A foice da lua

O cenário era terrível. Antártida estava estraçalhada. O Oceano Antártico tinha virado um mar de sangue. Kozo correu na direção de Hideaki, nada poderia ser feito pelo seu colega, mas tinha alguma coisa no cilindro de coleta. Kozo ficou surpreso ao encontrar uma criança no cilindro, mas ficou furioso ao ver que havia outra.

Como se isso não bastasse, Gendo gritava alucinado com Yui no colo, pois ela estava para dar à luz. Do ponto zero, Kyoko trazia um souvenir, parecia ser um bebê. A USS Marine Enterprise não demorou em mandar equipes de resgate, três barcaças de praia cheias de fuzileiros aproximaram-se da Equipe Katsuragi e levaram todos, fazendo-se de surdos aos protestos de Kozo diante do desleixo como os fuzileiros carregavam os equipamentos ultrassensíveis. A ordem era de evacuar imediatamente.

– Senhor! Todos os civis estão à bordo, senhor!

– Excelente! Coloque todos nas celas de descontaminação!

– Senhor! O grupo de civis está com um número maior do que o desembarcado, senhor! Nós contamos com mais três clandestinos, senhor!

– Isso… é inaceitável! Eu bem que avisei ao Pentágono que não era bom deixar civis fazer o trabalho de militares! Tenente Nelson, prepare meu traje especial! Eu irei falar agora mesmo com o responsável por esta desastrosa expedição!

– Sim, senhor!

– Doutor Kozo Fuyutsuki, o senhor tem muito a me explicar! O que aconteceu no ponto zero do “evento de singularidade” e como o senhor explica três clandestinos?

– Capitão Delaware, apesar de nós sermos meros funcionários da NERV e estarmos à serviço das Nações Unidas, nós temos que contar com eventuais ataques de grupos adversários sob as ordens de países que recusaram a ser parte das Nações Unidas. Tóquio e Hakone foram destruídas sem que nenhum grupo tenha assumido esse atentado. Pois hoje, no ponto zero, nós fomos alvejados por um míssil nuclear. Por isso, eu conto com sua discrição e profissionalismo para que coisa alguma dessa missão caia em mãos erradas. Pelos protocolos e privilégios que as Nações Unidas concederam para a NERV, tudo o que se refere à essa missão ficará debaixo de sigilo ultrassecreto. Assim, se o senhor me perdoe a falta de sutileza, eu não posso discutir mais detalhes sobre o acontecido. Eu peço ao senhor que nos leve imediatamente de volta para o Campo Bacia do Prata e o mais rapidamente possível de volta ao NAMRU. Minha equipe precisa de atendimento médico urgente e especializado.

O capitão não gostou de receber ordens de um civil e até tentou falar com seu almirante ou com o Pentágono, mas acabou levando um sabão. Mesmo contrariado, o capitão arrematou em velocidade máxima na direção do Campo Bacia do Prata de onde embarcaram no helicóptero osprey em direção ao NAMRU.

– Rápido, pessoal! Vamos desembarcar e vamos nos isolar no laboratório da NERV. Yui vai precisar de nossa ajuda para fazer nascer esse bebê. Depois nós lidamos com os nossos três novos integrantes.

– Doutor Fuyutsuki, eu lamento, mas eu precisava trazer minha filha! Afinal ela tem um talento inato que a tornará melhor do que eu!

– Naoko, agora não adianta falarmos nisso. Hideaki teve o mesmo impulso e discutir o mérito não vai trazê-lo de volta. Nós também temos que descobrir que criatura é essa que Kyoko trouxe do ponto zero.

O parto de Yui estava ficando difícil, o parto era prematuro e Yui tinha gêmeos em seu ventre. Apesar de trem chego há poucos dias e de estarem distantes do “evento de singularidade”, a energia resultante havia espalhado o suficiente para chegar em NAMRU, muito embora Gendo não descartasse que o laboratório todo estava prejudicado com a exposição secundária vinda dos refugiados acolhidos do Campo Bacia do Prata. Seja lá o que tinha afetado aquelas crianças, estava afetando seus colegas e os bebês de Yui.

– Gendo! Concentração! Eu estou perdendo um de seus bebês e não sei se posso garantir a vida do segundo!

– Kozo, eu sei que é loucura, mas aguente aqui. Eu acho que eu tenho alguém que pode nos ajudar aqui.

Kozo nem tentou parar seu segundo atendente, os gemidos de Yui indicavam um agravamento do quadro clínico, Kyoko e Naoko não conseguiam reverter as complicações. Foram dois minutos que pareceram uma eternidade, mas Gendo voltou trazendo consigo uma criança que era híbrida, meio humana e meio animal.

– Gendo, a situação aqui é crítica e delicada demais para ter mais uma criança presente!

– Kozo, meninas, este é Durak. Durak, esse são meus colegas e amigos.

– O… olá.

– Pela maçã de Newton, o que é isso?

– Eu não tenho como explicar racionalmente isso, pessoal, mas de alguma forma eu acredito que essa criança tem algo a ver com a criatura que trouxemos do ponto zero. Diga a eles, Durak, quando você viu o anjo.

– Eu estava no recreio, em minha escola, nós discutíamos sobre a volta dos anjos quando todos nós vimos quando o anjo caiu do céu, seguindo a constelação do cruzeiro do sul.

– O que exatamente vocês discutiam?

– Nós estávamos divididos. Alguns de meus colegas diziam que era a volta de Cristo, ouros diziam que isso não existia, mas eu e poucos dizíamos que este era apenas um de muitos, que nosso planeta receberia em breve a visita dos Annunaki.

– Explique o que são os Annunaki, Durak.

– Eles são os Deuses Antigos, das diversas civilizações antigas. Eles são seres de outra dimensão, de outra forma de vida, que aqui estiveram antes para colonizarem Gaia e manipularam o DNA de primatas para desenvolver a nossa espécie. Quando ocorreu o Primeiro Impacto eles acabaram sendo expulsos, mas devem estar voltando em breve.

– E o anjo que caiu, que nós chamamos de gigante, é um deles certo?

– Sim, os anjos me disseram que este que caiu é o verdadeiro primeiro ser humano, chamado Adama. Eu vi outra explosão enorme… aconteceu algo?

– Durak, isso é muito importante e pode salvar toda a espécie humana. O que acontece se Adama não der sinal nem voltar?

– Virão muitos anjos para resgatá-lo.

– Existe alguma maneira de lutar contra os anjos?

– Somente se Adama nos ajudar…

– Escute com atenção, Durak… a explosão… alguém tentou matar Adama e acabar com a humanidade. Se Adama ficar machucado, nós podemos mantê-lo vivo de alguma forma?

– Senhor Gendo, a única maneira seria copiar Adama…

– No entanto, você e muitas das crianças do Campo Bacia do Prata tem fragmentos de Adama dentro de vocês, certo?

– Sim… nós… nascemos com isso.

– Percebe o que esse garoto está nos dizendo, Kozo? Mesmo se a criatura estiver danificada, nós teremos como copiá-la ou implantá-la em crianças, uma vez que somos absolutamente compatíveis! Com a clonagem, nós podemos até mesmo produzir gigantes como o Adama para nos defender do ataque dos anjos!

– Gendo, tudo isso é loucura, mas também é interessante. No entanto, nós temos uma emergência médica aqui. Seus bebês, lembra?

– Tudo ficará bem, Kozo. Nós só precisamos colocar um pequeno pedacinho de Adama nos meus bebês. Eles serão as primeiras de muitas crianças que servirão para pilotar nossos gigantes protetores… eu os chamarei de EVAs, que tal?

– O que eu acho? Que é loucura! Nós somos cientistas, Gendo!

– Sim e nós estamos tendo a chance e a oportunidade de provar algo esquecido há séculos. Eu e o finado Hideaki estávamos conseguindo juntar as provas, agora a NERV está nos possibilitando um meio de complementar o que os Annunaki vieram fazer aqui. Nós podemos concluir o Projeto de Instrumentalidade Humana.

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