Fate/Major Arcana – XXI

Este capítulo foi produzido por Storyteller©4.0.

Patrocinado pela The Priesthood of Golden Light.

A donzela de Nix passeia pelo firmamento, levando consigo seu rebanho de estrelas quando surgem, repentinamente, flores luminosas, resultantes do espetáculo pirotécnico da cidade de Amergin. Cibele, ciente de que está substituindo sua irmã Selene, solta uma interjeição de espanto e surpresa enquanto seu rebanho, assustado, se dispersa pelo jardim de Urano.

– Nossa! O pessoal está animado! Será que já começou a luta final da Batalha do Graal?

Olhando de esguelha para os lados, Cibele folga seu espartilho e, rapidamente, tira de entre seus seios perfeitos um aparelhinho, melhor dizendo, um smartphone.

– Eu acho que posso me dar uma folguinha do serviço. Eu vou só dar uma olhadinha na luta final.

Os seres divinos não são muito diferentes de nós, humanos, quando o assunto é vício com celular, internet, redes sociais e aplicativos de mensagens. Cibele perde a noção do tempo assim que a tela de seu smartphone acende. As estrelas, acostumadas, voltam a pastar no jardim de Urano, ordeiramente.

Ardane acorda, sobressaltada, com toda essa balbúrdia e, habitualmente, se levanta para checar o perímetro e checar sua localização. Está tudo em paz, silencioso, seguro.

– Ah! O Sapo!

Ardane olha para o lado e vê que seu protegido está bem, incólume, extenuado e nocauteado. Ardane ainda não sabe [exatamente] o que ocorreu, seu corpo ainda está quente e mole feito gelatina. Seus braços e pernas estão esgotados, tremendo e formigando. Ela observa com surpresa e curiosidade a enorme mancha do líquido quente, esbranquiçado e viscoso, por sobre suas coxas, espalhado no chão e escorrendo de suas entranhas. Intrigada, colhe uma amostra entre os dedos e experimenta o sabor na ponta da língua, sentindo o gosto salgado e picante.

– Hum… essa deve ser a essência do Sapo. A mestra vai… opa… a mestra!

Cambaleando e tropeçando, Ardane vasculha o domicílio de Enheduanna e não encontra nem sua mestra nem o mercenário. Milhares de pensamento fuzilam a mente de Ardane. Roubo? Sequestro? Isso é impensável em Amergin, mas Ardane ainda resguarda medos e suspeitas que ela trouxe do Mundo Humano. Completamente nua [e babada], Ardane sai pelas ruas, perguntando a conhecidos, vizinhos e amigos em busca de pistas de onde está sua mestra. Essa é a melhor parte de morar em Amergin, roupa não é um item obrigatório e é bastante comum tropeçar e encontrar pessoas transando [ou saindo de uma transa] no meio da rua.

– Mestra Enheduanna? Eu a vi em direção da Praça Central, acompanhada do mestre Nestor.

– Senhorita Agabe? Estava rindo, feliz e satisfeita, aos braços e abraços com o mercenário ali na arquibancada.

Só então Ardane se deu conta da enorme estrutura armada na Praça Central, cercando dois imensos telões e o apinhamento de gente. Vai ser difícil encontra sua mestra no meio de tanta gente.

– Ardane? Oooi! Ardane! Menina! Aqui!

Ardane segue o som da voz familiar e encara sua mestra, com um enorme sorriso estampado no rosto, ao lado do mercenário, com a mesma expressão de cansaço que estava no Sapo. Sem dúvida, devem ter dado mais uma, em algum canto.

– Ah, mestra! Pelos cabelos de Adônis! Eu fiquei morta de preocupação! A senhora está bem?

– Eu estou ótima, Ardane. Eu sou adulta, eu sei cuidar de mim mesma [expressão interessada]. E aí? Como foram as coisas com seu protegido?

– Francamente, mestra! [tentando desviar do assunto] A senhora não pode sumir desse jeito. A senhora bem que podia ter dito algo, me avisado.

– Hum… ouviu só essa, Nestor? Eu tenho que prestar contas e pedir autorização. Será que trocamos de função ou hierarquia? A senhorita certinha é quem tem que me pedir coisas e prestar contas do que fez. Desembucha.

Enheduanna agita o dedinho no ar, como se estivesse dando bronca em Ardane. Ela suspira, gira os olhos e pende os braços soltos em direção ao chão.

– Bom… é que… eu ainda não estou certa… do que aconteceu e do que eu senti.

Enheduanna segura Ardane pelo queixo e olha fundo naqueles olhos de âmbar, como se lesse letras miúdas da bula de remédio.

– Nossa… pelo que eu vejo foi bom, FOI MUITO BOM. Sabe, eu acho que, depois que acabar a luta, eu vou conferir os “talentos” de seu protegido.

Ardane gesticula e protesta, o que só piora sua situação. Amergin é conhecida por ser um dos poucos locais no multiverso onde o ditado que diz que o Amor é o Todo da Lei é praticado. Aqui as pessoas podem, efetivamente, concretizar a máxima que diz que todos os atos de amor e prazer são rituais da Deusa. Aqui todos podem ser relacionar com quem quiser, com quantos quiser.

[corte de cena]

– Muito bem, pessoal. Agora é para valer. Chequem as conexões e os participantes. Nós vamos dar início à nossa transmissão da luta final da Batalha do Graal.

– Está tudo pronto e preparado, Professor Rosencreuz.

– Excelente, Mash. Vamos lá, pessoal! Tal como ensaiamos e fizemos isso antes. Música! Vinheta de abertura! Patrocinadores! Câmera três, foco no Astolfo! Contagem regressiva em cinco, quatro…

[corte de cena]

[Astolfo]- Bem vindos! Eu sou Astolfo de GrandRose, o árbitro que irá apresentar e conduzir este evento. [música] Como todos sabem, esta é a oitava competição chamada Batalha do Graal. Esta é, sem dúvida alguma, a melhor de todas. O distinto público pode assistir e torcer por magos poderosos e figuras heroicas de lenda imortais, tudo para conquistar o Graal. Nessa edição, nós assistimos antigos campeões, candidatos novos e reconvindos, em lutas de tirar o fôlego. E aqui estamos nós! Esta é a luta final! O vencedor receberá do Graal a realização de qualquer desejo. QUALQUER DESEJO! Quem será o vencedor? O homem da Igreja e seu [ainda desconhecido e não declarado] Servo? Ou o candidato novato, sem experiência, mas que tem surpreendido até os especialistas? Vocês saberão, logo depois das mensagens de nossos patrocinadores. [música, intervalo]

– Ufa… muito bem, pessoal. Vamos aproveitar a pausa. Mash, cheque como estão os desafiantes.

– Imediatamente, professor.

[corte de cena]

Bastidores da arena, entre inúmeros equipamentos e técnicos, estão policiais, seguranças e inúmeros outros profissionais que dão apoio e suporte, tanto para a Organização Caldéia, quanto aos desafiantes.

– Dá licença? [toctoc] Karen? Durak?

– Oi Mash. Pode entrar.

– Oi pessoal. Eu vim dar uma olhadinha em vocês. E aí? Tudo bem? Precisam de algo?

– Nós estamos bem, Mash. Só um pouco nervosos e ansiosos.

– Que bom. Vocês conseguem. Eu acredito e confio em vocês. Vai dar tudo certo.

– Nós vamos nos empenhar e nos esforçar.

– Gambaremasho!

Mash fecha a porta, sorri e acha graça, a frase meio que tem o nome dela. Sai saltitando, alegre, para a alegria de muitos homens que babam vendo certas partes de seu corpo balançarem.

– Dá licença? [toctoc] Padre Kirei?

– Entre, herege, abominação!

– Padre Kirei! [expressão triste] Eu não sou culpada por seu um clone!

– Deus irá te julgar, herege. Você e toda sua organização pagã.

[choramingando] – Você é malvado e cruel!

– Lágrimas de crocodilo. Eu sou um homem de Deus, é impossível que eu seja malvado e cruel.

[enxugando lágrimas] – Eu tinha vindo para te animar e te encorajar. Bom, saiba disso “homem de Deus”, eu irei torcer para as crianças.

– Haha! [acendendo um charuto] Boa sorte em lidar com a derrota. Agora suma, antes que eu resolva te exorcisar.

[corte de cena]

– Muito bem, pessoal. Mandem o sinal aos desafiantes para se posicionarem no pontos marcados na arena, conforme orientado e combinado. Mash? Onde está Mash?

– Eu estou bem aqui, professor.

– O que foi? Seu rosto… estava chorando? [ela balança a cabeça, negativamente] Bom, depois eu vejo isso. E os candidatos? Estão prontos, preparados?

[fingindo estar animada] – Sim, estão todos prontos e preparados.

– Ótimo, ótimo. Equipe local, à postos! Equipe de som e luz, em prontidão! Astolfo, é com você!

– Boa noite, pessoal! Obrigado pela audiência e pela paciência. Eu, Astolfo de GrandRose, tenho a satisfação de lhes apresentar os dois times finalistas da Oitava Batalha do Graal. Do lado laranja, os fofos, fofíssimos, a Equipe Coruja, composta pela belíssima Karen, a primeira candidata maga transgênero e seu Servo, Durak, o primeiro servo interespécie.

– Min’na arigatō! Watashitachi mo anata o aishiteimasu! Watashitachi no tame ni inotte kudasai!

– Fofos! E do lado verde, o intrigante e polêmico padre Kirei, declarado representante da Igreja, que ainda não mostrou nem declarou quem é seu Servo.

– Sünder! Ihr werdet alle in der Hölle brennen!

– Sutileza, compaixão e empatia típicas dos homens da Igreja. Desafiantes, em posição! Pela autoridade a mim conferida pela Organização Caldéia, LUTEM!

[sussurrando] – Hei, Durak… nós temos mesmo que lutar?

[sussurrando] – Nós não temos alternativa, Karen.

[sussurrando] – E seu eu tiver uma alternativa? Vai parecer loucura, mas eu acho que, com sua ajuda, nós acabamos com essa luta sem que ninguém saia machucado… ou, pleo menos, não muito.

[sussurrando] – Você é a maga então, o que você decidir, eu vou te apoiar. Qual é a ideia?

[sussurrando] – Eu vou precisar MUITO de sua força e apoio. Eu vou usar o meu corpo para… seduzir, excitar e extenuar nossos desafiantes com… sexo.

– Haha! Sua ideia é realmente louca, mas pode funcionar. Se estiver pronta, eu estou!

– Acabaram de fazer suas orações para Deus perdoar seus pecados? Pois bem, venha adiante, meu Servo! Sieg Yggdmillenia! Sim, isso mesmo, Astolfo, seu mestre é meu servo e pode atuar como mago e invocar outro espírito heroico. As possibilidades são ilimitadas! Não tem como vocês ganharem! Eu farei com que a Igreja volte aos seus anos dourados, eu irei acabar com essa blasfêmia do Graal e eu acabarei com essa heresia chamada Organização Caldéia!

– Me… mestre? [fica assustado ao receber o olhar frio e indiferente de seu amado mestre] I… isso não é justo! Isso não é certo!

– Você não está em condições de contestar, Astolfo. Você permitiu a participação de um espírito heroico sem lenda que portava o Deus da Floresta no corpo. [Astolfo se contrai ao lembrar-se de sua “falha”] E como árbitro, você não pode interferir ou favorecer os candidatos. Se for necessário, eu posso fazer seu mestre te matar e ele o fará, sem hesitar. [Astolfo fica horrorizado]

– Hei, Fonfon, não tenha medo. Vai dar tudo certo. Está tudo bem.

Astolfo sorri e enrubesce. Ele reconhece a voz e volta seus olhos na direção da Equipe Coruja, achando que o Mercenário está lá, mas a voz sai do jovem Durak.

– Eu te peço, Fonfon, que confie em mim. Se eu explicar agora a coisa vai ficar mais confusa. Eu e a Karen vamos acabar com isso. Eu só te peço que não fique bravo conosco.

[corte de cena]

A população de Amergin vai dissipando aos poucos. Ninguém esperava final tão surpreendente. Sem outro recurso, a Organização Caldéia cortou a transmissão e o professor Rosencreuz ficou lendo uma declaração confusa e truncada. As pessoas entenderam que aquela foi a ultima edição da Batalha do Graal e que a Organização Caldéia cessa todas as suas operações. Não houve o final épico, tenso e cheio de violência. Astolfo, sem jeito, declarou a partida empatada ou prejudicada, enquanto os participantes estavam desmaiados na arena, extenuados, satisfeitos, felizes e realizados. No final, o amor venceu o ódio, a violência e a agressividade.

Happy End.

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