Projeto de Instrumentalidade Humana

Kozo, a despeito de discordar das ideias e planos de seu assistente, Gendo, prosseguir com a implantação de pequenos pedaços da criatura capturada na Antártida em Yui e nos bebês que estavam nascendo. O suspiro aliviado de Kyoko e Naoko dão a entender que o procedimento clínico tinha sido bem sucedido. O choro de dois bebês confirmam o sucesso, só então Kozo suspira aliviado.

– Kozo! Venha conhecer seus enteados!

– Hei… que negócio é esse de enteado?

– Você não vai se negar a ser padrinho deles, vai?

Kozo sente um frio em suas costas e percebe que suas colegas tem adagas no olhar. Dando de ombros, Kozo aproximou-se de Yui para ver seus “enteados”. Uma menina e um menino. Aparentemente saudáveis.

– Parabéns, Gendo e Yui. Vocês tem um lindo casal. Que nome darão a eles?

– Rei… e Shinji. Ah, sim, eu e Yui agora somos a família Ikari.

– Eu fico feliz por vocês… agora… e quanto aos nossos clandestinos?

– Sim, nós temos que conversar sobre essas crianças. Cujo futuro está interligado com o destino de meus filhos. Doutora Naoko, pode cuidar para que sua filha se torne uma cientista da NERV?

– Isso não será necessário, Gendo. Ritsuko tem um talento natural que a tornará a maior e melhor neurocientista na área de Inteligência artificial. Ela está praticamente com sua vaga garantida nas melhores universidades.

– Isso é bom, mas… o que fazemos com a pequena Misato? O finado Hideaki era viúvo e eu acho pouco provável encontrarmos algum parente ou familiar próximo.

– Permita-me fazer uma entrevista com a menina. Eu terei uma solução que vai nos ajudar. Mas isso vai depender do souvenir que Kyoko trouxe do ponto zero. O que pode nos dizer de nosso pequeno convidado, Kyoko?

– Eu acredito que a criatura seja o núcleo do gigante, ou a sua alma, se assim preferir. O que eu não consigo explicar é como pode ser possível nós termos encontrado filamentos de DNA semelhantes ao ser humano em uma criatura que desafia os parâmetros científicos da existência biológica.

– O que você está querendo dizer, debaixo desse discurso empolado, é que esse espécime sequer pode ser considerado um ser vivo, quanto mais um ser consciente, quiçá uma existência compatível com nosso mundo… permita-me dar um termo mais adequado: anjo.

– Gendo, você não está querendo sugerir…

– Não é mera sugestão, Kozo. Eu sei que isso é considerado “heresia” na comunidade científica, mas este espécime é a prova que faltava para concluir a tese que eu e Hideaki estávamos trabalhando. Houve uma época que a Igreja censurava e condenava quem tivesse a ousadia de desafiar seus dogmas, mas na chamada Era da Razão, eis que a Ciência está censurando e condenando quem ousa desafiar seus dogmas! Por três séculos houve um veto explicito em conciliar Ciência e Religião, por milênios houve um veto explícito em conciliar Mitologia e Religião e cá estamos nós descobrindo o quanto os povos antigos estavam certos! Nosso mundo, nossas origens, não são um mero produto do acaso, para tudo que existe há um propósito!

– Por mais que eu veja o espécime, suas conclusões são precipitadas e cheias de lacunas. Nós temos que voltar para Tóquio, para o laboratório em Hakone, para fazermos mais testes e colher mais evidências. Eu te peço que aguarde mais tempo e me permita ler a tese que você estava desenvolvendo com Hideaki, antes de sair por aí dizendo que Deus existe…

– Eu concordo em aguardar, se você me ajudar no Projeto de Instrumentalidade Humana.

– Eu desconfio que isso faça parte de sua tese e que eu vou ficar irritado, mas o que vem a ser esse seu… projeto?

– Como você mesmo pode ver, nós somos totalmente compatíveis com o espécime coletado. A menos que você acredite em milagres, não tinha como ter qualquer ser vivo no ponto zero, principalmente após a explosão nuclear. Você também viu o gigante e viu as consequências de sua queda. O espécime foi encontrado após a explosão no local exato onde estava o gigante… a conclusão mais evidente é que a explosão causou dano ao gigante e nós coletamos os restos dele. Portanto, nem pelos cálculos mais avançados, seria possível determinar a probabilidade de que um ser, de procedência desconhecida, tenha o mesmo DNA que nós temos! Eu não acho que nós teremos tempo para discutir qual a procedência desse ser, nós temos que nos precaver para um eventual aparecimento de seres iguais ao que vimos. Quando nós retornarmos ao nosso laboratório central, nós devemos iniciar a clonagem do gigante, ao mesmo tempo em que implantamos ou geramos mais crianças portadoras desse gene misterioso. Nós daremos continuidade com a evolução artificial humana e concluiremos o propósito pelo qual a nossa espécie foi criada pelos Deuses. Isto constitui o Projeto de Instrumentalidade Humana.

– Isso continua soando como loucura. Pior, você está cogitando colocar seus próprios filhos neste projeto!

– Sim, porque seria muito mais cruel usar os filhos de outras pessoas. Estas crianças serão cruciais ao projeto por um simples motivo. Os clones do gigante não terão um núcleo, uma alma, uma vez que nós temos apenas um. Para que nós possamos usar nossos gigantes, os EVAs, contra o ataque dos anjos, eles precisarão de um núcleo e é aí que entram as nossas crianças… nós iremos gerar metahumanos… transhumanos… que servirão de núcleo aos nossos EVAs. Enquanto Deus ficar no céu, tudo na Terra ficará bem.

– Eu vou me arrepender de perguntar… mas… isso inclui as crianças dos refugiados do Campo Bacia do Prata?

– Sua pergunta demonstra que você, mesmo reticente e resistente, aceita as ideias do projeto. Eu diria mesmo que sua pergunta é uma excelente sugestão. As meninas podem selecionar os melhores candidatos. Eu vou querer levar Durak comigo. Eu prevejo que ele irá desenvolver um dote que poderá nos vir a calhar.

– Ai… eu sabia que iria me arrepender… Gendo! Pense! Nós iremos gerar crianças metahumanas, transhumanas! O que o mundo pensará disso? Imagine a reação das pessoas quando virem Durak e sua mutação genética!

– Eu pensei nisso… eu ainda não detalhei todas as fases, mas eu conto com as facilidades de trabalharmos para a NERV. Não deve ser difícil para a NERV levantar escolas especiais para acolher as nossas crianças, onde elas serão mantidas escondidas do resto do mundo. Quem sabe até Misato venha a trabalhar diretamente com nossos futuros pilotos de EVA?

Kozo balançava a cabeça negativamente, a perspectiva para o presente e o futuro não eram animadores. Mas Kozo não pode fazer muito, pois o garoto-bode tinha ganho a simpatia das doutoras. Mas ao ver a inexplicável conexão de Rei com Durak, Kozo abandonou seu pessimismo.

– Parece que a Rei gosta de você Durak.

– Sim, senhor Kozo e eu gosto dela.

– Cuide dela, Durak.

– Sim, senhor Kozo.

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