Fate/Major Arcana – V

Gaia é extensa, tem várias regiões e seus continentes contêm vários reinos. Embaixo [em outra dimensão] o Inferno, o Submundo, o Mundo dos Mortos também possui inúmeras regiões, continentes e reinos. O Firmamento não poderia ser diferente, a extensão do Mundo dos Deuses é incomparavelmente maior, sobretudo se levarmos em conta as doze dimensões da Eternidade. Por sobre o Mar Egeu nós encontramos o Olimpo e, em uma bela mansão ricamente feita com madeiras nobres e mármore, firmemente postado na Colina da Fatalidade, Destino está em seu ateliê, de onde ele pode desfrutar da bela paisagem dos Campos Elíseos. Destino está saltitando, olhos brilhando e ele até cantarola diante de sua mais recente obra.

Como narrador desta encenação, eu creio ser necessário fazer parêntesis e explicar algo que parece ter escapado da atenção do mundo ocidental. Esta encenação é baseada na série de animes que levam “Fate” como título. Isso deve dar um nó na cabeça, mas os japoneses criaram toda uma série de anime com base em ninguém mais senão no Destino. Os personagens estão todos nos mitos ocidentais e estão, de uma forma ou outra, irremediavelmente atrelados à Batalha do Graal. Eu peço paciência à distinta audiência, mas eu terei que ocultar o mistério do Graal por enquanto. Voltemos ao Destino e sua obra.

– Oh, sim, sim, sim! As peças estão no tabuleiro. Agora… eu vou começar a movimentação dos antagonistas.

[nota de protesto – estes que estão indicados como antagonistas, no ponto de vista dos personagens, são protagonistas]

– Eu vou colocar aqui nesse quadrado Illyasviel Von Einzbern. Neste outro eu vou colocar Rin Tohsaka. Agora vejamos… aqui em cima eu vou colocar Kiritsugu Emiya e no quadrado oposto, eu vou colocar Sieg Yggdmillennia.

[nota de esclarecimento – figuras em cerâmica, idênticas aos personagens/humanos, estão sendo dispostas em um enorme tablado decorado com padrão geométrico similar ao xadrez]

Sobressaltado com um ruído no saguão de entrada de sua mansão, Destino quase deixa cair a figura deste humilde escriba/narrador [hei, cuidado]. Vozes dissonantes, som de passos, algo quebrando. Assaltantes? Mas nem no Olimpo se está seguro?

– Heeei! Ô de casa! Tem geeente?

Destino reconhece a voz destes dois deuses. Eles são irritantemente familiares. Hermes e Dionísio. Sem dúvida, no mínimo, estão chegando da farra, cheios de problemas e confusões que ele, Destino, sempre tem que arrumar e limpar.

– Ooooi? Dedê? [som de algo quebrando] Ops. Eu espero que isso não tenha sido muito caro. Hehehe.

Destino sempre odiou a mania dos Deuses [velhos e novos] em dar apelido. Melhor ir ver o que querem antes que causem mais danos. Ao chegar no saguão, Destino vê, desolado, o que restou de seu precioso vaso Ming. Mas este não era o pior. A reboque, segurada pelos braços de Hermes e Dionísio, Destino viu sua irmã [mais velha] Fortuna. Para variar, ela estava completamente despida, bêbada e coberta de sêmen [por dentro e por fora].

– Fala Dedê. Nós estávamos… estávamos onde mesmo?

– Nós estávamos em minha casa Hermes… melhor dizendo, na minha floresta, cercado de Mênades, celebrando o equinócio de primavera.

– Isso… isso. Fortuna veio, chegou e se entrosou com todo mundo na festa…

– Todo mundo… mesmo…

– Isso… isso. Nós meio que perdemos a noção das coisas e…

– Para resumir, nós trouxemos Fortuna de volta para casa. Essa mina é doida. Até para os meus padrões.

– Isso… isso… agora nós temos… hã…

– Nós temos que voltar e apagar até o equinócio de outono. Nem eu aguento beber o que Fortuna bebe.

– Isso… isso… ah, desculpa nós termos quebrado suas coisas. Mande a conta… quando estivermos sóbrios.

Hermes e Dionísio saíram como entraram, mas não deram mais do que três passos e caíram no gramado do jardim e ali ficaram, ressoando, roncando, bêbados. Destino dá de ombros, rola os olhos e faz o que sempre faz. Com jeito, levanta Fortuna e [sozinho, coitado] a leva para sua imensa banheira de águas termais e jacuzzi. Destino perdeu as contas de quantas vezes fez isso quando ainda eram aspirantes à divindade, quando eram crianças. Agora tudo ficou mais delicado, mais complicado. Ele é adulto e as formas voluptuosas de Fortuna sempre causaram nele uma perturbação. Dar banho nela é uma tortura ainda maior, pois ela geme e se contorce de forma sugestiva, dependendo de onde ele ensaboa e enxagua.

Com cuidado, carinho e compaixão, Destino veste Fortuna com uma toga simples, a coloca na cama forrada com pena de ganso-dragão e a deixa dormir. Ele tem que continuar com sua obra. Quem Destino vai mover primeiro? O projeto de imperador? O empresário iludido? A garota refugiada?

– Heeei… Dedê… o que você está aprontando aí?

Destino arrepia, parece impossível, mas os fartos volumes dos seios de Fortuna são uma sensação inconfundível. Fortuna está bem atrás dele e bem desperta. Se ela… isso não pode acontecer… ela vai arruinar toda sua obra.

– N… nada… só uma maquete… isso… maquete!

– Hmmmm… maquete? Não está querendo esconder algo de mim, está, Dedê?

– N… não! Pelo Antigo! Eu sou incapaz disso! Dissimulação, engano, farsa… estes são atos mais próprios de você, Fortuna!

– Awww… se você não fosse meu irmãozinho adorado e gostoso [Fortuna começa a alisar Destino], eu poderia ficar ofendida.

– Fo… Fortuna! Po… por favor! Eu preciso ficar concentrado e atento! Essa é uma obra delicada!

– Hmmmm… você diz isso, mas seu corpo diz outra coisa… [Fortuna agarra o volume, cada vez maior, entre as pernas de Destino]

– Fo… Fortuna [ah]… isso é importante [aaah]… eu preciso acabar com minha obra! [os olhos de Destino indicam que ele começa a perder os sentidos e a consciência]

Incapaz de resistir aos encantos [inúmeros] de Fortuna, Destino é arrastado para a cama onde ele a havia deixado e ali afunda e afoga no imenso oceano de prazer e êxtase. Fortuna faz o que sabe fazer melhor e, com satisfação, deixa seu pequeno irmão satisfazer seu infindável apetite por sêmen. Destino trava sua luta com Fortuna e assim a Eternidade segue.

No tablado que Destino estava arrumando, aparece o sinal do início da Batalha do Graal. No centro do tablado, deliberadamente colocado em baixo de uma imitação do Graal, o Arcano da Temperança. Fortuna quer jogar esse jogo também. Que os Deuses nos protejam.

[corte de cena]

A forma de uma elegante e sofisticada aeronave sai do espaço aéreo dos EUA com o selo presidencial estampado em sua cauda. Em seu interior, James Maddox está inquieto, mesmo depois de sete doses de uísque e “canabbis medicinal” ele está agitado, olhando o smartwatch, como se esperasse alguma mensagem importante ou alguma bobeira que sempre aparece em redes sociais e aplicativos de mensagens.

– Senhor Kaiser, deseja algo mais forte para acalma-lo?

– Não, Juliano. Eu apenas queria que o Air Force One fosse mais rápido.

– Senhor Kaiser, mais rápido do que isso só se nós fossemos de Air Bus Spacial.

– Eu poderia sugerir usar um EVA, mas teoricamente e oficialmente eles não existem.

– Gah! Essa expectativa está me matando. Ajude-me a passar tempo, Shinji. Existe uma Asuka de verdade?

– Centenas.

– Rei?

– Milhares.

– Major Katsuragi?

– Especificamente major… eu conheço dez.

– Anjos? Existem anjos?

– Isso é uma pegadinha, Maddox?

– Senhor Kaiser, por favor.

– Juliano, eu não sou subordinado nem submisso.

– Deixe para lá, Juliano. Eu preciso de algo para tirar o estresse, não acrescentar.

– Agradeço, “senhor Kaiser”. Assim como o ”EVA” é informação classificada, “Anjos” é informação classificada.

– Mesmo levando em conta que eu pertença ao Círculo Interno?

– Sim, Maddox. Você está no grau 22. Você teria que estar no grau 33. Tem o problema dos demais tripulantes que são “profanos”.

– Mas você viu, você teve contato com os Anjos.

– Digamos que a tragicomédia da minha vida assemelha-se muito com a do personagem do anime que eu ganhei o nome. Quando se fala nesse… assunto… ver, ouvir, tocar ou sentir algo não é aplicável. O nível é bem maior, mais amplo, mais complexo.

– Nesse exato momento eu daria qualquer coisa para ter essa experiência. Eu estou morrendo de tédio.

– Eu só posso te pedir paciência, Maddox. Seu momento de teste e experiência está bem próximo.

[som de auto falante sendo ligado]

– Senhor Kaiser, distintos passageiros, nós estamos nos aproximando do Aeroporto Internacional de Roma. Voltem suas poltronas para a posição alinhada, recolham as bandejas de bordo, afivelem os cintos que nós estaremos aterrissando em breve.

Ainda entediado, James Maddox resolve, para desespero de Juliano, comer do cogumelo que ele ganhou do Primeiro Ministro da América do Sul. Shinji sorri e pode relaxar, por alguns minutos. Ele poderá conduzir o “pacote” sem distúrbios até o ponto pretendido.

Roma! O que falar desta cidade! Somente abalada por Cartago e Atenas! Tornou-se maior que Babilônia e Parsagada! Superou em nome seu berço, Tróia! Dominou o Egito e a Gália! Todo o Velho Mundo e o Novo Mundo existem, respiram e erguem-se pelos seus amplos ombros! No entanto, o que diriam seus nobres e míticos fundadores, Rômulo e Remo, se eles vissem como você está? Arrasada por duas pragas: o Cristianismo e as invasões bárbaras, Roma ficou fracionada até ser reunificada por Giuseppe Garibaldi para, pouco depois, conhecer novamente a decadência e agora é praticamente um país do Terceiro Mundo no Euro Grupo.

– Que cheiro é esse?

– Bem vindo de volta ao mundo factual, Maddox. Só para registro. Você me pergunta como é ter contato com Anjos, mas é experiente no consumo do maná índigo. Você sabe muito bem como é. Não precisava ficar me testando.

Aquele não era o melhor instante para discutir, James estava curtindo os efeitos da ressaca [no caso, inclua todas as drogas] e a expressão dele não era amistosa. Shinji suspira, não há o que fazer, senão tocar adiante. Diante de Shinji, um montículo era parcamente identificado com uma mera placa. Conforme os hábitos da época, os restos do grande Caio Júlio César foram repousados no centro do mundus, uma cova simples coberta com solo local e decorada com os dísticos da famiglia para facilitar o Culto aos Mortos, onde todos eramempilhados. O templo circundante veio posteriormente, quando César adquiriu o título de divino e, ainda assim, acanhado diante dos templos posteriormente erigidos pela Igreja do falso deus.

– Esteja pronto ou não, Maddox, eu vou começar a evocação.

Shinji deposita o arcano do Imperador [que Maddox “recebeu” de presente do presidente Donald Trump] e acrescenta um item [o catalisador] que auxiliaria a evocar esse espírito heroico. Felizmente SEELE e NERV tiveram o bom senso de inserir em sua memória [orgânica e cibernética] a forma correta [em latim] de evocar o grande general romano. A pronuncia e a tonalidade estão perfeitas e fazem efeito rapidamente. O mundus agita-se, flocos luminosos jorram em feixes de luz em torno do vulto e forma de uma pessoa, até consolidar-se em carne, sangue e ossos.

– Onde eu estou? [nota: “onde” pode se referir ao tempo, época] Quem me trouxe do Mundo dos Mortos?

– Grandioso César, aqui é [data perdida temporariamente]. Perdoe-me por perturbar Vosso merecido descanso, poderoso César. No entanto, como servo do mesmo Deus, eu Vos conclamo a servir como Dictator mais uma vez na Batalha do Graal.

– Tu me chamaste. Quem és tu?

– Shinji Ikari, Grandioso César.

– Tu não és romano.

– Confesso que eu sou indigno te tamanha honra, Grandioso César. Considerai-Vos que eu seja um mero servo do mesmo Deus, um facilitador, a quem foi confiado a missão de chamar-Vos unicamente para a Batalha do Graal.

– Isto ficou evidente, meu jovem. Então a quem eu serei confiado? Eu não posso servir senão alguém de estirpe e apto a conquistar a vitória.

– Permita-me Vos apresentar James Maddox, Grandioso César, aquele que ocupa o trono da maior potência do mundo atual.

César estreita os olhos, como se lançasse adagas deles e avalia o seu provável candidato a Mestre. Inevitavelmente, James estremece inteiro, sente sua alma invadida e vasculhada, a sensação é tão forte que os efeitos colaterais acabam, assim como qualquer resquício de entorpecimento.

– Eu percebo que muito mudou depois de milênios. Pelos votos sagrados que eu fiz em vida, eu não posso recusar o chamado de Roma. Em memória daquela que eu estimei mais que a vida, cuja lembrança encontra-se encerrada nessa relíquia, eu insto, James Maddox, a que apertemos as mãos e sejamos parceiros na Batalha do Graal.

Mãos se apertam e, voando no céu, canta uma águia, o que foi considerado bom augúrio. No Olimpo, na Colina da Fatalidade, de onde se vê a paisagem dos Campos Elísios, quem grita é Destino ao se deparar com suas “peças” desarrumadas. O mecanismo, depois de acionado, move-se por conta própria.

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