Orlando’s days – I

Eis que novembro começa velho, dezembro está encolhido no canto e o ano de 2017 está chupando o dedo. Eu lembro quando a televisão a cabo começou a funcionar no Brasil. Eu estava morando com a minha avó [não tenho boas lembranças destes anos] e eu lembro claramente da primeira imagem que eu vi pela tevê a cabo: a libertação de Nelson Mandela. Meninos, eu vi! Eu vi o Muro de Berlim cair, eu vi um homem negro ser eleito presidente dos EUA e eu vi uma mulher ser eleita presidente no Brasil.

Novembro começa velho porque o Brasil está sendo governado por um presidente ilegítimo, nitidamente conservador e de direita. Eu não estou criando boas expectativas para São Paulo para 2017, com João Dória como prefeito e temo o que vai acontecer no Rio de Janeiro com Marcelo Crivella como prefeito.

Enquanto aguarda sua vez de entrar no calendário, dezembro está melancólico. Apesar de ser um mês onde as pessoas se preparam para o Natal [festa originalmente pagã] as perspectivas são as piores possíveis, a “recuperação econômica” prometida pelos conspiradores e traidores não aconteceu. Vai ser o Natal da mortadela. 2017 está cogitando suspender sua vinda ao Brasil. Mas a Idade Média está confirmando suas reservas nos melhores hotéis. 2016 conseguiu passaporte expresso para sair do Brasil, para evitar a vergonha.

O que vai me salvar são as lembranças de minhas férias em outubro, especialmente os dez dias que eu passei em Orlando, Flórida, com minha mulher e minha cunhada. Eu pretendia fazer um diário de viagem, anotando em tempo real, porém o plano falhou, então meus leitores terão que se contentar com um relato posterior.

Até o fim de agosto o planejado era passar férias em Fortaleza, mas minha cunhada deu o ânimo e o apoio que faltavam. Eu comecei setembro fazendo o plano de férias para Orlando. Oh sim, eu devo agradecer muito ao oráculo virtual [Google] e a diversos vlogguers do Youtube pelas dicas valiosas.

Ao longo de setembro eu fiz uma listinha dos lugares que eu queria visitar, as coisas que eu queria comprar e o que eu pretendia fazer. Obvio, eu tive que fazer o mesmo para minha esposa. Eu fiquei com um calhamaço de papel.

Essa foi a primeira preparação. Depois os passos mais necessários. Comprar passagens, reservar hotel e carro, comprar dólares. Aqui eu devo agradecer ao pessoal da Latam por terem sido sócios prestativos e colaboradores nesta empreitada. A parte dos dólares eu agradeço ao Disk Dólar pela boa corretagem de câmbio.

Todos os preparativos que necessitam de terceiros estavam prontos. Nós estávamos com as malas prontas três dias antes. Quem disse que eu consegui dormir? Nós acordamos às quatro e meia da manhã, tomamos café, nos arrumamos e estávamos acertando detalhes [sempre falta algo!] quando meu cunhado chegou para nos levar ao aeroporto de Congonhas, aonde nós pegaríamos o ônibus [da Latam] que nos levaria até o aeroporto de Guarulhos.

Chegamos sem dificuldades, rapidamente, as ruas estavam vazias. Não tinha muita gente na fila, então conseguimos pegar o primeiro ônibus que saiu. Depois de quarenta minutos, estávamos no destino. Andamos um bocado até achar o check-in da Latam, que fica no terminal novo. O check-in estava vazio e nós tínhamos apenas duas malas, então tudo foi despachado bem antes do horário da decolagem, então aproveitamos um pouco fazendo outras coisas.

Com o embarque liberado, entramos no avião e sentamos nas poltronas reservadas. A decolagem aconteceu exatamente dentro do horário previsto. A estimativa de voo era de oito horas, então eu me ocupei lendo um livro. Nota pessoal: eu não consigo dormir em voos, por mais cansado, por mais sono que eu possa estar. Eu parei de ler apenas quando o pessoal de bordo serviu o lanche. Duas vezes. Quando o comandante anunciou o início da aterrissagem, eu guardei o livro. Nós chegamos em Orlando no horário previsto.

Era fim de tarde em Orlando e a temperatura era agradável. Bastante sol. Existem duas horas de diferença de horário, entre São Paulo e Orlando. A fila de passageiros seguia seu ritmo e nós atrás.

Surpresa! Ao desembarcarmos do avião, seguimos para uma fila. Era a fila da Secretaria de Imigração. O Tio Sam coloca gente em seus aeroportos para saber quem está chegando em seu país. Parece uma alfandega de gente. Eu encafifei com uma fila em separado, com máquinas, eu pressupus que era exclusiva para residentes.

Minha cunhada seguiu em primeiro, mas pelo menos ela arranha no inglês. Eu tive o cuidado de ir com minha esposa e expliquei ao funcionário que estávamos juntos e que ela não falava inglês. O rapaz foi atencioso, rápido e eficiente. Não foi tão difícil nem o Bicho de Sete Cabeças que dizem ser. Fomos adiante e encontramos com a Regina [minha cunhada] no setor de bagagens. Só então passamos para a segunda surpresa: tinha um trem dentro do aeroporto de Orlando que nos levaria do terminal de vôos até o terminal de passageiros. Em São Paulo é na base das canelas ou do ônibus que liga os terminais.

O terminal de passageiros é bem amplo. Tem até uma praça interna. Nosso próximo passo foi encontrar o balcão da Alamo, onde pegaríamos o carro que estava reservado. Dentro do aeroporto existem diversos guichês de empresas de aluguel de carro. Não foi difícil nem demorado acertar os detalhes com a Alamo Rent a Car. Eu fiquei como o “driver”, nós pegamos as malas e andamos mais um pouco até a parte onde ficam os carros e o funcionário da Alamo mostrou uma fila de automóveis [tipo SUV] e disse que podíamos escolher qualquer um que quiséssemos.

Olhamos bem as opções e, pelo espaço no bagageiro, pegamos um Santa Fé da Hyundai. Eu tive algumas dificuldades para montar o GPS [Garmin] e para dar partida no carro. O carro tem transmissão automática e o freio de mão é em um pedal que fica bem à esquerda do lado do motorista. Eu empaquei um pouco no começo, o freio era bem mais sensível do que eu estava acostumado e para dirigir basta apertar o freio, colocar a marcha em “drive” [D] ou R [marcha à ré] e acelerar devagarzinho. O que ajuda muito na ré é a câmera de ré.

Passada a dificuldade, pegamos a estrada e seguimos as indicações do GPS. Ops! Pedágio! Outra surpresa! Dupla! Não tinha ninguém atendendo no pedágio! O condutor tem que jogar moedas em um cone metálico! Só o troco exato! E nós não tínhamos moeda alguma! E os americanos pagam! Aqui no Brasil o pessoal passaria direto! Pagamos mico. Eu escondi minha vergonha e toquei o barco, eh, o carro.

Eu consegui chegar ao hotel quarenta minutos depois, mas porque acabamos entrando no hotel errado. Nota pessoal: existem vários hotéis com nome parecido. Os atendentes eram bem jovens, alegres, prestativos e simpáticos. Eu agradeço aqui aos atendentes do Rosen Inn Universal. Nós fizemos o check-in e conseguimos encontrar o caminho para o quarto [nós tivemos que passar por um tipo de cantina, dentro do hotel] e bestamos ao subir as escadas [eu descobri onde ficava o elevador depois].

O quarto tinha duas camas, uma mesa, um criado mundo, dois abajures, um armário, uma televisão, um ar condicionado, um lavabo com pia, um banheiro com chuveiro e banheira. Na área da pia tinha um micro-ondas, um frigobar, uma cafeteira, uma bandeja, copos descartáveis para água, copos térmicos para o café, dois sachês com café, um kit para café e um secador de cabelos. Havia um ferro de passar roupa pendurado na lateral do armário. Toalhas, muitas toalhas, para as mãos, para o rosto e para o corpo. Dois sabonetinhos, iguaizinhos aqueles que vemos em motel. Um quarto simples, mas servia para os nossos propósitos.

Vocês devem achar que despencamos nas camas [deliciosamente macias]. Mas não. Estávamos com fome. Foi pouco o que comemos no voo. Mesmo cansados, pegamos o carro e nós fomos no Walmart mais perto. Nota pessoal: Walmart é o Hipermercado Extra da vida dos americanos. Mas com a variedade do Pão de Açúcar. Nota pessoal 2: o Target é melhor.

Ali eu encontrei e peguei duas embalagens com burritos extra grandes [sim, eu sou guloso] para fazer no micro-ondas. As meninas pegaram uma caixa com donuts [similar ao nosso sonho], um suco [horrível de aguado e doce], pão [fatiado], manteiga [deliciosa!]. Eu que não sou besta, peguei uma lata de cerveja.

Chegamos aos caixas e eu notei que tem uma parte de autoatendimento. O próprio cliente registra a compra e paga. Direto no equipamento. Sem assistência. E o americano paga. Aqui no Brasil o pessoal ia passar direto. Pagamos e zarpamos de volta ao hotel, comemos e só então dormimos.

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