A esposa do Profeta

Os Judeus tem seu livro sagrado, a Torah. Os Cristãos tem seu livro sagrado, a Bíblia. Os Muçulmanos tem seu livro sagrado, o Corão. As três religiões tem em comum um patriarca: Abraão. As três religiões tem em comum a crença em um Deus.

Os Cristãos e a sociedade ocidental cristã construiu um mito sobre sua civilização. Mas muito do que o Ocidente sabe de tecnologia e ciência veio do Império Otomano. Mesmo a origem da “civilização ocidental” tem mais raízes com o oriente do que se imagina.

Mas agrada para o governo do ocidente que o oriente, especificamente o muçulmano, seja visto como o “inimigo”. Na Idade Média foi o Judeu, o Herege, a Bruxa.

Que sucesso ainda faz a lenda do Rei Leônidas e seus 300 espartanos, lutando “sozinhos” contra o “malvado” exército de Xerxes! Nós devemos lembrar que Xerxes era Persa. Não perca seu tempo explicando que os Espartanos e os Persas tinham uma origem em comum. Nós devemos lembrar que Esparta estava não interessada em “defender o ocidente”, pois não hesitou em atacar Atenas. Nós devemos lembrar que Enéias, um dos fundadores de Roma, veio de Tróia, mítica cidade da península da Anatólia. Nós devemos lembrar que Europa, a Deusa que dá o nome ao continente, é da Fenícia.

O Mundo Contemporâneo precisa de um grande inimigo, um bode expiatório, para manter as pessoas no medo, na paranoia, na histeria. Há muito a guerra entre o Cristianismo e o Islamismo deixou de fazer sentido. Há muito existem comunidades muçulmanas em diversos países. Há muito os países ocidentais se esquecem de sua responsabilidade pelo Colonialismo no Oriente Médio e Ásia Menor. Mas quando o cristão ocidental olha para o muçulmano a única coisa que vê é o terrorismo, como se o mundo ocidental cristão fosse inocente.

Qual é, realmente, a intenção de quem cita um trecho do livro Sahih Bukari contendo a suposta idade púbere de Aisha quando o Profeta se casou com ela? Certamente não é a de condenar a relação entre garotas na puberdade e homens adultos. Afinal, isto também está na Torah e na Bíblia:

[Numeros: 31,18]: Porém, todas as meninas que não conheceram algum homem, deitando-se com ele, deixai-as viver para vós.

O Deus Bíblico, além de ordenar um massacre, ordenou o abuso sexual de menores. Como se poligamia, estupro e incesto não fossem o suficiente. Então o padre que abusa sexualmente de menores está apenas seguindo uma ordem de Deus.

O leitor não nos entenda mal. A nossa sociedade sabe que o conceito sobre a infância e a adolescência, tal como o conceito de gênero, é resultado de uma construção social. A concepção da criança e do adolescente como inocente, ingênuo e assexuado vem das concepções românticas surgidas entre o fim do século XVIII e início do século XIX.

Na Roma e Grécia antigas era sabido que as pessoas se tornam adultas em diferentes idades. Os romanos sabiam que a puberdade aparecia por volta dos 14 anos com variações para mais ou para menos. Os garotos podiam casar entre 14 e 16 anos, garotas casavam aos 12 anos, geralmente com alguém mais velho. Na Grécia Antiga era comum o jovem ter tutores para ensiná-lo a ser homem. Conhecidos como erastes e eromenos, homens mais experientes muitas vezes mantinham relações homossexuais com estes jovens.

Caso a criança ou adolescente fosse filho ou filha de um servo ou escravo, sua situação era a de propriedade do pai de família, sendo comum serem usados como companhias sexuais ou como presente para o filho que entrava na idade adulta. Algumas conhecidas e afamadas cortesãs recebiam propriedades e o direito de usar o nome de família de seus senhores. Muitas montavam um harém ao redor de si e suas casas eram um verdadeiro bordel.

Na Idade Média foram mantidas as idades entre 12 e 14 anos para a puberdade, quando podiam contrair matrimônio. As crianças tinham pequenas tarefas domésticas para cuidarem e ajudarem seus pais. Suas roupas não eram diferentes das do adulto e frequentemente entravam para algum ofício em sua puberdade. Em muitos casos o matrimônio era combinado e arranjado pelas famílias, por dote, por herança, por vislumbrar uma melhor posição social, muitas garotas eram casadas com homens mais velhos.

Na Era Moderna fixou-se o conceito de infância como uma idade separada da do adulto. O ocidental criou uma ilusão idílica sobre as diversas faixas etárias e vai tentar refutar falando que isso não acontece mais na Era Moderna.

Basta uma breve consulta no Oráculo Virtual [Google] para perceber que não é bem assim. Canadá é um país onde os adolescentes e os adultos podem se casar. Mesmo na Grã Bretanha isso acontece. Na América do Norte existem grupos onde existe poligamia e endogamia [casamento entre parentes, inclusive pai com filha]. Em outros países europeus, casamentos “encomendados” pelas famílias unem jovens com adultos. Então o problema não é o tabu social, mas o preconceito religioso.

Nem assim o cristão ocidental tem qualquer moral para criticar o muçulmano. Textos apócrifos dão conta que Maria/Miriam tinha entre 9 e 12 anos enquanto José tinha entre 40 e 43 anos. Tentar argumentar que este não é um registro histórico é um contrassenso, uma vez que o cristão afirma que registros bíblicos remontando épocas passadas são “históricos”. A questão não é a idade púbere de Aisha, senão o cristão há muito teria abandonado o Cristianismo depois do escândalo de abuso sexual de menores na Igreja. A questão é que o Cristianismo está perdendo espaço para o Islamismo. Então a Igreja recorre à calúnia e difamação.

A humanidade deve respeitar todos os povos, seus hábitos, seus costumes e suas crenças. A sociedade cristã ocidental deve superar seus traumas, recalques, frustrações, neuroses e paranoias. A Sociedade Zvezda irá implementar uma sociedade sadia, onde será abolida esses limites absurdos, obsoletos e arbitrários de faixa etária, deixará de existir “criança” e “adulto”, existirá apenas “pessoas”.

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