Nem todos os anjos são bons

Eu tenho o péssimo hábito de não esconder minhas crenças e práticas. Geralmente a reação é de medo, mas de vez em quando eu vejo alguém que, como eu, tem a curiosidade, quer conhecer, mas tem receio de perambular pelo Caminho da Sombra.

Isso pode ser bom, o Caminho da Luz dominou a humanidade por muitos séculos e apenas trouxe ódio, violência e guerras. O Caminho da Sombra é a única forma de chegar ao Conhecimento sobre a real face desse verme espiritual que atende pelo nome de Deus e é representado pelas organizações religiosas monoteístas.

Eu dei uma pista quando eu declarei que Cristo era Magdala e também Lucifer. Alguém tem que desmascarar o Usurpador e declarar quem é o Deus Verdadeiro. Eu adianto que não é Yahveh, Allah ou o Deus Cristão. Estes estão mais para demiurgos que farão de tudo para evitar que a humanidade atinja seu pleno potencial.

O Portador da Luz [daí o nome Lucifer] não pode ser o Adversário, Satan, que é somente um secretário, um anjo subordinado, uma sombra de Yahveh. A Luz é a mais pura verdade, então Lucifer só pode ser bom, Lucifer apenas quer que a humanidade deixe de ser escrava dos Deuses, como Prometeu e outros Deuses simpáticos ao gênero humano.

Sim, eu passei por experiências que me permitem dizer que anjos podem ser sacanas e demônios podem ser amigos. Nesse xadrez cósmico, nossa gente vive como carneiro pronto para o abate, mas poucos vivem como lobos que caminham junto com os Deuses.

Deve ser confusa para o ser humano comum essa percepção de que o nosso universo é apenas uma esquina de um multiverso. Diversos universos, diversos reinos, diversas formas de existências que excedem a pobre compreensão humana do que é vida. Eu tenho pena de quem se submete ao cajado de uma organização espúria, de um Deus repugnante. A unanimidade dos livros de magia e bruxaria que endossam essa hierarquia linear apenas mostra que a Igreja tratou de influenciar os Grimórios. Isto é absurdo, seria o mesmo que reduzir as inúmeras estruturas de governo em uma única monarquia.

Minha breve estadia em Westeros mostra que mesmo um reino pode estar internamente dividido, enquanto tenta sobreviver aos ataques de outros senhores que visam o trono. Foi triste ter que ver Arya ir embora depois que seu pai ser decapitado por conspirações da corte. De onde eu fiquei observando esse mundo alternativo, o tempo passa ligeiro, reinos deram lugar a impérios e guerras são travadas.

Eu observei, intrigado e enojado, uma existência semidivina chantageando com uma alma humana, na fronteira entre a encarnação e o desencarne, ameaçando a extinção dessa alma unicamente por que este humano não a reconhecia como Deus e, tal como seu semelhante sádico cristão, reencarna esta alma humana em um dos muitos universos alternativos, com o capricho de fecha-la em um corpo com gênero oposto ao anterior e em uma circunstância de guerra. Uma alma masculina em um corpo feminino e/ou vice-versa, ou algo intermediário. Esta é, basicamente, a condição do intersexual, do transgênero. Por sacanagem e diversão, esta entidade rompe com os padrões binomiais de gênero que nós acreditamos ser reais e naturais.

Para uma entidade que supostamente é Onisciente e Onipotente e Onipresente, sua obra acaba refletindo sua incompetência, inaptidão e ingerência, pois a forte vontade e independência da alma reencarnada tornou esta encarnação uma elegia e prova ateísta de que “Deus” não existe e, se existe, é um tremendo sádico sacana. A alma, rebatizada de Tanya Degurechaff, demonstra possuir estranhos poderes paranormais [o que, para
a teologia dos puxa-sacos desse Deus, é algo do Diabo] que ela utiliza para sobreviver unicamente para sustentar sua descrença, o que torna sua encarnação heroica, superior ao tragicômico Satan.

Intrigado com esse paradoxo e contradição, pois Tanya, a despeito de seu ateísmo, aceita sem problema algum sua aptidão paranormal, eu resolvi continuar a acompanhar como observador esse teatro. Eu queria ver até onde Tanya seguiria nessa encarnação e até quando a entidade manteria sua falsa identidade como “Deus”. Por determinação e personalidade Tanya não hesita em entrar no exército do governo local, tornando-se um soldado do Império, lutando contra a República. O confronto entre essas frontes usa, peculiarmente, tecnologia e magia, algo que é uma heresia tanto para a Igreja quanto para o ateísmo. Para complementar, dar um toque final de classe, Tanya demonstra ser extremamente sádica ao ponto de ser psicopata em seu desempenho como soldado. Uma forma efetiva de mostrar para a entidade exatamente seu ponto de vista.

Aparentemente a entidade não interfere nem impede as ações violentas perpetradas por aquela que esta entidade pretendia fazer de fantoche, o que de certa forma confirma a concepção do ateu de que “Deus” não é bondoso, mas maldoso. A única interferência da entidade é para forçar Tanya a elogiar o nome do Senhor, o que confirma a visão geral do ateísmo diante das religiões, quando estas são generalizadas como Cristianismo. Esta entidade facínora é bem semelhante ao Deus Cristão, pois basta ler a história e o texto sagrado para percebermos que a principal preocupação e obsessão dessa entidade e do Deus Cristão é o de receber a adoração do ser humano, ainda que isto custe a vida de inocentes.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s