Io, Lupercus!

lupercalia

Hoje começa o Carnaval. Mas o que é que se está comemorando, mesmo? Não é o Carnaval, a “despedida da carne” que antecede a Quaresma e Corpus Christi. Existe uma tradição antiga que remonta ao tempo dos Romanos e que tem um vínculo com o aspecto sagrado do mês de fevereiro. Esqueça o Carnaval. Feliz Lupercália!

A Lupercalia, Lupercália, Lupercais ou Festas Lupercais era um festival pastoril romano, celebrado a XV Kalendas Martias, que corresponde hoje ao dia 15 de fevereiro.
O nome da festa supõe-se derivar de lupus (lobo). Dizia-se ter sido instituída por Evandro o árcade, mas é possível que existisse desde o período pré-romano. Realizavam-na na na gruta de Lupercal, no monte Palatino (uma das sete colinas de Roma). Teria sido onde, segundo a tradição, Pã – também chamado Fauno Luperco (o que protege do lobo), em cuja honra se fazia a festa – tomou a forma duma loba e amamentou os gémeos Rómulo e Remo.
A festa da Lupercália simbolizava a purificação que devia acontecer em Roma ao fim do ano (que começava em Março). Anualmente, um corpo especial de sacerdotes, os lupercos sodais (luperci sodales) eram eleitos entre os patrícios mais ilustres da cidade.
Na data prevista, então, os lupercos [irmãos do lobo – appendix] daquele ano encontravam-se na gruta Lupercal para sacrificarem dois bodes e um cão e serem ungidos na testa com o sangue, limpado da lâmina do sacrifício com um lã embebida em leite. Vestiam-se então do couro dos animais, simbolizando Fauno Luperco, do qual arrancavam tiras, chamadas februa, com as quais saíam ao redor da colina a chicotear o povo, em especial as mulheres inférteis, que se reuniam para assistir o festival.
A Lupercália era uma festa de fim de ano. Acreditava-se que essa cerimónia servia para espantar os maus espíritos e para purificar a cidade, assim como para liberar a saúde e a fertilidade às pessoas açoitadas pelos lupercos.
A associação com a fertilidade viria de as chicotadas deixarem a carne em cor púrpura. Essa cor representava as prostitutas sacerdotais da Ara Máxima, também chamadas lobas.
Tratava-se também dum rito de passagem, simbolizando a morte e a ressurreição, celebrando assim a vida.
Caracterizadas pela licenciosidade, tinham características adotadas mais tarde nas festas de Carnaval.
A festa era tão antiga como a própria história de Roma (sabe-se que era uma tradição forte já no tempo de Júlio César), e tornou-se mais popular nos tempos da República romana, quando a gruta Lupercal foi reformada por Augusto, e perdurou até aos tempos do império e da sua queda. Esta mesma celebração foi adotada por Justiniano I no Império do Oriente em 542, como remédio para uma peste que já havia assolado o Egito e Constantinopla e ameaçava o resto do império. [Wikipédia]
Cada Lupercalia começava com o sacrifício de bodes e um cão por um sacerdote, depois dois dos sacerdotes eram levados para o altar, suas testas eram tocados com uma faca ensanguentada e o sangue era limpo com lã embebida em leite. A festa sacrificial prosseguia, após a qual os sacerdotes cortavam tiras de peles de animais sacrificados e corriam em dois grupos ao redor do monte Palatino, golpeando com as correias em qualquer mulher que ficasse perto deles. Um golpe da tira supostamente tornava uma mulher fértil. [enciclopédia britânica]
Este ato de correr com tiras de couro de bode era uma purificação simbólica da terra e dos homens, ato que era chamado de februare e lustrare. O couro de bode em si era chamado februum, o dia da festa era chamada die februata, o mês em que ocorreu era chamado Februarius, e o próprio deus Februus.
O ato de purificação e de fertilização, que, como vimos, era feito em mulheres, era, sem dúvida, originalmente feito nos rebanhos e para as pessoas da cidade no Palatino. Festus diz que os Luperci também foram chamados CREPI ou CREPI, por sua impressionante semelhança com couro de bode (crepitu pellicularum), mas é mais provável que o nome CREPI veio de crepa, que era o antigo nome do bode (caprae). [Bill Thayer]

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