Fate/Major Arcana – XI

Eis o onze, que simboliza a imperfeição e o pecado em várias culturas antigas. [ciência para todos]

Onze é um número espiritual e de intuição.
O onze é o idealismo, o perfeccionismo, a clarividência e a colaboração.
Ele é um número de forte magnetismo e caracteriza as pessoas idealistas, inspiradoras, inventivas, capazes de iluminar o mundo através de ideias elevadas.
O onze também caracteriza uma pessoa com dons de mediunidade ou voltadas ao ocultismo. Onze é o número da espiritualidade.
O número 11 representa o idealismo do Homem na direção de sua própria espiritualidade e de Deus. [linha das águas]

O sonho de todo artista é a perfeição. Poucos atingem o Parnaso. Nossa origem deve explicar essa nossa neurose. Surgimos em um mundo carnal e nos declaramos criaturas espirituais, descendentes do divino. Houve um sábio que afirmou que são dois caminhos para se compreender a existência. A ciência, ou o sacerdócio da matéria e a crença, ou o sacerdócio do espírito. Ainda há de surgir o que terá a coragem e a ousadia de seguir a terceira via que juntará as duas primeiras, sem deixar de ter sua própria trilha: a união do amor, posto que é espírito e o prazer, posto que é carne.

Assim esteja comigo, leitor, audiência, plateia, preso comigo, encarnado nessa estória, feito náufragos, perdidos nestas linhas, ao sabor dos ventos soprados pelo Destino e pela Fortuna. Sim, eu não sou o eminente bardo de Stratford upon Avon, mas essa é a minha benção e maldição. Os personagens clamam para que a encenação continue e eu, pobrezinho de mim, tenho que me arrastar do leito à escrivaninha. Minhas pernas estão bambas, minhas forças estão quase minguadas, mas eu devo continuar a escrever. O leve ronronar saindo do leito recorda-me que eu tive que deixar a Deusa Fortuna, descansando, com um enorme sorriso de satisfação e suas pernas escorrendo minha semente. Sim, seu ventre está recheado, ela dorme profundamente, mas sua voz chega nítida aos meus ouvidos: escreva.

– Mestre, estas construções foram outrora domínio dos druidas. Nós temos que ter cautela. Eu tive minha experiência com eles durante minha campanha na Gália e Bretanha.

– Nós devemos estar perto. Eu senti o chão tremer. Ali! Uma luz!

James e César correm na direção da luz [deculpem o clichê] e se deparam com o portal moldurado pelos megalíticos e o símbolo do Raider [condutor] encimando o pórtico. O corredor encerra-se para a larga abertura da arena, onde o árbitro os aguarda.

– Saudações, candidatos da Batalha do Graal. Vocês foram escolhidos pelo próprio Graal e devem, agora, demonstrar que estão aptos a seguir no torneio. Eu sou Astolfo de GrandRose, servo do mesmo Deus e, pela autoridade que me foi concedida pela Ordem Caldéia, eu os insto a se aproximarem, se apresentarem e se identificarem.

[César, sussurrando]- Mestre, o estranho árbitro que parece feminino mas é homem nos está chamando.

[James, sussurrando]- Divino General, eu não estou em condições de discutir a condição do árbitro. Deveis ter percebido que eu compartilho condição semelhante.

– Isso, meu Mestre, eu gostaria de entender, depois que me ensinar a dirigir sua estranha carroça. Permita-me nos apresentar! Eu sou o Servo Caio Júlio César, classe Saber. Meus epítetos são inumeráveis. Ajoelhem-se diante do Filho de Vênus e talvez nós tenhamos misericórdia de vós. Meu Mestre é o Kaiser da nação mais poderosa desse mundo, James Maddox.

[praticamente gritando]-Aha! Mestre, isso é muito providencial! Quando eu fui humano, eu persegui meu desejo tentando ser igual ao meu ídolo, César!

[vermelho de vergonha]- Iskander, não seja tão escandaloso! Devem ter te ouvido lá na China! Konichiwa. Eu sou Waver Velvet, Mestre da Escola de Magos e este é meu Servo, Iskander, Rei dos Conquistadores, classe Raider.

[César, intrigado]- Servo confirme, por favor. Tu és o Conquistador da Pérsia? Mesmo eu estando no Mundo dos Mortos, tuas façanhas chegaram ao meu conhecimento.

[ainda gritando]- Aha! Eis que meu nome chegou até onde dizem não há caminho senão atravessando pelo barco do Caronte! Mestre, eu estou muito feliz! Consegue entender, Mestre, que eu irei lutar com meu ídolo? Aquele que conquistou a Gália e a Bretanha?

[com os dedos no ouvido]- Eu entendo que eu ficarei com problemas de audição por dias.

– Eu compartilho teu entusiasmo, Iskander. Eu entrarei em luta contigo, com toda minha honra, nós somos companheiros de armas, nossa amizade é eterna e durará mesmo depois de terminada nossa refrega.

[Iskander, berrando]- Aha! Por Deus, em frente! Meu sangue ferve para que cruzemos armas!

[Astolfo, destapando os ouvidos]- Se os candidatos terminaram as apresentações e elogios, eu peço que fiquem em posição. Prontos? Pela autoridade que me foi confiada pela Organização Caldéia e Deus, eu declaro o início da luta.

[Iskander, berrando mais que vocalista de death metal- isso é possível?]- Arrraaaa!

O ritmo do Servo Rider é insano [ele está mais para classe Berserker]. César sorri pelo espírito de luta demonstrado, mas isso não é algo que seja problema para ele. Ele venceu os Pictos [entre outras tribos “bárbaras”], esse tipo de ataque furioso tem muita força, mas não costuma durar. Sim, César tem experiência de batalha que suplanta a de Iskander. Verdade seja dita, César caiu no senado unicamente porque foi atingido covardemente por aquele que ele o considerava como filho, o único remorso que ele guardou.

[César]- Eu devo elogiar o manejo de espada, Iskander. Mas isso é pouco. Eu pessoalmente fazia revista e treinamento da Guarda Pretoriana, a elite da elite do Exército Romano.

[Iskander, mais discreto]- Aha! Eu tenho que reconhecer que és realmente Filho da Loba! Mas não pense que minha técnica seja tão pequena ou bruta. Isso é apenas o meu exercício diário de aquecimento! Vejamos como tu enfrentas quando eu luto sério! Uuuuurraaaaiiaaa!

O espírito de luta de Iskander intensifica ao ponto de provocar trincas no chão [granito, lembra?] e a sequência de manejo de espada fica completamente diferente. Ah, sim, isso agrada César, que apaga o sorriso e enfrenta Iskander como igual.

[César]- Sim, Sim! Por Vênus! Esta sim é a batalha que merece todo meu empenho! Eu devo dizer que superaste Vercingetorix, Iskander!

[Iskander]- Aha! Elogios não irão te ajudar, Grandioso General! Venha, dê tudo o que tem! Eu enfrentei elefantes nas margens do Indo! Eu sei que tu tens mais poder do que isto!

[César]- Em minha vida, eu dava ordens, ninguém me mandava. Mas eis que nós somos companheiros de armas, eu não sou maior do que tu, nós somos iguais. Sim, Iskander, eu atenderei sua petição. Eu irei atacar com meu Espírito Heróico e tu atacarás com o teu. Somente um de nós restará em pé. Aceitas este desafio?

[Iskander, com olhos incendiados]- Aha! Sim, por Deus! Avante! Com tudo!

[César]- Deinceps Legione Romana et Honorem Romae!

[Iskander]- Ionioi Hetairoi!

César traz para si o espírito das Legiões Romanas [todas com as que ele lutou, com todos os legionários, lanceiros, fundeiros, cavaleiros, arqueiros, trebucheiros, etc], visão gloriosa e dourada de tantos soldados que morreram honradamente em guerra. Iskander traz para si o espírito de heróis antigos que ele mesmo derrotou [sozinho ou com sua armada], visão igualmente gloriosa e dourada pois os espíritos heroicos daqueles heróis somavam-se ao de Iskander. Não tem como prever o resultado.

[corte de cena]

– Hei… onde eu estou?

– Minha Musa Divina, Fortuna, Vossa Divindade encontra-se em minha casa, deitada em meu leito.

– Puxa vida… eu desmaiei. Onde sua obra… seu teatro… está no momento? Deixa-me ler. [observando, aparentemente indiferente]. Hm. Destino deve estar puxando suas cordinhas. Obrigada, escriba, pela lauta refeição, nós iremos repetir algum outro dia. Beijinho, beijinho, paupau.

[corte de cena]

A contrarregra tem que se virar para produzir [e depois amenizar] a cena da explosão [atômica?] no palco. O pessoal de cena dramatiza [demais… canastrões], rolando, se jogando, fazendo expressão de medo e terror. O diretor de cena aparentemente tira uma carta do baralho [de tarô – o Arcano da Carruagem] dá de ombros e manda seguir a cena.

[César]- M… Mestre… ainda vive?

[James]- Por Deus… sim… milagre.

[César] –Devemos agradecer a Deus e à Vênus por este milagre.

[Astolfo]- Eu também sobrevivi, obrigado por perguntar [cogitando se foi sensato aceitar ser árbitro].

[James]- Sabe… nós falamos tanto em Deus, mas… será que nós falamos do mesmo Deus?

[César]- Sim, Mestre. Embora não seja o Deus celebrado pelos templos humanos atuais. Nós todos somos Filhos dEle.

[James]- Mesmo eu ou o Astolfo [árbitro protesta]?

[César] – Mestre, há um grande mistério que deve ser oculto aos profanos. Mas o ser humano, ao ser gerado pelos Deuses, era originalmente um perfeito hermafrodita.

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