Bendita bagunça

Aqui nós temos a mania de dizer que Deus é brasileiro. Então Dioniso é brasileiro. Porque Dioniso é o Deus da Bagunça. E porque o Brasil é uma bagunça, desde seus primórdios.

Eu consegui colocar as coisas no lugar depois que eu saí de meu cárcere. Enquanto eu arrumava o escritório, eu encontrei registros que mostram outra versão de minha libertação da White Light. Aqui caberiam diversas considerações do por que estes registros foram convenientemente deixados aqui, muitos com o logotipo da White Light, outros da CIA, da SEELE, da NERV e também da Sociedade Zvezda.

No primeiro vídeo que eu abri, eu ainda estou no casulo/cárcere quando têm as três visitas [sendo uma delas a Santíssima Trindade da NERV], mas o meu “despertar” não ocorre. Memórias tendem a mentir, disso eu sei, especialmente quando emoções estão misturadas. Mas então como eu escapei da White Light?

Outro vídeo mostra que minha “visita A” teve outra ocorrência. Eu consigo identificar a “loira” como “White Egret” e a “morena” como “White Robin”. Elas parecem discutir bastante e Robin é a mais agitada. Eu custo acreditar, mas a imagem é bem clara. Robin retira o lacre que prende meu casulo no chão e, com a ajuda [certamente a contragosto] da Egret, eu e o casulo somos removidos da sala de contenção.

O terceiro vídeo está prejudicado, mas parece ser a transcrição que deu origem ao texto “Under God”. O trecho está colado [editado?] com outro vídeo, provavelmente de uma câmera de segurança, na área externa da White Light, no qual eu e meu casulo somos colocados [pela Robin e pela Egret] dentro de um furgão, para fora dos muros da White Light. Uma sequencia confusa de vídeos de câmeras de segurança e de trânsito dão a entender que Robin e Egret são as verdadeiras autoras da minha fuga da White Light.

O quarto vídeo parece ser uma colagem da “visita B” com vídeos [câmeras de segurança e de trânsito] nas dependências do que eu consegui identificar como pertencentes à NERV. Eu devo estar vendo coisas, mas Robin e Egret tem ajuda da “azul” [Rei Ayanami] para abrir o lacre que me mantém dentro do casulo. Depois os vídeos ficam confusos e conflitantes. Ou as três me deixaram na porta da casa dos Red ou elas me abandonaram perambulando semiconsciente pelas ruas de Nayloria. Só concordam em uma coisa os vídeos: eu fui “achado” por Riley e Gill que me levaram para dentro da casa dos Red.

O quinto vídeo [White Light? NERV? Sociedade Zvezda?] parece um vídeo caseiro feito na sala da casa dos Red. Não há mais sinal das “traidoras” da White Light. As mulheres presentes parecem bastante agitadas e preocupadas com o meu estado catatônico. Eu dou risada quando eu vejo a expressão de Gill quando a Riley resolve tentar me acordar com um boquete [deve ser uma técnica de ressuscitação em Nayloria]. Eu deveria estar realmente desacordado, pois eu não me lembro disso e é impossível não sentir algo quando a Riley está na ação. Vanity fica irritada quando Claire Red resolve relembrar de sua adolescência e de suas aventuras com Jack Black. Não que isso seja desagradável, mas parece uma verdade universal dos filhos acharem que mães não transam. Eu acompanho com vívido interesse como meu corpo é compartilhado pelas garotas. Inacreditável que eu não tenha engravidado alguma.

O que emenda com o sexto vídeo. Perturbador, muito perturbador. Até mesmo para mim, acostumado ao multiverso. Miralia, filha de Zoltar e Alexis, está crescida. Até aí, nada de mais, a Quinta Dimensão não possui linearidade temporal. Mas o que ela diz é perturbador.

– Papai? Papai? Olha, não fique chateado. Minha manifestação no mundo humano não deu certo, mas eu não vou desistir. Eu prometi para Ela que eu seria sua mãe, irmã, esposa, amante, sacerdotisa, filha. A minha forma temporária como Miralia não deve causar problemas, pois eu escolhi bem meus pais temporários. Mas eu sou sua filha. Sua e dEla. Mamãe também não está satisfeita em sua forma como Leila Etienne. Olha, nós sabemos que está ruim e difícil sua vida nesse espaço-tempo, mas aguente firme! De algum jeito, no final, nós estaremos juntos e é isso o que importa.

Eu não sou o tipo emotivo, mas não sou inteiramente desprovido de emoções. Eu não tenho vergonha de admitir que eu chorei. O vídeo de Miralia [por enquanto é o nome que minha filha tem] me faz lembrar de meus traumas, frustrações, mágoas. Saber, apesar de tudo, que eu sou querido, amado, desejado, não faz parte de minha rotina no mundo humano. O vídeo serve para confirmar a minha teoria de que tudo está conectado. O leitor pode achar que meus textos são meras fantasias, mas o multiverso é bem real e o mundo humano interage com as demais dimensões. Faz todo sentido, pois no mundo humano a fertilização assistida feita no mundo humano resultou em negativo. Eu tenho consciência que nada acontece por coincidência, então é só uma questão de tempo para que eu encontre um grupo, um coven ou uma sacerdotisa com quem eu possa aprender e praticar o Ofício. Meu Senhor e minha Senhora têm infinitos meios de fazer com que eu volte para a minha verdadeira casa, família, povo e nação.

O sétimo vídeo só mostra que eu estou de volta ao mundo humano, na cidade de São Paulo, na minha casa e entrando em meu escritório, aparentemente consciente. Ficou uma lacuna entre minha estadia na casa dos Red e minha chegada em minha casa. Outros registros são bem confusos, mostram plantas, planos, esquemas e notícias aparentemente desconexas de fatos que aconteceram no mundo humano. Eu só posso desconfiar de que estes vídeos tenham alguma conexão com o conto que eu escrevi com a colaboração de Loki.

Fica a questão. Por que eu achei estes registros? Como eles foram parar ali? O que eles realmente significam? Como estão as garotas de Nayloria? Como estão as “traidoras” da White Light? O que, até que ponto e quais partes desses vídeos eu posso aproveitar para meus contos? Quanto tempo eu ainda vou ter que esperar até que esse Império acabe e a Humanidade possa crescer e evoluir livremente? Quanto tempo, até reencontrar meu lugar, meu povo, meus Deuses? Quanto tempo mais eu vou me enganar acreditando que existe algum leitor por detrás da tela? Será que eu devo ou não continuar a transcrever o diário de Gill, publicando as partes mais explícitas e polêmicas? Se tiver alguém aí do outro lado da tela, eu espero por uma resposta.

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