A expedição de Livingstone

O coronel David Livingstone estava descansando de suas expedições na cidade do Cairo quando o major Anthony Nelson o interpelou com um telegrama em mãos.

– Chegou mais uma requisição para você, David.

– Cáspita! Eu deveria ter matado aquele jornalista. Agora a Coroa Britânica sempre empurra para mim as expedições para todo canto. O que é dessa vez?

– Infelizmente dessa vez o pedido veio da América do Norte. Intercâmbio Cultural, um trabalho de pesquisa. Estão querendo que nós mandemos uma expedição para coletar cubos azuis em Madagascar. Como você conhece a ilha, meu comandante solicitou ao seu comandante por sua colaboração.

– Meu caro ianque, não existe colaboração no Exército. Nós somos soldados e temos que cumprir as ordens do Comando. Mas você virá comigo, Anthony, pois eu quero saber mais desses rumores que você se casou com um gênio.

– Até você, David? Você acredita nessas coisas?

– Ah, casaca azul, eu vi coisas que até Deus duvidaria. Venha, vamos nos divertir juntos.

Livingstone e Nelson entraram em um navio de cabotagem, levando equipamentos e funcionários civis da administração britânica. O coronel dispensou o guia nativo, pois conhecia Madagascar como se fosse a própria Bretanha. Seguindo o protocolo que estava acostumado em suas expedições, Livingstone ordenou o levantamento do acampamento assim que desembarcou em uma das praias de Madagascar. Ali seria o ponto chave para as incursões pela ilha e ponto de fuga em caso de perigo. Nelson observava embasbacado a beleza selvagem de Madagascar, impressionado com as cores e a exuberância da floresta. Livingstone riu-se, pois teve a mesma impressão quando esteve aqui pela primeira vez, mas não queria perder tempo explicando sobre a fauna e flora local. Com seu facão em mãos, Livingstone iniciou sua caminhada por uma trilha que conhecia muito bem, sendo seguido pelo amedrontado Nelson. Os funcionários seguiam o protocolo de Livingstone, mantendo duas filas indianas, atentos a ataques de animais ou aborígenes. Nelson estava encantado com tanta novidade enquanto Livingstone se concentrava em encontrar os cubos azuis, estranhas formas geológicas que desafiavam a ciência.

A caminhada silenciosa foi interrompida com uma observação de Nelson.

– Hã… David… eu acho que vi uma pirâmide vermelha.

– Anthony, você mal chegou e está delirando? As únicas formas geológicas encontradas em Madagascar são cubos e azuis.

Passou mais algum tempo até que Nelson apontou para um lugar na floresta.

– Veja, David, esferas amarelas!

– Anthony nós não estamos no Mar de Nanquim. Aqui só tem cubos. Azuis.

Nelson viu diversas pirâmides vermelhas, esferas amarelas e eventualmente cubos, mas de outras cores. Um tanto receoso, Nelson perguntou uma duvida pertinente.

– David, estes cubos são de que tom de azul?

– Que pergunta tola, Anthony. Azul é azul.

– Ail tem um cubo azul.

– Ah. Aquilo não é azul, é grená.

Nelson ficou mais confuso. Grená não deixa de ser azul. Assim como diversos tons e sobretons do azul. Nelson ficou bravo por que Livingstone ignorou os outros cubos de outras cores, bem como ignorou as outras formas geométricas, igualmente coloridas. Ele se perguntava se nenhum pesquisador se deu conta da variedade desses fenômenos geológicos de Madagascar.

– Ah, enfim! Encontramos, Anthony. Veja, não é um perfeito cubo azul?

Nelson olha o espécime coletado. Um cubo, sem dúvida. No entanto ele chamaria a cor de turquesa, não de azul. O que o deixou mais confuso ainda como os pesquisadores definiram qual espectro do azul era considerado “azul”.

No caminho de volta, ele coletou alguns espécimes de esferas e pirâmides, tirou fotos de alguns cubos com diferentes tons de azul e mesmo de outras cores, na esperança de corrigir este engano.

Livingstone entregou os espécimes coletados e recebeu sua paga. Nelson além de receber uma reprimenda de seu comandante, foi rebaixado a capitão por sugerir que os pesquisadores e a ciência estavam enganados sobre os cubos azuis de Madagascar. Essa é a história triste do método científico.

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