Depois do ultimo episódio

Depois de quatro dias merecidos de folga por causa da Páscoa [benefício de ser funcionário púbico estadual] eu estou tentando escrever um roteiro quando eu me deparo com Zoltar, quase irreconhecível, barbado, pálido, mais velho e com olheiras.

– Ah, enfim te achei. Não é fácil te encontrar, escriba.

– Zoltar… há quanto tempo! Como você está?

– Como você acha que eu estou? Você me colocou na estória da Universidade dos Vilões com a Alexis. Nós participamos da estória como colegas de teatro, mas acabamos nos envolvendo.

– Eu fico feliz em saber que você e a Alexis estão juntos.

– Eu leio seus textos quando eu visito a Sociedade e você cria estórias imaginando realidades alternativas envolvendo personagens de anime. Você parece preocupado em saber o que acontece com esses personagens quando termina o anime, mas não pensou em mim?

– Hã… agora eu não entendi, Zoltar. Quando eu escrevi sua estória, você tinha deixado bem claro que seria o maior vilão de Cartoonland.

– Eu sou o maior vilão de Cartoonland. Eu explodi aquela espelunca chamada de Universidade dos Vilões. Mas eu só consigo papéis em suas estórias. Os demais escritores e estúdios evitam sequer minha visita.

– Você está querendo mais um roteiro em uma de minhas estórias?

– Eu estou precisando e você me deve essa.

– Hã… eu te devo?

– Esqueceu que você praticamente me atirou nos braços de Alexis? Pelos Deuses das Trevas… eu vou ser pai! Eu preciso trabalhar, sustentar essa criatura.

– Ah! Entendo. Você e Alexis se envolveram a este nível. Mas eu apenas sugeri que vocês tinham um relacionamento.

– Você viu a Alexis. O que achou que aconteceria comigo? Pelo Caos, meu coração negro virou carvão em brasa por aquele belo corpo. Depois que acabou a estória nós ficamos… assim… olhando um para o outro… pensando no que fazer… acabamos fazendo.

– Eu imagino onde pode estar minha culpa por vocês serem perfeitamente saudáveis e terem sentido atração mútua e terem tido relações sexuais, normal e natural como deve ser.

– Você nos colocou na estória para contracenar, portanto, reconheça a responsabilidade.

– Tudo bem, eu não vou discutir com você, mesmo porque eu gosto muito da Alexis. Mas só o que eu tenho agora é um esboço, menos que isso, uma ideia, de roteiro, evidente uma realidade alternativa, contando o que aconteceu na Academia Honnouji depois que Ragyo Kiryuin morreu em combate com as próprias filhas.

– Eu aceito. Eu não me importo de fazer o papel estereotipado de vilão.

– Eu acho que consigo falar com Ryuko chan sobre sua oferta, mas para estar em minhas estórias, você tem que ser membro da Sociedade.

– Ahem… que isso fique entre nós, oquei? Aqui está meu certificado de filiação.

Eu seguro o riso, pois Zoltar está gracioso envergonhado, segurando um papel requintado, decorado com filigranas e letras feitas a bico de pena. O documento é original e fidedigno. Está assinado pela Natasha, Itsuka e Kate.

– Então… não eram “apenas” visitas, hem?

– Por favor… isso é constrangedor. Mesmo que Kate seja uma Deusa, ela não me impressiona.

– Eu imagino. Afinal, você é uma criatura cuja existência é capaz de olhar o Caos nos olhos. Deve ter sido difícil para você jurar lealdade para Kate.

– Eu não me importo. Isso é um mero detalhe.

– Você realmente ama Alexis. Tome, este é o esboço do roteiro. Leia, anote, comente, acrescente. Eu gosto que meus atores e atrizes contribuam para a estória.

– Pode deixar.

– Ah, sim, antes de ir, deixe seu endereço. Eu gostaria muito de te visitar e de rever Alexis.

– Oquei… eu acho que eu posso… agendar alguma coisa. Nos vemos na Sociedade.

Quando Zoltar desaparece no meio da multidão eu ligo para Ryuko chan para dar as novidades.

– Ryuko chan?

– Oi, Durak! Como vai você? Eu estou com saudades!

– Eu também sinto saudades suas, Ryuko chan. Eu estou te ligando exatamente para dar um bom motivo para diminuirmos essa saudade. Eu tenho um roteiro para falar da Academia Honnouji e do que aconteceu depois que você e Kiryuin derrotaram Ragyo.

– Satsuki chan vai ficar feliz. Ela só está um pouco triste porque você ainda a chama pelo honorífico enquanto me chama pelo primeiro nome.

– Eu falo com ela. Eu sou antiquado, sabe? Eu acredito nesse respeito típico do mundo dos animes onde as pessoas usam o honorífico para conversarem. Se Kiryuin sama me permitir, eu irei chama-la pelo primeiro nome, combinado?

– Haha! Combinado! Você é um ocidental otaku mesmo! Beijos, te vejo daqui a pouco!

A voz de Ryuko chan me tranquiliza. A Sociedade está cheia hoje, membros de diversos lugares e dimensões se abarrotam pelos curtos corredores. Tudo por causa da Páscoa. Afinal, Kate, ou Vênus/Ishtar/Afrodite, como ela uma vez foi conhecida, tem muito trabalho para fazer nesta época do ano. Eu trombo com Natasha no corredor.

– Ah, que sorte! Eu achei você, Durak. Venha, nós precisamos de sua ajuda.

Eu sou praticamente jogado dentro de um dos muitos laboratórios da Natasha que, agora, conta com a Gill e a Riley como assistentes.

– Assistente Kurage, assistente Marlow, eu consegui o nosso espécime para a nossa experiência. Calibrem os equipamentos.

– Se… senhor escriba…

– Oi, Gill.

– De… desculpe, mas eu tenho que amarrá-lo nessa maca.

– Está tudo bem. Que bom que vocês conseguiram uma função na Sociedade.

– Ah, eu não perderia a oportunidade de estudar estas jovens. Física e mentalmente, ambas são um desafio.

– Mesmo? Conhecendo-as como eu as conheço, eu diria que Gill foi arrastada para cá pela Riley.

– Dessa vez errou, senhor escriba. Gill é quem me arrastou para cá. Ela parecia bastante animada com as pesquisas da Professor Um a respeito dos diferentes processos de maturidade e sexualidade entre os indivíduos. Ela está realmente interessada em dar uma base científica pelo seu tesão pelo professor dela!

– Na… não é verdade! Eu… eu.. respeito e tenho enorme consideração pelo sensei Ornellas!

– Haha! Gill, você é uma versão mirim e feminina do escriba! Você é praticamente a Lolita que ainda resiste a admitir que é sexualmente atraída por homens mais velhos!

– Me… mentira! Isso é vergonhoso! O senhor Ornella é meu sensei! Eu sou apenas uma estudante! Não é possível que ele sinta atração por mim!

– A questão aqui é você admitir que sente isso e ser capaz de perceber que está sexualmente madura para este contato carnal com seu sensei, assistente Kurage. Terminou com os procedimentos com Durak?

– Sim… senhora.

– Eu não consigo evitar me sentir muito velha quando você diz isso, assistente Kurage. Muito bem, pessoal, coloquem as proteções. Eu começarei a exposição.

– Eh… Natasha… eu vou ser exposto a quê?

Natasha dá um sorriso cínico e sádico e liga um equipamento que transmite para uma tela uma imagem… melhor dizendo… uma transmissão. Vênus estava em seu zênite, espalhando amor por toda Gaia. Ver Kate em sua forma verdadeira sempre me provocou efeitos, digamos, explícitos. As grossas tiras de couro não conseguem resistir quando meu corpo começa a tomar a forma do Senhor da Floresta. Em poucos minutos, as paredes do laboratório não são suficientes para conter meu corpo. Kate percebe que eu despertei e sorri com satisfação.

– Perfeito! Excelente! Venera sama, sua vez!

– Oi, Durak. Como pode ver, eu estou ocupada. Mas a Professor Um quer fazer alguns testes em sua forma feral, então colabore.

– Natasha, afinal, qual é o teste ou experiência que quer fazer comigo?

– Na verdade, Durak, eu gostaria de testar a potência de sua forma feral. Minhas assistentes estão prontas e dispostas. Eu sou capaz de apostar que a Riley consegue domar e cavalgar sua forma feral. Depois a Gill pode tentar o segundo round.

– Por mim, tudo bem! Enfim, alguma ação! Minha força natural contra sua força feral. Eu também tenho curiosidade de saber se eu consigo dar conta disso tudo.

– Riley! Isso é… vergonhoso! O que você vai fazer com o senhor escriba nessa forma feral?

– Não fique preocupada, Gill. Eu vou deixar um pouquinho para você.

Riley é definitivamente impressionante e assustadora. Ela, em sua forma natural e eu em minha forma feral. O mundo sacudiu inteiro.

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