O homem e seu caminho

“O mundo possui caminhos, em determinado momento alguns pegam o caminho errado.” [Prof. Ghiraldelli].

“Trata-se do embate entre a determinação social e a liberdade responsável de escolha.” [Prof. Ghiraldelli].

Para escolher o homem deve ser livre. Mas devemos perguntar: O homem tem escolhas? O homem é livre? Apenas sendo livre existe escolha? Ou apenas escolhendo existe liberdade?

Eu defendo o conceito que a filosofia é multidisciplinar. Sócrates não fez qualquer Academia, mas ele e muitos gregos antigos deram inicio a esta atividade humana chamada filosofia. Para fazer filosofia basta saber pensar e argumentar. O mercado editorial disponibiliza diversos livros falando da filosofia em um determinado fenômeno de massa. Podemos encontra muita filosofia em anime.

Para explorar o conceito de liberdade e escolha, eu selecionei um trecho do roteiro do anime “Neon Genesis Evangelion”, episódio 26:

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– Liberdade?

– O mundo de liberdade que nunca terá restrição de alguém.

– Isto é liberdade?

– Sim. O mundo da liberdade. Como resultado, não há coisa alguma.

– Que diacho! Eu não sei o que eu devo fazer.

– Você está inquieto. Você não tem sua própria imagem.

– Isso é muito vago.

– Tudo é vago. Isto é liberdade. O mundo onde você pode fazer tudo o que quiser. Ainda assim, você está inquieto. Você não sabe o que você deveria fazer?

– O que eu deveria fazer?

– Eu te dou uma restrição. Agora você tem um topo e um solo. Agora você perdeu um grau de liberdade. Agora você deve se manter no chão. Mas você tem um conforto. Sua mente fica mais calma.

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Retomando, há circunstâncias das quais o homem nunca será livre. A condição do homem como mortal, a condição do homem como animal social, a condição do homem como parte da natureza. Então quando falamos em liberdade devemos ter a referência: liberdade de quê ou de quem? A questão da liberdade do homem tornou-se uma teoria filosófica quando o homem, enquanto individuo, queria ter garantias contra o abuso de poder do Estado.

Aqui desdobramos a questão da liberdade e da escolha em outros temas: o homem tem que querer e ter vontade. Enquanto indivíduo, o homem pouco pode fazer, ainda que queira e tenha vontade. Para que sua liberdade e sua escolha sejam direitos reconhecidos e garantidos, o homem deve agir e se organizar como conjunto, para que seu desejo e vontade se tornem uma ideia politica do Estado ou da Sociedade da qual o homem faz parte. Paradoxalmente, a liberdade e a escolha do homem existem apenas e unicamente inseridas no contexto social e politico.

A organização do homem em sociedades produz o Estado e os conceitos de lei e justiça, dentro dos quais se estipula, se garante e se reconhece a capacidade do indivíduo de poder escolher e de ser livre. O mesmo Estado, através da Lei e da Justiça, tem o poder e a capacidade, dada pelo conjunto, de restringir, condicionar e coibir a escolha e a liberdade do indivíduo, para determinados casos. Da mesma forma como o indivíduo quer ter recursos para evitar o abuso de poder do Estado, o Estado quer ter recursos para evitar o abuso de poder do indivíduo.

Se a qualidade de liberdade e de escolha do individuo fossem absolutas, não haveria sentido na proteção da propriedade privada. O Estado não poderia denunciar, processar, julgar e sentenciar qualquer crime cometido pelo indivíduo. Sem a ação do Estado, o patrimônio de nenhum indivíduo teria garantia. Determinadas ações e comportamentos do indivíduo são, assim, tipificados e considerados crimes. Aqui eu proponho uma ideia desafiadora: a questão da liberdade e da escolha do indivíduo deve ser diferenciada e separada da questão do crime.

Devemos nos perguntar então: A causa do crime tem conexão com a liberdade e a escolha do indivíduo? A causa do crime é determinada pela condição social do indivíduo? A liberdade e a escolha do indivíduo o conduzem a cometer crimes?

Uma vez que o homem é um animal social, para que o homem tenha escolha, isto depende de acessos, recursos e capacidades, dificilmente haverá escolha sem condicionantes sociais. Isso não significa, entretanto, que as condições sociais sejam determinantes para que o indivíduo venha a cometer crimes.

Existem apenas três condições que fazem com que o indivíduo cometa crime: meios, motivos e oportunidade. O crime não tem qualquer vínculo com a condição social do indivíduo que comete crimes, senão teríamos duas consequências: a) toda a população de pessoas carentes cometeriam crimes, tornando inócuos e sem sentido a lei e a justiça; b) nenhum individuo com boa escolaridade e nível econômico cometeria crimes, algo longe da realidade observada nas notícias. O indivíduo adentra no mundo do crime por exclusiva escolha pessoal. Ele teve a liberdade para isso. O Estado apenas pode coibir e restringir o indivíduo em sua escolha e liberdade quando atenta ao princípio mais fundamental do Estado, que é o Contrato Social, estabelecido entre o indivíduo e a comunidade.

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