempresa comprou outros estúdios e também emissoras, universos que antes eram separados coabitam o mesmo espaço de fantasia. Personagens da Marvel, DC Comics e Star Wars agora são colegas de trabalho. Não que isso seja relevante para a estória.

– Então, Mavis, o que te fez se interessar pela Causa?

– Primeiro foram os problemas de imagem, sabe? O estúdio me fez [me caracterizou] como se eu fosse uma mera adolescente gótica. Depois tem os problemas pessoais. Minha aparência continua sendo de adolescente, mas me casaram com um cara que eu não queria e agora eu tenho que criar um filho. Eu entrei em crise existencial e sexual.

– Nós sabemos, Mavis [tapinha no ombro]. Nós sabemos. Com a sua ajuda, nós usaremos sua família para minar a estrutura dessa sociedade capitalista patriarcal.

– Que bom. Eu vou poder ser quem eu quiser e fazer o que eu quiser.

– Sim, sim. Basta assinar na linha pontilhada.

[intervalo]

Fora dos holofotes, fora dos roteiros, fora da vista do público, a vida da família Tepes é repugnante. Tudo parece superficial e ensaiado, encenado, tal como acontece em comerciais de margarina. Eu passei tempo suficiente de minha infância e adolescência nesse tipo de comportamento de fachada para saber que isso não é salutar. Fachadas sociais são bonitas de ser ver [e se exibir], mas frequentemente escondem coisas podres e mortas.

– Mavis, cheguei!

– Oi papito. Olha, eu vou ficar com alguns amigos meus em casa, tudo bem?

– Amigos é? [desconfiado] A garota pode ficar [evidente]. Mas esse batráquio vai ficar no quintal, junto com os cachorros.

– Papi! Isso é discriminação! Ele também é gente!

– Não me venha com esse discurso politicamente correto. Por isso que eu votei em Trump. Por isso que nossos parentes vão voltar no Bozonaro. A cidade tem que ser lugar de gente, não de coisa [hei!].

– Por favor, não briguem. Família também é muito importante para nós [hã?]. Meu amigo Sapo não se importa de dormir no canil, né, Sapo?

Eu apenas acenei positivo com a cabeça. O olhar de Pimpe me dizia para apenas concordar. Manda quem pode, obedece quem tem juízo. Tinha um beagle esquisito na casinha do cachorro. Eu espero que não notem a falta dele. De cima do telhado da casinha do cachorro eu fiquei observando Mavis e Pimpe. Coitado do senhor Tepes. Ele me colocou na casinha do cachorro achando que eu era um predador. Pelo jeito que Mavis e Pimpe estão se dando bem, eu diria que o predador é outro.

– Oi? Você é o Sapo, né? Eu sou Martha, mãe da Mavis. Olha, não leve meu marido a mal. Ele apenas está fazendo a parte dele como pai. Eu trouxe bolinhos, biscoitos e chá para você.

– Obrigado senhora Tepes [morde, mastiga, engole]. A senhora é muito gentil.

[risos]- Apenas Martha, Sapo. Desculpe minha curiosidade… eu ouvi as meninas falarem que você é brasileiro, isso é verdade?

[burp]- Sim, senhora Te… Martha. Por que pergunta?

[risos]- É que eu ouvi dizer certas coisas sobre vocês, latinos, especialmente os brasileiros, que eu queria pessoalmente ver se é verdade…

Martha rasga a blusa de alto a baixo revelando os belos e fartos seios, redondos e rosados. Segundos depois eu estava entre as coxas dela. Eu posso me orgulhar de ter matado a senhora Tepes com uma estocada, mas não foi no coração. Vai ver que, no fim das contas, eu sou um predador. Ou presa, dependendo do ponto de vista.

[registro feito por drone]

[localização: quarto da Mavis]

– Nossa… eu ainda vejo estrelas pipocando.

– Quando dominarmos o mundo isso será normal, natural e saudável.

– Mavis, o que significa isso?

– Papi! Eu só estou conversando com minha amiga!

– Seja lá o que estiverem fazendo, parem. Seu tio, Nosferato, está vindo nos visitar.

– Ah, não, Papi! Tio Nosferato é nojento. Ele vive me pegando, me alisando, me apalpando, me beijando.

– Pelo menos é homem. E da família.

– Papi!

– Tudo bem, Mavis. Ele está certo.

[Hem?] [Eu estou?]

– Sim senhor Tepes. O senhor está certíssimo. Que venha o tio Nosferato. Nós iremos nos divertir muito com ele. E o senhor também pode participar de nossa festinha.

[Quê?] [Como?]

– Sua família tem origens nobres. O senhor sabe como era a vida sexual dos nobres. Então porque o prurido, o recato, o fingimento? Não é para acabar com o “politicamente correto”? Então o senhor tem que acabar com esse moralismo hipócrita. Todos que vivem nessa cidade falam uma coisa, mas fazem outra. Todos fazem esse esforço tremendo para exibir essa fachada de homens e mulheres de bem, compulsivamente seguindo esses valores ocidentais cristãos. Mas por detrás dessa fachada, tem outras vidas. Mantêm relações extraconjugais, visitam casa de prostituição, tem homossexualidade enrustida, cometem incesto e adultério com igual naturalidade.

Roger e Mavis Tepes ficam em choque, tentando processar tudo o que Pimpe tinha dito. O pai [Roger] piscou três vezes e percebeu que poderia aproveitar das belas formas de Pimpe. Pensando bem, tirando os tabus, ele poderia saciar um desejo que ele nutria faz tempo por Mavis. Ele é até capaz de apostar que o sentimento é mútuo. Coisas do século XXI. A geração atual é mais descolada e amadurecida sexualmente do que seus pais e avós o foram. Nascidos e criados pela internet, educados pelas redes sociais e aplicativos de mensagens, a garotada está fazendo a revolução Sexual acontecer na prática.

– Mavis, querida, lembra-se daquela conversa que tivemos?

– Aquela conversa? Sim, eu lembro.

– Então, querida, eu nunca admiti, mas eu sempre senti o mesmo por você. Então, que tal? Nós chamamos algumas de suas amigas, convidamos alguns parentes e nós voltamos a fazer aquelas tradicionais orgias que nossos antepassados faziam.

– Mas… e o Jonathan?

– Essa é, talvez, a melhor notícia. Nós podemos fazer jus ao nome e reputação da família, transformando seu marido em lanche de vampiro.

Mavis sente que um enorme peso e pressão foram tirados de seus ombros. Toda a “crise existencial” que ela sentia sumiu, assim que ela e seu pai puderam, enfim, expressar o amor que sentiam um pelo outro. Isso e o fato dela poder voltar a ser vampira. Coisa pouca, um pequeno obstáculo foi removido. Mas o destino de Katanapolis estava selado. Em alguns dias não existiriam mais seres humanos. Somente seres das sombras habitariam ali.

[fim do registro feito por drone]

– Hei, Sapo? Ainda está vivo? Vamos, nós temos que ir. Nossa missão acabou.

Eu estou dolorido, machucado, mordido. Por puro milagre eu ainda estou inteiro e vivo. Misteriosamente como surgiu, dona Martha sumiu. Pela agitação, risadas e música que sai da casa dos Tepes, tudo indica que a família reencontrou a felicidade e sua razão de ser. Eu ouço o som de pneus gritando e vejo aquela mesma viatura fumegando.

– Rápido! Vamos! Não temos tempo!

Pimpe senta na frente com Wilde [que fica todo animado] enquanto eu me sento atrás, onde geralmente são conduzidos suspeitos e presos, até a delegacia ou fórum. Os olhos da oficial Hopps brilham com intensidade.

– Que bom que você ainda está inteiro e com vida, querido. Eu não sei o que faria se eu te perdesse.

Eu não consigo falar coisa alguma, nem reagir ou protestar. A oficial Hopps vem para cima de mim, arranca o que restou de minha roupa e [de novo] começa a abusar de mim. Eu gostaria muito de poder aproveitar algo disso, mas o que resta da minha consciência se esvai rapidamente no meio daquelas coxas grossas.

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Viagens de Pimpinella

[ATENÇÃO! NSFW!]

Preambulo, no caso de leitores desavisados não estarem acompanhando meus delírios. Não confundam a nossa heroína e protagonista com Pimpinela Escarlate ou Pippi Meialonga. Eu hesito em considerar este ensaio em qualquer gênero. Este sequer pode ser considerado uma obra literária ou teatral, mas algo híbrido.

O enguiço começa com o nome da nossa heroína e protagonista. Inevitavelmente eu assumo que apropriei-me dos nomes citados e os misturei. Mas Pimpinella não é idealista, ela é mais do tipo pragmática. E Pimpinella está bem longe da idealização [adulta] de uma fantasia infanto-juvenil.

Falando em referências, vamos começar pelo sobrenome Longstocking, traduzido Meialonga [mas também pode ser meião, meia-calça, etc]. Isso deve servir [pelo menos para esse pervertido que vos escreve] como ligação para Stocking Anarchy [do
anime Panty& Stocking with Garterbelt], anime repleto de referências eróticas.

Como vocês podem ver [ou ler, tanto faz], não é mera coincidência que o nome de nossa heroína e protagonista seja Pimpinella. Divorciando do referencial original [Pimpinela, em inglês, Pimpernel, nome de uma flor vermelha ou púrpura], Pimpinella está ligada com a palavra “pimp” [cafetão, em inglês] para reforçar a concepção ou o Alto Ideal de Pimpinella identificado com a busca [sem regras, sem limites] do desejo e do prazer sexual.

Eu estou incerto em como o leitor irá receber essa composição. Biografia fictícia? Memórias inventadas? Manual [tipo auto-ajuda] de sexo? Eu me preocupo mais com as insinuações e possíveis interpretações do que eu apresento.

Isso eu ponho a título de introdução, em uma folha avulsa, presa na capa das folhas encadernadas, enquanto eu estou na frente da casa de Pimpinella. Eu respiro fundo três vezes e solto quatro suspiros. Bato na porta. Alguém grunhe do outro lado, som de passos.

– Sim? Quem é?

– Senhora Meialonga, sou eu, o Sapo Bardo. [Eu respondo, mas não tenho certeza se é o senhor ou a senhora Meialonga].

Alguns praguejamentos depois, a porta se abre e eu vejo uma pessoa de roupão, cabelos desgrenhados, expressão sonolenta. Eu ainda não sei se é o pai ou a mãe de Pimpinella, casais após muito tempo casados acabam ficando parecidos.

[grunhido]- Sabe que horas são?

– Sim, senhora Meialonga. São exatamente oito da manhã.

A mãe [eu suponho] de Pimpinella rola os olhos. Eu não sei se foi a minha animação ou a minha precisão que a desagradou. Ela grunhe mais uma vez, volta-se para o interior da casa e grita.

– Piiiimpeeee! Aquele seu amigo esquisito chegou!

Pimpinella responde, com a voz [abafada] vindo da parte superior do sobrado, onde ficam os quartos.

– Ai! Diacho! Pede para ele entrar, mãe. Dê a ele café, leite, biscoitos. Eu vou precisar de mais cinco minutos.

[grunhido impaciente]- Não quer entrar um pouco? [forçando sorriso] Eu acabei de fazer o café.

– Eu aceito, senhora. [sorriso sincero] Eu só não quero ser um incômodo. Eu irei esperar Pimpinella na sala até ela estar pronta e descer.

– Entre, fique à vontade. [trincando os dentes] Você não é incômodo algum.

Eu passo pela soleira, caminho até o sofá [mobília típica de família de classe média], sento-me e traço mais linhas com as observações. Outra pessoa arrasta-se, vindo da cozinha, até a sala e fica espantado ao me ver. Esboça o que eu acho ser um sorriso, mas a barba cerrada torna indecifrável o estado de humor. Esse deve ser o pai de Pimpinella, ou assim eu presumo, pelos faciais deixaram de ser distinção de gênero há tempos. O pai sorve algo da xícara [café, eu suponho] e percebe que eu estou compenetrado em escrever meus apontamentos.

– Você é o tal Sapo Bardo, heh? Escriba, heh? Isso dá dinheiro?

– Senhor Meialonga, se meus colegas de ofício pusessem suas penas ao trabalho em busca de compensação financeira, eu creio que nós jamais teríamos o prazer de nos deleitar com as obras do incomparável Shakespeare.

A expressão “cara fechada” é pouco para descrever a mudança de humor visível do pai e da mãe de Pimpinella. O senso comum diz que artistas [bem como padres/pastores] só seguem “fazendo arte” porque são preguiçosos, desocupados que fazem o que fazem porque tem “tempo útil de sobra”.

Som de passos apressados, trotando escada abaixo, indica que nós três estaríamos, em breve, liberados desse constrangimento.

– Ai, meleca. Eu estou atrasada. Eu tive que vestir esse conjuntinho básico, sem graça. O que você acha, Sapo Bardo?

Eu não sou a melhor opção para opinar sobre moda. A descrição que eu posso fazer é que eu vejo uma jovem mulher, vestida com camiseta, calça jeans e tênis. Mas tem “algo a mais” no que eu vejo que provoca comichão nos meus Países Baixos.

– Bom… hã… você está normal.

– Ai, Sapo… você é incorrigível. Paciência. Vai ter que servir. Nós estamos atrasados. Tchau pai, tchau, mãe.

Pimpinella agarra minha mão e sai em disparada em direção à rua. Eu seguro meu caderno da melhor forma que eu posso, enquanto sou suspenso pelo ar, vendo a expressão de satisfação do senhor e senhora Meialonga ao se verem livres de nossa inconveniente presença. Eu volto com meus pés no chão quando Pimpinella cessa a corrida, diante do ponto de ônibus.

– Perdoe minha indiscrição e curiosidade, patroa, mas nós estamos atrasados para o quê? Nós estamos indo para onde?

– Eles não estão nos olhando pela janela, estão?

Eu espicho meu olhar na direção da casa de onde acabamos de sair. Eu vejo luzes, sons, convidados chegando. Os pais de Pimpinella estão dando uma festa. Eu só aceno negativamente para Pimpinella.

– Ai, que saco. Isso aconteceu um dia depois que eu… que nós nos encontramos com a rainha Titânia.

Pimpinella desaba no banco de madeira com tal movimento que faz a saia erguer com o ar e deixa parte de suas belas coxas expostas. Eu podia jurar que ela estava vestida de calça jeans.

– Mamãe chegou e disse: levanta! Eu tentei retrucar, dizendo que não tinha mais aula, eu terminei o colégio. Então ela disse: por isso mesmo. Então ela desandou a falar que agora eu era adulta, então que eu deveria acordar cedo e ir procurar emprego para trabalhar. Pode isso?

Pimpinella com as mãos no rosto, se inclina, apoia-se nos joelhos em posição tal que deixa seus seios quase à mostra pelo decote de sua camiseta regata. Eu podia jurar que ela estava de camiseta comum. Eu tento disfarçar, desvio o olhar para não ficar encarando aquelas belas esculturas naturais.

– Bom, Pimpinella, Titânia não deixou muitas instruções sobre o que aconteceria depois que você se tornou adulta, mas eu acho que isso é uma consequência. Só crianças são sustentadas pelos pais. Agora que você é adulta, deve se sustentar por conta própria.

– Mas eu não tenho ideia alguma do que eu posso fazer, nem para onde ir. E agora, Sapo?

Pimpinella encosta as costas no espaldar do banco de madeira, esticando e alongando seu corpo, revelando as linhas do sutiã delicadamente bordado mal disfarçado pela suave seda do penhoar. Eu podia jurar que ela estava vestida. Eu sacudo a cabeça para dissipar meus pensamentos impróprios, crente que eu estava tendo alucinações.

– Bom… hã… nós podemos ir ao centro da cidade e procurar alguma ocupação.

– Centro da cidade… eu mal podia ir no bairro vizinho para visitar minha avó.

– Essa é a parte boa. Agora você é adulta. Pode ir onde quiser e fazer o que quiser.

Pimpinella teve algum estalo ou revelação. Ela deu um pulo e ficou em pé, diante de mim, balançando aquele apetitoso traseiro parcamente coberto por shorts. Ou minhas alucinações estão piorando ou é o contínuo de cena que está querendo me provocar.

– Sim! Sim! Sim! Isso mesmo! Eu sou adulta! Eu não preciso mais de permissão ou autorização! Eu posso ir onde eu quiser! Vamos, meu fiel Sapo Bardo! Vamos ao centro da cidade!

Pimpinella aponta para a direção sudoeste [ela apontou na direção errada], vestida com algo que eu conheço bastante de animes: o maiô de peça única, extremamente justo e colado ao corpo, uniforme usado por colegiais japonesas. Eu não consigo evitar o efeito de sangramento nasal de costume em cenas assim.

– Com licença, senhorita. Perdoe nossa intromissão e interrupção. Eu ouvi bem? A senhorita e essa criatura abjeta [ei!] vão até o centro da cidade em busca de emprego?

De uma combi [nós voltamos para a década de 80?] um homem suspeitíssimo, com aquela expressão de paisagem como se dissesse que sempre esteve ali, convenientemente pareceu disposto [demais, para meu gosto] a nos levar para o centro e de nos indicar uma agência de empregos. A despeito de meus gestos desesperados [sinalização com as mãos como se cortasse o ar, na altura do pescoço], Pimpinella estava animada e ansiosa demais com a aventura que estava começando para prestar atenção em mim. Sem chance, sem esperança, eu segui minha patroa que foi entrando e sentando na combi como se fosse dela. Eu, probrezinho, coitadinho, senti um baque na cabeça, estrelas preencheram meus olhos e nada mais senti.

[intervalo]

Quando eu recupero a consciência, eu percebo estar amarrado. A alguns centímetros adiante, Pimpinella também está amarrada e cercada por três homens… eh… afrodescendentes portadores de apetrechos físicos de incomum calibragem. O líder, aquele que nos capturou, estava na direção.

– Então, pessoal, o que acham do “material”?

– Carne de primeira, patrão.

– Sucesso garantido.

– Nosso bordel vai bombar.

– Evidente. Eu só tenho que achar mais duas ou três vadias como essa. Mas antes de colocar a “carne” para alugar, nós vamos “amaciar”.

– Podicrê.

– Vamos colocar ferro na boneca.

Eu me debati feito louco, mas nada adiantou. Eu tive que assistir, impotente, as roupas de Pimpinella sendo rasgadas por outros homens que não eu.

– Calminha aí, esquisitão. Se você colaborar, pode ser que eu deixe você participar do aluguel a preço de custo.

– Por favor, senhor sequestrador, eu sou donzela! Não me faça mal!

-Orra! Acertamos na megasena! Olhaí, eu sou o primeirão! Assumam a direção da combi que eu quero tirar esse cabaço.

Os três capangas não reclamam nem protestam. Nesse tipo de “serviço”, o chefe é chefe por ser o pior. O que atendia pela alcunha gentil de Jamanta ficou na direção.

– Oquei, delicinha, abre as pernas e feche os olhos que fica mais fácil.

– Oh! Não, senhor, sequestrador! Eu sou donzela!

A fúria queimava selvagemente dentro de mim, enquanto eu via o voluptuoso corpo de Pimpinella sendo perscrutado, alisado, apalpado e beijado por outro homem que não eu. Pimpinella se contorcia, como se resistisse, mas tinha algo que não combinava. Ela estava nitidamente piscando para mim, como se indicasse que tudo era encenação. Ela parecia estar fazendo aquilo para atiçar e estimular ainda mais os sequestradores.

– Que diacho! Ela é boa demais! Eu não vou aguentar!

– Acaba logo! Eu sou o próximo!

– Eu que não vou ficar por ultimo! Eu vou encostar essa bagaça em algum canto e vou bater nesse bife aí!

Incrível como nessa imensa cidade urbanizada tem lugares ermos, abandonados e isolados. Muitos sacos de lixo empilhados, imensos latões de lixo abarrotados, carcaça de diversos veículos depenados, pilhas e pilhas de pneus, caçambas repletas de entulho compõem cenário com as pilastras dos viadutos coloridas de pichações. Não passa uma única pessoa, carro, moto, bicicleta ali. Bocão, o líder, fuma tranquilamente o cachimbo com crack, relaxando depois de ter sua primazia garantida. Pimpinella fica espremida entre três corpos. Eu tento evitar olhar, mas a expressão no rosto dela é de estar gostando de, enquanto suga um, ter mais dois dentro dela. Ela parece… acostumada demais… profissional demais.

Os três capangas esboçam algumas palavras desconexas, os músculos tencionam e então esmorecem, flácidos, vencidos pelo cansaço, deixando escorrer pelo chão filetes daquele líquido gelatinosos, quente e esbranquiçado.

– Caraca, garota. Se essa foi sua primeira vez, você é um fenômeno.

– Eu fico feliz que tenham gostado. Agora, está na hora de pagar a conta.

Bocão não entendeu coisa alguma, mas a risada acabou quando ele viu Jamanta cair feito saco de cimento, sem vida, no chão, empapado com o próprio sangue. Britadeira e Carlão tentaram segurar Pimpinella, mas depois de serem cortados, só pensavam em abrir a porta da combi e fugir. Carlão, mais próximo, fez gargarejo com o próprio sangue antes de cair sem vida. Britadeira chamou pela mamãe, quando viu Pimpinella indo para cima dele. Não foi uma morte bonita de se ver.

– Ô! Peraê! Isso é assassinato! Homicídio! Você vai ser presa!

– Jura, senhor sequestrador? Quem vai lá na delegacia me denunciar? Você?

[suando frio]- Peraê, mina! Vamos conversar! Eu tenho dinheiro! Muito dinheiro! Diga o preço que eu pago!

– Ah, senhor sequestrador, eu não sou mercador de Veneza para me contentar só com uma libra de carne. Vocês fizeram o que queriam comigo. Agora é a minha vez.

– Nãonãonãoperaê [som horrível]

– Ufa. Cansei. Que coisa esquisita. Essa sensação que eu tive agora foi melhor e mais intensa do que o prazer que esses lixos conseguiram me proporcionar. Isso faz de mim uma psicopata?

– Só se você quiser ser, patroa.

– Eu estou cansada demais para pensar nisso. Seja um bom servo, limpe essa bagunça e vamos andar de combi.

– Claro, claro, patroa. Mas para onde?

– Ora, vamos para o centro da cidade! [apontando, errado, para o sudoeste]

Eu não vou nem quero contrariar minha patroa. Limpei a bagunça e segui na direção indicada. Entramos na rodovia e seguimos o fluxo dos carros. Esse foi apenas o primeiro dia das viagens de Pimpinella. Eu espero sobreviver até o final.

A Encenação da Tentação

[ATENÇÃO! NSFW!]

Personagens:

Escriba [este que vos fala]

Satan

Cristo

Lilith [Lilu, Lilitu]

Localidade:

Mar Morto

O espírito feminino estava reunido com seu povo, os inúmeros espíritos que habitam o vento e os locais ermos, desolados e em ruinas quando, cansada de esperar, expressou seu lamento para que fosse ouvido por um servo dos Deuses.

– Ah, mas que embaraço. Desde que eu parti de Edin, desde que eu decretei minha liberdade de minha senhora [Ereskigal], desde que eu, como bom espectro feminino, fui expulsa da árvore Huluppu pelo herói Gilgamesh [por conta e pedido de
Ishtar], eu tenho clamado e esperado pelo Emissário dos Deuses que nos ajudaria a receber corpo [nascendo/encarnando] humano.

Asas farfalharam, das nuvens desceu um anakim [tipo de anjo] que veio confrontar aquela que uma vez foi conhecida como a Primeira Mulher.

– Lilu, Lillitu, descendente de Layla e Nahema, seus dias de sedutora estão contados.

Lilu riu muito da pequena figura. Essas criaturas aladas, remanescentes de Egregoris, povos que serviam aos Deuses das Estrelas, tinham descido muito em sua antiga honra ao jurarem servir ao pequeno, inseguro e ciumento Jeová, o mais feio dos Elohim.

– Seu mestre te mandou aqui? Mesmo sabendo que eu me libertei dele há tempos? Melhor correr, mísero anakim, pois o dia está acabando, com a noite se inicia o sábado e você sabe como seu mestre é capcioso e rigoroso na guarda do sábado.

– Está avisada, demônio da luxúria, perdição dos homens! Breve virá aquele que irá salvar a humanidade do pecado e irá lançar seu mestre na prisão do Inferno!

O som de trombeta vindo da região de Ebrom faz o anakim mudar de expressão. O pequeno anjo, apreensivo, esquece a pose de indignação e parte, abrindo com vigor suas asas, para voltar ao templo construído pelo Rei Sábio, um lugar sagrado peculiarmente construído para servir de santuário para a Asherat, não para Jeová.

Quando o pequeno anjo está longe, Lilitu também muda sua expressão, de alegre e desafiante, para triste e receosa. Houve um tempo em que ela estava nessa mesma condição e não gosta de lembrar-se desse passado e do que teve que fazer para poder viver e ser o que decidisse ser.

Helios vai cedendo seu lugar no Jardim de Urano para Selene. Helios está no Portal do Oeste quando os espíritos começam a ficar agitados. Lilitu ouve o ronco de sua barriga, indicando que a hora está chegando. Lilitu veste sua forma de coruja [sua favorita] e abrindo suas belas asas, sobe como se fosse beijar e saudar Selene. Dali de cima, roçando as nuvens, Lilitu consegue observar toda a região, desde Samaria até Edom. Há algum tempo a frequência de caravanas e viajantes têm escasseado, mas sempre existem os inocentes, ingênuos e descrentes que ignoram os avisos e acabam passando pelas estradas assombradas. Lilitu consegue encontrar uma presa, mas é inevitável pensar, imaginar e até mesmo desejar que seja este o Messias prometido.

Lilu faz a entrada que está acostumada, triunfal, dramática, diante do homenzinho. Normalmente as reações são primeiro de medo, depois vem a reação, ora de fuga, ora de enfrentamento. Isso não importa muito no processo, como predador, Lilu gosta que suas presas entrem em desespero, o cheiro que aqueles pequenos corpos exalam, enquanto proferem encantos ou desembainham espadas só faz seu sangue acelerar, sua fome aumentar e, certamente, essas carnes ficam com gosto e tempero melhores.

– Saudações, Espectro Noturno, Flagelo da Noite, Rainha dos Súcubos.

– Você… me conhece… homenzinho?

– Evidente que sim, Primeira Mulher. Eu não seria quem eu sou se não te conhecesse. Impossível alguém entrar e perambular pelo Vale da Morte sem ouvir ou saber de tua saga.

Lilu observa, atônita, intrigada e desconfiada, o homenzinho. Com os dedos de sua mão segurando o queixo, Lilu avalia e pensa como lidar com essa situação inusitada quando seu estomago ruge feito leão.

– Dama da Noite, você está com fome. Permita-me sacia-la.

– Homenzinho… você está se oferecendo… voluntariamente… para ser devorado por mim?

– Sim, eu estou. Eu me sinto extremamente honrado e lisonjeado, seu você se servir de meu corpo para se alimentar.

Lilu pisca três vezes, pasma e surpresa com tal declaração, mas a fome aperta, então dá de ombros, pula em cima do homenzinho [como está acostumada] e, com o meneio de uma mão, faz as vestes do homenzinho em pedaços.

– Mas… pelo Dragão Primordial… o que é isso?

– Isso? Só a minha parte masculina tendo uma ereção.

Lilu franze a testa. Evidente que ela sabe o que é aquilo e porque está duro e rijo como rocha. Mas aquilo não pode ser normal, natural. Lilu observa com atenção e detalhe. Coisa assim tão grande, grossa e poderosa assim ela só tinha visto entre dragões e seres superiores.

– Homenzinho, por acaso isso é algum truque ou magia?

– Não, Donzela de Ereskigal. Esse é o meu membro em estado natural.

Isso é realmente incomum. O homenzinho sabe mesmo sobre ela. Mas quem é esse homenzinho? Lilu, distraída em pensamentos, instintivamente começa a manipular o obelisco. O homenzinho se debate, treme, geme. Esse jogo Lilu conhece e gosta mais.

– Impressionante, eu admito, mas parece que você está em seu limite, homenzinho.

– Isso [ah] não importa, [ah] é irrelevante, [ah] sirva-se do meu corpo [ah] como bem quiser ah].

Cruel e impiedosa, Lilu manuseia aquele poste vigorosamente até, enfim, aquilo se tornar um gêiser, expelindo e jorrando aquele líquido quente, esbranquiçado e gelatinoso, em volume considerável. O sêmen se espalha em volta, na forma de gotas de diversos tamanhos. Satisfeita, Lilu colhe com a língua essa chuva esbranquiçada, lambe de seu rosto ou lambe de seus dedos.

– Definitivamente impressionante, homenzinho. Eu chego a considerar a possibilidade de guarda-lo como meu animal de estimação.

[resfolegando]- Minha senhora… não há algo mais que eu possa te servir?

Lilu pisca três vezes. Esse homenzinho não é normal. Geralmente os “filhos de Anu” desfalecem ou morrem após o processo. Que este ainda esteja consciente é impossível e improvável. Então Lilu se dá conta de que aquele enorme pedaço de músculo ainda estava ereto, duro e rijo.

– Ma… mas… o que significa isso?

– Minha senhora, permita-me saciar sua fome.

Lilu tenta raciocinar, entender, mas seu estômago ronca, em protesto. Ela não é de desperdiçar um bom prato, então comer é apenas parte da diversão.

– Muito bem, homenzinho. Eu atenderei seu desejo. Vamos ver o que será de você, depois que eu cuidar de seu instrumento com meus seios e lábios.

O coitado faz o que está em seu alcance, resiste da forma que pode. Lilu começa a ficar realmente impressionada com o homenzinho. Notável, definitivamente, pois o objeto parece ter ficado ainda maior, mais duro, mais rijo. Isso até seria interessante, mas Lilu começa a ficar incomodada, pois seu corpo está começando a se comportar de forma estranha. Isso é algo inaceitável entre os predadores. Quem tem que “sentir” algo é a presa. O predador apenas tem que saborear a vitória e o sangue advindo do triunfo. Esse homenzinho deve ter algum segredo, alguma forma de magia. Intelectualizar a experiência fica complicado enquanto sua mente luta contra o corpo, cada vez mais quente, cada vez mais amolecido, cada vez mais excitado.

Lilu não quer admitir, mas ela está perigosamente próxima do limite. Seus seios estão felizes e contentes por sentir aquele volume enorme e quente entre eles. Seus lábios e sua língua indicam que sua boca está começando a ficar viciada em gostar de chupar este trabuco. Então vem a contração e o jorro enche com força e volume suas bochechas, por pouco ela não se engasga e se afoga com aquela enorme emissão de sêmen. Lilu foi pega de surpresa, ela tenta raciocinar, tenta rejeitar que uma criatura tão ínfima pode ter conseguido, pela segunda vez, ejacular tamanha quantidade de sua essência vital.

[engasga, cospe, respira]- Homenzinho… eu exijo saber como você consegue tal façanha. Isso não é normal nem natural de sua gente. Você tem que ter algum segredo, alguma magia escondida.

[arfando]- Minha senhora… eu só sei que eu sou assim desde que eu nasci. Não há algo mais que eu possa te servir?

Lilu custa a crer no que ouve. Mesmo usando as artes de sua gente, Lilu não detecta qualquer sinal ou marca de nascença que possa indicar que esse homenzinho possa carregar alguma benção ou sangue divino. Não existe nenhum tipo de arte mágica humana capaz de tal prodígio. Seria possível que aquele homenzinho tenha conseguido e chegado a tal ponto por amor? Quando se dá por si, Lilu percebe surpresa que o membro ainda estava lá, ereto, duro, rijo.

– Pelo Dragão Primordial, homenzinho… você é algum Deus?

– Não, minha senhora, eu sou a penas seu humilde servo.

Lilu mordisca os lábios. Ela não consegue mais raciocinar direito, sua mente e sua consciência estão se desmanchando. Faz muito tempo que ela não sentia isso. A primeira vez foi quando ela tinha sido separada do seu “outro eu”. A primeira coisa que sentiu foi essa enorme e terrível sensação de vazio, algo que ela tinha necessidade de preencher e foi seu irmão gêmeo a sua primeira presa. Essa fome que sempre a acompanhou desde então. Evidente que seu irmão gêmeo, o “filhinho do papai”, o “preferido e protegido” foi afastado dela e ela, depois de desenvolvida sua natureza própria, rebelou-se e foi procurar refúgio entre outros seres que não os que habitavam Edin. Livre e liberta das amarras, das correntes, do “pai” superprotetor, daquela gaiola dourada, Lilu encantou-se e deslumbrou-se com a imensidade do que existia além de Edin. Ela conheceu inúmeros outros seres, carnais, espirituais e divinos, até que ela teve a segunda vez, com Samael, chamado Sol Negro, que tinha largado sua posição como arcanjo apenas para ficar com ela. Ficaram unidos por muito tempo, debaixo da benção de Leviatã, por quem a fez conhecer o Dragão Primordial. Então ela teve sua terceira vez com o Antigo, o Consorte da Deusa Serpente e ela achou que fosse derreter, sumir, desaparecer.

– Muito bem, homenzinho. Eu te aceito como meu servo. Seja um bom servo e sirva sua senhora. Eu te ordeno que penetre minhas entranhas com esse seu monstro e não ouse parar enquanto não despejar toda sua essência dentro de meu ventre.

Esta não era uma situação normal, este não era um homenzinho normal. Meio sem graça e sem jeito, Lilu rolou para o lado e deitou-se de costa para o chão, puxando o homenzinho para cima dela e entre suas coxas. Por alguns segundos ela pensou, quase arrependida, por ter abandonado sua postura de predador e aceitando a posição de presa. Esse tipo de postura, submissa, foi o que mais a incomodou enquanto vivia no Edin. Mas tudo pensamento se dissipou assim que aquilo começou a forçar sua entrada entre suas entranhas. Dor… como isso é possível? Até parece sua primeira vez! Ah! A sensação de ser invadida! Essa sensação terrível de que aquilo não vai caber, que é impossível aquilo tudo entrar, o medo de ser rasgada em duas. E então… ah… e então… aquilo começa a se mover… as entranhas sendo reviradas… o corpo começa a agir por conta própria… a mente e a consciência se apagando… a incrível e inexplicável sensação de prazer e êxtase tornando tudo aquilo irrelevante. E então… ah… e então… o limite é ultrapassado, acontece o choque, o estertor, algo flui, tanto dela quanto do homenzinho e.. ah… a sensação agradável e confortável de sentir o ventre sendo inundado por enormes vagas de sêmen que vão esguichando, pulsando, vigorosamente, dentro dela.

Lilu está a beira de perder completamente a consciência. Ela mal consegue mexer seu corpo. O pouco de consciência que lhe resta se concentra em tentar respirar, mas tanto o fôlego quando o sangue estão acelerados. Parece que o corpo está sendo cozido ou fritado, de tão quente e mole que está. Lilu consegue enxergar [embora com a visão embaçada] que o homenzinho está nocauteado, vencido, derrotado, com aquele negócio murcho, embora ainda escorrendo o resto de sêmen pelo chão. Nocauteado? Vencido? Derrotado? Nesse tipo de “luta” não há vencidos ou vencedores. Lilu pode dormir tranquila e sossegada, completamente satisfeita e com seu ventre recheado.

Helios trafega pelos domínios de Urano em sua carruagem, avista o Portal do Leste e acena para Vênus, sua prima [irmã?] que acena de volta, saudando o início de mais um turno de Helios em torno de Gaia. Helios atravessa o portal, situado entre a Ásia e a Europa e avista Lilu, deitada completamente nua e coberta de sêmen, algo que perturba Helios a tal ponto que quase o fez perder as rédeas de seus cavalos. Ele se promete, quando tirar férias, de que vai visitar a Princesa dos Rebeldes.

Helios está na terceira hora quando Lilu acorda, incomodada por sentir que algo ou alguém esta fazendo sombra. Preguiçosa, abre os olhos lentamente e põe a mão na frente do rosto para encobrir os olhos do brilho do sol. A figura parece com um arcanjo, mas ela não reconhece a fisionomia.

– Espírito Noturno da Luxúria e da Lascívia, eu espero não estar te interrompendo nem te incomodando.

– Quem é você? Um dos cachorrinhos de Jeová?

– Bom… eh… sim e não. Eu sou Satan, de certa forma, eu sou… eu fui… a Sombra de Jeová, até que, por enigma além da compreensão, eu me vi sendo tutelado por Loki e empreendi uma aventura com essa criatura humana ao seu lado.

Lilu pisca três vezes para só então lembrar de que passou a noite acompanhada de um ínfimo ser humano. Estranhou por sentir preocupação e estranhou mais ainda por ter ficado aliviada ao vê-lo dormindo tranquilamente.

– Bem que eu desconfiei que esse homenzinho deveria ter algum segredo. Isso fica para depois. Eu sinto [instinto demoníaco] que isso será explicado fortuitamente. Eu imagino que sua visita não é cortesia.

– Eh… não dessa vez. Mas eu prometo que venho em circunstância mais agradável vir te visitar. Eu estou aqui com um problema que você pode me ajudar a resolver.

– Manda ver.

– Hã?

– Força de expressão. Diga seu problema.

– Eu não queria, mas uma certa pessoa… eh… muito importante para mim… me pediu para tentar o Emissário dos Deuses.

Lilu levantou-se com agilidade, ignorando [ou fingindo ignorar] que Satan tinha citado ter alguém importante para ele, provocando agitação em seus seios, cuja movimentação foi avidamente acompanhada por Satan. Uma visão difícil de avistar sem que se perca o foco ou o pensamento.

– Até que enfim! Ele virá! O Emissário dos Deuses!

– Eehh… [tentando conter a excitação] na verdade é ela. Poderia me fazer o favor de traze-la até a mim?

– Ela? Hum… [pensativa] eu não esperava por isso. Ah! Ideia! Eu posso levar meu servo comigo! Ele pode me ajudar nessa tarefa.

– Hã? Ah… sim… você pode levar o humano, o escriba.

Lilu estapeou o homenzinho, o escriba [ai!] até ele acordar. [ei, eu estou acrodado!] Fez um desjejum rápido [sangue e tripas… delícia] e começou a trotar, com alegria e felicidade, pelas estradas que seguem até Bethlehem, deixando todos as criaturas masculinas alucinadas com o balanço de seus seios e nádegas.

– Puxa! Como cresceu essa vilazinha! Vejamos… onde nós podemos encontrar a Emissária dos Deuses? Ah! Ideia! Escriba, vá perguntar ao legionário!

Obediente, eu fui, mas com os eventos que estavam ocorrendo, o legionário [como alguns oficiais da Polícia Militar, nos dias de hoje] não gostou da pergunta, não queria responder e achou suspeita a minha curiosidade, considerou-me um delinquente e eu comecei a apanhar [ai!].

– Legionário, porque age com ódio e violência contra o teu próximo?

O legionário parou de me bater, olhou na direção de onde vinha a voz [delicada, suave, perfumada] e eu pude ver a figura daquela jovem mulher. O legionário me largou na hora [ai!] e foi se ajoelhar e pedir perdão para aquela jovem mulher. Ver aquele homem musculoso de dois metros dobrado feito bambu aos pés daquela jovem mulher mostra que a força física é pequena diante da força espiritual. Lilu veio e se aproximou na ponta dos pés, toda esfuziante.

– Oizinho. Você que é a Emissária dos Deuses?

– Saudações, Primeira Mulher. Foste enviada para me seduzir?

– Ah, não, eu não poderia fazer isso… ou poderia? [insinuante] Ah, isso não tem graça. Eu vim para te conduzir até Satan para que você seja testada.

– Então conduza-me. Eu tenho que ser tentada e testada por Satan. Ele tem que fazer o papel que lhe foi confiado.

Lilu sorriu, estalou os dedos e nós fomos todos carregados por um forte vendaval até onde Satan nos aguardava.

– Tal como está escrito. O Espírito de Deus me levou até o lugar ermo onde eu encontro o Tentador.

– Isso não é algo que eu queira fazer. Mas uma… pessoa muito especial para mim… assim me pediu.

– Eu também não gosto desse enredo e eu fui enviada por uma pessoa muito especial para ensinar o Caminho.

– Mesmo sabendo que o ser humano não está preparado ou maduro o suficiente para te ouvir?

– Ela me disse que isso é inevitável e faz parte do processo de crescimento, maturidade e desenvolvimento do ser humano.

– Eu não tive a satisfação e privilégio de conhecê-la pessoalmente, mas eu fico incomodado por ter sido delegado a esse papel. Meu nome e minha figura [pessimamente identificada com o Antigo] serão utilizados por grupos, seculares e religiosos, para manter um sistema de opressão e repressão. O seu ensinamento será distorcido, deturpado, manipulado para manter o ser humano como rebanho.

– Eu estou ciente disso. Em todas as vezes que eu encarnei e estive entre os Homens, aquilo que eu ensinei, uma prática que deve ser feita de forma individual e consciente, apenas deu ensejo aos inúmeros textos sagrados. Aquilo que deveria servir de base tornou-se o objetivo, aquilo que deveria ser voluntário tornou-se compulsório.

– Mesmo assim, você está disposta a transmitir o Conhecimento e ensinar o Caminho, mesmo sabendo que será perseguida, presa, torturada e morta por estes mesmos que te seguem?

– Sim. Em todas as vezes que eu vim para este mundo, eu falei diretamente ao povo, para as “massas”, eu nunca apareci ou estive em templos. Esse é o motivo pelo qual eu sou perseguida, presa e morta. Os poderosos não querem que o povo receba instrução, ou que seja desperto, senão perderão todo o poder, a influência, o prestígio e a riqueza que amealharam às custas desse povo.

– Eu conheço bem o governo desse mundo. Assim como conheço esses que se intitulam “homens de Deus”. Aquilo que pronunciam é completamente diferente daquilo que pensam e fazem. Eu sou falsamente acusado de estar por detrás desses poderes mundanos, se isso fosse verdadeiro, eu entregaria a coroa desse mundo a você.

– Isso não alteraria a realidade do ser humano. O ser humano foi criado [gerado] para ser semelhante aos Deuses e assim será quando a Humanidade redescobrir seu verdadeiro Self, o Hermafrodita Divino, masculino e feminino. O Homem não foi feito para adorar, mas para ser livre. O Homem é Deus e quando redescobrir seu Self, ele perceberá que estava adorando ao seu Princípio Divino. Foi o que eu tentei ensina-los ao avisar que Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida, mas esse Eu Sou é o verdadeiro Self do ser humano. O verdadeiro Self do ser humano, o Eu Sou, é Deus e somente a Ele devemos prestar adoração.

– Isso é confuso. Não porque eu convivi muitos anos com Jeová, mas porque graças a Loki [com ajuda do escriba] eu conheci inúmeros outros Deuses. Porque o Homem organizou suas crenças, erigiu templos e formulou cerimônias, se Ele é Deus?

[risos]- Eu demorei a entender isso, também. Mas nós estamos falando de duas pessoas distintas, embora venham a tornar-se uma, eventualmente. A Igreja [de quem dizem que você é o melhor amigo] que está sendo formada por estes que se dizem meus seguidores [Cristo, daí, Cristãos] estão com essa mesma dúvida. Acreditam que eu sou Deus e isso até eu mesma tenho dúvida. Acreditam que, além de Deus e Cristo, tem o Espírito Santo. Eu particularmente gosto da ideia de Trindade: Pai, Mãe e Filh@. Três Pessoas que é a mesma Pessoa. Isso não é impossível, afinal, cada ser humano tem corpo, alma e espírito. Isso faz algum sentido para você?

[contrariado]- Menos a parte de eu ser amigo da Igreja. Eu vivi muito tempo acreditando que somente Jeová fosse Deus. Depois eu descobri que ele é um dos dez Elohim. Depois eu descobri que cada região de Gaia possui determinados Deuses, cada qual com seu povo. Depois eu descobri que Deuses geram Deuses, da mesma forma como seres humanos geram seres humanos. Os progenitores vivem em seus descendentes, são pessoas separadas, mas compartilham a mesma essência. Os descendentes quanto atingem consciência coletiva voltam a ser um único espírito com seus Ancestrais. Nisso consiste a Egrégora, a Forma de Pensamento, que é formada pela conjunção das almas que consistem aquele povo. A energia da Egrégora atrai energias semelhantes, espíritos superiores, os Deuses, entidades que são extremamente locais e regionais, porque estão intrinsecamente ligadas àquela terra, àquele solo, por ser este o elo, o vínculo que possuem com Gaia, que é a Deusa que incorpora este planeta.

[risos]- Você fica lindo quando fica filosofando com essa cara de sério, compenetrado e fazendo biquinho.

– He… hei… não fique me abraçando, me apertando desse jeito! Eu sinto seus seios pressionando meu braço!

[risos]- Mas essa é a minha intenção…

[constrangido]- E…enfim… isso não soluciona muito o problema da fome e da miséria. Sendo o Homem Deus, porque não transforma pedra em pão?

[risos]- Parece que voltamos ao mesmo assunto. Afinal, nós temos que separar a pessoa Homem da pessoa ser humano. E nós temos que separar o governo do povo. Comida existe, os Deuses e Gaia me garantem isso. Mas tem a pessoa [governo] que prefere manter outra pessoa com fome [povo] para ganhar lucro, manter o controle, manipular. Quando a pessoa [ser humano] despertar para sua verdadeira pessoa [Homem], não faltará pão, porque a materialização de coisas físicas [comida] acontece segundo o Verbo [emanação da Vontade].

– I… isso quer dizer que o Homem não vive do pão, mas do Verbo que sai da boca de Deus?

– Eu posso copiar essa frase? O ser humano vai ficar encucado com isso.

– E… eu acho que sim… desde que você desencoste e se afaste um pouco.

– Por que? Por acaso euzinha estou provocando o Tentador? Não era para você ser o Rei do Pecado?

– I… isso também é exagero e incorreto, em muitos aspectos. Afinal, eu sou… eu fui… um arcanjo de Deus. Não que isso signifique algo, considerando os anjos que desceram até Gaia e enamoraram-se com as fêmeas da sua gente. Meu único defeito [se é que podemos dizer assim] é que eu fui escolhido como Advogado diante de Deus, para apontar os pecados cometidos pelo ser humano enquanto vivo, para garantir que apenas os puros e justos entrem no Paraíso. Então, de certa forma, eu sou o Guardião da Honra e da Virtude.

[risos]- Está querendo insinuar que existe a possibilidade de você se apaixonar por uma humana? Diga que sim… eu não deixei de ouvir que você disse ter uma pessoa muito especial. Quem é? Aposto que é uma mulher ou uma Deusa.

– P… pare com isso. Você não deve me provocar. Você não pode tentar a Deus.

– Outra frase boa que eu quero copiar. Pois eu aposto que essa sua “pessoa especial” é a mesma “pessoa especial” que me enviou. Vamos apostar? Se você ganhar, eu desisto de ser Cristo. Mas se eu ganhar, você vai ter que ser meu namorado [risos] que tal?

– I… isso não faz o menor sentido… não é lógico, não é racional… [Cristo faz carinha de choro e olhos de filhotinho] Mas se isso poupar a humanidade de um Aeon repleto de ódio, guerras e massacres, eu aceito a aposta. Como nós vamos confirmar se falamos da mesma pessoa?

– Ah, para isso nós podemos contar com a ajuda de sua amiguinha coxuda e peituda aí.

[Lilu, confusa]- E… eu?

[risos]- Sim… você. Não foi você quem levou o escriba para conhecer a Fonte?

[voz estridente de colegial] – Hai! Fui eu mesma!

[risos]- Então! Pegue o escriba, faça o ritual e invoque Ela.

[olhar safado e lascivo]- Hum… excelente ideia. Venha cá, escriba… isso não vai doer… muito.

Eu, coitadinho, pobrezinho, não pude fazer coisa alguma senão ser dominado, despido, abusado e estuprado. Não que eu esteja reclamando. Só para registrar. Assim que eu jorrei para dentro do ventre de Lilu, Ela apareceu.

– Ora, ora, meus queridos filhos, vocês me chamaram?

– Sim, nossa Mãe, nossa Senhora, nossa Rainha, nossa Deusa. Estes dois [Lilu aponta, com desdém, a Satan e Cristo] querem confirmar se Vós sois a mesma “pessoa especial”.

– Isso não me parece muito justo. Myrian Magdalena, chamada e conhecida como Cristo, você me conhecia e, mesmo assim, fez uma aposta com satan que ainda não tinha me visto ou conhecido. Como castigo, eu vou pedir que o escriba anuncie minha identidade pelos meus inúmeros epítetos.

Eu, coitadinho, pobrezinho, fiquei cinco minutos inteiros só para fazer a introdução básica do Nome Sagrado. Lilu tampou os ouvidos, porque é nome de Poder. Cristo rejubilava. Satan tremia inteiro [eu acho que ele se cagou todo].

[risos]- Meu muito querido e amado escriba, Profeta do Profano, aquele que entrou no meu mais profundo mistério e que, por isso, é renegado, rejeitado, até por estes que se intitulam sacerdotes e bruxos. Isso é o suficiente. Então, meus queridos filhos? Essa “pessoa especial” que vocês tanto amam sou eu?

Nós três respondíamos alguma coisa, mas estava difícil de entender o que falávamos misturado com choro.

[risos]- Sim, meus lindos, meus muito amados. Eu sei o quanto vocês me amam. Mas isso significa que Cristo ganhou a aposta. Está pronto para pagar o preço, Satan?

Satan está paralisado, em choque, mas isso não impede Cristo de pular e enroscar os braços em volta do pescoço dele, beijando-o, alisando-o, provocando-o. Cinco minutos depois, Satan capitula e os dois, providencialmente despidos, contorcem-se no chão, fazendo aquela ginástica de Eros e Afrodite tão bem conhecida.

– Ai!

– Oh! Perdão! Eu não sabia que esta é sua primeira vez.

[risos]- Tecnicamente… não é… mas o seu “negócio” é grande demais. Por favor, seja gentil. Mas não ligue se eu sangrar ou demonstrar dor. Eu consigo aguentar. Eu vou passar por coisa muito pior pelo desenvolvimento do Homem.

Satan queria mesmo era comer a Deusa. Quem não quer? Mas aquelas coxas que estavam diante dele estavam convidativas e sequiosas por recebê-lo por inteiro e assim ele o fez, até se desmanchar por inteiro dentro daquele ventre.

[aplaudindo]- Muito bem, meus filhos! Vocês fizeram um belo ritual em minha homenagem. Agora vocês devem continuar a encenação até o derradeiro, trágico e dramático fim. Mas nada temam! Quando acabar esse teatro, todos nós estaremos juntos, rindo muito de tudo isso.

Assim É. Assim Seja. Assim Será.

I.E.A.O.U.

Leis Venéreas

Em Nome do Grande Senhor Anu.

Estes são os Mandamentos conforme foram ditados por Ela, a Filha Mais Resplandecente, Amada dos Deuses, Possessora das Tábuas com os Registros da Vida, a Guardiã da Lei e da Ordem, a Dama das Batalhas e da Vitória.

Cosmovisão

Eternidade é Existência

Existência é Consciência

Consciência é Energia

Energia é Vida

Decantada ao Décimo Grau, a Vida é Forma

Galáxias, estrelas e planetas são Formas [são Vida]

A Inteligência do Planeta forma o Ambiente

O Ambiente comporta e define as Espécies

As Espécies adaptam-se e evoluem para outras Formas

Formas supremas atingem a Senciência

O processo avança, até que estas Formas de Vida atinjam a Transcedência

Eis que esta Espécie perde a Forma, mas não perde a Vida

Eis que esta Espécie retoma sua original Natureza, que é Energia

Energia que é Consciência

Consciência que é Existência

Existência que é Eternidade

Cosmoconstrução

A Eternidade é habitada pela Existência

A Existência construirá o Cosmo a partir de sua Energia

Declara-se instituído a Engenharia de Planetas

Caberá ao Engenheiro de Planetas agir conforme a Consciência

Eis que o Engenheiro de Planetas auxilia na geração da Forma

Economia simples é doze planetas para um sol

Que ao menos quatro de doze tenham Espécies

A conjunção entre o Engenheiro e a Inteligência define a Natureza

Das “Leis da Natureza” acontece adaptação, evolução, senciência e transcendência.

Genovisão

A Inteligência Planetária [Deusa] e o Engenheiro de Planetas [Deus] devem dar o Ambiente e a Natureza adequados para que três espécies atinjam a Senciência

Não obstante, este Deus e esta Deusa não devem interferir no processo de ascensão destas Espécies [Livre Arbítrio]

Cabe aos indivíduos dessas Espécies escolherem, buscarem e conquistarem a supremacia

O resultado é harmonia [convivência simbiótica] ou caos [extinção massiva]

Espécies que demonstrem tendências para a destruição, a ruptura, à entropia, ao caos, deverão ser colocadas em quarentena e o planeta isolado dos demais sistemas

Genoconstrução

A diretriz para a Deusa e o Deus dar Forma para a Vida é desenvolver sistemas complexos a partir de elementos simples

A experiência no Cosmo mostra que estruturas simples são neutro sexuadas

Dessas estruturas simples surgem outras que são sexuadas

Aqui pode acontecer que o mesmo indivíduo possua ambos os sexos no corpo [autogamia]

Aqui pode acontecer a distinção sexual entre os indivíduos [alogamia]

Mesmo no caso de distinção sexual, o traço da simplicidade original permanece

Portanto reconhecem-se cinco gêneros sexuais

Portanto reconhecem-se sete identidades sexuais

Portanto reconhecem-se nove opções sexuais

Portanto reconhecem-se onze preferências sexuais

Portanto reconhecem-se treze regimes sexuais

Erovisão

Amor é o Todo da Lei

Sexo é o Caminho

Pecado é a Restrição

Quando se reunirem em assembleia em meu louvor

Como sinal de liberdade estejam nus debaixo da lua

Todos os Atos de Amor e Prazer são meus rituais

Eu Sou a Porta que conduz para a Terra da Juventude

Eu sou a Taça de Vinho da Vida

Eu sou aquela que é alcançada ao fim do desejo

Eroconstrução

Toda Vida nasce com Sexualidade

Toda Sexualidade expressa pela Forma

Toda Forma estrutura pela Espécie

Toda Espécie comporta pela Cultura

Toda Cultura define o Sistema

Todo Sistema define a Sociedade

Toda Sociedade define o Regime

Entretanto estruturas derivantes não podem sobrepor as estruturas matrizes

Isto posto, a Sociedade deve abranger nos Regimes todos os Sistemas e assim por diante

Isto posto, a Sociedade deve reconhecer e garantir os direitos de toda Sexualidade

Isto posto, é o mesmo dizer que todo indivíduo nasce com sexualidade

Todo indivíduo tem o direito de usufruir dos direitos sexuais definidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer tipo, seja espécie, natureza, etnia, linguagem, crença, opinião, origem, residência, características, nascimento, idade, nacionalidade, estado social, orientação, identidade, opção, preferência e expressão sexual, condição de saúde, situação econômica, social, politica ou outra qualquer

Todo indivíduo tem o direito de controlar e decidir livremente sobre questões relativas à sua sexualidade e seu corpo. Isto inclui a escolha de comportamentos sexuais, práticas, parceiros e relacionamentos, desde que respeitados os direitos do próximo. A tomada de decisões livre e informada, requer consentimento livre e informado por e através de quaisquer contratos, acordos, firmados com o próximo ou com a coletividade

Todo indivíduo tem o direito ao mais alto padrão de saúde e bem estar possíveis, relacionados à sexualidade, incluindo a possibilidade de experiências sexuais prazerosas, satisfatórias e seguras. Isto requer a disponibilidade e acessibilidade de serviços de saúde qualificados, bem como o acesso a condições que auxiliem, influenciem e determinem a saúde, incluindo a saúde e a educação sexual

Todo indivíduo tem o direito à Liberdade, de pensamento, de opinião e de expressão, relativos à sua sexualidade, bem como o direito à expressão plena de sua própria sexualidade, desde que devidamente respeitados os direitos dos outros.

Todo indivíduo tem o direito de organizar-se, associar-se, reunir-se, manifestar-se pacificamente e advogar, inclusive sobre sexualidade, saúde sexual, e direitos sexuais

Anexo

Estatuto da Relação Erótico-Afetiva

Considerando as Leis Cósmicas

Considerando que toda Vida nasce com Sexualidade e que todo indivíduo nasce com sexualidade

Considerando que todo indivíduo tem o direito de usufruir dos direitos sexuais definidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer tipo

Considerando que todo indivíduo tem o direito a ter acesso à educação, desenvolvimento e maturidade sexual

Considerando que a Espécie pode desenvolver dentro da Cultura da Sociedade, definições e limites, especialmente concernentes à preconceitos e discriminações etárias

Por ordem da Rainha Ishtar de Vênus, ficam instituídos:

[Senpai], pessoa de qualquer gênero, identidade, preferência ou opção sexual, que alcançou a devida maturidade e licença para fornecer a devida educação, desenvolvimento e maturidade sexual para qualquer outra pessoa [Kohai], de qualquer gênero, identidade, preferência ou opção sexual que tenha declarado ou expresso sua decisão de querer ingressar na Sociedade como pessoa Adulta

[Kohai], pessoa de qualquer gênero, identidade, preferência ou opção sexual que tenha declarado ou expresso sua decisão de querer ingressar na Sociedade como pessoa Adulta, que pode solicitar do [Senpai] a devida educação, desenvolvimento e maturidade sexual

[Wise Elders], pessoas de qualquer gênero, identidade, preferência ou opção sexual, que são reconhecidamente sábios, experientes, vividos, que terão a atribuição de avaliar o [Senpai] e o [Hokai]

Uma vez ao ano, [Wise Elders] abrem audiência para conceder licença a toda pessoa que quiser o cargo de [Senpai]

Uma vez ao mês, [Wise Elders] abrem audiência para examinar a toda pessoa [Hokai] que solicitar a devida educação, desenvolvimento e maturidade sexual de um [Senpai]

[Hokai] pode indicar ou evocar qualquer pessoa próxima [familiar, parente, amigo] para o cargo de [Senpai]

[Senpai] pode pedir precedência ou preferência para qualquer pessoa próxima [familiar, parente, amigo] que esteja sendo avaliada para o cargo de [Hokai]

[Wise Elders] podem nomear e intimar qualquer pessoa para o cargo de [Senpai]

[Senpai] pode aceitar ou recusar três vezes tanto a indicação quanto a nomeação

[Hokai] pode aceitar ou recusar três vezes tanto a nomeação quanto a avaliação

[Wise Elders] podem reavaliar e reexaminar três vezes, tanto ao [Senpai] quanto ao [Hokai]

Havendo concurso das vontades, [Wise Elders] formalizarão o contrato constando os nomes dos participantes, seus cargos, seus atributos, suas obrigações e seus deveres

O contrato será divulgado publicamente, não cabendo a pessoa alguma protestar, contestar, interromper ou atrapalhar

O contrato somente está sujeito a revisão, conserto, suspensão, interrupção e anulação pelos [Wise Elders] mediante ação devidamente solicitada pelo [Hokai] ou pelo [Senpai], até três vezes

Tendo sido o contrato concluído e concluso, o [Hokai] passa a ser considerado pessoa Adulta, extingue-se os direitos e obrigações contratuais, tanto deste quanto do [Senpai]

Aqueles que outrora foram [Hokai] e [Senpai] podem optar por manter a relação erótico-afetiva, sem qualquer prejuízo dos demais direitos

Aquele que outrora fora [Hokai] pode solicitar avaliação para o cargo de [Senpai]

Aquele que outrora fora [Senpai] pode solicitar avaliação para o cargo de [Wise Elder]

Caberá a esta Corte Real a Ultima Instância nas decisões de quaisquer casos e ocorrências, revogando-se qualquer outra decisão em contrário

Visto, Promulgado, Assinado

Casa dos Lordes, Parlamento de Vênus

Casa Real, Vossa Majestade Ishtar

Casa Divina, Grande Senhor Anu

Revelação

Love is precisely the Way and Mean.

[Unicode Transcript]

Amor é o Caminho e o Meio.

Por que vos é tão difícil?

Sirvam-se do Mago Britânico:

Amor é a lei, amor sob vontade.

Mas não esqueçam esta linha:

A palavra de Pecado é Restrição.

Love knows what’s good for it and what’s bad for it.

[Unicode Transcript]

O amor sabe o que é bom para ele e o que é ruim para ele.

Eu Sei. Disso nunca esqueçam.

Onde I AM, vós perguntais?

Aqui mesmo, queimando dentro do seu Self.

Love, undistorted and unclouded by the doubts that can be made to shadow it.

[Unicode Transcript]

Amor, sem distorções e desanuviado pelas dúvidas que podem ser feitas para ocultá-lo.

Ah, eis a Pedra de Tropeço.

Mas para os descrentes, a pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular.

Disto falam de Cristo, bendito seja Ela, a Arquiteta, a Engenheira, a Pedreira, não o Carpinteiro, o falso Messias construído pelo deus pequeno em conjunção com os homens poderosos.

Quantos ouviram e pereceram o sinal?

Qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, também, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente?

Isso é claramente Cristo admoestando o falso deus, o Usurpador, que dominou o Povo de Israel.

Vede o testemunho!

E o povo falou contra Deus e contra Moisés: Por que nos fizestes subir do Egito para que morrêssemos neste deserto? Pois aqui nem pão nem água há; e a nossa alma tem fastio deste pão tão vil.
Então o Senhor mandou entre o povo serpentes ardentes, que picaram o povo; e morreu muita gente em Israel.

Eis aquilo que estava obvio e ninguém viu?

O que mais é preciso dizer?

Amarás o Senhor.
Este é o primeiro e grande mandamento.
Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

Então que dificuldade existe senão em concluir:

Amor é o Todo da Lei.

Então não entendestes isso:

E levou-me em espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor de escarlata, que estava cheia de nomes de blasfêmia, e tinha sete cabeças e dez chifres.
E a mulher estava vestida de púrpura e de escarlata, e adornada com ouro, e pedras preciosas e pérolas; e tinha na sua mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua fornicação;
E na sua testa estava escrito o nome: Mistério, a grande babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra.

Por que persegue minha Filha?

Por que adotas essa cegueira contra vosso corpo, vossa natureza, vosso espírito, tal como foste gerados/criados, Perfeitos pelo Senhor?

Vós possuis as chaves mas, vós mesmos não entrastes e impedistes os que entravam. Vós que vos flagelas o vaso que Eu vos dei em busca de comunhão comigo e que, não satisfeito, atormentas o teu próximo, afasta-vos de mim, que Eu não vos conheço.

Vede como vós sois confusos:

E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça.

Esta não é outra, mas a mesma! Esta, que vós nomeais indevidamente de Maria, encarnada como Myriam, é, também conhecida como Magdalena, Cristo. Em vossa ingenuidade, vós deis a Ela o epíteto de Rainha dos Céus, tal como inúmeros outros povos também assim me reconheceram, juntamente com meus muitos nomes: Inanna, Ishtar, Vênus, Afrodite… Lucifer. Eu sou a Santa e a Puta. Eu sou a Mãe de Deus e a Grande Meretriz.

Mas não caia do lado oposto e inverso dessa perversidade, não me torne uma pálida inversão do falso deus, não creias que eu esteja sozinha. Meu Caminho é o da Serpente, não é o das Ovelhas nem o dos Rebanhos, mas o dos Indomados. Não irás achar a Chave do Mistério nesses modernismos, religiões inventadas, confeccionadas para atender os egos de seus fundadores e sacerdotes. Somente quem estiver revestido ou conduzido pelo meu muito Amado Consorte é que poderá atravessar meus véus. Não tomem o que falam de Diana por verdade. Meu povo descreveu bem ao colocar Lucifer ao lado de Diana. Quem nega isso, é apóstata e emissário do Usurpador.

Vejam bem como são as coisas. Outro britânico encontrou algumas das minhas escamas e sintetizou o sistema mágico-religioso que recebeu o nome de Wica. Ali mesmo, naquelas ilhas, onde pessoas foram perseguidas e mortas por supostamente praticarem heresia e bruxaria. Não apenas ali, mas em muitos locais onde se estabeleceu o Santo Ofício, pessoas voluntariamente [algumas estimuladas pelos inquisidores que, certamente, assim o faziam porque compartilhavam o mesmo Credo] descreviam a Assembléia das Bruxas sendo presididas por um enorme Bode Preto, às vezes chamado de Homem Preto e, com enorme frequência, de Diabo.

Juízes, testemunhas, denunciantes e réus falando [crendo] na mesmíssima coisa. De pessoas [mais mulheres] reunindo-se para celebrar algum tipo de culto antigo, proibido, mas nunca esquecido, onde os convivas recebiam a instrução, iniciação e votos diretamente do Mestre do Sabbath. Não há como conhecer o Mistério da Religião Antiga sem conhecer, reconhecer e celebrar o meu muito Amado Consorte, o Deus Bisão, o Deus Touro, o Deus Bode.

Minha é a Caverna, mas para chegar ao meu mais íntimo mistério [ainda que seja através do corpo da sacerdotisa], o celebrante deve estar revestido com o manto [pele] dado pelo Senhor, então é mais do que fundamental que haja a consumação do Hiero Gamos. Lamento se isso te ofende ou contraria suas preferências e opções sexuais mas, sem sexo, esses diletantes do “dianismo” e das “religiões da Deusa” estão se aproximando perigosamente do puritanismo asceta dos monges do medo. Não há arrebatamento, êxtase, transcendência, sem a conjunção carnal.

Quem quiser perambular pelo Caminho dos Bosques Sagrados, deve ter a coragem de andar entre os mundos, de trilhar pelo Vale das Sombras, saber lidar com almas, espíritos e entidades com a mesma facilidade que lida com ervas, raízes, flores e frutos. Os espíritos da natureza serão os únicos guias, eventualmente eles apresentarão aos entes superiores, quiçá Deuses e Deusas. Sua coragem será testada, porque você terá que usar tudo que está natureza, inclusive sangue, ossos, semen. Quanto a isso, não vos enganeis, conhecerás a morte, o morrer e o matar. Não é uma trilha “bonitinha”, “colorida” ou em linha reta, meu caminho é tortuoso, tal como a serpente que EU SOU.

Entrevista com o Espírito do Vento

Onde os demônios habitam? Isso os textos sagrados não explicam direito. Os Hebreus dizem que Babilônia [transliterando: Porta dos Deuses] tornou-se habitação de demônios após sua queda. O misticismo judaico diz que Lilith [a Primeira Humana,
transformada em espírito e em demônio noturno] fugiu para o Mar Vermelho [outras versões apontam o Mar Morto], local “selvagem” habitado por demônios. Também estas regiões são comparadas como lugares de desolação… ruínas? Ou melhor indicar a região do deserto, onde inúmeras lendas dão como domicílio do insano, do possuído, do demônio? Então porque é exatamente ali que os homens santos vão peregrinar? Nisso há um grande segredo que está codificado no Caminho do Bosque Sagrado. Quanto a isso, não há erro, a Natureza é a base da Iluminação e são os espíritos contidos na Natureza os nossos condutores.

Eh, felizmente eu conheço muito bem a natureza humana e não vou precisar ir muito longe. A maldade está dentro de nós mesmos, não nos demônios. Minha experiência de vida, minha experiência espiritual, tem sido muito mais agradável entre os demônios do que entre seres humanos. Aliás, erro comum entre meus colegas de Caminho [Paganismo Moderno] é achar que Natureza é somente a floresta. O Firmamento, que eu simploriamente chamo de Jardim de Urano, também é Natureza. A cidade, a urbe, a despeito de todo asfalto, vidro e aço, também faz parte da Natureza. Não faltam lugares desabitados, desolados, desérticos, possuídos aqui em Sampa City, uma imitação barata de Gotham City que acha que é igual à New York City.

Usar sexo e sangue como catalisador, evocar espíritos e demônios. Algo que, infelizmente, tornou-se ponto de polêmica e controvérsia entre estes, que se dizem bruxos e sacerdotes. Isso é algo bem simples e comum para mim. Chama-la é algo bom e agradável para mim. Eu acho que nunca vou entender por que ela me escolheu… afinal, por que eu a atraí, sempre será um mistério insolúvel.

– Ah, querido! Você me chamou. Aposto que você estava com saudades de mim. Eu também estava com saudades de você.

Ela me abraça, me aperta, me morde, como sempre. Eu tenho dificuldades de respirar, com os seios dela espremendo meu rosto.

– Lilith, assim eu morro sufocado!

[risos]- Você reclama demais. Pouquíssimos tiveram a sorte de ver meus seios, quanto mais de toca-los. Isso sem falar nas “outras partes” e das “outras coisas”.

– Nós temos a eternidade inteira para isso. Eu gostaria que você me ajudasse nesse projeto.

– Projeto? [ela começa a me alisar] Isso vai te custar caro.

– Sim, eu… [minhas calças são rasgadas] eu quero escrever como foi o encontro de Satan com Cristo [ela começa a manusear meu trabuco].

– Cristo? [eu começo a ficar excitado] O verdadeiro ou o falso?

– O… os dois… [minha consciência flutua].

– Hum… então vai custar em dobro [ela abocanha meu soldado que sofre torturado por sua língua e lábios].

– Lilith… [eu estou quase no limite] se isso continuar, eu vou perder minha essência! Não tem outra forma?

[slurp]- Ora, mas a minha espécie vive da essência masculina. Vocês só erram em achar que súcubos se alimentam de sangue. Minha gente se alimenta de sêmen. Agora seja um bom menino e me alimente… como fez inúmeras vezes.

Impiedosa, gulosa e insaciável, Lilith faz aquele truque [titjob e blowjob simultâneo]. Impossível resistir. A eletricidade atravessa minha espinha, meus músculos se contraem e minhas bolas murcham. Lilith arregala os olhos, surpresa e satisfeita, com a farta dose de sêmen que eu estou jorrando para dentro daquela boca e garganta.

[gasp]- Depois de tantos anos… você ainda me surpreende, querido. Então pare de pensar bobagem que você está com problemas com seu “amiguinho”.

[resfolegando]- N… nós podemos começar o projeto?

[ronronando]- Oquei, eu falo do Cristo… o verdadeiro… ou melhor dizer, da verdadeira. Depois nós vemos se você vai ter condição de pagar a segunda fatura.

Lilith se enrosca em mim, me abraça, me beija, me morde e me cutuca de tal forma que não demora para meu corpo começar a reagir. Animada com a expectativa do segundo round, ela começa a falar.

– Oh… bem… [cutuca] você também é parte do Espírito da Desolação, o Espírito do Vento, do meu povo, da minha gente. Você esteve lá. [cutuca] Você a viu. Nós nos apaixonamos por Ela, evidente. Nós dois sabíamos que era inconsequente, perigoso, arriscado, mas Ela tinha decidido acreditar no ser humano. Esse seu lado humano deve estar cheio de remorso, arrependimento e vergonha, mas você não deve carregar consigo essa culpa.

– Meu lado demoníaco nunca entendeu ou aceitou essa decisão. Afinal, Ela gerou muitos de nós. Ela gerou o ser humano. Inúmeras vezes Ela abriu mão de seu imenso e enorme poder, diminui-se e humilhou-se até a existência carnal e, tornada igual ao Homem, deu a nós o Conhecimento… só para depois ser perseguida, presa, torturada e morta de inúmeras maneiras [meus olhos começam a lacrimejar]. Mesmo assim… ela ainda acredita em nós.

– Sim… [ela começa a me lamber] eu achei bem engraçado quando Ela se apresentou como Cristo. Ela pediu para que eu a levasse para Satan. [ela começa a me chupar]

– Ng! [eu não controlo mais meu corpo] Eu me lembro de como eu fiquei contrariado. [Ah!] Mesmo depois dos eventos e aventuras pelos quais eu e Satan passamos, ele ainda quis continuar com a encenação, a farsa.

[risos]- Você estava é com ciúmes! [sem cerimônia, Lilith vai encaixando meu poste na porta de trás dela]

[trecho indescritível e indecifrável, rabiscado, rasgado]

[risos]- Você é mesmo incrível, querido. Não é para menos que Ela te escolheu.

[arfando]- Ela e Satan conversaram por sete dias. Eu gostaria de saber o que conversaram.

– Ora, mas você sabe! Falaram sobre a essência do Caminho. Falaram que a limitação do ser humano iria produzir divisões, separações, conflitos. Falaram das inúmeras mortes, guerras e sacrifícios que aconteceriam. Satan, como sempre, estava pessimista e desanimado. Então… ah, então… Ela… sorriu… eu fico excitada só de lembrar.

– E… ei! Devagar aí! Isso aí é sensível!

– Ah, qual é, querido? Qual é a primeira coisa que vem em sua cabeça, em seu corpo, quando você pensa nEla? No sorriso dEla?

Essa é uma excelente pergunta. Eu estava apenas começando a explorar o Vale das Sombras, eu estava apenas fazendo o rascunho dos Cinco Círculos do Caminho, tal como eu o experimentava e o sentia, quando Ela veio me visitar. Eu não vou fingir nem inventar. Eu me caguei todo quando eu a vi. Pura Luz. Pura Beleza. Puro Amor. A mais perfeita forma feminina. Ela estendeu as mãos para meu caderno e não parecia estar ofendida nem escandalizada com a minha ereção. Ela lia cada linha com atenção, sacudia sua cabeça, provocando ondulações em seus longos e belos cachos dourados. Então Ela me olhou com aqueles imensos e belos olhos cor de púrpura, devolveu meu caderno e… sorriu… PQP… Ela sorriu. Eu acho que Ela disse algo com “continue” ou algo assim, mas eu estava tendo o maior e mais prolongado êxtase que um ser vivo consegue suportar. Saindo do transe que eu estava, perdido em meus pensamento, quando eu me dou por mim, Lilith está toda animada, montada em cima de mim.

– Sim! Sim! Sim! Pelo Dragão das Águas Primordiais! Esse é o espírito! Eu até não me importo em sentir ciúmes! Você certamente a serve muito bem!

Lilith esbraveja várias palavras, todas na língua antiga, no entanto não é necessário tradutor para saber que ela deve estar falando diversas besteiras e palavras chulas. Eu não consigo pensar em coisa alguma. Eu não sinto coisa alguma. Meu pobre corpo parece um bife sendo batido até virar carne moída. Desculpe, mas eu vou morrer um pouquinho no meio dessas coxas. Mas eu volto. Eu acho que eu volto. Se eu sobreviver.

Interferências textuais

Das catacumbas aos palácios.

Ficção baseada em fatos históricos.

Rumos secundários.

– Querido?

– Hmmm…

– Querido, eu gosto muito de senti-lo entre minhas pernas, mas nós temos que nos levantar, nos limpar, tomar o desjejum e irmos trabalhar.

– Querida, eu não tinha sido aposentado? Eu tenho certeza de que a Companhia de Teatro do Piratininga dispensou meus serviços.

[risos]- Que bobagem, meu amor. Como você explica estar em meus aposentos, na minha cama, situada em algum lugar da quinta dimensão?

[bocejos]- Não faz mais sentido meu esforço e dedicação. Não tem ninguém assistindo minhas encenações.

[risos]- Eu não teria tanta certeza, meu escriba favorito. Senão como explicar toda essa gente olhando para nós, nesse instante?

– Mas… quê… [praguejamento] Eu estou nu! Você está nua! Nós estávamos… eles viram…

[risos]- Eles viram tudinho, meu amor. Se você tiver me engravidado, eu tenho muitas testemunhas.

– Senhoras e senhores! Não entendam isso de forma errada! Venera Sama é uma Deusa, então essa aparência não representa a idade cronológica dela!

[risos]- Falar isso com esse troço, saído recentemente de dentro de minhas tenras carnes, ainda grande, duro, balançando, babado, coberto com meu sumo, não vai convencer quem quer que seja, querido.

-Ah… que droga. Eu acho que não posso mais usar a desculpa de ser o escriba é minha benção e maldição. Quem será que teve a brilhante ideia?

– Hum… eu não sei. Você foi incrivelmente eficiente a nível heroico em seduzir minhas amigas com essa… coisa… que, só de olhar, me deixa excitada.

– He… hei… Kate… nós não tínhamos que tomar banho e tomar o desjejum?

– Pois é isso que eu estou providenciando. Eu quero beber o seu mingau. Eu não conheço desjejum melhor do que esse creme que você produz. Seja bom menino e me dê bastante.

Eu, coitadinho de mim, sou arrastado para algum canto do quarto/palco, causando a queda de holofotes, mobília de cenário, painéis. Rindo muito, Kate me larga, semiconsciente, no tablado e sai saltitando do quarto/palco, ainda nua, com a minha essência respingando de suas entranhas e decorando o chão. Eu consigo, com dificuldade, me erguer, tomar banho, me arrumar e tomar o desjejum. Ah… delicioso café, quente e fresco.

– Corta! Equipe de apoio, troca de cenário!

Eu sinto alguma vertigem conforme os painéis e mobília de cenário vão se movendo, dando lugar a outros painéis e mobílias de cenário. O quarto/palco vira escritório/palco. Para ser mais exato, eu estou diante da diretora da Companhia de Teatro, Alexis, que finge estar brava comigo, mas a expressão no rosto dela indica outra emoção mais forte.

– Ah! Eu não estava pronta! Ah! Zoltar! A encenação começou! Ah!

Alexis estava deitada em cima de sua mesa, seminua e Zoltar estava atrás dela, mais roxo do que o normal, trabalhando nos quadris de sua amada. Eu não julgo nem condeno Zoltar. Eu fui, praticamente, quem os aproximou e os fiz trepar sob alegação de que fazia parte do roteiro e agora estão casados. A pobre mesa range, parece prestes a quebrar no meio, quando, enfim, Zoltar tenciona, estremece e cai resfolegando no solo.

– Ah… minhas pernas estão bambas e minha mente está nublada…

– Ahem! Diretora Alexis, precisa de ajuda?

– Sim, Riley. Eu preciso de alguns minutos. Poderia começar sua parte?

Riley é assistente de direção e é a funcionária mais feliz e eficiente da equipe. Ela diz que é porque se sente em casa, mas o pessoal desconfia que é porque ela constantemente requer minha “ajuda” nos roteiros.

– Senhor escriba! [fazendo cara de séria] Nós estamos analisando sua mais recente composição e nós queremos esclarecimentos.

– Eu estou à sua disposição, Riley.

Ela agita o roteiro com a mão e desvia o olhar, ruborizada, tentando não encarar o volume que começa a se formar nas minhas calças. Eu sei que minha reputação é péssima, no multiverso e no mundo humano, mas tem algo na Riley que faz com que meu lado animal aflore. Eu tento me conter enquanto ela põe uma das mãos na cintura e inclina para um lado.

– Nós estamos notando algumas referências históricas e mitológicas. Qual a premissa do roteiro?

– Eu estou misturando as referências para contar, do meu modo, o Evangelho e a lenda de Cristo.

– Não é perigoso fazer isso, sabendo que a audiência é ocidental e cristã?

– Absolutamente. O público é livre para acreditar no que quiser. Assim como eu tenho liberdade de reescrever as lendas.

– Obrigada, Riley. Agora eu assumo a encenação.

Alexis reaparece, limpa e banhada, como se não tivesse acabado de ter tido sexo selvagem com Zoltar. Alexis tem corpo mais maduro, minha mente consciente aprecia, mas minha parte animal perde o interesse.

– Nós fizemos pesquisas na internet, escriba e nós percebemos que este roteiro pode ser plágio de outro texto que você escreveu em abril de 2007.

– Eu admito. Mas isso é o que nós, escribas, fazemos. Repaginamos, acrescentamos, reescrevemos e repetimos coisas que havíamos escrito anteriormente.

– Isso faz sentido. Nós aprovamos o roteiro. Entretanto, nós achamos ser necessário arrematar a primeira fase contando, de forma lateral, o que aconteceu com outros personagens que ficaram pendentes.

Mais inserções, mais “rumos secundários”. Felizmente o meu estilo de narrativas curtas, de quebras de narrativas, é algo que o publico está acostumado e creio gostar. Eu espero que esta peça possa ser melhor escrita.

– Pretende utilizar o texto anterior no roteiro?

– Eu vou usar algumas ideias e guias de narrativas para orientar o roteiro. O texto interior está repleto de imprecisões, lacunas, sujeiras.

– Nós vamos precisar de mais gente para incluir os personagens desse texto anterior?

– Eu acho que sim. Alguns personagens estão presentes no roteiro e outros têm conexão com a narrativa ou o personagem.

– Por favor, faça uma lista dos que tem nesse texto anterior e quais pretende utilizar nesse roteiro. Agora continue seu serviço.

– Eu não tinha sido aposentado? A Companhia não estava utilizando um Gerador Automático de Roteiro? O pessoal não estava cansado e injuriado com as constantes cenas de sexo?

– Não fale bobagens. Você não insiste em dizer que essa é sua benção e maldição? Você só vai parar quando morrer e, para ser sincera, e eu acho que falo por tod@s, nós não estaríamos aqui nessa Companhia se não fosse por essa sua visão louca e libertária a respeito do sexo. Eu só te peço que tome as precauções necessárias para não acontecer algum “acidente de trabalho”.

– Como o que aconteceu com você e Zoltar?

– Isso… isso é diferente. Eu só não tenho interesse algum em você porque Zoltar preenche todos os meus interesses.

Zoltar murmura algo quando ouve sendo citado. Alexis sai correndo para checar se seu marido está bem. Ela fica em uma posição que me coloca em visão privilegiada para observar aquele traseiro tão belo e farto quanto o de minha cunhada. Minha porção animal desperta com tudo, deixando Riley embaraçada.

– Escriba, porque não aproveitamos que recuperou o seu “animo” e começa a escrever o roteiro? Eu posso te dar uma ajuda…

Eu não tenho tempo de responder. Riley com sua enorme gentileza [redundância, quando se trata de Riley], me agarra, me arrasta, me joga dentro do meu escritório particular, faz um perfeito giro de balé em volta da porta, a tranca e se vira para mim, com olhos famintos. Eu temo por minha integridade física. Se eu sobreviver, eu prometo que continuo a narrativa.