O jovem mestre

Existem dez reinos no Paraíso, dez reinos no Inferno e entre esses reinos tem o Mundo Terreno dividido por dez reinos. Os reinos oram se inclinam para um lado ou outro, os reinos ficam mais próximos ou mais distantes. Existem várias regiões onde as barreiras são tênues e coisas acontecem na fronteira. Não faltam grandes espíritos e grandes pessoas que acabam cometendo algum erro.

Em algum ponto entre Kunlun, Xuanpu e Yaochi, existe o Monastério de Âmbar, de onde saiu o monge Dharma, fundador dos templos do Caminho do Meio e da Arte da Defesa. Ali costumam acontecer muitos milagres e visagens, mas o Mestre Ancião, Len Shan, não estava preparado para o “pacote” que foi deixado nas portas do monastério.

[som de um gongo de bronze][som de pássaros em revoada]

– Haorang, continue o treino com os aspirantes. Eu vou ver quem está em nossa porta.

– Mestre Ancião, deixe que Difu Ling atenda!

– Não há demérito algum no serviço ou em quem o executa. Além do que, eu preciso esticar as pernas.

[risadinhas][sussurros]

– Aspirantes! Mantenham a atenção! O treino não acabou!

Len Shan levanta, alguns ossos estalam, ele respira fundo, suspira e caminha até o portão de entrada. As folhas do portão, peças únicas em madeira, são grandes e pesadas, mas não possuem tranca. O que mantém o monastério em segurança são os pergaminhos mágicos. Nenhum Deus [ou Diabo] pode entrar sem a permissão do Mestre Ancião. Haorang olha por cima do ombro, preocupado com a condição física e saúde do Mestre Ancião, que não tem dificuldade alguma em abrir as imensas folhas do portão com os dedos.

– Sim? Quem é?

Uma breve brisa levanta poeira, mas não há mais outra presença ali. Sábio, o Mestre Ancião nota os indícios de que alguém esteve ali, pelas pegadas e pela assinatura espiritual. Diante dele, tem um cesto, algo se mexe ali e emite sons estranhos.

– Ora… o que temos aqui? Oferenda? Doação?

Len Shan inspeciona o cesto, remexe a manta e descobre o conteúdo misterioso.

– Ora… mas isso é… um bebê!

Len Shan sabe o que é um bebê e sabe de onde vêm. O problema é quem ou como alguém subiu por essas montanhas sagradas [e perigosas] até o monastério para deixar esse bebê? Faz muito tempo que as rotas profanas foram fechadas ou desviadas. Apenas outros mestres velhos ou antigos monastérios sabem da existência do Monastério de Âmbar. Mesmo a frequência da chegada de aspirantes diminuiu nas ultimas décadas, então o abandono de bebês na porta dos monastérios foi algo muito incomum no século recente.

– Então, Mestre Ancião? Quem é?

– Haorang, você não estava treinando os aspirantes?

– Os irmãos gêmeos Qianlyan estão cuidando disso. Quem veio?

– Eu não sei. Ele ainda tem que crescer para nós sabermos.

– Que? Como? Ah! Isso é um bebê!

– Sim, Hoarang, um bebê. Chame Nioutou e Mamien. Eles vão cuidar de nosso pequeno aspirante.

– Mas mestre… um bebê?

– Sim, evidente. Todos que entram no monastério recebem o treinamento.

– Mestre… ele vai morrer!

– Sim, ele irá, se e quando for esse o destino dele.

[o bebê agarra o dedo de Len Shan, demonstrando sua força e espírito de luta]

– Oh, sim… eu vejo que em breve nós teremos um jovem mestre, alguém a quem eu poderei passar os segredos e as chaves desse monastério. Vamos, futuro jovem mestre, nós temos muito a fazer.

Len Shan entrega o cesto vazio para Hoarang e o deixa pasmo, parado no portão, enquanto carrega o bebê para o edifício central. Hoarang fica espantado, surpreso, ciumento e invejoso. Como o discípulo veterano, ele estimava ser o “herdeiro” da posição de mestre daquele monastério.

– Mestre! Mestre! Nós não podemos ficar com um bebê! Como nós iremos amamenta-lo?

– Como? Nossa Senhora Jiwang ou suas inúmeras donzelas irão amamenta-lo.

Len Shan colocou o bebê no chão e começou o “treinamento” dele.

– Mestre… como nós iremos chama-lo? Ele precisa de um nome!

– Precisa? Ora, muito bem. Janchu. Não se esqueça da cortesia ao lidar com o jovem mestre.

Isso não era o que Hoarang queria ou esperava. Agora, pelas regras do monastério ambos são irmãos e devem usar a cortesia. Hoarang queria que Janchu virasse presunto para poder assar, cortar e comer. Len Chan continuou o “treino” com Janchu, ignorando todo o restante.

Ao longo dos dias, Janchu era treinado pelo Mestre Ancião e sua vida corria riscos constantemente com as maquinações de Hoarang. Misteriosamente, as maquinações não funcionavam ou algo acontecia milagrosamente. Os aspirantes flagraram diversas aparições de donzelas no monastério que vinham, não se sabe de onde e saiam, não se sabe por onde, só para amamentar e cuidar do jovem mestre. Os mais afoitos ou ousados, tentavam abraçar e beijar as donzelas, mas as aparições se desvencilhavam feito névoa. Ao longo de quinze anos Janchu cresceu e tornou-se rapidamente o discípulo mais forte, mas rápido e mais esperto de todos.

Mais ou menos nesse tempo, em Svartalfheim, o rei Riguang conduzia, pessoalmente, o Torneio da Conquista, onde todos os jovens do reino podem participar para que o campeão seja o representante do reino na Batalha das Dimensões. Ao seu lado, a bela rainha Heiang não parecia estar interessada ou entusiasmada com a exibição de tantos jovens talentos.

– O que foi querida? Seu olhar está distante e você parece aborrecida com algo.

– Meu querido, meu amor, meu rei… perdoe sua esposa, sua mulher por incomoda-lo, mas eu tenho que falar de Silf.

– Pelos bigodes de Gondor… nós não podemos falar e discutir sobre isso agora.

– Nós temos e devemos discutir sobre isso, sim senhor, agora mesmo! Querido, você sabe muito bem que Silf deveria estar aqui! Foi apenas por sua teimosia que ela foi proibida de participar!

– Isso não será discutido aqui e agora porque foi decidido! Silf não pode participar ponto final! Ela é nossa filha e herdeira do trono. Pode imaginar os problemas que aconteceriam se ela…

[interrompendo]- Ela o quê? Se machucasse? Ficasse ferida? Meu amor, Silf enfrentou e matou sozinha um coelhurso. Eu temeria mais pelos demais participantes.

– Eu não estou te ouvindo, lalalala.

A rainha fica brava e contrariada, fecha a mão como se fosse dar um soco no rei quando o locutor do tornei faz um anúncio.

– Senhoras e senhores! Chegamos, enfim, ao combate final! De um lado, Conde Fourmore, tenente da Guarda Real e o favorito de todos![aplausos, gritos] De outro lado, a Desafiante Mascarada.[vaias, xingamentos] Só um será o campeão!

– Desafiante Mascarada? Que pitoresco. Evidente que Fourmore vai ganhar.

– Será que… eu acho… muito bem, meu amor, meu querido, meu rei. Eu aposto na Desafiante Mascarada. Se ela ganhar, você vai ter que aceitar meu pedido.

– Um pedido seu, hem? [alisando as barbas] Eu aceito a aposta, desde que você aceite um pedido meu, depois que Foursome limpar o chão com essa garota.

– Apostado, pelas barbas de Gondor.

– Apostado, pelas barbas de Gondor.

[mudança de plano][câmera na arena]

Foursome observa seu adversário com desdém.

– Desafiante Mascarada. Eu devo reconhecer que você deve ter tido muita sorte até agora garota. Mas acabou sua sorte. Eu sou o elfo negro mais forte, mais ágil e mais habilidoso que existe. Você não tem a menor chance.

[riso abafado]- Não tenha tanta certeza, “bonitão”. Infelizmente eu vou ter que amassar esse seu rostinho lindo.

[fazendo pose]- Eu sei que eu sou lindo. Não tem garota que não fique impressionada com essas linhas perfeitas. Eu preferiria “acabar” com você de outro jeito, mas paciência. Não leve para o lado pessoal, mas eu vou ganhar esse torneio.

[riso abafado]- Blablabla. Fale menos, faça mais. Mas não adianta chamar pela mamãe que eu não vou parar nem ter dó.

Foursome avança e ataca, com o espírito de luta inflamado. Não fazia diferença alguma a velocidade, a força ou a técnica empregada, era como se a Desafiante Mascarada fosse um fantasma. O inverso, por outro lado, estava sendo complicado, Foursome não conseguia ler os movimentos, os golpes vinham de onde menos era esperado e o impacto estava sendo dolorido. Cinco minutos depois, Foursome caia nocauteado. O locutor, surpreso e confuso, faz o anuncio.

– Senhora e senhores, nós temos uma campeã. Vamos aplaudir a Desafiante Mascarada.

– Mas… isso… é impossível!

– Não seja mau perdedor, querido. Nós temos que ir lá e entregar o troféu.

O rei foi, contrariado, mas ficou intrigado com o sorriso que a rainha desenhava no rosto. O assistente da organização passou o troféu ao rei para este entregar à vencedora. O rei não entendeu quando a rainha ficou do lado da Desafiante Mascarada.

– O meu pedido, meu rei, conforme a aposta que fizemos, é a de confirmar e aceitar como representante de Svartalfheim a desafiante Mascarada, ou devo dizer [tirando o capuz] Silf?

– Ma… mamãe!

– Si… si… si… Silf? [desmaia]

– Pa… papai!

– Ele está bem. Parabéns, meu amor. Você é a campeã e nossa representante na Batalha das Dimensões.

– Mas… como? Mamãe, como descobriu que era eu?

– Ah, meu anjo, isso é segredo de mãe.

Mais ou menos no mesmo momento que mãe e filha riam à beça, em lugar desconhecido, a Organização Caldéia está dando início à Assembleia Geral, para decidir a pauta do dia: a Grande Batalha do Graal.

– Senhoras e senhores, nós temos que decidir. Eu acabei de receber a confirmação de seis embaixadas, dos reinos do Paraíso e do Inferno, confirmando o alinhamento planetário, sinal de que ocorrerá em breve a Batalha das Dimensões. Nós temos apenas três meses para juntar e escolher o time para representar e defender o Mundo Terreno.

– Eu vou entrar em contato com o pessoal da Sailor Moon.

– Eu vou entrar em contato com o pessoal da Pretty Cure.

Depois de alguns minutos com cada delegado listar possíveis interessados, Christian Rosenkreuz consegue uma pausa para almoçar.

– Mestre! Mestre! Eu trago uma mensagem importante!

– Ah, oi Mash. Obrigado. Sente um pouco. Respire. Quer água?

– E… eu estou bem, mestre. Leia a mensagem.

– Mmmm… Loja Grande Oriente, blablabla, singularidade, blablabla. Opa, isso é interessante.

– O… o que é, mestre?

– O Mestre Ancião do Monastério de Âmbar está avisando que tem um candidato a Mestre para a Batalha das Dimensões. Os valores da avaliação são impressionantes. Arturia está disponível? Eu gostaria muito que ela fosse até o Monastério de Âmbar para analisar e avaliar o “candidato a Mestre”.

– Deixe comigo, mestre. Eu vou achar e comunicar Arturia sobre essa missão.

Mash levanta e sai trotando, provocando aquela movimentação sublime de seus seios e nádegas. Christian fica admirando e desejando aquele corpo, mesmo sabendo que é um corpo clonado, artificial. O que explica sua incrível disposição, forma física e resistência. Nos dormitórios dos Servos, Mash sabe exatamente o quarto onde está Arturia. A campainha soa aquela musica suave, um pequeno trecho de alguma musica clássica.

– Sim? Quem é? Ah, oi Mash. O que foi agora?

– Mestre Rosenkreuz confiou em mim para te transmitir essa missão. Você tem que ir até o Monastério de Âmbar para avaliar e analisar o candidato a Mestre.

– Mas que coisa… de novo a Batalha do Graal? Eu achei que isso tinha acabado.

– Não, não acabou. Vamos, nós não temos muito tempo. Nós teremos que trazer esse candidato a Mestre para a Organização Caldéia, antes que outra o faça.

Com pouca delicadeza e elegância, Mash invade o apartamento de Arturia, empurrando-a para tomar banho, trocar de roupa e arrumar a mala. Sem ter muita opção, Arturia se vê, sabe-se lá como, no aeroporto de Frankfrut, pronta para alçar voo até Kovd, Mongólia. Dali, esgueirar-se pelas cordilheiras, “invadir” a China até chegar à montanha de Kunlun. Desconsiderando o lapso temporal inexplicável, Arturia e Mash são recebidas por Difu Ling.

– Saudações nobres viajantes. Vieram pleitear por seu ingresso em nosso monastério?

– Não, porquinho. Nós viemos falar com aquele velho pervertido. Hei, Len? Leeeeen?

Mash afastou Difu Ling e foi entrando. Arturia seguiu, evitando ao máximo passar muito perto de Difu. Quando chegaram no pátio central, onde os aspirantes fazem os treinos, como que por passe de mágica o Mestre Ancião apareceu.

– Ooooi, Mash! Você continua linda e gostosa como sempre!

– Ah! Len! Seu velho pervertido! Ainda não perdeu essa mania de ficar apalpando meus seios não?

– Isso foi engraçado quando você acreditou que era parte da tradição local apalpar os seios como saudação. E quem é sua amiga gostosa?

– Len, essa é Arturia, Arturia, esse é o velho pervertido Len. Fique de olho nele e não o deixe apalpar seus seios.

– Aaah, Mash… só um pouquinho… a senhorita Arturia não se importa se esse pobre velho sentir só um pouquinho esses seus seios maravilhosos, vai?

Arturia cruzou os braços diante do tórax, só acenando negativamente, enquanto ficava entre enojada e escandalizada com esse comportamento vindo de um monge ancião.

– Não, não vai. Ela é praticamente uma rainha. Não é para o seu nível. Nós viemos para ver, avaliar e analisar o jovem mestre.

– Ah… vocês também vieram por causa de Janchu. Nós temos recebido muitas visitas depois da minha mensagem. Eu pude apalpar vários seios.

– Então você não precisa apalpar mais [tapa na mão – ai]. Mostre-nos o jovem mestre.

Len sacode e assopra as mãos. Mash é delicada, mas sabe como dar tapas doídos. No edifício central, Len fez uma reverência e a apresentação.

– Senhoritas, este é Janchu.

Mash ficou olhando o garoto, incrédula e desconfiada. Arturia pensou que o Mestre Ancião tinha ficado gagá de vez. Tecnicamente falando, Mash, Arturia e Janchu tem a “mesma idade”. Arturia duvida que um garoto de quinze anos consiga sequer segurar uma longsword.

– Mestre, quem são essas donzelas?

– Ah, você deve lembrar da Mash [Len tenta apalpar, mas leva outro tapa doido]. Ai! Bom, a outra donzela é Arturia.

– Prazer em conhecê-las. Perdoem os maus modos do Mestre Ancião.

– Ah! Até você, Janchu!

– Bom… hã… perdoe minha interrupção, mas eu tenho que confirmar. Ele é o jovem mestre?

– Ah… eu acho que não. Haorang tem mais tempo que eu como discípulo, as senhoritas devem ter vindo por ele.

– Baba de bisão. Haorang é egoísta, mesquinho, vazio de alma. Essas donzelas vieram para te visitar Janchu.

– Se é assim, jovem mestre, eu devo te analisar e avaliar. Siga-me até o pátio de treinamento.

Arturia caminhou firme e decidida até o pátio de treinamento, sem se importar com o Mestre Ancião babando atrás dela, olhando seu traseiro balançar enquanto ela andava. Janchu a contragosto largou a vassoura e foi ao pátio de treinamento ao lado de Mash.

– Muito bem, jovem mestre. Nós vamos usar espadas de madeira, para ninguém se machucar. Eu vou tentar pegar leve com você. Fique preparado e em posição.

Janchu parecia tímido e introvertido quando segurou a espada de madeira. Arturia respirou fundo e então atacou com movimento fraco e básico. Facilmente bloqueado. Então Arturia recuou e começou a graduar os ataques em técnica e força. Ela ficou surpresa ao ver seus melhores ataques facilmente bloqueados.

– Eu estou convencida de seu potencial, jovem mestre. Mas eu ainda quero fazer o ultimo teste. Eu vou usar parte da minha energia espiritual. Eu irei te atacar com a Excalibur. Com esta espada de madeira, o poder estará diminuído, mas servirá para medir sua força espiritual. Pronto?

Mesmo sendo manifestada por uma espada de madeira, Excalibur provoca rachaduras no solo, revoada de galhos e fende a muralha do lado oeste. O jovem mestre consegue bloquear e aguentar o impacto do golpe.

– Ufa. Isso foi cansativo e impressionante. Jovem mestre, pegue suas coisas, nós vamos leva-lo até a Organização Caldéia.

– Mas já? Olha, está ficando tarde e aqui venta muito de noite. Por que não pernoitam aqui?

– Só se você prometer que não vai tentar invadir nosso quarto, nem tentar subir em nossas camas e tão pouco tentar nos comer, Len!

– Ah, Mash! Não foi isso que você falou e fez na ultima vez que veio nos visitar.

– Shut up! Damare! Schweigen! Você prometeu que ia guardar segredo!

– Eu prometi não falar para ninguém fora do mosteiro. A senhorita Arturia está no mosteiro e duvido que ela não saiba de seus “passeios”.

Mash fica vermelha e muito brava. Bate e soca o Mestre Ancião que gosta tanto da “atenção” que fica com uma ereção. Arturia está pasma, em choque, congelada. Ventos assopram, cada vez com mais intensidade, o que faz com que todos entrem no edifício principal. Rapidamente escurece [nessas montanhas a luz, no verão, dura cerca de seis horas, no inverno, dura quatro horas] e todos tem que concordar e arrumar os quartos conforme a conveniência. No meio da noite teve tumulto, Len tentou invadir o quarto das meninas e fazer coisas com elas. Janchu deu tranquilizantes ao mestre Ancião e todos puderam dormir serenamente.

A manhã seguinte, gelada, foi recebida pelas neves eternas dos picos de Kunlun. Os discípulos e aspirantes acordaram e começaram os serviços do monastério. Arturia acordou poucos minutos depois, a despeito do frio, seguida por Mash. O Mestre Ancião dormia e roncava sonoramente, mas ninguém foi acorda-lo.

– Bom dia, senhoritas. Eu trouxe um chá bem quente para vocês.

[dueto]- Ah… obrigada.

[Mash]- E aí, Arturia? O que acha do jovem mestre?

[Arturia]- Hm? Ah, ele. Eu já disse minha avaliação.

[Mash]- Não estou falando disso, bobinha… eu falo de outra coisa.

[acanhada]- Isso não é apropriado, Mash. Nós estamos aqui por uma missão.

[cutucando]- Ah, qual é, Arturia? Ele é uma gracinha.

Arturia tenta segurara xícara, cutucada e impulsionada por Mash, mas sem sucesso. A bela e decorada porcelana se desfaz em pedaços pelo chão.

[brava]- Viu só o que você fez?

[choramingando]- De… desculpa! Não foi por querer!

[Janchu]- Senhoritas, algum problema? Ah! A xícara caiu. Vocês ficaram queimadas com a água quente? [sinalização negativa] Ah, que alívio. Deixe que eu limpo tudo.

Janchu ficou concentrado e compenetrado na limpeza. Não percebeu a expressão de tarada que Mash fazia, olhando para ele de joelhos na frente dela. Grosseiramente, cutucou ainda mais Arturia, fazendo caras e bocas na direção dela, como se insinuasse algo.

– Pronto. Agora, se me dão licença, eu vou me arrumar. Cinco minutos está bom? [sinalização positiva] Excelente. Nós nos vemos no portão daqui a cinco minutos.

Arturia teve trabalho para segurar e evitar que Mash seguisse o jovem mestre. Mash queria olhar “só alguns minutinhos” o jovem mestre se arrumando. Arturia deu uma bronca na Mash. Por causa de comportamentos assim que o Mestre Ancião se dá certas liberdades. A bronca durou bastante tempo. Janchu flagrou Arturia ainda repreendendo Mash.

– Senhoritas, eu estou pronto. Se tudo estiver certo, nós podemos partir.

[Arturia]- Hã? Quê? Mas já? [olhando o relógio] Bom… sim… tudo certo… nós podemos partir. [faz sinal de que vai ficar de olho na direção de Mash]

Um helicóptero Chinook decorado com o símbolo da NERV chega e pousa para embarque rápido. [leia as outras estórias para entender o vínculo da Organização Caldéia com a NERV] Arturia e Mash entram pouco depois que Janchu as ajudou a embarcar. Arturia ficou encarando Mash com expressão bem séria e brava porque Mash ficou com aquela expressão abobalhada e tarada quando pegou na mão do jovem mestre.

No mesmo momento em que o helicóptero segue voando até a Organização Caldéia, um avião [ou um pássaro mágico] levanta vôo, saindo do reino dos Elfos Negros com destino à Organização Caldéia. Entre os passageiros, está Silf, despedindo-se de sua mãe, comunicando-se com ela através de um cristal mágico.

– Eu te prometo, mãe. Eu vou acabar com esses torneios.

– Eu acredito em você, meu anjo. Você tem todo meu apoio. Você pode me chamar sempre que quiser, oquei?

– Eu também te amo, mamãe. O papai também. Diga que eu mandei para ele um beijo e um abraço.

– Digo sim, meu anjo. Boa viagem.

Não muito longe, enfurnado no trono, o rei está com um beiço enorme que sobressai na barba.

– Algum problema, meu querido, meu esposo, meu rei?

[resmungando]- Vocês estão indo longe demais. Como se não bastasse terem me forçado a concordar em enviar Silf como representante do reino, agora vocês estão conspirando com a destruição do troneio.

[respirando fundo]- Meu amor, você mesmo não proibiu Silf de participar com receio de que ela se machucasse?

[atrapalhado]- Sim… mas…

[interrompendo]- Então como bom regente, você deve pensar em todas as famílias de seus súditos, nobres ou cidadãos, no sofrimento que devem sentir por ter que mandar um filho ou filha para esses torneios, sem saber se irão vê-los novamente.

[constrangido]- Sim… mas… acontece que…

[interrompendo]- Então nossa obrigação com nossos cidadãos, nobres e futuros reis é o de acabar com esses torneios. Se tem alguém capaz de fazer isso, é nossa filha, Silf. Eu confio e apoio ela. Você deveria fazer o mesmo. Ela estará lá sozinha, não apenas por ela mesma, mas por nós e pelos seus irmãos e irmãs. Você não tem ideia do quanto ela nos ama.

[resmungando]- E… eu vou ao santuário de Gondor. Eu vou… orar pela segurança de Silf.

Escondido de todo mundo [até de sua amada esposa], o rei cai de joelhos e chora copiosamente diante da estátua de Gondor.

Voltamos para o cenário do aeroporto de Frankfurt. Nas pistas mundanas, o helicóptero Chinook pousa para que o jovem mestre, Arturia e Mash possam descer. Novamente, Arturia passa por dificuldade em controlar Mash, quando esta pega na mão do jovem mestre, gentileza oferecida para que elas pudessem descer. Depois ela dá outra bronca nela. Na área de pouso, Rin e Emiya aguardam a chegada dos três diante do veículo [blindado] da organização. Quando é seguro, Rin se aproxima e saúda o grupo.

– Saudações, jovem mestre. As recomendações que recebemos do senhor são as melhores possíveis. Como Mestra veterana, eu irei guia-lo e orienta-lo nas instalações da Organização Caldéia. Muito prazer, meu nome é Rin.

– O prazer é meu, Mestra Rin. Obrigado por vir me receber e por sua gentil orientação. Eu estou aos seus cuidados. Por favor, cuide bem de mim.

Enquanto Rin e Janchu apertam as mãos formalmente, Mash cutuca Arturia vigorosamente. Arturia reclama de dor e encara, muito séria e brava, Mash.

– Hei, Arturia… nós vamos só ficar paradas, olhando? Se não fizermos nada, Rin vai “experimentar” primeiro o jovem mestre.

– Mash! Não fique falando indecências!

[Rin]- Algum problema aí? Servos não devem ficar conversando ou falando bobagens. Essa é uma conversa entre Mestres. Servos devem ficar calados. Senhor Janchu, entre comigo no veículo que meu Servo irá nos levar até a Organização Caldéia.

– Claro… mas e Mash e Arturia?

– Servos tem seus próprios meios de locomoção. Não se preocupe com elas. Vamos.

Mal Rin dá a volta na direção do veículo, Mash mostra a língua e abaixa a pálpebra de um olho com o dedo. Emiya viu e ficou com aquele olhar fulminante. Arturia estava desesperada, sem saber onde enfiava a cabeça.

– Lá vão eles. E a nossa chance de estrear o jovem mestre se foi.

[gritando]- Mash!

– Ai meu ouvido. Nem vem, Arturia. Você pode convencer os outros Servos e Mestres com essa sua fachada de donzela, mas não eu. Eu sei que você também ficou molhadinha e a fim de fazer safadeza com o jovem mestre.

[gritando]- Excalibur!

Próximo dali, na ala e asa não conhecida do aeroporto de Frankfurt, Silf desembarca com os demais passageiros. O estrondo exagerado do Espírito Nobre a atrai para o local do evento. Silf se depara com duas Servas, uma tostada e a outra muito irritada. Com naturalidade, Silf se aproxima das duas e se apresenta.

– Oi? Eu sou Silf. Eu vim representar Svartalfheim. E vocês, quem são?

Arturia arruma o cabelo e como se não tivesse acontecido coisa alguma, faz as apresentações.

– Saudações, Vossa Majestade. Eu a estava aguardando. Eu sou Arturia Pendragon, Serva classe Saber. Aquela é Mash Kyrielight, Serva classe Shield.

– Muito prazer. Por favor, pule essa coisa de “Vossa Majestade”, porque eu sou uma Serva como vocês, classe Rogue. Podem me levar até a Organização Caldéia?

Mais afastado dali, na rodovia, Rin estuda atentamente o jovem mestre.

– Eu espero que aquelas duas Servas não tenham aborrecido ou incomodado o jovem mestre.

– Hã? Quê? Ah! Não… não… elas não me incomodaram nem me aborreceram.

– Eu espero que não. Eu conheço aquelas duas. Seria muito ruim para a organização se elas fizessem coisas impróprias com o jovem mestre.

– Eu não creio que a senhorita Mash ou a senhorita Arturia sejam capazes de fazer algo impróprio.

– Eu acredito em você, jovem mestre. Mas se elas não fizeram é porque não conseguiram ou não tiveram a oportunidade. Como sua orientadora, eu devo alerta-lo que relacionamentos amorosos ou sexuais entre Mestres e Servos são proibidos. Muitas instituições e famílias ficaram maculadas com os boatos. Casos pontuais tiveram que ser rigidamente corrigidos. Se algo parecido ou similar acontecer com o jovem mestre, alerte-me imediatamente.

– Po… pode deixar… eu te aviso, Mestra Rin.

– Bom menino. [Rin levanta, senta e se posiciona de tal forma que fica bem perto do jovem mestre] Entretanto é bom que você saiba [alisando] que relacionamentos amorosos ou sexuais entre Mestres são permitidos e até encorajados. [apalpando] Você tem namorada? Amante? Ficante? Rolo, cacho, fuckbuddy?

– Eeeh? N… não, Mestra Rin [ficando excitado]. Mas eu tenho o conhecimento da Arte de Eros. Quando eu atingi a maturidade física, mental e espiritual, as donzelas celestes me ensinaram tudo o que eu tinha que saber sobre o contato carnal.

[risos]- Tudo, mesmo? [abrindo o ziper] Isso eu irei avaliar.

Enquanto Rin se ocupa em “avaliar” o jovem mestre mas detalhadamente, Silf, Mash e Arturia chegam na Organização Caldéia.

– Nossa! Isso aqui é enorme!

– Você não viu nada. Este é apenas um dos saguões de entrada. Venha, eu vou te mostrar o Parque Central.

Mash puxa Silf pela mão, sendo acompanhada de perto por Arturia, receosa do que Mash poderia falar, mostrar ou fazer com a recruta. As três pararam na larga varanda de um enorme corredor circular. Dois andares abaixo, Servos e Mestres de todo tipo e tamanho circulavam, conversavam, comiam e paqueravam. Mash fez um amplo movimento com os braços, abrindo-os, como se apresentasse o cenário.

– Tcharaaam!

– Uau! Quanta gente!

– Sim. E o que não aqui falta é sexo. Você vai encontrar muitos gatinhos aqui. Mas se preferir, também irá encontrar gatinhas.

– Mas… não é proibido?

– Oficialmente, sim. Nós temos que enganar o público. Internamente, não existem proibições ou restrições. Veja por exemplo a Arturia. [aponta] Todo mundo acha que ela é a donzela pura, virgem e intocada. Pois a “milhagem” dela é maior do que a minha.

[acanhada]- Não fique falando isso, Mash… eu fico com vergonha.

– Pois não deveria. Nada mais normal, natural e saudável do que as pessoas sentirem atração por outras pessoas e se esfregar. Vamos dar uma volta na multidão e vamos pegar alguns “lanchinhos”.

Arturia seguiu as duas, desanimada e decepcionada no começo, mas rapidamente deixou o recato de lado assim que enturmou e não demorou em achar um sortudo para rechear de creme seu lindo e precioso brioche. Mash acabou sumindo também e ocupou suas coxas com exercícios vigorosos. Silf perambulou no meio daquela multidão, conheceu, conversou, até que [sorte] ela encontrou o jovem mestre [ou ele a encontrou]. Não precisaram de muitas palavras, os corpos estavam muito mais eloquentes. Ambos esqueceram por completo o que os tinha motivado até aquele momento. Esqueceram e ignoraram qualquer aviso, proibição ou regra.

Final feliz: não existia mesmo qualquer regra ou restrição. Rin falou o que falou para tentar segurar o jovem mestre só para ela. Com os Servos e Mestres mais interessados [e ocupados] nessa ginástica de Eros e Afrodite, as lutas não ocorreram. Com o crescimento da presença de filhos e filhas resultantes das inúmeras consumações carnais entre Mestres e Servos, a Organização Caldéia aboliu por completo as chamadas Batalhas do Graal ou Batalhas das Dimensões.

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