O espírito da espada

Nanase seguia mais uma vez para a escola, sendo acompanhada pelo seu irmão nerd. Seu pai o instou a acompanha-la, pois as noticias exploravam feito urubus o medo da população em relação a alguns ataques misteriosos que aconteceram na semana. Evidente que Nanase não gostou da decisão de seu pai, mas não teve jeito. Se Takeda fosse um jovem normal de vinte anos, ela até não ficaria com vergonha, mesmo se ele andasse com aquelas revistinhas de mulher pelada. Takeda só vivia lendo livro de nerd, de geek, vivia lendo revistas com todo tipo de teoria de conspiração, OVNI, pirâmides, criaturas lendárias, aparições, coisas esquisitas. Sua reputação não estava boa na escola, depois que seu avô a acompanhou até a escola, iria acabar de vez assim que algum de seus colegas a visse com Takeda, seu irmão nerd.

A professora Akeno estava onde sempre Nanase a encontrava, na porta da escola, recebendo seus alunos. A professora Akeno percebeu que Nanase estava sendo acompanhada por um jovem, chegou a pensar que fosse um primo, um tio, até namorado, mas assim que Takeda ficou bem perto ela o reconheceu.

– Bom Dia Nanase, bom dia Takeda.

– Bom dia Akeno sensei. Fale bom dia para Akeno sensei, seu idiota!

Takeda mal tira os olhos da revista e balbucia alguma coisa ininteligível. Nanase estava preparando seu poderoso soco uppercut para desferir sua ira em Takeda quando começaram os barulhos. Explosões. Gritos. Correria. Um som parecido com o de um transformador, um zumbido eletrônico monocórdio, ficava cada vez mais forte. Nanase e professora Akeno custaram a acreditar, mas Takeda matou de primeira. Seus olhos saíram da revista, olharam para o objeto e Takeda fez sua declaração cheio de convicção.

– Cenobitas! Cenobitas de Marte!

Nanase detesta seriados japoneses. Gente usando collants de cores berrantes, com uma coreografia ridícula, uns representando os bonzinhos e outros representando os malvados, dançando uma pantomima que é uma ofensa ao espírito das Artes Marciais. No entanto ali estavam, ao vivo e em cores, criaturas que pareciam ter saído de um cosplay. Por mais incríveis que fossem, portavam aparelhos que produziam destruição altamente real. Flashes de plasma zuniam de um lado a outro, causando explosões onde atingissem.

Algumas criaturas começaram a se aproximar dela, da professora e do Panaka, digo, Takeda. Instintivamente, Nanase tomou a liderança desse grupo improvável e foram todos para dentro da escola, em busca de esconderijo e alguma arma que pudessem usar. Emissões de plasma explodiam em vários pontos da escola, enquanto eram seguidos pelos cenobitas. Mesmo dentro da escola, não havia muito que pudessem usar como escudo ou arma. Nanase e seus companheiros ficaram acuados no grande salão da escola, enquanto os cenobitas se aproximavam.

Nanase não havia percebido, mas pararam diante do Quadro de Troféus da escola, onde a espada de sua família estava sendo exposta. Nanase por mais que detestasse seriados japoneses estava sendo protagonista de uma cena clichê. Os cenobitas deram um tiro em direção ao grupo, mas falharam miseravelmente em acertá-los, a vitrine explode, a espada cai no chão, rola até seus pés. Nanase não é personagem de anime, mas em seu sangue ainda corre o espirito de luta de sua família. Instintivamente, ela pega a espada e a saca da bainha. Uma coluna de luz sai do chão até o teto. Nanase tem seu corpo todo coberto por uma armadura de samurai. A armadura do Samurai dos Ossos. Em segundos, ela golpeia os cenobitas com a espada e os reduz a sushi.

Quando Nanase cessa a retalhação, ela volta ao normal, com uniforme de escola. A professora Akeno está espantada. Takeda se mijou nas calças. Nanase tenta entender o que aconteceu.

– Nanase-chan! Você tem o mesmo espírito de seus ancestrais! Eu fico muito feliz que você tenha me despertado de meu longo sono!

A voz sai da espada em sua mão. Envolta em uma névoa, a espada começou a pairar no ar e conversar com Nanase.

– Nanase-chan, clame pelo seu direito de herança, torne-se o Samurai dos Ossos!

– Não! Eu não posso! Eu não quero! Eu te dei, eu te joguei fora! Eu quero ser uma garota normal! Eu quero ter uma vida normal!

– Se este é seu desejo, eu vou embora. Será uma lástima, pois Akeno sensei não sobreviverá aos cenobitas. Quioto não sobreviverá ao ataque dos cenobitas. Mas se esta é sua vontade…

– Não! Espere! Eu aceito minha herança com uma condição. Nada de serviço para fã. Nada de mostrar qualquer parte de meu corpo. Nada de diálogos ou cenas de duplo sentido.

– Eu acho que salvar o mundo é mais importante do que satisfazer pervertidos, Nanase-chan. Tudo que este servo deseja é ser sua espada nas batalhas que seguirão. Esta é a palavra de Sukarukatta!

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