Pequeno intervalo revolucionário

De uns tempos pra cá, se tem falado bastante sobre formas de se relacionar, a caixinha marido-mulher-filhos-até-que-a-morte-os-separe está se desconstruindo e, gradativamente (esperamos!), sendo superada. Não que antes de falarmos mais sobre essas outras possibilidades elas não existissem, mas eram tratadas, mais do que hoje, como erradas, fora dos padrões e eram (e ainda são pela tal da família-tradicional-brasileira) absolutamente condenadas. Ainda temos muito a avançar no sentido da libertação sexual e nas formas de nos relacionar, principalmente para nós mulheres, mas consideremos que já temos algum avanço.

Quando, então, caminhamos no sentido de desconstruir as formas padrão de relacionamentos, nos deparamos com um mundo de possibilidades e, consequentemente, nomenclaturas. “Monogamia”, “poliamor”, “relacionamento aberto”, “relacionamento fechado”, “relações livres”, “amor livre” e por aí vai. Não vou entrar aqui no debate do que cada uma dessas expressões significa na prática ou de como elas são, muitas vezes, apropriadas para se ter uma situação de opressão mascarada de liberdade (esse assunto pode ter diversas abordagens), mas vamos focar em como a gente lida com essas tantas possibilidades.

Voltando… Quando caminhamos no sentido da desconstrução das formas padrão de relacionamento, tendemos a negar o que está estabelecido. Faz sentido, afinal, se sentimos a necessidade de nos desvencilhar daquele comportamento por ele ter uma carga negativa muito grande no contexto atual, não vamos pensar na possibilidade de voltar a ele. Se o relacionamento monogâmico é, historicamente, uma relação de poder do homem sobre a mulher, como escolher viver ele depois de refletir que ele não é a única opção? Mas, da mesma forma, se vivemos em um mundo no qual o homem está colocado como superior a nós, como não deixar que o próprio relacionamento livre não seja livre só para ele?

Eu, definitivamente, não vim aqui defender a monogamia e, menos ainda, as relações heterossexuais como corretas ou melhores. A reflexão aqui é: o que realmente te faz bem e funciona pra você? Como a gente constrói as nossas formas de se relacionar?

A gente aprende ao longo da vida, mesmo que de forma inconsciente, que os relacionamentos funcionam de um jeito. Aprendemos que é o cara que faz a aproximação, que a gente não pode transar na primeira noite, que não podemos tomar muitas iniciativas, que é ele que paga a conta, que tem que ser ele e não ela a pessoa por quem nos apaixonamos, que é a gente que lava a louça, arruma o café da manhã, que faz parte ele sentir tesão por outras pessoas mas nós não, que nós devemos sentir ciúmes e que a culpa é da outra e não dele. Chega, né? Chega! Vamos, nós mesmas, construir os nossos relacionamentos?

Em algum momento da minha vida eu já me senti na “obrigação” de fazer meus relacionamentos funcionarem pela ideia das relações livres. Essa, de fato, parecia a forma mais correta ou que fazia mais sentido pra mim. E, por vezes, fez sentido e era realmente o que eu queria. Eu sentia a necessidade de ter a possibilidade de viver algum tipo de troca com outras pessoas, e isso não diminuía a minha vontade de estar com a pessoa inicial, de maneira alguma. É uma questão de não reprimir vontades, de sentir que há possibilidades, que outras coisas podem ser vividas.

Mas em outro momento não era mais bem assim. Às vezes a gente para e percebe que a vontade de ter outras vivências não é mais tão essencial ou grande, que aquela relação ali é mais do que suficiente e que não faz mais sentido garantir uma possibilidade que, na prática, acaba não existindo. E aí? É complicado, depois de ter certeza que são as relações livres que funcionam pra você, parar pra admitir que, não, agora é o relacionamento monogâmico que faz mais sentido. Parece até um retrocesso. Mas, calma, não precisa ser bem assim.

Voltar a ter uma relação monogâmica não significa, necessariamente, voltar “aos padrões”. Continuo acreditando que as relações não são relações de posse ou de poder. E não é porque a monogamia acontece que ela deva ser uma prisão. Estar com alguém (e só com esse alguém) não quer dizer TER esse alguém. E isso é essencial. A monogamia, ou a relação livre, nada mais são que um acordo. Um acordo de duas pessoas sobre algo ali construído por elas. E é esse acordo que deve ser respeitado. Muito mais do que negar desejos ou vontades, do que ficar ou não com outras pessoas, o que mais importa é achar esse denominador comum, aquele jeitinho que funciona.

De uns tempos pra cá, se tem falado bastante sobre formas de se relacionar, a caixinha marido-mulher-filhos-até-que-a-morte-os-separe está se desconstruindo e, gradativamente (esperamos!), sendo superada. Não que antes de falarmos mais sobre essas outras possibilidades elas não existissem, mas eram tratadas, mais do que hoje, como erradas, fora dos padrões e eram (e ainda são pela tal da família-tradicional-brasileira) absolutamente condenadas.Ainda temos muito a avançar no sentido da libertação sexual e nas formas de nos relacionar, principalmente para nós mulheres, mas consideremos que já temos algum avanço.

Quando, então, caminhamos no sentido de desconstruir as formas padrão de relacionamentos, nos deparamos com um mundo de possibilidades e, consequentemente, nomenclaturas. “Monogamia”, “poliamor”, “relacionamento aberto”, “relacionamento fechado”, “relações livres”, “amor livre” e por aí vai. Não vou entrar aqui no debate do que cada uma dessas expressões significa na prática ou de como elas são, muitas vezes, apropriadas para se ter uma situação de opressão mascarada de liberdade (esse assunto pode ter diversas abordagens), mas vamos focar em como a gente lida com essas tantas possibilidades.

Voltando… Quando caminhamos no sentido da desconstrução das formas padrão de relacionamento, tendemos a negar o que está estabelecido. Faz sentido, afinal, se sentimos a necessidade de nos desvencilhar daquele comportamento por ele ter uma carga negativa muito grande no contexto atual, não vamos pensar na possibilidade de voltar a ele. Se o relacionamento monogâmico é, historicamente, uma relação de poder do homem sobre a mulher, como escolher viver ele depois de refletir que ele não é a única opção? Mas, da mesma forma, se vivemos em um mundo no qual o homem está colocado como superior a nós, como não deixar que o próprio relacionamento livre não seja livre só para ele?

Eu, definitivamente, não vim aqui defender a monogamia e, menos ainda, as relações heterossexuais como corretas ou melhores. A reflexão aqui é: o que realmente te faz bem e funciona pra você? Como a gente constrói as nossas formas de se relacionar?

A gente aprende ao longo da vida, mesmo que de forma inconsciente, que os relacionamentos funcionam de um jeito. Aprendemos que é o cara que faz a aproximação, que a gente não pode transar na primeira noite, que não podemos tomar muitas iniciativas, que é ele que paga a conta, que tem que ser ele e não ela a pessoa por quem nos apaixonamos, que é a gente que lava a louça, arruma o café da manhã, que faz parte ele sentir tesão por outras pessoas mas nós não, que nós devemos sentir ciúmes e que a culpa é da outra e não dele. Chega, né? Chega! Vamos, nós mesmas, construir os nossos relacionamentos?

Em algum momento da minha vida eu já me senti na “obrigação” de fazer meus relacionamentos funcionarem pela ideia das relações livres. Essa, de fato, parecia a forma mais correta ou que fazia mais sentido pra mim. E, por vezes, fez sentido e era realmente o que eu queria. Eu sentia a necessidade de ter a possibilidade de viver algum tipo de troca com outras pessoas, e isso não diminuía a minha vontade de estar com a pessoa inicial, de maneira alguma. É uma questão de não reprimir vontades, de sentir que há possibilidades, que outras coisas podem ser vividas.

Mas em outro momento não era mais bem assim. Às vezes a gente para e percebe que a vontade de ter outras vivências não é mais tão essencial ou grande, que aquela relação ali é mais do que suficiente e que não faz mais sentido garantir uma possibilidade que, na prática, acaba não existindo. E aí? É complicado, depois de ter certeza que são as relações livres que funcionam pra você, parar pra admitir que, não, agora é o relacionamento monogâmico que faz mais sentido. Parece até um retrocesso. Mas, calma, não precisa ser bem assim.

Voltar a ter uma relação monogâmica não significa, necessariamente, voltar “aos padrões”. Continuo acreditando que as relações não são relações de posse ou de poder. E não é porque a monogamia acontece que ela deva ser uma prisão. Estar com alguém (e só com esse alguém) não quer dizer TER esse alguém. E isso é essencial. A monogamia, ou a relação livre, nada mais são que um acordo. Um acordo de duas pessoas sobre algo ali construído por elas. E é esse acordo que deve ser respeitado. Muito mais do que negar desejos ou vontades, do que ficar ou não com outras pessoas, o que mais importa é achar esse denominador comum, aquele jeitinho que funciona.

Portanto, no mundo dos relacionamentos, a gente não precisa estar sempre no mesmo time. Não precisa viver pra sempre em relações monogâmicas, nem pra sempre em relações livres. Acredito que o mais importante não é tentar se encaixar ou virar as costas para isso ou aquilo. É, na verdade, desconstruir e transformar todas estas possibilidades pra se chegar no que te faz bem e no que funciona pra você e pra esse alguém que faz você pensar sobre isso.

Autora: Isabella Peccini

Original: Capitolina

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