Arquivos secretos – III

ATENÇÃO! NOT SAFE FOR WORK! Apenas para adultos. Ao prosseguir, você concorda e aceita unilateralmente com as condições estabelecidas por esta Sociedade.

Querido diário: eu fiquei um bom tempo no ofurô e eu segui algumas dicas e exercícios que eu encontrei na internet. Pode parecer fácil, mas eu tive que criar coragem. Então eu comecei pelo mais básico. Eu tirei a roupa e me olhei no espelho. E não é que eu empaquei? Nós tiramos a roupa automaticamente para tomar banho, mas ter consciência de que se está nu e olhar nossa imagem refletida no espelho é algo que causa estranheza e desconforto. Eu respirei fundo e passei para o exercício seguinte: olhar e perceber meu corpo sem os preconceitos e ideias preconcebidas de beleza. Não há mais um padrão e eu tenho que evitar qualquer julgamento ou crítica. Então eu comecei olhando o perímetro do meu corpo, como meu pelo está distribuído, a distância das minhas orelhas e a proporção dos meus olhos, focinho e boca. Oquei, eu sou uma raposa do fogo ou uma panda vermelha. Essa parte foi tranquila. Mas eu tive dificuldade para encarar os meus… atributos. Começando pelos meus seios. Se é que dá para chamar isso de seios. Opa. Eu não posso criticar nem comparar, mas os bojos da Riley são a minha referência. Oquei, eu respirei fundo e repeti o mantra que não há padrão de beleza. Eu preciso de uma referência. Minhas mãos, talvez. Eu coloquei minhas mãos por cima de meus seios e tive uma sensação estranha, diferente, mas boa. Minhas mãos conseguem esconder, como uma concha, meus seios. Então eu reparei que em relação ao meu tipo físico, meus seios até que são bonitos. Segui observando minha barriga e minha moitinha de pelos. Bom, eu ainda não estou pronta para encarar essa parte, então eu me virei de lado para observar minha bunda. Esta não é uma área do seu corpo muito visível. Eu vejo das outras meninas e eu imagino como os meninos olham para esses traseiros. Eu fiquei envergonhada, pois eu comecei a pensar como os meninos olhavam para a minha bunda. Oh, puxa, que sensação esquisita, mas… eu gostei de minha bunda. Será que os meninos vão olhar mais para mim se eu gingar mais? Eu parei depois da segunda balançada. Ai que vergonha! Oquei, eu respirei fundo e tomei meu banho. Eu acho que eu fiz bastante por um dia. E você, querido diário? O que acha de minha bunda? Ai, do que eu estou falando!?

Querido diário: hoje eu recebi mais roteiros da equipe de teatro da Sociedade. Um roteiro tem eu e Riley encenando com a senhorita Leila Etienne. Eu e Riley temos uma… amizade especial, ela se sente á vontade comigo e eu me sinto à vontade com ela. Nós somos tão diferentes em tudo que é um mistério de como nos damos tão bem. O que me deixa animada é que eu irei conhecer e contracenar com Leila Etienne. Então depois da escola e antes de estudar meu roteiro, eu fiz meu exercício no ofurô. Engraçado, eu consigo olhar com mais tranquilidade a minha imagem nua refletida no espelho. Eu até estou começando a apreciar meu corpo. Não que eu esteja fazendo comparações, mas na escola tem meninas de tudo que é tipo, tamanho e jeito, então não há um padrão. Cada uma tem a sua própria beleza. Eu achei que estava pronta para dar um passo adiante e foi o que eu fiz. Eu comecei a explorar meu corpo com minhas mãos, começando pelo meu cabelo, rosto, ombros. Empaquei um pouco quando cheguei nos meus seios e travei inteira só de pensar na moitinha. Eu acho que vou tentar em outro momento, eu ainda não estou pronta para superar esse obstáculo. Um ponto positivo: eu passei a encarar com menos vergonha a minha bunda e no que os meninos possam pensar dela. Eu vou tentar fazer isso na escola amanhã. Eu vou gingar mais e ver o que os meninos acham disso.

Querido diário: hoje eu estou feliz! Sim, hoje eu conheci e contracenei com Leila Etienne. Eu aposto que Vanity ficou furiosa, pois Leila Etienne é tudo o que ela tenta ou finge ser. Postura, cultura, sofisticação, nobreza. Eu não entendi muito qual a mensagem do roteiro, mas eu fiquei contente por rever o senhor escriba e o senhor Ornellas. Eu ainda não entendi como eles podem ser a mesma pessoa, embora existindo em dimensões diferentes, mas eu tratei de aproveitar e rebolar na frente daqueles homens todos. Ah, que diferença! Meninos são mesmo muito imaturos. Isso só reforça e confirma minha preferência por homens realmente adultos. As cenas são complicadas, pois eu tenho que encenar como se não fosse teatro e eu tenho que controlar minha vergonha e acanhamento, apesar de estar fazendo uma cena com o senhor escriba. Quando a peça acaba, eu fiquei extenuada. Felizmente Riley estava lá para me levar para casa. Leila Etienne veio falar comigo e até me elogiou. Sim, eu ganhei o dia. Riley tirou minha roupa, sem qualquer cerimônia, algo que nós duas conseguimos fazer a algum tempo. Sim, nós tomamos banho juntas desde que nos conhecemos. Sim, nossa amizade é muito especial. Riley se refestelou no ofurô enquanto eu expliquei para ela o que eu estava fazendo. Riley se ofereceu para ajudar e eu aceitei… algo que eu tinha rejeitado para Vanity. Bom, eu acho que você entendeu quando eu disse que nós temos uma amizade especial. Eu fico um pouco constrangida, pois Riley se derrama em elogios ao meu corpo. Ela até me “ajuda” conduzindo minhas mãos pelo meu corpo, insistindo vigorosamente na parte de segurar e apalpar meus seios com minhas mãos, com as dela por cima e eu… sinto algo bom tremendo dentro de mim. Mas evidentemente que Riley segue adiante, a despeito de minha pulsação e respiração estarem irregulares. Eu nunca senti algo assim e eu estou tanto assustada quanto animada. Minhas pernas e braços tremem por inteiro quando Riley conduz minha mão e a dela para minha moitinha. Foi demais para mim. Eu senti como se tivesse tomado um choque elétrico. Riley estava toda assustada e com os olhos arregalados quando eu recobrei a consciência. Ela disse que eu fiquei desacordada por quinze minutos. Que boba! Achou que eu tinha morrido. Exagerado, mas foi algo bem forte. Eu terei que ir com calma com esse passo.

Querido diário: eu devo agradecer a Riley pela ajuda que ela deu. Hoje eu acordei mais confiante e com mais autoestima. Eu aproveitei o momento em que me vestia para a escola para exercitar meu autoconhecimento. Colocar o uniforme da escola consciente de minha nudez e gostar de me ver sendo vestida através da imagem do espelho seria algo impossível alguns dias atrás. Sim, eu quase não me reconheço. Eu estou usando um lenço no pescoço só para que percebam que eu estou com o ultimo botão da blusa aberto. Eu levantei dois dedos da minha saia e eu estou deliberadamente gingando enquanto eu caminho. Falam gracinhas e também condenações, mas eu não dou a mínima. Pela primeira vez eu estou satisfeita comigo mesma. Engraçado é ver Vanity chocada com a minha transformação, curioso é ver Vanity com inveja da atenção que os meninos me deram. Todas as aulas são chatas e repetitivas. Os professores só sabem repetir o que eu sei. Eu fiquei ansiosa e impaciente para ultima aula. Eu sonho todo dia com isso. Eu e minhas aulas com o senhor Ornellas. Eu fiquei tensa, achei que fosse ter um chilique, mas Riley segurou minha mão e fez sinal de positivo com a outra. Eu tinha decidido que eu tentaria dar meu primeiro passo e foi o que eu fiz. Não foi algo vulgar e ousado, como Vanity costuma fazer. Eu fiz do meu jeito, com sutileza e delicadeza. Quando não tinha ninguém na sala ou vendo, eu pousava levemente minha mão no braço do senhor Ornellas. Ele percebeu minha intenção e sorriu. Eu tive tontura, mas felizmente Riley estava lá para me apoiar. Hoje, excepcionalmente, não farei o exercício no ofurô. Hoje eu senti que eu deixei meu corpo sensível demais.

Querido diário: eu estou satisfeita com meus progressos. Eu me olho mais, eu me aprecio mais, eu estou mais confiante. Eu consegui perceber como é possível ser atraente sem ser inadequada, eu encontrei o equilíbrio entre recato e sensualidade. Sim, eu até ousei convidar o senhor Ornellas para lanchar comigo. Eu não apenas dividi meu bentô com ele, mas dei comida na boca dele. De onde eu venho, é praticamente uma declaração de casamento. Antes de eu voltar para casa, eu dei um abraço e um beijo no senhor Ornellas e eu consegui me controlar um pouco. Meu corpo estava bem sensível, mas com o sorriso e o cheiro do senhor Ornellas na minha mente, eu tive que fazer o exercício do ofurô em estágio avançado. Tirar a roupa diante do espelho pensando no senhor Ornellas foi igual à primeira vez. Eu acho que é porque eu fiquei pensando no que ele pensaria se me visse nua. Ah, a velha timidez, vergonha e insegurança! Eu tenho que lembrar que não existe um padrão de beleza, então… não há um padrão para relacionamentos! Para acreditar que é possível o senhor Ornellas estar interessado em mim, eu tenho que acreditar em mim mesma. Eu respirei fundo e repassei os passos anteriores. Eu imitei a parte que estava eu e a Riley e… oh, Buda, eu imaginei as mãos do senhor Ornellas no meu corpo! Eu sinto meus braços e pernas bambearem e eu não poderia desmaiar sozinha aqui no banheiro. Riley não está aqui e eu tenho que fazer algo para apagar essa coisa que surgiu em mim e envolve o senhor Ornellas. Eu hesitei enquanto minha respiração e pulsação estavam aceleradas, eu cheguei a pensar em ligar para Riley, mas esse era a minha luta e, como descendente de samurais, eu tinha que vencer. Oh, Buda, não olhe! Eu coloquei minhas mãos na minha moitinha e… gostei tanto que não parei até meu corpo ter uma convulsão. Quando eu saí do ofurô eu estava exausta, eu parecia ser feita de gelatina, mas eu estava feliz. Ao menos em pensamento, eu tinha feito amor com o senhor Ornellas.

Querido diário: eu decidi que seria hoje. Todos os sinais estão claros e não há engano. O senhor Ornellas deu a entender que não se opõe e eu sei que ele tem alguma experiência em se relacionar com mulheres mais jovens. Eu sei que ele teve um relacionamento com a duquesa de Varennes. Eu tenho alguma… ideia do que se faz, convivendo com os Red. Eu tinha tudo planejado. O dia, a hora, o local. O senhor Ornellas não parecia surpreso ao me ver ali no estacionamento próximo da escola, no fim de tarde. Eu senti compaixão por ele, cansado, depois de um tedioso e quase interminável reunião de pais e mestres. O sol resistia no horizonte, segurando sua vela alaranjada, enquanto eu corria direto para os braços abertos dele. Eu senti nossos corações baterem em sincronia enquanto eu me desmanchava nos braços dele e quase desmaiei depois de nosso primeiro beijo. Eu não sei de onde eu tirei forças para começar a tirar a roupa dele, como também consegui aguentar firme enquanto ele tirava a minha. Minha respiração estava tão pesada que saía fumaça e eu pude perceber, com um misto de surpresa, animação e espanto, que ele gostou de meu corpo. Diversas vezes eu sonhei e imaginei, mas a sensação de suas mãos, firmes e fortes, deslizando por sobre meu corpo de forma gentil e delicada, era infinitamente melhor. Eu não sei direito como descrever a sensação, mas é como se cada centímetro de meu corpo estivesse ligado em uma corrente elétrica quando ele começou a usar sua boca e língua para me tocar naquelas minhas regiões mais sensíveis. Eu senti uma certa tontura e minha visão parecia estar enevoada, mas de alguma forma eu consegui fazer o mesmo, eu explorei o corpo dele e adorei ficar sugando aquele tronco de carne dele. Esse foi o aperitivo. Eu fiquei um pouco apreensiva quando fomos ao prato principal. Na minha cabeça, não tinha como aquilo tudo caber dentro de mim, mas assim mesmo eu queria… tudo. Eu me entreguei e deixei ele à vontade e ele veio, colocou e pressionou. Eu sentia a pressão, meu sangue parecia ferver e subir direto para o cérebro. Eu o via ali, tão perto, tão próximo, que não senti dor, eu apenas estava contente de estar com ele. Ele sorriu quando viu que o caminho estava desobstruído e começou a dançar em cima de mim… oh, Buda, eu quero morrer assim. Nossos corpos moviam-se em sincronia, enquanto nossas mentes iam se apagando entre sussurros e gemidos. Eu cheguei e voltei do Nirvana duas vezes até que eu senti o negocio dele contraindo e soltando um liquido quente dentro de mim. Ah, que boba eu era! Eu até sabia, teoricamente, o que era, mas sentir aquilo jorrando, forte e quente, preenchendo meu ventre, acertando em cheio a minha parte mais interna e sensível, era completamente diferente e a experiência de ter um orgasmo múltiplo torna tudo ainda melhor. Nós dois ficamos completamente exaustos, mas satisfeitos.

Querido diário: hoje nos separamos. Eu vou te entregar para o escriba para que mais pessoas saibam. Eu imagino que existam muitos outros jovens como eu, vivendo com vergonha, com insegurança, com medo de algo que deveria ser normal, natural e saudável. Riley evidentemente ficou toda esfuziante, ao mesmo tempo em que insistiu que eu comesse uma frutafoda. Então eu deixo esse conselho importante: usem contraceptivos. Uma coisa é eu, que sou de outra espécie e dimensão, trepando gostoso com o meu homem. Existem impossibilidades biológicas e dimensionais. Para e entre vocês, só com o uso de contraceptivos: camisinha e pílula. Tendo o devido cuidado, não existem regras para o amor. Nenhuma. Por anos eu vivi achando que as limitações eram reais. Acredite em mim: não existem essas limitações. Não existem proibições ou tabus. Você e só você pode se gostar, em primeiro lugar e se conhecer, para então gostar e conhecer esta outra pessoa. Então não tenha medo nem receio. Seu corpo não é seu inimigo. Seu desejo não é seu inimigo. Seu prazer não é seu inimigo. Conheça-se, toque-se, explore-se. Só você pode definir quando você está pronto/a para uma vida madura e adulta. Só você pode definir como você se sente, se define, se expressa, em seu gênero, sua sexualidade, sua preferência e opção sexual. O corpo é seu, as regras são suas. Como disse Madonna: expresse-se.

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