Moralismo hipócrita

Como era de se esperar, a Mídia cria e destrói seus próprios ícones. O reality show chegou dos EUA pela Globo e logo virou mania nacional. Causa e consequência da Era Contemporânea, do acesso à informação e da internet, os novos meios de comunicação exponenciaram o espetáculo público da exposição da vida privada.

A sociedade, ainda vivendo na Era do Rádio, com o moralismo da Era Vitoriana, não estava preparada para ver o reflexo daquilo que acontece nos recantos de seus lares e nos interiores de suas almas. Noticias aparecem mostrando como é comum o casamento infantil, prostituição infantil e como tem aparecido jovens adolescentes se relacionando com homens mais velhos. Diante do reflexo de suas pulsões, recalques, proibições e tabus, sua única resposta é a histeria e a paranoia.

Precisam de um bode expiatório para purgar os desejos e fantasias que sua torpe sociedade hipócrita considera inadequado, enquanto oculta a verdade de seus cidadãos hipnotizados pela opressão e repressão sexual.

O primeiro eleito foi Daniel, acusado de estupro. Diante das câmeras não pode, mas uma mulher é estuprada a cada hora no Brasil. Não faltam páginas e fóruns de “homens” que, em nome dos “direitos dos homens”, fazem apologia ao estupro. Os noticiários escandalizam com o assédio sexual cometido por “refugiados estrangeiros”, em Colônia, Alemanha, mas fecha os olhos diante dos estupros contra mulheres e crianças cometidos por seus soldados.

O eleito atual é Laércio, acusado de pedofilia. Desde que eu me conheço por gente, um homem é criado e educado a procurar por mulheres mais novas do que ele, as chamadas “novinhas” e não faltam exemplos na cultura popular fazendo apologia a esse tipo de relacionamento. Para não chocar muito as mentalidades que ainda vivem no século XVIII, fala-se em efebofilia, não se questiona os critérios e os limites absurdos impostos para faixa etária. Em um momento em que se discute a imposição do gênero, em uma luta para que se supere o binarismo e que se perceba que “gênero” é uma construção sociocultural, ainda não se discute nem se questiona nos mesmos termos a falsa noção de faixa etária.

Novinhas não são crianças! Novinhas são mulheres adolescentes e adultas. Criança é quem não atingiu a puberdade.

Em, geral garotas entram na puberdade por volta dos 9 anos de idade, com o broto mamário, tornando-se uma púbere, e saem da puberdade por volta dos 13 anos, tornando-se pós-púberes. A menarca ocorre em média aos 12 anos.

A puberdade feminina começa por volta dos nove anos de idade com o broto mamário, assim a mulher deixa de ser criança (quem não atingiu a puberdade) e passa a ser adolescente (quem alcançou a puberdade). Por volta dos 12 anos a mulher têm a primeira ovulação e ocorre a menarca (primeira menstruação). Tornar-se uma mulher adulta (quem alcançou a capacidade reprodutiva).

Biologicamente, criança é quem não atingiu a puberdade. Adolescente quem entrou na puberdade. E adulto quem alcançou a capacidade reprodutiva. A Biologia não é um mero papel onde qualquer pessoa coloca o que quer. A Biologia define nossas vidas. Uma mulher de 11-13 anos que ovula, ou esteja pestes a ovular, não é nenhuma surpresa que busque por relacionamentos, vá atrás de homens que lhe interessa. Afinal, alguém tem fecundar seus óvulos. Por isso, que essas mulheres chegam ao ponto de fugir com namorados e engravidam.

Uma mulher que já está na idade até de ter filhos, claro que vai atiçar o desejo dos homens. Logo, a fêmea tem que ser atraente para atrair o macho e assim ser fecundada para gerar a prole.

Um homem de 53 anos gostar de mulheres jovens é crime? Sentimentos não são criminalizáveis e se relacionar com maiores de 14 anos não é crime. Mas, os etaristas (preconceituosos etários) querem é promover o preconceito de qualquer maneira, mesmo cometendo crime (discriminação por idade, assim como raça, sexo, religião, é crime).
Um amigo o chamou brincando de pedófilo e Laércio respondeu dizendo ser efebófilo.
Efebofilia seria a preferência por adolescentes. Nada ver com pedofilia (atração sexual primária por quem não atingiu a puberdade). Todo homem saúdavel é atraído preferencialmente por mulheres jovens, porque nelas há maior chance de haver uma fecundação de sucesso e filhos mais saudáveis.” [Foco Cristão]

“A palavra pedofilia é uma daquelas que torna muita gente não pensante. Não deveria. As pessoas deveriam pensar justamente quando incomodadas. Mas essa regra não vale. Ao menos não vale com certas palavras, uma delas é essa mesmo: PEDOFILIA. 

A palavra é grega e indica quem gosta de criança. Philia indica filiação, amor de amigo ou sócio ou parceiro. Eu me filio a tal clube ou partido, eu venho de tal filiação paterna, sou filiado a tais e tais ideias etc. Não é amor eros ou agape, ou seja, não se trata de relacionamento erótico ou de amor cristão pelo semelhante. Assim, o pedófilo é um amigo da criança, um cuidador, como o pedagogo, embora não seja escravo e nem deva levar criança para a escola, como este fazia.

Esses dados sempre aparecem aqui e ali, para justificar premissas filosóficas das do tipo de Rousseau, que apelou para a ficção do “bom selvagem” no sentido de falar de uma “natureza humana” boa. As crianças fazem parte disso, nos deixam alegres. Despertam em nós o nosso lado bom, nossa pedofilia quase que instintiva.

Após a entrada da modernidade, principalmente com a forte presença do modo de vida burguês e de uma certa grosseria no entendimento do grego e do latim por parte da burguesia, muitos termos foram mudados segundo critérios pouco sábios, tornando-se serviçais do moralismo que, enfim, na Era Vitoriana, deixou para sempre sua marca e sua caricatura. Foi aí que “pedofilia” perdeu a sua evidência como philia e estranhamente ganhou um parentesco inusitado com eros. Gostar de criança, para muitos, deixou de ter conotação eroticamente neutra e passou a ser um ato confundido com o que se deveria dizer de pessoas que não amadureceram, que tiveram disfunções psíquicas, que se mantiveram infantis e, então, buscam se descobrir investigando o corpo do outro, como toda criança faz. Mas, claro, isso é de fato uma disfunção psíquica se ocorre num adulto. O adulto atraído pelo corpo da criança se vê ele próprio como criança. E isso causa uma profunda luta interna na sua alma.

Todavia, os médicos começaram a usar o termo moralizado-burguês também. E pegou. Eles vieram a chamar de pedofilia a disfunção psíquica citada. Só que o legislador ocidental, principalmente brasileiro, não deu uma de inculto. Os que  confeccionaram nossas leis entraram na tradição histórica e filosófica, e logo perceberam que não poderiam usar a palava pedofilia para casos de abuso sexual.

Mas, na verdade, as estatísticas mostram que o abusador infantil não é pedófilo, e é alguém das imediações da criança abusada, não raro um familiar. Aliás, pessoas ligadas ao trabalho escravo de criança e à prostituição infantil adoram levantar acusações de pedofilia por aí, justamente porque com isso desviam a atenção para casos esporádicos que atraem o público, e escondem o drama maior no Brasil, que são os mal-tratos em crianças, o uso da criança em todas as circunstâncias que a lei proíbe. Se há uma coisa a se desconfiar no Brasil são as campanhas de caça-pedófilos, em geral levadas adiante por gente com certa afinidade a empresários que não se preocupam nem um pouco com o trabalho infantil.

Agora, que se fique claro, tudo isso, sobre pedofilia, é referente a relações entre adultos e criancinhas. Não entre adultos e jovens ou mesmo pré-adolescentes. Falar de pedofilia entre moças e homens mais velhos, aí já nem cabe conversa, trata-se de algo de pessoas que realmente não sabem sequer consultar um dicionário. Menores para a atividade sexual são menos de 14 anos, perante a lei. A pessoa que cria problema com garota de 17 anos com relacionamento com adultos está, ela sim, com problema grave.

Ninguém vai aconselhar uma pré-adolescente a se envolver sexualmente com homem algum ou vice versa (embora seja comum incentivar os meninos nessa prática de serem “pegadores” de qualquer mulher). Aí não importa a idade. Pré-adolescente não tem a ver com vida sexual. Todavia, dizer que a pré-adolescente não possui atração por pessoas mais velhas, é bobagem (e se elas não atraíssem todo tipo de homem, não seriam tão procuradas por agências de modelos). Uma boa parte dessas garotas é atraída pelo protótipo do adulto, ou seja, o garoto de dezesseis ou dezessete ou até dezenove anos. Depois essas meninas crescem, ficam adolescentes, e não poucas ampliam a idade dos parceiros – já não querem mais “Os Menudos”, mas algum ídolo até já meio grisalho. Nesse caso, não há regra. Mocinhas de 15 ou 16 anos namorando pessoas mais velhas, de toda idade, é algo comum na nossa cultura e, no passado entre nós, brasileiros, não era chamado de pedofilia. Aliás, era até comum em certos lugares um homem mais velho atrair meninas, ou prometidas pelos pais ou realmente envolvidas com tais homens. [Filósofo Ghiraldelli]

Eu recomendo aos meus leitores que vejam o texto que explica que a atual noção de faixa etária foi formulada no início da Era Moderna: Conceitos Adultos Sobre a Idade

Está na hora de sentarmos e começarmos a discutir e questionar as causas e raízes de nossas pulsões, libidos, recalques, frustrações, proibições, limites, regras. Devemos ser capazes de dar forma e nome a todo tipo de amor, sem repressão e opressão sexual. Todos tem o direito e a liberdade de amar quem quiser, quantos quiserem.

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