Arquivo mensal: outubro 2018

Alô criançada o Bozonaro chegou

Eu sou de 1965 mas, como a maioria dos brasileiros, eu não percebia o que acontecia no meu país. Foi só com o governo Figueiredo [com a tal da “abertura, lenta e gradual”] que o Brasil e os brasileiros começaram a dar conta que vivíamos em um Regime de Exceção, uma Ditadura [Civil] Militar.

Ditadura militar no Brasil ou Quinta República Brasileira foi o regime instaurado em 1 de abril de 1964 e que durou até 15 de março de 1985, sob comando de sucessivos governos militares. De caráter autoritário e nacionalista, teve início com o golpe militar que derrubou o governo de João Goulart, o então presidente democraticamente eleito. O regime acabou quando José Sarney assumiu a presidência, o que deu início ao período conhecido como Nova República (ou Sexta República). Apesar das promessas iniciais de uma intervenção breve, a ditadura militar durou 21 anos. Além disso, o regime pôs em prática vários Atos Institucionais, culminando com o Ato Institucional Número Cinco (AI-5) de 1968, que vigorou por dez anos. A Constituição de 1946 foi substituída pela Constituição de 1967 e, ao mesmo tempo, o Congresso Nacional foi dissolvido, liberdades civis foram suprimidas e foi criado um código de processo penal militar que permitia que o Exército brasileiro e a Polícia Militar pudessem prender e encarcerar pessoas consideradas suspeitas, além de impossibilitar qualquer revisão judicial. [Wikipedia]

A mudança [se é que se pode definir assim] foi nomeada de Abertura Política que culminou em uma série de acordos, convenções e leis, como a Lei da Anistia.

A Lei da Anistia, no Brasil, é a denominação popular dada à lei n° 6.683, promulgada pelo presidente João Batista Figueiredo em 28 de agosto de 1979, após uma ampla mobilização social, ainda durante a ditadura militar de 1964. [Wikipedia]

Eu lembro bem desse tempo, do governo Figueiredo e do governo Sarnei. Eu duvido que mais alguém lembre da Lei Falcão.

A Lei Falcão (Lei nº 6339/76) foi criada em 1 de julho de 1976 e recebeu o nome de seu criador, o então Ministro da Justiça, Armando Falcão. Esta lei foi criada durante o governo Geisel (vigente de 15 de março de 1974 a 15 de março de 1979) e visava implementar mudanças em relação às propagandas eleitorais transmitidas por televisão e rádio no território brasileiro . A partir da promulgação da lei, que propôs uma nova redação ao art. 250 do Código Eleitoral, candidatos de quaisquer partidos estavam proibidos de anunciar, em suas propagandas, outras informações além de breves dados sobre sua trajetória de vida. Também era vetada a veiculação de músicas com letra – bem como discursos ou imagens. A única exceção era em relação à foto do candidato, que poderia ser exibida na televisão, juntamente com seu respectivo nome, partido e a leitura de seu currículo. Era permitido, ainda, a menção do horário e local dos comícios. [Wikipedia]

Esse período de transição foi marcado pela maior manifestação pública até então conhecida [algo impossível e impraticável no Regime de Exceção] que foi a Campanha Diretas Já. Ali, o silêncio e a omissão da Rede Globo foi histórico. Foram necessários mais anos e outros eventos para que a Venus Platinada fizesse o Mea Culpa. Mas essa emissora não poderia agir de forma diferente, afinal ela surgiu e cresceu [tornou-se um monopólio, um império midiático] graças aos governos militares. Esse tipo de vínculo existe [embora de forma velada] em outras empresas de comunicação de massa e isso tem tudo a ver com o Sistema de Produção Capitalista, mas esse é outro assunto.

Após o [desastroso] governo Sarney, o Brasil e o brasileiro entra de cabeça no Fenômeno Collor.

Apresentado como “caçador de marajás”, como a “solução contra a corrupção” e como o “candidato anti-sistema”. Parece semelhante? Coincidência não existe. Como é de praxe, a Globo mexeu os pauzinhos, ajudou na eleição de Collor e na sua defenestração. Novamente, coincidência não existe.

Teoricamente nós estávamos vivendo na Sexta República, supostamente um período democrático, mas a propaganda eleitoral ainda seguia os moldes da Lei Falcão, pior, ainda era marcada pela influência do poder financeiro e pelas negociatas [chamadas de “alianças políticas”] por mais tempo de mídia.

Passado o pitoresco e curto mandato de Itamar Franco [o verdadeiro “Pai do Real”] nós tivemos o mandato duplo de Fernando Henrique Cardoso [pegando carona no sucesso do Plano Real, não teve escrúpulo algum em pressionar ou comprar votos pela emenda da reeleição].

O que foi inédito [quase comparável à eleição de Barak Obama nos EUA] foi quando Lula finalmente conseguiu eleger-se por dois mandatos consecutivos e gentilmente serviu de escada para Dilma Rousseff até o fatídico impeachment com ares de conspiração e golpe.

Provavelmente nós teremos que esperar por trinta anos ou mais para que alguém tenha coragem de esclarecer esse momento da História do Brasil, o fato é que desde 31 de agosto de 2016 o Brasil está, até janeiro de 2019, no comando do governo usurpador de Michel Temer. Quando então o Brasil, por escolha do brasileiro, entrará em mais um período ditatorial sob a batuta de Jair Bolsonaro, ex-capitão, deputado federal com inúmeros casos onde expressou publicamente machismo, misoginia, racismo e apologia à tortura e à Ditadura.

O Brasil de 2019 vai reprisar a Alemanha de 1930. Como chegamos a isso? Eu temo ter que desagradar o leitor, mas o ensaio dessa barbárie foi nas Jornadas de Junho de 2013, onde grupos [neo]fascistas deram as caras [ou máscaras], aproveitando os protestos contra o aumento da tarifa de ônibus.

Foi seguindo a tendência que não demorou a aparecer os “patos amarelos” que [cooptados] ajudaram a Mídia na conspiração/golpe/impeachment. A mesma Mídia e gado que insuflaram o processo [tendencioso, suspeito e nulo] do “Triplex do Guarujá” que resultou na prisão [ilegal, injusta, arbitrária] do ex-presidente Lula. A mesma Mídia e gado que, enfim, apoiaram e ajudaram na eleição do Führer Tupiniquim, tornando o Brasil o IV Reich.

Isso ainda é pouco. Essa eleição ficou marcada na História pelo protagonismo [insidioso] de pessoas, grupos [ou bots] que disseminaram as chamadas fake news por redes sociais e aplicativos de mensagens. Os demais candidatos e partidos não estavam preparados para lidar e enfrentar essa “estratégia de guerrilha midiática”.

Infelizmente nós teremos que lidar com a mesma vergonha com a qual a Alemanha teve que passar.

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Escreve Caminha

08cd0bb492207319b23fc1d8ce9c1259_400x400 Mas que raios está acontecendo na Terra de Santa Cruz? Com os padres e Cristo aqui nós chamamos de Terra de Vera Cruz. O que faço eu nesta terra também chamada de Quinto dos Infernos e que palavreado suspeito é este usado no título?

Enfim, eis-me de volta depois de quinhentos anos e não reconheço mais esta terra nem esta gente. Vá lá, nós aqui viemos para explorar e extrair o máximo de riquezas e o nosso modo de colonização não dava o mínimo para ambiente ou urbanização. Eu vi horrorizado e estarrecido na Terra do Além [que não fica Trás dos Montes] quando a Coroa [Portuguesa] veio cá, fugida de Napoleão e digo-vos que não entendo ainda como podem comemorar sete de setembro se não ficaram livres coisa alguma, apenas trocaram a Matriz de Portugal para Inglaterra e depois América do Norte.

Quando eu passei desse mundo para o outro, eu conheci este gajo que se apresentou como John Smith que explicou-me como imigrantes ingleses foram ao Novo Mundo para construir uma nação. Em algum ponto desse sonho algo desandou e John fica cabisbaixo, contrariado e calado quando lhe pergunto sobre seus americanos. Nossos tutores [nesta paragens cada recém chegado recebe seu tutor] dizem que eu devo deixar que ele resolva por conta própria. Mas [Luiz] Camões esticou-me um calhamaço de papel desenhado, clandestinamente e eu acho que isso tem significado.

Eu creio que os mais novos aqui chamam a isso de quadrinhos e [Luiz] Camões esticou-me um tratado da companhia [editora] DC Comics de um gajo que identifica-se como Batman, ou homem-morcego, na minha língua.

Eu sou antiquado, seja assim que digam, eu sou um mero missivista, destas coisas do mundo moderno pouco entendo, mas lendo esta obra eu acho que consigo ver porque John está tão decepcionado com a nação que fundou.

Está a olhos vistos. Um gajo, filho de magnatas, tornando-se um vigilante, um justiceiro, depois que este gajo ficou órfão como resultado de um roubo seguido de homicídio.

Como disse-o anteriormente, eu pouco sei das coisas do mundo moderno, mas países e leis não veem com bons olhos quando o indivíduo age por conta própria para fazer justiça com as mãos.

Na Terra dos Mortos muitos ficaram segurando as tripas quando aconteceu a Guerra Mundial [estranha-me ver que dividiram em dois algo que parece-me bem uniforme]. A população aumentou progressivamente e muitos simplesmente se recusaram a crer que seus filhos e descendentes tinham apoiado e contribuído para este horror que é conhecido como Nazismo e Fascismo. Ora, pois, Batman [e esse Superman] é puro Nazismo e Fascismo e os guri leem essas coisas como se fossem revelações.

Batman é o gajo que usa seus privilégios e riqueza para reprimir e oprimir aquele que o gajo [arrogando a si o cargo de polícia, júri e carrasco] identifica e escolhe como bandido, portanto, adversário, que deve ser imobilizado, preso ou morto.

Interessante notar que o justiceiro vigilante não age sozinho. Ele tem colaboradores. Muitos colaboradores. No Governo, na Polícia, no cidadão comum. Nisso reside o perigo do Batman. Ele não age livremente de forma isolada. Ele consegue agir porque muita gente pensa como ele pensa e agiria exatamente como ele age. Então a violência que ele pratica acaba sendo permitida e endossada pelo rancor do cidadão comum. Tal como os líderes do Nazismo e do Fascismo. Aqueles homens eram meros personagens, pessoas onde a vontade oculta [e escondida] do cidadão comum cristaliza-se. O perigo não é aquela pessoa ou o grupo, mas a mentalidade sombria que está dentro do cidadão comum.

Eu passei de quinhentos anos, a humanidade mal conseguiu superar esse horror, mas corre novamente para esse abraço funesto passados oitenta anos. O que os brasileiros querem e esperam? Mais seis milhões de inocentes mortos? Outro Dachau, Auschwitz? O que vai dizer e falar quando alguém importante, alguém amado, parente ou familiar for colhido sem dó nem piedade nessa onda de ódio, agressividade e violência que o cidadão comum plantou e regou?

Qualquer que seja tua decisão, gentil leitor, faça-a, mas #elenao.