Greve Global de Gênero

A Assembleia Transmaricabollo de Sol na Campanha Pela Despatologização da Transsexualidade convoca para a Greve Global de Gênero.

  1. As identidades binárias de gênero (mulher e homem) são instrumentos históricos de dominação que se situam na base dos sistemas econômicos e de poder que articulam o capitalismo atual.
  2. Estas identidades, longe de serem universais, são arbitrárias e são impostas às pessoas a partir do sistema médico-legal con a finalidade de inscrevê-las em um modelo de produção baseado na família nuclear heterossexual.
  3. As identidades binárias de gênero são impostas às pessoas quando nascem através das categorias de sexo biológico (fêmea e macho), que implicam uma redução da sexualidade à genitalidade e desta a sua funcionalidade no marco da reprodução heterossexual.
  4. Porém a sexualidade não se reduz nem à genitalidade nem à reprodução… então, para que usamos a distinção mulher-homem, senão para gerar diferenças de classe?
  5. As pessoas intersexuadas, que nascem com uma anatomia genital não claramente identificável em termos de macho ou fêmea, são habitualmente operadas pouco tempo depois de nascerem, com a finalidade de serem inscritas no sistema binário de dominação.
  6. Ao mesmo tempo, a transexualidae e o travestismo são considerados como condições patológicas nos manuais médicos e em leis aprovadas por este Governo com “disforia” política.
  7. Por isso defendemos a despatologização das pessoas trans, demandamos a eliminação do patológico requisito de diagnóstico de “disforia de gênero” para a mudança de nome e sexo no registro civil, assim como a eliminação dos prazos de hormonização obrigatória que condenam a maioria das pessoas trans à esterilidade.
  8. Por último, exigimos a eliminação dos protocolos médicos de normalização binária para pessoas trans e intersexuadas (como o teste de vida real, cirurgias de reaparelhamento genital, etc.), e defendemos a luta de todas as pessoas trans por uma redesignação de gênero diante dos problemas e obstáculos com que se deparam para fazer isso.
  9. Por outro lado, há pessoas transgêneras que não se identificam nem como homens nem como mulheres, assim como há as que reivindicam identidades em trânsito ou trajetórias de gênero, e outras que reivindicam um gênero neutro, que inventam outros gêneros, ou que rechaçam a identidade de gênero em sua totalidade.
  10. Qualquer pessoa pode legitimamente, se assim o desejar, rejeitar esta identidade que se nos foi imposta a tod@s de forma arbitrária para incluir-nos e subjugar-nos ao sistema global de dominação.
  11. Esta não é apenas uma opção legítima de cada pessoa mas também uma luta solidária com as pessoas trans e intersexuadas pela violência oficial da qual sistematicamente têm sido vítimas, tanto por parte do sistema médico-legal como da sociedade em geral, uma violência que sofrem também todas as pessoas que não encaixam nas normas sexuais e de gênero e que de forma implícita afeta a todas as pessoas, já que tod@s nós somos submetid@s à identificação binária, querendo ou não, sem que o sistema nos apresente qualquer outra alternativa possível.
  12. Por isso, convocamos uma GREVE GLOBAL DE GÊNERO durante o mês de outubro trans, com possível prorrogação por prazo indeterminado, na qual qualquer pessoa, de qualquer idade, classe social, nacionalidade ou condição econômica, em qualquer lugar do mundo, poderá rejeitar por um tempo indefinido, a identidade de mulher ou de homem que lhe tenha sido imposta.

Como VOCÊ PODE PARTICIPAR desta Greve de Gênero?

1. Manifestando publicamente, sempre que se tenha ocasião, a sua não identificação em nenhuma categoria de gênero, nem como homem nem como mulher, assim como a sua total rejeição a estas categorias de dominação, passando a identificar-se simplesmente como DE-GENERAD@.

2. Questionando e subvertendo os papeis e comportamentos binários de gênero a que você mecanicamente se sujeita em sua vida diária (formas de se vestir e de se apresentar em público, linguagem corporal, etc.)

3. Entrando em banheiros do sexo-gênero oposto ao gênero que lhe foi consignado ao nascer, especialmente naqueles lugares em que os banheiros sejam separados em função das categorias binárias de homem-mulher, se por mais não for pela simples solidariedade às pessoas trans, em nome do combate ao constrangimento e à violência que sofrem diariamente nos baheiros de lugares públicos.

4. Cobrando das lojas de roupas tamanhos e modelos que não sejam diferenciados em função de sexo-gênero binário.

5. Recusando-se a preencher formulários impressos ou online, oficiais ou de qualquer outro tipo, nos quais seja obrigatória a menção de gênero e apresentando reclamações ante as entidades correspondentes, exigindo a correção do formulário para que inclua a possibilidade de você não ter que se identificar nem como homem nem como mulher.

6. Fazendo requerimentos e interpondo recursos perante os tribunais locais, estaduais, nacionais e internacionais, solicitando a sua não adscrição a nenhum gênero binário, exigindo terminantemente que a menção a esta categoria desapareça da sua Carteira de Identidade e demais documentos oficiais para todas as pessoas que assim o desejem.

(trad. adapt. Letícia Lanz)

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