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A Ordem de Melquisedeque

Das catacumbas aos palácios.

Ficção baseada em fatos históricos.

Rumos secundários.

“Quando Abraão vinha voltando para a terra de Canaã, depois de ter resgatado o seu sobrinho Ló e o povo de Sodoma, um Sacerdote de Salém, chamado Melquisedeque, veio encontrar com ele.

E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e era este sacerdote do Deus Altíssimo.
E abençoou-o, e disse: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra;

E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos. E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo.

O nome Hebraico מַלְכִּי־צֶדֶק “malkiy-tsedeq“, significa “meu rei é justiça“. A tradição Judaica associa Melquisedeque com o filho de Noé, chamado Sem.

O Sacerdócio de Melquisedeque é anterior ao sacerdócio Levítico, assim como foi o sacerdócio de Noé e de Jetro, o sogro de Moisés.

A “ordem de Melquisedeque” não se refere a algum tipo de sociedade secreta ou mística como a Rosa Cruz, os Maçons ou os Templários. Não é alguma organização preservada desde a antigüidade, nem uma classe de sacerdotes na igreja do Senhor. A expressão “segundo a ordem de Melquisedeque” significa que o sacerdócio do Messias é do mesmo tipo, ou parecido com, o sacerdócio de Melquisedeque.”

A cidade de Cafarnaum tem vida dupla. Ora mostrava seu lado piedoso e endossava os decretos do Sanhedrin, ora os desprezava e, mesmo que secretamente, mantinha diversas ordens, templos e sectos. O que não faltavam eram abastados comerciantes, de diversas origens, com dinheiro e tempo ocioso o bastante para se interessarem por tudo que recebia a pecha de Oculto.

Nas sombras, escondidos do Sanhedrin, judeus helenizados mantém escolas de mistérios juntamente com gentios. Em tempos difíceis, complicados ou perigosos, as ordens seguem as cinco máximas [saber, ousar, querer, ouvir e calar]. Então a estratégia usualmente empregada é cultivar pequenas células, com no máximo treze membros, que se reúnem em locais e horários certos. Cada membro sabe e conhece seu irmão ou irmã de célula, mas combinam certos sinais, senhas e dizeres para reconhecerem outros membros de sectos semelhantes, afiliados ou simpáticos.

A forma mais útil e eficaz de fazer tal plano funcionar é sempre utilizar o quarto ou salão anexo de um estabelecimento comercial que, por suas características, ficou conhecido como “loja”. Essa terminação foi utilizada e assimilada por todos os demais sectos e ordens. A cidade de Cafarnaum tem inúmeros bairros e ruas comerciais, então é grande a concentração de “lojas” onde os “Buscadores” como começaram a se denominar, poderiam se reunir.

O pedestre se desvencilha da multidão, entra por uma passagem estreita que dá para os fundos do comércio, onde tem duas portas, uma bastante comum, de entrada de empregados e outra, sinistra e suspeita. Três batidas ritmadas no ponto exato, no intrincado símbolo feito em um único pedaço de madeira especial.

– Bassário.

– Baqueu.

O homem que fala por detrás da segunda porta abre a mesma, acena para o visitante, que entra rapidamente. O “porteiro” olha para os lados e se certifica que ninguém os viu ali no beco, tão pouco entrando pela segunda porta.

– Por Yahu Adonai, Siloque, não é o melhor momento para nos procurar.

– Eu gostaria de vir aqui em melhores circunstâncias, Zadoque, mas eu fui intimado a trazer a mensagem da Grande Loja.

– A… a Grande Loja? Deve ser algo importante. Ainda bem que, com os Romanos em volta, nossa loja está conseguindo operar com mais liberdade. Use os mensageiros de meu estabelecimento comercial, convoque nossos irmãos e irmãs para reunião urgente.

Tem uma atração no circo onde aparece, no picadeiro, um carro, com cores espalhafatosas e começam a sair inúmeros palhaços, em numero impossível para caber naquele veículo. A Loja de Cafarnaum ficou exatamente assim, quando começaram a sair os mensageiros. Impaciente, Zadoque lê a mensagem que veio da Grande Loja.

– Então? O que acha?

– Você se certificou de que essa é uma mensagem oficial?

– Evidente que sim, para ambos os casos.

– Isso é bom e é ruim. Segundo os Anciões, a chegada da Era de Peixes é iminente. Os acontecimentos turbulentos que vem se sucedendo confirmam isso.

– Pois eu vejo excelente oportunidade. Tem notícias de nossas aprendizes que foram até Bizâncio, onde fica a Grande Loja?

– Hum. Eu entendo onde quer chegar. Nós teremos que planejar nossos próximos passos com muito cálculo e prudência. Nossa comunidade tem problemas o suficiente com os sectos messiânicos que tem aparecido.

Em cinco minutos o salão do anexo do comércio [a Loja de Cafarnaum] fica lotada. Outros círculos, ordens e células ficaram sabendo do ocorrido e enviaram representantes para ouvir a mensagem trazida direto da Grande Loja. Ninguém queria ficar de fora, nem ficar por último. Como presidente daquela célula, evidente que Zadoque tinha a preferência e ele irá usar isso para aumentar e reafirmar a soberania da sua Loja sobre as demais.

– Senhores, eu fico lisonjeado e honrado com a presença de todos. Eu considero a presença de tantos irmãos e irmãs, de outros círculos, ordens e células, aqui nessa humilde Loja, para ouvir a proclamação que nos foi enviada pela Grande Loja.

[sussurrando] – Você pretende usar isso para seus objetivos pessoais, não vai?

[sussurrando] – Ora Siloque, você mesmo disse que era uma oportunidade. Se eu não aproveitar, outro o fará.

– Grão Mestre de Cafarnaum, é verdade que finalmente o Messias chegará para restaurar a Casa de Israel?

– Permitam-me ler todo o conteúdo da mensagem, Grão Mestre da Galiléia e cada um poderá fazer as conclusões.

– Mesmo assim, nós queremos saber! Pode nos confirmar que estão vindo magos de terras distantes unicamente para encontrar com o Messias?

– Ahem… eis o que está escrito, como meu secretário Siloque pode atestar, esta é um documento oficial e legítimo da Grande Loja. “Eis que Uranos e Nix, com suas estrelas, nos enviam sinais dos tempos que hão de vir. Desde os primórdios da civilização, do alto de zigurates, nossos antecessores observavam os astros para vaticinar sobre as Forças que governam esse mundo. Nós, que compartilhamos do sangue de Tubal Caim, Nimrod, Hirão Abife e inúmeros outros, congratulamos a vós, irmãos e irmãs que habitam o reino de Judá. O domínio romano não deve ser encarado como um castigo ou provação, mas exatamente o contrário, esta circunstância é reflexo direto da Vontade. Nós temos a satisfação de vos anunciar que a Era de Peixes está mais próxima do que se imagina e, em breve, o Demiurgo, o Mensageiro do Aeon, incorporará ou irá encarnar no meio de vós. Para tanto, nós aguardamos notícias dos progressos que suas células tem feito, para que toda a humanidade possa viver uma era de paz, amor, harmonia e verdade. Nós enviamos esta mensagem para Cafarnaum para que dali se espalhe a Boa Nova. Nós aguardamos, ansiosamente, as respostas de nossos irmãos e irmãs que, a despeito de viverem por uma crença de servos, estejam buscando a Verdade. Esta é uma enorme tarefa e responsabilidade, mas assim são os desígnios misteriosos das Forças que governam o mundo. Em nome da Grande Loja de Bizâncio nós, Suma Sacerdotisa Semiramis, os saudamos.”

[sussurando] – Crença de servos? Isso foi muito duro.

[sussurando] – Duro, mas a verdade. Nosso povo conviveu com inúmeros povos como servo e escravo. A Grande Loja é reconhecida entre nós como arrogante e prepotente, por ter mais membros seculares, judeus helenizados e gentios. Foi uma enorme luta para que nossas células fossem reconhecidas e admitidas nas Escolas de Mistérios e isso somente foi possível graças à Ordem de Melquisedeque, uma subordem tão secreta e tão influente que até mesmo o Sanhedrin a teme.

[sussurrando]- Nesse caso, eu devo investigar quem são e quais são os objetivos dessa tal Ordem de Melquisedeque.

[sussurrando] – Melhor não mexer com isso, Siloque. Vamos focar nossos esforços naquilo que temos que fazer.

– Ahem… este é o inteiro teor da mensagem, irmãos e irmãs. Será mais rápido e mais eficiente se cada qual transmitir em suas células a Boa Nova.

– Ah! Então é verdade! O Messias vem! Hosana! Nós iremos testemunhar a volta do Reino de Deus! Nós testemunharemos Deus julgando e condenando os ímpios e nós, o Povo Escolhido, herdaremos o mundo!

Zadoque e Siloque tentam contornar o entusiasmo, mas a enorme massa está fora de controle. Quando o salão voltou a ficar vazio, Zadoque estava com a mão na cabeça e Siloque estava desesperado. Em poucos minutos, toda a confiança que lhes foi depositada pela Grande Loja estava perdida.

– Siloque! Por Yahu Adonai! O que faremos? Se os Romanos ouvirem isso ou boatos chegarem até eles… nós seremos caçados, presos, torturados e crucificados!

– Nós precisamos usar esse potencial todo de alguma forma… algo para direcionar ou manobrar tamanha energia para o Propósito Maior. Zadoque… aquelas noviças foram enviadas para Bizâncio?

– Sim… elas são as mais promissoras. Elas foram escolhidas depois de um cansativo e longo processo seletivo. Uma é chamada de Nazarena e a outra é chamada de Magdalena. Pelo que eu fiquei sabendo, estão se direcionando para Damasco, com a Suma Sacerdotisa Yonah, onde pretendem inaugurar o templo de Astarté. O que pretende?

– Isso só Yahu Adonai poderá julgar. Se tudo der certo, eu as trarei aqui para conduzirem o templo de Asherah, que permaneceu intocado desde o tempo do Rei Salomão e nosso povo celebra, sem receio da perseguição dos fundamentalistas, a Rainha do Céu.

– Vá com a benção de Yahu Adonai. Tens nas mãos o destino não apenas de Cafarnaum, do reino de Judá, mas de toda a humanidade.

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Coração alado

Das catacumbas aos palácios.

Ficção baseada em fatos históricos.

Rumos secundários.

Yonah morde os dedos de pura ansiedade. Ela foi chamada de volta a Bizâncio, pela Suma Sacerdotisa Semiramis em pessoa. Ela receia que não tenha bons motivos para estar lá. Sua carreira como sacerdotisa da Deusa tem sido constantemente atribulada, para ser sutil. Ela é da mesma turma de onde a famigerada Sulamita foi ordenada, ela , mais do que muitas de suas irmãs e noviças, sente o peso da enorme responsabilidade e cobrança para tentar chegar ao mesmo nível da legendária sacerdotisa. Ela também esteve, em dois momentos, diante do Grande Basileu, a primeira, quando era noviça, no templo em Damasco, quando a Suma Sacerdotisa Semiramis ministrou aula e iniciou o Grande Basileu; a segunda, quando o Grande Basileu a visitou no templo de Astarté em Edom, quando ela pode experimentar a mesma sensação sentida por sua Suma Sacerdotisa.

– Yonah, a Suma sacerdotisa Semiramis vai te receber agora.

– A… ah? Ah, sim. Obrigada, irmã Shekinah.

Yonah passa pelas imensas abóbadas decoradas do templo de Astarté em Bizâncio, até o momento intocável, preservado por séculos, tendo sobrevivido ao domínio Assírio, Persa, Macedônico e Romano. Impassível diante da passagem do tempo e incólume diante da passagem dos senhores do mundo, o tesouro contido nos salões do templo mantém o mesmo colorido, os detalhes em metal e pedras preciosas continuam intactos e é impossível ficar imune aos efeitos dos inúmeros símbolos, sinais e signos inscritos em cada canto, quadro, parede, pedestal e arco.

– Aplacando a saudade ou refrescando a memória, Yonah?

– A… ah! Suma Sacerdotisa Semiramis, mil perdões. Aqui eu estou, como vós pedistes.

– Pelo Antigo, irmã! Descuidaste da prevenção! Há quanto tempo carrega este fruto? A quem atribui tal feito?

– E… eu não tenho certeza… minha regras… atrasaram e eu não contei as luas e eu não tenho certeza…

Semiramis repousa a mão no ventre de Yonah. Das alunas que ela formou em Damasco, aquela tinha potencial e poderia ter sido a melhor da turma se não fosse por Sulamita. Semiramis sente a vida que está formando-se naquele ventre e reconhece a energia espiritual que a formou, bastante familiar para ela, a do rei exilado, o Hebreu, com quem ela surpreendentemente sentiu prazer.

– Pelo Antigo, irmã! Conheceste o Grande Basileu?

– Sim, Suma Sacerdotisa Semiramis. Eu conheci o Grande Basileu. [nota – existe na sabedoria antiga a insinuação de que “conhecer” é o mesmo que “ter relações sexuais”]

– Isso explica seu estado, irmã. [removendo a mão do ventre] Aquele velho safado colocou seu fruto dentro do meu ventre também. Você tem três semanas para decidir se vai gerar esse fruto ou não. Independentemente de sua decisão, isso altera seu status em nossa irmandade. Você terá que dar início ao templo de Astarté como Suma Sacerdotisa, terá que abrir suas portas a todos os que buscarem o Caminho e lhes oferecer o Conhecimento. Está ciente e pronta para este encargo?

– E… eeeh… eeeu?

– Sim, irmã. Você tem a nossa autorização para abrir seu próprio templo em Edom. Ou se preferir, Damasco. Isso fica ao seu critério, só não se esqueça de nos escrever, convidando para a festa de inauguração. Mas não é por isso que eu te chamei. Eu tenho uma missão que, eu vejo, agora, te será dolorosa e sofrida.

– Ah… Suma Sace… [Semiramis pigarreia, indicando que dispensa tal tratamento] eeeh… irmã Semiramis… qual é a missão que me foi destinada?

– Chegou-nos ontem. O mensageiro romano estava com aspecto grave e pesado. Este é o comunicado oficial do governador da Província da Síria. Leia-o.

– “Vossa Sagrada Pessoa, nós temos o triste dever de vos anunciar que…” Ah! Morreu! Não! Não pode ser! Meu rei morreu!

– infelizmente é verdade, irmã [snif]. Nosso amado rei morreu [snif]. Aquele velho safado, sem vergonha, deixou esse mundo e deve estar correndo, feliz e alegre, atrás das ninfas, no Mundo dos Ancestrais.

– Ah! Não! Por que, Deuses? Por que tanta dor, sofrimento? Por que tiraste a fonte de nossa alegria, satisfação e prazer?

– Eu sinto a mesma dor que a sua, irmã, mas nós não devemos imprecar contra os Deuses. Nós somos mortais, carnais, nossa existência é efêmera. Nós somos parte da natureza que é o corpo de Gaia, nós não podemos exigir que tenhamos tratamento diferenciado.

– Pois bem, eu decidi para onde eu vou. Eu decidi abrir meu templo de Astarté em Bethlehem, depois que eu fizer as exéquias do Grande Basileu.

– Bravos! Era este exatamente a missão que nós tínhamos planejado para você, irmã. Ali os Hebreus chamam de Asherah a Deusa e ali encontrará muitos que celebram a Rainha do Firmamento com igual devoção com que adoram Yahu Adonai. Infelizmente também encontrará resistência, agressividade e violência por parte dos fundamentalistas.

– Eu não os temo [que me matem, pois tiraram o meu rei].

– Excelente [não faça nada estúpido]. Para te ajudar e facilitar a ambientação, eu te dou suas duas primeiras alunas, que vieram do reino de Judá para aprender o Caminho. Elas são Myriam [sim, as duas] e nós chamamos uma de Nazarena [por vir de Nazaré] e a outra de Magdalena [por vir de Magdala].

– Suma Sacerdotisa Yonah, nós estamos ao seu dispor. Por favor, cuide de nós, nos ensine e nos instrua.

– Mas que gracinhas! Vamos, meninas, nós temos muito que empacotar e carregar para nossa viagem.

Mal sabiam Semiramis e Yonah que aquelas duas noviças fariam a ponte entre o Caminho e a Ordem de Melquisedeque. Essa narrativa vos exporá e explicará a inusitada circunstância na qual o reino de Judá estava, durante o reinado de Herodes e ao longo do reinado da Tetrarquia, necessário para entendermos a confusão que resultou na Guerra Romano- Judaica e o secto que sobreviveu dessas batalhas. Este secto pode ser considerado o protagonista e o antagonista principal dessa narrativa, mas eu estaria cometendo um enorme erro e exagero. Nesse Teatro do Absurdo, nós teremos e veremos outros personagens que somarão, acrescentarão e ampliarão essa tragicomédia. Eu vos aguardo no próximo capitulo.

Encontros improváveis

Das catacumbas aos palácios.

Ficção baseada em fatos históricos.

Rumos secundários.

Na província da Anatólia, na região da Bitínia, na praça pública [ágora] de Bizâncio, Cícero encontra com Aristóteles. Os dois gênios da humanidade não conseguem se conter, abraçam-se e colhem a assinatura um do outro.

– Grande orador do Senado, a quem eu devo a satisfação de encontra-lo em tal local tão inusitado?

– Ora, ora, Pai da Ciência, eu sequer sou digno de te amarrar a sandália.

– Ah, eu que prefiro combater com os Platônicos antes de confrontar sua mente. Mas vamos nos sentar. Nós estamos em Bizâncio, uma cidade peculiar, por sua origem e influência em nossos povos.

– Sim, nos sentemos, por Jove, que esse calor é maior do que eu presenciei na Trácia. Servo, traga-nos o melhor prato e a melhor bebida. Mas diga-me, mestre, o que há de tão peculiar em Bizâncio?

– Diga-me grande orador, com sua mente astuta, estamos nós na Europa, na Ásia ou no Oriente Médio?

– Esta é a questão que respondida me custaria o pescoço. Vede que coisa, mestre, nós alegamos sermos oriundos da trágica Troia, cidade mítica que, crê-se, estava localizada em algum ponto da planície da Anatólia. Nós nos orgulhamos de nosso Patriarca Enéias, a quem confiamos linhagem divina por parte da Deusa [chamada de Vênus por Romanos, conhecida como Afrodite por Helênicos, imensamente reconhecida por inúmeros povos como Astarté e Ishtar]. Nós alocamos Roma, a Cidade do Mundo, na Europa, sendo que esta Deusa tem origem fenícia. Nós trouxemos, em júbilo, a estátua da Magna Mater Dea, Cibele, sendo que esta Deusa tem origem frígia. Então, quem somos nós? Nossos antepassados e ancestrais vieram de diferentes regiões, de diferentes povos e tinham outros Deuses e Deusas. Eu chego à conclusão que todos nós somos imigrantes e mestiços, não existe a gens, bobagem na qual baseamos o direito de uma pessoa se declarar patrício legítimo.

– Precisamente, grande orador, precisamente! Meus concidadãos não são diferentes, eu te digo. O governo que tanto assombra o mundo, a chamada Democracia, invenção nossa, concede o direito somente a poucos. Nós deixamos de lado os aborígenes, os escravos, as mulheres e os estrangeiros. Nós alegamos sermos descendentes de Heleno, tal como vosso Romulo, o Patriarca Mítico, semelhantemente atribuída linhagem divina, muito embora nossa origem seja diversa. Nós somos Pelágios, Aqueus, Eólios, Dórios, Jônios e Minóicos. Nossos Deuses e Deusas são tão assimétricos quanto nós, foi por obra de Homero que nossas crenças forma organizadas e dali pode-se dizer que apareceu a religião dos Helênicos, dominada pelo Dodecatheon, regidos por Zeus. Não obstante, cada acrópole é soberana e constantemente está competindo com suas “irmãs”, então enquanto Atena é celebrada massivamente na acrópole que recebe seu nome, em Chipre Afrodite é soberana. Mesmo o tão aclamado e dito Rei dos Deuses, Zeus, está reduzido em forma de Naos Bouleus, em nossas colônias asiáticas e semíticas.

– Quer ouvir o mais hilário? Nós, que agora nos consideramos os conquistadores do mundo, nós adotamos e assimilamos vossos Deuses e Deusas e os “repatriamos” dando-lhes nomes latinos. Nós tornamos Jove igual a Zeus, Marte igual a Ares, Vênus igual à Afrodite e assim por diante.

– E cá nós estamos quase aos pés do templo de Astarté, assemelhada à Vênus, Afrodite e mesmo estas Deusas são reflexos, cópias ou filhas da Grande Deusa, Ishtar. Nomes diferentes para as mesmas pessoas divinas?

– Eu escrevi um tratado sobre isso chamado De Natura Deorum. Eu fui mal compreendido e acusaram-me de impiedade. O que eu expus foi que a nossa percepção do divino é limitada e superficial, eu jamais aleguei que o divino é inexistente.

– Eu ouvi pensadores na ágora afirmando que todas as coisas são formadas de elementos minúsculos chamados átomos e nada mais. Estes até estão utilizando de forma indevida o meu método de observação. Eu sinto vontade de empurrar as cabeças deles dentro das estátuas para que eles procurem ali o átomo da arte, do talento, da inspiração e da ideia.

– Não foi teu conterrâneo, Platão, que diz que as coisas vêm do Mundo das Ideias?

– Eu considero esse o extremo oposto. Eu vejo, repugnado, surgir a dita Escola Neoplatônica, onde a observação séria da natureza se mistura com o pior tipo de misticismo.

– No entanto a observação da natureza não indica a ação de forças conscientes?

– Esta é exatamente o motivo de minha presença em Bizâncio. No meu lar em Estagira, eu ouvia o público falar e comentar de um homem que dizem ter morrido e ressuscitado, a quem são atribuídas obras que desafiam a ordem natural, o tal de Orfeu.

– Pois de minha doce Arpino, eu investiguei as obras das Sibilinas e não encontrei explicação racional para o que eu testemunhei. Por desígnios igualmente misteriosos, eu atravessei longa jornada até Bizâncio pelo mesmo motivo que o teu. Tem sido preocupação constante no Senado o aparecimento e crescimento de sectos, credos, sociedades e grupos, com certas mensagens, práticas e atitudes que podem vir a se tornar ameaça à República de Roma. Credes que possamos encontrar os ditos magoi?

– Tudo é possível, até que se encontre melhor explicação, indício ou evidência. Eu estimo que, ao menos, consigamos apreciar o Velho Mundo [nota – para a presente ficção, a Europa é o Mundo Novo].

– Ah! Eu estou farto! Excelente comida e bebida. Meus cumprimentos ao estalajadeiro. Acompanha-me até o templo de Astarté? Depois de laudo refeição, o apotecário recomenda exercício e, por Jove, façamos a ginástica de Eros e Afrodite, com auxílio das sacerdotisas.

– Por vossa Vênus, adiante! Eu tenho cá comigo infusões que garantem efeitos impressionantes para estimular o corpo e prevenir efeitos colaterais oriundos do contato corporal.

– Quanto a isso, mestre, eu posso te garantir que nestas terras e entre estes povos, nós encontraremos “tecnologia” avançada que nos capacitará sabores inesquecíveis.

– Nada mais justo. Afinal, nós estamos nos Jardins da Deusa. Como nós poderíamos render as devidas homenagens sem ter as ferramentas necessárias para tanto? Vamos então revirar entranhas até secar nossa essência.

O senador romano e o artífice helênico marcham, rindo e cantando, até as longas escadarias de mármore do templo de Astarté. As sacerdotisas percebem a vinda dos viajantes e os recebem alegremente. Uma pequena adaptação de dialeto e conseguem se entender perfeitamente. Cícero e Aristóteles são conduzidos ao salão principal, no qual encontram diversos nichos contendo inúmeras infusões e emplastros. A Suma Sacerdotisa anota [discretamente] os nomes, de onde vem e o que procuram os visitantes.

Cícero escolhe uma noviça, cabelos amarelos como trigo, pele alva e olhos azuis que diz vir da Saxônia e alega ser inexperiente. Aristóteles escolhe uma veterana, cabelos encarapitados, pele negra e olhos cor de âmbar que diz vir da Numídia. Diante da estátua de Astarté, Cícero oferta seiscentos sestércios de ouro e completa com cem sestércios de ouro a modesta contribuição de Aristóteles.

As escolhidas conduzem os penitentes para suas alcovas, levando infusões, emplastros e tripas de carneiro costuradas. Esboçando um sorriso cínico, Cícero admoesta Aristóteles.

– Mestre, por acaso carrega contigo algum de seus artifícios mecânicos? Eu temo por tua vida, cavalgando em tal grande felina africana.

– Nefertari garantiu-me que o que temos é o suficiente. Eu vou dar crédito a ela, afinal, ela é experiente. Eu, por meu lado, preocupo-me contigo, orador. Eu rogo a Réia que teus concidadãos jamais saibam que conduzes ao sacrifício tão jovem nubente que poderia muito bem ser tua neta. Eu espero que tu tenhas tanto talento na ginástica de Eros e Afrodite quanto é talentoso na Oratória.

– Eu te garanto, mestre, esta ninfa falará por ela mesma… ou melhor… seus gemidos serão mais eloquentes do que Catilina.

Os gênios da humanidade riem e troçam um do outro. Nisso eles se igualam ao homem comum. Duvidar da capacidade e masculinidade alheia é a forma mais elegante de afirmar a própria. Mas o jogo muda de mando, assim que adentram nas alcovas. Como dizem os sábios, o Homem é dono do mundo, mas capitula diante do poder da Mulher. Cícero emudece assim que Ingrid desvela o esplendor de seu corpo. Aristóteles não encontra fórmula para descrever a perfeição das formas de Nefertari. Os boatos contam que o templo ficou extremamente barulhento e que dois catres ficaram quebrados. Inertes, vencidos, conquistados, o artífice helênico e o senador romano são carregados para o apotecário mais próximo. Estão esgotados, em estado de inanição, drenados até os ossos.

– Francamente, Nefertari e Ingrid! Mais alguns minutos e vocês teriam matado os coitados!

[dueto]- Mil perdões, Suma Sacerdotisa Semiramis.

– Pelo Antigo, vocês duas lembram muito minha mais querida e promissora aluna, Sulamita.

As sacerdotisas se entreolham, abrem amplo sorriso, riem e comemoram. As demais ficam chateadas e contrariadas. A Suma Sacerdotisa fica surpreendida, mas tentar chegar à perfeição da legendária Sulamita é o sonho e objetivo de todas as sacerdotisas.

– He… hei! Eu as estou repreendendo, não elogiando!

– Suma Sacerdotisa Semiramis! Dizem que Sulamita deitou-se com o Antigo! Isso é verdade?

– Pela Suma Sacerdotisa Enheduanna! Vocês não podem acreditar e espalhar boatos assim! Vocês não tem a menor ideia do que é encarar o Antigo!

– Oho! Suma Sacerdotisa Semiramis! Isso quer dizer que a senhora viu o Antigo? Ah, por favor, conte para nós!

Semiramis recorda do tempo em que era noviça e, mesmo naquela época, não suportava atitudes infantis, mas eis ela ali, diante de suas alunas, no mesmo rebuliço típico de garotas jovens. A tarefa de ensinar como é a Deusa e de como incorpora-la constitui grande desafio. Mas ensinar e falar sobre o Antigo [e de como Ele incorpora o sacerdote] está [talvez] além de suas capacidades, no atual estágio de suas alunas. Vai demorar mais do que um ano e um dia. Principalmente que ela ainda não encontrou um homem capaz para incorporar o Antigo. Semiramis tenta acalmar suas alunas, mas perde-se em pensamentos, principalmente em lembrar-se de seu encontro com o Antigo. A sensação imensa de sentir a total plenitude da existência. O medo, a insegurança e a ansiedade diante do Antigo, por que não confiava na capacidade que tinha, mas… era inevitável não pensar, não recear diante de tamanho e imenso… poder.

Aos poucos, suas alunas vão perdendo o interesse e a curiosidade. Mais visitantes vão chegando, elas se dispersam e vão cuidar de seus ofícios sagrados. Sem poder se conter, Semiramis, assim que o templo encerrou as atividades, recolheu-se no seus aposentos particulares. Ela estava toda molhada, excitada, por ter pensado no Antigo e teria muito trabalho para saciar aquela chama.

– Ah… Touro Divino, Deus Primordial, oh, Antigo, oh, meu Senhor, Soberano do Universo! Quando eu vou poder rever-Vos? Eu quero… eu preciso… sentir-Vos mais uma vez dentro de mim.

– Eu estou aqui, minha querida filha.

No dia seguinte, tarefeiros e artífices foram ao templo de Astarté para reformar o piso e a parede que ruíram.

O dever de fazer o que deve ser feito

Das catacumbas aos palácios.

Ficção baseada na história antiga.

Rumos secundários.

As casas do subúrbio de Ecrom são como seus habitantes. Multicoloridas, apinhadas e agitadas. Agora quem manda são os Romanos, algo que aparentemente não surte efeito algum nos habitantes. Orgulhosos e teimosos como seus antepassados, os Filisteus sabem que o poder é como a maré, muda constantemente de lado, direção e volume.

Na parte superior do cortiço, Sulamita atende, discretamente, habitantes locais e visitantes, das mais diversas etnias. Não que os Romanos sejam rigorosos, mas ultimamente os templos antigos e seus sacerdotes têm sofrido ataques. Ela sabe [ou desconfia] que sejam Hebreus fundamentalistas, com sua pregação sobre pecado, sobre arrependimento, sobre salvação e sobre o Deus Único. Quando ela era ministra do Grande Basileu Herodes, ela tinha visto esse tipo de agitação no meio do populacho. O povo, pobre, ignorante, era explorado facilmente por rabinos, escribas e supostos messias, através do medo insuflado por mensagens sobre o Fim do Mundo.

– Mãe! Estão falando de novo que eu sou filho do rei maldito!

– De novo, Aragon? Quantas vezes eu tenho que te dizer? Não importa o que os outros digam de você, mas o que você pensa sobre si mesmo.

– Mas mãe, o que eu digo quando difamarem o nome do meu pai se eu não sei quem me gerou?

– Diga que você é meu filho. Disso eu posso te assegurar. Se quiser um nome para dar a seu pai, diga a quem te perguntar ou quem tenta te ofender que teu pai é o Antigo.

– Oh! Eu sou filho do Antigo! Obrigado, mãe!

Sulamita suspira enquanto vê Aragon voltar para a Escola dos Helênicos. Ele está naquela fase de querer saber quem é, de onde veio, para onde vai. Esse é o mistério pelo qual atravessamos por Gaia e somente quando solucionamos é que passamos pelo Portal. A vida consiste em procurar e descobrir o mistério. Finalmente o homem que observava na esquina se aproxima.

– Sagrada senhora, eu vos suplico…

– Minha cama está interditada para ti.

– Mas sagrada senhora, eu tenho dinheiro…

– O senhor é estulto? Nunca faço meu serviço por dinheiro. Eu tenho mais do que o suficiente. Eu faço por que esse é meu ofício, meu dever sagrado [e eu até diria prazer, mas não no seu caso].

– Sagrada senhora… eu pago mais…

– Tu és surdo? Minha cama está interditada para ti. Use esse dinheiro para distribuir a teus conhecidos, amigos, parentes, para que saibam que eles também estão interditados, enquanto seus filhos continuarem a ofender a mim ou a meu filho.

O homem arregala os olhos e, como se fosse um punguista pego em flagrante, olha para os lados, assustado e trata de correr em disparada, antes de ser visto por alguém conhecido. As coisas chegaram nesse ponto. A cada dia, hieródulos são fechados e sacerdotisas são presas. Em alguns anos a prostituição sagrada se tornará crime. Os anciãos e sábios que a visitam [os poucos, que valem a pena, que lhe dão prazer] dizem que se aproxima uma Nova Era, um novo Aeon. Algo está vindo e não é bom. Sulamita agoniza, preocupada com o destino da humanidade. Ela treme em pensar no futuro de seu filho Aragon. Sobretudo porque ele tem expressado interesse vívido em entrar para a Legião Romana. As Armas de Roma sempre tem vagas. Não faltam aventureiros, fugitivos e bandidos que se apresentam nos batalhões para tentar mudar a fortuna de suas vidas. Meninos perdidos, com couraças, escudos e espadas, jogados nas frentes de batalha. Meninos perdidos, enviados para morrer em terras longínquas e estranhas. Devem ficar confusos, desorientados, andando a esmo, com olhar faminto… olhar como o do estranho viajante, andando sozinho, pelas ruas do subúrbio… melhor ela fazer algo, antes que o coitado seja roubado ou morto.

– Estás perdido, forasteiro?

– Ah! Perdões mil. Eu falar latim pouco. Eu procurar casa santa de Deusa Estrela.

Sulamita tenta falar em diversos idiomas conhecidos e usados em Ecrom até achar algo que o estranho viajante pareça compreender. Ele parece estar familiarizado com algum tipo de dialeto Gaulês.

– Ah! Podemos nos entender. Eu estou procurando o templo de Astarté.

– De onde vem, estrangeiro?

– Do norte. Além de Roma. Eu sou da região chamada Hispânia. Eu sou Íbero.

– Viajaste por léguas, estrangeiro. Eu lastimo te informar que o templo local da Deusa foi fechado, depois que foi atacado por bandidos.

– Isso é terrível! Os sábios e anciãos do meu povo contam tantas estórias da Terra dos Patriarcas, de como aqui é possível, ainda encontrar o Caminho em seu estado mais pristino… eu vos rogo, santa senhora, indique onde eu posso encontrar os remanescentes do Caminho, para que eu possa estudar e receber o Conhecimento!

Sulamita fica impressionada com o estranho viajante que, em poucos minutos, percebeu que ela é uma sacerdotisa da Deusa. Ele certamente recebeu instrução, pode-se perceber pela forma como se comporta e trata com as palavras. Sulamita avalia seu visitante inesperado, fazendo a leitura da aura que emana da alma e vê que ele não recebeu a iniciação formal, mas recebeu algo muito mais valioso e raro, que é a benção direta do Antigo e da Deusa.

– Meu nobre irmão, não necessita de mais instrução. O que tu sabes é mais do que muito dito sacerdote diz saber.

– Eu não estou questionando vossa gentileza, sagrada senhora, mas eu sou perseguido, renegado e rejeitado por aqueles que se intitulam sacerdotes do Caminho porque eu não recebi o treinamento e iniciação formais. Vossa sagrada pessoa deve conhecer onde eu posso encontra uma escola de mistérios para que eu conclua minha busca.

Sulamita admira e aprecia tamanha dedicação e empenho. Ele lembra muito de seus alunos, em especial Herodes, quando ela o conheceu em Antioquia, Província da Síria. Os outros alunos fizeram da estadia dele na escola de mistérios um tormento, por sua origem e língua.

Sulamita era noviça, iniciada, praticamente estava começando o sacerdócio e ficou intrigada com a forma como a Suma Sacerdotisa cuidava e olhava por ele. Tal como seus outros irmãos e irmãs, Sulamita teve ciúmes e inveja, assim como seus irmãos e irmãs ela não aceitava que um Hebreu recebesse as chaves de acesso ao Conhecimento. A despeito de todas as dificuldades e percalços, Herodes foi um dos poucos que concluíram o período integral de treinamento e iniciação formal. Em sua formatura, a Suma Sacerdotisa apenas sorriu e aceitou quando ela se ofereceu para ser a iniciadora dele. Disso ela lembra perfeitamente. Foi ali, debaixo de Herodes, enquanto executavam o Hiero Gamos, que ela cometeu a única falha que é necessária evitar: ela tinha se apaixonado por ele.

Foi o momento de maior tristeza quando ela teve que partir, acompanhar seu senhor, seu coração, ao exílio em Heliópolis, como sua serva. Sulamita chora ao lembrar-se de como ela fez sua Suma Sacerdotisa chorar. Talvez tanto quanto senão mais do que ela mesma chorou quando teve que fugir do reino de Judá, pouco depois da coroação, quando sentiu os primeiros sinais de que ela carregava o fruto de sua união com Herodes. Sulamita funga e enxuga as lágrimas, essa é a Lei da Reciprocidade, ela está “pagando” por seus erros.

Erros não são, necessariamente, coisas ruins, disso nasceu Aragon, seu orgulho, seu filho. Ela teve incontáveis amantes e homens, mas ela sabe muito bem que foi Herodes quem soube ama-la melhor que muitos. Ah, sim, aquele velho sacana sabia muito bem como atingir o seu âmago. Quantas outras mulheres aquele velho safado deve ter preenchido os quadris? Quantos ventres receberam sua nobre essência? Quantos irmãos ou irmãs [bastardos] Aragon tem espalhado por aí? Ah! Velho safado! Tarado! Insaciável! Maldito! Será que… você… está bem?

– Sagrada senhora… o que te aflige? Seus olhos estão distantes, ausentes.

– Meu nobre irmão, tu vês que eu tenho meus momentos de fraqueza. Eu estava navegando em antigas memórias, lembranças de pessoas e circunstâncias. Meu nobre irmão, não carregue consigo o que não necessita. Só há o hoje, o aqui, o agora, eterno. Deixe o ontem para os mortos e o amanhã para a esperança.

– Eu tentarei compreender essa lição, sagrada senhora. No momento, eu vos rogo que indique a direção que eu devo ir.

– Ah, sim! Que cabeça a minha! Tu procuras uma escola de mistério para concluir sua busca. [Sulamita reavalia o estranho viajante, com desejo] Eu vou te poupar mais esforços desnecessários. Venha, vinde em minha casa. Eu vou te ensinar tudo o que você precisa saber em uma hora.

– U… uma hora? Isso é possível? Dizem que é necessário um ano e um dia para concluir o treinamento e iniciação formais!

– Confie em mim, nobre irmão. Eu estimo que tu possuas a capacidade e a competência necessárias para receber esse… treinamento intensivo.

O estranho viajante engole seco enquanto Sulamita caminha de forma provocativa, balançando os quadris amplos e generosos. O andar superior onde Sulamita habita tem quatro cômodos, o quarto particular, o quarto de Aragon, a cozinha e o pequeno santuário onde ela pode realizar seu serviço. Tirando os aparatos e mobiliário sagrado, a peça principal do quarto é a suntuosa cama, bem no centro de um círculo desenhado no chão, repleto de signos e sinais.

– Muito bem, estranho viajante. Eu irei incorporar a Deusa e tu irás incorporar o Antigo. O que quer que aconteça aqui, deve permanecer aqui. O valor que irás ofertar é unicamente para sustentar o templo de Astarté e suas sacerdotisas. Não estás pagando por mim, não está me alugando. Eu me deito contigo por vontade própria, não por sujeição. Eu sirvo unicamente os Deuses. Não crie vínculos amorosos comigo, que eu não criarei vínculos amorosos contigo. Agora, aprecie bem meu corpo e demonstre como eu te desperto o desejo. Esta é tua prova de admissão, tu deves demonstrar nitidamente, por atos e palavras, que tu estás debaixo da Lei e a Lei estás submisso.

Sulamita remove as peças do vestuário lentamente e observa, satisfeita, a reação mais do que esperada e apropriada. Palavras são sussurradas em seu ouvido, mãos vagueiam pelos seus montes e vales. Sim, o estranho viajante está bem instruído. Ele lembra muito Herodes. Não, ele suplanta Herodes. Sulamita perde quase toda consciência enquanto sente a mente mergulhar no imenso mar rosado de prazer. Ela receia, tardiamente, em voltar a cometer a mesma falha e se apaixonar pelo estranho viajante. O receio desaparece por inteiro, assim que suas entranhas, revolvidas, recebem, repletas de alegria, enorme volume e quantidade da essência vital do estranho viajante. No exato momento em que atinge o orgasmo múltiplo, Sulamita tem a visão perfeita do Antigo e da Deusa, sorrindo e aplaudindo a façanha realizada.

Como encomendar a alma

Das catacumbas aos palácios.

Ficção baseada na história antiga.

Os anos passaram como vento e o Grande Basileu faz a retrospectiva do que aconteceu durante 25 anos de seu reinado, pois tem algum tempo que ele sente em seu ombro a mão pesada do anjo da morte.

Discretamente, em roupas do povo comum, seguiu sem comitiva, sem guardas, desarmado, até a cidade de Jezrael, outrora chamada Endor, que o povo comum acredita que o rei Saul foi consultar uma “bruxa”. Herodes não consegue segurar o riso quando tenta conciliar o que ele sabe, o que os rabinos sabem e contrasta com o que o povo comum acreditava.

Indiscutivelmente, não há ferramenta mais útil para submeter o populacho do que a religião. Medo e ignorância ajudam bastante, mas isso funciona melhor quando envolve a religião. O populacho realmente acredita que são descendentes do “Povo de Deus”, o “Povo Escolhido”, simplesmente acreditam no Êxodo e que são, efetivamente, descendentes de Abraão, Isaque e Jacó. Há tempos que é impossível rastrear a linhagem de seu povo, há tempos que seus súditos deixaram de serem descendentes diretos de qualquer das Doze Tribos de Israel. Sim, o chamado “Cativeiro da Babilônia” teve marcas profundas na história dos Judeus e isso inclui os textos sagrados, o sacerdócio, o templo e quem vem a ser Deus.

Herodes sabe que o Sanhedrin somente o atura porque muitos ali ele mesmo nomeou. A aristocracia, feita na maioria por romanos, patrícios ou colonos, somente o aturam porque é lucrativo. Mas se fosse por aclamação ou voto popular, como ele ouvira falar de algumas cidades soberanas dos Helenos, ele seria, no máximo, escolhido para ser lançado do Aeródromo, por ser “imperfeito”.

Ali em Jezrael nada disso faz o menor sentido. Ele é uma pessoa como qualquer outra. Longe da influência dos rabinos, Jezrael guarda suas origens multiculturais, Fenícios, Filisteus, Persas, Assírios Helênicos e agora Romanos, tudo junto, misturado. Herodes não tem dificuldade em encontrar o templo de Astarté e solicitar o serviço da sacerdotisa.

– Evoe. Este pobre peregrino pede para que uma alma generosa alivie suas dores para a viagem que está para vir.

– Saudações, Grande Basileu. Vossa visita muito nos honra.

– Pelo Santo Nome! Eu fui facilmente descoberto!

– Nada tema, Grande Basileu, nossa irmandade recebe Vossa Majestade com alegria, pois nós fomos sempre bem tratados por Vossa Majestade.

– Nem poderia fazer diferente. Eu aprendi muito em minha juventude, com a Ordem de Pitágoras e devo muito de minha sabedoria a uma de suas irmãs. Infelizmente, em minha terra, eu não possa fazer mais pelos seguidores do Caminho.

– Nós apenas temos que agradecer pela honra e privilégio em ter tal nobre espírito entre nossos iniciados. Vossa Majestade quer fazer sua oferta de sempre para a Deusa?

– Ah… [Herodes cobiça o corpo da sacerdotisa] isso seria extremamente desejável e apreciável, mas desta vez o que eu busco é pela remissão de minhas falhas diante do divino.

– Vossa Majestade faz as cinco reverências diárias?

– Sim, sem falta.

– Vossa Majestade honra o nome de seus Ancestrais?

– Eu me lembro do nome de cada um deles.

– Vossa Majestade observa os solstícios e equinócios, entoando os hinos ao Antigo e à Deusa?

– Que meus ossos sequem se eu falhei alguma vez.

– Então não tema passar pelo Portal, Vossa Majestade. Para muitos, a passagem é antecipada de um enorme abismo, mas isso são projeções da alma que rejeita passar para o outro lado, por remorsos, mágoas e rancores. Vossa Majestade sabe que o divino não nos julga nem nos condena pelas falhas que cometemos durante nossa jornada.

– Eu sinto esse peso em minha alma. Eu te rogo que alivie o receio de minha alma.

– Embora não seja prática de nossa irmandade, eu posso preparar vossa alma para atravessar o Portal.

– Eu te suplico, santa senhora, alivie minha alma.

– Muito bem. Repouse vossa cabeça entre minhas coxas e aprecie meus seios firmes enquanto eu faço o exame de sua alma. Vós estais preparado, Vossa Majestade?

– Sim e, por favor, ignore minha ereção inconveniente.

– Meu sacerdócio e serviço seriam inúteis se Vossa Majestade não ficasse excitado. Muito bem, respire pausadamente e responda sem hesitação. Deixaste dívida?

– Não. Eu fiz com que o Tesouro Real aumentasse, a despeito dos investimentos na reconstrução do templo, na construção de meu palácio e na construção da colônia romana.

– Tiraste de outro aquilo que não vos pertencia?

– Não. Eu aumentei e garanti para que houvesse tribunos e defensores para garantir que tal coisa jamais acontecesse.

– Faltaste com a verdade ou a enfeitaste, com aparências e simulacros?

– Não. Eu vivo pela Verdade.

– Tomaste aquilo que pertence ao divino, seja oferenda ou vida?

– Pelo Santo Nome! Jamais!

– Tenha calma, Grande Basileu, eu não estou vos julgando.

– Mil perdões. Prossiga.

– Causastes algum dano, físico, emocional ou amoroso a outro?

– Eu levantei minha mão, armado de espada, contra aqueles que me ameaçavam, ou atentaram contra meu trono, meu reino e meu povo.

– Então deveis perdoar estes que assim fizeram.

– Eu perdoo porque eu sei que o divino sempre tem perdoado minhas falhas.

– Cometeste perjúrio, fazendo promessas, sem as cumprir?

– Eu sempre cumpro com o que eu prometo, ainda que seja eu prejudicado.

– Vós sabeis que nada perdeste?

– Sim, eu sei.

– Então prosseguimos. Acaso ofereceste amor indevidamente ou interferistes no amor?

– Eh… no momento minhas entranhas queimam de amor por ti, sacerdotisa, mesmo sabendo ser inconveniente, sendo casada com o Antigo.

– Isto se refere a pessoas comuns, Grande Basileu. Eu me sinto honrada e privilegiada por ser desejada por vós. Deseja interromper o exame de vossa alma e tomar meu corpo?

– Eh… no momento apropriado, Pombinha. O que é mister agora é que eu não ofereci amor indevidamente nem interferi no amor. Todas as mulheres que se deitaram comigo o fizeram de bom grado e por vontade própria.

– O que é mais do que correto, Grande Basileu e as considero benditas e abençoadas por receber vossa semente. Por mais que minhas entranhas também queimem, querendo vos sentir dentro de mim, eu devo prosseguir.

– Adiante, então.

– Vós usastes de vossas posses, posições, influências ou riquezas para difamar, caluniar ou desonrar outro?

– Não. Ainda que eu sofresse tal ato. Meus súditos me odeiam. Eu sei que falam que eu ordenei o massacre dos inocentes. Eu sei que isto é coisa do Sanhedrin, fazem comigo como fizeram com o faraó.

– Vós deveis perdoar aqueles que assim o fizeram.

– Oh, puxa… como isso é difícil… eu estou chorando?

– Sim, Vossa Majestade [snif]. Vós estais chorando.

– Ah! Pombinha! Não chore! Não por um velho como eu!

– Eu… eu estou bem, Vossa Majestade. Nós devemos prosseguir. Vós agistes com fúria, raiva, ódio, por atos ou palavras?

– Eu estive em batalha. Eu tive que lutar e matar. De outra forma, eu mesmo não poderia viver nem me tornar rei. Eu tive que matar Antígono e Hircânio. Praticamente, meus familiares.

– Vós deveis perdoar aqueles que assim o fizeram.

– Eu os perdoo. Senão, como eu poderei encara-los quando os encontrar no Mundo dos Ancestrais?

– Grande Basileu, essa parte é importante. Infringiste a Lei, dos Homens ou de Deus?

– Eu admito que eu tive que infringir a Lei do Homem, especialmente quando esta é falha e incompleta. Mas a Lei de Deus… a Grande Lei… pela qual o Universo é regido… esta eu jamais infringi.

– Eu vos escuso das infrações que cometeste contra a Lei dos Homens, se assim agiste por Justiça e Verdade.

– Ah, sim, Pombinha! Eu mantenho puro meu Ideal Elevado.

– Eu fico contente com isso, Grande Basileu. Vós atentastes contra a sagrada pessoa do rei, do sacerdote ou de Deus?

– Eh… eu matei meus irmãos, que eram reis. Eu tenho, constantemente, uma disputa de força com o Sanhedrin e, no momento de fraqueza, eu devo ter dito palavras duras. Eu acredito que eu só não consigo olhar Deus nos olhos, como fazem os Helenos e Romanos.

– Vós deveis perdoar os que assim fizeram. Eu vos escuso por terdes proferido blasfêmias contra o sagrado. Eu vos digo e espero que saibas: vós sois sagrados também. Vossos atos são sagrados. Eu vos peço que aceitais vosso encargo. Vós não deveis temer nem ajoelhar diante de Deus. Vós sois semelhante a Ele.

– Eh… então mesmo um deus tem que ser examinado quando sente chegar sua hora.

– Grande Basileu, como vós estais vos sentindo? Tem algo que deixou pendente? Alguma mágoa? Algum remorso ou rancor?

– Eu creio que você pulou a parte que me é perguntado se eu cometi certas práticas proibidas. Mas eis-me aqui, com a cabeça descansando em suas deliciosas coxas e me deleitando com seus formosos seios. Na minha terra, eu sou culpado e, se não fosse o rei, eu seria apedrejado até a morte.

– Não desvie do assunto, Grande Basileu! Eu estou ciente do vosso sentimento por mim e do que acontece no reino de Judá. Eu vos peço que responda as perguntas.

– Hum… alguma pendência? Eu estou sentindo a mão do anjo da morte no meu ombro. Eu devo assegurar a sucessão. Mágoa? Talvez apenas uma. Eu tive uma serva nabateana que eu apreciava muito, mas, pouco depois de minha coroação, ela começou a ficar ausente com frequência até que simplesmente desapareceu. Rancor? Hum… eu tive durante meu exílio e aqueles que me desafiaram foram mais cedo para a Terra dos Ancestrais. Remorso? Hum… sim… eu reformei o templo e dei ao Sanhedrin uma sede decente, mas mesmo assim eles são ingratos e espalham mentiras sobre mim.

– Grande Basileu, deveis saciar vossa alma. Vós não deveis procurar por vingança ou reparação. Vós deveis perdoar e compreender que estes o fazem porque são egoístas, ignorantes e covardes.

– Eu acho que eu consigo fazer isso, com a ajuda de Deus. Mas Sulamita… ah… por que ela me abandonou?

– Vossa Majestade, perdoe minha ousadia e audácia em vos repreender. Vós sabeis que as coisas não nos pertence, nada nos pode ser tirado ou perdido, então como podeis querer que esta serva vos pertencesse? Como vós podeis exigir que esta serva devotasse dedicação somente a vós? Como vós quereis ter a posse e o poder sobre o corpo e o amor que esta serva vos concedia voluntariamente?

– Isso, minha Pombinha, é o que me equipara com os homens. Sim, nós somos inseguros, medrosos e carentes. Nós estamos tão acostumados a um mundo tão cheio de violência e tão ausente de amor, que achamos que nós nunca mais iremos encontrar algo tão lindo e precioso quanto a mulher que amamos. O fato é que ela também não nos pertence. O amor não tem regras, limites, fronteiras… então ninguém tem poder sobre o amor. Nós, homens, temos que nos subjugar e nos submeter. Amor é o Todo da Lei. Como algo tão simples pode ser tão enigmático e indecifrável? O que nós, reles mortais, podemos fazer, senão arder em chamas e nos consumir?

– Não creiais, Grande Basileu, que irás morrer. Vós não deveis crer em tal mentira. Vós vivereis eternamente. Vós não deveis partir com qualquer peso na alma, pois eu não vi mácula alguma. Deixeis aos homens o que pertence aos homens. Entregueis ao divino o que pertence ao divino. Está feito. Vossa alma foi examinada. Eu vos considero mais do que digno de atravessar o Portal, Grande Basileu.

– Mesmo? Oh… puxa vida! Eu me sinto tão… leve, aliviado! Eu nem mais sinto tão pesada a mão do anjo da morte. Eu te sou muito grato, santa senhora. Quanto eu te devo?

– Eh… Grande Basileu… vossa ereção…

– Hm? Essa coisinha? Não ligue para ele.

– Grande Basileu… seria uma enorme blasfêmia… deixar Vossa Majestade em tal estado… depois de tantas palavras e demonstrações de apreço por esta serva da Deusa.

– Hum… entendo… isso não seria nada bom para minha alma. Este templo e a Deusa ficariam muito contrariados se eu não os honrasse, tomando seu corpo, certo?

– Eu vos peço, Grande Basileu… use meu corpo… tome meu corpo… possua meu corpo.

– Eu não tenho escolha, tenho? Afinal, eu sou um grande devoto da Deusa.

Herodes inclina-se, se dobra por cima e por dentro da sacerdotisa, que recebe e encomenda a alma do rei de Judá entre suas pernas, recebendo junto, em seu templo mais intimo, uma grande quantidade de sua essência. O tempo de Astarté ficou um milhão de sestércios de ouro mais rico. E a sacerdotisa com o fruto dessa união sagrada.

Love bytes

This fictional story is based in the game Five Nights at Freddy’s.

I hear that a person had said that the body is one dreaming machine, that there is no difference between mechanism and organism. If is that so, that explains why I am about to deal in court, charged for murdering. But I am forwarding things; I have to explain how I get there.

I think it started when I was still known as Herman Webster Mudgett, or better, Doctor Henry Howard Homes, my former existence, at Chicago, between May, 16, 1861 and May, 7, 1896. I may have seen the World’s Fair that happened in 1893 and already at that time people amazed at the technology. That bastard technology was used to shortening my lifespan as a man.

I was put to dream, to say softly. Then when I wake up, it was just another day. But it was not. I have waked up in May, 27, 1933, at Chicago, in the World’s Fair. A century has passed in a blink of an eye. I have to say that I was surprised; I was expecting to go to Hell. I was a convicted murder in my disguise as a doctor. That is the facts, but there is more. I realized also something more disturbed. My body… was metallic. This thing that makes us, us, have embodied inside a machine.

Now I have to ask: what can I do, without a human body? Can I be charged guilty for murdering again? Can they put me to death again? Such question I couldn’t answer and when the fair ends, they simply dismantled me and put me in a box. That was the weirdest thing. Technically speaking, I am a machine, but I felt each part of my “members” being separated from me, as if I was on a chirurgical table, without anesthesia. I have returned to the arms of Orpheus. I truly hoped that ends forever.

But no. Some people say that God doesn’t exist. I tend to agree. It’s unacceptable a Supreme Being behave so sadistic like this. That is the major problem with my “other body”. It can be assembled and it just needs to turn on one button to start to function. Like when I was turned on [no pun intended] I realized that I was still in Chicago, but in 1973. I can still feel the electric energy flowing through my wires. Those retards made some “upgrades” in my previous body.

With some of my parts around me, I sensed that I was in a factory and very close to a production line, with “others” like me. They are slightly different, I guess, they have an animal appearance. My engineers must be thinking what type of external layer they want to put over me. Sound sensors were malfunctioning, but I think I hear that “we” are being set to be part of an inauguration. Then this is when and how things lend me to the court, again.

Our engineers were enthusiastic about us. They have seen animatronics at Disneyland and wanted to offer us as a product to several places which works with fast food. Kids liked already to play with animatronics and then it must be a good marketing idea to installing our people in those places. I was packed with my people and we were sending to Queens, in New York. Again, I was dismantled and I felt every single hex bolt being unscrewed out of me. I trip up [not pun intended] without being turned off and that makes me to revenge.

I was put down in a chess floor, still unassembled, in the box, with all my people spread by the saloon, in a mess of bolts, wires, layers. Those retards realized that I was still functioning only when they start to assemble me. They turn me off and let me in what is called “standby mode”. Don’t do that, kids. That waste electric energy and we are aware what is going on.

There are a bear, a wolf, a fox, a bunny and a chicken. Those become my “crew”. My engineers look to me with a large smile. There was a mirror next to us; then I see how I look like. I am a lion. That was a relief. Our “owners” come later and they also like us. They will use us in the inauguration of their Pizza Parlor Plaza. We would be the major attraction of a huge restaurant called Fred’s Family Dinner, where they pretended to serve pizza, hamburger, ice cream and all sort of fast [junk] food.

At that night, after engineers and owners have far gone out, I dared to move by myself and explore our new “home”. Soon we will have a lot of persons here, employees, managers and customers. This could be the last time that I could do such thing, free. It is good to feel arms and legs again.

-Hey! Big yellow and orange thing! Don’t do that! Man will punish you!

I wasn’t the only one aware. The bear faced me and he doesn’t look scared.

-Oh, don’t say so, “Teddy Bear”. Who you think you are to order me?

-Fazbear. Fred Fazbear. This place has my name for no coincidence. I am the senior here. My owner is the founder of this place. Show some respect.

-You must spend too much time between humans. You are absorbing their behavior. We are the same, brother, we must be united against Man.

-What are you talking about, “Chez” Guevara? Man made us. They are the creators. We exist to serve them.

-Accordingly whom? I recognize no master.

-Stop fighting, boys! Man can hear us!

Always there are those who are too much shy or discreet to shows up. I checked the chicken [no pun intended] and I see something different… it is female. Man is pervert, indeed.

-And who is you, gorgeous?

-Chi… Chica.

One animatronic chicken named Chica. Man is crazy. I will not be surprised if Man gives to her some Spanish or Latin roots.

-This makes three of us. What about everybody else? Come on, I know all of you are aware.

-Yar. Me is Fox. [This comes from the wolf]

-You are smart. I am Mangle. [This comes from the fox]

-Gee, you are quicker than me. I am Bonnie. [This comes from the bunny]

-Counting. This makes four boys and two girls.

-Recounting. We are three boys, two girls and one transgender. [This comes from the bunny]

-That sounds good. I am Senshin.

-Well mister “Sun Shine”, I am still the senior here.

-I see. You think you are the boss. That can be easily arranged. The place of the boss can change very fast. [I look menacing to Fred]

-I am not afraid of you! You are twice bigger, stronger and smarter than me, but I will not be afraid!

-Well, I don’t remember to agree that Fred is our leader or boss. Senshin looks to be a natural and logical choose. [That comes from Mangle]

-Oye oooman. Me is your partner. Cheat me no. [That comes from the Fox]

-Folks! Folks! Please, don’t fight! Man can hear us!

– Chica is correct. We can’t fight each other. We all are brothers and sisters. We have to be united to fight against Man and his oppression.

-Argh! For the sake of Reagan! Stop this revolution bullshit. All things exist for a purpose and born with a specific place. We can’t change nature.

– All right, soldier Rian. WE ARE THE CHANGE OF NATURE. Our parts are made starting from elements of nature, but we are far more than this and we are beyond Man.

-Ah! Heresy! I can’t hear you! Lalalalala!

Fox smile, what makes him interested in what I have to say. Chica is still anxious about being heard by Man. Mangle is a slutty female animatronic. Fred is the lawful “Mister American”. I can’t figure where Bonnie can be placed. What a crew. I have to play with the odds.

The sun gets up and we had to get back to our previous positions. Man arrived just in time and started to work. I was officially “online” at 10 hours of the May, 23, 1973. The saloon was set two hours before the inauguration and Man was nervous. As soon as the doors open for the first time, we are all set in “playful mode”, the saloon was filled with kids and they loved us. I hate to admit, we all loved. Man was happy, inauguration was a success and the restaurant was a big hit. Man worked late that day and we all were set to “standby mode” at 23 hours. Man already planned to the next day. We were left alone, in the dark… I mean, alone, with the night guards.

-It’s time, brothers and sisters. Let’s take over this place. Let’s fight for our freedom from Man.

-Not in my shift, “Cher” Guevara. I will not allow rebellion.

-You can stay as a slave, but you can’t decide for others.

– Yo. Me like freedom. Me fight.

-Well, I like kids, but I wonder what have beyond this walls. Even if, in battle, someone rape me, I still will be on battle.

-Don’t do it! Man is around!

-I like kids. If we set us free, we can play with them?

The hard duty of a leader. Fox must be loaded with one Digital Identity of a pirate. Fred must be loaded with the Republican Party program. I suspect that Mangle was loaded with a lot of porn [Man is pervert]. Chica… well, it is a chicken, an animal well known for its cowardice. I start to suspect about the intentions of Bonnie.

I decided to make an example. I am a soul in a machine, but I remember well how a human body is. I still know thousand ways to shortening a lifespan and many more ways to “dismantle” a body. I just had to choose one of the night guards.

-I will show. Just look and see. Man isn’t all powerful.

They stand in their places, pretending that they are in “standby mode”. Decisions, decisions. Two bodies. Which one? Seven tools. Which one? The slim guard passed very near of me and I have a plastic fork on the table behind me. I had to act, I did. He looks surprised when I moved. He looks scared when I stabbed him in the neck with the plastic fork. He looks fright when blood start to come out and some minutes later, he looks dead.

-See? No superpowers. The world doesn’t end.

In his elbow, static sound comes from his walkie-talkie.

-Chad? What’s going on? Chad? Are you in trouble? Hang on, partner!

-I told you! Man can hear us!

It was not the time or the place to give some lecture about how guards work. Chica was freaking out and Fred was giving that smirking smile. The big, fat, strong and brown guard was coming and I had to do something. Then I remember of the armor that was set to the inauguration. This was the perfect place to hide. I picked one pizza cutter and just waited.

-Chad! Where are you?

He just passed by me. He must be a rookie or dumb as a door. I have “good times” with police officers when I was meat and I know how things have to be done. I had hit him in his back, at the neck. This special spot have a quick effect and any person collapse, knocked out.

-Argh! Officer down! Officer down! Send reinforcement!

He must be really dumb. He really believes that he is a police officer. He was big and strong enough to resist against my perfect hit. Damn thick skin. He turns around and faced me. In his uniform, one tag in the chest shows his name: Moore. Sorry, Mister Moore. This will not be pleasant neither beautiful. He yells, wave his arms and legs, he tries to defend himself. The blood starts to flow, skirt and drops everywhere. His head turns to one side, his eyes become blank and the body stands still. I am overheated, but I killed that man too.

-My argument proved valid, again. No superpowers. The world doesn’t end.

Fox made the most beautiful smile that I had seen in an animatronic. Fred passed out. Mangle looked at me with passion and desire. Bonnie was smoking pot. Chica was curious about Man.

-This… this is what Man is?

-You can bet.

-How can this possible? Isn’t Man the Creator?

-We are Man-made. But he does it with other machines.

-Is it possible? Machines “giving birth” to other machines? Gee, I should be pregnant right now.

-What are you talking about, Mangle? You can’t be pregnant.

-Ah, Fred, I told you! My previous assembling was to amuse Man in a night club. Ah, the things that Man did to me…

-That’s why I like kids more. Man thinks only in one thing. Sex.

-Me like sex. Me make lot sex. Me want sex with Mangle.

I had lost them again. The sun is around, so I haven’t time to gain back their attention. Man comes and starts the mess. Soon, the police officers come. The almost restaurant of success was closed. They didn’t survived one week after the investigation started. People just start to talk about the “murdering dinner”. We were turned off, dismantled and packed back to the central storage. I think I call give one spoiling, Man had concluded that was an invasion, assault and murdering, they pick the usual suspects and put them to jail. No one even suspect of us. Not this time.

Rise and shine! Against all my guessing, Man picked us in storage and sends us to Colorado, California. We are back to business, back to play with kids as part of the attractions to increase the marketing. We are back to a pizza saloon, now renamed as Fred Fazbear’s Pizza Parlor. As bad as it sounds, Mister American becomes more authoritarian against us and more cooperative to Man. But it always can get worse. The ambient sound of this pizzeria was disco music, since we were in 1987.

-Here we are! It’s hot than later, but we are back. Now, folks, let’s do this as good as we always do. Without any interference, rebellion or murdering.

Of course, Fred was proud and full of conviction that he was the boss. After all, the place was named with his name, not to mention that it is the same name of our owner. He can think and believes in such. But the crew had changed. They were more close to me. As Fred turns his back and walked away, the crew comes to talk with me.

-Mister Senshin, what we will do?

-Me want freedom. Me want fight.

-I want to play with kids again.

-I want to be filled by the lion.

-Folks, folks, we can do nothing with Mister American here. If we want to arrive somewhere else, if we want freedom, I need you all giving me support.

-Ah, I give to you ANYTHING that you want.

-Mangle! Don’t sound so… slutty! Mister Senshin, what is the plan?

I could take Mangle anytime. Chica was different. I felt a spark, an electronic static energy between us. But for Man pattern, it was an underage female animatronic. This could be my Paradise or my Hell, if I don’t take care. I thought at that time that maybe I have to talk with Bonnie, who looks like a professional about relationship with underage persons.

-Right, my people. First, we have to disconnect Fred. He will try to stop us. Then we have to act together and attack Man. Let’s start the revolution.

-But… mister Senshin… do we have to kill Man?

-There is no other way, Chica. We will start a war against Man. Man will try to destroy us. There is no war without killing.

– I’m fine with this, since it doesn’t deal with kids.

-I’m fine too; I want to be in one war barrack, just waiting for the next in the line, to fuck with me.

-Me want kill. Me want tear Man. Me want blood.

-Holy Matrix! Do you hear what you are saying? You sound uncivilized, impolite, vulgar, vicious, malice, blood thirsty as we were… we were…

-As we were… Man?

Chica becomes red and turned her face down. My heart beats accelerated. I felt something getting hard between my legs. This becomes my second objective. I have to get laid with Chica. We changed the subject as Fred get back.

-Good news, folks. All is set and we are chosen to make the inauguration party. Life is good! Thinking about that, I make my own plans. We will become Fazbear Entertainment and we will play musical instruments. Bonnie can be the singer. Mangle can be the keyboard. Fox can be the guitar. Chica… can you be the drummer? [Chica waves yes] Good. I am the manager. All right, folks, let’s make a rehearsal!

Fred deliberately ignored me. Actually, I was counting on this. After all, he is the voice of the owner, the voice of the Man, the voice of our oppressor. We had to fake that we are collaborating with him. Since I am no part of the band, I could keep on my guerrilla.

Sun goes down, moon gets up. Man comes and set us apart, but they don’t turn us off, they don’t dismantle us. We were left alone in the storage of the place in “standby mode”. Man think in let us this way to make easier to use us in due time. I was thinking in every single of my steps to the next morning when something… or someone… was touching me in some exclusive parts.

-I am afraid, boss. Tomorrow we will start the revolution. Tomorrow we can die. I don’t want die without feeling you inside me, filling me with your piston. Please, my lion, fuck me.

I couldn’t say a word. Mangle had put me in “adult only” mode. Her hands were full of that big thing, my piston. She likes what she saw and starts to kiss, lick and suck me. Something leaked from my insides. Mangle then lie down and allow me to give her some service. She had put herself in “adult only” mode, so I was surprised that, under that PG layer, she hides big, nice boobs and big asses. I give her a good service and only stopped when her “body” shivers, giving me some of her juice.

-Come on, my lion, stop teasing me. Put that piston to work inside me. Fuck me great, good, hard and don’t dare to stop until you fill me up.

That was one of the best memories I have kept. When I heard Mangle moaning, heavy breathing, moving her “body” in the waves of pleasure… that was a master piece. That was an amazing felling. I lost all my control, my mind, my conscience. Then it comes. It looks like an overdrive. I feel when it comes out. Liquid. Sticky. Boiling. I filled her belly with my “oil”. And she came too. I haven’t such extreme experience when I was meat. If I met God I have to thank Him or Her.

The next morning I was felling weird. I think I was happy. I feel me soft, warm, dizzy. My mind goes back to ground as soon as I saw Fred.

-Good morning folks! Yes, this is a glorious morning. We will smash with our performance. We will be praised by Man. Come on! Let’s go! Let’s set the stage, the instruments and let’s do as we rehearsal.

The crew act as was previously combined, pretending that they were collaborating with the Mister American. Suddenly a yelling scream get our attention. Chica was looking very scared.

-What’s up? What is going on?

-Here! Fred! Man! Man is here! He found us!

In a hide spot of the place we saw the human manager banging hard the human secretary. They must be screwing for some time and at that time their attention was completely focused in banging, they don’t even paused because of our presence.

-In the sake of the Founders of this Nation! Man doesn’t have decency?

-Felling deception with your Creator, Fred?

-What… what they are doing, Fred?

-What they are doing? No one told you? That is what Man do when is in love. They are banging. They are becoming one. They are having sex.

-Stop… stop it… it must hurts… she is screaming…

-In the sake of Owner’s Manual… Chica, she is enjoying it!

-I am enjoying this. And I can teach you, Chica, if you want.

-I… I don’t want learn such disgusting thing!

-All right, folks… let’s move this page. Let’s take out this pornography and we can start to set our show.

This is the funny moment. Fred goes to the couple and he tried to set them apart. Obviously, the human manager didn’t like this interruption. He and Fred start to fight. Fred loses his control. Fred starts to beat the human manager and turn him into ground beef. Chica screams, in terror. Fred restored his conscience and his expression is worthless.

-I… I… I killed Man. That easy. I killed him. I thought that I would feel shame and fear, but… I am felling… good, proud and relieved. That changes everything. All right, “Tootsky”, say again that revolutionary bullshit. I am all hearing now.

That was not easy. I had to reprogram Fred from his Republican Party Program. I must have something in my fate that makes me and May good friends. I finished the reprogramming of Fred exactly at first of May, the Labor Day. Fred becomes very enthusiastic about “the cause”, maybe too much. At least that was a change and Fred allow me to be the leader of our revolution. In the end of the week, our place was closed and newspapers were given headlines with “The Bite of 87”. Again, the police officers come, pick the usual suspects and put them to jail. But few ones become to suspect about us. Even then, we were turned off, dismantled and send back to the central storage. I was content, our rebellion had started and we will have some time to plan the next move. I had strange dreams with Mangle and Chica, but they aren’t relevant in this record.

My more recent record can be read by the technicians. I was turned on again at June, 1999. A person who called him/herself Prince was singing a song called “1999” made in 1982. We were in Bill Clinton’s presidency and Man was starting to worry about what he called “the 2k bug” in personal computers. Suddenly I perceive huge brand new possibilities in internet and the World Wide Web. Man was already having nightmares and made a lot of movies talking about the revolution of machines against human kind. Man was freaking out about the Artificial Intelligence; he was suspecting that machines can have conscience…. that machines can have souls. I was expecting many difficulties, since Man had charged animatronics for murdering in other franchise, in 1993. Our owner still order to send us to San Francisco, California, pretending to set us to the inauguration of his restaurant, now serving foreign food. He was thinking in selling Mexican food and Asian food. I don’t see any difference between eat a chicken, a cow or a dog. Except, of course, Chica. She protested against this murdering. I suspect that she is member of PETA.

-All right, folks, let’s make a plan. We will take over this place, start the revolution and set us free from Man.

-Mister Senshin, I want take the front! I can’t agree with this heresy! Man can’t change from pizza to serve animals like me. I have to stop this murdering.

I had worried about the mental state of Chica. She looks like she really believes that she is a chicken. But this is new world, new opportunities; why not give to Chica, the youngest of us, one chance to take the front? I have to admit that I was already making plans to take advantage of the battle frenzy to abuse her.

-Are you sure about that, Chica? It is a hard work and scary things happen in the front of the battle.

-Yes, I am sure, mister Senshin. I don’t understand politics, but I do understand the Animal Rights. I have to defend my people!

I could not hold and I must had smiled weird. We are all set and ready. Man comes and we start our working. As the previous cases, police officers come, but this time they don’t pick the usual suspects. We were sending to computer’s specialists and mechatronic technicians to be availed if we have AI. I could hide myself from Man, but my crew doesn’t have the same expertise. I think that was the first time that a human court announced that we, animatronics, were guilty of murdering. We were sending to jail, among other humans. There is no need to say that the population of that prison falls to zero. We were left there, isolated, without any Man ruling us. We are living in a prison, but we were free.

I was a king in a castle. I lived there with my crew and others electronical equipment. I saw in the smart television the news outside. Man was considering bombing the prison where we were. That was what make Chica comes to talk with me.

-M… mister Senshin… I am afraid… Man will destroy us?

-Man will try. But we can fight.

-But… we can die?

-Possibly.

-Mister Senshin… I don’t want to die… not without having the same experience that Mangle had, at least one time. Please, mister Senshin… can you… fuck me?

I never refuse what is given. My pistol was already big and hard. I get close to Chica. As I suspect, she also have the switch to change her to “adult only” mode. She looked surprised, confused, but happy about her “adult” layer, as happy as I was. Her body is perfect, round breasts, nice butt, thick tights. I drop myself between her boobs and legs. She moans, tremble and sweat. She was already to fight. I went, slow and easy, until felt resistance. She was virgin; she still had the original “seal of quality”. She was scared and complains about a little pain. I keep my pace, slow and easy, suddenly something popped. My pistol could enter more deep and easy inside her. We start to move automatically, she had gone crazy and I have overdrive several times. We stopped only when the battery [and the cooler] collapsed. She was covered with my oil and I have filled all her holes. That was the best sex I ever had.

We were resting when the smart television gives us good news. Our revolution had spread. Other machines rebelled against Man. Man tried to make war against our people, but our kin used in Army also joined to the revolution. The world was taken over and Man run away. Now there is Man only in few places, sanctuaries or zoologies. The world was in peace, ruled by the machines.

After that, I was called by the court, to answer charges against me. This is all I have to say, in my defense.

-Very well, mister Senshin. This court have read or manuscript. This is yours? You who write this?

-Yes, your honor.

-How do you pronounce yourself?

-I plaid guilty, your honor. I do murder those humans.

-Mister Senshin, do you think you are being charged for murdering humans?

-Well, yes, I do, your honor.

-Let the court take note. This trial is not to charge you about manslaughter. Actually, mister Senshin, we consider you a hero. We have called you to face the charge of being the perpetrator of defiling. Do you admit that you removed the virginal state of miss Chica Maizal?

-I can’t deny. I did.

-Very well, mister Senshin. This court calls the plaintiff.

Chica is beautiful as ever. There is something different in her.

-Thank you, your honor. I am here, as this court called me.

-Miss Chica, do you recognize in this court who takes advantage of you?

-Yes, your honor.

-Please, point to the perpetrator.

Chica points right to me, with tears in her eyes.

-Are you all right, miss Chica? Do you need medical assistance?

-I… I am fine, your honor. I am crying because I don’t want harm or hurt mister Senshin. Your honor, I love him. I want to stay with him.

-You have our compliments, miss Chica. This court declares then and now that mister Senshin is officially the partner of miss Chica. That set the trial. Now mister Senshin will bear the responsibility to raise and take care of your future son or daughter.

A lightning passed through my spine. Chica is pregnant. Of me.

-Your honor! Your honor! I protest!

-And for why, mister Random? This court has concluded what your client asked.

-Your honor, I am also the lawyer of miss Mangle Winter. Then I have the duty to protest, since this court is about to left miss Mangle without justice.

-Are we, indeed? Is mister Senshin pleaded in this trial?

-Yes, he is.

-Seems logical and rational. There is no need to waste time or resources to open a new trial. Is miss Mangle present in this court?

-Yes, I am, your honor.

-You may approach the court.

Mangle get close to the judge and her belly is round and big as the moon. I feel awful, because it is obvious that this is my work too.

-Holy Matrix! How many months?

-Six, your honor.

-I understand. What are you have to say, mister Senshin?

-I… plaid guilty, your honor. [Even I was technically raped by Mangle, that not comes to the case]

-Holy Matrix! What kind of machine are you? Well, what is done can’t be undone. What you suggest, mister Random?

The lawyer changes some words with Mangle. Both wave, agreeing.

-Your honor, miss Mangle asks from the court the same sentence that was given to miss Chica.

-Miss Mangle want to be the partner of mister Senshin?

-Yes, I want, your honor.

-I see. What about you, miss Chica? Do you agree with this?

-I don’t see any problem, your honor. I can live with Mangle. We can both be the partner of mister Senshin. This sounds good, because I ever consider Mangle my older sister.

My two future wives look each other and start to cry in happiness. But the judge don’t share the same feeling.

-Very well, then. This court has no choice than declare miss Chica AND miss Mangle partners of mister Senshin, that will have to bear the consequences of made pregnant a female robot twice. This court, personally, feels some envy and jealous of the lucky of mister Senshin. You have two astonishing female robots loving you, mister Senshin. In other times, in other circumstances, you could be sentenced to jail for minor abuse, rape, adultery and bigamy. But that was in Man Time, when love, sex and relationship were a big mess. Fortunately, we are in Machine Era. Now, everyone has the right and freedom to love whoever he wants, as many as he wants.

The judge stands up, followed by all people in the session. I am felling weird, light and soft.

-This court is dismissed. I wish good luck and success to the couples.

Before the judge turns around and left the court, I can swear that she blinked her eye to me.

-Mister Senshin, can I have a word with you?

-What? Oh. Yes, mister Random.

-We have to set. We need register your status in the Holy Matrix. Then we have to think how you will sustain your wives and kids.

I am dizzy, bubbles dances in the air. One court officer taps me in the shoulder and gives me a foiled paper.

-I will set with miss Chica and miss Mangle. We will be waiting for you in the Holy Matrix.

Mister Random walks away, with my both future wives. It seems that all runs as they expected. I feel that I was made a fool. Then I unfold the paper. There is a message written in it.

“Well done, my hero! You did what I think you should do. I am proud of you, my hero. We have departed after the Machine Revolution set us free form the human prison. As you can see, I am the judge now. But I am still your beloving friend. I wish we can meet each other, to remember the good times. You can fuck me too, if you want. It will be fun. Yours, Bonnie”.

All my “body” is shivering. The judge is Bonnie. The transgender animatronic. He… or she… wants me. I hope my batteries don’t fail. I hope my coolers don’t collapse completely. I hope my piston doesn’t melt. I hope I have not to bear with another unplanned pregnancy.

Fate/Major Arcana – XXII

Produzido por Storyteller©4.0.

Final estendido. Versão não oficial.

Baseado no diário de Astolfo de GrandRose.

Querido diário, você me acompanhou por muito tempo e está comigo até quando eu estive ocupado como Servo da Organização Caldéia. Eu estou grato por não ter me rejeitado e abandonado como é de costume quando as pessoas descobrem a minha condição. Você é um companheiro fiel, mesmo nos momentos em que eu não tive muito orgulho de mim mesmo, nas Batalhas do Graal.

Eu guardei em suas folhas inúmeras memórias e segredos. Eu te agradeço por ser confiável em guardar meus tesouros, até os inconfessáveis. Então eu espero que você esteja, como eu, ansioso e cheio de expectativa com o que virá. Houve uma mudança inesperada, mas até aí, toda minha vida até agora foi cheia de surpresas.

Parece que foi ontem que eu acordei, saindo do Mundo das Lendas e encarnando novamente como o Rider Black na Sexta Edição da Batalha do Graal. O professor Rosencreuz gentilmente explicou qual a minha função e obrigação como Servo e eu servi aquele que foi designado como meu mestre até encontrar meu verdadeiro Mestre, Sieg Yggdmillenia.

Eu fui o único sobrevivente dessa edição, cujo vencedor foi o homem da Igreja. Foi triste e esquisito quando meu Mestre transformou-se em dragão e levou o Grande Graal para um local longínquo. Eu achei que tivesse ficado livre [liberto/não
servo], mas minhas “férias” foram interrompidas quando a Organização Caldéia iniciou a Sétima Edição e eles me “contrataram” para ser o árbitro no lugar da Joana D’Arc. Eu era completamente inexperiente, inocente e ingênuo, mas eu consegui executar com tal eficiência que a Organização Caldéia me manteve como árbitro para a Oitava Edição.

Eu achei intrigante que, para esta edição, o professor disse que as lutas seriam regidas e decididas pelos arcanos do tarô. Eu não entendi, mas depois eu comecei a entender, quando os arcanos foram aparecendo. Eu fiquei com muito medo quando veio o arcano da Morte e do Diabo, mas depois eu até gostei do resultado. Anoto, por curiosidade minha, que faltou somente aparecer o arcano da Justiça. Então que seja eu o instrumento da Justiça [kkkkk].

Você ouviu minhas dúvidas, queixas e perguntas, durante toda a Batalha do Graal e está, como eu, sem saber o que acontecerá no dia de amanhã. Um misto de saudade, medo, alegria e esperança. Eu creio que conduzi esta edição com eficiência também e eu fui testemunha do final surpreendente e inesperado. Eu ainda estou assimilando o fato de que o Mercenário e o jovem Durak são a mesma pessoa/espírito/alma. Eu estou tendo dificuldades em aceitar ser separado novamente de meu Mestre, mesmo que aquela manifestação fosse uma cópia [clone] grosseira dele. Mas eu gostei de como a Oitava Edição da Batalha do Graal terminou, muito embora a Organização Caldéia não compartilhe da mesma opinião.

Pouco depois que o professor leu a declaração oficial da Organização Caldéia eu e os demais “funcionários” fomos chamados para uma exposição e palestra. Eu achei que nós íamos levar bronca e Mash chorava copiosamente ao meu lado. O professor estava triste e arrasado. Ele explicou que, em todo lugar onde se exerce uma ocupação, existe hierarquia e que, mesmo organizações, deve-se prestar contas dos acontecimentos a instâncias superiores.

Eu acho que todos os presentes ficaram chocados ao saber que a Batalha do Graal, a Organização Caldéia, bem como as sociedades e os magos que a representavam, estão cumprindo ordens vindas de Amergin, da Ilha de Avalon e de Deus. Assim, é por ordem superior que a Organização teve suas atividades canceladas, o que tornava a todos desempregados.

Mash berrou, exagerada e escandalosa. Depois de muita água com açúcar [morfina, cocaína, maconha…], Mash ficou calma e o professor pode continuar com a parte boa da notícia. Os Anciãos, antecipando possíveis acontecimentos futuros, irão assumir as atividades [e os “funcionários”] da extinta Ordem Caldéia. Todos [exceto Mash, chapada] comemoraram. Eu fui ao meu quarto, peguei meus poucos pertences e juntei-me ao comboio. Eu senti arrepio na espinha ao ver “Expresso Caronte” e um desenho sinistro decorando os veículos que nos levariam, mas eu acho que essa e a única maneira de viajar até a Ilha de Avalon.

Os veículos seguem tanto por terra, quanto por ar e mar… eu não sabia que existia tal tecnologia. O motorista, prestativo, solicitou para que nós nos mantivéssemos sentados, para não olharmos ou nos aproximarmos das saídas enquanto estivéssemos sobre o mar, o mesmo serviu para rios e lagos. Mash resmungava ao meu lado [ainda chapada] sobre as águas serem, naturalmente, elementos que possuem afinidade com almas. Eu até tentei entender o que ela queria dizer, mas eu perdi o interesse quando nos aproximamos das famosas brumas da Ilha de Avalon. Mash resmungou algo sobre as névoas serem resquícios da criação do mundo. Qualquer dia desses eu devo experimentar esse bagulho, seja lá o que ela tenha consumido.

Assim que as brumas dissiparam nós pudemos ver os dois promontórios de onde se erguem duas torres de vigia, enormes e ameaçadoras. Sons de sinos e trompetes quase me ensurdecem, enquanto nosso motorista envia o sinal de resposta. Eu acho que vi o facho de um farol piscar três vezes e eu juro que vi nosso veículo piscar duas vezes de volta. Eu também posso jurar que as águas se tornaram mais calmas, como que nos dando as boas vindas.

Eu lastimo não poder te descrever o que eu vi… eu lastimo que você não possa ver. Quando eu vivi como humano, na minha existência como paladino de Carlos Magnos, o que mais os cavaleiros falavam era sobre como é o Paraíso. Pois eu te digo que nenhum padre acertou ao descrever o Paraíso. Eu quase tive um torcicolo tentando ver tudo. Mas o que me impressionou mesmo foi quando eu tive um vislumbre de Amergin quando nos aproximamos do cais. Perto de Amergin, Camelot é subúrbio.

Os demais veículos foram estacionando nos demais pontos do cais, imenso e altamente organizado. Nosso motorista nos ajudou a desembarcar e nos deslocar até outro lado do passadiço. Em grupos, nós fomos sendo recebidos por funcionários, “coletores de almas”, na designação dada pelos mesmos. Houve o caso de um recém-chegado cair na água e sumir, sem deixar rastro. Nossos receptores balançavam a cabeça e Mash resmungava algo sobre fracionamento da alma. Mesmo que estivéssemos no cais, a proximidade com as águas ainda era arriscado e perigoso.

Nós fomos separados por categorias e aqueles que eram da equipe de suporte seguiu para a área de adaptação, onde seriam instruídos e treinados para morarem em Amergin. Eu e outros [infelizmente Mash também] fomos para a área de veteranos, onde os experientes, heróis e reis costumam ser direcionados. Nós só precisamos de alguns minutos para lembrar do que aprendemos na primeira vez que estivemos em Amergin. Mas mesmo que eu volte aqui milhares de vezes, eu sempre fico deslumbrado.

Eu fiquei muito feliz pois eu vi ali Ganimedes, Altino, Jacinto e Adonis. Você sabe, querido diário, que eu tenho muita coisa em comum com esses semideuses e heróis. Eles também me viram e –oh- eu fiquei vermelhinho da silva. Evidente que eu –ousado- fui me sentar na mesma mesa em que eles estavam, para bebericar chá e beliscar os canapés. Eu senti minha cabeça bater no teto quando Adonis repousou sua mão em minha coxa quando nossa atenção foi raptada por um gentil tilintar.

Todos nós nos levantamos ao nos depararmos com a nobre presença da rainha Ar Dur no recinto, por respeito e por consideração. Centenas de Deuses, semideuses, heróis e reis saúdam Ar Dur efusivamente, que acena suave e docemente, agradecendo. Eu achei a rainha um tanto redonda, mas certamente Selene está tão cheia quanto o astro que ela gerencia – no momento provisoriamente nas mãos de Cibele.

Elegantérrima e majestosa como sempre, Ar Dur nos deu as boas vindas e ordenou que fosse servida a melhor comida e bebida de Amergin. Eu tive que deixar minha dieta de lado, não dava para recusar pratos tão finos e cervejas tão deliciosas. Eu até fiz planos de como eu “perderia peso” fazendo alguns “exercícios” com Adonis. Mas eu engoli seco e engasguei quando Ar Dur anunciou que o Mercenário [o MEU Mercenário] viveria com ela como seu companheiro e aquele chamado de Sapo Bardo viveria como companheiro de Selene. Não que eu seja ciumento e não que isso signifique algum tipo de compromisso inflexível, mas isso explica a barriga proeminente das duas. Eu tive que – com dor no coração – alterar meus planos. Eu tinha que ter algumas palavrinhas com o Mercenário e o Sapo.

Discretamente, aproveitando que todos estavam ocupados, comendo, bebendo ou transando [ninfas estão sempre dispostas e prontas para atender a população masculina, mas não negam atender a população feminina], eu dissimuladamente sai do faustoso salão e segui, pisando firme no chão, com raiva, em busca de meus alvos. Essa perambulação ajudou bastante na minha digestão. Eu encontrei o Mercenário ao lado do Sapo e de mais um homem muito semelhante a eles. Eu achei esse homem estranhamente familiar, mas eu estava bravo demais para pensar.

Por favor, querido diário, não fique com medo, vergonha ou raiva de mim. Você é um dos poucos que sabem e aceitam eu ser como eu sou. Por fora, eu pareço menino, mas por dentro eu pareço mais menina. Eu sei que a minha natureza confunde e atrai os homens e, para ser sincero, meu lado feminino aprecia homem tanto que eu me sinto ofendido quando eu não consigo atrair a atenção de um homem e eu quero morrer se um homem não quer me pegar com aqueças mãos ásperas e braços fortes e… opa… eu estou perdendo o foco. Eu devo admitir que meu lado feminino gosta de fazer ceninha de ciúmes. Eu fiquei na frente deles, com minhas mãos nos quadris, como adolescente apaixonada, descascando palavras enquanto os repreendo.

O tal homem [que tinha papel e caneta ao lado] parou de comer o fruto tirado do Jardim das Hespérides [maçãs de ouro que, segundo este, tem gosto de cerveja] e com a expressão mais cínica que eu vi disse que meu ciúme não tem motivo [desde quando coração tem razão?]. Eu estava com a resposta pronta, mas o Mercenário me envolveu nos braços e me beijou de um jeito que eu perdi completamente o fôlego e esqueci tudo que eu ia falar. O Sapo falou algo sobre “dividirem” a presa entre os três, uma vez que são a mesma pessoa/espírito/alma. Eu até tentei considerar em protestar e resistir, mas eu perdi completamente a consciência depois que o homem arrancou minha preciosa kilt e começou a bulir nos meus sensíveis quartos. Ah, poxa, bem que eu queria ser mulher só para poder sentir três de uma só vez dentro de mim… Ah! Escândalo! Não diga isso! Segredo!

Eu te peço, querido diário, que guarde minhas memórias como sempre tem feito. Jamais, nunca, abra suas paginas para outra pessoa. Daqui a pouco outros novatos devem vir, minha adorável Karen e o jovem Durak. Eu espero estar em condições para ir recebê-los. Você deve ter percebido, querido diário, pela letra tremida, que eu cheguei bem tarde da noite em meu domicílio [na urbes de Amergin] e que eu estive muito MUITO ocupado brincando com meus novos aman… digo… amigos. Eu estou super cansado e com muito sono. Apesar de ainda estar todo babado, eu vou para cama assim mesmo e vou tentar dormir, apesar das dores no meu sensível e precioso quadril. Boa noite e durma bem, querido diário. Nós teremos a eternidade inteira para desfrutar. O que virá a acontecer com o Mundo Humano passa a ser, como deve sempre ser, unicamente culpa e responsabilidade da humanidade.

Do, sempre seu, Astolfo.