Arquivo mensal: outubro 2016

A vida não é televisionada

– Olá caros telespectadores! Começa agora o nosso programa “Alice Pergunta”, mas esse vai ser especial, pois eu, Alice, sua amiga intima, irá ter a honra e o privilégio de entrevistar Aisha! Mas isso só depois dos comerciais! Nós voltamos em instantes.

Entra a vinheta, corta e a transmissão recebe uma enxurrada de produtos e serviços, de qualidade e utilidade duvidosas. Corta. Vinheta. Camera focaliza a apresentadora.

– Sejam bem vindos de volta! Hoje, para o nosso chá, nós temos a satisfação de receber e conversar com essa mulher carismática e misteriosa. Hoje nós teremos a oportunidade de conhecer um pouco sobre aquela que é considerada a Mãe dos Crentes. Vamos aplaudir Aisha binte Abu Becre!

– Boa tarde pessoal e obrigada pelos aplausos calorosos. Obrigada por me receber, Alice.

– O prazer é nosso, não é, pessoal? Tem muita gente no auditório e nos assistindo em casa que está curioso para saber mais de você, de sua vida, de seu casamento e do Islamismo.

– Eu estou um pouco nervosa e ansiosa, mas eu espero poder esclarecer e tirar as dúvidas diante de tantos boatos e lendas sobre a minha vida e a minha crença.

– Você nasceu em Medina, bem no centro dos eventos do surgimento do Islamismo. Como aconteceu isso, como você entrou na jogada e como segurou a onda?

– Eu acho que a minha vida foi bem parecida com a de Myriam, que vocês chamam de Maria. Assim como ela, eu nasci em meio de um povo humilde, simples, religioso. Nós duas nascemos em uma vila de pastores e camponeses com tradições antigas e rígidas. Então surgiu o Profeta, bendito seja, para reformar e revolucionar o nosso povo. No começo, meu pai era bastante céptico e não poupava o Profeta de críticas, até que ele foi ouvir a recitação da voz de Deus que vinha do Profeta. No mesmo dia ele nos fez todos muçulmanos. Bendito seja o senhor meu pai! Pelas mãos e pela vontade de Alá, a minha vida ganhou um destino muito melhor. Eu sou a Mãe dos Crentes, assim como Myriam, Maria, tornou-se a Mãe dos Cristãos.

– Isso é algo que muitos de nossos espectadores certamente não entendem. Vocês consideram Cristo um profeta, não Deus, certo?

– Eu espero que seu público não fique bravo, mas é público e notório que existiam diversos profetas e muitos que se apresentavam como Cristo. Está na hora de vocês, europeus, saberem disso. Aquele que foi chamado de Cristo, Yheshua, que vocês chamam de Jesus, foi um profeta, um ser humano, que recebeu a revelação divina, como Mohamed. Deus é Deus. Alá, Yahu, Deus. Não tem como um homem ser Deus.

– Mas Deus, sendo Todo Poderoso, Ele não poderia encarnar como homem?

– Mas o que o homem pode, efetivamente, saber sobre Deus? O homem mal conhece a si mesmo, por isso que o homem inventou a religião, para conhecer Deus. Mas Deus, sendo Todo Poderoso, por que Ele precisaria encarnar como homem? Por orgulho e vaidade seus governantes se apropriaram do conceito de avatar, dos hindus, fazendo a eles mesmos de deuses! Nem mesmo o Filho de Deus é Deus, mas semideus ou herói. Existem heróis que lutam pela espada e existem heróis que lutam pela palavra. Aqueles que lutam pela palavra são conhecidos como profetas e Mohamed foi o ultimo.

– O que é uma lástima. Nosso mundo está precisando de profetas que nos façam lembrar mais de Deus. Mohamed sem dúvida foi um grande profeta como Yheshua. Mas e você? Quando e como você conheceu o Profeta e veio a casar-se com ele?

– Eu fui apresentada oficialmente ao Profeta quando eu tinha seis anos, a idade mínima para se trilhar uma vida religiosa. O Profeta sentiu a forte presença da mão de Alá em mim, então ele passou a frequentar nossa casa mais vezes. Por ciúmes e inveja, as pessoas começaram com fofocas e boatos. Por causa da maldade das pessoas, eu passei a ficar confinada em casa até eu completar nove anos, a idade mínima para debutar, para começar a vida adulta.

– Desculpe interromper, Aisha, mas nove anos não é cedo demais?

– Vocês europeus são ingênuos, burros ou o que? A maturidade de uma pessoa é determinada pela natureza, não pelo homem. Quando eu atingi meus nove anos eu estava completamente madura, algo que ocorre entre nove e doze anos. As anciãs da vila vieram me examinar e a partir de então o Profeta pode anunciar o nosso noivado, por minha honra e a dignidade de minha família.

– Desculpe interromper de novo, Aisha, mas… quantos anos de diferença existia entre você e o Profeta?

– Provavelmente a mesma diferença que existia entre Myriam e Yoseph, na ocasião em que ela foi tocada pelo Espírito Santo… vocês, europeus, são muito hipócritas… mas diga, Alice, quando você começou sua carreira… você também foi desprezada, ignorada e desacreditada? Você é uma profissional com capacidade e competência, mas encontrou resistência simplesmente porque decidiram que você era inexperiente e jovem demais. Deus sabe pelo que você passou para chegar a ser uma celebridade.

– Isso é verdade… e nós temos quase a mesma idade. E eu sou uma das poucas que falam abertamente em abolir esses velhos tabus, em acabar com essas proibições, regras e limites arbitrários. Mas vamos falar da mensagem do Profeta… é verdade que a mulher é muito oprimida?

– Isso é mentira! O Profeta nos garantiu direitos que nós nunca teríamos pelas tradições tribais. Bem diferente da condição da mulher cristã, que ainda é praticamente um objeto sexual, uma propriedade, do homem.

– Mas nós vemos as mulheres sendo obrigadas a usar burca, sendo apedrejadas e tendo sua cidadania negada!

– Como eu havia dito, nós vivíamos em um povoado de pastores e camponeses com tradições antigas e rígidas. Muitas destas tradições permaneceram a despeito dos esforços do Profeta. Em muitas cidades e países muçulmanos, a Palavra foi distorcida conforme os interesses dos governantes.

– Exatamente como acontece nas cidades e países cristãos!

– Sem dúvida… mas você mesma só vê aquilo que as suas empresas de mídia querem mostrar. Mas durante minha estadia e vinda a este estúdio, eu consegui perceber que aqui a mulher é obrigada a se expor, a seguir um padrão estético arbitrário e as notícias locais estão constantemente mostrando a mulher cristã sendo vitima de violência e tendo sua cidadania negada… mas vocês só se escandalizam com o que acontece conosco! Vocês, europeus, são extremamente hipócritas!

– Tudo bem… eu entendo… eu sei pelo que você passou. As pessoas contam cada coisa de minha infância e falam cada coisa horrível de meu tutor, o senhor Carroll… pior, isso virou livro. Uma escritora americana fez um livro sobre sua vida. Como isso aconteceu?

– Eu espero que entenda mesmo… neste mundo de internet, onde todo mundo fica conectado, muita gente teve a vida escarafunchada e exposta ao público. Eu espero sinceramente que sue público entenda também. Eu recebi a senhora Jones em minha casa, eu a servi chá e biscoitos e eu contei um pouco de minhas memórias. O que ela fez? Pegou e transformou minhas lembranças em um romance adolescente.

– Por que sua gente proibiu o livro?

– Ora, por que? Você ainda pergunta? Olha, vocês europeus falam que isso é censura, mas bem que vocês proibiram livros, peças, filmes e músicas que ofendam sua sensibilidade religiosa. Quanta censura vocês europeus impõem quando alguma arte resvala na figura de Myriam, que vocês chamam de Maria? Vocês, europeus, são realmente hipócritas.

– Nossa, que tensão! Estes são, sem dúvida, o programa, a entrevista e a entrevistada mais difíceis de toda a minha carreira. Tenha calma, Aisha! Eu sei que as dúvidas são baseadas em diversas calúnias e difamações, mas mesmo assim eu tenho que perguntar exatamente para que acaba com o preconceito.

– Eu não estou nervosa. Eu estou com pena de vocês. Eu duvido que seu público esteja me ouvindo e entendendo, mas prossiga.

– Essa é a dúvida final. Por que tem tanto ataque terrorista cometido por muçulmanos?

– Eu tinha certeza de que esta era a ultima duvida. Quando são seus exércitos atacando a minha terra, a minha gente, pode… hipócritas! Mas eu vou aproveitar a chance para escancarar os fatos. Esses grupos são constituídos de muçulmanos, isso eu não nego. Mas eles não seguem a vontade de Alá nem conhecem a palavra. Eles são mercenários que são mandados, treinados, armados e sustentados pela polícia secreta americana. O mundo precisa ser mantido nesse medo, neurose e paranóia para justificar o verdadeiro terrorismo que os países ricos cometem contra a humanidade. O que há de melhor para manter o poder do que desviar a atenção do público para um inimigo inventado? Nós somos o “outro”, o “bode expiatório” necessário para manter o seu povo controlado, submisso. Vocês são mantidos nessa ilusória “democracia ocidental” e mal percebem que estão sendo manipulados.

– Nossa! Quanta informação! No começo, nós achávamos que éramos muito diferentes, mas, no fundo, nós temos muitas coisas em comum, não é mesmo? Nós devíamos deixar de lado nossos preconceitos e discriminações, nosso bairrismo e provincianismo. Nós devíamos nos ver tal como nós somos, todos filhos e filhas de Deus. Mais uma vez nós agradecemos a Aisha por Ter vindo aqui. Eu te agradeço pessoalmente, Aisha, pelo seu tempo, paciência e gentileza. Eu peço desculpas por nossa petulância, arrogância e prepotência. Eu espero que, a partir de agora, nós possamos ser amigas… que o Ocidente e o Oriente possam se reaproximarem e se compreenderem… sim! Em nome de minha platéia, de meu público, eu te agradeço, Aisha. Eu te peço que se despeça do pessoal, com algumas palavras finais.

– Eu é quem deve agradecer, Alice. Eu fico muito triste que nossos povos não tenham mais oportunidades como essa, de conversarem, de se entenderem. Você disse uma grande verdade, Alice… todos nós somos seres humanos e tementes a Deus. Então eu lhe peço desculpas, Alice, por minhas palavras duras. Eu peço desculpas ao seu público por julga-los e condena-los. Somente Alá, Deus, pode nos julgar. Nós devemos obedecer somente a Deus. Isso é tudo o que realmente importa. Eu desejo a você, Alice e a todo seu público, muita saúde, paz e as bênçãos de Deus. Muito obrigada por me receberem em suas casas e por terem me ouvido. Eu não vou dizer adeus, mas até em breve.

– E nós estamos muito felizes e honrados com sua visita, Aisha! Para encerrar o programa, vamos todos aplaudir mais uma vez a Mãe dos Crentes!

Aplausos. Camera faz uma panorâmica do auditório aplaudindo a convidada. Entra a animação e vinheta de encerramento. O diretor anuncia o fim da transmissão. A equipe técnica entra para desmontar os equipamentos enquanto as pessoas vão saindo do auditório. Alice pede para sua assistente uma pausa e acena para Aisha. Aisha percebe a intenção de Alice e pede uma pausa para sua assistente. Alice desenha um enorme sorriso e aproxima-se de Aisha em passos largos. Aisha desabrocha um sorriso de reconhecimento e abre os braços.

– Eu quero que saiba que o que eu disse foi sincero, Aisha…

– Eu sei disso, Alice… eu também tenho uma vida além desse papel de Mãe dos Crentes. Nós duas somos mulheres com estórias fascinantes.

– Sabe… você foi um modelo e inspiração para mim…

– Haha! Eu ia dizer o mesmo…

– Se não for incomodo… ou ousado demais… eu gostaria de compartilhar com você as minhas memórias e impressões sobre… a minha primeira vez… com um homem…

– Eu também! Afinal, nós duas temos estórias parecidas e eu creio que o senhor Carroll, seu tutor, deve ter sido para você o mesmo que o Profeta foi para mim.

– Sim! Mas isso fica só entre nós… sem o relato do escriba…

Eu fico chateado, mas elas prometem contar tudo para mim e muito mais, se eu as ajudar. O prêmio é generoso, então eu me calo.

O preço da vida

Layla despertou sentindo a dor em seu corpo, os sons dos humanos doíam em seus ouvidos como milhares de sinos tocando. Seria essa a terrível habilidade humana? Como uma criatura teria capacidade de construir uma arma que era capaz de atingir e ferir um anjo? O que uma criatura dessas seria capaz de fazer aos seus iguais?

Layla sabia que estava desfalecendo, sua respiração estava pesada, o sangue em suas veias queimava e esvaía-se pelas feridas. Por que ela não morrera? Ela fracassara, há poucos metros de seu amado Adama. Ela podia senti-lo perto e isso de certa forma a consolava.

Layla tentou, em vão, gritar para os seus, avisar sobre a incrível capacidade humana em destruir qualquer coisa existente. Mas não saem palavras, ela engasgava e poderia se afogar em seu próprio sangue se insistisse. Por que os Deuses a abandonaram? Seria possível que o Elohim não a tinha visto e ouvido? Ela, pequena e desengonçada, tinha sido capaz de sentir Adama. Ela não abandonaria seu amado. Por que os Deuses não fazem algo? Por que os Deuses permitem tanta dor e sofrimento?

– Layla… você está blasfemando?

No fundo da dor, no fundo da escuridão, no fundo da prisão de carne, Layla ouviu e sentiu a doce sensação que ela raramente sentia. Seria a voz de Adama em sua mente? Não… é alguém mais antigo… mais poderoso… só há uma unica existência que seria capaz de superar todas as barreiras…

– Minha senhora… eu sinto dor…

– Evidente, Layla, tudo que vive sente dor e sofre.

– Por que os Deuses fizeram a vida assim?

– Oh, não, Layla… nós não fizemos a vida assim, a vida é assim porque é assim que tem que ser.

– Eu não entendo, senhora…

– Ah, Layla… você está parecendo essas crianças mimadas, os seres humanos… Viver e existir nesse mundo cheio de restrições significa estar longe distante, da Fonte. Viver nesse mundo significa se afastar daquilo que nos nutre, nos alimenta, nos acolhe, nos embala. Viver neste mundo significa ter que procurar outras formas de nos manter vivos, daí a dor e o sofrimento. Nisso não há culpa ou vergonha, mas quem vive nesse mundo assim escolheu viver.

– Perdão, senhora… mas a dor que sinto foi-me infringida pelos humanos.

– Acha mesmo que eles e você estão separados? Esse é um sintoma da existência nesse mundo. Eles não a viram como você é. Você não os viu como eles são. Eles a atacaram porque tiveram medo e a causa de todo medo é a ignorância. Você estava prestes a atacá-los porque estava com raiva e a causa de toda raiva é a ignorância.

– Eu não entendo, senhora… como eu e eles podemos ser uma mesma existência?

– Ah, Layla… ao selar sua essência em um veículo mais propício a este mundo, você perdeu toda sua conexão… Você é você, uma existência unica, assim como Adama e cada um dos seres viventes, mas todas estas existências estão conectadas. Você esquece que foi com sua carne e sangue, com a carne e sangue de Adama, que a humanidade foi gerada? Eis o vínculo, o elo, a conexão.

– Mas os humanos… atacaram e feriram Adama… eles me atacaram e feriram!

– Eles ao menos podem alegar ignorância em sua defesa… mas você, Layla, minha amada serva? Você pergunta como os Deuses a esqueceram… como você pôde me esquecer!

– Minha senhora… eu nunca a esqueci!

– Mesmo? então porque ainda se queixa das dores? Esqueceu que existe dor no amor? Esqueceu que o ápice do amor é semelhante ao morrer? Se me ama, tire os espinhos que prendem seu corpo e desça dessa cruz.

– Minha senhora… eu não posso!

– Creia-me, Layla, você pode. Mas você prefere acreditar que esse corpo que veste é real. Você prefere acreditar que estes espinhos são reais. Você prefere acreditar que esta dor e sofrimento são reais.

– Minha senhora… eu sinto essa dor, essa sensação faz com que eu perceba que meu corpo é real, concreto e existente, portanto não é questão de crer, mas a questão de ser!

– O que não é não pode ser, Layla… Você é ser, eu sou ser, essas criaturas são seres. A  dor não é um ser, então não é. A dor é um resultado, não uma causa. Eliminando a causa, cessa a consequência, portanto a dor e o sofrimento são estados efêmeros.

– Se é assim, então também são a alegria e a felicidade!

– Oh… está voltando sua raiva contra mim, Layla?

– N… não… minha senhora… me perdoe…

– Como posso perdoá-la se não há culpa? Como eu poderia condená-la, eu, a Deusa Benevolente?

– M… minha senhora… eu não sou digna…

– Está querendo me ensinar quem eu posso ou não distribuir minhas bênçãos?

– N… não, minha senhora… eu apenas estou confusa… eu ainda não entendo por que Adama caiu, por que eu fui crucificada…

– Layla, quer que eu fique em seu lugar?

– Não! Jamais!

Ah! Enfim, eu sinto o seu amor. Pois esse é o mistério da vida, Layla. Ninguém pode tomar o seu lugar. Ninguém mais senão Adama teria que cair. As coisas acontecem com um propósito, então as existências igualmente. Relembre cada dia de sua vida, Layla. Tudo o que aconteceu com você foi necessário para que você pudesse ser você. Você somente se desenvolveu, cresceu e se tornou a minha ajudadora graças a estas experiências que você teve! Você está exatamente aonde você deveria estar! Se você não cumprisse com seu destino, ninguém mais poderia. Ninguém pode te substituir, nem sofrer no seu lugar. Você deixaria de ser você, de ser essa existência maravilhosa e sublime, se por acaso tivesse passado por outras experiências. Você morreria se relegasse a outro esta dor que sente agora. Ninguém pode salvá-la, nem redimi-la. Ninguém poderia ocupar a sua cruz.

– Ninguém mais pode sofrer o que eu tenho que sofrer… ninguém pode me salvar a não ser eu mesma… somente quando eu aceito a mim mesmo e esta vida como são é que eu supero a dor e o sofrimento…

– Bravos! Nem a minha existência entre os humanos, chamada de Cristo, Buda, Krishna, diria melhor.

– Mesmo assim… minha senhora… como posso servi-la melhor?

– Oh, minha criança… serve-me com excelência. Abrace-me e aceite ser abraçada por mim. deixe-me sentir o calor de seu abraço…

Ishtar abraça Layla e a coloca em estado de hibernação. Layla adormece envolta pelo arrebatamento do êxtase. Para os Deuses e anjos, o tempo corre de forma diferente. O que são meros dias para os Deuses, são anos aos humanos.

Em algo a SEELE é semelhante ao Elohim. Não houve consenso e a NERV aproveitou disso para construir e desenvolver o Geofront, o megacomputador MAGI, as escolas para os futuros pilotos e conseguiram desenvolver a primeira unidade EVA.

Quando eu voltar de minhas férias, eu contarei sobre meus anos ocultos na NERV.