Pessoas trans podem ter sexualidades diversas

Temos, felizmente, observado o debate sobre gênero e sexualidade emergir em nossas escolas, universidades e, até mesmo, em alguns espaços onde trabalhamos. Tive essa surpresa quando fui convidada por uma agência de publicidade para dialogarmos um pouco sobre pessoas trans e empregabilidade. Porém, é fácil notarmos que não avançamos o suficiente para que a grande população tenha a devida noção do que é identidade de gênero e sobre o que se diz respeito, bem como o que vem a ser orientação sexual. Ainda caímos no redutivo “colocar no mesmo balaio” e, nessa contribuição, vou falar um pouco sobre como essa história de “é tudo a mesma coisa” vem não só a prejudicar nosso entendimento sobre nós mesmos, como também vem a invisibilizar e deturpar a vivência de algumas pessoas, mais especificamente no texto, de pessoas trans.

Enquanto mulher trans bissexual, em algumas ocasiões onde numa conversa minha atração por pessoas vem à tona, sempre existe uma carinha que transpareça uma certa confusão ao pensar sobre meus desdobramentos afetivos. Afinal, “se for pra tu ficar com mulher, por que tu não continuasse como era?” (sic). Escutar esse tipo de indagação é bem comum para algumas pessoas trans. Existe o entendimento que por termos transicionado nossos corpos, necessariamente, nos sentiríamos atraídos pelo gênero oposto. De onde vem isso? Infelizmente, de ainda termos a ideia intrínseca de que mulheres trans são gays e que, apenas, se atraem por homens e que homens trans são lésbicas e da mesma forma seriam em relação com mulheres. Obviamente, não se tem a clareza em saber que identidade de gênero é sobre ser, sobre identificação, sobre autorreconhecimento e que orientação sexual está ligada às questões afetivas. Dessa forma, explano que, enquanto mulher trans, eu me transicionei porque queria externalizar meu gênero, e não por conta de minhas questões afetivas, onde sou bissexual, tendo me relacionado com homens e mulheres, e que uma coisa não está ligada à outra.

Existem mulheres trans lésbicas, existem homens trans gays, existem pessoas trans bissexuais e, dessa forma, conseguimos, facilmente, delimitar que existem pessoas apenas querendo exercer o direito da liberdade de não só se construírem como desejarem, podendo autogestionar seus corpos, como também se relacionarem com o(s) gênero(s) que se sentirem atraídos e tendo o direito de viver sua afetividade de forma livre e satisfeita.

Autora: Maria Clara Araújo

Fonte: Capitolina

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