A Era da Mediocridade

Essa é uma queixa pessoal, quem tiver algo a reclamar que falem com Venera-sama.

A internet é uma ferramenta e uma mídia revolucionária. Para o bom e para o ruim. Eu comecei nessa mídia e mundo virtual tardiamente, quando havia Lan Houses públicas. Somente mais tarde adquiri um computador pessoal, com o aplicativo de acesso discado, ou seja, por linha telefônica. A tecnologia avançou, os computadores aumentaram a capacidade de processamento, a capacidade de memória, novas tecnologias aceleraram o acesso à internet, o próprio acesso à internet se tornou um fenômeno de comunicação de massa. Portais se multiplicaram, ferramentas de mídia se multiplicaram, qualquer um pode publicar virtualmente um livro, manter um blog, publicar vídeos. Hoje redes sociais propiciam um verdadeiro espetáculo de privacidade pública, todo mundo tem algo a dizer, algo a mostrar, algo a declarar e não faltam especialistas instantâneos para divulgar o pior da autoajuda, da psicologia de bolso e da filosofia de taverna. Memes, selfies, esoterismo de conveniência, fornecido a doses massivas. A Era da Mediocridade em tempo real/virtual.

Eu tenho percebido uma tendência interessante: blogagem coletiva, ao estilo de redes sociais. Um usuário se inscreve e pode curtir e compartilhar, textos e imagens, como nas redes sociais e pode também publicar textos e imagens, como em blogs [ferramenta de textos] e pixlogs [ferramenta de imagens]. Como tudo é público, massificado, a tendência é a de predominar um nível médio de escolaridade. Os poucos, como no meu caso, que possuem algum nível superior, ou que leem, estudam, pesquisam, sofrem um tipo de cerceamento e censura.

Pode-se dizer que existe a Ditadura do Politicamente Correto, que é a marca da Era da Mediocridade. Todo mundo tem direito e liberdade de se expressar, mas ninguém tem o direito de criticar, de analisar, de expor fatos, de explicar as coisas como elas são. Como o acesso à informação formou toda uma geração de “especialistas instantâneos”, a opinião ou crítica de alguém com nível acadêmico tornou-se obsoleto, desnecessário, inconveniente, desagradável.

Palavras que significavam alguma coisa como “respeito”, “intolerância”, “preconceito”, entre outras são usadas sem parcimônia para calar, censurar, omitir e recriminar aquele que possui algum conhecimento.

Eu tenho opinião e personalidade fortes, eu não vou negociar nem usar eufemismo, eu vou escancarar a ferida, indicar a causa e receitar o remédio.

Tem gente que se faz de vitima e acha que deve ser tratada com atenção e cuidado. Eu não dou a quem quer que seja aquilo que não se merece. Viver é sofrimento, isto é normal, natural e saudável, sem sofrimento não atendemos nossas necessidades. Nenhum ser vivo pode viver sem causar sofrimento a outro ser vivo. Quando alguém torna o sofrimento algo pessoal, um tipo de mérito distorcido, o problema é da pessoa, não da vida.

Tem gente que gosta de ajudar outras pessoas, faz caridade, faz trabalho voluntário. Citando resumidamente Jankelevich: a caridade é um suborno da consciência. O pequeno burguês sente-se com a consciência pesada por que [re]produz um sistema baseado em uma desigualdade social, política e econômica. Então ele convenientemente escolhe alguns merecedores de sua “caridade” para sentir sua consciência aliviada, pois “ajudou” a minorar o “sofrimento” de uma “pessoa carente”. O pequeno burguês não altera o sistema e o “carente” se aproveita da caridade, dando origem à Indústria da Miséria. Isso não é empatia, é estupidez, é criar dependência, é estimular a autocomplacência, é premiar a mediocridade. Apenas quando acabarmos com as causas da desigualdade sistêmica é que poderemos efetivamente ajudar quem precisa, pois o “carente” encontrará meios, condições e técnicas para suprir suas necessidades.

Não existem atalhos nem formulas mágicas. Se queremos um mundo melhor, nós temos que torna-lo real por ações, não por palavras.

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