A caixa de Pandora

O retorno da Equipe Katsuragi para a central da NERV deixou a diretoria nervosa com os resultados obtidos com a Operação Genesis. Kozo teria muito a explicar e mesmo assim ele devia negar a presença de crianças na equipe e teria que esconder o achado feito na Antártida.

– Gendo, aproveite que vocês vão ser levados para as unidades de descontaminação e fiquem fechados no Laboratório de Evolução Artificial. Não deixe que ninguém da NERV ou das Nações Unidas veja as crianças ou o nosso espécime.

– Deixe comigo! Nós aguardaremos seu retorno para iniciarmos os testes com o espécime.

Não era algo simples e fácil, mas Gendo fez bom uso da política interna da NERV para colocar as crianças e o espécime nos cilindros de amostras, selando tudo com a etiqueta de “ultrassecreto”. Ninguém parou, nem questionou ou sequer quis conferir o conteúdo dos cilindros. Apenas quando as portas do laboratório fecharam, as etiquetas foram rompidas e os cilindros abertos, apresentando uma cena tocante. Durak e Rei riam, encantados um com o outro. Misato brincava com Shinji e Ritsuko observava o espécime. Apesar da tensão de do perigo, as crianças estavam tranquilas, como se tivesse alguém olhando por elas.

Em uma direção completamente oposta, Kozo entra no salão de conferência na central da NERV, senta em uma poltrona colocada diante de uma imensa escrivaninha, mas sem nenhuma outra presença, senão a dos imensos monitores de conferência que Gendo apelidara gentilmente de monólitos.

– Senhores do Conselho da SEELE, aqui eu estou, como vocês mandaram.

– Doutor Kozo Fuyutsuki! O que o senhor tem a dizer do fracasso da Operação Genesis e da incompetência da Equipe Katsuragi?

– Fracasso? Oh, não, eu não diria isso… a nossa pesquisa conseguiu coletar dados preciosos apesar da… interrupção. Aliás, eu peço uma investigação para determinar quem atacou a minha equipe e por ordem de quem.

– Isso está sendo feito, nós ordenamos uma sindicância. Qual a conclusão que vocês chegaram?

– Infelizmente a interrupção exigiu que nós abandonássemos o sítio e isso nos causou um inconveniente empecilho. O que eu posso oferecer aos senhores é uma teoria escrita pelo finado doutor Hideaki. Eu peço que os senhores leiam e analisem esse trabalho, porque ele será crucial para a conclusão de nossa pesquisa. Agora, se os senhores me permitem, minha equipe me aguarda para que possamos dar continuidade a nossos estudos.

Kozo levanta da poltrona, dá meia volta e caminha para fora do salão de conferência. Os monólitos ficam perturbadoramente silenciosos, mas Kozo conhece os membros do conselho o suficiente para saber que estavam travando uma acalorada discussão através de seus canais privativos. Seja quem for o autor do atentado, ele deu a Kozo uma oportunidade que lhe renderia tempo e sossego. Até os conselheiros da SEELE chegar a algum acordo e arrumarem um bode expiatório para o ataque, Kozo teria paz e tranquilidade.

Kozo entra em um conduíte, um pequeno carro atrelado a um trilho, para deslocar-se com rapidez até o seu laboratório onde certamente sua equipe o aguardava ansiosamente. Evidente, o laboratório estava selado, mas Kozo possui a chave. A porta desliza fazendo um ruído discreto pela pressão do ar e ele é recebido de forma inusitada.

– Kozo! Até que enfim! Ué, não tiraram nenhum pedaço de você?

– Ahem… eu também estou feliz em te rever, Gendo. Como estão as crianças?

– As crianças estão bem. Você está pronto para iniciarmos os testes?

– Eu estou sempre pronto. A propósito, eu tive que deixar a teoria Hideaki-Gendo com a SEELE para que eles tenham algo para mastigar que não sejam os meus ossos…

– Isso é perfeito! Nós poderemos fazer uso disso como um trunfo. Kyoko teve a gentileza de trazer moldes do corpo humano e Naoko trouxe alguns embriões. Yui está pronta para iniciar o procedimento de clonagem do espécime e implantação do DNA alienígena.

– Comecem os procedimentos.

Ainda atordoada pela descida através das faixas da órbita de Gaia, Layla tenta manter a consciência para não cair como aconteceu com Adama. Layla não esperava que fosse tão difícil aguentar a pressão que existe em Gaia nem que fosse tão desagradável respirar.

A descida de uma existência feita de pura energia para uma manifestação material deve ser feita aos poucos, a passagem de contenção da quinta para a terceira dimensão é uma técnica bastante difícil de ser dominada. O conjunto de fatores pode ter desencadeado a queda de Adama e seus instintos indicavam que ele estaria perto.

O sinal ficava mais forte conforme Layla se tornava mais material, mais carnal. Isso tinha suas desvantagens, pois em breve Layla estaria visível para os descendentes dos Annunaki e isto arruinaria o resgate. A vantagem é que Layla poderia escolher qualquer tipo de forma ou aparência, não seria difícil Layla ocultar sua verdadeira essência e natureza das criaturas simples deste mundo.

Layla notou as pequenas caixa amontoadas em uma região e ela sabia que aquilo é o que chamavam de cidade e certamente haveriam milhares de humanos habitando estas cidades. Conforme Layla ficava mais próxima, a cidade ficava maior e Layla ficava menor. Havia um grande risco, mas Layla escolhia ficar bem pequena e tomar a forma de algum animal comum conhecido pelos humanos.

Por preferência e gosto pessoal, Layla tomou a forma de uma coruja, mas a despeito de ser comum ainda tinha um tamanho grande demais para passar despercebida e as pessoas começaram a gritar e fugir enquanto ela se aproximava. Layla teve que ser ligeira, pois não demorou a aparecer humanos com roupas esquisitas e ferramentas estranhas, tentando cerca-la e derruba-la.

Rapidamente Layla descobriu que as ferramentas que os humanos traziam lançavam projéteis que faziam estrondo quando se chocavam com algum objeto ou quando explodiam. Aqueles projeteis dificilmente causariam algum dano a ela, mas poderiam prejudicar seu disfarce, então Layla vasculhou algum esconderijo e encontrou um tipo de cilindro que entrava em uma das caixas construídas pelos humanos.

Como se estivesse sendo guiada por alguém, Layla seguiu pelo cilindro até sair do outro lado, dentro da caixa construída pelos humanos, onde ela sentiu uma forte presença de Adama. Ela sentia que Adama estava do outro lado de uma divisória onde ela também pressentia a presença de humanos.

Gendo e Kozo rapidamente perderam o entusiasmo. O procedimento estava em uma fase crítica quando apareceu aquela estranha entidade que tinha uma forma de coruja. Naoko gritou e Kyoko se jogou na frente das crianças. Yui estava perto demais, daquilo e do espécime. Seja lá o que fosse aquilo, tinha vindo para resgatar o que restou do gigante e iria levar Yui junto.

– Kozo! Rápido! Acione o protótipo que eu construí!

Kozo não discutiu, acionou aquilo que Gendo tinha chamado de protótipo, um tipo de lança, que ele tinha improvisado no período que levaram para viajarem de NAMRU até a central da NERV. Kozo sequer sabia com que tipo de material Gendo tinha criado esse armamento, mas atingiu a entidade e a prendeu na lateral do gerador de nêutrons do laboratório. Eles estavam a salvo. As crianças estavam bem. Kyoko e Naoko pareciam bem, mas estavam aterrorizadas. O espécime estava intacto, mas não havia mais sinal de Yui.

Gendo caiu de joelhos, aturdido, mas Kozo notou algo inusitado. De dois moldes, os embriões que receberam a replicagem do DNA alienígena geraram dois clones quase idênticos ao gigante, salvo pelo tamanho, contido pelos moldes.

– Gendo! Eu detesto ter que admitir, mas aparentemente você estava certo! Veja! Nós conseguimos criar os nossos próprios anjos!

Gendo recompôs-se como pôde, levantou e olhou o resultado do experimento. Ele viu que os clones estavam apertados nos moldes, o que indicava que cresceriam mais. De imediato, Gendo percebeu que precisaria de espaço, muito espaço e de diversas equipes para desenvolver de forma eficiente os seus EVAs.

– Kozo… como está sua influência com a NERV e a SEELE?

– Você diz em geral ou no momento?

– Eu entendi sua indireta, mas eu terei que confiar em você. Nós teremos que ampliar o nosso laboratório. Digo mais, nós iremos precisar construir uma fortaleza subterrânea para resguardar o nosso núcleo de futuros ataques. Eu não sei quando isso irá acontecer, mas você também pode solicitar para que a NERV construa as escolas para os nossos futuros pilotos.

– Por Tesla, Gendo… você tem ideia do que está pedindo?

– Eu sei que é muito, mas se você disser que é o futuro da espécie humana que está em jogo, pode ser que fiquem mais… receptivos.

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