Arquivo mensal: novembro 2016

Neon Genesis – XIII

Doutora Ritsuko me chutou para fora da maca, do hospital, assim que eu recuperei minhas forças. Deja vu. Com a delicadeza que lhe é peculiar, jogou o uniforme de escola, dando a entender que eu devia seguir com esse teatro de fantoches conduzido por Gendo Ikari. Sensei Mako me recebeu como se fosse outro dia qualquer e eu sentei junto de Toji e Kensuke. Rei e Shinji continuavam parecendo um casal. Para variar, Asuka mandava bilhetinhos para mim com coisas escritas que parecem ter sido tiradas desses livros que surgiram com o sucesso “50 Tons de Cinza”.

Alguém bate na porta, sensei Mako atende, lê o bilhete. Parece uma reprise.

– Meninos e meninas! Atenção! Por favor, vamos dar as boas vindas a mais um aluno. Todos em pé, por favor. Por gentileza entre rapaz e apresente-se.

Entra um garoto, fisicamente parecido com Shinji, mas suas expressões são muito parecidas com as da Rei. Tem algo nele que me deixa nervoso.

– Saudações para todos! Eu sou Kaworu Nagisa. Eu espero que possamos nos dar todos bem.

Dessa vez quem vai ao delírio são as garotas da classe. Gritinhos, olhos brilhantes, bocas babando. Mas Kaworu não olha nenhuma das garotas e senta-se bem ao lado de Shinji.

– Shinji senpai… por favor… cuide de mim.

– Eh? Ah! Olá… Nagisa kun.

Rei se levanta, visivelmente irritada e sai correndo da sala. Shinji tenta acompanha-la, mas Kaworu o impede com palavras doces e carinhosas.

– Shinji senpai… não conspurque sua pureza com essa criatura. Eu vim de longe, muito longe, apenas para dar o amor que meu senpai merece.

Kensuke começa a tirar sarro enquanto Toji encara Kaworu.

– Que papo é esse? Vai sentar no meio das meninas. Aqui só senta homem.

– Suzuhara senpai… o que é homem? O que é mulher? Não somos tod@s, fih@s de ambos, macho e fêmea? Então somos todos hermafroditas…

– Não vem não, seu pervertido, pederasta! Eu sou muito macho e eu gosto é de pepeca, ouviu?

– Isso é o que você diz com seus lábios, mas não com seus olhos e coração, Suzuhara senpai.

– Quem diria, hem, Shinji? Cortando nas duas hem? Quando que você ia nos apresentar seu namorado?

– Ke… Kensuke! Pare com bobagens! Nagisa kun está apenas brincando, ele está apenas sendo gentil!

– Eu estou, Shinji senpai? Então porque você está todo corado, como uma colegial apaixonada?

Shinji estava em seu pior pesadelo. Ele era o centro das atenções. Eu pedi licença para sensei Mako e fui atrás de Rei. Eu tinha a impressão de que ela devia saber algo de Kaworu que a fez fugir. As vidraças da escola estremeceram quando soou o sinal de ataque de anjo. O indefectível helicóptero da NERV aparece para nos levar a todos, menos Rei, que foi na frente.

O Geofront tinha sido invadido por este anjo. Certamente deve ser o mais forte e esta pode ser a ultima batalha. A unidade zero não está sendo pilotada pela Rei, foi colocada para operar com um simulacro. Rei não é achada em lugar algum.

– Há! Quem precisa da Miss Simpatia! Eu vou acabar com esse anjo! Vocês verão que eu sou a melhor piloto!

Asuka de dentro de seu EVA pula para frente do anjo e atira com tudo que meu rifle tem, usa as facas progressivas, mas sem efeito, o campo ATF é forte demais. O EVA de Asuka é facilmente derrubado pelo anjo que avança para dentro do Geofront, em direção do Dogma Central, onde estão escondidos os segredos mais preciosos de Gendo.

– Shinji! Agora não é hora de brincar! Você deve despertar seu verdadeiro potencial! Assuma a forma de seu verdadeiro Eu!

A voz no intercomunicador zune uma mescla das vozes de Gendo e Misato, junto com a microfonia. Shinji treme todo e tenta, como eu, encontrar Rei desesperadamente. Então eu vi… debaixo daquela capa e elmo que o anjo tinha… era Rei. Não a Rei que nós havíamos conhecido, mas a sua forma verdadeira. Rei era a reencarnação da criatura que foi chamada de Lilith.

– Durak! Se realmente ama Rei, se realmente quer que vocês tenham algum futuro, você deve despertar o Deus da Floresta e deter a Rei!

Este era o desejo da Deusa? Este é meu destino? Enfrentar, matar meu amor ou morre por sua mão? O ser humano reclama de sua vida, de suas dores, de seus sofrimentos, acusando o divino, mas fomos nós quem voltamos a nossas costas ao que é sagrado. Nós, no alto de nossa arrogância, prepotência e petulância queremos julgar aos Deuses. Mas nossas dores, nossos sofrimentos, não os naturais, que toda criatura viva está sujeita, mas os artificiais, são causados por nós mesmos.

Outro alarme soa. Invadiram o Dogma Central. O Geofront está para ser evaporado, com todo seu comando, pelo anjo que eu conhecia por Rei. Mas se o Dogma Central for aberto e este outro anjo encontrar o embrião de Adama ou o corpo da criatura chamada de Lilith, ocorrerá o Terceiro Impacto e será o fim da humanidade tal como a conhecemos.

– Durak kun! Segure a Rei! Eu vou segurar Kaworu!

A voz de Shinji está clara como cristal. Ele está bem mais decidido e resolvido do que o costume. De alguma forma ele sabia também que ali era Rei e quem estava no Dogma Central era Kaworu. Se Rei era um clone de anjo, o que impede que Kaworu seja um anjo na forma humana? Nós simplesmente sabíamos. Porque nós tínhamos arrancado os véus da ignorância que encasula a existência carnal.

– Roger! Eu seguro a Rei. Por favor, veja se Asuka está bem!

Shinji segue em direção ao Dogma central enquanto eu consigo, por vontade própria, despertar o Deus da Floresta. Antes de lutar, eu tento falar com a alma da Rei.

– Rei! Rei chan! Por favor, me escute! Seja lá qual for seu motivo ou objetivo, pare! Nós podemos tentar achar outra solução!

– Ah… Durak kun… eu gostaria muito de estar em seus braços, mas não desse jeito. Rei chan não existe. Esta sou eu… Layla. Eles roubaram de mim Adama… meu amado… pior… tentaram mata-lo… como se não fosse o suficiente, agora fazem cópias dele. Meu Adama não é o monstro de Frankenstein. Eles… os humanos… eles são pior do que um verme, pior do que um vírus… você mesmo vê, Durak, do que o ser humano é capaz de fazer! Matam ao seu próprio povo! Estão matando o único habitat e casa que lhes foi confiado pelos Deuses! Agora querem espalhar essa doença pelo espaço! Há um motivo muito simples para que não se ache sinal de vida por milhares de anos luz daqui! Gaia, esse mundo, foi feito para exilar essa praga! Não há limite para o ser humano! Ele tem um vazio no coração que jamais será preenchido ou satisfeito! Nós temos que eliminar a humanidade! Para o bem maior!

– Eu poderia facilmente concordar com você, Layla. O homem é ganancioso, desonesto, dissimulado… mas eu não acredito que nossa natureza seja assim. Parte de mim é humana… assim como você, Layla. Todas as coisas boas que estão em nós… também é humano. Eu não acredito que Gaia seja uma prisão, mas sim, um laboratório de experiências, onde o ser humano pode depurar, por seu esforço, sua alma, ao ponto de poder evoluir para sua forma verdadeira, como filho e filha dos Deuses. Nós temos que aprender… pela dor que é própria da existência, pelo sofrimento que é próprio de todo ser vivente… que nós temos que ser senhores de nós mesmos. Quando nós cedemos aos nossos impulsos carnais, nós rebaixamos nossa essência… nós temos a ilusão de estarmos livres, mas na verdade nós somos prisioneiros de nossos apetites. Nós temos que ser senhores de nós. Somente controlando, pelo livre arbítrio, nossos apetites, é que seremos realmente livres, pois disciplina é liberdade.

– Durak kun! A… aqui é Shinji… eu… estou triste… muito triste… eu matei… Kaworu… mas… é como se eu tivesse perdido minha alma…

Rei, melhor dizendo, Layla, aproveita a distração, me derruba e foge em direção da superfície, para então subir até a estratosfera, para assimilar o máximo de espíritos humanos desencarnados o suficiente para causar o Terceiro Impacto.

– Tal como eu esperava e planejava… mesmo no final, Rei ainda está consciente no corpo do anjo e está cumprindo minha ultima ordem, que tornará possível concluir o Projeto de Instrumentalidade Humana.

– Pai! Do que você está falando? Se isso continuar…a Rei… o mundo… irá desaparecer!

– Vocês, crianças, precisam entender de uma vez por todas. Eu estou disposto a tudo, tudo mesmo, para concluir meu projeto. Eu abriria mão de minha própria vida, se for necessário… como Cristo mesmo o fez.

– Não! Eu não quero! Eu me recuso! Eu quero que a Rei viva! Eu quero minha irmã de volta! Eu quero me casar com Asuka! Eu quero que este mundo continue a existir!

Shinji e o EVA unidade um fundem-se em um único ser, tomando a forma de seu verdadeiro Eu, para unir-se carnalmente com Rei/Layla, cessando o Terceiro Impacto, ao mesmo tempo em que vertia um liquido rosáceo e dourado. Shinji e Rei, unidos, recriaram o Hermafrodita Primordial, o Demiurgo, que criou Gaia e essa realidade tempo-espacial.

Abençoando o Hiero Gamos, estava Ishtar, que sorria para todos nós. Ishtar vertia suas bênçãos diretamente ao ser humano, sem precisar de templos, textos sagrados, sacerdotes, representantes ou intermediários.

– Isso, meu querido e muito amado, resume tudo: Amor é a Lei.

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Neon Genesis – XII

No hangar dos EVAs eu custo crer que tivemos o dia seguinte. Do alto do andaime mecânico, eu observo minhas obras primas. A despeito da falta de tempo, recursos, peças e mão de obra, eu consegui terminar a versão mais avançada dos EVAs. As três unidades estão equiparadas, em todos os termos, combater os anjos ficará mais fácil. Eu soo um sinal para que todos na equipe saibam que encerramos o trabalho do dia. Sim, nós podemos comemorar. Alguns colegas estouram garrafas de saquê no exoesqueleto, para “batizar”, como se faz com navios. Nós nos podemos nos dar férias.

No solo, meus colegas tentam me puxar para as comemorações, mas eu tenho um projeto pessoal em andamento que necessita de minha atenção. Eu vou para minha sala particular dentro dos hangares e, depois de ter certeza de que eu estou só, eu olho os resultados da análise que eu fiz clandestinamente no laboratório da doutora Ritsuko. A análise foi feita apenas com um fio de cabelo de Shinji e, como engenheiro de EVA, eu tinha “amostras” de Eva suficientes para comparar os dados.

Nervoso, eu lia os resultados. Os EVAs tinham três hélices de DNA, mas fora isso, os pacotes de RNA EVA/Humano eram absolutamente iguais. Não era surpreendente nem inesperado, eu tinha uma suspeita, mas até então era apenas uma Teoria de Conspiração, como tantas na internet, que diziam que a Humanidade é resultado de engenharia genética. Nós somos, literalmente, filhos e filhas dos Deuses, dos Annunaki. Isso explicaria como foi possível clonar o anjo que caíra na Antártida e isso pode explicar porque Shinji tem taxas anormalmente altas de sincronização com seu EVA.

– Então você descobriu, Durak? Teria sido melhor continuar na ignorância.

A voz nítida do senhor Ikari em meu escritório foi apenas o começo de algo que eu preferia não lembrar. Os fuzileiros navais da ONU me imobilizaram, enquanto a capitã Misato me algemava.

– Lembra-se do que eu disse, Durak? Tem coisas que eu prefiro manter em segredo e eu estou disposto a qualquer coisa para manter esse segredo. A capitã Misato é uma das poucas que pode saber isto que você descobriu… nem poderia ser diferente, pois ela deve a vida ao que nós fizemos há quatorze anos atrás. Você também, Durak, tem dentro de si a faísca dos Deuses Antigos, mas apenas não a despertou.

– O senhor não vai ficar livre disso, senhor Ikari! Eu vou te denunciar!

– Para quem? Para a ONU? A ONU é praticamente uma secretaria subordinada à NERV. Para a SEELE? Eu duvido muito que te ouçam, se é que você viveria até lá. Mesmo esses soldados que aqui estão, apenas receberam as ordens e estão a executando com tampões no ouvido. Ninguém irá te escutar, Durak.

– Eu… eu vou… meu computador tem arquivos que serão liberados para a internet, para todo o público!

– Por favor, Durak… eu estou há quatorze anos à sua frente. Você acha que a doutora Ritsuko não detectou sua atividade extracurricular? Você acha que o MAGI não está monitorando seu CPU? Eu podia facilmente te esmagar, Durak, mas você ainda me é útil para o Projeto de Instrumentalidade Humana.

– Você… há quatorze anos…

– Ah! Enfim! Eu estava ficando enjoado com essa formalidade. Sim, Durak, há quatorze anos atrás, seu exílio, o exílio de cada futuro piloto de EVA… foi minunciosamente planejado. Eu chego a sentir vontade de rir quando eu lembro de sua ceninha, pedindo desculpas por não ter cuidado da Rei. Eu sabia que Rei não atingiria o potencial dela, se você ficasse ao lado dela… então fui eu quem os separou, Durak. Asuka é filha de uma das doutoras de minha equipe, não foi difícil para eu acompanhar o crescimento e desenvolvimento das habilidades dela, lá na Alemanha. Sabe Toji e Kensuke? São filhos de diretores da SEELE. Mas para o nosso projeto dar certo, os pilotos, melhor dizendo, os alunos, são todos órfãos.

– A… a Rei… o que você fez com ela?

– Mesmo diante de tal perigo e ameaça, você ainda pensa nela? Muito bem, Durak, como você não vai lembrar muita coisa depois do “experimento” que farei com você, eu direi. A Rei que você conheceu não existe mais. Eu autorizei ao Kozo te dizer isso, mas você não entendeu. A verdade, Durak, é que há quatorze anos atrás, Misato e Rei estavam em situação crítica depois do ataque da criatura que eu chamei de Lilith. Misato eu consegui salvar, mas a Rei… eu tive que fazê-lo… a Rei é, na verdade, um clone de anjo, como os EVAs. Esse era, basicamente, o motivo pelo qual não havia “compatibilidade” entre Rei e o EVA unidade zero. Mas você deu um jeito… parabéns.

– E… então… Shinji… Asuka…

– Estes foram mais fáceis. Tanto Shinjo e Asuka possuem dentro deles o mesmo DNA dos EVAs que pilotam. Pode-se dizer que os EVAs são como um segundo corpo para suas almas. Por isso que suas taxas de sincronização são tão absurdas. Agora que os EVAs foram completados e estão em sua forma quase definitiva, eu devo cuidar de você, um detalhe que será crucial para a batalha final.

Nós paramos no nível do solo, na região montanhosa, onde diversos veículos da ONU disparam contra alvos que aparentam ser anjos. Gendo acena para Misato que dispensa os fuzileiros da ONU. Misato retira uma seringa de uma frasqueira térmica e entrega para Gendo.

– Está vendo aquelas criaturas, Durak? Parecem anjos, mas não são, são EVAs, ou melhor dizendo, são as réplicas americanas dos EVAs. O que eu posso falar? Os americanos são neuróticos e paranoicos. Eles não iriam aceitar que o Japão tivesse sozinho a tecnologia dos EVAs, então enviaram suas réplicas para nos destruir e recolher todos os nossos esforços. Eu podia enviar meus EVAs, mas eu vou usar você, Durak…

– E… eu? Mas… o que eu posso fazer?

– Misato, a seringa… veja bem, Durak… eu vou inserir em você o mesmo preparo que eu inseri em Shinji, Asuka e Rei. Você terá o DNA dos anjos e dos EVAs em você. Eu espero que isso desperte o Deus da Floresta que habita dentro de você. Você conseguirá dar conta sozinho dessas réplicas. Mas antes disso… eu vou permitir que Rei e Asuka possam se despedir de você com um beijo.

– Durak kun… boa sorte…

– R…Rei… Rei chan…

– Não olhe assim para mim, Durak kun. Eu não sou a Rei. Eu pareço com a Rei, mas isso que você vê é apenas um vaso.

– Hei, garoto bode, bem que eu pressenti que você tinha um potencial escondido. Se você sobreviver a essa “experiência”, não se esqueça que você me deve um jantar.

– A… Asuka… Asuka chan…

– Rápido, meninas… não temos muito tempo. O preparado está fazendo efeito.

Eu recebo um beijo de Rei e Asuka. Misato sai com elas pela escotilha, sendo seguidas de perto por Gendo. Assim que a escotilha faz o clique mostrando que está selada, meu corpo reage vigorosamente. As cordas e algemas que me prendiam se soltam com o crescimento dos músculos. Em instantes, eu alcanço a altura de um EVA, mas meu corpo está coberto de um pelo escuro e grosso. Garras saem de minhas mãos e presas saem de meu maxilar. De minha cabeça, despontam dois chifres e um fogo fátuo brilha no meio deles. Eu havia me tornado o Deus da Floresta.

As réplicas agem instintivamente e tentam me atacar. Atiram com suas armas, agitam suas facas progressivas, mas coisa alguma consegue me ferir ou cortar aquele pelo espesso. Com facilidade, eu esmago as armas, os braços, as pernas e as cabeças de diversas réplicas. Com minhas garras e presas, eu facilmente retalho diversas outras. Em questão de minutos, meu corpo inteiro está coberto com um fluído semelhante a sangue que saía em profusão das réplicas. O solo treme com meu urro de vitória. Todas as réplicas estavam mortas.

Esta foi a primeira vez em que meu verdadeiro Eu tomou forma. A primeira vez foi dolorida e induzida. Eu creio que eu posso dizer que eu fui estuprado. O que Gendo não explicou é como ele pretendia controlar a Fera, depois de que esta foi solta. O que Gendo não explicou é que eu e Rei tivéramos aquela conexão especial desde o começo porque, enquanto eu era o filho do Deus da Floresta, Rei era a filha da Senhora da Lua. Gendo… tremendo cafajeste… não hesitou em expor a Rei diante de mim em meu estado absoluto, unicamente para que a alma que ela continha dentro de si, me acalmasse. Eu desmaiei com o rosto de Rei próximo de mim com um sorriso apaixonado.

– Durak kun… Ikari sama não pode nos ouvir agora… mas eu não esqueci de você. Por favor, me perdoe por fazer isto com você. Mas acredite, isso é para servir ao propósito que a Deusa nos destinou. Eu te peço, Durak kun… confie em mim. Confie em nossa Deusa, Ishtar. Eu te prometo, quando tudo isso acabar, que eu irei te recompensar adequadamente.

Eu senti aquela mesma sensação que eu havia sentido há quatorze anos atrás. Eu pude reviver as mesmas palavras que eu achava terem sido ilusões e fantasias de criança.

– Então, meu querido, amado e muito desejado? Por acaso hesita? Por acaso rejeita teu destino? Por acaso duvida que eu tenha estado contigo desde o princípio?

– Ah… minha senhora… rainha… Deusa…

– Suas palavras são desnecessárias, Durak. Seu corpo é bem mais eloquente. Sim, eu senti seu calor queimando dentro de mim quando você me devotou seu amor através de minha manifestação como Misato. Mantenha puro seu ideal mais elevado, Durak, que eu te abrirei as Portas da Juventude Eterna e te darei o Cálice da Vida Eterna. Deseja estar eternamente envolto no arrebatamento do êxtase infinito? Continue sendo meu instrumento.

Neon Genesis – XI

Gaia girou em sua dança cósmica e eu me vejo encarando um teto desconhecido, o corpo amortecido, encharcado com fluidos orgânicos e a mente envolta por uma névoa. Esta deve ser uma boa descrição de um soldado após o combate e nós conseguimos, até o momento, vencer contra três anjos. O som da água de chuveiro e o som melodioso de uma voz feminina me faz lembrar que um motel foi meu campo de batalha. Misato chan sai do banheiro envolta em uma toalha, abre o frigobar e se serve de uma lata de cerveja.

– Puxa… incrível como um chuveiro dá essa sensação revigorante. Você bem que está precisando, Durak. Olha, foi divertido, faz tempo que eu não sinto um homem assim, mas foi apenas sexo e nada mais. Desculpe eu sair correndo, mas eu tenho compromissos para atender no Geofront. Não demore muito, senão Ikari sama pode te dispensar. Tchau, Durak.

Minhas pernas ainda estão bambas, eu me arrasto para o chuveiro, tomo banho, me enxugo e me troco. Eu não estou reclamando, mas desde quando as mulheres se liberaram tanto a ponto de abandonar as fantasias românticas, a ponto de serem capazes de transarem, sem crise, sem neura? Quando as mulheres se tornaram capazes de inverter o jogo e de fazer o homem um objeto sexual?

Eu estou super atrasado e o ônibus não colabora. Tentando me distrair, observando o público em volta, quando eu vejo claramente Shinji saindo de um edifício, com o rosto avermelhado e declinando seu corpo na direção de Rei, como se estivesse pedindo perdão por algo. Chega o ônibus e eu pude ouvir Shinji gritando de longe.

– Hei! Segure o ônibus! Eu vou embarcar nesse ônibus!

Todo esbaforido, Shinji respira fundo para recuperar o fôlego enquanto tenta achar as moedas para a tarifa, só aceitam troco exato. Eu volteio meus olhos e insiro as moedas no coletor, liberando a catraca.

– Ah! Obrigado… Durak, certo? Obrigado mesmo. Eu prometo que eu te devolvo.

– Sem problema… Shinji… era a Rei do outro lado da rua?

– Quê? Ah… sim, era a Rei. A capitã Misato não foi ao comando da NERV, então meu pai pediu que eu entregasse o novo cartão de acesso para Rei…

– Você… parecia constrangido e embaraçado…

– Ah é… pois é… aconteceu… não foi de propósito… eu entrei no apartamento de Rei… a porta estava aberta… eu estava olhando sua penteadeira, um óculos quebrado, quando… eu senti que tinha mais alguém atrás de mim… eu me voltei… oh, puxa… eu vi… Rei estava saindo do banho…

– Você viu Ayanami chan completamente nua…

– Pois é… ela não gostou que eu estava mexendo nas coisas delas, ela foi pegar o óculos de minha mão, nós tropeçamos… oh, puxa… eu caí em cima dela… minha mão… eu toquei no seio de Rei…

– Isso explica toda a cena que eu vi. Mas diga, Shinji… existe algo entre você e Rei?

– A… ah? Não! Eu e Rei? Não! De forma alguma! Não tem como um garoto como eu pensar em ter algo com a Rei. Acontece que… sei lá… nós temos… um elo especial, uma conexão… nós conseguimos nos dar naturalmente muito bem.

– Bom, isso não é da minha conta. Mas eu fico intrigado tentando entender o motivo pelo qual Asuka tem tanta raiva de você.

– Pfff… o que eu posso dizer? Ela é competitiva e não gosta de ficar em segundo. Ela deve se sentir acuada, ameaçada, pois todo mundo fica falando que eu sou o Garoto Prodígio.

– Mas eles estão certos. Eu mesmo pude ver. Suas taxas de combinação com seu EVA são simplesmente impossíveis de existir, considerando que você chegou sem qualquer treino ou calibragem. Shinji, como engenheiro de seu EVA, eu preciso saber. Você sabe como você interage tão bem com seu EVA?

– A… aaah? E… eu não sei. Eu só… sento ali e… algo dentro de mim parece saber de cor como funciona meu EVA.

– Shinji… isso é importante… eu posso colher um fio de cabelo seu?

– Eh? Um fio de cabelo? Ah, sei lá… pode…

Eu tive que aproveitar essa chance. Shinji, o Garoto Prodígio, é tão ingênuo quanto aparenta. Eu me sinto ruim com isso, mas esse fio de cabelo pode ser a chave para abrir essa Caixa de Pandora que o senhor Ikari tanto mantém trancada.

– Hã… Durak… eu acho que é a capitã Misato naquele blindado seguindo bem atrás do nosso ônibus.

– Motorista! Pare este ônibus! Isto é uma urgência! Shinji! Durak! Saiam desse ônibus imediatamente! O Geofront está sendo atacado por um anjo que se divide em dois! Rei e Asuka estão conseguindo segurar, mas não por muito tempo!

Não transcorreram muitos minutos desde que Misato chan e eu estávamos na cama daquele motel, mas lá estava ela, com seu uniforme e expressão severa. Ali eu tinha que falar com a Misato em seu papel de capitã. Shinji fica todo encolhido diante da capitã Misato, enquanto eu a encaro olho no olho. Subordinado, sim, submisso, jamais.

– Vamos, meninos. Nós precisamos de vocês.

Shinji embarca no mesmo providencial helicóptero da NERV, como se fosse um aluno prestes a ser repreendido pela sua professora. Misato chan mantém sua postura, ela sequer pisca ou desvia o olhar quando nos olhamos. De seus lábios, outrora cheios de gemidos e sussurros, saíam apenas ordens.

– Capitã Misato falando. Roger. Anjo em estado inerte. Um artefato nuclear lançado pela OTAN deteve parcialmente o anjo. Idiotas! Isso foi tentado outras vezes e o anjo retorna com força total. Todo bem. Eu sei que meus meninos conseguem arrumar essa bagunça. Cambio, desligo.

Misato chan solta um suspiro, desliga os intercomunicadores e fecha a claraboia que nos separa do piloto do helicóptero. Sua expressão muda radicalmente e ela afrouxa alguns botões de seu uniforme. Em alguns minutos, a capitã Misato dá lugar à cortesã Misato.

– Pessoal… a coisa está feia… Durak, Shinji, se vocês pretendem continuar a desfrutar de minha companhia, vocês terão que me ajudar. Sim, Shinji, não adianta ficar com essa cara de espantado, embaraçado, constrangido. Eu sei. Você vive contando vantagem com Toji e Kensuke de estar “vivendo debaixo do mesmo teto” do que eu. Eu sei que eu sou uma figura constante em seus sonhos molhados. Se você quer realmente ficar “debaixo do meu teto”, você vai ter que ouvir Durak e fazer exatamente o que ele disser. Quanto a você, Durak, se você for bem sucedido nessa missão eu… vou fazer vistas grossas e você… terá alguns minutos com a Rei ou a Asuka… ou as duas… eu sei que elas irão entender e colaborar. Então, meninos… o que podemos fazer para repelir esse anjo?

Shinji tinha desmaiado. Eu custo acreditar que esse garoto seja tão ingênuo assim. Os padrões dos tipos e dos ataques dos anjos são sempre únicos e distintos. Nós não podemos nos aproximar muito, graças ao isolamento causado pelo artefato nuclear, mas eu consigo observar um pouco o anjo através de um telescópio. Algo veio em minha cabeça. Água, terra, ar… então esse anjo deve ser do tipo fogo. Um ataque com projéteis apena o tornaria maior e mais forte. Ele não está inerte, ele está em fase de metamorfose, como uma lagarta dentro de um casulo. O que significa que aquela não é sua forma definitiva e isso é muito preocupante e assustador. Nós tivemos bastante dificuldade em combater anjos de nível básico… não teríamos muita chances se enfrentarmos um anjo completamente evoluído.

– Misato chan… melhor dizendo… capitã Misato… o anjo não está inerte. Ele está em metamorfose. Aquilo que estamos vendo é apenas uma casca, um casulo. Quando essa casca partir, o anjo terá sua forma definitiva e eu não creio que tenhamos chance de repelir um ataque desses.

– Então… é o fim?

– Ainda não… mesmo depois de sair do casulo, o anjo demorará para assumir sua forma definitiva… como a borboleta que acaba de sair do casulo demora a abrir suas asas. Nós teremos muito pouco tempo… mas um ataque combinado, de dois pilotos, perfeitamente sincronizados, pode tirar vantagem desse tempo escasso e acertar o núcleo do anjo. Mesmo se ele se dividir, cada piloto acertará o núcleo de ambas as metades. Mas nos iremos precisar de dois pilotos com sincronização perfeita… pilotos que tenham a mesma ligação que os amantes possuem. Quais pares satisfazem esse requisito, capitã Misato?

– Hmmm… Rei e Asuka estão mais para concorrentes do que amantes… Rei e Shinji estão mais para irmãos… parece absurdo, mas nós teremos que apostar na dupla Shinji-Asuka.

– Hãããã? I… isso é impossível! Eu e Asuka… Asuka me odeia!

Foi só falar de Asuka que Shinji recobra os sentidos. Ambos tentam negar e esconder, mas existe algo entre os dois. Eu não estou contando com o tempo, então eu proponho algo que aparentemente soa terrível para Shinji.

– Capitã Misato… está bem claro que Shinji e Asuka sente algo um pelo outro, mas por não conseguirem expressar seus sentimentos, eles ficam nesse relacionamento tsundere. Nós não temos muito tempo disponível, então eu sugiro que ambos fiquem enclausurados em uma “cela de amor” até que sejam capazes de serem honestos, consigo mesmos e com os demais.

– Du… Durak kun! Eu achei que você fosse meu amigo!

– Sua ideia é maluca… mas as outras ideias eram também e funcionaram. Para falar a verdade, eu gostei da sugestão. Eu convivo com eles e é chato ficarem nesse nem fode nem sai de cima deles. Muito bem! Shinji! Asuka! Vocês estão confinados juntos a partir de agora. Vocês devem se acertar. Isso é uma ordem!

Shinji desmaia novamente enquanto Asuka xinga horrores pelo radio. Até um marinheiro coraria com os palavrões que Asuka proferia. Curiosamente o senhor Ikari aprovou e concordou com o “projeto”. Asuka protestava, mas as portas foram fechadas com ela e Shinji, ainda em coma.

– Pare de reclamar, Asuka. Lembre-se. O futuro da humanidade depende de vocês. Façam algo. Vocês tem até o despertar do anjo.

Neon Genesis – X

Sete e meia em ponto, eu me olho no espelho, todo embonecado, dentro do uniforme de gala. Eu repetia mentalmente que era apena uma cerveja com uma colega de serviço, mas eu estava todo emperiquitado como se fosse um encontro. Tudo está impecavelmente limpo, asseado perfumado. Respiro fundo e solto um suspiro. Eu preferia enfrentar um exército armado a encarar Misato chan.

Eu entro em um taxi e sou saudado por uma Inteligência Artificial. Eu tento me acomodar da melhor forma possível, mas as roupas me incomodam bastante. Eu anuncio o endereço ao “motorista” que segue sem muitas perguntas. Se fosse um motorista humano, estaria fazendo piadinhas, cheio de intimidades e perguntas. O silencio e o balanço do carro me ajudam a relaxar um pouco. Quando eu chego ao destino, eu estou estranhamente tranquilo.

Eu tomo meu lugar e tento ficar em uma postura neutra. Normal e inevitável, Misato chan está atrasada. Minha atenção se volta para uma discussão e um homem parece estar tendo problemas com uma mulher muito parecida com Misato chan. Um sonoro tapa na cara encerra a conversação e a mulher começa a se aproximar de mim. Não é muito parecida, é a própria Misato chan. E ela estava bastante brava.

– Bah! Homens! São todos iguais!

– Mi… Misato chan?

– A… ah? Ah! Oi, Durak! Puxa eu quase esqueci de você. Desculpe-me… eu estou um pouco atrasada…

– Tudo bem, eu cheguei há pouco… olha, não é grande coisa, mas… por favor… aceite…

– Oh… um buquê de flores… obrigada… eu fico feliz em saber que o cavalheirismo não morreu. Aliás, você está bem engraçado nesse traje de gala… nós só vamos tomar algumas cervejas. Eu quase não o reconheci.

– Eu diria o mesmo, Misato chan. Eu… não consigo reconhece-la sem seu uniforme.

– Ah… isso? Isso é só um vestidinho casual… nada especial… mas vamos! Nós temos canecas a esvaziar!

Estranhamente a voz de Misato chan está harmônica, quase sinfônica. A cafeteria dos oficias está cheia, mas Misato chan tem uma mesa reservada. Alguns conhecidos acenam e acenamos de volta. Eu abro o cardápio para escolher os aperitivos que virão acompanhar as cervejas. Misato chan pede um caneco cheio de uma Pilsen regular. Eu prefiro começar com um caneco de Weiss.

– Hmmm… cerveja de trigo… parece que eu escolhi certo meu parceiro de cervejada. Eu vou querer bolinhos de provolone. E você?

– Hmmm… a porção de frango a passarinho parece boa.

– Ora, ora… mas que surpresa. Um onívoro em pleno século XXI. Eu achei que isso não existia mais. O que é bom, pois eu também sou apegada às tradições. Desse jeito, eu sou bem capaz de me apaixonar por você, Durak… mas me conte… o que você acha dos EVAs?

– Sinceramente, Misato chan, foi um milagre a NERV ter conseguido executar testes com a unidade zero. Mas não estranho de que tenha ocorrido um incidente nos testes. A unidade zero é a que mais me dá trabalho. A unidade um tem vários pontos fracos e isto pode ser crucial em futuros combates. A unidade três é outro patamar que eu espero equiparar as demais unidades.

– Hmmm… você também ficou impressionado com o EVA alemão. Eu estou investigando como eles conseguiram um EVA tão eficiente em tão pouco tempo. E quanto aos nossos pilotos?

– Rei chan executa as operações com exatidão… até demais… ela parece mais um autômato do que um ser humano. Shinji kun é inexplicavelmente habilidoso demais para ser verdade. Asuka chan é o meio termo e algo mais.

– Hmmm… você também ficou impressionado com a ruivinha petulante. O que não é de estranhar. Você, afinal, é homem… ou meio homem… pffff… desculpe… saiu sem querer.

– Tudo bem… eu estou acostumado a esse tipo de piadinha. Mas eu te garanto que eu sou muito mais homem do que aquele inconveniente com quem você discutiu e acertou o rosto com um tapa.

– Ah… você viu… por favor não diga a ninguém que você me viu com o Kenji. Nós… é complicado…

– Tudo bem, Misato chan, você não precisa se explicar para mim. Mas se ele voltar a te incomodar, por favor, permita-me quebrar a cara dele.

– Sua oferta é tentadora, mas… acontece que Kenji é seu superior. Mas fico lisonjeada com a sua preocupação. O que me faz retomar um assunto que me interessa… o que está rolando entre você e Rei e Asuka? Eu tenho notado que, ultimamente, elas falam muito de você.

– A… ah… mesmo? digo, isso é inusitado… eu não sou tão notável assim… quer dizer, fora o fato que eu sou metade animal… não há coisa alguma em mim que seja digno de notar.

– Nisso eu tenho que discordar, Durak… sabe… eu não pude deixar de reparar… naquilo… eu fico imaginando se Rei e Asuka tiveram essa mesma sorte. Isso não é algo que se vê todos os dias. Rei e Asuka estão florescendo e… bem… com os hormônios em ebulição, eu espero sinceramente que vocês não estraguem tudo transando.

Eu engasgo e jorros de cerveja espirram pelo meu nariz. Misato chan estava, como Rei chan, me testando, por ordem do senhor Ikari? A expressão dela está tão natural depois de soltar uma sugestão dessas que eu não consigo decidir. Eu não negaria que eu tive diversas fantasias com Rei chan. Eu não negaria que fiquei excitado quando senti Asuka chan encostando seu corpo ao meu. Mas será que eu teria coragem de ir até o fim, se eu tivesse a chance ou a oportunidade? Considerando que eu fiquei feito estátua diante do corpo nu de Rei chan, parece que tem algo ou alguém olhando por mim.

– Mi… Misato chan… isso é… imperdoável… essa insinuação… Rei chan só pensa em Ikari sama e Shinji kun. Asuka chan só pensa em seu EVA. Nesse mundo delas, eu sou tão interessante quanto um sapato desamarrado.

– Ohhh… que bonitinho… todo envergonhado… bom, pode ser que eu esteja enganada, elas estejam falando por falar… pior para elas… sabe, Durak… é muito difícil ser uma mulher madura no meio de tantas crianças… sem um homem de verdade… sem ter um homem que me faça sentir amada, desejada…

Misato inclina-se para o meu lado, deixando seu decote muito aberto, deixando boa parte de seus seios volumosos expostos. Eu fico hesitante, achando que ela apenas está com cerveja demais na cabeça, mas nós tomamos apenas quatro canecas. Eu tive muitas encrencas antes por confundir os sinais dados pelas mulheres, então eu não sei se Misato chan está apenas brincando comigo, ou sendo gentil. Como se estivesse explicando uma matéria difícil a um aluno, Misato chan repousa sua mão em minhas partes sensíveis e as apalpa, arrematando com uma declaração estonteante.

– Qual o problema, Durak? Não me acha bonita? Atraente? Vamos lá, soldado, não recue da batalha. Nada tema, pois eu não vim aqui por ordem de ninguém a não ser a minha mesma. Você diz que é homem de verdade… então… que tal demonstrar?

Meus braços a envolvem instantaneamente e nós nos beijamos como se estivéssemos nos afogando. Misato chan apertava e alisava meu volume, cada vez maior, enquanto minhas mãos arrancavam gemidos e suspiros de seus lábios carnosos. Minha ferramenta estava tão pronta e dura que podia rasgar o pomposo uniforme de gala. Um som estridente de dentro da bolsa de MIsato chan serviu como despertador. Do nada, Misato chan voltou a falar com a voz estridente e irritante dela.

– Capitã Misato Katsuragi falando. Sim. Entendo. Ataque de anjo. Ao norte de Tóquio. Unidades EVA com dificuldade em repelir o ataque. Roger. Eu estou com a solução em minhas mãos… literalmente. Nós estamos à caminho.

Misato chan se apruma, se arruma, como se não estivéssemos prestes a afundar os nossos corpos na cama de um motel. Sua expressão passou de tarada a senhora recatada. Ela virou o resto de cerveja na caneca, colocou dinheiro na mesa e, voltando ao seu papel principal, Misato chan transmite a ordem.

– Durak, nós temos uma emergência. Um anjo foi avistado ao norte de Tóquio, em altura de cruzeiro. Nós iremos precisar de sua especialidade para repelir o ataque desse anjo. Eu solicitei apoio aéreo para chegarmos ao local. Tente se arrumar da melhor forma possível. Sobretudo tente esconder… isso. Mais tarde eu cuido disso. Não pense que você vai fugir da batalha, Durak. Você vai aprender em breve que eu consigo separar o pessoal do profissional. Agora eu sou sua capitã Misato. Cuide do anjo e eu não te negarei meu leito como Misato, a cortesã.

Eu nunca fiquei tão alegre com a chegada do helicóptero e nunca fiquei tão ansioso em terminar logo um combate com um anjo. O senhor Ikari não quer que eu tenha qualquer intimidade com suas… crianças… isso significa que Misato chan está fora da proibição. Isso sim, é um belo estímulo para um soldado.

Neon Genesis – IX

O manto de Nix estendia-se por inteiro enquanto sua filha, Selene, inclinava-se na direção do Portão Oeste e Vênus, sua sobrinha, acenava do Portal do Leste. O pessoal da NERV me deixou na porta de meu apartamento funcional e eu caí na cama, todo dolorido, pronto para aceitar o abraço de Orfeu. Eu estava meio acordado, meio dormindo quando a campainha soou. Quem seria a essa hora da madrugada? Seria a capitã Misato com mais alguma recomendação? Eu abri a porta irritado, mas minhas emoções mudaram completamente assim que eu vi quem estava diante de minha porta.

– Durak kun? Está um pouco frio aqui fora. Eu posso entrar?

– A… Ayanami chan?

– Desculpe por incomodá-lo… mas Ikari sama insistiu para que eu viesse falar com você.

– Ah… o… oquei… sem problema… por favor, entre.

Eu devo ter imaginado cenas assim centenas de vezes. Rei chan entra em meu quarto como se fosse a coisa mais casual do mundo. Eu ofereço a ela uma cadeira mas ela acena, como se preferisse ficar em pé.

– A… Ayanami chan… daqui a pouco é alvorecer… quer um chá, um café?

– Você é muito gentil, Durak kun, mas eu não estou aqui para uma visita social. Por favor, não crie falsas esperanças. Ikari sama quer ter certeza de algo e me mandou fazer um teste… então… se prepare…

Rei chan deixa cair o pesado casaco que vestia, revelando seu corpo completamente nu… eu pude ver sua pele pálida em perfeito contraste com o lusco fusco que prenuncia o alvorecer. Minha pulsação estava igual a um cavalo selvagem, meu coração estava prestes a explodir e meu corpo inteiro tilintava. Felizmente uma força maior agia e eu fiquei apenas encarando aquele espetáculo. Rei chan ficou ruborizada, pois meu corpo denunciava claramente o dilema que eu estava sentindo. Desleixadamente, abaixou, retomou o casaco e o vestiu novamente. Minha mente derreteu quando eu a vi sorrindo.

– Obrigada, Durak kun. Ikari sama havia me avisado de que você gosta de mim e que este teste seria muito difícil para você. Eu te agradeço e te peço desculpas por mexer com você assim, mas Ikari sama quer ter certeza de que você está focado em sua missão. Seria desastroso se você estivesse com certos… pensamentos… a meu respeito ou a respeito de Soryu chan. Ikari sama falou que nós nos conhecemos há quatorze anos atrás… desculpe novamente, Durak kun… eu não posso te falar o que aconteceu comigo nesses quatorze anos, mas aquela criança que você conheceu… não existe mais… é tudo o que eu posso dizer. Eu lamento se isso é doloroso demais para você, mas, por favor, aceite que nós somos apenas colegas de serviço e nada mais. Bom, é só isso o que eu tenho a dizer. Durak kun, até breve. Eu espero ansiosa para ver as melhorias que você fez em meu EVA.

Como eu me sentia? Eu estava me sentindo como meu corpo inteiro tivesse sido jogado em óleo fervente… ou em lava vulcânica. Os ferimentos que eu tive ao longo de minha jornada eram fichinha perto da dor que eu sentia. Eu assisti, como se eu estivesse congelado, Rei chan dar a volta, abria a porta e sair para a rua. Retomando sua expressão indiferente, talvez por compaixão e misericórdia, antes de fechar a porta, Rei chan se despediu com um prêmio.

– Ah sim! Uma vez que você passou no teste, você pode me chamar de Rei chan, a partir de hoje. Adeus, Durak kun.

Eu acenei com a mão, feito um marionete e desfaleci em minha cama. Quando eu acordei, Helios estava em seu ápice e o alarme de anjo soava estridente pelas ruas. Sem cerimônia alguma, capitã Misato entra em meu apartamento.

– Hei, soldado, agora não é hora de dormir! Tem um anjo atacando diretamente nossa base e nós precisamos de seus conhecimentos para repelir rapidamente esta ameaça! Vamos, venha! Nossas crianças estão em combate, mas estão tendo dificuldades!

Eu fui jogado no helicóptero da NERV e tive que colocar meu uniforme ali mesmo. eu não estou certo, mas eu acho que, ainda que de relance, a capitã Misato tinha ficado ruborizada ao me ver despido. Da perspectiva do helicóptero, eu pude ver o anjo. Indubitavelmente era do tipo terrestre e tinha uma semelhança incrível com uma enorme aranha. O piloto fez uma manobra de aterrisagem e eu pude observar que saía um tipo de haste e um líquido ácido de dentro do anjo.

– E então, “especialista”? O que recomenda?

– Capitã Misato, a NERV ainda tem guardada o rifle que eu preparei para os EVAs?

– Sim… mas… ainda aguarda aprovação… por quê?

– Porque a única forma de acabar com esse anjo é atirar diretamente em seu núcleo, de baixo pra cima, por entre esse mecanismo de perfuração do anjo. Dois pilotos forçarão a abertura no campo ATF e um piloto atirará com o rifle que eu construí. E isso tem que ser para ontem, senão o ácido vai derreter todo o Geofront.

– Roger. Copiou isso, Ikari sama? Sim, sim. Entendido. Shinji e Rei, preparem-se para forçar o campo ATF do anjo. Asuka, prepare-se para atirar com o rifle.

Eles aceitaram a minha sugestão com muita rapidez e facilidade. Se eu estiver errado, acabou tudo. O que ninguém perguntou ainda é exatamente o quê ou o porquê dos anjos virem nos atacar. Isso deve ter algo a ver com o núcleo do anjo que encontramos na Antártida, o núcleo a partir do qual os EVAs tinham sido clonados. O que torna tudo triste e trágico, visto que os EVAs são “filhotes” desses anjos.

Meus pensamentos são interrompidos por uma saraivada de tiros vindo de um ponto do Geofront situado abaixo do anjo. Como eu esperava, o meu “bebê” tinha funcionado mais do que satisfatoriamente. Os projéteis atravessaram o anjo por inteiro, como faca quente na manteiga. Meus cálculos estavam corretos, o óleo das engrenagens do anjo anularam a ação do ácido que o anjo vertia sobre o Geofront.

– Uaahuuu! Isso foi… demais! Muito bom, Durak! Você cresceu em meu conceito hoje! Como agradecimento, eu vou te dar permissão para me convidar para tomar algumas cervejas… você tem idade suficiente, não é?

– To… tomar cerveja? Convidar… você… capitã Misato?

– Apenas Misato chan… mas eu aceito. Sabe, as crianças são legais… mas são crianças. Quantos anos você tem, Durak?

– E… eu tenho quatro anos a mais do que os alunos da escola, mas… eu devo ter dois ou três anos a menos do que a senhorita, capitã Misato.

– Misato chan, só isso… mas você é lisonjeiro… eu estou na casa dos trinta… embora não aparente. Mas isso é bom! Você é legalmente adulto para tomar cerveja. Nos vemos às oito da noite! Na cafeteria dos oficiais!

Misato chan sai andando como se tivesse pedido um copo de água enquanto minha cabeça tenta juntar as peças. Seria esse mais um teste do senhor Ikari? De qualquer forma, eu terei bastante trabalho por hoje, limpando e consertando os EVAs depois desse combate. Eu não vou cair duas vezes no mesmo truque. Sim, trabalho, trabalho e mais trabalho. Eu tenho que focar no meu trabalho.

– Hei, Durak kun, como está meu EVA?

– A… Asuka chan?

– Eu fui incrível, não fui? Aliás, parabéns pelo rifle. Eu tenho experiência com armas de fogo, especialmente com rifles de assalto e devo confessar que o seu rifle me surpreendeu. Tão leve, tão prático e ao mesmo tempo com tiros tão poderosos… nossa! Eu acho que fiquei molhadinha quando eu apertei o gatilho e dei aquela rajada de tiros. Como você fez esse rifle? E os projéteis?

– Bom… eu usei uma liga especial de carbono, cromo, vanadium, platinum e titanium. As capsulas dos projéteis são do mesmo material. Mas o componente que deixou os projéteis tão eficientes… bom, isso é muito complicado de descrever… mas envolve operações alquímicas.

– Hmmm… vejo que você também tem seus segredos, como todos nós. Bom, isso não importa. O que importa é que Ikari sama percebeu que eu sou a melhor piloto. Eu estou animada e alegre. Vamos! Você tornou isso possível. Então você pode me convidar para um jantar.

– Ah… Asuka chan… eu tenho um compromisso com a capitã Misato e…

– Ah! Traidora! Ela também deve ter percebido o seu “potencial”… mas tudo bem. Você pode ir com ela. Sabe, ela tem todo aquele… “enchimento”, mas não tem conteúdo. Eu tenho certeza que Durak kun gosta de mulher com conteúdo. Não demore em me levar para jantar… senão… eu posso muito bem sair com Shinji…

Asuka chan sai do hangar rebolando suas ancas de forma provocante, como se estivesse me prometendo algo mais do que sua companhia para jantar. Isso não é bom. O senhor Ikari não quer que eu tenha esse tipo de pensamento. Mas isso não incluiu as pilotos. Eu começo a temer por minha integridade, só de pensar em tomar cerveja com Misato chan… eu tenho calafrios por pensar em ter um jantar com Asuka chan. O senhor Ikari não irá hesitar em me crucificar junto da criatura de onde o laboratório da doutora Ritsuko obtêm as “peças” de reposição dos EVAS. Eu juro que ouço uma risada vindo do EVA unidade três. Sim, eu estou louco.

Neon Genesis – VIII

Sensei Mako respirou aliviada quando soou o sinal do intervalo. Não que a classe era complicada ou difícil de lidar. Sensei Mako não superou sua fixação por comida e dormir. A classe é tão organizada que faz fila para sair da sala de aula. Shinji e Rei saem juntinhos como se fossem um casal, deixando a turma furiosa. Soryu chan agarrou a minha gola e me puxou para o lado dela.

– O Casal Prodígio se acha melhor, mas eu sou melhor do que eles. Vamos, garoto bode. Eu vou te dar a chance de me pagar um lanche e se apresentar melhor para mim.

Os coitados do Toji e Kensuke ficaram divididos. Eles não conseguiam decidir quem odiavam mais. Eu ou Shinji. Eu até os entendia, mas vendo como Rei ficava completamente indiferente mesmo ao lado de Shinji fez com que eu tivesse um pouco de esperança. Com a delicadeza que lhe é pertinente, Soryu chan me joga no banco debaixo de uma árvore no pátio da escola, esperando pela minha introdução.

– Vamos! Desembuche!

– Bom, Soryu chan, considerando o que a capitã Misato disse, eu devo imaginar que a senhorita deve ter conhecido e falado com o senhor Ikari. Então eu posso me identificar como sendo o “engenheiro de EVA” e eu posso pressupor que a senhorita seja uma piloto de EVA.

– Hum! Sim, isso faz sentido. Ikari sama falou que meu EVA teria um engenheiro capacitado para cuidar dela. Mas uma coisa é cuidar dessas bonecas japonesas. Meu EVA é legitimamente alemã. Como eu posso confiar em você?

– Se a senhorita me permite a ousadia, eu a convido a vir me visitar nos hangares no Geofront. Ali a senhorita poderá ver e acompanhar diretamente a minha capacidade e competência.

– S… seu atrevido! Não vai achando que pode ter essas intimidades só porque me pagou um lanche!

– Durak kun, eu estou ansiosa para ver as melhorias que você fez em meu EVA.

Do nada, Rei chan vem falar comigo, ficando bem atrás de Soryu chan que a encara furiosa. Shinji está inexplicavelmente alheio a tudo, com a atenção enfiada em um mini cassete player.

– Pode tirar o cavalinho da chuva, Miss Simpatia. Durak kun vai cuidar primeiro do meu EVA, afinal, é o melhor EVA, da melhor piloto.

– Não de acordo com o relatório que eu recebi da NERV. Veja você mesma as notas de Shinji.

Soryu chan arrancou a pasta das mãos de Rei chan e começou a ler. Sua expressão passou de incrédula para desesperada. As notas do Shinji eram realmente altas. Eu sabia disso.

– G… grande coisa! Minhas notas são muito mais altas. Vocês vão ver só. Além do que meu EVA é muito melhor do que o EVA do Shinji.

A discussão parecia com uma tempestade em formação e os alunos começaram a rodear o nosso grupo quando a coisa parecia encaminhar para um conflito físico, quando soou um alarme. Um anjo foi avistado pela frota da ONU a cem milhas navais de Tóquio. Um helicóptero blindado da NERV pousa no meio do pátio e de seu interior a capitã Misato chama pelos seus protegidos.

– Asuka! Rei! Shinji! Ikari sama quer que vocês se apresentem ao Geofront e estejam prontos para combater o anjo! Você também vem, Durak! Ikari sama acredita que você deve observar esse EVA alemão, se é a “coisa real” ou se é paraguaio.

Soryu chan não gostou da observação, mas ficou quieta pois a Misato é a nossa capitã. Nós fomos transportados rapidamente e eu reconheci o navio onde desembarcamos. Era a USS Marine Enterprise, do almirante Delaware. Felizmente não tínhamos tempo para eventos sociais, os EVAs estavam prontos e dispostos dentro de três encouraçados, escoltados por diversos destroieres. Minha presença foi providencial, pois os encouraçados não tinham o dispositivo para inserir o cilindro com os pilotos, eu fiz a abertura manual da claraboia dos EVAs unidade zero e um, por onde Shinji kun e Rei chan entraram.

Mas a coisa era diferente com a unidade três, vinda e feita na Alemanha. Em comparação com seus outros “irmãos”, este EVA é, definitivamente, mais avançado. O exoesqueleto é feito com um material melhor do que os dos outros EVAs. Toda a parte anatômica, as ligaduras, junções e terminais estão tão bem juntados que mal se percebe a união entre eles. Quando eu abri o cock pit, eu vi exatamente o que eu queria ter visto nos cock pits dos outros EVAs, um painel muito mais dinâmico, digital, otimizado, eficiente. As manoplas de comando são incrivelmente suaves e macias ao toque, os botões estão integrados ao designe a poltrona é incomparavelmente mais confortável e aconchegante.

– E então? Não é o máximo?

Soryu chan está com a mesma expressão de uma mãe quando vê seu filhote ser admirado. Eu aceno a cabeça, pois qualquer observação seria irrelevante. Soryu chan esboçou um enorme sorriso de reconhecimento e, sentando em seu lugar, foi falando sem delongas.

– Como você é o “especialista”, eu vou te dar a honra de acompanhar e ver pessoalmente o desempenho de meu EVA.

Shinji kun e Rei chan estavam bem adiantados, combatendo o anjo, quando Soryu chan acionou seu EVA. Sim, este EVA era, sem dúvida, dez vezes melhor que seus “irmãos”. Soryu chan fez o EVA saltitar entre os navios, como se fosse uma bailarina. O anjo atacava do fundo do mar, o que dificultava o combate, os EVAs não durariam muito tempo debaixo da água, sem oxigênio e sem energia.

– Hei, garoto bode… você é o “especialista”… você tem uma boa oportunidade para fazer algo. O que você vai fazer para que meu EVA possa acabar com esse anjo marinho?

Soryu chan inclina-se de tal forma na minha direção que eu posso sentir o toque de seu corpo macio. A imagem da doutora Ritsuko vem como um trovão quando e começo a imaginar o formato dos seios de Soryu chan. Segurando minha evidente ereção, eu consigo uma solução.

– Soryu chan, com a sua permissão eu posso adaptar seu EVA a durar mais tempo debaixo da água. Quando o anjo atacar, Shinji kun e Rei chan seguram o máximo possível o anjo, segurando suas mandíbulas abertas. Nesse momento, seu EVA pega um desses torpedos nucleares e enfia goela abaixo do anjo. Mesmo que for dentro da água seu EVA vai aguentar tempo suficiente para concluir a missão.

– Sua ideia é maluca, mas pode dar certo. Se funcionar, você pode me convidar para jantar, combinado?

– Ehhh… Soryu chan… a senhorita não tem um relacionamento tsundere com Shinji, tem?

– Aquele inútil? Você acredita que me obrigaram a compartilhar o mesmo teto com ele? Na residência da capitã Misato? Do jeito que ele anda colado com a Rei, ele deveria ir morar com ela. Mas e você, garoto bode? Também é como o Time dos Perdedores e vive uma paixonite impossível e inexistente com a Miss Simpatia? Ou por acaso fica fantasiando coisas com a capitã Misato?

– Soryu chan… eu sei que minha… aparência não suscita confiança, mas acredite, eu sou anacronicamente romântico. Eu quero encontrar aquela pessoa especial e ela será a única.

– Puxa vida… isso é tão… século XX! Vamos adiante com o plano. Eu quero ver a cara de todos quando virem o quanto eu sou boa.

A “sugestão” foi transmitida por rádio, como se tivesse vindo da NERV, do senhor Ikari ou da capitã Misato. Como bons soldados, Shinji kun e Rei chan disseram apenas “roger” e Soryu chan abria um sorriso de satisfação. Eu não vou dizer que foi molezinha, pudim de pão, eu dei duro para deixar o EVA de Soryu chan pronto para a ação planejada.

Shinji kun e Rei chan praticamente se atiraram na frente do anjo quando este emergiu e atacou, para voltar ao leito oceânico. Como combinado, eles forçaram a mandíbula do anjo enquanto Soruy chan mergulhava com seu EVA, segurando um torpedo nuclear. Eu senti um tesão enorme quando ela soltou sue grito de guerra, arremessando o torpedo nuclear goela do anjo abaixo. Debaixo de toneladas de água, a explosão se expande timidamente, mas o suficiente para despedaçar o anjo. Um jato de água sobe junto com um pilar luminoso em forma de cruz.

As gotas da água oceânica se dispersam feito uma chuva na proa da USS Marine Enterprise, debaixo dos aplausos esfuziantes de toda a tripulação. Os EVAs foram retirados do oceano através de gruas e colocados em seus contêineres nos encouraçados. Shinji kun e Rei chan saem de seus EVAs como se nada tivesse acontecido. Soryu chan, evidente, sorria, diante dos aplausos e elogios.

– Há! Nada mal, garoto bode. Você está oficialmente fora do Time dos Perdedores. Se quer continuar com os campeões, ao meu lado, continue com sua “especialização”.

Shinji kun e Rei chan estavam dentro do helicóptero que os levaria de volta para Tóquio, quando Soryu chan, do nada, me deu um abraço e um beijo. Eu não sabia muito o que acontecera, mas não seria a primeira vez que eu seria um mero brinquedo nas mãos de uma mulher.

– Vamos, garoto bode! Nós temos que voltar. Mas não pense que vai ficar livre de mim. Eu estarei aguardando o seu convite para jantar. Eu te garanto que eu serei uma companhia mais agradável do que a Miss Simpatia.

– E… está bem… Soryu chan…

– E pode me chamar de Asuka, certo?

– O…oquei… Asuka chan…

Neon Genesis – VII

Doutora Ritsuko me chutou para fora da maca, do hospital, assim que eu recuperei minhas forças. Ao sair, de cara na calçada, ela jogou algo em meu colo.

– Vista isso. Gendo quer que você comece hoje as suas aulas em nossa escola.

Impecavelmente limpo, dobrado e embalado, diante de mim estava um típico uniforme escolar japonês. Eu bufei, mas se isso era necessário para ver e falar com a Rei, vale a pena. O uniforme serviu como uma luva. Ou a NERV está muito bem informada ou o senhor Ikari realmente andou me monitorando todo esse tempo.

Eu entrei no ônibus escolar e vi que a escola era incrivelmente comum, para uma academia de pilotos. Na secretaria, me deram um papel com a sala de onde eu deveria me apresentar. Eu bati na porta da sala de aula e pedi permissão para entrar. A porta abriu e eu me deparei com outro rosto familiar.

– Ah! Você deve ser o aluno transferido… Durak, certo?

– Mako… Mankanshoku?

– Ssshhh! Ninguém aqui deve saber quem eu sou! Ryuko chan me pediu para ficar de olho em você… ela deve estar apaixonada por você e quer ter certeza de que você vai voltar para a Academia Honnouji. Entre, apresente-se e sente-se em qualquer lugar.

– S… sim… Mako sensei…

Os olhos de Mako brilharam como os olhos de um filhote diante de seu novo dono. Eu segui o roteiro e me sentei próximo de dois garotos que pareciam ser mais velhos e, mesmo assim, eu ainda era mais velho.

-Toji. Toji Suzuhara.

– E eu sou o formidável Kensuke Aida.

– Durak Llyffant.

– Você não é japonês. De onde você é?

– Eu venho do que sobrou da América Latina. Eu vivi muito tempo em um campo de refugiados chamado Campo Bacia do Prata, mas dizem que eu nasci no Brasil.

– Esse nome não é brasileiro…

– Bom… eehhh… eu acredito que as pessoas que me acharam devem ter escolhido esse nome para mim por causa de minha aparência.

– Silêncio na classe! A aula vai começar! Abram seus livros na página oito!

– Cuidado, Durak… sensei Mako é rigorosa.

– Eu custo a acreditar que ela seja professora… ela não é tão mais velha do que a turma da décima série.

– Senhor Aida! Mais um pio e vai ficar no castigo!

Os alunos abaixam as cabeças e começam a assistir as aulas. Os alunos da escola estão iguais aos funcionários da NERV. Eu tento calcular até que ponto o senhor Ikari e seu projeto têm algo relacionado com isso. Uma batida na porta e Mako sensei recebe uma nota de mais um aluno, oculto atrás da porta. Mako sensei parece perturbada, ela vai até sua escrivaninha e aparentemente constrangida pede pela atenção da classe.

– Meninos e meninas! Atenção! Por favor, vamos dar as boas vindas a mais uma aluna. Todos em pé, por favor. Por gentileza entre senhorita e apresente-se.

Entrou uma garota de um metro e meio, cabelos cor de fogo e olhos azuis. Assim que ela começou a falar eu pude notar que ela tinha um sotaque alemão.

– Saudações para todos! Eu sou Asuka Langlei Soryu. Eu espero que possamos nos dar todos bem.

– Noooossaaaaa! Que gaaaata!

– Pode tirar os olhos, Kensuke, ela é minha!

– Hahaha… então você deve avisar Horaki chan, a representante da classe…

– Sem bagunça, pessoal… meninos, parem de babar. Senão eu vou contar tudo para Ayanami chan. Vocês não tinham dito que Ayanami chan era a waifu de vocês? Então comportem-se! Soryu chan, escolha um lugar e por favor aconchegue-se para que nós prossigamos a aula.

Soryu chan dá uma boa olhada na classe. Horaki chan acena vigorosamente para ela, mas ela faz de desentendida e vai direto para a Turma do Fundão. Aida kun e Suzuhara kun estão debatendo suas diferenças quando Soryu chan, sem medo nem vergonha, os encara e solta sua língua.

– Hei, babacas! Por acaso é aqui que senta o inútil do Shinji?

Horaki chan desmaia. As outras meninas começam uma gritaria. Nenhuma menina tinha tanta coragem e desavergonhamento de falar diretamente com um menino, tão pouco em usar um linguajar tão vulgar. A pobre da sensei Mako tenta reorganizar sua turma, mas a algazarra apenas parou quando entra a capitã Misato trazendo consigo Shinji e Rei.

– Desculpe a interrupção, sensei Mako. Eu trouxe para sua aula os dois alunos que faltavam. Shinji e Rei estão atrasados, eu sei, mas eles estavam cumprindo com alguns compromissos.

Shinji kun entra na sala de aula todo enxabido e Rei chan não olha para ninguém. Soryu chan solta fumaça pelo nariz. Todos olham, como se antecipasse o escaldo que Soryu chan irá dar em Shinji ou a pancadaria que vai rolar entre ela e Rei chan.

– A propósito, Asuka… Ikari sama pediu para avisa-la de que você deve se dar bem com Shinji. Shinji, sente-se com Asuka e Rei. Eu os deixo em suas mãos, sensei Mako.

O rosto de Soryu chan fica tão vermelho quanto seu cabelo. Rei chan a ignora e retoma seu lugar, enquanto os meninos ficam com o dilema de escolher entre Rei chan e Asuka chan. Toji e Kensuke querem matar Shinji. Do nada, como se fosse a coisa mais normal do mundo, Shinji resolve falar comigo.

– Ah! Um aluno novo… oi eu sou Shinji… poxa, eu devo soar como um besta… isso você sabe. Você deve ter conhecido meus amigos, Toji e Kensuke. Ah, sim! Esta é Rei. Nós somos apenas colegas de classe. Não acredite no que os outros alunos disserem sobre nós.

– Shiiinjiiii…. Shiiinjiii Iiikaaaariiii!

– Sim… sou eu… ah é… você é nova aqui também, não é?

– Ahem… permitam-me… esta é Asuka Langley Soryu. Ela é certamente a candidata a ser a garota mais popular de nossa turma… ela vai pegar a preferência dos meninos da Rei chan… o que acha disso, Rei chan?

– Se ela quer ser popular, que seja. Eu não estou aqui para participar de concurso algum de popularidade.

Soryu chan crispava seus dedos no ar, como se estivesse prestes a esganar Rei chan. Ela sequer olhou para nós. Os meninos da sala devem sentir essa melancolia que eu sinto. Para Rei chan, existe apenas Ikari sama e Shinji kun. Eu começo a compartilhar a mesma vontade de Toji e Kensuke de matar Shinji.

– Muito bem, pessoal… depois no intervalo vocês podem falar à vontade. Retomemos as aulas. Página dez, por favor.

Como se nada tivesse acontecido, toda a classe volta o foco para o livro. Soryu chan parece ter se resignado, mas seus olhos ainda soltam adagas na direção de Shinji kun e Rei chan. Shinji volta a ser o garoto franzino e desengonçado que eu vi no escritório do senhor Ikari. Toji e Kensuke ficam passando bilhetinhos para Soryu chan que os devolve cheios de palavrões. Do nada, Soryu chan, cansada de ser ignorada por Rei chan, tenta me cutucar.

– E você, garoto bode? Você faz parte desse time de perdedores?

– Se Soryu chan me permitir, eu pretendo me apresentar melhor para a senhorita no intervalo.

– Ah… que raro… ao menos UM menino sabe como tratar uma dama. Olha, garoto, se você for melhor do que esses perdedores, eu sou capaz até de deixar que você me compre um lanche.

Eu sinto os olhares furiosos de Toji e Kensuke se voltarem para mim. Eu estou ciente que aqui somente namorados ou enrolados lancham juntos. Eu terei que me controlar para não matar acidentalmente um futuro piloto de EVA.