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Deixem as crianças em paz

“Coloca Xuxa que o Bruninho chegou.” Assim meus pais e eu éramos recebidos nas festas de aniversário dos meus colegas de infância. Todo mundo já sabia que independentemente do disco, o Bruninho, com seus cinco e sete anos, saberia (quase todas) as letras e coreografias da rainha dos baixinhos.

Ainda assim, só conheci o termo ‘criança viada’ na adolescência. Foi nesse período também que vi surgir o tumblr de mesmo nome, baseado no hype da troca de foto do avatar no Facebook e Twitter, em meados do mês de outubro de 2012.

“Fiz o tumblr compilando, sei lá, 10 amigos e amigas próximos, e fui dormir. No dia seguinte, fui pra uma entrevista de emprego e quando eu voltei o negócio estava gigante”, relembra Iran Giusti, criador da página. “As pessoas ficaram enlouquecidas. Na época, tivemos dois milhões de acessos e já no terceiro dia vieram perguntas: ‘você não acha meio de mal gosto em falar de criança viada?’ ‘Por que você está ridicularizando ou ironizando”? Falei que não tinha nada de ridicularização, muito pelo contrário, era uma celebração”, me diz ele.

Do tumblr, a série Criança Viada virou tema de obras com desenhos de crianças com as poses semelhante as fotos do tumblr. A arte de Bia Leite, exposta em agosto de 2016 na Câmara dos Deputados em Brasília, fez parte também da mostra censurada “Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”,cancelada por “desrespeitar símbolos, crenças e pessoas, o que não está em linha com a nossa visão de mundo”, segundo o banco Santander.

O boom da exposição veio quando o MBL (Movimento Brasil Livre) encabeçou o boicote à exposição. O discurso do movimento é que a série Criança Viada faz alusão à pedofilia. Partindo disso, eles criaram uma petição para pedir a doação de R$ 800 mil ao banco como reparo ao dano causado à sociedade, alegando que o dinheiro servirá para assistir crianças vítimas de abuso sexual.

Para além da nobre causa capitaneada pelo MBL, existe mesmo problema em ser uma criança viada?

Falei com alguns especialistas pra entender aquilo que eu vivi com naturalidade na infância. O professor do departamento de Psicologia Social da PUC-SP Helio Deliberador conta que “a sociedade, através dos seus mecanismos, coloca talvez um nível de repressão, de inibição, em relação ao próprio aprendizado da sexualidade”.

Deliberador complementa: “não existe ainda uma compreensão mais significativa para esses assuntos, ainda é uma coisa que tem valores muito conservadores que dificultam esse processo que se dá numa forma mais livre, liberta, para entender que homossexualidade não é doença, longe disso”.

 

O próprio Iran, do tumblr Criança Viada, lembra que o incômodo das fotos é que as crianças estão fugindo dos estereótipos dos papéis de gêneros — maravilhosas, fofas e divertidas. Mas a verdade, me conta ele, é que “sofrem muita violência, muita agressão. E não pelo fato de serem LGBT, porque sequer sabemos se aquelas crianças são LGBT”.

Maya Foigel, psicóloga e psicanalista do Ambulatório de Generidades (AGE) CAISM – Santa Casa, diz que estamos muito longe de quebrar os estigmas “para que as pessoas tenham mais liberdade de se comportar como achar melhor e não dentro de uma norma cisgênera, machista, e heterosexual. “

“Não é só uma questão de sexualidade, é uma questão sociopolítica”, aponta Foigel. “Mesmo pesquisando a transgeneridade nas crianças e quebrando paradigmas, mesmo sabendo que ser homem ou mulher pode/deve ser muito mais do que critérios de genitália, a sociedade insiste em achar que o problema está fora (no outro) e não dentro, em nós mesmos e nas nossas escolhas “, finaliza.

De repente, recordo dos apelidos como paquita, Xuxa, estrela, Brunete que me deram ao longo da infância e adolescência e das minhas clássicas poses criança viada ao longo da vida, e que de fato, nunca me incomodaram. Por todas as tentativas de barrar minha viadagem em todas as fases da minha vida, o jovem e a criança interna que existem dentro de mim sabem que, no fim das contas, não há problema algum em ser criança viada.

Autor: Bruno Costa [colaborador do Vice Mag. Seu perfil pode ser conferido nesse link].

Publicado originalmente no Vice Mag.

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Quando a lagarta vira borboleta

We Wear the Mask: 15 True Stories of Passing in America é uma nova antologia editada por Brando Skyhorse e Lisa Page que explora as várias razões sobre como e por que algumas pessoas se passam por outra coisa: “oportunidade, acesso, segurança, aventura, medo, trauma, vergonha”. Skyhorse, um escritor mexicano-americano que se passou por indígena norte-americano por 25 anos, e Page, uma mulher birracial cuja avó negra se passou por branca para entrar na faculdade, juntaram uma coleção impressionante de ensaios que abordam raça, origem, classe, orientação e nacionalidade.

O trecho abaixo, Gabrielle Bellot escreve sobre suas experiências como uma mulher trans não branca passando por uma mulher cis, e a validação — e o medo — que se seguiram.

– James Yeh, editor cultural.

A primeira vez que um estranho me fez uma proposta como mulher foi numa sala cheia de esculturas de um museu. Ele era um segurança da National Gallery, muito maior e mais alto que eu, e esperou os outros turistas saírem para começar a falar comigo. Na época, poucas pessoas sabiam que eu era transgênero, e eu tinha viajado para Washington, um lugar onde nunca tinha estado e onde não tinha família, me apresentando como mulher. Todos os meus documentos ainda tinham um H para o meu sexo e meu antigo nome, que não poderia ser de mulher, e minha voz ainda era grossa demais para não notarem que eu era trans depois de algumas palavras.

Era a semana de Ação de Graças. A neve tinha começado a cair. Eu tinha ido ao museu com um vestido longo preto, um casaco marrom e um batom vinho de romântica solitária, e mesmo sabendo que poderia passar por uma mulher cisgênero usando maquiagem, meses depois de começar a tomar os hormônios, eu não tinha pensado que ir ao museu seria diferente de como era no passado, como homem. As ruas e a viagem de metrô tinham me deixado um pouco nervosa, mas a cidade parecia relativamente vazia, e até aquele segurança vir falar comigo nada parecia diferente.

O guarda já tinha me visto comendo no café do museu de longe, mas só quando acabei naquela sala das esculturas com o mesmo guarda, realmente senti o terror de passar por mulher cis sendo trans pela primeira vez. Ele perguntou se eu estava tirando fotos “legais” com a minha câmera e se eu tinha tido um almoço “legal”, sorrindo muito enquanto se aproximava com cada pergunta. Instintivamente, fiz algo que me arrependeria nos meses seguintes. Em vez de ignorá-lo, sorri de volta. Finalmente, o guarda me perguntou de onde eu era. Gaguejei, “Caribenha”. Ele fez que sim com a cabeça, dizendo “Sim, sim” e que eu era muito bonita. Depois sorriu e me disse para ligar para ele para fazermos sexo

Fiquei tão assustada que não sabia o que dizer. “Talvez”, eu disse, com medo de que uma resposta negativa o deixasse nervoso. Então corri para o segundo andar. Eu devia parecer uma vítima de naufrágio, com os olhos arregalados e desnorteada. Um homem que devia me proteger estava tentando me forçar a ficar com ele, uma narrativa que eu tinha ouvido em tantos casos de abuso de autoridade por policiais.

Comecei a prestar atenção em todo guarda homem, ouvir seus passos. Comecei a aprender, sem olhar, quando estava sozinha numa sala, quando era melhor andar em vez de ficar sozinha num ambiente. Eu estava começando a aprender a realidade para muitas mulheres, trans ou cis; como era simplesmente estar num espaço, estar consciente de onde seu corpo está, quem está olhando para ele e quem pode considerar segui-lo.

O incidente com o segurança foi curto e rápido. Mais tarde, fiquei imaginando que talvez ele nem tivesse percebido sua posição de poder, ou que o fato de ele esperar estarmos sozinhos para falar comigo assustaria qualquer mulher. No final, saí do museu antes do que pretendia, olhando para trás enquanto andava pela neve, torcendo para não ver o guarda vindo ou ouvir seus passos atrás de mim. O segurança tinha me traído, do mesmo jeito que muitos oficiais traíram e traem jovens afro norte-americanos, removendo a ilusão de que eles estão ali para proteger.

Incidentes desse tipo começaram a acontecer quase todo dia. Com um segurança no Smithsonian American Art Museum, que me fez tirar uma foto dele no celular dele, para poder me cantar. Com um segurança na Peacock Room da Freer Gallery. Acontecia com um homem atrás do outro na rua. Aconteceu com um velho taxista russo, que ficava repetindo para eu não sair do táxi dele porque ele me queria. Outro homem tinha me acompanhado até o táxi do russo, dizendo ao motorista, que ele devia me conhecer, “Te trouxe uma linda garota”. Eu era um objeto, um objetivo e, se eles descobrissem que eu era trans, possivelmente algo ofensivo. Se tornou comum que homens que eu não conhecia falassem comigo num tom condescendente, às vezes de maneira tão sutil que duvido que eles tivessem consciência disso. O que parecia tão estranho no começo agora era a norma, esse assédio por ser vista como mulher: às vezes engraçado, às vezes irritante, sempre enervante, às vezes assustador.

Ainda assim, eu tinha medo de acabar enfrentando violência a cada vez que um homem assoviava ou fazia uma proposta para mim, ainda mais se ele percebesse que eu era trans. Afinal de contas, não é incomum que mulheres trans sejam atacadas e até mortas por alguém que reage com fúria ao descobrir que a mulher com que estava flertando não era cisgênero. Uma vez, olhei para o céu à noite voltando do metrô e pensei “É como viver num novo planeta”. Minhas amigas tinham contado histórias sobre serem cantadas e seguidas, mas eu não entendia até agora. Passar por cis, de repente, estava sempre um passo atrás de mim.

Para Sêneca, é impossível desligar o barulho de fora se você não consegue silenciá-lo dentro de você. “Pode haver uma confusão absoluta fora”, ele escreveu em Sobre o Barulho, “desde que não haja comoção dentro”. Vivendo como uma mulher trans, esse se tornou meu mantra: viver sem os gritos, dentro ou fora, para continuar sorrindo, tendo esperança e sonhando.

Quando finalmente me assumi como uma mulher transgênero queer aos 27 anos em Tallahassee, Flórida, onde eu fazia faculdade, isso me salvou de cometer suicídio. Me salvou — mesmo que isso significasse perder outra coisa. Eu já tinha decidido, meses antes, que não voltaria a Dominica até que pudesse me sentir segura lá abertamente como mulher trans. Felizmente, eu tinha cidadania dupla; mas dava na mesma, Dominica era meu lar, e agora eu o tinha perdido. Meus pais me disseram para não voltar. Chorei, durante muitas noites, pensando nas coisas que minha mãe me disse, coisas que eu sabia que mães podiam dizer, mas nunca imaginei que a minha diria: que ela me renegava, que eu devia esquecer que tinha mãe, que eu era um fracasso e uma abominação para Deus, que agora ela tinha pensamentos suicidas.

Ainda ouço essas palavras quando a noite está muito silenciosa.

Prefiro pensar em identidade em termos de campos de estrelas, constelações. Para mim, é fácil chamar um campo de estrelas “Mulher” e outro “Homem”, e dali ver como minha identidade é uma constelação dentro do campo da mulher, mesmo que antes eu vivesse numa configuração diferente de estrelas. Para alguns de nós, pular entre os campos simplesmente é a norma. Algumas constelações se infiltram entre esses dois campos principais, e outras se infiltram por toda parte, sem se encaixar em nenhum. Há muitas constelações entre a do Homem e da Mulher; ser uma mulher transgênero é ser parte de uma configuração da feminilidade, como mulheres altas, baixas ou nascidas sem útero formam suas próprias constelações, mesmo que minha configuração pareça diferente das de outras mulheres trans, e vice-versa. Não vamos, ao contrário do que algumas mulheres cis pensam, explodir em supernovas e destruir o campo inteiro, ou nos transformar em buracos negros e sugar todas para o nosso espaço. Somos apenas mulheres.

Eu sei isso, internamente, intelectualmente. Mas é fácil esquecer a que lugar você pertence num campo de estrelas quando você é confrontada, dia após dia, com o medo de que você não possa passar por uma mulher cisgênero quando entrar naquele banheiro, andar por uma rua ou colocar uma roupa de banho, e você começa a imaginar, como imaginou tantas vezes antes, se sua posição naquela constelação é precária.

Pode ser difícil, apesar de necessário, aprender que passar por cis não é nosso objetivo se nos identificamos como mulheres trans binárias, como eu. Somos mulheres, não importa como parecemos, mesmo se nem todas possamos passar por uma mulher pelas normas de como mulheres cisgênero parecem. Não tem nada de errado em querer passar visualmente, ou de qualquer outra maneira, como mulher; mas fazemos um desserviço intelectual para nós mesmas se falhamos em perceber que essa linguagem implica um aspecto temporário e equivocado, e buscar ser reconhecida como mulher, independentemente de como parecemos, é nosso objetivo maior.

Pode ser um choque repentino, como Virginia Woolf descreveu em Momentos da Vida, perceber que você se aceitou como você é. Que você está se amando. Que você aprendeu que deixaria você mesma entrar na sua casa se abrisse a porta depois de uma batida, e descobrisse você mesma parada na sua frente, uma mulher sem reservas. Se posso reconhecer a mim mesma como mulher — bom, esse é um começo para se sentir mais em casa no campo em que pertenço, se sentir mais em casa na minha linguagem.

Talvez seja isso que significa ser uma pessoa binária trans: ouvir alguém dizer “mulher” ou “homem” e não se sentir isolada por essas palavras, mesmo pelas suas.

E ainda assim, às vezes, passar por cis me faz sentir validada. Às vezes sorrio depois que um homem me canta na rua, não porque gosto disso, mas porque sei que alguém me viu como uma mulher atraente. Às vezes, o fato de homens em sites de namoro ficarem chocados quando digo que sou trans — apesar disso estar bem à vista no meu perfil — me deixa feliz. Conseguir passar, como beleza, é um privilégio; passar, como a beleza, também pode ser um perigo, se alguém acredita que estamos enganando.

Lembro como pensei em passar por cis na primeira vez que deixei um homem me comer. Como pensei em passar, mesmo que ele soubesse que eu era trans e tivesse entrado em contato comigo porque queria uma experiência com uma mulher trans. Lembro do conflito: como eu desejava tanto aquela transa, e ainda tinha medo de tudo que ele queria de mim. Mesmo o tendo convidado para a minha casa, senti a necessidade de parecer o mais feminina possível quando abri a porta, por medo de que ele fosse fugir. Lembro de como me senti feliz, finalmente, quando percebi que ele me queria simplesmente por mim, não uma versão de mim que passava por mulher, como me senti como uma rainha esticada na cama com ele sobre mim, uma rainha que estava sendo tratada como realeza com esse gigante gentil, independentemente da genitália que ela tinha ou não. Lembro de como o barulho saiu da minha cabeça, e tudo que senti foi prazer. Mesmo agora, tanto tempo depois, toda vez que durmo com alguém, homem ou mulher, cis ou trans, penso de novo se meu corpo passa por um corpo de mulher cis.

Também pensei em passar por cis na noite em que bandidos invadiram meu apartamento, o destruindo como um breve tornado, jogando minhas roupas, documentos e gavetas pelo chão. Tive medo de abrir a porta e acender as luzes, de ter alguém esperando por mim, porque sabia que se eles pensassem em mim como mulher cis, eles poderiam querer me estuprar, e se descobrissem que eu não era, bom, eles ainda podiam me estuprar, mas também podiam me espancar por ser mulher, mas não ser o tipo de mulher em que eles podiam acreditar, respeitar o suficiente. Isso pode te acontecer como mulher cis ou como mulher trans, essa violência, mas como uma mulher trans que pode passar por cis, o espectro de violência punitiva parece maior. Pensei em passar por cis quando a polícia veio até minha casa e tentei não deixar minha voz soar muito grossa, temendo que o policial, como alguns policiais disseram para mulheres trans no passado, me diria que ser tão aberta sobre meu “estilo de vida” tinha provocado isso, me tornado visível como alvo por ser eu mesma.

Eu ainda era a vítima de um crime, procurando por uma linguagem para passar por cis.

A primeira vez que minha mãe se referiu a mim como sua filha foi num concerto em Tallahassee. Estávamos sentados no fundo do auditório Ruby Diamond no intervalo, e o casal na nossa frente se levantou para esticar as pernas. Meu pai puxou conversa com o homem sobre a beleza dos violoncelos. Um momento depois, estávamos todos conversando. Depois de um tempo, o homem se apresentou e apresentou a esposa. Eu hesitei.

Eu tinha me assumido para os meus pais há dois anos então. Eu os tinha visto pessoalmente algumas vezes depois, mas só fora da Dominica. Dessa vez, eles tinham vindo para consultas médicas, já que encontravam um tratamento melhor nos EUA do que na nossa ilha.

Eu estava usando um vestido azul. Eles tinham se acostumado a me ver assim. Meu pai veio primeiro, oferecendo apoio para minha transição, mas ele ainda tinha dificuldades para usar meu novo nome e pronomes, porque os antigos ainda estavam enraizados em sua memória. Minha mãe, eu sabia, me amava, mas minha transição a tinha magoado. Mesmo sentada ao meu lado, ela parecia muito distante, como se o corpo dela estivesse ali, mas a mente estivesse em outro lugar.

“E essa é minha filha, Gabrielle.”

Quase comecei a chorar. Aceitação não significa que tudo está bem — ainda não posso voltar ao meu país sem colocar meus pais e eu mesma em perigo. E minha mãe ainda me diz, depois de tudo isso, que queria o filho de volta, que preciso voltar para Deus e para a masculinidade, que não sou a filha dela apesar dessas escorregadas, que estou me envolvendo numa vida de miséria porque, para ela, queer era o mesmo que incompreensão, fracasso, como um passo para uma estrela em chamas de braços abertos. Aprendi a temer ligar para os meus pais pelo simples fato de que minha nova voz — uma voz que treinei para ser mais aguda, já que a terapia hormonal para mulheres trans não tem efeito na voz se iniciada depois da puberdade — pudesse entristecê-los, como minha mãe já me disse uma vez, com a voz de choro, que eu não parecia nem soava mais como a criança que ela criou. Aceitação, como rejeição, raramente é absoluta. Mas crescemos para aprender mais. Nos tornamos maiores enquanto nossa capacidade de amar também cresce, mesmo que a passos pequenos.

Na maioria dos dias, eu só queria poder apontar para minha constelação e pensar “Sim, sou eu”, sem ouvir o barulho. Apenas eu e a calma maravilhosamente mundana de me reconhecer como eu.

Talvez reconhecimento e amor compartilhem o mesmo espelho.

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Trecho adaptado do ensaio de Gabrielle Bellot “Pisando numa Estrela” da coleção We Wear the Mask: 15 Stories about Passing in America, editada por Brando Skyhorse e Lisa Page (que sai em outubro de 2017 pela Beacon Press). Publicado com permissão da Beacon Press.

Publicado originalmente no Vice Mag.

Ampliando nosso léxico de gênero

“Transgênero”, “fluido”, “intersexual”: um novo léxico de gêneros nasce para descrever o fim do modelo binário homens/mulheres e acompanhar o surgimento de novas identidades sexuais.

Significativamente, a rede social Facebook agora deixa seus usuários livres para descreverem-se, em seu perfil, como “homem”, “mulher” ou uma série de outras caixas que correspondem a tantas nuances na identidade sexual. Conheça o significado dos novos termos em uso:

Sexo e gênero

O sexo é designado pela natureza, enquanto o gênero é o produto da sociedade. Simplificando, pode-se resumir, portanto, a diferença entre essas duas noções centrais que, em linguagem comum, são frequentemente misturadas.

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), “a palavra ‘sexo’ refere-se às características biológicas e fisiológicas que diferenciam os homens das mulheres”, enquanto “a palavra ‘gênero’ é usada para se referir a papéis determinados socialmente, comportamentos, atividades e atributos que uma sociedade considera apropriados para homens e mulheres”.

O “gênero” deriva diretamente do inglês “gender”, que “se refere a uma dimensão cultural (…) à qual correspondem os termos, em português, de masculino e feminino”, observa a socióloga francesa Anne-Marie Daune-Richard.

Transgênero e cisgênero

Homem na pele de uma mulher/mulher na pele de um homem: o termo “transgênero” refere-se a uma pessoa que não se identifica com seu “gênero atribuído no nascimento”, em seu estado civil.

Esta pessoa pode, ou não, realizar um tratamento (hormonal, cirúrgico) para adequar seu “sentimento interno e pessoal de ser homem ou mulher” com sua identidade sexual.

A “transição” designa o período durante o qual a pessoa se envolve nessa transformação. Transsexual significa uma pessoa que completou a “transição”.

“Cisgênero” significa uma pessoa que se identifica com o sexo que lhe foi atribuído no nascimento. Esta é a maioria esmagadora dos casos. Note-se que “transgênero” e “cisgênero” são noções independentes da orientação sexual.

Fluido e queer

“Fluido” (ou “gênero-fluido”) designa uma pessoa cuja identidade sexual é variável, que passa do masculino ao feminino ou até mesmo ao gênero neutro.

Queer” (originalmente um insulto em inglês que significa “bizarro”, mas que a comunidade LGBT ressignificou) se refere a uma pessoa que não adere à divisão binária tradicional de gêneros.

Intersexo e sexo neutro

“Intersexo” refere-se a uma pessoa que não é homem nem mulher, que apresenta características anatômicas, cromossômicas ou hormonais que não estão estritamente relacionadas a qualquer um dos dois sexos.

O número de pessoas intersexuadas é difícil de avaliar: tudo depende dos critérios utilizados. A questão é debatida entre especialistas, e estimativas americanas variam de 0,018% a 1,7% dos nascimentos.

A tradução de intersexo no registro civil seria “sexo neutro”. Aceito em países como o Canadá e a Austrália, este “terceiro sexo” foi finalmente rejeitado na França pela Justiça, apesar de um primeiro julgamento favorável em outubro de 2015.

Assexual e LGBT+

“Assexual” significa uma pessoa que não possui atração sexual pelos outros. Isso não proíbe relacionamentos românticos, sem sexo. Cerca de 1% da população entraria nessa categoria, de acordo com um estudo canadense baseado em estatísticas britânicas.

A apelação “comunidade gay” deu lugar ao “LGBT” para abranger “lésbicas, gays, bissexuais e trans”. Mas hoje é preferível o acrônimo “LGBT+” para incluir “mais” sensibilidades: queer, intersexo, assexuado, agênero (que não se identifica com nenhum gênero) ou pansexual (que é atraído por todos os gêneros).

Reportagem publicada na Carta Capital.

Livre de vírus. www.avast.com.

Caldas Novas – V

Últimos dias e horas em Caldas Novas. Nós estamos no saguão do hotel, aguardando a chegada do pessoal da CVC.

No dia 11 nós ficamos praticamente o dia inteiro no Water Park e no Clube Prive. Na chegada, o hotel nos deu uma pulseira que nos permitiu ir em ambos os parques aquáticos.

Nós fizemos um intervalo para almoçar no Riviera Park, com um brinde que ganhamos depois de ficar ouvindo um corretor falando dos empreendimentos da rede e nos oferecer a proposta de propriedade compartilhada. A ideia é interessante, mas nosso orçamento está apertado, o que não me impediu de ver se há tal sistema para ter um Mini Cooper.

Mais tarde, no início da noite, eu, o Alberto e as meninas fomos na Cervejaria B2 Beer, onde nós tomamos duas cervejas. Nós fomos dormir às 23h.

Dia 12 foi só para comer o desjejum e arrumar as malas. Nós fizemos o check out às 11h e o pessoal da CVC veio nos buscar às 13h. Com todo o processo de colocação de malas dos passageiros, nós seguimos ao aeroporto às 13:20.

Chegamos no aeroporto e conseguimos fazer o check in às 14h e nós vamos decolar às 15:15. Aterrissamos e pegamos as bagagens às 16:40. Em Guarulhos, nós pegamos o ônibus da TAM para Congonhas às 17:40.

Nós chegamos em Congonhas às 18:30 e vamos de Uber para casa. Nós chegamos às 19h e, com isso, o relatório de viagem acaba.

Caldas Novas – IV

Bom dia, Caldas Novas. São 8h e nós estamos começando o dia com um desjejum.
Nossa programação de hoje: Water Park. Tem várias piscinas e toboáguas. Eu fui só em cinco.

Próxima parada: almoço no apartamento da patota e mais piscina.

Só às 19h voltamos para tomar banho, trocar de roupa e comer pizza. Mas antes nós demos uma volta pela cidade em um dos “trenzinhos”. O lugar que escolhemos é a pizzaria Du Chef, perto da Feira do Luar. Demorou para ficar pronto e o detalhe é que a pizza é servida na embalagem de cartolina com uma espátula em formato de triângulo, a pizzaria não fornece talheres nem pratos.

No caminho, eu comprei duas cervejas na cervejaria vizinha ao hotel, para compensar segunda. Desmaiamos às 23 h.

Caldas Novas – III

Nós acordamos 6:30, antes do despertador ajustado para 7:00. Nós nos arrumamos e descemos para o desjejum no refeitório do hotel. O salão não estava cheio e o buffet tinha frutas, pães, bolos, tortas e algumas comidas quentes.
Voltamos ao quarto para pegar as coisas para fazermos o city tour.

Nós fizemos uma parada em uma loja de doces típicos e cachaças. Eu estou levando uma geleia de pimenta. Dali nós fomos ao shopping Serra Verde e ao Jardim Japonês.

Saindo do parque, a próxima atração é o casarão da família Gonzaga. Depois passamos em uma cachaçaria (essa é a terceira) e eu escolhi um licor com ervas.

Ato final: a programação do passeio nos levou a um restaurante próximo de onde estamos hospedados, então resolvemos pegar as compras e almoçar em um self service. Nós achamos um e almoçamos às 14:30.

Esperamos fazer digestão e então nós fomos na piscina do hotel. A água é quente e mais densa, é como se a piscina fosse de água mineral. Relaxante e nem percebemos o tempo passar. Era começo de noite quando a patota veio e nós fomos na Feira do Luar. A Kátia comeu galinhada com pequi e eu comi um empadão goiano. Apagamos às 23.

Caldas Novas – II

4:30 nós acordamos.

5:00 nós nos arrumamos.

6:00 nós chegamos ao aeroporto para o check in.

7:00 nós começamos o embarque.

7:30 decolagem.

8:50 aterrissagem.

10:00 nós chegamos no hotel e estamos fazendo o check in.

11:00 finalmente entramos no quarto.

13:00 nós andamos meio perdidos, mas achamos onde a patota está hospedada e almoçamos.

18:00 uma siesta.

19:30 nós fomos na Feira do Luar.

22:30 nós apagamos.