Arquivo mensal: agosto 2017

Conto noir para crianças crescidas – III

Eu subo a escadinha que sai do estreito corredor dos camarins e sobe até a coxia que antecede o plano aberto do palco. Eu respiro fundo e minhas mãos tremem com a pauta do dia. Atrás do enorme pano, um imenso quadrado que faz a vez de cortina, eu consigo ouvir o burburinho e a movimentação do lado da plateia. Eu perdi a conta de quantas vezes eu fiz isso, mas é como se fosse a primeira vez. Eu aceno e o cortineiro aciona o motor para abrir a cortina. Diante de mim a plateia ocupada pelos meus personagens. Com exceção dos personagens convidados, todos estão presentes.

– Bom dia, pessoal. Por favor, vamos sentar? Todas, por favor, sentem-se e façam silêncio. Obrigado. Como é de praxe em nossa companhia de teatro, eu as chamei para lhes apresentar o personagem novo.

– De novo? Mais uma gostosa? Velho tarado!

– Para uma companhia que constantemente reclama de falta de verbas, nós estamos contratando demais.

– Isso mesmo! Que tal um aumento?

– Ou pagar nossas férias?

– Ou pelo menos um plano de saúde que cubra gravidez não planejada… ou melhor falar em “acidente de trabalho”?

Milhares de risadas ressoam de forma retumbante pela abóbada do teatro e eu faço cara de paisagem e dou meu melhor sorriso amarelo.

– Por favor, meninas. Silêncio. Obrigado. Para lhes apresentar o novo personagem eu vou solicitar o auxílio de Zoltar. Por gentileza, Zoltar, suba ao palco.

Eu vejo que Zoltar está estranhamente normal [no sentido humano]. Ele beija Alexis e sua filha que insiste em murmurar meu nome. Miralia ainda tem que encenar esse personagem de bebê, o que deixa eu e Zoltar em uma situação constrangedora. Ele sabe que, em algum momento, sua filhinha e eu teremos, em um de muitos multiversos, um romance.

– Obrigado por sua presença e ajuda, Zoltar.

– Não há de quê, meu genro.

– Hã?

– A minha vontade é de te decapitar. Mas Alexis e Miralia ficariam chateadas comigo. Considere-se com sorte.

– Certo… enfim… Zoltar, pode explicar para suas colegas a espécie dos Mortos Vivos?

– Perfeitamente. Em termos cósmicos, a vida carnal é exceção, não a regra. A “biologia” cósmica, se me permitem a liberdade, é mais composta por seres espirituais. Eventualmente seres espirituais conseguem encontrar um vaso carnal com capacidade para servir de invólucro e a forma desses seres é condicionada pela natureza contida no planeta hospedeiro. Os invólucros carnais tem um curto período de existência, uma “data de validade”, se ainda me permitem mais liberdades e a tendência é do espírito retornar à sua verdadeira “natureza”. Mas por diversas circunstâncias o espírito fica preso na forma carnal e este é o caso dos Mortos Vivos.

– Obrigado, Zoltar. Muito bem, meninas. Eu lhes apresento o novo personagem. Ele é um ghoul.

– Oi, pessoal.

Sons indecifráveis de horror, nojo e repulsa saem de lábios que deveriam apenas proferir sons de prazer e êxtase.

– Eca! Mas… o que é isso?

– Alexis, o que é um ghoul?

– Um morto vivo, uma “evolução” de um cadáver insepulto, um esqueleto inquieto.

– Ah… tipo zumbi?

– Eu fico ofendido quando eu sou confundido com um zumbi.

– Ahem… zumbi é um cadáver sepultado que se torna morto vivo. Ou alguém que foi tomado como morto e se torna um fantoche [voudun]. Então o zumbi é burro, comparando com o ghoul.

– Muito obrigado pela consideração.

– Mas como aconteceu? Como você surgiu?

– Antes nós precisamos dar um nome para ele.

As meninas ficam animadas e nomes surgem aos montes. O coitado do ghoul está confuso e desorientado. Eu o entendo. Seres humanos são muito barulhentos.

– Peraê garotas. Eu mandei parar, parou. Ele foi vivo certo? Então ele teve pai e mãe. Ele deve ter recebido um nome. Qual era o seu nome, senhor ghoul?

– Esta é a primeira vez que me perguntam isso. Vocês são diferentes dos vivos que eu encontrei. Eu lembro que me chamavam de Dode. Mas também me chamavam de Henk.

– Então seja bem vindo, “Dudu”.

– Dudu?

– Ou se preferir, “Edu”.

– Eu estou sentindo um estranho calor em meu estômago e bochecha.

– Vai se acostumando, Dudu. As mulheres provocam isso em homens.

As risadas multiplicam-se pelo eco da concha acústica. Este deve ser o único lugar onde Dudu é bem vindo e bem recebido. Eu encho o peito, cheio de orgulho.

– Hei, hei, nós estamos nos esquecendo de uma coisa! Dudu precisa de um veterano, um senpai, para orienta-lo!

– Que tal Zoltar?

– Eu? Não, obrigado, eu tenho minha filha para cuidar.

– Bingo! Miralia é a senpai do Dudu!

Alexis começa a gargalhar e Zoltar fica desesperado. As mulheres fazem uma roda em volta de Miralia e trazem Dudu para que se conheçam. Miralia olha para Dudu e para mim. Seus olhos cor de ouro piscam três vezes. Dudu não sabe ao certo o que deve fazer ou dizer.

– Duh! Duuuh!

Miralia estica as mãos ao seu “hokai” e tenta abraça-lo com seus bracinhos pequenos e curtos. Centenas de suspiros femininos fazem o som da música ambiente. Meio sem jeito, Dudu olha desamparado na minha direção.

– Senhor roteirista… o que eu faço? O que eu digo?

– Por enquanto nada, Dudu. Hoje eu só te apresentei ao pessoal e ao público.

Conto noir para crianças crescidas – II

Quando se fala em indústria, o senso comum pensa em um edifício. Isso é uma evidente ingenuidade. Quando se fala em indústria deve se imaginar diversas instalações, ao redor de uma larga área, em volta do edifício principal onde fica a maior parte dos maquinários. O projeto e planta da fábrica deve ter um armazém, onde ficam as matérias primas. Ao lado ou em direção oposta, ficam os galpões onde os produtos beneficiados serão armazenados. Um belo e amplo pátio indica onde os caminhões estacionam, o que implica em um almoxarifado para controlar o recebimento e envio de produtos. Uma estação de força elétrica [ou diesel, ou outra] está desenhada estrategicamente para fornecer energia elétrica necessária a todo o complexo. Ah, sim, um planejamento estaria incompleto sem o prédio de administração e as instalações onde possam ficar os operários e vigias. Tantos recursos materiais e humanos dependem de uma grande soma em dinheiro e os burgueses contam com isso. Como essa conta será paga pelo povo, não pelo duque, ele começa a erguer sua indústria sem hesitar.

Naquele dia, de manhã bem cedo, tanto a estrada quanto a ferrovia estavam com trânsito pesado. Os cidadãos tentavam entender o que estava acontecendo, mas enormes comboios de caminhões e trens atravessavam a região, levando todos os itens necessários para construir a indústria. Os primeiros a chegar foram o arquiteto, o engenheiro civil e o mestre de obras. O ritmo estava frenético e os operários prontos para ação.

– Heh… na planta a impressão é que a área seria bem menor.

– Sempre é assim. Você só desenha. Eu tenho que adequar.

– Adequar o que, com quem? Vocês não teriam coisa alguma sem mim.

– Até parece aquela piada da eleição para presidente do corpo.

– Que piada?

– Deixa para lá. Podemos começar?

– Antes o pessoal quer fazer uma celebração.

– Celebração do quê e para quê?

– Os mais velhos falam que seus avós só conseguiram colonizar esse vale depois que fizeram uma celebração em memória dos mortos.

– Mortos? Que mortos?

– Os senhores sabem. Aqui aconteceu um morticínio sem igual entre dois reinos.

– Que bobagem! Isso são lendas que se contam para crianças.

– Isso é o que o senhor acredita. O que os senhores vão ter que entender e aceitar é que nós temos uma forte crença popular. Sem celebração, sem obra.

– Então que façam e que a Peste os carregue! Nós temos um prazo a cumprir.

O mestre de obras acenou com certo desdém e falou com os operários que foram, aos poucos, chegando, com seus familiares, trazendo bebida, comida, tabaco e velas. O arquiteto e o engenheiro, “doutores”, convencidos de que o conhecimento que tinham era melhor e superior aos demais, observavam o vai e vem das pessoas, com uma enorme birra. Rapidamente mesas foram postas, uma cozinha improvisada surgiu, barris de cerveja pareciam brotar de caminhonetes, enfeites e jovens mulheres coloriram o ambiente. A bandinha da vila mais próxima não demorou a chegar e tocar músicas folclóricas e até mesmo os “doutores” não resistiram a entrar na dança com as jovens mulheres.

No momento certo, acabou a farra e a alegria. Os “doutores” ficaram sem entender, mas parecia um enterro. Aos poucos, cada um foi depositando em um ponto suas oferendas aos falecidos. Caixas de charutos, vinho, cerveja, pães e bolos. Alguns retratos, pedidos, petições, faixas e coroas eram depositadas com o nome dos que se lembravam. Todos baixaram o rosto e ficaram quietos quando a anciã [temida e respeitada por ser bruxa] lembrou, como se tivesse acontecido ontem, a Grande Batalha e perfilou, um a um, o nome dos falecidos. Muito choro, lágrimas caíam ao chão, alguns batiam no peito, rasgavam as roupas ao lembrar-se do parente falecido.

Meio sem graça, os “doutores” imitaram as pessoas para não parecerem descorteses quando, do nada, a banda voltou a tocar e a fuzarca voltou com tudo, assustando os “doutores”.

– Com a breca! Essa gente é assim?

– Sim… nós somos. Nós somos simples, mas fazemos bem feito o nosso serviço. Podem confiar.

Realmente, assim ocorreu. Com a mesma rapidez e eficiência com que ajeitaram a celebração, os operários foram de um lado a outro, arrumando os materiais e acertando os equipamentos. Sorrindo de satisfação, o mestre de obras conduzia sua “orquestra”, cheia de sons metálicos e motorizados. Em duas semanas fizeram o prédio da administração e dos operários. Na terceira semana, veio o almoxarifado e o pátio de caminhões. Na quarta semana, o armazém e os galpões. Na quinta semana, a estação de força e as guaritas. Na sexta semana foi feito o prédio principal e foram instalados os maquinários e no sétimo dia foi observado o descanso, como é de praxe.

Na oitava semana, o duque inaugurou sua indústria, mostrando os planos para a vila dos operários e o projeto para a expansão da cidade para a região. Explico: o prédio dos operários serve como vestiário, cafeteria, refeitório e lazer. Mas os operários terão seus lares, onde poderão colocar suas famílias e isso deve ser feito com um plano de expansão da cidade como um todo, com bancos, farmácias, correios, escolas, etc. felizmente tiveram o bom senso de resguardar vinte quilômetros de distância entre a indústria e a futura vila dos operários. Evidente que essa expansão urbana foi patrocinada e financiada pelos burgueses, em troca de certos benefícios. Como a garantia de que a vila teria apenas os bancos e comércios de sócios desses burgueses. E que as famílias dos operários trabalhariam em suas empresas e colocariam seus filhos nas escolas deles. Um investimento que foi compensado pelo indulto fiscal e baixos salários. Definitivamente, foi mais fácil do que esfolar um gato.

Porém… sempre tem um porém… senão a estória não segue. Ninguém contava com o achado que aconteceu quando começaram a preparar o terreno para as primeiras casas. Esquecido e enterrado por várias camadas de terra, os operários encontraram o antigo memorial feito em homenagem aos falecidos na Grande Batalha. Aquilo criou um enorme burburinho entre as pessoas e discussões acaloradas entre os “doutores”. As pessoas comuns estavam ressabiadas com razão e os “doutores” se dividiam entre confirmar ou rejeitar o achado. Os “doutores” não gostam de admitir que estivessem errados. Mas pior foram os “doutores” da Igreja. Aquele era um memorial que poderia reascender antigas crenças e superstições populares. A ordem foi a de remover aquele indício de tempos iníquos e pagãos. Isso foi a um mês da Festa dos Mortos, que acontecia todo ano na véspera do primeiro dia de novembro, no ultimo dia de outubro. Este é o gancho que eu vou usar para apresentar e introduzir o nosso protagonista.

Sim, bem ali no meio de toda a controvérsia, polêmica e disputa, desconhecido e adormecido entre tantos restos mortais, havia uma existência que estava prestes a vir à luz.

Conto noir para crianças crescidas- I

Um cenário é meu protagonista para introduzir o tema. Não tem uma localização exata, pode ser em qualquer país, em qualquer tempo. Melhor dizendo, existe um tempo… aliás momento, quando só tinha a natureza ali. Um bucólico e tranquilo vale. Quase não percebeu quando chegaram os primeiros humanos, poucos, em suas carroças. Sobravam recursos, então sentiu só uma coceira quando árvores deram lugar às primeiras habitações. Quando os espíritos da natureza se deram conta, era tarde demais, o ser humano se alastrou rapidamente como uma praga, o vale virou vila e cidade.

A natureza demorou adaptar-se ao ritmo e demandas de seu novo inquilino. Cidades crescem, viram reinos e reinos viram impérios. O vale é pequeno demais para resistir ao avanço dos reinos e impérios, a cidade tem o infortúnio de estar entre dois exércitos, cada qual convencido de estar lutando por uma boa causa. O ser humano é provavelmente a única espécie que se regozija em matar sua própria gente. Centenas de soldados pereceram naquele vale e milhares de civis foram contados como casualidades de guerra. No solo arrasado, regado a sangue, só cresceram cadáveres, moribundos e sobreviventes. O vale teve este momento em que foi habitado pela morte. Em sua sabedoria, a natureza evitou voltar ao vale.

Mas não o ser humano. Um espaço amplo como aquele é uma tentação para os planos de crescimento e expansão de qualquer cidade. Somente os mais velhos e veteranos ainda lembravam-se do massacre que acontecera ali, mas a necessidade [ou a ganância] falou mais alto. O condado enviou seus homens para construir uma estrada e os operários sempre tinham histórias arrepiantes para contar das coisas que aconteciam todo dia. O barão não tinha tempo a perder e enviou os doutores da Igreja, que voltaram como foram, completamente inúteis. Foram os operários, lembrando os costumes de seus avós, que sossegaram as almas, enterrando os restos em uma vala comum, erguendo um memorial e celebrando a memória dos que pereceram.

A estrada também aumentou, veio a ferrovia para fazer concorrência e, inevitavelmente, o entorno deu origem a outras vilas e cidades. Três gerações depois, a memória do massacre era apenas uma lenda antiga que servia para assustar crianças. O conde até inaugurou uma catedral da crença dos escravos. Os padres tentaram, mas o folclore de celebrar o Dia dos Mortos persistiu. Foi essa piedosa crença popular que manteve as almas sossegadas por mais tempo.

O duque, filho do conde e neto do barão, queria livrar sua cidade dessas velhas superstições. Ele era um “homem das Luzes” e queria, a qualquer custo, erradicar a crendices populares e tornar seus cidadãos esclarecidos. Os monges da Inquisição da Igreja deram lugar aos céticos da Ciência e ao expurgo cultural que estes promoviam. Foi bastante embaraçoso e complicado. A cada ano os eventos “paranormais” aumentavam, sem qualquer explicação ou solução. Isso certamente atrapalhava os planos do duque, mas ele não deu o braço a torcer e ignorou os conselhos dos anciãos. Ele lançou o alicerce de uma fábrica e aquela seria a pedra fundamental dos eventos que eu lhes narrarei.

– Meu senhor, os emissários do rei aguardam por uma audiência.

– Que inferno! Quanta impaciência! Eu disse ao rei que estava tudo bem!

– Ainda assim o senhor deve lhes conceder audiência, por ordem real.

– Que venham então e depois o Diabo que os carreguem!

O mensageiro faz uma firula e convoca os emissários para a sala do duque. O pobre homem conta cinco pessoas, alguém da Igreja [bufa com desprezo], alguém da nobreza e três burgueses.

– Saudações, bispo de Voyeur. Eu o recebo com satisfação.

– Eu queria acreditar, Marcel, mas vossa mercê deixou abandonada a nossa comunidade ao não reformar a catedral que teu pai construiu.

– Eu tenho vários projetos, bispo. Eu peço à vossa reverência que tenha paciência.

– Paciência? Eu soube que seus “projetos” falam em escorraçar a crença das pessoas. Teu ducado tem sofrido com a invasão das hordas do Diabo por ter abandonado Deus.

– Invasão que, até onde nós sabemos, pode muito bem estar sendo incentivada pelo medo e ignorância de meus cidadãos. Eu pretendo levar a Luz da Ciência ao meu povo.

– Eu não me oponho, desde que esta Luz da Ciência não apague a Luz de Deus.

– [dissimuladamente muda de assunto] Mas a que graça eu devo a visita de meu nobre irmão?

– Graça alguma, Marcel. O nome de nossa família tem sido motivo de bazófias e arengues por causa de teus atos. Essa sua obsessão pelo progresso não anda em direção alguma e teu ducado tem uma posição estratégica que será reclamada pelo rei, em caso de conflito com o reino vizinho. Nosso Magnânimo Monarca enviou-me para me certificar de que está pronto a fornecer soldados, armas, munições e equipamentos.

– Ora, eu enviei uma missiva ao nosso rei demonstrando que a fábrica que eu construirei valerá mais do que um milhão de batalhões.

– Isso muito nos interessa, vossa excelência.

Um dos burgueses, figura que mais parecia um sapo de polainas, interrompeu e se intrometeu na conversação, desrespeitando todo o protocolo. Bárbaros e selvagens sem cultura e educação.

– Ahem… eu fico feliz em saber disso, senhor. Exatamente em que minha fábrica os interessa?

– Tudo, bom duque. Eu represento diversas empresas, mineradoras e beneficiadoras de ferro. Meu amigo aqui representa diversas empresas de transporte e distribuição de mercadorias. E cá atrás está nosso melhor e maior patrocinador, que representa os bancos. Com a nossa ajuda e auxílio, não apenas a sua fábrica será um sucesso, mas seu ducado entrará na Era Moderna antes de todos.

– Nenhuma exigência? Nenhuma cobrança? Ou esconde algo como o bispo? Ou tem outras agendas, como meu irmão?

– Absolutamente, bom duque. Todas as nossas “transações” são detalhadas em contratos bem claros e seguros. Nenhum truque, nenhuma surpresa. Na verdade, nós até oferecemos o bônus de resolver suas “dívidas” com a Igreja e a corte. Agrada ao bispo que seja incluída uma capela na fábrica? Nós damos um jeito para garantir que os operários mantenham a crença e os donativos para a Igreja. Agrada ao arquiduque que a fábrica produza não apenas mão de obra disponível para o exército, mas também armas, munições e equipamentos? Nós podemos garantir que o ferro possa ser facilmente transportado ou moldado para suprir as necessidades militares do rei.

Não se ouviu uma resposta, mas os burgueses esfregavam as mãos contentes com o silêncio. Foi mais fácil do que esfolar um gato.