Fate/Major Arcana – XII

[início da cena inserida]

Dona Mirtes, indignada, quis saber se eu pretendo fazer outras adaptações ou versões baseados nos animes. Ex-católica, ex-evangélica, ex-atéia, ex-periente [ieié, pegadinha do Mallandro], dona Mirtes faz parte das vizinhas fofoqueiras que vem me visitar para receber injeção de testosterona [isso começou lá na peça “Nossa Senhora do Arouche”].

– Francamente, senhor escriba. Suas composições não estão mais nos entretendo.

[eu tiro minha cabeça do meio das pernas de dona Francisca]- Dona Mirtes, eu não acredito que eu tenha muitos leitores ou plateia para minhas composições. Eu continuo a escrever porque essa é minha benção e maldição.

[dona Francisca me força a voltar ao que eu estava fazendo]- Eu tenho que concordar com Mirtes, escriba [gemido]. Vá lá, suas composições nos livraram de uma vida medíocre, conhecer Nossa Senhora do Arouche nos modificou e nós até aceitamos seu… relacionamento [arrepia e estremece] com aquela garota meiga, a Riley.

[dona Berenice para de me chupar]- Isso mesmo. Nós até começamos a assistir os animes que você citava e começamos a entender as versões, os cross-over e nós até apoiamos quando você deu um “gostinho” da coisa bruta quando você encenou com a Glitter Force.

[dona Mirtes]- Se nós entendemos bem, essa peça que escreve é baseada tanto em um anime quanto um jogo, certo?

– Sim e eu estou inserindo diversas referências para tornar a peça mais dinâmica.

[dona Berenice começa a subir em mim]- O que nós ainda não entendemos é o uso dos arcanos do tarô. Ou a referência aos Sephirots. Isso vai acabar em alguma referência a Cristo, Deus e ao Caminho?[ela geme e vira os olhos enquanto eu sumo
dentro das entranhas dela].

[dona Mirtes]- Por Deus, Berê, não seja tão escandalosa. Não esqueça de deixar um pouco para nós também. Eu serei bem sincera e direta, senhor escriba. Está na hora do senhor esclarecer melhor suas intenções com a [Karen], que nós sabemos que é interpretada pela Riley.

– Senhoras, se me permitirem eu vou revelar muitas coisas no presente capítulo que, não coincidentemente, está sendo regido pelo Arcano dos Amantes [diálogo interrompido por um forte gemido de dona Berenice].

[dona Mirtes]- Francamente, Berê… você sempre foi a mais fraca. Chica, agora é sua vez e deixe algo para mim. Faça sua cena, escriba. Não interrompa nem cesse a narrativa, só não deixe de preencher nossas entranhas com sua semente.

[fim da cena inserida]

Assim, sem ter linha de abertura, eu abro a cortina para a encenação.

O leitor/plateia/audiência deve perguntar [ou assim eu me iludo] o motivo pelo qual as cenas/os capítulos não se estendem. Para ser bom escritor, eu tenho que ser bom leitor e o que mais me incomoda ao ler livros de ficção [romance, histórico, saga] é que o escritor torna a leitora pesada [e chata] demais, desperdiçando tempo [letras e linhas] ao descrever o desnecessário ou explicar o que está bem óbvio para o leitor/audiência/plateia. Sim, parece preguiça, falta de tempo, de interesse, talento [o que até pode ser], mas a “economia” é estratégica, eu dissequei a estória do excesso [eu tirei a gordura, como bom cirurgião plástico]. Sim, eu vou deixar para o leitor/audiência/plateia o trabalho [e a satisfação] de completar como sua imaginação desejar.

– Está pronta para a próxima encenação, Riley?

– S… sim… senhor escriba… só não me abrace desse jeito, senão eu fico excitada.

– Então se prepare, pois nós vamos encenar [provavelmente] a cena mais NSFW dessa peça.

[o leitor/audiência/plateia se considere avisado/a].

Durak e [Karen] seguem pelo caminho que escolheram, ávidos por chegar na arena que irá classifica-los para a Batalha do Graal.

[Durak]- Você sentiu isso? Esse é o segundo tremor.

[Karen]-E… eu estou sentindo muitas coisas, no momento. Eu estou confusa com o que sinto no meu corpo e no seu.

[Durak]-O que você sente é normal, natural e saudável, Karen. Nós temos essa conexão especial porque nós temos muita coisa em comum.

[Karen, envergonhada e excitada]- N… nós também temos muitas coisas em contraste.

[Durak]-Eu sei que você consegue, Riley. Você é muito mais forte do que eu. Por isso que você foi escolhida para o papel de [Karen]. Você é a única que eu conheço que pode fazer essa cena.

Eu seguro Riley a poucos metros do cenário preparado, onde os demais coadjuvantes, equipe e direção nos aguardam. Eu olho no fundo dos olhos dela e ela está deslumbrante com aquela expressão de inocência, virtude e vergonha.

[Riley/Karen]- S… senhor escriba… Durak… o que –unf [diálogo interrompido com um longo, profundo e molhado beijo francês]. A- ahhh [recuperando o fôlego]… senhor escriba… Durak… o que significa isso?

[voz vindo do cenário montado]- Ahem… enfim, nos encontramos novamente, Bruxa do Coração Negro! Nós, a Glitter Force, vamos deter o seu avanço e livrar o mundo do seu mal!

[Durak]- Está pronta para se divertir, Karen? Ou prefere se divertir como Riley? Vamos! Elas estão no esperando. O público aguarda pela encenação. Nós temos um espetáculo a realizar.

[Karen/Riley] é puxada pela mão até que ambos entram na arena [cercada por monolíticos de granito] e se deparam com a Glitter Force, que os aguarda impacientemente.

[Cure Rosa]- Nós vamos, com ajuda de nossas amigas, erradicar toda sombra que existir na vida das pessoas. Pela Justiça, pela Verdade e pelo Amor! Avante! Pretty Cures!

Ao lado e em redor da Glitter Force, cinquenta guerreiras lendárias [Pretty Cure] estão em formação, cada qual com seu vestido [exageradamente colorido, repleto de babados, fitas e brocados] e poder especial. [Karen]/Riley sente balançar sua autoconfiança e duvida [esquece?] que é uma encenação [coreografia], não luta de verdade.

[Karen?/Riley?]- S…são muitas… nós podemos vencer?

[Durak]- Nós vencemos a Glitter Force uma vez. Eu lutei com as Pretty Cures uma vez. Mas não com todas elas. Eu acho que nós conseguimos vencer 20… mas com a sua ajuda, eu quero tentar ganhar essa batalha.

[Riley?/Karen?]- E… eu vou tentar… eu vou me esforçar.

[cena excessivamente explícita, com bastante serviço de fã, onde Karen se transforma na Bruxa do Coração Negro]

[Karen]- Eh… porque meu uniforme ficou ainda menor, mais explícito e sensual do que antes?

[Durak]- Depois eu te apresento a sensei Matoi, que pode te explicar isso. Vamos lutar!

[cena de luta excessivamente coreografada e ridiculamente desnecessária – coisa que parece contradizer o epíteto das Pretty Cure – por que lutam se representam o amor?]

Como prenunciado, as Cures vão caindo, mas não sem empenho e esforço supremos por parte de nossos “heróis” [eu não gosto de usar essa palavra para me descrever]. Sobram algumas, exatamente as mais fortes e nossos “heróis” estão no limite de suas forças e energias.

[Karen]- N… não dá… eu não aguento mais…

[Durak]- Nós temos que aumentar nossa comunhão com a Treva.

[Karen]- Como assim?

[Durak]- As Cures… de onde vem realmente o poder delas?

[Karen]- Elas dizem que vem do amor, da verdade e da justiça.

[Durak]- Estes são atributos do poder. Elas dizem que o poder delas vem da Luz. O que nós temos que entender é que isso é meia verdade. Lembra que eu te disse que temos muito em comum? Nós dois somos rejeitados e perseguidos pela sociedade, nós fomos abandonados até por aqueles que se dizem ser nossos familiares. Quando você esteve no abismo [como eu estive], alguém estava lá para te ajudar, te apoiar e te encorajar, lembra? Essas criaturas [entidades] são tão desgraçadas e malditas pela sociedade como nós o somos. Sim, Karen, eu encontrei fraternidade, amizade, empatia, compreensão e até mesmo amor por estes que são chamados de demônios. Foi graças aos seres das sombras que eu consegui me erguer, me levantar, me curar, reencontrar minha autoestima e meu amor próprio.

[Karen]- E… eu acho que entendo.

[Durak]- Karen, todos nós viemos do ventre da Grande Deusa. Não há nada mais escuro do que isso, então como a Treva pode ser ruim? A Luz, Karen…. ela traz a distinção, a separação… a discriminação. Como a Luz pode ser boa? Sim, Karen… nós devemos e podemos deixar a Treva nos envolver a todos, só assim acabam as distinções, as discriminações, o preconceito, a intolerância. Verdade? A Verdade encontra-se em um lugar escuro. Justiça? A Justiça plena é sombria. Amor? Acredita mesmo que a cor do amor é vermelho? Não, a cor do Amor é negro. Negro como a pele da Grande Deusa.

[Karen]- Eu… eu sinto… imenso…enorme… infinito…

Lidar com o Fogo Negro não é tarefa para qualquer um. Dizem que famosos magos mijaram para trás quando evocaram entidades de outra dimensão por meio de um procedimento com espelhos. Essas entidades não encarariam o Fogo Negro, pois é o coração e alma do Caos e da Treva. Eu fui agraciado com um pequeno carvão incendiado pelo Fogo Negro e, por isso, eu sou maldito até por aqueles que se intitulam “indomados”, bruxos e sacerdotes. Eu sou provavelmente o único ser humano que permaneceu vivo, mesmo depois de mergulhar no Fogo Negro, mas vendo minha sina, isso não é exatamente um conforto. O Fogo Negro foi condescendente e liberou uma pequena chama que envolveu a todos. Nem mesmo em sua forma suprema as Pretty Cures conseguiram aguentar esse mero aceno do Fogo Negro. Evidente, nossos “heróis” também foram atingidos, de forma que sobraram apenas nossa dupla e a Cure Black.

[Cure Black]- E… eu nunca vi nem enfrentei tamanho poder antes… você venceu, Bruxa do Coração Negro! Acabe de uma vez comigo e com a luta!

[Durak]- Nagisa chan?

[Cure Black]- Durak kun? Eu ouço sua voz. Onde está você?

[Durak, saindo da forma de possessão]- Eu estou aqui, Nagisa chan.

[Nagisa, saindo de sua forma de Cure]-Eh… só podia ser mesmo você, Durak kun. Eu vou ter problemas em explicar ao estúdio e aos meus agentes como eu, a Cure Black, foi se apaixonar por um espectro.

[Durak, ajoelhando]- Perdoa-me, meu amor. Eu te machuquei. Por causa dessa estúpida luta.

[Nagisa]- Não… não é estúpida. Amar é uma constante luta, porque você tem que sempre superar seu pior adversário que é você mesmo. E eu não me perdoaria se eu perdesse para outro. Só você é tão forte como eu, Durak. Só você me conheceu por inteira. Venha, me abrace e termine com essa luta, da forma como sempre terminamos nossas lutas.

Karen fica com ciúme e inveja enquanto Nagisa e Durak consomem-se em amor.

A pena repousa, saciada. Minha mão treme com o esforço. Minhas vizinhas adormecem, embaladas pelo êxtase providenciado por Eros e Afrodite. Eu posso dar por encerrado mais um dia e mais um capítulo.

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