Relacionamentos inter etários

Na sociedade brasileira, hoje mais do que nunca, confundem-se situações de abuso e de exploração comercial de [pessoas] com relacionamentos, assim, até mesmo os relacionamentos inofensivos e legítimos entre [pessoas] tornam-se objeto fácil de denúncias preconceituosas, falsas e criminosas. Denunciar anonimamente é fácil, mas torna-se por vezes atitude irresponsável, e deveria ser crime quando este ato de denunciar se baseia em falsas premissas, preconceito e ignorância, por expor a vida de alguém inocente a uma investigação ou a um inquérito constrangedor, que muitas vezes pode deixar marcas psicológicas tão traumáticas e doloridas quanto as marcas que um abuso real pode deixar, marcas [nas pessoas], ambas indevidamente expostas.

E porque hoje são perseguidos e denunciados muitos relacionamentos [inter etários], sendo que na história humana estes sempre foram comuns e tolerados?
Talvez os que se abandonam numa posição passiva e confortável estejam sendo cúmplices e coniventes de um governo cada vez mais dominador, intromissivo e imperialista, com olhos 24 horas apontados pra dentro de todos lares, como previu décadas atrás o genial George Orwell, em sua ficção científica, “1984”. Talvez achem mais fácil e conveniente relegar a responsabilidade pela criação de seus filhos a um Estado obeso e ineficiente, pois assim não terão que se auto responsabilizar-se pelos erros cometidos. Apesar da maioria dos abusos sexuais de [pessoas] ocorrerem no lar, no quesito relações, o Estado não tem a capacidade nem deve ter passe livre pra interferir na vida íntima de seus cidadãos, a não ser em casos em que é óbvia, casos em que é evidente a violência, o abuso ou a exploração sexual. As [pessoas] devem [ter] educação sexual de qualidade, totalmente isenta de preconceitos, pra que elas principalmente possam se resguardar do risco de serem exploradas, abusadas ou violadas, e previnam-se convenientemente dos riscos de que a início de atividade sexual, seja também o início de problemas como DSTs e gravidez precoce, e pra que também não disseminem mais preconceitos como a homofobia, o racismo, o preconceito de classes, o de idades, o bullying, etc.

Olhando pra trás, busquemos a liberdade dos relacionamentos intergeracionais nas raízes da raça humana: dos povos nativos e mais primitivos de nosso planeta até à pederastia na sociedade grega que tanto legou à nossa civilização, onde adultos elegiam [pessoas em formação] como seus erastes (efebos amantes e aprendizes, quando havia o consentimento destes); dos primórdios da história da religião ocidental mais poderosa, o cristianismo, no relacionamento entre José, que desposou a mãe de Jesus, Maria, com 14 anos, até [a pessoa formada] de nossos tempos que tem um romance com um(a) [pessoa em formação], é fato histórico que sempre foram e são comuns os relacionamentos afetivos sexuais intergeracionais ou inter-etários entre [pessoas].

Até a cultura popular brasileira em suas mais premiadas, belas e destacadas expressões enaltecem [a pessoa em formação], ao [amor precoce], tão comum é a paixão [entre pessoas]. A música brasileira mundialmente mais executada de todos os tempos, na composição do imortal Tom Jobim, é uma ode à “Garota de Ipanema”. E são inúmeras as composições românticas dedicadas a meninas e meninos. Mesmo Raul Seixas, o roqueiro brasileiro mais idolatrado de todos os tempos, mostra de forma explícita em sua composição “Baby”, o apelo de sedução dirigido a uma [pessoa em formação].

Numa composição mais atual, “Nosso Sonho”, os funkeiros cariocas Claudinho & Buchecha emocionam ao confessar os impecilhos na realização do sonho, que na canção é viver a paixão com uma [pessoa em formação].

Observando desde tempos passados mais liberais até o início do que hoje se torna uma paranóia ultraprotecionista que acaba por prejudicar [as pessoas] em sua liberdade de expressão afetiva e sexual.

O modo de vida dos séculos XV e XVI poderia ser chamado de pró sexual. A sensualidade era praticada, as [pessoas] eram acariciadas e estimuladas pelos próprios [progenitores] ou pelas [tutoras], para acalmá-las. Eram normais as relações entre [pessoas] e os contatos pré-conjugais eram institucionalizados. Costumava-se dormir nu e no mesmo quarto; assim [as pessoas em formação] não precisavam ser “esclarecidos”, pois podiam ver, assistir, sentir e aprender com [os experientes]. Nessa época, o sexo ainda não estava separado do resto da vida e ainda era possível exprimir crua e claramente o que se desejava ou se sentia sexualmente. Por exemplo, [a pessoa em formação] sabia que tinha necessidade de [um parceiro/a] e podia falar disto aos [progenitores]. Já no século XIX, ao contrário, exprimir abertamente esta necessidade era sinal de corrupção moral. Era outra, então, a forma de ser do homem no mundo.

Buscando um pouco nos povos mais primitivos, porém formadores da raça brasileira, num artigo da educadora Jimena Furlani conclui-se com exemplos de como os povos tribais não atribuem carga negativa a relacionamentos afetivo-sexuais entre [pessoas], já que esta forma de relação em suas culturas não está associado ao uso de violência e poder, ou seja, não estão condicionados a atos de estupro, abuso, exploração sexual ou prostituição. Assim, o problema maior persiste no valor que nós civilizados damos ao poder e ao dinheiro. Segundo a educadora, foram ou são notados em alguns povos indígenas os seguintes hábitos:

• Entre as tribos Bororó, na América do Sul, [pessoas em formação] que não estivessem ainda casadas, poderiam participar de sexo grupal, uma vez que aquela cultura não considerava a idade imprópria, tampouco via a virgindade como uma virtude a ser preservada. A idéia de preservação [da virgindade] é, sem dúvida, uma herança ocidental trazida com o Cristianismo.

• Entre os povos indígenas norte-americanos Hopi e Navaho, e entre os indígenas da América do Sul, os Sirionós, Kaingáng e Kubeos, as mães acariciam os genitais dos [descendentes].

• Entre os Yânomamö (América do Sul), os [progenitores], com freqüência, colocavam a boca [no órgão de suas pessoas] para chupá-las.

• Entre os povos indígenas Sirionós, durante o aleitamento, as mães não somente acariciavam o [órgão do descendente] até que ficassem [excitados], como também esfregavam o [orgão excitado em seus orgãos], do mesmo modo que foram observados [pessoas] enquanto brincavam com os órgãos sexuais de seus [descendentes]. Para os Sirionós, o significado conferido à sexualidade era infinitamente menor do que conferimos em nossa sociedade ocidental. Por serem um povo muito castigado com a escassez de alimentos, passavam a maior parte do seu tempo na busca de comida do que conferindo significados negativos aos seus atos sexuais.

• Entre os Trumai (América do Sul), freqüentemente [pessoas em formação] iniciam as brincadeiras sexuais com [pessoas formadas] e às vezes com seus [progenitores]. Raramente [essas pessoas formadas] tocam nas [pessoas em formação], elas, por sua vez, é que costumam puxar o [orgão da pessoa formada]

Pra muitos algumas das descrições acima podem parecer chocantes, ultrajantes ou imorais, porém a realidade destes povos quando isolados e intocados pelos valores ético religiosos de nossa civilização são muito diferentes dos nossos. Além de não se prenderem ao conceito de posse e poder, até a concepção de tempo e espaço de um povo indígena é muito diferente, e não existe pecado algum no sexo ou brincadeira sexual espontânea e consensual sem violência, pouco importando a diferença de idades.

Partindo de relacionamentos afetivos sexuais autênticos entre [pessoas], em que os dois lados estão interessados e envolvidos, ou até mesmo de carinhos ocasionais e brincadeiras afetivas com algum caráter erótico, até chegarmos em situações reais de violência, abuso e exploração de menores, existem dimensões às vezes intransponíveis de distância, por serem situações extremamente diferentes, opostas e muitas vezes sem paralelo. Uma denúncia falsa ou feita sem base pode escandalizar e causar prejuízos psicológicos [para ambas as pessoas envolvidas]. É certo também que muitas vezes abusos podem maquiar-se de relacionamentos consentidos e desejados, sem de fato o serem, sendo assim muito difíceis de serem descobertos, e devem ser investigados sim. Porém alguns dos exemplos acima citados deveriam nos fazer refletir que, pouco importando o nome que se dê ao ato em si, a beleza na diversidade de relacionamentos humanos em culturas e costumes diferentes deve ser respeitada e preservada, com o mesmo empenho que dedicamos hoje à manutenção das espécies em extinção, na medida em que estes comportamentos mostrem-se comprovadamente inofensivos à vida, à liberdade e aos direitos fundamentais de cada ser humano.

E o preconceito intergeracional ou inter-etário (preconceito de idades), em suas mais diversas formas, deveria ser considerado crime contra toda humanidade que se digne de ser livre, sendo que um destes preconceitos mais comuns é o de usar como exemplo atos de exploração e violência cometidos por [pessoas] contra [pessoas] pra fomentar o preconceito de que estes seriam padrões no relacionamento [inter etário], quando ninguém em sã consciência se basearia em casos iguais (de exploração, abuso, estupro e até assassínio) pra proibir ou desmerecer o relacionamento comum entre [pessoas] heterossexuais ou homossexuais.

Por Andrei Blues Boy

Original: Anti Preconceito Inter Etário

Nota: alterações e edições necessárias para evitar interpretações equivocadas e reações ignorantes.

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