Homem que dá pinta

O Fabricio Longo tem uma coluna chamada Dando Pinta no Portal Fórum. A essa altura do campeonato, enquanto esse escritor pagão desenrola o fio de Ariadne no labirinto da contrassexualidade, uma questão pertinente: só os gays dão pinta? O que é “dar pinta”? Homem heterossexual cisgênero pode dar pinta? Olha lá que a minha questão não tem qualquer conotação sexual… ou será que tem? Depois de passados cinquenta anos da Revolução Sexual o ser humano está resgatando a posse e poder sobre seu direito ao corpo, ao desejo, ao prazer. Daí a importância e força da frase “o corpo é meu, as regras são minhas”. Eu dou o que é meu e dou para quem eu quiser.

Mas voltando ao assunto, “dar pinta” tem as seguintes definições:

  1. Parecer ser. Não necessariamente ser, mas parecer.
  2. Exagerar traço de personalidade. Não está diretamente ligado a sexualidade, nem a intenções sexuais.

Exemplos:

Ele ficou dando pinta de machão!

Ela deu pinta de boa mãe!

Tem pinta de ser engraçado.

Tem pinta de Bom moço!

Ele deu pinta na festa.

  1. Portar-se como homossexual. A expressão pode ser empregada também quando um homossexual enrustido quer dar a entender a um homem do seu interesse que deseja manter relação sexual com ele.

Exemplo:

Ficou o tempo todo dando pinta na festa!

Sinônimos:

Paquerar, dar bandeira, parecer, causar, impressão.

Dar bandeira:

Deixar à mostra aquilo o que devia ocultar; deixar transparecer algo que não devia.

Exemplo:

Fulano deu a maior bandeira, estragou todo o serviço.

Causar:

Aprontar, chamar atenção, fazer alguma coisa fora dos padrões do momento.

Palavras relacionadas:

Homossexual, viadagem, frescura, desmunhecar.

O estereótipo do homossexual, tal como é visto pela sociedade heteronormativa, pode ser visto quando o homossexual é cristalizado em algum personagem folhetinesco, uma paródia evidentemente exagerada e grotesca para expressar a aversão que a sociedade tem de outro ser humano simplesmente por não seguir os ditames dessa que é a verdadeira Ideologia de Gênero imposta pela sociedade.

Uma vez que a sociedade exprime por signos seus preconceitos, esta certamente expressará por signos seus ideais, seus modelos de homem e mulher, seus modelos de amor e relacionamento, exigindo que o ser humano se encaixe. A propaganda é a melhor vitrine desses signos de macheza, mas estes tipos são bem mais marcantes e influentes em outros meios de comunicação de massa. O homem ideal é sempre o protagonista nas categorias de aventura e ação, seja em livros, quadrinhos, teatro ou cinema. O “herói” serve de modelo e inspiração para garotos ainda em idade de formação de caráter e identidade, mas a despeito de ser tão invejado ele também é um estereótipo, praticamente uma paródia exagerada e grotesca que equipararia o homem “ideal” a um protótipo de troglodita.

O ideal é tão invejado que passa a ser amado, desejado. Pulsões, traumas ou fetiches entram em contraste com a mensagem da sociedade que o homem é “fresco”, “desmunhecado”, “mariquinha” quando ele expressa algum comportamento feminino, de tal forma que acaba sendo um tipo de misoginia quando se diz que alguém é “afeminado”. A sociedade diz que o homem tem que ser machão, “pegador”, tem que ser o líder, o macho alfa e não pode hesitar em usar seus músculos para garantir sua posição na “alcatéia”. Nesse caso, nós temos vários homens heterossexuais que dão pinta.

Com a chegada do século XXI começaram a aparecer estudos sobre a identidade de gênero, sobre a identidade, personalidade e opções sexuais, discussões sobre modelos de relacionamento e novas formas de famílias. A genética, a biologia, a neurologia e a psicologia ajudaram a mostrar para o ser humano que seu DNA apenas define sua genitália e que seu gênero é definido pela cultura e sociedade de sua época. O homem ideal, o “herói”, tem sua máscara removida e vemos apenas uma pessoa cheia de medos, inseguranças e recalques. Uma pessoa não deve ter medo ou vergonha de ser, afirmar ou expressar sua identidade, personalidade, opção e preferência sexual.

Hoje nós temos mais direitos e liberdades em nossa vida erótico-afetiva graças a essas pessoas fabulosas, seres divinamente humanos que fazem parte da comunidade LGBT. Vamos sair de nossos armários e jogar no lixo essa velha roupagem que apenas nos tornam pessoas enrustidas, amarguradas e infelizes. O Amor é a Lei, Amor sob Vontade.

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