Metamorfose – III

O sol seguia tranquilamente seu percurso pelo firmamento, quando seus raios atravessaram a janela do quarto e pousaram gentilmente no rosto de Osmar. Ele abre os olhos e vê que está deitado no chão, ainda nu. Colocando-se em posição sentada, Osmar vê que seu corpo está com manchas descamando, como se alguma substância gelatinosa tivesse espirrado e ressecado por cima de sua pele.

– Ah, enfim acordou, preguiçoso? Nunca comeu do fruto e quando come se lambuza!

– Leila… o que aconteceu?

– Como assim, o que aconteceu? Você experimentou o “fruto proibido”. Como se sente?

– Eu… você… nós… nós vamos engravidar?

– Não, seu tonto! Nós somos a obra prima de mamãe. Ela nos gerou perfeitos. Pelo nosso parentesco consanguíneo, nós não podemos nos engravidar. Nós temos as mesmas bactérias e sistema imunológico, não há a menor possibilidade de contrairmos qualquer doença venérea. Vamos, vista-se! Está tarde! Estão nos esperando para o café.

Osmar levanta do chão com dificuldade, seu corpo parece feito de chumbo, braços e pernas bambeavam sem forças. Depois de um banho rápido, escolhe algumas peças casuais e vai até a cozinha para o café.

No corredor, encontra Gal, olhando para os lados, procurando algo, olha para ele, suspira aliviada e afasta-se apressada.

No saguão, encontra Javier que o observa com uma expressão especulativa e intrigada, como se notasse algo diferente em Osmar.

– Bom dia, senhor Dupont!

– Bom dia, senhor Boudin. Como o senhor passou a noite? Dormiu bem?

– Eu acho que sim. Eu e Leila estávamos tão cansados que caímos no sono sem sequer perceber. Eu recobrei os sentidos apenas depois de acordar a poucos minutos atrás.

– Eu também estou recobrando minha consciência aos poucos. Henry abusou da gentileza dos anfitriões e eu acabei bebendo muito. Pelo requinte e sofisticação de madame, eu tenho certeza de que um belo desjejum nos aguarda.

Javier esquece sua cisma e oferece a mão para Osmar segurar que, sorrindo, aceita, para o deleite de Javier.

Mais adiante, pelo cheiro e som, era possível encontrar a cozinha, cuja dimensão é a de um restaurante completo, com mesas, cadeiras, garçons, atendentes, vários carrinhos com guloseimas e diversos bules. Vera estava sentada, rindo bastante, enquanto Henry sussurrava algo em seu ouvido. Osmar torceu para que Gal não fizesse nenhuma cena de ciúmes, pois os braços e mãos de Henry estavam enredados demais no corpo de Vera.

– Bom dia, mamãe, bom dia, Henry!

– Bom dia, meu amor!

– Bom, dia, “bodinho”!

– Senhor Dupont, sente-se e fique à vontade. Leila não veio?

– Leila adiantou-se, meu amor, não quis te esperar e saiu.

– E Gal? Henry, Gal não vem?

– Gal teve a gentileza de acompanhar Leila. Hoje nós teremos que deixa-lo aos cuidados de Javier, pois eu e Henry teremos que resolver algumas coisas. Você nos poderia fazer esse favor, Javier?

– Será uma honra e satisfação, madame.

Henry sussurra algo no ouvido de Vera, gargalhando, enquanto Javier ficava corado. Osmar não se preocupa com essa microcena. Seja lá o que ele tenha feito com Leila na noite anterior, ele está faminto. Seu foco está nos quitutes e em encher sua xícara com chá.

Assim que todos estão satisfeitos e estufados, Henry envolve o quadril de Vera e ambos seguem, como se fossem namorados, para seus negócios.

– O que nós vamos fazer, senhor Dupont?

– Senhor Boudin, eu gostaria de aproveitar a ocasião para manter seus estudos em dia. Madame prefere que seus filhos recebam educação em casa, então vamos até a biblioteca e vejamos como estão seus conhecimentos.

Osmar acenou afirmativamente, estendeu a mão para que Javier a segurasse. O coitado estava nervoso, suando frio, engasgado e seu rosto inteiro estava da cor de um camarão.

A biblioteca era grande e espaçosa, tinham várias poltronas e mesas. Encontraram também lápis, papel e caneta para fazer anotações. Escolheram um livro qualquer de uma prateleira aleatória, liam, comentavam e anotavam.

Javier tentava manter o foco nos livros, no estudo, mas Osmar estava começando a ficar impaciente com a falta de iniciativa de Javier.

– Javier, pegue minha mão.

– Se… senhor Boudin?

– Me chame de Osmar. Nós somos bons amigos, deixe de tanta formalidade. Segure minha mão. Eu aprendi essa terapia com a Leila.

Osmar sorri levemente enquanto observava Javier, inseguro, receoso, somente com algo tão simples, mas Osmar sabe o que ele está sentindo. Javier segura sua mão e ele sente o nervosismo e a tensão através da pele. Javier também deixa escapar certos sinais e expressões típicas de pessoas apaixonadas que tanto não acreditam que finalmente estão sendo amadas como sentem medo de receber amor.

– Consegue dizer agora o que sente por mim, Javier?

– Se… Osmar… eu sinto uma fornalha ardendo dentro de mim. Meu corpo tem uma necessidade urgente e vital de estar unido com o seu. Isso faz de mim um monstro.

– Monstro? Por que o seu amor por mim te faria um monstro?

– Meu amor… nós vivemos uma sociedade doentia, onde o Amor não é permitido, apenas sobrevive, dentro de gaiolas, jaulas, regras, tabus, proibições.

– Isso é o que querem que acreditemos, Javier. Ninguém tem poder e autoridade para nos manter nessa opressão. Nada pode nos deter nem nos proibir.

– Oh, eu sinto vontade de gritar e anunciar o quanto eu te amo. Mas irão julgar e sentenciar nosso amor por sua aparência, não por seu sentimento, consentimento ou condição. Para a sociedade, você é um garoto o que faria de mim um pervertido.

– E desde quando os amantes pedem permissão e autorização, do Estado, da Igreja ou da Sociedade para amarem? Que digam o que disser. Eu sou dono de mim, de meu corpo, de meu desejo, de meu prazer. Eu sou plenamente consciente de meus atos e tenho ampla capacidade de consentir e ter um relacionamento com quem eu quiser. Ninguém te fará mal porque eu te protegerei. Aceita meu amor?

Osmar pousa a mão de Javier em um de seus seios e tenta não rir por ver nele as mesmas reações que ele mesmo sentiu, quando Leila o despertou, o iniciou, no caminho da verdade pelo prazer. Javier não pode ser forçado, ele deve querer aceitar a revelação.

– Vamos, Javier, nada tem a temer. Eu não posso prosseguir se não disser o que quer e o que deseja.

Como um lobo, Javier salta de sua cadeira, avança em direção a Osmar, o derruba no chão, arranca suas roupas, arranca as deles. Javier abraça, acaricia e beija todo o corpo de Osmar, sofregamente, chorando, de emoção.

– Pronto, pronto! Não foi tão difícil, foi? Agora deixe-me ver melhor o “tamanho” do seu amor por mim.

Osmar divertiu-se com Javier tanto quanto se divertiu com Leila e não pode evitar de comparar os “instrumentos”. O coitado do Javier também explodiu depois de alguns minutos, tal como Leila, diante de sua habilidade natural.

– [gasp] Tudo isso? Eu quase engasgo, Javier. Mas e agora, o que vai fazer para me satisfazer?

Javier se volta para Osmar, visando suas partes baixas e pode ver, deslumbrado, que Osmar era efetivamente um hermafrodita perfeito. Definitivamente, uma obra divina, ter em um único corpo, todas as vias do êxtase. Javier brincou bastante com a parte feminina e depois montou na parte masculina até que Osmar também esguichou feito chafariz.

– Por Deus, Javier… assim você me mata.

– Meu amor, se ainda tiver fôlego, podemos ir para um segundo round.

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