Minha vida é um anime – V

Itsuka atravessava por entre os veículos em uma velocidade impressionante enquanto me explicava o que estava acontecendo.

– Durak, esse mundo é uma confluência do mundo dos animes com o mundo dos humanos. Nossa amada líder acredita que isso tanto é uma oportunidade para nosso plano de dominar o universo quanto um problema pelos reflexos que qualquer ação venha causar nesses mundos e dimensões. Nós estamos recrutando personagens de outros animes que caíram nesse mundo e humanos estão nos procurando para ajudar. Quando Venera me avisou que te encontrou, isso me animou, mas eu também estou chateada porque você mostrou que mantem seus dons primeiro para Venera. Isso é importante, Durak, eu quero que responda sinceramente porque isso pode afetar a realidade desse mundo em que estamos bem como as demais dimensões. Com quantas garotas você… hã… interagiu?

– Com duas. Você sabe que eu tive que renovar meu contrato com Venera. Antes dela, eu tive que resolver meu relacionamento com Kaname.

– Levando em consideração o que eu experimentei de seu poder, suas interações não parecem ter afetado profundamente esse mundo. Você poderia me ajudar a testar essa teoria? Eu mesma me ofereço como… cobaia.

Itsuka parou a moto em um lugar ermo, escondido da vista de curiosos e abriu sua jaqueta de motoqueira, revelando não estar vestindo outra peça de roupa. Minha reação é instantânea, para a satisfação e aprovação de Itsuka. Ela tira as calças enquanto eu me dispo por inteiro, nos agarramos, nos misturamos e nossas carnes tornaram-se uma só. A tarde acabava e eu estava retomando o folego enquanto pensava em alguma desculpa para chegar tarde em casa.

– Vamos! Eu ainda tenho que te levar para sua casa e nossa base. Seu pai deve estar nos esperando para o treinamento com espada.

Saímos em disparada pelas ruas em cima da moto. Ao chegarmos, minha irmã parecia um pouco irritada e aborrecida, esperando por minha chegada. Ela parecia estar preparando uma bronca quando percebeu que minha chegada havia sido retardada porque eu estava ocupado com Itsuka.

– Finalmente vocês chegaram! Vamos! Sasaki-sama nos aguarda.

Seguimos os três por um corredor lateral da casa, até chegarmos nos fundos, onde minha família nesse mundo mantêm um dojo de kendo. Sasaki-sama, meu pai nesse mundo, esperava por nós, com um uniforme de treino. Sua expressão era séria, mas não demonstrava estar bravo ou irritado, apenas impaciente.

– Enfim, chegaram. Sua mãe estava começando a ficar preocupada com você, Senshi-kun. Depois vá e fale com Izumi-chan, meu filho. Vamos começar o treinamento. Meninas, não peguem leve com ele.

Zaraki nem precisava pedir isso, mas uma vez que o fez, Tomi e Itsuka se revezavam enquanto ambas me atacavam com toda força, técnica, destreza e poder mágico que possuíam, com um inequívoco sorriso de prazer no rosto. Eu evidente fui aguentando, algo que surpreendeu Zaraki e parecia estimular ainda mais a ferocidade das garotas.

– Senshi-kun, por que está se segurando? Você teve diversas oportunidades para inverter a luta, poderia ter cortado elas, mas está apenas se defendendo. Acha que elas vão hesitar em te cortar?

– Desculpe-me Sasaki-sama. Eu estou me segurando porque elas são muito importante para mim e nós precisamos de todos os soldados disponíveis para a luta verdadeira. Eu sei que elas não hesitarão em me cortar, mas eu aguento.

– Ora, seu machista convencido! Acha mesmo que eu não aguento um cortinho de nada? Vamos, mostre para mim, Sasaki Tomi, do que você é capaz!

Itsuka pressente algo e tenta ficar entre eu e minha irmã, mas não consegue. Eu mostro uma de minhas habilidades e passo como se fosse um fantasma. Tomi sente um vento passar ao lado dela para então sentir dor e o sangue jorra quente e vermelho de seu braço. Zaraki corre e envolve o braço dela com um pano para estancar o sangue. Com uma expressão séria, fingindo estar dando bronca em mim, Zaraki deixa o orgulho transparecer pelo brilho no olhar.

– Muito bem, por hoje chega. Itsuka, eu agradeço por sua presença em nosso dojo, mas agora você deve voltar para Hoshimiya-sama. Minha filha, consegue ficar em pé?

– Sim, Sasaki-sama. Desculpe, papai, eu me descuidei. Foi um golpe de sorte do Senshi-kun.

– Sorte foi você ainda estar com seu braço inteiro. Peça para Izumi-chan colocar o unguento de cura nesse corte que amanhã mesmo você estará melhor. Senshi-kun, vá tomar banho.

Eu suspirei, dei de ombros e fui até o banheiro tomar banho. Sasaki Izumi, minha mãe nesse mundo, estava irradiante, deslizando a porta do banheiro, como se fizesse as honras para mim.

– Seu banho está pronto, Senshi-kun. Hoshimiya-sama me explicou que você não é você, mas seja você quem for, Senshi-kun, meu filho, pode me chamar quando quiser, se precisar de ajuda no banho. Afinal, você é meu filho, então não tem problema algum em tomarmos banho juntos e completamente nus.

Izumi tem um sorriso e um olhar que no mundo humano seriam condenáveis, como se mãe não fosse mulher, como se mãe não tivesse tesão. Nesse momento, nessa circunstância, eu sou um homem para ela, não o filho dela. Sugerir, no mundo humano, tão cheio de regras, tabus, proibições, recalques e frustrações, que cabe à família dar educação sexual para seus descendentes soaria como uma apologia ao incesto.

Eu entro na banheira cheia de água morna e com sais aromáticos. Meu corpo reclama e geme, sentindo as dores dos impactos, mas as ervas misturadas ao banho fazem seu efeito e eu consigo relaxar. Eu gostaria de ficar aqui, mas se esse mundo é uma confluência de duas dimensões, a fatalidade do mundo humano está aqui. Eu estou como vivendo uma vida alternativa em um universo paralelo, sem roteiro, sem papéis fixos. Tal como no mundo humano, os fatos e ações que seguirão serão definidas e configuradas pela soma dos eventos e ações que acontecem agora. Não é uma perspectiva interessante, mas independentemente do que eu queira ou faça, não posso definir meu destino ou o futuro deste mundo. Chega a ser melancólico considerar que, sendo eu o herói ou o vilão, tendo eu vencido ou sido derrotado, esse mundo pode acabar sendo destruído no capítulo final. Eu fico imaginando por que, então, eu fui atraído para esta dimensão, qual o propósito de minha presença, se pode ser que eu não consiga proteger as pessoas que eu amo. Eu devo ter adormecido, pois alguém me chama do outro lado da porta do banheiro.

– Senshi-kun? Você está bem? Acabou de tomar banho? Olha, eu tenho que entrar para tomar banho, pois Hoshimiya-sama me chamou para uma missão.

– Tomi-chan? Eu estou bem, minha irmã. Espere só mais um pouco que eu estou saindo.

– Está bem mesmo? Parece que você esqueceu que nós tomamos banho juntos. Eu não tenho tempo para você ficar acanhado ou com vergonha. Eu estou entrando.

A porta desliza e Tomi está apenas com uma toalha em volta do corpo. Ela fala em acanhamento e vergonha, mas é ela que está com o rosto vermelho, tentando esconder com suas mãos e braços seu voluptuoso corpo.

– N… não olhe assim para mim, Senshi-kun. Eu sinto algo esquisito… você só pode olhar assim para Kaname-chan… ou Itsuka-chan… ou Hoshimiya senpai. Eu… diga… seja sincero, Senshi-kun… você me acha bonita, atraente? O que você sente por mim, Senshi-kun?

Sasaki Tomi deixa cair a toalha e meu corpo responde a pergunta que ela fez. Ela sorri, com um misto de surpresa e interesse e entra na banheira.

– Senshi-kun… eu não sei quem é você realmente, mas eu quero você dentro de mim. Eu não quero me arrepender de nunca ter demonstrado meu amor por você, se por acaso eu morrer nessa missão.

Nós dois passamos a noite na banheira queimando a chama do fogo de Eros e Afrodite. Essa é uma das melhores coisas no mundo do anime, a completa e total ausência de proibições, regras e tabus. Para a mentalidade ocidental cristã, isso seria errado, escandaloso, felizmente o mundo do anime segue a mentalidade oriental, mais politeísta, mas pagã, onde o corpo, o desejo, o prazer, o amor e o sexo são coisas normais, naturais, saudáveis e divinas.

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