Neon Genesis – VII

Doutora Ritsuko me chutou para fora da maca, do hospital, assim que eu recuperei minhas forças. Ao sair, de cara na calçada, ela jogou algo em meu colo.

– Vista isso. Gendo quer que você comece hoje as suas aulas em nossa escola.

Impecavelmente limpo, dobrado e embalado, diante de mim estava um típico uniforme escolar japonês. Eu bufei, mas se isso era necessário para ver e falar com a Rei, vale a pena. O uniforme serviu como uma luva. Ou a NERV está muito bem informada ou o senhor Ikari realmente andou me monitorando todo esse tempo.

Eu entrei no ônibus escolar e vi que a escola era incrivelmente comum, para uma academia de pilotos. Na secretaria, me deram um papel com a sala de onde eu deveria me apresentar. Eu bati na porta da sala de aula e pedi permissão para entrar. A porta abriu e eu me deparei com outro rosto familiar.

– Ah! Você deve ser o aluno transferido… Durak, certo?

– Mako… Mankanshoku?

– Ssshhh! Ninguém aqui deve saber quem eu sou! Ryuko chan me pediu para ficar de olho em você… ela deve estar apaixonada por você e quer ter certeza de que você vai voltar para a Academia Honnouji. Entre, apresente-se e sente-se em qualquer lugar.

– S… sim… Mako sensei…

Os olhos de Mako brilharam como os olhos de um filhote diante de seu novo dono. Eu segui o roteiro e me sentei próximo de dois garotos que pareciam ser mais velhos e, mesmo assim, eu ainda era mais velho.

-Toji. Toji Suzuhara.

– E eu sou o formidável Kensuke Aida.

– Durak Llyffant.

– Você não é japonês. De onde você é?

– Eu venho do que sobrou da América Latina. Eu vivi muito tempo em um campo de refugiados chamado Campo Bacia do Prata, mas dizem que eu nasci no Brasil.

– Esse nome não é brasileiro…

– Bom… eehhh… eu acredito que as pessoas que me acharam devem ter escolhido esse nome para mim por causa de minha aparência.

– Silêncio na classe! A aula vai começar! Abram seus livros na página oito!

– Cuidado, Durak… sensei Mako é rigorosa.

– Eu custo a acreditar que ela seja professora… ela não é tão mais velha do que a turma da décima série.

– Senhor Aida! Mais um pio e vai ficar no castigo!

Os alunos abaixam as cabeças e começam a assistir as aulas. Os alunos da escola estão iguais aos funcionários da NERV. Eu tento calcular até que ponto o senhor Ikari e seu projeto têm algo relacionado com isso. Uma batida na porta e Mako sensei recebe uma nota de mais um aluno, oculto atrás da porta. Mako sensei parece perturbada, ela vai até sua escrivaninha e aparentemente constrangida pede pela atenção da classe.

– Meninos e meninas! Atenção! Por favor, vamos dar as boas vindas a mais uma aluna. Todos em pé, por favor. Por gentileza entre senhorita e apresente-se.

Entrou uma garota de um metro e meio, cabelos cor de fogo e olhos azuis. Assim que ela começou a falar eu pude notar que ela tinha um sotaque alemão.

– Saudações para todos! Eu sou Asuka Langlei Soryu. Eu espero que possamos nos dar todos bem.

– Noooossaaaaa! Que gaaaata!

– Pode tirar os olhos, Kensuke, ela é minha!

– Hahaha… então você deve avisar Horaki chan, a representante da classe…

– Sem bagunça, pessoal… meninos, parem de babar. Senão eu vou contar tudo para Ayanami chan. Vocês não tinham dito que Ayanami chan era a waifu de vocês? Então comportem-se! Soryu chan, escolha um lugar e por favor aconchegue-se para que nós prossigamos a aula.

Soryu chan dá uma boa olhada na classe. Horaki chan acena vigorosamente para ela, mas ela faz de desentendida e vai direto para a Turma do Fundão. Aida kun e Suzuhara kun estão debatendo suas diferenças quando Soryu chan, sem medo nem vergonha, os encara e solta sua língua.

– Hei, babacas! Por acaso é aqui que senta o inútil do Shinji?

Horaki chan desmaia. As outras meninas começam uma gritaria. Nenhuma menina tinha tanta coragem e desavergonhamento de falar diretamente com um menino, tão pouco em usar um linguajar tão vulgar. A pobre da sensei Mako tenta reorganizar sua turma, mas a algazarra apenas parou quando entra a capitã Misato trazendo consigo Shinji e Rei.

– Desculpe a interrupção, sensei Mako. Eu trouxe para sua aula os dois alunos que faltavam. Shinji e Rei estão atrasados, eu sei, mas eles estavam cumprindo com alguns compromissos.

Shinji kun entra na sala de aula todo enxabido e Rei chan não olha para ninguém. Soryu chan solta fumaça pelo nariz. Todos olham, como se antecipasse o escaldo que Soryu chan irá dar em Shinji ou a pancadaria que vai rolar entre ela e Rei chan.

– A propósito, Asuka… Ikari sama pediu para avisa-la de que você deve se dar bem com Shinji. Shinji, sente-se com Asuka e Rei. Eu os deixo em suas mãos, sensei Mako.

O rosto de Soryu chan fica tão vermelho quanto seu cabelo. Rei chan a ignora e retoma seu lugar, enquanto os meninos ficam com o dilema de escolher entre Rei chan e Asuka chan. Toji e Kensuke querem matar Shinji. Do nada, como se fosse a coisa mais normal do mundo, Shinji resolve falar comigo.

– Ah! Um aluno novo… oi eu sou Shinji… poxa, eu devo soar como um besta… isso você sabe. Você deve ter conhecido meus amigos, Toji e Kensuke. Ah, sim! Esta é Rei. Nós somos apenas colegas de classe. Não acredite no que os outros alunos disserem sobre nós.

– Shiiinjiiii…. Shiiinjiii Iiikaaaariiii!

– Sim… sou eu… ah é… você é nova aqui também, não é?

– Ahem… permitam-me… esta é Asuka Langley Soryu. Ela é certamente a candidata a ser a garota mais popular de nossa turma… ela vai pegar a preferência dos meninos da Rei chan… o que acha disso, Rei chan?

– Se ela quer ser popular, que seja. Eu não estou aqui para participar de concurso algum de popularidade.

Soryu chan crispava seus dedos no ar, como se estivesse prestes a esganar Rei chan. Ela sequer olhou para nós. Os meninos da sala devem sentir essa melancolia que eu sinto. Para Rei chan, existe apenas Ikari sama e Shinji kun. Eu começo a compartilhar a mesma vontade de Toji e Kensuke de matar Shinji.

– Muito bem, pessoal… depois no intervalo vocês podem falar à vontade. Retomemos as aulas. Página dez, por favor.

Como se nada tivesse acontecido, toda a classe volta o foco para o livro. Soryu chan parece ter se resignado, mas seus olhos ainda soltam adagas na direção de Shinji kun e Rei chan. Shinji volta a ser o garoto franzino e desengonçado que eu vi no escritório do senhor Ikari. Toji e Kensuke ficam passando bilhetinhos para Soryu chan que os devolve cheios de palavrões. Do nada, Soryu chan, cansada de ser ignorada por Rei chan, tenta me cutucar.

– E você, garoto bode? Você faz parte desse time de perdedores?

– Se Soryu chan me permitir, eu pretendo me apresentar melhor para a senhorita no intervalo.

– Ah… que raro… ao menos UM menino sabe como tratar uma dama. Olha, garoto, se você for melhor do que esses perdedores, eu sou capaz até de deixar que você me compre um lanche.

Eu sinto os olhares furiosos de Toji e Kensuke se voltarem para mim. Eu estou ciente que aqui somente namorados ou enrolados lancham juntos. Eu terei que me controlar para não matar acidentalmente um futuro piloto de EVA.

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