Pessoa e personalidade

Dentro da proposta da obra “Manifesto Contrassexual” de Beatriz Preciado, considerando a Desconstrução de Derrida quanto ao que tange a plasticidade da Linguagem, este texto irá explorar os conceitos [pré] concebidos sobre pessoa, identidade e individualidade.

O conceito de pessoa está conectado ao sentido de ser humano, bem como à identificação do “ser” e do “eu”. Se esse eu se refere ao corpo, ao ego ou à mente, esta é a questão crucial. Quando usamos a linguagem e definimos quem ou o que é o nosso “eu”, automaticamente definimos a alteridade do “outro”, quando usamos a localidade física para definir o “eu” em relação a um corpo, tornamos material o conceito de “eu”.

Nós temos documentos, imagens e testemunhas que podem confirmar a existência desse corpo determinado como sendo o “eu”, distinto e diferente, identificado e individualizado por um nome. Todas estas formas são, por sua vez, inscritas em uma Linguagem e materializadas, mas na ausência do objeto, nós não deixamos de ser este “eu”. Então o “eu” não está restrito ou subscrito por objetos, pelo corpo ou outras formas de materializações do conceito que exprimimos como sendo o “eu”. O conceito de “eu” é materializado pela Linguagem, mas sua origem é mental, transcendental. O “eu” não é material, não está no corpo, o “eu” pertence ao ambiente da alma, do espírito. O “eu” não sendo carnal, mas espiritual, é eterno. O “eu” sendo alma, pode estar em qualquer corpo ou em qualquer representação do “eu”, seja esta física ou metafísica.

Considerando que o “eu” é imaterial, o corpo no qual este habita se configura de acordo com a sociedade, a cultura e o tempo em que este está manifestado. O “eu” se torna uma pessoa e sua relação com um determinado momentum espaço-tempo se torna uma personagem. O “eu” restringido pela vetorização de sua existência assimila, produz e reproduz certas normas, regras, proibições e limitações que estão consolidadas na educação, na lei e nos costumes. A pessoa realiza um determinado papel, como um ator canastrão, fazendo cena nessa peça de teatro que chamamos de vida. A pessoa, portanto, é um personagem, que acredita estar efetivamente vivo e que seu corpo [seu ego] consiste no seu real “eu”.

O corpo é uma imagem construída a partir da Linguagem. As diversas representações do corpo são materializadas pela Linguagem. Mas uma imagem não é o corpo, é uma representação artificial de algo irreal. A imagem no espelho, uma foto, uma pintura, são apropriações feitas pela Linguagem para representar [tornar presente] estes conceitos imateriais, mentais, transcendentais. A Linguagem desloca o verdadeiro centro do “eu”.

Uma vez que o “eu” está deslocado, o “eu” é tanto real quanto virtual; o “eu” pode estar inserido em um determinado corpo, seja este físico ou virtual; o “eu” pode ser um personagem em uma sociedade de um mundo fenomênico ou ser um personagem em uma sociedade em mundo artificial.

Na Sociedade Contrassexual, o corpo pode se identificar com qualquer forma de personalidade, seja esta física ou virtual. Uma vez que o “eu” não está restrito ao corpo e o corpo não está restrito aos padrões de gênero/sexualidade, a personalidade do corpo pode assumir diversas sexualidades e gêneros, pode ressignificar e reificar a Linguagem, visto que esta é plasmática.

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