A diagonal do bispo

Das catacumbas aos palácios.

Ficção baseada em fatos históricos.

[ATENÇÃO, NSFW]

Saudações, distinto público. Eu sabia que podia contar com a presença de tal ilustre audiência. Aqui eu devo introduzir [no bom sentido] o prolegômenos para o atual capítulo. Destarte engano meu, a atenta plateia deve ter percebido o titulo do capitulo anterior e a correlação com o título que encima essa composição. Ambos os títulos são referências ao xadrez, com peças brancas e pretas, onde o objetivo dos contendores é capturar o rei adversário, o que torna evidente qual a relevância de tal referência para a obra como um todo.

Permitam-me debruçar mais sobre o significado do título que capitaneia essas palavras. Cada jogador tem oito peões, que se movem em linha reta. Tem também duas torres, que se movem em linha reta, para frente, para trás, para direita, para esquerda. Peças de movimentos truncados são os cavalos e os bispos. Cavalos movem-se como um quadrado parcial e bispos movem-se pelas diagonais. No tablado, a soberana é a rainha, movendo-se para qualquer das oito direções cartesianas. O rei move-se de forma parecida, mas restrito na distância do movimento. O movimento em L do cavalo é similar ao movimento que o cavaleiro [e o cavalo] fazem em batalha e o movimento do bispo parece ser dissimulado. Esse andar enviesado é característico de farsantes, vigaristas, falsários e estelionatários. Eu creio que me fiz entender.

Antipas é o tipo de estrategista que gosta de jogar xadrez como forma de relaxar e raciocinar sobre seus projetos pessoais. Essa noção de que uma ação produz outra e que ações podem ser antecipadas é a alma do xadrez. Talvez a única falha no jogo é que não inclui as intrigas, as conspirações e as colaborações [sutis ou não] de terceiros. Antipas sabia, melhor do que seu pai, fazer uso da cobiça alheia para monitorar os planos e ações de seus irmãos, atento a qualquer brecha para providenciar que um “acidente” os tirasse do jogo e o colocasse como único regente.

– Então, centurião Portius, meus queridos irmãos perambularam por Bethlehem e, sob escusa de estarem escoltando sacerdotisas, sacaram algumas cabeças dos pescoços.

– Sim, Vossa Majestade. O Tetrarca da Judéia também publicou decreto prometendo indulto aos que denunciarem os Messiânicos. Eu tenho recebido muitas queixas de meus patrícios, colonos, de estarem sendo pesadamente taxados. Roma não irá gostar de saber que seus cidadãos estão arcando com a custa do indulto.

– Arquelau, meu estimado irmão mais velho, só excede em tempo de vida, falta-lhe a maturidade e a diplomacia para tratar de política. Eu estou mais intrigado com a presença do meu estimado irmão Traconítide. Ele não iria até Bethlehem somente para cortar algumas cabeças com nosso irmão. O que me faz deduzir que ele está envolvido, de alguma forma, com essas tais sacerdotisas que alegaram estar escoltando. Poderia ser mais detalhista quanto a essa incomum companhia?

– Sim, eu posso, Tetrarca da Galiléia. Por acaso [não existe coincidência] meu colega, centurião Ariovanus, juntamente com dois legionários, encontraram e escoltaram esse grupo até Bethlehem. Questões de ordem administrativas nos fazem prestar relatório com a ocorrência do dia e eu soube então, por declaração do mesmo, que se tratam de uma Suma Sacerdotisa, enviada de Bizâncio, com duas noviças, com o intento de inaugurar o templo de Astarté em Bethlehem.

– Isso está ficando mais interessante. Prossiga.

– Pouco depois, outro colega meu, centurião Laurentium, declarou que tinha sido responsável pela escolta do Tetrarca de Iduméia até Bethlehem, juntamente com dois convidados, aparentemente tendo por objetivo encontrar esse mesmo grupo.

– Perfeito, centurião Portius, perfeito. O senhor não saberia o nome dos demais envolvidos, saberia?

O centurião abriu um largo e amplo sorriso naquelas faces acostumadas à dura rotina militar, como o jogador imprudente que acha que fez manobra inteligente e está com a partida ganha.

– Eu tenho todos os nomes envolvidos, Tetrarca da Galiléia. Além de Vossos nobres irmãos, eu cito a Suma Sacerdotisa Yonah, a Suma Sacerdotisa Sulamita, a noviça Myriam Nazarena, a noviça Myriam Magdalena e o rabino Zacarias.

– Excelente, centurião Portius, excelente. Eu te peço que aceite esse pequeno presente como agradecimento meu. [o centurião arregala os olhos e fica boquiaberto diante da bolsa com trezentos sestércios de ouro]. Infelizmente nossa gratidão está limitada.

– Vossa Majestade é muito gentil e magnânimo. Eu me coloco à Vossa disposição.

Antipas meneia a mão, dispensando o centurião que, feliz, levanta, faz a saudação costumeira e parte, sem demora, de volta ao seu destacamento. Esta poderia ser a ocasião que ele esperava, se não tivessem duas sacerdotisas envolvidas.

O nome de Yonah e das noviças nada significam para ele, mas a coisa muda de figura com Sulamita. Ao contrário de seus lesados irmãos, Antipas sempre levava a sério aquilo que fazia e não foi diferente quando Herodes, seu pai, colocou todos na Escola dos Helênicos e trouxe Sulamita para o Heródio. Seus irmãos não assimilaram nem aprenderam o que era esperado e foram iniciados formalmente por noviças. Quando foi a vez dele, Antipas lembra muito bem de seu pai ter chamado ela, Sulamita, para consumar o Hiero Gamos, rito crucial da iniciação no Caminho. Antipas perdeu as contas das vezes que ele foi convidado a compartilhar o leito de seu pai com esta beldade incomparável e, mesmo sabendo que era vetado e inútil, acabou se apaixonando pela Suma Sacerdotisa.

Ao contrário de seus irmãos, Antipas acompanhou e compartilhou a dor de Herodes quando Sulamita desapareceu sem deixar notícias. Embora não tivesse certeza, o Tetrarca da Galiléia deduziu que ela provavelmente fugiu para gerar o filho que seu pai insaciável plantou no ventre dela.

– Meu irmão, meu esposo, eu não estou me sentindo bem.

Antipas pisca os olhos três vezes ao interromper o raciocínio e virar o rosto na direção da suave voz feminina que se dirigia a ele. Herodíades tem ficado mais carente de atenção e cuidados do que o costume e ele considera inevitável, tendo em vista a crescente protuberância que ela tem no ventre. Nisso Antipas é parecido com Herodes, a despeito do conhecimento das artes e de como prevenir a gravidez, ele sempre acabavam esquecendo-se dos cuidados quando estava entre as coxas de sua mais amada e eles sempre derramavam enorme quantidade de sua essência naqueles templos preciosos.

– Minha irmã, minha esposa, deveria estar descansando. Carregas contigo o fruto de nossa união.

– Perdoa-me, meu irmão, meu esposo, mas a tua semente que cresce dentro de mim me tornou sensível à sua ausência. E a parteira disse que é bom que eu me movimente um pouco. Eu vim de fazer companhia e… oh! Meu irmão, meu esposo!

Herodíades tinha uma expressão esquisita, aparentava estar curiosa, espantada e amedrontada, olhos vidrados, enquanto com um dedo de sua delicada mão apontava para algo no meio das pernas de Antipas.

– Meu esposo, meu irmão! Eu espero sinceramente que esteja pensando em mim para ficar nesse estado. Eu espero honestamente que não siga o hábito tão comum entre nobres e reis e esteja pensando em usar esse seu talento em outras carnes.

Pego em flagrante, sem poder negar ou esconder algo tão formosamente evidente, Antipas podia, ao menos, fraudar o nome da autora da façanha.

– Minha irmã, minha esposa, eu confesso que sou culpado até ultima instância. Não tem como eu negar que eu pensava e a prova cresce dentro de teu ventre. Viste o centurião que acabou de sair daqui? [acena sim] Ele me trouxe a boa notícia que nossos irmãos vão inaugurar um templo de Astarté em Bethlehem. Eis que eu fiquei divagando, lembrando-me dos dias em que estivemos aprendendo juntos o Caminho. Eu fiquei nesse estado lembrando-me de cada minuto que eu passei ao teu lado.

– Ah, meu irmão, meu esposo! Eu sabia que tu estiveste apaixonado por mim no primeiro minuto que eu te conheci. Eu sofri muito quando nosso pai me entregou a Felipe [chamado Romano] e eu posso me elogiar por ter me guardado. Eu nunca te disse isso, meu irmão, meu esposo, mas você foi meu primeiro homem.

Antipas olha para Herodíades com alguma incredulidade. Por mais impossível que pareça, Felipe [chamado Romano] era bem capaz de ser tão… incapaz. Ou talvez o irmão caçula saiu com a mesma herança que seus demais irmãos, ignorantes no apreço devido que o homem deve dar à mulher. Antipas nunca vai admitir isso, mas Herodíades foi a primeira dele… bom, a primeira virgem, a primeira engravidada. Na perspectiva dele, a iniciação não conta, as vezes que ele violentou servas não conta, as vezes que esteve na casa das cortesãs não contam. Essas vezes foi apenas contato carnal, sexo brutal, sem amor. Herodíades foi a primeira dele porque foi com amor, com tesão, com vontade. Mesmo naquele estado em que ela estava, ela atiçava seu apetite e o volume só aumentou.

– Ah! Meu irmão, meu esposo! Pare com isso! Se continuar, é bem capaz que venha a explodir!

– Eu não consigo, eu não posso! O que nós faremos?

– A responsabilidade é minha. Sou eu quem tem que cuidar disso. Eu não posso permitir que derrame sua semente no chão, isso seria pecado.

Os olhos de Herodíades brilham com satisfação e gula assim que liberam o volume de seu esconderijo. Isso é algo que ela aprendeu e brincou muito com Antipas. Suas mãos e seus lábios cresceram e desenvolveram habilidades providenciais para esses casos. Ver, observar, fazer. Não faltaram professores e professoras, ainda que acidentais, servos e servas, que brincavam pelos cantos do palácio. O que ela aprendia, sabia que podia contar com a “colaboração” de seu irmão para repetir e praticar. Antipas era o único que recebia tal tratamento e, de certa forma, isso o treinou para executar o Hiero Gamos.

– Gush! Ack! Cofcof! Meu irmão, meu esposo! Quer me matar afogada?

– Mil perdões, minha irmã, minha esposa. Seus lábios me fizeram sentir muito bem.

– O sabor da sua essência e a rigidez de seu troço também me fazem me sentir bem. E… oh… isso ainda está duro e eu estou precisando sentir isso dentro de mim.

– O que pretende, minha irmã, minha esposa? Tu estás no período de resguardo. Eu posso danificar esse fruto que cresce em teu ventre.

– Ah, meu irmã, meu esposo! Você me ensinou algo valioso para momentos assim. Venha por trás, como fizeste anteriormente. E não ouse sair enquanto não esvaziar toda sua carga dentro de mim.

Herodíades não sente vergonha alguma em ficar diante de Antipas naquela posição que é mais habitual entre rameiras, de quatro, como se fosse uma fêmea animal, arrebitando os quartos, praticamente implorando para ser empalada. Antipas retira toda a fantasia que reis vestem para se diferenciar de homens comuns e, sem prurido e compaixão, faz uso de sua “ovelha” como bem quer e só cessa de arremeter o aríete através daquela estreita passagem quando esgota seu sêmen até a última gota.

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