Evangelho de Babalon – IV

Eu recobro a consciência em um leito de enfermaria, com a luz do dia pousando suavemente na cortina que envolvia o leito. Eu devo ter sido colocado nesse cenário de ambulatório médico bem típico de animes do gênero vida escolar. Eu só tive um desmaio momentâneo, mas é perturbador pensar que provavelmente me jogariam aqui mesmo se eu tivesse algo mais sério, só para fazer uma boa cena. Eu me ergo para ficar sentado e as molas do leito rangem, uma voz familiar soa do outro lado da cortina.

– Durak kun, você acordou?

A cortina se afasta e a mão revela que quem está “do outro lado” [piada intencional] é Rei Ayanami.

– R… Rei chan…

Rei abaixa os olhos enquanto fica envergonhada e cruza seu outro braço na altura do peito.

– Durak kun… Etienne chan me pediu para eu fazer parte dessa peça. Eu espero que isso não seja problema. Vai ficar ruim para minha carreira se você ficar de paixonite comigo.

– A… ah… tudo bem, Rei chan. Eu acho que superei isso…

Rei relaxa o braço e esboça um leve sorriso.

– Que bom, Durak kun. Eu vou avisar a todos que você está bem.

– Eeee… corta! Valeu! Mande para a edição! Dublagem, regrave em cima do diálogo para sair o nome do personagem.

A equipe de teatro aparece de todo canto, desmontando o cenário. Rei é cercada de suas assistentes que tentam manter afastados os paparazzi.

– Excelente atuação, senhorita Ayanami.

– Gostou, senhorita Marlow?

– Foi um primor!

– Eu sou obrigada a concordar.

No meio de tanta gente, com a visão borrada por causa da iluminação de cena, ao fundo eu consigo ver Asuka Langley com um barrigão e com Shinji Ikari ao seu lado.

– Asuka chan, Shinji kun, vocês também vão fazer parte dessa peça?

– Oh não, Durak kun. Nós estamos aqui como parentes de Rei chan. Foi difícil no começo entender que Shinji e Rei são irmãos, embora ela seja tecnicamente um clone, mas ela é uma boa cunhada. Ah, eu e Shinji estamos juntos e em breve teremos companhia.

– Eh… eu percebi.

– Muito bem, senhoras e senhores, não temos tempo para eventos sociais. Vamos para a próxima cena. Equipe de cena, equipe de encenação, todos em suas posições.

Uma figurinista arranca o pijama de enfermaria de meu corpo e me enfia em um uniforme escolar, muito parecido com aquele que eu tinha usado na estória Neon Genesis. Eu olho meio contrariado para Riley que rola os olhos.

– Sim, nós estamos reaproveitando equipamento. Verba curta. Está pronto para a próxima cena?

Eu balanço a cabeça afirmativamente. Eu sei que isso é coisa de madame, embora seja desnecessário. Eu jamais afrontaria Riley diretamente, não porque ela pode fazer picadinho de mim, mas porque eu realmente gosto dela.

– Muito bem! Cena externa! Cenário de pátio de escola! Todos prontos para a cena do lanche! Ação!

Eu saio e fecho a porta da claquete que está com uma placa muito mal feita escrita “enfermaria”. Eu caminho pelo “pátio da escola” com os “alunos” me encarando, como se eu fosse um animal perigoso. O pessoal de efeitos sonoros solta um ronco e eu coloco minha mão no estômago para reforçar que eu estou faminto.

– Kinjo kun, está com fome?

Madame está sentada sozinha debaixo de uma macieira há poucos passos de mim, vestida e com a postura de uma dama inglesa. Desnecessário, redundante e contraditório, considerando que madame é uma dama francesa.

– Tsk! Quem se importa? Isso não é da sua conta!

– Deculpe, Kinjo kun, mas o senhor é meu senpai, eu não posso permitir que meu senpai fique com fome. Venha, sente-se ao meu lado e coma o bento comigo, eu tenho bastante!

Os “alunos” começam com burburinhos típicos de cenas assim, onde um aluno delinquente é visto lanchando com uma beldade. No padrão do anime, somente se compartilha comida com uma pessoa com quem se tem algum tipo de relacionamento. A coisa é mais séria, até mais íntima, quando se dá comida na boca e evidente que madame encena com satisfação esse ato que insinua que nós estejamos íntimos assim.

– E… eu não acredito! Como isso é possível?

– E… Etienne kun… está… namorando esse… lixo?

– Está gostoso, Kinjo kun? Se quiser, eu também tenho sobremesa. A não ser que o senhor prefira comer “outra coisa”.

Eu faço o meu papel, engasgo, cuspo parte da comida no chão e deixo minhas bochechas avermelhadas. Eu devo ter assistido milhares de cenas parecidas nos animes. Para a mente ocidental, esse diálogo de duplo sentido é considerado humor; para a mente oriental, chega a ser pornográfico.

– Ei, o que você pensa que eu sou? Algum tipo de cachorrinho? Eu não sou conhecido como Hoshikazu Burēkārūru à toa não!

Eu fico na postura de delinquente juvenil, pernas firmes, punho em riste, cabelos eriçados e expressão zangada.

– Oh, senpai Kinjo, não foi esta a minha intenção! Por favor, castigue-me! Faça o que quiser comigo!

Madame rasga uma peça da blusa revelando boa parte do volume de seus belos seios em formato de pêssego enquanto eu recebo a ajuda da claquete para fazer a clássica cena do sangue jorrando do nariz.

– Eeee… corta! Muito bem, pessoal, intervalo. A próxima cena é mais complexa. Gill e Rei, estão prontas? Ótimo! A turba de cristãos fanáticos fundamentalista está pronta? Ótimo! Quinze minutos de descanso, senhores!

Eu limpo meu rosto da tinta e sacudo a poeira. Alguns releem o roteiro e repassam as falas e as marcas. Os sucos e sanduiches voltam a circular. Gill está visivelmente animada com a próxima cena e parece pedir dicas com Rei que está com um uniforme de freira. Ela deverá liderar a “turba” para a cena seguinte que envolverá madame e eu. Riley está com um brilho de confiança no olhar o que me dá algum alento. Eu minto para mim mesmo dizendo que não será ruim. Distraído, nem percebo que sensei Matoi está bem atrás de mim.

– Oi Durak kun. Você tem um minuto?

– Ah… sim, sen… sim, Ryuko chan.

– Pediram para que eu me certificasse de algumas coisas. A presença de Rei te perturba?

– Não, Ryuko chan. Talvez, alguns anos atrás, eu ficaria perturbado. Mas eu cresci, eu amadureci. Não faz mais sentido manter paixonites infantis.

– Então você não vai pirar se na próxima cena a Rei estiver nua?

– E… eu vou me controlar, Ryuko chan.

– Eu acredito em você, mas eu tenho que fazer esse teste assim mesmo…

Ryuko chan abre completamente a sua blusa desnudando seus seios perfeitos, maravilhosos, deliciosos… controle… controle… eu sinto as pernas bambearem, meus olhos arderem em chamas, mas eu consegui disfarçar minha excitação.

– Sua força de vontade é impressionante, Durak kun. Eu quase fico envergonhada em ter tentado te provocar. Mas cá entre nós… entre eu e Rei… quem ganha?

– Ryuko chan… isso… não pergunte… não é uma competição.

– Eu sei que não, seu bobo. Eu não sou insegura. Digamos que eu quero que você pense neles como estímulo para a estória que fará para mim e Kiryuin.

Ryuko chan sai rebolando de tal forma que é impossível para qualquer mortal resistir. Ela percebe, sorri de forma safada e manda um beijinho no ar.

– Hei, escriba, está em condições de fazer a próxima cena?

Riley, como diretora de teatro tenta transparecer seriedade e rigor, mas ela não consegue ficar sem babar enquanto olha para minhas partes baixas.

– S…sim, Riley… sem problemas.

– Se estiver muito difícil, eu posso te ajudar com uma “rapidinha”.

Cinco minutos de intervalo pessoal. Nós não vamos demorar muito.

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