Os tentáculos da conspiração

Ancorado em uma distância de cem milhas além do mar territorial de Arendelle, uma caravela de velas negras decoradas com a imagem de um calamar tem dois tripulantes discutindo vigorosamente.

– Isso é inaceitável. Eu não suporto esperar um minuto a mais. Onde está o sinal?

– Pelos Deuses Harlaw, como você é impaciente!

– Você! Você é o culpado, anão! Você me garantiu que o batalhão era o melhor grupo de mercenários. Você disse e garantiu que Arendelle seria nossa em dois minutos e nós estamos parados aqui há trinta minutos! Deve ter acontecido algo! Eu ouvi tiros e explosões!

– Evidente meu capitão de ferro, não se pode tirar a coroa de um legitimo governante com delicadeza. Acalme-se que eu enviei meus batedores para checar a situação. Não se pode confiar muito em mercenários. Eles podem estar muito bem dividindo o reino agora mesmo.

– Humpf! Dizem que seu excesso de inteligência compensa sua falta de estatura, mas como espera que mercenários vigiem mercenários?

– Ah, esse é um segredo de negócios. Além do que um Lannister sempre paga suas dívidas. Um pouco de animo vai te fazer bem, veja, eis que uma de minhas “andorinhas” está de volta.

– Senhor… meu senhor… que horror!

– Hei, fale devagar, respire, homem! Até parece que viu o Diabo em pessoa…

– Pelo Santo Padre… sim, meu senhor… eu vi o Diabo em pessoa. Eu sou o único sobrevivente…

– O… Diabo… você viu o Diabo… pode descrevê-lo?

– O Santo Padre que me perdoe… eu terei que pagar muitas missas… horror! Parecia um urso enorme com chifres e trouxe o fogo do próprio Inferno com ele… horror!

Um estampido seco, cheiro de pólvora no ar e miolos volteiam feito pássaros até mergulharem no mar. Tyrion lança um olhar desaprovando o exercício de balística, pois sua cabeça estava perigosamente na trajetória.

– Nem adianta ficar com essa expressão de puta de porto. Nós lidamos com essas coisas assim. Eu não desejo durar mais do que meus companheiros. Um guerreiro honrado prefere morrer a ser o único sobrevivente.

– O que é muito admirável e honrável de sua parte, Harlaw, mas este é um princípio de sua família, Greyjoy. Eu duvido que este coitado sequer seja de alguma casa. Se isso chegar aos ouvidos de nossos… voluntários, vai ficar difícil conseguir juntar outro batalhão.

– Bah! Pois nós devíamos ter feito tudo isso ao estilo Greyjoy. Eu posso juntar facilmente dez navios de ferro. Nós só temos que chegar, cercar a baía e disparar os canhões. Arendelle é remodelada e nós nos tornamos reis. O que me faz questionar o sentido de estarmos aqui, para começo de conversa.

– Para o começo de conversa, sou eu o comandante, pelo simples motivo que eu tenho o cérebro e você tem os músculos. O nosso jovem rei Joffrey Baratheon quer que tomemos o trono de Arendelle porque, aparentemente, a rainha tem o poder de controlar o gelo e isso é um trunfo e tanto para combater os gigantes azuis.

– Seres com poderes sobrenaturais… nosso jovem rei deve estar lendo muita bobagem.

– Eu não seria tão apressado em descartar algo unicamente porque não sabemos ou não acreditamos nisso. Nosso rei conta com os conselhos indispensáveis da rainha Cersei e, embora ela negue, eu sei que ela contratou um mercenário do reino de Southerly que dizem ser um metahumano.

– Sei, não há qualquer suspeita por ela ser sua irmã. Há! Só os velhos acreditam ainda nessa bobagem dos gigantes azuis que vivem além da muralha de gelo ao norte de Westeros. Cá estamos bem mais ao norte e não vejo gigante algum, apenas gente como a gente.

– Então como explica o sumiço de um batalhão inteiro? Como explica a visão do soldado sobrevivente?

– Elementar, meu caro Watson, o soldado inventou o Diabo para desertar depois que o batalhão foi desbaratado pelas tropas locais. Há! Eu sempre quis dizer isso.

– Você está citando a fala de um personagem de livro como se ele fosse real e quer discutir se existem seres sobrenaturais? Você é um legítimo descrente, Harlaw.

– Há! Eu faço o que eu posso.

– Então faça. Desçamos nós ao bote e lancemos em busca do Diabo nas terras de Arendelle.

– Nós dois? Sozinhos? Contra todos os temidos Homens de Neve, como é chamado o exército de Arendelle?

– Ora, vejam só! O frio e cruel Harlaw, que não hesita em despachar gente para o outro mundo, teme a morte? Creia, meu capitão de ferro, não perderá um fio de seu bigode. Se tem algo que eu conheço bem é a fraqueza do ser humano. Seja aqui em Arendelle ou lá entre os Dothraks, o ser humano tem a mesma fraqueza por ouro e ouro é a minha arma. Vamos ver se meu ouro consegue amansar esse Diabo.

– Há! Isso é o mesmo que querer apagar o fogo com betume! Mas vamos, adiante, pisemos em terra seca, que é melhor do que ficar parado nesse navio.

Tyrion e Harlaw entram no bote e o grande corsário fica com os remos enquanto o anão serve de timoneiro. Um transeunte que visse tal cena certamente pensaria estar delirando em ver um corsário remando um bote que é dirigido por um anão. Impossível encontrar dupla mais disparatada, um homem alto e negro, pelas roupas e peles, ao lado de um meio-homem de faces rosadas e cabelos ruivos. Felizmente não tem transeunte algum em trilhas, a dupla segue território adentro até encontrar uma vila.

– Vamos nos misturar com o público. O populacho adora fofocar sobre a vida da corte.

– Ah, claro, nós somos pessoas completamente normais e comuns, ninguém vai se dar conta de que somos forasteiros…

– Shush! Você conhece navios, marés, ventos e estrelas. Eu conheço gente e as pessoas são incrivelmente ingênuas e crédulas.

– Assim diz o anão que conheceu o Diabo…

– Chega de troça! Tente parecer o mais normal possível. Nós só temos que procurar habitantes em confabulação… ali! Um mercador, algumas senhoras, conversando diante de um armazém, perfeito!

O estranho dueto aproxima-se do grupo de pessoas com a maior desfaçatez e postam-se como se fossem invisíveis, esperando uma brecha na conversa para interromper e, com uma conversa aparentemente frugal, obter a informação que precisavam.

– As senhoras não precisam ficar alarmadas. Nossa Arendelle está segura.

– Assim espero, senhor Market. Eu ouvi tiros e explosões e achei que estávamos sendo invadidos.

– Nosso general Olaf jamais permitiria isso.

– Eu tenho certeza disso, mas eu ouvi dizer… dizem… que tem um forasteiro… que foi contratado por nossa rainha… tipo um agente secreto…

– Senhora Mirtes, não acredite em boatos!

– Ah, mas deve ser verdade! Minha prima, Clotilde, disse que viu nosso Primeiro Ministro com um homem estranho, lá no Grande Hotel Orloff.

– Certamente algum embaixador de outro reino, afinal nossa rainha quer abrir Arandelle ao mundo.

– Perdão, caros cidadãos, mas poderiam nos dizer para que lado fica o Grande Hotel Orloff?

– Oh! Pelos Deuses! O que é isso? Isso fala! Eu pensei que fosse uma criança. Os senhores são forasteiros que vieram para ter audiência com a rainha?

– Sim, nós viemos de longe e precisamos descansar. Nos foi recomendado ir ao Grande Hotel Orloff, mas não sabemos como chegar lá.

– Ah, isso é fácil. Consegue ver a campa do sino da estação de trem? Ali tem a avenida central, basta seguir pela avenida até o fim e os senhores encontrarão o hotel.

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