Mabel desperta seu potencial

Depois de sair do Mercado Persa, Gorgo e Mabel resolveram tirar alguns dias de férias enquanto aguardavam a resposta dos profissionais que Iury havia indicado. Férias mesmo. Sem treinamento. Colocaram roupas civis e ficaram de bobeira em uma cidade litorânea. A população local os tomava como pai e filha. Mabel quase tinha se esquecido de como era divertido fingir ser uma pessoa qualquer.

Os profissionais deram retorno no fim de semana, combinando o encontro na ilha de Patmos. Isso não seria problema, avião eles tinham, só precisou pintar para parecer um avião comercial. Entre tantos aviões que partiam e chegavam, o deles era apenas mais um. As equipes de pista estranharam que apenas duas pessoas haviam descido de um avião tão grande, mas tinham trabalho demais para se preocuparem.

Gorgo e Mabel encontraram aqueles que fariam parte de sua tripulação, todos os vinte e um. Alguns Gorgo conhecia, ora lutando do mesmo lado, ora como adversários. Gorgo segurou a risada, afinal, isso era totalmente irrelevante, mas ele e Mabel tinham falado sobre isso na semana passada. Gorgo tramou então um teste, tanto para seus comandados, quanto para sua “princesa”.

– Muito bem, senhores, sejam bem vindos. Eu lhes agradeço por terem aceitado nosso chamado. Este será um comando mercenário, ou seja, não temos um país, uma causa ou uma ideologia. Eu tenho certeza que nosso agrupamento terá muitas solicitações, serviços e clientes para atender, com os senhores fazendo parte de nosso time. Eu serei o comandante dos senhores e abaixo de mim os senhores deverão acatar as ordens da tenente Mabel. Estamos de acordo?

– Eu não tenho problema em obedecer a ordens suas, “comandante” Gorgo, embora tenhamos sido adversários em outras batalhas. Mas eu não acredito que essa… garota… possa ser uma tenente.

– Você estaria absolutamente correto, Lecter, se nós estivéssemos em uma força militar oficial. Mas nós somos mercenários e, como eu quem está no comando, cabe a mim dizer quem tem qual patente. Você será o capitão.

– Não me leve a mal, Gorgo, mas antes de entrarmos em ação eu preciso saber qual a experiência e capacidade de nossa “tenente”.

– Eu posso te garantir, Myers, essa garota pode tirar seu couro, não se engane com a aparência dela.

– Há! Eu só acredito se ela conseguir me derrubar!

– Bom, cabe a ela aceitar seu desafio, Krueger e se ela aceitar, você vai ter que se garantir.

– Eu aposto cinquenta créditos no Krueger.

– Pois eu aposto mil créditos em minha tenente, Voorhes.

– Qualé, Gorgo? Ela por acaso é algum tipo de supersoldado?

– Isso não seria problema para você, Bates. Quantos desses ditos supersoldados você matou?

– Oh, por favor, Dexter… não me elogie, senão Anton pode ficar com inveja.

– Por favor digo eu. No dicionário da Interpol, o nome Chigurh é sinônimo de“psicopata”. O seu é sinônimo de “garoto mimado pela mamãe”.

– Senhores, vamos deixar as disputas para outro momento. Bateman e Torrance estão torcendo as mãos querendo entrar na disputa. Se continuarmos, nosso exército acaba antes de ter começado. Mas antes de qualquer coisa, permitam-me dar algumas orientações para a minha tenente.

Gorgo se aproxima de Mabel que está toda tensa, em posição de luta, como uma gata, pronta para saltar na garganta de Krueger e afundar o rosto dele com seus punhos. Os homens assobiam, fazem gracejos e piadas de duplo sentido.

– O que você acha que vai fazer, princesa?

– Eu vou deixar o rosto dele ainda mais feio.

– Força bruta? Ele tem isso. Vai tentar usar técnicas de combate corporal? Ele tem isso. Vai tentar pegar alguma ferramenta? Ele pode fazer isso. Se você quer vencer, pense no que você pode usar, no que você tem que ele não tenha… o que você pode usar como trunfo.

– Eu não entendo chefe… o que eu tenho que ele não tem e que eu posso usar como trunfo?

– Ah, minha princesa, você sabe… você não teve dificuldade alguma em me dominar e subjugar. Krueger é forte, mas é um franguinho para mim. Você usou o seu poder, princesa, o poder que apenas a mulher possui. Você usou sua “pequena arma”. Com ela você pode derrotar todos eles. Vinte um homens, fortes e treinados, soldados experimentados. Use seu corpo, use a sedução e deixe que façam o que quiser. Eles vão acreditar estar no controle, mas é você quem vai controla-los. O homem é o verdadeiro sexo fraco, princesa. Nós usamos músculos e armas exatamente porque sabemos disso.

– Chefe… está me sugerindo transar com todos eles?

– Se você prefere, eu estou mandando.

– Eu achei que o senhor fosse contra isso…

– Por favor, não me entenda mal. Eu não sou contra o sexo, o desejo, o prazer. Todas estas coisas são parte de nossa natureza e necessidades. Seria tolice privar-se de algo, mas para ser sincero, sexo é superestimado exatamente porque o homem tem uma vida sexual muito pobre, cheia de regras, tabus e proibições. Sexo devia ser algo normal, natural e saudável como comer e beber. O homem é o único animal que criou vergonha e prurido quanto ao sexo. O homem é o único que acredita em uma religião que o mantêm nesse estado de frustração e recalque por que é interessante aos clérigos que o homem permaneça assim. O homem ainda tem que crescer mais antes de se livrar dessas cadeias, para então poder perceber que o sexo é uma via de iluminação e conjunção com o divino.

– Desde que a vontade esteja no controle…

– Muito bom! Isso mesmo! Agora vai e arrasa.

Mabel abandona sua postura de luta, o que deixou Krueger intrigado. Ela então solta seu cabelo, tira o cinto, atira a jaqueta militar em um canto e começa a dançar de forma insinuante. Os homens ficam boquiabertos, aplaudem, fazem arruaça, assobiam. Krueger coça a cabeça e não sabe o que fazer. Dançando, Mabel fica bem perto dele e tira a calça do uniforme, ficando apenas de regata e calcinha. Os olhos de Krueger não saem de seus quadris, balançando docemente e seu corpo dá sinais de que rendeu-se.

Sem dificuldade, Mabel fez com que Krueger tirasse a roupa, para que ela subisse e nele montasse, gloriosa, diante da plateia estupefata. Krueger durou apenas uma rodada de quinze minutos e Mabel queria mais. Um após outro, quantos fossem, quantos viessem, Mabel foi derrubando. Cinco horas e meia depois, estão todos desacordados, desmaiados, saciados. Mabel era a única em pé, coberta e repleta de sêmen, mas vitoriosa.

– E com duzentas vitórias e ainda invicta, Mabel é a campeã. Agora vocês vão ter que obedecê-la. Viu como foi fácil, princesa? Um homem mal consegue dar conta de uma mulher. Uma mulher pode derrotar todo um batalhão.

– Chefe… isso foi interessante e instrutivo, mas… eu me sinto vazia…

– Eu esperava por isso. Agora você sabe que sexo é algo simples. Quando se tem domínio sobre si mesmo, sexo torna-se mais um meio para o objetivo. Sexo é bom, é divertido, nos traz sensações boas, êxtase, mas é algo finito e limitado no ato em si mesmo. Então o sexo toma a dimensão que realmente tem. Sexo é tão pequeno quanto o sofrimento e a dor. São sensações e consequências, são meios, são algo que tem um efeito sobre nós, mas jamais ter domínio sobre nós.

– Mas então… como e onde eu vou encontrar aquilo que me complementa, que me satisfaz?

– Eu tenho a impressão de que você vai ter sua resposta em nossa missão na ilha de Kalau.

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