A batalha do século

Distinta plateia inexistente, descortinaremos nesse tablado nossa encenação sobre uma competição que foi realizada no Reino Faraway. Sim, esse mesmo, o reino do rei Shreck e da rainha Fionna.

– Que seja espalhado por todo reino esta Boa Nova. Nós, rei e rainha da dinastia do Pântano, conclamamos para que atenda a este concurso todo mago/a, feiticeiro/a e bruxo/a. Nós iremos dar um generoso prêmio ao vencedor ou vencedora, aquele ou aquela que for o mais poderoso ou a mais poderosa.

O convite chegou até nas Sábias do Caldeirão e nos Monges da Razão, cada qual com seu prodígio, separados e dedicados unicamente para aprender e treinar seus poderes mágicos. Na comunidade das Sábias do Caldeirão tinha a Feiticeira Faceira [eu escalei a Alexis para este papel] e no instituto dos Monges da Razão tinha o Tecnomago [eu escalei Zoltar, por motivos óbvios].

Houve uma bela cerimônia de abertura e muitos candidatos se perfilaram, prontos para defender suas bandeiras. A disputa foi árdua e cruel, druidas, xamãs e encantadores foram caindo, um a um, até restarem apenas a Feiticeira Faceira e o Tecnomago.

– Tecnomago! Desista agora ou sofra as consequências! Eu sou a mais poderosa!

O publico aplaudia efusivamente, pois as roupas da Feiticeira Faceira mal conseguiam esconder suas belas formas.

– Há! Só em seus sonhos! Está evidente que eu sou o mais poderoso. Desista agora, garotinha, para não magoar sua mãezinha!

O publico vaiava ensurdecedoramente embora a figura do Tecnomago pareça engraçada debaixo de tanta roupa e de algo parecido com uma máscara contra gases.

Dado o sinal, a Feiticeira Faceira utilizou todos os seus conhecimentos de poções, ervas, espíritos e entidades da natureza. Do seu lado, o Tecnomago utilizou todos os seus mecanismos, aparelhos e equipamentos da mais alta tecnologia. As pessoas presentes gritavam, cheias de medo, pavor e pânico, pois as explosões surgiam de forma violenta, causando alguns feridos. Havia muita fumaça e fogo, mas os truques acabaram.

– Eu devo te dar os parabéns, Tecnomago. Você é o primeiro que conseguiu resistir ao meu poder.

– Há! Seu poder natureba nunca foi um perigo. No entanto, eu custo acreditar que tenha resistido aos ataques da mais alta tecnologia!

– Hohohoho! Acha mesmo que bites podem me ferir? Eu vou ganhar de você, tenha certeza disso!

– Alguém ouviu algo? Eu posso jurar que eu ouvi uma mosca zumbir.

A fumaça abaixou e a equipe de bombeiros apagou os focos de incêndio. A massa soltou um som de surpresa. Ambos os candidatos finalistas estavam em pé, embora com contusões e com as roupas em frangalhos. Os espectadores não olharam muito para o Tecnomago, todos os olhares estavam fixados na Feiticeira Faceira.

– Se… seus tarados! Pervertidos! Parem de olhar para mim!

O manto que ajudava a cobrir o escasso volume de roupa que a Feiticeira Faceira vestia mais parecia uma peneira. O Tecnomago sentiu algo estranho, mas aguentou firme. Tirou um de seus muitos mantos e cobriu a pobre Feiticeira Faceira.

– O… obrigada… mas porque está me ajudando?

– Eu não estou te ajudando. Eu apenas percebi que, no estado em que se encontra, você não poderá lutar com seu máximo de potencial. Eu quero uma vitória limpa e absoluta.

– Hahahaha… eu devo ter batido muito forte em você… está delirando!

Então os candidatos finalistas se dão conta que estão bem perto um do outro. A Feiticeira Faceira fecha um pouco mais o manto cedido pelo Tecnomago para cobrir suas generosas formas enquanto o Tecnomago sente aquela sensação estranha aumentar.

– Que… que feitiçaria é esta? Eu sinto… um calor em meu corpo.

Os terminais que cobrem os ouvidos do Tecnomago apitam como chaleira com água quente, fazendo a Feiticeira Faceira rir.

– Hahahaha. Isso não é feitiçaria. Eu não tenho mais truques. Se tiver alguma dessas suas arminhas restando, esse é o momento de você aproveitar e tentar dar um tiro de sorte.

A Feiticeira Faceira até provocou o Tecnomago abrindo uma brecha e expondo o generoso decote que mal escondia seus dois belos seios. Então a Feiticeira Faceira notou algo estranho e diferente no Tecnomago.

– O… o que é isso? Uma de suas armas?

O Tecnomago segue a direção na qual a ponta dos dedos da feiticeira faceira aponta e só então se dá conta de que está com um estranho volume entre suas pernas.

– E… eu não sei! Eu usei todas as minhas bugigangas! Eu estou completamente desarmado!

Pausa para uma explicação, inexistente plateia. Tanto a Feiticeira Faceira quanto o Tecnomago dispenderam seus jovens anos unicamente para aprender, treinar e praticar suas Artes. A Feiticeira Faceira nunca viu um menino ou homem antes em sua vida e o Tecnomago praticamente comia, bebia, dormia e tomava banho com seu uniforme, sem jamais ter visto seu corpo ou sem ter conhecido uma menina ou uma mulher. Voltemos ao palco, senhoras e senhores.

– Bom, seja o que for, está apontando para mim. Tem certeza de que não é uma arma que colocaram em você como ultimo recurso?

– Claro que eu tenho! Isso nunca esteve aí!

– Hum… então eu sei o que eu vou fazer. Eu vou perguntar ao Grande Livro.

A Feiticeira Faceira tira de seu cinto algo que parece um caderninho, mas que automaticamente começa a se desdobrar até ficar do tamanho de um ser humano.

– Aha! Então você ainda tem um feitiço!

– Cala boca, moleque! O Grande Livro só sabe responder a perguntas.

– Exatamente, mestra e eu estou às suas ordens.

– Grande Livro, revele o segredo diante de mim. O que é esse volume que apareceu no Tecnomago?

O Grande Livro não possui rosto como nós, mas tem duas faces, que ficam ligeiramente rosadas ao se deparar com o objeto da questão.

– Ahem! Mestra, é de conhecimento público que o homem sente atração pela mulher. O Tecnomago está manifestando uma reação natural, normal e saudável diante da exposição da sensualidade do seu corpo.

– Entendi… reação… mas isso é perigoso? Isso atira?

– Eh… perigoso não é, mestra, mas atira.

– Está falando enigmas, Grande Livro? Como algo que atira não é perigoso?

– Por favor, mestra, não fique brava! O que este equipamento emite é parte da essência do Tecnomago!

– Parte da essência do Tecnomago… entendi! Esse é o ponto fraco dele! Ora, devia ter dito com clareza, Grande Livro! Excelente! Eu irei usar esse ponto fraco para vencê-lo, Tecnomago!

– Meu… meu ponto fraco? Vo…você não recorreria a um artifício tão baixo… certo?

– Errado! A vitória é tudo o que me interessa! Hahahaha![risada maligna]. Agora eu vou… hã… Grande Livro, como eu posso atingir meu adversário usando seu ponto fraco?

– Po… ponto fraco? Não, não, mestra, este não é o ponto fraco…

– Grande Livro! Eu ordeno! Diga-me como funciona esse artefato para que eu possa utiliza-lo contra meu oponente!

O coitado do Grande Livro coisa alguma pode fazer, senão obedecer sua mestra, o que faz a contragosto, como podemos perceber por suas faces mais rosadas.

– Ahem… mestra, você deve remover todo obstáculo e pôr para fora o conteúdo do volume.

O Tecnomago não sabia o que estava acontecendo, mas não protestou nem resistiu enquanto a Feiticeira Faceira removia suas vestes abaixo da cintura até que algo pulou para fora e para frente, grande, enorme e duro.

– Ah! Um animal! Pulou em mim! Então esse é o seu segredo? Você guardava um animal mágico entre as pernas!

– Na… não! Eu também estou surpreso! Eu não sabia que esse animal estava aí!

– Esse seu animal me assustou! Grande Livro, que animal mágico é esse?

– Mestra, não é um animal mágico, é parte do corpo do Tecnomago. Note como esta haste está firmemente presa pela base ao tórax do Tecnomago.

– Que… apêndice estranho. Parece uma serpente. O que eu faço agora, Grande Livro?

As faces do Grande Livro estavam ficando bem vermelhas, mas ele tinha que responder para sua mestra.

– M… mestra… você deve usar sua mão para mexer nesse troço. Envolva com seus dedos, segure com firmeza, mas não aperte e então comece um movimento no sentido base-ponta-ponta-base.

A Feiticeira Faceira piscou duas vezes, mas se isto a faria vencer, é isto que ela faria e assim começou a operação descrita pelo Grande Livro. O coitado do Tecnomago não reagiu, ele estava começando a gostar da estranha sensação que vinha de seu corpo, sua pulsação e respiração aos poucos aceleravam e ele ficou surpreso quando seus gemidos começaram a escapar de sua voz.

– Aha! Agora você está em minhas mãos! Renda-se agora, senão eu vou extrair toda a sua essência!

– N… não! Nunca!

– Então eu farei você perecer com essa tortura! Hahahahaha![risada maléfica]

Conforme realizava o ato, a Feiticeira faceira pegou o ritmo certo e, no fundo, estava até gostando, ela também estava tendo uma sensação estranha em seu corpo.

– E… então… garoto… por que não desiste? Seu troço dobrou de tamanho e volume. Você não deve ter muito tempo restando… se você se entregar agora, eu te dou uma morte rápida e indolor….

– N…não! Nunca!

– Então você não me deixa outra alternativa senão dar o golpe final…

A Feiticeira Faceira acelera exponencialmente a velocidade de suas mãos e o coitado do Tecnomago só consegue gemer, quase sem fôlego e então… acontece algo. O corpo do Tecnomago estremece e um líquido branco, quente e espesso projeta-se em um jato forte e linear. A Feiticeira Faceira fica assustada com a manifestação, mas observa maravilhada o líquido cair e se espatifar no chão.

– Vitória! Eu venci! Eu tirei toda sua essência e agora eu provei que eu sou a mais poderosa!

Um ou outro aplaude o esforço da Feiticeira Faceira que, irritada, percebe que o Tecnomago ainda está em pé e seu troço ainda está em riste.

– Mas… que truque tecnológico é esse? Você devia estar morto! Isso… ainda está duro como pedra! O que significa isso, Grande Livro?

O Grande Livro estava suas faces vermelhas como tomate, mas teve que responder sua mestra.

– M… mestra… você ainda não esgotou o vigor do Tecnomago…

– Então desembucha, senão eu te descosturo! O que eu devo fazer para extrair mais essência do Tecnomago até acabar com todo seu vigor?

– M… mestra… você pode usar seus seios… ou sua boca…

Imediatamente a Feiticeira Faceira colocou o troço entre seus seios e, tal como as mãos, usou-os até sair mais daquele estranho e místico líquido. Espirrou até em seu rosto e cabelos uma quantidade razoável, mas o troço continuava em sua posição.

– Seu ponto fraco é mais resistente do que eu esperava! Mas eu aposto que eu acabo com você usando minha boca!

Abocanhando o troço como se fosse um enorme pirulito de carne, a Feiticeira Faceira lambeu e sugou o troço, chegando até a engasgar algumas vezes, pois o troço era realmente grande, grosso e volumoso. Ela até pode sentir quando aquilo contraiu e preencheu sua garganta com uma generosa carga do líquido, cujo volume e pressão eram tantos que alguns filetes escapavam entre o apertado espaço entre o troço e sua boca, foi tão forte que ela espirrou filetes pelo nariz.

– Cof, cof! Isso é quente, espesso e salgado, mas até que é gostoso. Parece com mingau de ogro. Eu… estou começando a gostar dessa brincadeira… então Tecnomago, desiste?

O coitado do Tecnomago mal tem fôlego para balbuciar algo, mas seu troço continua reto e ereto como um poste.

– Mas… isso é impossível… será que esta coisa é imortal? Grande Livro, sem demora, não esconda coisa alguma, o que eu posso fazer para derrotar de vez o Tecnomago?

O coitado do Grande Livro estava como uma fornalha, mas teve que responder sua mestra.

– M… mestra… só tem uma coisa a fazer… sua flor… sua delicada, intocada e estimada flor…

– A… minha… flor?

– S… sim… mestra… você tem que colocar esse troço… dentro… de sua flor…

A Feiticeira Faceira hesita por alguns minutos.

– A… minha… florzinha… delicada… intocada… isso… dentro… não! Não dá! Impossível! Você viu o tamanho desse troço? Isso vai… estraçalhar tudo!

– Então desista, mestra e mantenha sua virtude intacta.

– Não! Eu prometi aos Grandes Espíritos que eu venceria! Eu não posso desistir! Eu tenho que vencer! A qualquer preço!

Retomando sua determinação e coragem, a Feiticeira Faceira derruba o Tecnomago e, colocando-se em cima dele, faz com que sua flor inicie a devorar o troço.

– A… ah! É muito grande! E… eu sinto uma coisa estranha e… parece que tem um obstáculo impedindo e causando desconforto…

– M… mestra… deve ser o seu… selo… uma membrana que atesta que você é uma donzela… forçar pode causar desconforto e dor… pare agora antes que perca sua virtude!

– Ao Diabo com minha virtude e minha condição de donzela! Eu quero vencer! Uff!

A Feiticeira Faceira dá um impulso, sente uma pequena dor, parecida com a da vacinação, mas a sensação estranha vem tão forte que a dor cessa imediatamente. Sim, ela está gostando muito de cavalgar em cima do troço. Sua consciência vai borrando aos poucos e seu corpo se move por conta própria. Sua mente se afoga em uma enorme onda cor de rosa enquanto ela sente seu ventre ser preenchido por inteiro por várias emissões do líquido misterioso que jorram abundantemente do troço.

Suas forças falham, assim como suas pernas e ela rola por sobre o corpo do Tecnomago. Juntando as poucas forças que lhe restam, a Feiticeira Faceira consegue ver que o Tecnomago está desacordado e o troço completamente murcho. Instantes antes de apagar completamente, a Feticeira Faceira consegue clamar por sua vitória.

– Aha! Venci! Eu sou a mais poderosa!

Os juízes do pleito discutem agressivamente. Alguns concordam em dar a vitória técnica para a Feiticeira Faceira e outros dizem que a vitória moral foi do Tecnomago. O Grande Deus e a Grande Deusa resolvem a discussão. Empate. Determinaram que tanto a Feiticeira Faceira quanto o Tecnomago devem voltar para seus lares, se recuperarem e treinarem para a próxima batalha. E assim foi feito.

Seis horas depois, o Tecnomago acorda em seu quarto cheirando a óleo e repleto de engrenagens, molas e circuitos elétricos. Os Monges da Razão o relembram do ocorrido e o instam a começar o treino para a revanche. E ele treina duro, constantemente, ao mesmo tempo em que desenvolve mais equipamentos e armas.

Nesse mesmo tempo, a Feiticeira Faceira acorda em seu quarto cheirando a rosas e repleto de poções, encantamentos e misturas. As Sábias do Caldeirão a relembraram do ocorrido e a instaram a começar o treino para a revanche. A Feiticeira Faceira deu risada, não fez coisa alguma, ela ficou na floresta, entre plantas, animais e espíritos da natureza, seus amigos. Discretamente ela apenas preparou uma beberagem para evitar qualquer feito colateral de sua batalha final.

Chegando o momento, Tecnomago apresenta-se com seu usual uniforme, mas desta vez com um tecido metálico e cheio de espinhos metalizados. A Feiticeira Faceira estava com sua roupa excessivamente sensual e provocante como sempre, para o desespero dos conservadores, moralistas hipócritas e feministas radicais, mas desta vez ela não tinha vergonha ou receio de sua sensualidade natural, normal e saudável.

– E aí, moleque? Pronto para desistir?

– Há! Você deve ter ficado muito tempo preparando suas infusões. Ficou intoxicada e agora não raciocina direito. Eu vou vencer!

– Você vai mesmo arriscar a matar seu filho, garoto?

– E… eeeh?

– Você sabe muito bem o que você fez comigo. Vai assumir a responsabilidade?

– Você… eu… nós…

– Isso mesmo, menino. Vai mesmo agredir a mulher que você ama?

O Tecnomago tremeu todo, mas a única coisa que fez foi bater com a mão no chão e declarar que desistia da luta, declarando a Feiticeira Faceira a vencedora. O coitado do Tecnomago até tentou falar com ela depois da cerimônia, mas em posse de seu cetro dourado, a Feiticeira Faceira não tinha mais tempo para ele.

– Ma… mas… e nós? E o bebê?

– Não tem nós, moleque. Considere-se com sorte por eu não te mandar prender. Você tirou a minha virtude! E eu era jovem demais! E não tem bebê. Nunca teve. Deixe de fazer ceninha.

– Isso… foi um truque?

– Sim, garoto. Você não aprendeu coisa alguma, mas eu aprendi. Eu apenas usei o truque mais velho do mundo. Vocês, homens, se acham os donos do mundo, mas somos nós que mandamos aqui.

O coitado do Tecnomago, frustrado, amargurado, ao invés de entender e assimilar algum conhecimento com esta experiência, ele largou tudo e se tornou mais um reacionário masculinista, que utilizava a rede para disseminar discursos de ódio, intolerância e discriminação, publicando todo tipo de crítica fascista, atacando o feminismo, o socialismo e a inclusão social. Vai viver e morrer como um eterno nerd.

Gentil plateia inexistente, agradecemos por sua audiência e paciência. Este palco sente-se honrado com tão ilustre presença. Nós fechamos as cortinas, desejando uma feliz partida, para um feliz reencontro.

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