Fate/Major Arcana – XIII

Gentil leitor/audiência/plateia, eu lamento por voltar para a mesma cena. Eu fui instado a fazê-lo pela produção que percebeu, tardiamente, a falha no encerramento da cena e eu abandonei os personagens na encenação. Eu saio correndo, com as calças na mão [Fortuna está viciada em receber injeção de testosterona], direto ao estúdio, onde eu encontrei [Karen] andando de um lado a outro, como se procurasse algo, enquanto Cure Black e Durak dormiam placidamente no solo.

Súbito, de dentre as duras pedras que compõem os megalíticos, abre-se uma claraboia de onde se projeta, desequilibrado, o corpo do árbitro, que reclama e se dói de dores nos quartos pelo choque com o granito.

[Astolfo]- Ai, meu precioso traseiro. O que aconteceu? O que eu perdi?

[narrador]- Não estava presente na cena? Eu fiz as Pretty Cure lutarem com Karen e Durak, para conseguirem passar na prova de classificação para a Batalha do Graal.

[Astolfo, com dedo em riste diante do meu nariz]- Bem, eu creio que este é o SEU trabalho, escriba. Eu não posso estar presente [nem testemunhar a cena] se VOCÊ não me coloca na encenação.

[Karen, decepcionada e indignada]- E agora? Nós tivemos tanto trabalho para encenar essa luta… por nada?

[Cure Black, acordando]- Eu não diria isso. Eu posso falar com as Pretty Cure e nós podemos reprisar as cenas filmadas.

[Durak, se recompondo]- Eu posso falar com a Sociedade Zvezda. Venera Sama pode dar o testemunho necessário. Certamente a Organização Caldéia terá que aceitar a palavra de Venera Sama.

[Astolfo, visivelmente contrariado e irritado]- E eu? Fico como? Esse arremedo não vai consertar o fato de que eu não estava presente. Pelas regras, a luta não valeu. Não deveria sequer ter começado sem que eu estivesse presente.

[Cure Black, cobrindo-se com seu uniforme]- Pelas regras, ninguém viu o que aconteceu. Somente nós cinco estamos cientes do fato. Então nosso relatório é que valerá. Pelas regras, se nós dizemos que você estava aqui e testemunhou a luta, ela foi válida.

[Durak, rodeando o árbitro]- E eu posso cuidar para que você tenha participação mais destacada na encenação, Astolfo. Aliás… onde você estava que não estava por perto?

[Astolfo, perdendo a pose, ficando envergonhado e tentando trocar de assunto]- Eu? Hã… por que pergunta? Eu… estava decorando e treinando minhas falas e encenação.

[Karen, examinando mais de perto]- Hum… sua expressão [e cheiro] indicam que você estava muito ocupado [e provavelmente se divertindo].

[Astolfo, visivelmente encabulado]- He… hei… eu sou apenas um dos atores e personagens. O responsável aqui é o escriba, lembra?

[Karen, dando de ombros e encerrando a pendência]- Está claro que a responsabilidade é do escriba. Nós somos os atores e personagens da encenação. Então vamos voltar ao que realmente interessa e seguir esse teatro. Pode prosseguir, narrador?

Os demais atores/personagens riem efusivamente [exceto Astolfo, ainda irritado e contrariado]. Para encerrar devidamente o capitulo desastroso, eu delineio o discurso do árbitro.

[Astolfo]- Eh… eeeeh… ahem… Equipe Pretty Cure está declarada derrotada. Vitória da Equipe da ONU. A Equipe da ONU pode prosseguir para a próxima arena, onde irá enfrentar outro desafiante.

[Cure Black]- Eu tenho que voltar agora, Durak. Boa sorte, meu querido e muito amado.[beijo]

[Durak, retribuindo o beijo]- Eu voltarei a te ver em breve, Nagisa chan. Eu voltarei com o troféu dessa disputa, pode acreditar.

[Astolfo, voltando ao normal]- Hei, antes disso trate de cumprir a promessa que me fez.

[Durak, piscando de forma provocativa]- Claro, Astolfo. Você pode segurar essa carta e mostra-la ao final dessa encenação. Isso vai definir a próxima cena de luta.

Durak e [Karen] somem dentro dos corredores formados nas entranhas dos megalíticos. Astolfo, intrigado e curioso, olha a carta e então muda sua expressão para medo e espanto. Em suas mãos trêmulas, o conteúdo do envelope é o que rege este capítulo: vede, pois eis o Arcano do Diabo. Agora, se o árbitro nos escusar, cumpre-me pagar por minha dívida, passando para o próximo cenário. Está pronto, Astolfo?

[Astolfo, tentando entrar no clima da cena] – Eehhh… desafiantes da Batalha do Graal, adiantem-se, apresentem-se, pois eu sou servo do mesmo Deus.

[Rolando]- Vamos acabar com essa farsa. Isso acaba aqui e agora. Eu sou Rolando, o maior cavaleiro e paladino de Carlos Magno.

[Astolfo]- Ro… ro… Rolando?

[Rolando]- A Organização Caldéia também tem seus superiores, Astolfo. Nós, da Grande Ordem dos Merovíngeos, legítimos portadores da Linhagem do Graal, viemos acabar com esse erro.

[Astolfo]- Ma… mas… como… por quê?

[Rolando]- Isso está bastante óbvio, Astolfo. Isto [apontando o mercenário] é razão suficiente.

[Mercenário]- Isto tem nome, bonequinha bonitinha. Só o Grande Graal pode encerrar uma Batalha do Graal depois de iniciada. Se quiserem que a Batalha acabe, devem entrar em luta e ganhar o embate. Qual das bonecas vai querer lutar comigo?

[Rolando]- Besta inominável! Irá se arrepender de tamanha ousadia e ofensa! Pela Grande Ordem dos Merovíngeos, Mestre Tokiomi Tohsaka, Servo Gilgamesh, classe Archer, erradique esse erro que envergonha o Graal!

[Gilgamesh]- Até que enfim. Vamos, Mestre. Eu enfrentei e ganhei a Terceira Batalha do Graal. Isso vai ser um passeio.

[Alexander sussurrando]- Nós vamos lutar contra Gilgamesh!

[Mercenário respondendo]- Eu esperava por isso, Mestre. Olhe, aguarde e observe de um lugar seguro. Vencer Gilgamesh é necessário se eu quero rever a Dama da Lua. Eu não gosto de fazer isso, mas eu terei que evocar uma de minhas outras formas. Mas antes… Astolfo… se eu vencer esse embate, eu irei querer meu prêmio por te libertar desse falso líder [enrosca o braço na cintura de Astolfo].

[Astolfo, fingindo resistir, mas no fundo gostando]- Me… me… me… Mercenário! Eu sou o árbitro e exijo respeito! Desafiantes! Em suas posições!

[Gilgamesh]- Ultimas palavras, Fera? Eu te mandarei tão rápido para o barqueiro Caronte que até Hércules ficará para trás!

[Mercenário]- Sim, garotinho prepotente, arrogante e presunçoso. Você acha mesmo que tem algum poder? Então vejamos como se sai contra um Deus de verdade. Ouça e venha, oh minha memória divina, assuma sua forma como Marduk.

Gilgamesh sente medo, algo que ele acreditava ser impossível. O mundo ocidental conhece as façanhas de Hércules, mas há tempos esqueceu que ele foi chamado de Heracles, Mehercle, Merodaque, Marduk. Até a Epopéia Enuma Elish é uma pálida imitação dos atos, feitos e poderes de Marduk, o Deus que desafiou e venceu a temível Tiamat!

[Tokiomi]- O que aconteceu, Gilgamesh? Adiante! Avance! Ataque!

[Gilgamesh]- N… não dá… ele… é Marduk!

Mesmo como todo o poder que Gilgamesh tinha [mesmo ativando o Fantasma Nobre], Marduk tinha muito mais poder em um único dedo. O ataque mais forte de Gilgamesh [Portões da Babilônia] é como pirotecnia barata.

[Mercenário]- Você deve conhecer este ataque, Gilgamesh. Outros Deuses me imitaram. Zeus, Apolo… você me imitou. Este é o poder que me foi conferido pelo Grande Anu. O Arpão da Luz. Você vai sentir, por alguns segundos, enquanto seu corpo aguentar, até ser extinto, o mesmo poder que eu usei para atingir e matar Tiamat. Lamento, Gilgamesh, mas estava na hora de você aprender sua lição e perceber onde é o seu devido lugar.

Algo refulge na ponta do dedo de Marduk. Sim, Zeus, Apolo [e eu diria até Thor] manejaram [com dificuldade] uma pequena parcela desse poder quando precisaram, para vencerem as formas da Antiga Deusa Serpente. Grosseiramente comparado a relâmpagos e trovões, o Arpão de Luz são raios de sol direcionados. Cada uma daquelas “setas” [ou lanças] são como milhares de mísseis atômicos que irrompem como estrelas [e podem, inclusive, matar estrelas]. Cinco segundos depois, os megalíticos estão mais uma vez em brasas. Dos presentes, miraculosamente somente os adversários foram vaporizados, nada acontecendo com Alexander ou Astolfo.

[Astolfo]- E… eu ainda estou vivo? M… muito bem… os representantes da Grande Ordem dos Merovíngeos estão declarados derrotados! Os representantes da Coroa Britânica são os vencedores e podem prosseguir para a próxima arena…

[Mercenário, rodeando Astolfo]- Antes disso, Fonfon… meu prêmio.

[Astolfo, fingindo resistir, mas no fundo gostando]- O… o que é isso, Mercenário? O que você acha que está fa… unf [discurso interrompido por um beijo apaixonado].

[Mercenário]- Vamos lá, Fonfon, como nós “ensaiamos” antes, mas desta vez é para valer.

[Astolfo, prestes a sucumbir]- N… não… não é apropriado… eu sou [unf] o árbitro… eu… nós… não podemos… [os olhos de Astolfo formam dois corações rosados]… eu sou menino…

[Mercenário]- Quando duas pessoas se gostam, se querem, não existem fronteiras, limites ou regras. Seu corpo pode ter a configuração de um menino, mas sua identidade é de menina que gosta de meninos. Sua condição nunca te impediu de amar, Astolfo.

Astolfo tenta falar, responder, resistir, mas seu corpo está completamente entregue. Sua mente mergulha profundamente na sensação divina do êxtase enquanto sua consciência se dissipa quando Astolfo tem seus rins recheados com o tronco do mercenário que investe, firme e ritmicamente, tal como aríete contra os portões do castelo.

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