O lado debaixo do Equador

– Mas… quem te deixou entrar? Vocês, latinos, são todos assim, folgados?

– Absolutamente, senhor Primeiro Ministro. Eu creio que sua orientação foi bem clara. Eu devia esperar o senhor falar com a rainha e então entrar. O senhor falou com a rainha, eu entrei.

– Está tentando me fazer de bobo? Evidente que sua entrada depende de uma permissão expressa dada pela rainha!

– Permita discordar, senhor Primeiro Ministro. O senhor não disse que eu deveria aguardar uma permissão dada pela rainha. Isso me lembra de quando eu estive em Westeros. A rainha Cersei decapitou o coitado que embaraçou a minha entrada. Pobre coitado, perdeu a cabeça por causa de protocolo.

– Oh! Você conheceu o Reino de Westeros!

– Sim, vossa magnifica majestade. Eu posso me aproximar?

– Ah, que Diabo! Venha, sente-se ao meu lado. Eu quero saber de tudo do Reino de Westeros.

– A digníssima Princesa Ana se opõe?

– Por que não? Kristoferson interrompeu demais a minha… “audiência” com a rainha!

– Ei, o penetra aqui é esse mercenário!

– Basta! Os dois! Kris, seja mais assertivo quando der informações, especialmente aos emissários. Ana, foi você quem insistiu que nós devemos estabelecer bons relacionamentos com outros reinos, então receba este emissário com o respeito merecido. Vamos, venha, sente-se!

– Muito agradecido, vossa magni…

– Elsa. Chame-me de Elsa.

– Então, Elsa, pode me chamar de Durak. Eu vou tomar este assento.

– Você esteve mesmo no Reino de Westeros?

– Perfeitamente, digni…

– Ana. Se você vai tratar informalmente minha irmã, trate informalmente comigo, Durak.

– Ahem. Sim, Ana, eu estive no Reino de Westeros a serviço da rainha Cersei. Eu recebi das mãos dela este cajado da casa de Lannister.

– O que me garante que não tirou do corpo de um nobre que você mesmo matou?

– Ana! Olhe os modos!

– Está tudo bem, Elsa. Eu estou ciente de que latinos tem uma péssima reputação aqui no Velho Mundo e, para minha fortuna, eu venho de terras do além mar, do Novo Mundo, de Southerly, do Condado de Vera Cruz. Os Deuses devem saber dos boatos e fofocas que a corte diz de minha gente.

– Só me diga isso. Você tem algum vinculo com os ingleses ou franceses?

– Oh, não, Elsa. Parte de Southerly foi colonizada pelos espanhóis e outra parte por portugueses. Um tipo de latino, diferente dos italianos.

– Isso para mim é o suficiente. Eu não sou fútil a ponto de me deixar influenciar por boatos e fofocas. Eu quero saber tudo sobre Southerly e o seu condado.

– Não há muito a falar disso, Elsa, nós existimos há pouco mais de quinhentos anos e somos um povo miscigenado. Você teria que navegar muitos dias na direção oeste e mais outros na direção sul, abaixo da linha do Equador, para encontrar o Condado de Vera Cruz.

– Nossa… isso é… bem ao sul… mais ao sul do que Itália e Espanha. Seu condado deve ser superquente.

– Tem partes bem quentes e partes bem frias, Elsa. O Novo Mundo é exagerado em muitas coisas. Meu condado, por exemplo, é grande como cinco reinos do Velho Mundo.

– Mas isso é… grande demais! Como seu governo consegue administrar tudo isso?

– Ah, essa é a parte ruim. Nosso condado é reconhecido pelo seu tamanho, sua riqueza natural, seu imenso potencial, mas o governo é nosso “desastre natural”, se é que me entende.

– Isso é terrível. Eu sinto muito. Você deve ter raiva de governos e governantes.

– Absolutamente não, Elsa. Eu sou pragmático. Pessoas são pessoas, com ou sem cargo. Pessoas agem em busca de seus objetivos. Foi por essa minha… habilidade em tratar dessas peculiaridades da política que a rainha Cersei convidou-me para atende-la. As intrigas e entranhas da corte do Velho Mundo são entediantes, em comparação com os meandres das repúblicas existentes em Southerly.

– Eu devo dizer então que muitos dos boatos que eu ouvi são verdadeiros e você é realmente um mercenário.

– Ana! Modos!

– Tudo bem, ela está certa, Elsa. Quem nasce e convive com falsários, ladrões, bandidos, estupradores, assassinos e pervertidos acaba adquirindo essa… natureza. A rainha Cersei queria ter certeza de que tinha alguém confiável e leal o suficiente para… fazer o que deve ser feito, sem questionamentos, sem hesitações, sem dilemas ou dúvidas morais. Conhece alguém que pode ser tão virtuoso e tão perverso assim ao mesmo tempo?

– N… não… só em lendas…

– Pois é isso que eu te ofereço, Elsa. O meu serviço, a minha lealdade. Eu obedecerei ao seu menor capricho, seja ele qual for. Eu posso arrancar a cabeça de seu Primeiro Ministro Kristoferson, sem pestanejar. Eu sou capaz de levar aos pés de sua cama o coração de seu general Olaf, sem hesitar.

– A… ah… ahahaha… aah… está quente aqui não? Bebe algo, Durak? Chá? Vinho?

– Elsa, estamos a três graus celsius. Arendelle ainda não se recuperou por inteiro do inverno que você provocou…

– Ana! Não chateie o convidado com bobagens!

– Qual é? Será que eu vou ter que lembrar quem disse sobre ter tido o suficiente do mundo lá fora? Será que eu vou ter que te lembrar do Príncipe Hans?

– Eu devo concordar com Ana, Elsa. Como amostra de minhas… habilidades, eu estou ciente do que ocorreu entre você e Hans. Se for seu desejo, como prova de minha lealdade, eu posso… dar um jeito no “príncipe charmoso”.

– Espere um pouco. Você, forasteiro, está dizendo que pode nos livrar desse incomodo que é Hans, preso em nossos calabouços, sem que isso nos custe coisa alguma nem que nos incrimine?

– Sim, Ana. Mas somente se for o desejo de Elsa.

– Olha, eu estou começando a gostar de você. Você merece uma boa cerveja de nossa adega. Nós herdamos dos dinamarqueses e belgas a arte de fazer excelentes cervejas.

– Que bom que chegamos a alguma coisa! Copeiro real! Traga um barril com a nossa melhor cerveja!

– Só para constar, mercenário. Eu vou ficar de olho em você. Não pense que vai tirar vantagem da Elsa com a cerveja.

– Ana! Modos!

– Na minha ótica, Ana, considerando que é um contra duas e a cerveja é da casa, eu receio que seja eu quem está em risco de ser depenado…

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