Os talentos de Zoltar

Toda universidade tem republicas, centros de reunião, socialização e habitação dos estudantes. Toda republica tem um prefeito que gerencia, organiza e fiscaliza os estudantes. Todos os estudantes se organizam em fraternidades, dominadas por veteranos, que recebem os novatos com trotes. Alguns novatos estavam tendo apuros com veteranos, com fraternidades ou com o prefeito da republica. Zoltar não deu atenção aos que se submetiam a esse tratamento humilhante e foi direto até a administração da ala masculina para preencher formulários, pegar os kits de estudo, pegar um mapa da universidade e pegar a chave de seu futuro dormitório.

– Ei, bicho, onde pensa que vai? Tem que pagar pedágio se quiser andar por aqui.

Zoltar olha com desdém o trio de veteranos. Um parece um rinoceronte, o outro um gorila e o terceiro parece um lagarto. Zoltar continuou seu trajeto. O primeiro que tentou segurá-lo foi rapidamente jogado a dois metros de distância. Os outros desistiram do trote. Valentões geralmente são covardes.

Dentro da administração, Zoltar percebeu que estavam todos realmente ocupados com tantos alunos novos e os mesmos problemas com veteranos. Sem demora, Zoltar entrou direto no gabinete do vice-reitor responsável pela ala masculina.

– Que? Quem é você? Como conseguiu entrar?

– Pela porta. Estava aberta.

– Você é corajoso, garoto. Qual é o seu nome?

– Pode me chamar de Zoltar.

– Muito bem, Zoltar. Aqui está o kit inicial do estudante, com mapa e a chave de seu dormitório. Agora se retire antes que eu mude de ideia e queira te punir pela invasão.

– Quando quiser, vice-reitor.

Zoltar não deu temo para o vice-reitor falar algo, virou-se e saiu em direção da republica onde fica o seu dormitório. Na entrada, encontrou um velho zelador que o acompanhou até o seu quarto. Dentro do quarto, Zoltar encontrou um aprendiz de mago, seu parceiro de dormitório. Não é do tipo falante, o que para Zoltar é ótimo. Rapidamente Zoltar arruma suas roupas no armário e dá uma boa olhada pela janela para ter uma boa noção de localização.

Não há muito tempo. O sinal das aulas anuncia aos alunos que devem apresentar-se para suas classes. Na escala do dia, a primeira aula é de ciências. O professor se apresenta como descendente de Victor Frankenstein, mas sua aula é uma chatice sem fim. Zoltar diversas vezes tem que corrigir ou complementar o conteúdo exposto. O professor se irrita, escreve algo em uma folha de papel e o manda se apresentar ao reitor. Exatamente o que Zoltar planejara.

– Sente-se, hã… Zoltar. Mmmhmm. O professor Ian alega que o senhor não precisa de aulas de ciências. O senhor se importa se eu fizer uma avaliação?

– Não. Prossiga.

– Aham… Onde eu coloquei o teste? Ah… Opa. Onde eu deixei minha caneta? Ai! Hoje eu estou azarado. Pronto, responda esse teste.

O reitor nem percebeu que naqueles cinco minutos Zoltar havia começado seu plano. Não foi preciso mais de quinze minutos para resolver o teste. Enquanto o reitor corrigia as respostas, Zoltar teve mais cinco minutos para coletar as ferramentas que precisava.

– Muito bem, Zoltar. Eu estou convencido de que o senhor não precisa de aulas de ciências. Eu estou escrevendo uma carta dispensando o senhor das aulas de ciências. Hã… Onde eu coloquei meu carimbo? Ah! Bem debaixo do meu nariz. Aqui está, Zoltar. O senhor está dispensado. Agora saia. Espero não precisar vê-lo novamente.

Em trinta minutos Zoltar coletou papel timbrado, carimbo e a assinatura do reitor. Sem dificuldade, ele inseriu em três papéis timbrados as permissões que ele necessitaria para seus planos. Na administração da ala masculina, com tanta gente e tanto serviço, ninguém notou quando ele escaneou e incluiu a assinatura do reitor nos papéis que havia preparado. As mesas dos funcionários estavam tão abarrotadas de papéis que ninguém reclamaria de mais três. Mas Zoltar era minucioso e detalhista, não foi difícil empurrar seus papéis para a secretária felina que estava computando diversos documentos no sistema da universidade. O único esforço que Zoltar teve foi o de recuperar seus valiosos papéis.

Antes de dar andamento ao seus planos, Zoltar precisava de mais tempo, o que foi conseguindo repetindo seu primeiro ato com as outras matérias. Por mais desgostoso que o reitor parecia estar, ao fim do dia Zoltar ganhara dispensa de assistir aulas das demais matérias por um ano. Tempo mais do que suficiente.

Seu primeiro plano e o primeiro documento forjado a ser executado estava em sua agenda para o dia seguinte: falar com Sauron.

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